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Antonio Soriano (Brasil, 1944)
acrílica sobre tela, 34 x 40 cm
Coleção Particular
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Antonio Soriano (Brasil, 1944)
acrílica sobre tela, 34 x 40 cm
Coleção Particular
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Ilustração captada na internet sem autoria especificada.–
Há pouco tempo criei um mal-estar na família, por sugerir a um jovem membro que considerasse, pensasse, e talvez limitasse a postagem de uma ou outra foto que haviam sido postadas na internet, no Facebook mais precisamentre. Os pais não entenderam a observação como crítica construtiva, levaram para o lado pessoal… Lembraram-me que eu não sabia como as coisas funcionavam no mundo moderno, e assim foi… Abandonei a ideia de contribuir para a preservação do futuro da família, deixei de lado qualquer advertência. As fotos, na verdade, não tinham nada demais, mas eu sabia, por experiência de vida e de usuária da internet, há mais tempo do que a maioria das pessoas, que devemos ter muito cuidado, muito cuidado, com aquilo que postamos. As pessoas mudam, os costumes mudam e nem sempre o que poderia ser interpretado num dado momento como engraçado, pode ser visto mais tarde como tal. Foi uma pena…
Hoje, no entanto, o primeiro parágrafo da coluna A nova era digital da Cora Ronai no jornal O Globo, recomendando a leitura de “A nova era digital: como será o futuro das pessoas, das nações e dos negócios”, de Eric Schmidt e Jared Cohen (Intrínseca, 320 páginas, tradução de Ana Beatriz Rodrigues e Rogerio Durst) serve justamente de advertência a pais e outros usuários. Ela lembra que a internet não esquece. E que tudo que lá se posta fica guardado para sempre, e que uma simples busca na web pode revelar muito do que se sabe a seu respeito, desde suas preferências até as loucuras da adolescência. Dos palavrões às declarações de amor… das fotos comportadas às que mostram um comportamento questionável. Postou? Ficou para sempre. Só postou fotos suas, tiradas com o celular? Quem disse que não o considerarão narcisista, preocupada só consigo mesmo, com a sua aparência? De brincadeira tirou uma foto beirando o erótico? Que pensarão seus futuros empregadores sobre você? Estará tudo lá. Para sempre… ad eternum... Então fiquem aqui com a advertência de quem é considerada EXPERT na internet, leiam o primeiro parágrafo da Cora Ronai e cliquem no link para ler o artigo inteiro. Sinto-me justificada.
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“Um dia — que já devia ter sido ontem — todos os pais e mães terão uma conversa muito séria com os filhos a respeito da vida online. Essa conversa é ainda mais importante do que aquela clássica conversa sobre sexo da qual todos querem fugir, e deve começar cada vez mais cedo: a internet não esquece nada, e pode ser que, lá na frente, o destino profissional de uma pessoa possa ser prejudicado por uma bobagem que ela postou na adolescência. Pela primeira vez desde que o mundo é mundo, a vida das pessoas começa a ser registrada antes mesmo que elas venham o mundo, com as ultrassonografias postadas por pais orgulhosos nas redes sociais; o registro continua, implacável, pelos anos escolares, pela universidade, pelo trabalho. Uma busca das mais simples pode revelar hábitos alimentares, culturais e de consumo, amores e ódios. Nos tempos pré-internet, os humanos gozavam o benefício do esquecimento. Fomos geneticamente programados para isso, numa prova de que a natureza é sábia até socialmente: uma pessoa de 30 anos guarda muito pouco de quem era aos 15. Basta ver os cortes de cabelo e as roupas que tínhamos coragem de usar…”
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Mapa do Brasil, século XVI.–
Mapa de Pero Fernandes, 1545.–
Mapa do Brasil, século XVI.–
Atlas de Sebastião Lopes, 1565.–
Mapa de Giàcomo Gastaldi, 1550.–
Mapa parcial do Brasil e vizinhos, 1585.–
Mapa de Luís Teixeira, 1574.–
Mapa Diego Homem, 1558.–
Mapa Piri Reis, 1513.–
Mapa, 1573.–
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Ilustração Gaston Maréchaux, 1918.–
É Inverno … mas, que importa ?
