Imagem de leitura — Alexander Mark Rossi

6 01 2016

 

 

Alexander Mark Rossi (GB1840-1916)The Love Letter (1894)A carta de amor, 1894

Alexander Mark Rossi (GB, 1840-1916)

aquarela e guache sobre papel, 69 x 105 cm





Na boca do povo: escolha de provérbio popular!

6 01 2016

 

 

dinheiro, loteria, o que fazer, opções, DonaldPato Donald sonha em como gastar o dinheiro da loteria, ilustração Walt Disney.

 

 

“A economia é a base da prosperidade.”





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

6 01 2016

 

 

di-cavalcanti-natureza-morta-oleo-sobre-tela-Natureza morta

Di Cavalcanti (Brasil, 1897-1976)

óleo sobre tela





Resenha: “A jornada de Felícia” de William Trevor

6 01 2016

 

 

90989e4a692cb10a65520b0405c0bd91Retrato de jovem, 1921

Mainie Jeller (Irlanda, 1897-1944)

óleo sobre tela

Museu Irlandês de Arte Moderna, Dublin

 

 

 

Quando criança levei anos para gostar de O Patinho Feio, porque não aceitava ver o pobrezinho repudiado pela família; chorei com as maldades da madrasta de João e Maria e com as desventuras relatadas pelo burrico da Condessa de Ségur. Hoje, ainda tenho aversão a maldades, a me familiarizar com os hábitos de monstros humanos. É difícil, então, ler uma obra de ficção em que há dois protagonistas: um assassino em série, tratado com quase benevolência e sua vítima, uma jovem de 17 anos, grávida, tratada com frieza. Nenhum dos dois consegue ter a minha simpatia. E é isso exatamente que Wiliam Trevor deseja, numa narrativa perturbadora. Ter lido A jornada de Felícia até o fim é surpreendente e um enorme elogio ao autor.

 

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O suspense psicológico dessa história é controlado. Mas não deixa de ser uma narrativa desconcertante por levar o leitor a habitar a cabeça de Mr. Hilditch, próximo ao desvelo pelo assassino. Paralelamente, outra surpresa: mesmo depois de conhecer o passado de Felícia, sua inocência, sua inexperiência, o leitor se encontra, assim como o autor, pronto para rejeitá-la. Esse é o poder da narrativa de William Trevor, um mestre, sem dúvida alguma, na arte literária. A jornada de Felícia, no entanto, é um livro desagradável, incômodo que subverte os parâmetros emocionais do leitor.

 

william trevorWilliam Trevor

 

Felícia e Mr. Hilditch são duas pessoas muito diversas que se encontram por um capricho do acaso. Ela grávida, seduzida por um rapaz de sua pequena cidade que nunca teve a intenção de levá-la a sério. Ele, Joseph Ambrose Hilditch, um homem gordo, com óculos de fundo de garrafa, com um bom temperamento, sólido trabalhador, em um serviço de catering. Os sentimentos mais recônditos de cada um deles aparecem para o leitor numa cadência determinada, sutil e enervante. William Trevor não deixa de mostrar também o lado mais cruel da vida dos que não têm dinheiro, casa ou comida. Com ele o leitor passeia pelo mundo desconhecido e sombrio da rua. À beira do abismo foi o meu sentimento através dessas páginas, 275 delas. Quando? O quê acontecerá? Haverá um golpe final? O desfecho, assim como a obra não tem uma solução clara. Há frustração. Há, como na vida, falta de solução. Não há fada madrinha, não há obra do acaso para redimir a vida desses personagens. Mas talvez, quem sabe, esse seja o único final possível.

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Uma narrativa sublime. Escrita com precisão cirúrgica. Difícil de recomendar. O risco é seu.





Imagem de leitura — Jean Claude Mercury

5 01 2016

 

 

Jean_claude_mercury-lecture Jean Claude Mercury - LeituraLeitura: Farenheit 451

Jean-Claude Mercury (França, contemporâneo)

acrílica sobre tela, 40 x 30 cm





Trova dos teus braços

5 01 2016

 

 

BEIJO ROUBADO, howard chandler christy, 1904Beijo roubado, ilustração de Howard Chandler Christy, 1904.

 

 

Fico em teus braços… Depois,

rogo a Deus, mais uma vez,

que o segredo de nós dois

fique só entre nós três.

 

(Cezário Brandi Filho)





Giorgio de Chirico, anotações de Murilo Mendes

5 01 2016

 

hector-and-andromacheHeitor e Andrômaca, 1917

Giorgio de Chirico (Grécia, 1888-1978)

óleo sobre tela, 90 x 60 cm

Coleção Particular

 

 

♦ Giorgio de Chirico  foi um dos ídolos da minha mocidade. Nessa época eu admirava seus quadros somente de fotografia: mais tarde, ao conhecer os originais, notei que muitos ganham com a reprodução. Alguns poemas da minha fase inicial descendem — direta ou colateralmente — do primeiro de Chirico aquele dos manequins, dos interiores “metafísicos”, do deserto melancólico das praças, italianas ou não, transpostas a uma situação particular de sonho; o poeta de uma Grécia heterogênea, mental e plástica, infinitamente recomeçada, onde o absoluto serve o relativo. Pintura, certo, de evasão, de recriação da memória, mas com implicações revolucionárias: contra o predomínio da mecânica, contra a prepotência da razão, contra certos postulados da civilização burguesa.

