Minutos de sabedoria — Rebecca Walker

17 11 2014

 

CHA -- Albert Lynch 2Capa para a revista americana Ladies Home Journal, agosto de 1910.

Albert Lynch (Peru, 1851-1912)

 

“… ao final das contas, o que vale na vida é: estar com as pessoas que você ama, repetidamente, até que você não possa estar mais com elas.”

 

 

rebecca_walker_hiresRebecca Walker





Trova dos passarinhos

17 11 2014

 

 

pasarinho azul, Ariane Beigneux (1918, American)Ilustração de Ariane Beigneux.

 

Oh! quanta beleza… quanta!

nessa algazarra dos ninhos!

Parece até que Deus canta

pela voz dos passarinhos!

 

Joubert de Araújo Silva





Imagem de leitura — Arthur Ackland Hunt

16 11 2014

Hormuzd Rassam pinturaRetrato do arqueólogo Hormuzd Rassam, 1869

Arthur Ackland Hunt (Inglaterra, 1841-1914)

óleo sobre tela, 110 x 83 cm

Museu Britânico





Resenha de “O trem dos órfãos” de Christina Baker Kline

16 11 2014

 

Agostinho Batista,Trem(1978),29 x 44 cmTrem, 1978

Agostinho Batista de Freitas (Brasil, 1927-1997)

acrílica sobre tela, 29 x 44 cm

 

Daqui a dez anos, não vou me lembrar deste livro. O que ficará comigo da leitura de O trem dos órfãos? Fica o fato histórico, uma revelação mesmerizante, mesmo para quem está familiarizado com a história dos Estados Unidos: por mais de cinquenta anos houve um trem de órfãos. Mas é só. Só isso que ficará comigo. O resto não criou raízes, não me afetou. Na verdade me irritou muitas vezes quando me senti manipulada emocionalmente.

O título e a chamada na capa traseira da edição brasileira já preparam o leitor para um drama e direcionam a nossa opinião para uma injustiça social. “Entre 1854 e1929, os chamados ‘trens dos órfãos’ percorriam regularmente cidades da costa leste até fazendas do meio-oeste dos Estados Unidos, carregando milhares de crianças abandonadas cujo destino seria determinado simplesmente pela sorte”. Note-se que a sugestão de que nossas emoções serão testadas começa aí, quando faz-se a notificação de que o “destino[ das crianças] seria determinado simplesmente pela sorte”, ou seja que elas estariam abandonadas à sua sorte, por causa do trem que as levava.  Este é o alerta às nossas lágrimas e soluços, que vem da sugestão de que só o destino dessas crianças é determinado pela sorte, quando que sabemos muito bem que todo ser humano, assim como essas crianças, tem sua sorte determinada em grande parte por seu destino. Começamos, portanto, a leitura guiada, enviesada, para achar o ‘trem dos órfãos’ uma prática desumana e inaceitável.

 

O_TREM_DOS_RFAOS__1399996119B.jpg

Há um grande problema com releituras de fatos históricos: a tendência de julgarmos o passado com os olhos de hoje. O que eram práticas comuns em Roma antiga, por exemplo, não conseguem ser aceitas hoje: escravidão, estupro dos vencedores sobre as mulheres dos vencidos na guerra, relações licenciosas entre meninos e homens maduros. Não se aceita, no presente, que o dono de uma terra tenha o direito à primeira noite de núpcias da jovem com quem seu inquilino se casara, como podia acontecer em comunidades medievais. O comportamento humano é passível de mudança, mas qualquer historiador sabe que o ser humano é cruel com o seu semelhante. Mas sabemos também que as condições históricas de cada momento não conseguem ser pensadas com integridade, quando o leitor contemporâneo se encontra sentado no conforto de sua poltrona preferida, desfrutando de luxos como uma semana de 40 horas de trabalho, ar-condicionado para os dias de calor e um carro potente a levá-lo sem esforço a comprar os suprimentos necessários à sua vida. Sem maior conhecimento de história, não nos lembramos que esses luxos foram adquiridos só depois da segunda metade do século XX. E é aí que se encontra o ponto mais fraco do romance de Christina Baker Kline, a falta de contexto histórico que localize para o leitor as razões desse experimento social. Um bom romance com temática histórica implica uma revelação contextualizada. Nesse livro o contexto aparece superficialmente e com o viés moralista da atualidade. Não descobrimos claramente o porquê. Por que havia tantos órfãos ou crianças abandonadas nas ruas das grandes cidades americanas? Seria o mesmo fenômeno social apresentado nos livros de Charles Dickens, o escritor inglês que se distinguiu pela descrição dos moleques de rua, criminosos, na Londres vitoriana, como acontece em Oliver Twist? Não sabemos. A história centrada nos dois personagens que se opõe na idade mas que são semelhantes em sua exclusão social se apequena às experiências das duas protagonistas. O tema é muito maior… e se perde.