Estou sempre à tua espera.
Quando chegas e abro a porta,
entra junto a Primavera…
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(Déspina Athanásio Perusso)
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Eliseu Visconti (Itália, 1866 — Brasil, 1892)
óleo sobre madeira, 21 x 13 cm
Coleção Particular
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“Compreendeu que saber viver é um dom, uma sabedoria; saber dar valor a fatos que à primeira vista parecem insignificantes, mas que no fundo são de grande valia é uma virtude. Lembrava os conselhos do pai: “quando você estiver triste, seja qual for o motivo, pense nas coisas piores que poderiam ter acontecido e não aconteceram. Pense naqueles que estão sofrendo muito mais que você, nos doentes incuráveis, nos aleijados, nos infelizes e nos indigentes.”
Rira desses conselhos, achara o pai simples, quase pueril, quando dizia: “Procure dar valor às coisas simples da vida, aos pequenos prazeres que estão ao seu alcance; uma hora de boa leitura, uma refeição agradável, uma linda música. Cultive as boas amizades, lembre-se de que a amizade sincera é um bem precioso. Lembre-se de que uma hora de solidão faz bem a quem tem o espírito inquieto, perturbado; lembre-se de que tudo há de vir a tempo, não corra ao encontro de nada, não force os fatos, pode sofrer desilusões. Filha, se toda gente soubesse dar valor a pequenos fatos, a vida seria um paraíso.”
Errara. Não cultivara a flor do espírito. Só dera valor aos grandes bens materiais que o dinheiro pode comprar e desdenhara os bens espirituais. E agora que perdera a fortuna…tinha a impressão de que nada mais ficara, perdera tudo… Poderia ter possuído ambos e agora no fim reter alguma coisa… Não. Não tinha amizades, nem o amor dos filhos. Tinha Dorita, apenas Dorita… Não… Não perdera tudo. A esse pensamento, seu rosto contraiu-se num sorriso quase alegre; ficara aquele anel de valor inestimável, e apertava-o nervosamente contra o peito.
Sorriu ao sentir junto ao corpo o saquinho de pano que fizera naquela tarde para guardar a pedra resplandescente.”
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Em: Os Rodriguez, Sra. Leandro Dupré [Maria José Dupré], São Paulo, Editora Saraiva: 1958; 6ª edição, pp,220-221.
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Aranha Joaninha. Foto: Wikipedia –A aranha-joaninha é natural da Europa, desde os países bem ao norte, como a Noruega e a Inglaterra até o norte da Itália. E quem é bonito assim, é o macho, que também é bem pequenino, de 6 a 9 mm, enquanto a fêmea da espécie é maior e menos atraente. Seu nome científico é Eresus Sandaliatus. Na Inglaterra é considerada uma expécie em perigo de extinção, por falta de habitat. Está protegida pelas leis ambientais inglesas desde 1981.
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Ilustração inspirada no trabalho de Marcus Gheeraerts, o velho (Bélgica, c. 1520- c. 1590)–
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Monteiro Lobato
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Simão, o macaco, e Bichano, o gato, moram juntos na mesma casa. E pintam o sete. Um furta coisas, remexe gavetas, esconde tesourinhas, atormenta o papagaio; outra arranha os tapetes, esfiapa as almofadas e bebe o leite das crianças.
Mas, apesar de amigos e sócios, o macaco sabe agir com tal maromba que é quem sai ganhando sempre.
Foi assim no caso das castanhas.
A cozinheira pusera a assar nas brasas umas castanhas e fora à horta colher temperos. Vendo a cozinha vazia, os dois malandros se aproximaram. Disse o macaco:
— Amigo Bichano, você que tem uma pata jeitosa, tire as castanhas do fogo.
O gato não se fez insistir e com muita arte começou a tirar as castanhas.
— Pronto, uma…
— Agora aquela lá… Isso. Agora aquela gorducha… Isso. E mais a da esquerda, que estalou…
O gato as tirava, mas quem as comia, gulosamente, piscando o olho, era o macaco…
De repente, eis que surge a cozinheira, furiosa, de vara na mão.
— Espere aí, diabada!…
Os dois gatunos sumiram-se aos pinotes.