 

♦  O segundo de Chirico, involuindo numa direção quase acadêmica, constitui para a crítica um enigma: vestido com uma roupagem do século 17, dirige perguntas a Édipo que se surpreende ao ver renegada a arte moderna por um de seus próprios criadores, a quem André Breton definiu figura maior do surrealismo, com seu irmão e inspirador Alberto Savinio.

 

♦  Desde a primeira época da formação do surrealismo informei-me avidamente sobre essa técnica de vanguarda, a qual, embora eu não adotasse como sistema, me fascinava, compelindo-me à criação de uma atmosfera insólita, e ao abandono de esquemas fáceis ou previstos. Tratava-se de um de dever da cultura. O Brasil, segundo Jorge de Sena, é surrealista de nascimento, de modo que a minha “conversão”, ainda é parcial, àquele método, não foi difícil. Fenômeno análogo verifica-se com Ismael Nery. Não é um pintor surrealista ortodoxo, mas em muitos quadros e desenhos levanta uma realidade “autre”, na linha surrealista da invenção e metamorfose; sem perder a força plástica. Entre os anos de 20 e 30 ele fora à Europa duas vezes, conhecendo alguns membros do grupo em Paris. Trouxe-me abundante documentação sobre o movimento, em especial sobre de Chirico e Max Ernst (outro que me inspirou), cujos nomes ainda estavam longe da irradiação atual.

 

♦  Instalando-me em Roma, logo contatei escritores e artistas. Fui visitar de Chirico (que, a convite de Ungaretti, assistira na universidade à minha aula inaugural). Sua casa da Piazza di Spagna acha-se estupendamente situada junto daquela onde morreu Keats, com vistas para Trinità dei Monti e a Villa Medici. Claro que estava bem informado sobre sua involução, conhecendo muitos quadros dos últimos períodos. Apesar disto, julguei que seu ambiente conservasse vestígios dos tempos do primeiro de Chirico. Enganei-me: os móveis, a decoração, os quadros do próprio pintor (nus medíocres, auto-retratos com chapéus, emplumados), aproximavam-se do gosto burguês. Felizmente lá conheci sua sobrinha, a bela Angelica, filha de Savinio, diretora duma galeria d’arte em Roma; que escapou até hoje de ser retratada pelo segundo de Chirico, e da qual me tornei amigo. Já com o pintor é difícil fundar uma amizade: seu orgulho e excessivo narcisismo dificultam a comunicação.

 

♦  Não importa. Mesmo admitindo que ele reúna em sua pessoa Dr. Jekyll e Mister Hyde, mesmo estranhando o ambiente de sua casa, tão diverso dos interiores “metafísicos”, mesmo reprovando o inimigo da arte moderna que implica o personagem bufo, rival de Dali, a brilhar na televisão, para mim (e, certamente, para muitos) o primeiro de Chirico, fabuloso, permanece. Procedido, talvez, apenas por Monsiu Desiderio, ele é um anunciador de novos tempos, o criador de uma nova dimensão do sagrado, de um espaço específico da pintura de situações enigmáticas e alusões secretas, fautor da passagem a infra-estrutura do subconsciente à supra-estrutura artística, operação esta completada pela sua considerável novela-poema em prosa “Ebdómero”.

 

1971

 

Em: Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980, pp. 218-220.





Imagem de leitura — Claude Monet

5 01 2016

 

 

Claude Monet, Méditation. Madame Monet au canapé, Paris, Musée d'Orsay, 1871 c., oil on canvas,42 x 74,5 cm

Meditação, Mme Monet no canapé, 1871

Claude Monet (França, 1840-1926)

óleo sobre tela, 42 x 74 cm

Musée d’Orsay, Paris





Nossas cidades — Brasília

4 01 2016

 

 

Pedro Guedes,Brasília,50 x 60 cm – OSLSM,Ass. Verso e Dat. 2009Brasília, 2009

Pedro Guedes (Brasil, 1960)

óleo sobre tela colado em madeira, 50 x 60 cm





Cães famosos na literatura brasileira

4 01 2016

 

Puppies PaintingIlustração de Ian Ward. www.ianward.co.uk

 

 

 

Hoje passei os olhos num artigo sobre cães literários.  O artigo era americano. Citava o nome de alguns personagens cães que fazem parte da literatura americana. E que passaram a fazer parte da cultura americana em geral.  É claro que disparei para o Google procurando lista semelhante no Brasil.  Achei uma pequena e adicionei um ou outro nome de personagem literário canino, de que me lembrava.

Aqui vai:

 

Amigo Cachorro, Belmiro Braga

Baleia, Graciliano Ramos

Biruta, Lygia Fagundes Telles

Bruno Lichtenstein, de Rubem Braga

Firififi, Dalton Trevisan

Japir, José de Alencar

Madrugada, Orígenes Lessa

Mila, Carlos Heitor Cony

Perigo, de Domingos Pellegrini

Pingo-de-ouro, de Guimarães Rosa

Plutão, Olavo Bilac

Quincas Borba, Machado de Assis

Samba, Maria José Dupré

Tentação, de Clarice Lispector

Tusca, Marina Colasanti

Uno, Walcir Carrasco

Veludo, de Luiz Guimarães

Zig, Rubem Braga

 

Alguém se lembra de outros cães famosos?  Há de haver….

 

Adicionando sugestões dos leitores:

Floquinho, Maurício de Sousa