Um bom debate, caso esse livro chegue ao seu círculo de leituras, seria justamente descobrir que medidas tomar quando há um número extraordinário de órfãos, crianças abandonadas ou maltratadas. O ‘trem dos órfãos’ americano foi um experimento social que tinha como objetivo, proteger e melhorar as condições de vida dessas crianças. Pode não ter dado certo, ou pelo menos para alguns não deu certo, mas também foi capaz de dar casa e comida para muitos indigentes menores de idade cujo destino já se projetava nefasto, caso permanecessem onde estavam, abandonados nas ruas.

 

112421399995920G.jpgChristina Baker Kline

 

Quase todas as pessoas que encontrei gostaram da leitura de O trem dos órfãos, emocionadas com a trágica vida de Vivian Daly. Mas a trama é previsível e melodramática. Só faltava a orquestra de violinos em alguns momentos cinematográficos. Molly Ayer, uma menina quase adulta, que paga pela sua rebeldia com trabalhos sociais é um estereótipo, um personagem raso e improvável. A narrativa se apresenta com altos e baixos, aparecendo mais complexa só na descrição da nonagenária Vivian. Molly parece ter sido um personagem inserido posteriormente, como se uma obrigação – poderia ser a conselho do editor? — para contrabalançar a história de vida da velha senhora. Há momentos, principalmente a partir de meados do livro que a prosa parece ter sido escrita em um outro momento da autora e às pressas.

Tenho a impressão de que este foi um romance encomendado para o mercado jovem adulto. Muita emoção, muita reverberação fácil de questões de identidade, pouca preocupação com estilo. Não foi escrito com a intenção de permanecer na nossa imaginação dando frutos para experiências futuras. Não me surpreenderei ao ver essa história no cinema, onde garotas adolescentes encontrarão na sala escura, ambiente favorável ao debulhar de lágrimas tão necessárias para o equilíbrio das glândulas hormonais em desalinho. Dá saudades de grandes romancistas históricos contemporâneos como Philippa Gregory, Noah Gordon, Hilary Mantel entre outros escritores de ficção histórica.





Domingo, um passeio no campo!

16 11 2014

 

 

 

PAULO GAGARIM (1885 - 1980) - Paisagem de Umuarama - Paraná, óleo seucatex, 27 X 33.Paisagem de Umuarama, Paraná

Paulo Gagarin (Rússia/Brasil, 1885-1980)

óleo sobre eucatex, 27 x 33 cm





Imagem de leitura — Harold Knight

16 11 2014

 

HAROLD KNIGHT - Lendo à janela - Óleo sobre painel - 61 X 51Lendo à janela

Harold Knight (Inglaterra, 1874-1961)

óleo sobre madeira,  61 x 51 cm





Oportunidades perdidas, texto de Rosa Montero

15 11 2014

 

ALICE BRILL - Casario - OST - CID - dat 1988 - 79 x 42 cm.Casario, 1988

Alice Brill (Alemanha/Brasil, 1920-2013)

óleo sobre tela, 79 x 42 cm

 