— Boa peça, hem? — disse o macaco lá longe.
O gato suspirou:
— Para você, que comeu as castanhas. Para mim foi péssima, pois arrisquei o pelo e fiquei em jejum, sem saber que gosto tem uma castanha assada…
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Em: Fábulas, Monteiro Lobato, São Paulo, Ed. Brasiliense:1966, 20ª edição, pp 97-98.
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José Bento Monteiro Lobato, (Taubaté, SP, 1882 – 1948). Escritor, contista; dedicou-se à literatura infantil. Foi um dos fundadores da Companhia Editora Nacional. Chamava-se José Renato Monteiro Lobato e alterou o nome posteriormente para José Bento.
Obras:
A Barca de Gleyre, 1944
A Caçada da Onça, 1924
A ceia dos acusados, 1936
A Chave do Tamanho, 1942
A Correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto, 1955
A Epopéia Americana, 1940
A Menina do Narizinho Arrebitado, 1924
Alice no País do Espelho, 1933
América, 1932
Aritmética da Emília, 1935
As caçadas de Pedrinho, 1933
Aventuras de Hans Staden, 1927
Caçada da Onça, 1925
Cidades Mortas, 1919
Contos Leves, 1935
Contos Pesados, 1940
Conversa entre Amigos, 1986
D. Quixote das crianças, 1936
Emília no País da Gramática, 1934
Escândalo do Petróleo, 1936
Fábulas, 1922
Fábulas de Narizinho, 1923
Ferro, 1931
Filosofia da vida, 1937
Formação da mentalidade, 1940
Geografia de Dona Benta, 1935
História da civilização, 1946
História da filosofia, 1935
História da literatura mundial, 1941
História das Invenções, 1935
História do Mundo para crianças, 1933
Histórias de Tia Nastácia, 1937
How Henry Ford is Regarded in Brazil, 1926
Idéias de Jeca Tatu, 1919
Jeca-Tatuzinho, 1925
Lucia, ou a Menina de Narizinho Arrebitado, 1921
Memórias de Emília, 1936
Mister Slang e o Brasil, 1927
Mundo da Lua, 1923
Na Antevéspera, 1933
Narizinho Arrebitado, 1923
Negrinha, 1920
Novas Reinações de Narizinho, 1933
O Choque das Raças ou O Presidente Negro, 1926
O Garimpeiro do Rio das Garças, 1930
O livro da jangal, 1941
O Macaco que Se Fez Homem, 1923
O Marquês de Rabicó, 1922
O Minotauro, 1939
O pequeno César, 1935
O Picapau Amarelo, 1939
O pó de pirlimpimpim, 1931
O Poço do Visconde, 1937
O presidente negro, 1926
O Saci, 1918
Onda Verde, 1923
Os Doze Trabalhos de Hércules, 1944
Os grandes pensadores, 1939
Os Negros, 1924
Prefácios e Entrevistas, 1946
Problema Vital, 1918
Reforma da Natureza, 1941
Reinações de Narizinho, 1931
Serões de Dona Benta, 1937
Urupês, 1918
Viagem ao Céu, 1932
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Esta fábula de Monteiro Lobato é uma das centenas de variações feitas através dos séculos da fábulas de Esopo, escritor grego, que viveu no século VI AC. Suas fábulas foram reunidas e atribuídas a ele, por Demétrius em 325 AC. Desde então tornaram-se clássicos da cultura ocidental e muitos escritores como Monteiro Lobato, re-escreveram e ficaram famosos por recriarem estas histórias, o que mostra a universalidade dos textos, das emoções descritas e da moral neles exemplificada. Entre os mais famosos escritores que recriaram as Fábulas de Esopo estão Fedro e La Fontaine.
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Abelhas em colméia, ilustração Blanche Wright.–
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Luís Pimentel
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A vida dá muitas voltas
e volta sempre ao começo.
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Nos mostrando em cada volta
seus passos e seus tropeços.
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A vida é maré revolta.
A morte é que vem de berço.
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Em: O calcanhar de Aquiles, Luís Pimentel, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2004
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David Émile Joseph de Noter (Bélgica, 1818-1892)
óleo sobre tela
Coleção Particular
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