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Gabriel Ferrier (França, 1847-1914)
óleo sobre tela
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“Os livros que tenho nas estantes formam um desenho de mim: o que quero lembrar e o que não quero esquecer”.
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José Luís Peixoto
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Gabriel Ferrier (França, 1847-1914)
óleo sobre tela
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José Luís Peixoto
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Orgulho é como se fosse
uma bolha de sabão:
com um sopro do destino,
espatifa-se no chão.
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(Ailsa Alves Santos)
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Mary Bell Eastlake (Canadá, 1864-1951)
óleo sobre tela, 68 x 72 cm
National Gallery of Canada, Ottawa
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Maria Alexandra Eastlake (née Bell) estudou em Montreal com Robert Harris; em Nova York, na Art Students League com William Chase (c. 1885); e na Académie Colarossi. Em 1886 foi contratada para pintar uma série de obras para clientes norte-americanos em Nova York. Viajou para a França e Inglaterra (1890) e Paris em 1891. Tornou-se um membro da equipe de Victoria School of Art, de Montreal, em 1892. Ela foi para a Inglaterra e se estabeleceu em St. Ives, onde conheceu e se casou com o pintor Inglês Charles H. Eastlake. Viajou extensivamente na Europa e Ásia, e em 1939 o casal voltou para Montreal e depois Almonte.
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São Luís rumo à Tunísia, em sua segunda cruzada, depois de 1332, antes de 1350.
Mahiet, Mestre do Missal de Cambrai
Cambrai, Bibliothèque municipale ms. no. 224
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Há pessoas que nos influenciam apesar de nunca as termos visto ou encontrado. Devo muito a Jacques Le Goff, o grande historiador que faleceu dia 1º aos noventa anos, em seu país de origem, França. Não, ele não sabia da minha existência. Nunca trocamos uma palavra em carta, email, telefone. Ao que eu saiba não temos amigos em comum. Mas seus livros fizeram parte da minha vida, uma grande parte da minha vida.
Não fui uma criança prodígio. Não descobri em tenra idade aquela habilidade que outros dissessem, “vá estudar história da arte … Você tem sensibilidade nata para o assunto“. Pelo contrário, cheguei aqui por caminhos tortos, becos sem saída, pela constante reinvenção e redirecionamento dos meus objetivos. Quem hoje examinasse os meus boletins dos anos de adolescência descobriria que minhas notas em história não eram boas. Ninguém poderia imaginar que este seria o caminho a ser traçado no futuro. Não. O oposto parecia apontar no horizonte. Pensei seriamente em fazer medicina, isso depois de pensar em ser astrônoma e engenheira naval. O curso de letras que foi a entrada para as ciências humanas, não havia sido minha primeira escolha. E a história da arte aconteceu de surpresa, caminho conduzido em parte por uma excelente professora de literatura, na Universidade Federal Fluminense, que ao ensinar Balzac trouxe para a sala de aula imagens de quadros franceses da época. Ideias trocadas, informações sobre pintores e descobri que havia a tal história da arte. Que influência bons professores exercem sobre seus alunos!
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Inicial iluminada, Boécio ensinando a seus alunos, 1325
Manuscrito: Consolação da filosofia, Itália (?)
MS Hunter 374 (V.1.11), Glasgow University Library
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Há mais de uma maneira de se ensinar. Minha paixão pela história só se acendeu, através de dois grandes historiadores cujos livros, lidos paulatinamente, parágrafo a parágrafo, incendiaram minha imaginação e me acompanharam desde então a qualquer hora, em qualquer momento: Arnold J. Toynbee e Jacques Le Goff. Toynbee já havia morrido quando fui apresentada ao seu trabalho. Um bom escritor vive para sempre através de seus leitores, e sua prosa era de fácil entendimento. Apaixonante sua visão da imensa continuidade da história, para não falar de sua erudição. Jacques Le Goff foi o outro historiador que marcou a minha formação principalmente aquela formação pós-universitária, quando temos a liberdade de ir atrás dos pequenos detalhes que nos deixam curiosos, sem a preocupação de preencher um currículo ou uma determinada etapa da vida. Jacques Le Goff foi aquele historiador de quem eu esperava as novas publicações com ansiedade. Foi ele quem fez a história europeia pós-império romano viva para mim. Concentrando-se no homem comum ele coloriu o mundo pré-renascentista de tal maneira e com tanta precisão que podemos nele ver as raízes de muito das nossas vidas diárias hoje. Não sou medievalista. Minha porção de especialização formal é a era moderna europeia: 1860-1945. Pelo menos foi assim que deixei os bancos universitários. Mas a cada nova contribuição de Le Goff e de todos aqueles que ele formou mais me virei para a Europa medieval, esses grandes e sedutores séculos. Séculos que parecem cantos de sereia nos levando a profundezas enigmáticas. Mesmerizantes. É portanto com muito pesar que recebo a noticia de que não poderemos mais contar com suas brilhantes publicações. Registro então o vazio que sinto pelo que não virá, e o agradecimento pela riqueza do que ele nos deu.
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Heliana Lustman (Brasil, contemporânea)
óleo sobre tela, 40 x 60 cm
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Tintin e cachorro, ilustração de Hergé.–
Faze da vida, sem pressa,
um constante aprendizado;
toda estrada só começa
no primeiro passo dado!
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(Nélio Bessant)