“A máquina reduziu a velocidade e entrou em Bernal bufando. Antônia olhou pela janela, ainda meio tonta: uma estação vazia e quente; um carrinho de menino abandonado na plataforma; mais além, por cima das cercas onduladas, as torres de cimento de um bairro em expansão.  Antônia nunca tinha descido em Bernal, e esta cidade era para ela como um cenário de teatro: o costume havia convertido todo o itinerário em uma sucessão de cromos planos, de modo que Valbierzo era só os azulejos quebrados da estação; Valones, o relógio de marco de madeira que estava pendurado em um poste; e Bernal, estas plataformas e a ponta das torres sujas de cimento.  Mas agora Bernal adquiriu volume de repente, e Antônia compreendeu, pela primeira vez, que a cidade se estendia além do fragmento que abarcava a janela: centenas de ruas que nunca havia pisado, milhares de pessoas às quais nunca tinha visto. Engoliu saliva, deslumbrada frente a imensidão do mundo.  E se descesse? E se ficasse aqui? O colossal da ocorrência deixou-a sem fôlego. O trem tremia com respiração hidráulica e os minutos de parada se consumiam rapidamente. E se me levantasse, tirasse a maleta do compartimento, saísse dali, descesse do vagão? Que vertigem, que desfalecimento, que emoção. Estava com a passagem de volta, 5 mil pesetas que Antônio tinha dado para a mãe, 1.200 pesetas suas, uma muda de roupa interior, uma blusa sobressalente, uma camisola, as pantufas, uma escova de dentes, um pente, pó compacto, os remédios que o médico tinha receitado, uma garrafinha de plástico com colônia, dois lenços, as meias de seda da senhora Encarna, um pequeno estojo de cretone com utensílios de costura, uma jaqueta para o caso de fazer frio, um tubo de aspirinas, uma estampa de Niño del Remédio, um envelope com tirinhas, uma revista feminina. E se descesse? Agora era diferente. Agora as mulheres iam e vinham sozinhas para todos os lados, e eram médicas, e advogadas, e até policiais. Imaginou-se de pé na estação vazia, agarrada à sua nécessaire, contemplando como o trem apitava e se perdia ao longe, o caminho de Malgorta; tentou ir além e ver a si mesma saindo da estação em direção ao desconhecido, mas a cena desapareceu: era incapaz de imaginar aquilo que não conhecia. A locomotiva apitou, anunciando a saída. Agora, agora ou nunca, Bernal aí fora, esperando-a, Bernal imensa, cidade fabril, seca cidade da planície. Agora, agora ou nunca, mas o vagão rangia, e já começava a deslizar e Bernal resvalava lentamente ao outro lado da janela e suas dimensões contraíam-se ate fechar de novo no cromo plano e conhecido.

Antônia encostou-se no assento e suspirou com decepção e alívio. O trem ia adquirindo velocidade e atravessava já colinas nuas a caminho de Ruigarbo. O rapaz continuava lendo com o livro apoiado na opulência de suas coxas, o avô cuspia os brônquios em um acesso de tosse, as freiras passavam as contas do rosário entre seus dedos, e Antônia, fechando os olhos, decidiu se unir a elas em suas rezas e começou a murmurar para si mesma o terceiro mistério doloroso.”

Em: Te tratarei como uma rainha, Rosa Montero, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 2014, pp 84-86; tradução de Marcelo Barbão.

NOTA: Em espírito, este trecho me lembrou um dos mais interessantes contos de Henry James, A fera na selva, que no Brasil foi publicado como um romance, e nos Estados Unidos como um conto.  Se você não conhece essa obra de James vale a pena dedicar umas duas horas do seu tempo. É um trabalho muito importante.





Flores para um sábado perfeito!

15 11 2014

 

 

 

JOHN GRAZ (Genebra, 12 de Abril de 1891 SP, 27 de Outubro de 1890) - Fleurs. Guache. Ass. cid. mi 68 x 98 cmFlores

John Graz (Suíça/Brasil, 1891-1980)

guache sobre papel, 68 x 98 cm





Trova das mãos que trabalham

15 11 2014

 

 

76fc49784c0e3ee23c0701dc7ff4dcf4Ilustração anônima.

 

 

Mãos em obras, em conquistas,

mãos no campo, em hospitais,

mãos em prece, mãos de artistas,

tão diversas, tão iguais…

 

(Orlando Brito)





Rio de Janeiro a caminho dos 450 anos!

14 11 2014

 

 

Abigail_de_Andrade,_1888,_Estrada_do_Mundo_Novo_com_Pão_de_Açúcar_ao_FundoEstrada do Mundo Novo com Pão de Açúcar ao fundo, 1888

Abigail de Andrade (Brasil, 1864-1890)

óleo sobre tela