Imagem de leitura — Chen Shuzhong

6 10 2011

Mulher sentada com livro

Chen Shuzhong ( China, 1960)

óleo sobre tela

www.zmzart.com

Chen Shuzhong nasceu  na Província de Liaoning em 1960.   Formou-se pela academia de Luxun Academyde Belas Artes em Shenyang.  Ela se especializa em cenas da vida rural.  Ocupa no momento o cargo de vice-professora e diretora do estúdio de pintura a óleo da Academia de Belas Artes de Sichuan.

 

 

 





As ilustrações de Dorca para o livro infantil: Os três irmãos de Vicente Guimarães

6 10 2011

Capa, Os três irmãos, Vicente Guimarães, Editora do Brasil, sem data, sem local.

Volto a mencionar a necessidade de estudarmos os ilustradores brasileiros do passado.  Eles fazem parte da nossa herança cultural.  Muito pouco existe a respeito daqueles que ilustraram os livros que nos fizeram sonhar, daqueles que ilustraram os livros em que nossos pais aprenderam a ler.  Muitas das ilustrações do início do século XX eram estrangeiras.  Mas a medida que os textos para crianças — e para adultos também — foram se popularizando com autores nacionais, vimos um bom número de artistas gráficos se dedicar à ilustração.  Há alguns impecilhos óbvios para este estudo: 1) livros para crianças se deterioram com facilidade. 2) as edições de livros de meados dos século XX pecavam pela falta de informações básicas tais como data, local da editora, como acontece com este livro em que focalizo as minhas atenções hoje.  Não tenho idéia da data.  Pelo traçado das ilustrações imagino que sejam do início da década de 1960.  Na internet outros volumes com fotografias do mesmo livro têm outras capas e outras ilustrações.  O mais antigo desses é de 1960, mas outra edição  com outras ilustrações.  3) a premissa de que muito poucas crianças saberiam ler, e ainda menos crianças teriam pais comprando livros, fez com que as tiragens de cada um desses livros fossem muito pequenas.  Assim, torna-se muito difícil salvaguardarmos as imagens e encontrarmos referências biográficas sobre os ilustradores.

Página de abertura.

A página acima não é assinada por quem ilustrou o livro: Dorca.  Há uma outra assinatura que reproduzo abaixo e que me parece ser  Tom 62.  Caso seja isso é possível que todas as páginas de abertura da coleção Histórias Encantadas dessa editora tenham sido iguais, só mudando o nome do livro.  Há de se verificar com outros volumes da coleção.

Assinatura de quem?

Daqui por diante as ilustrações, com a palheta reduzida a três cores, são de autoria de Dorca [sic, sem “s” no plural, como esse nome é mais comumente grafado].  Nem todas as ilustrações são de página inteira.  Grande parte é.  Mas para facilitar só coloquei as imagens aqui, abstendo-me de mostrar qualquer trecho de texto que aparecesse na página.  As legendas são minhas, de acordo com as imagens.

” — Vi o senhor entrar na igreja e ouvi sua oração.”

” Luís tomou a bolsa e pôs-se a contemplá-la.”

Outros países, Inglaterra, Estados Unidos e grande parte dos países europeus — os de 1º mundo — já dedicaram suas pesquisas nas áreas das artes gráficas aos ilustradores de livros para crianças.  Um exemplo sempre lembrado quando se pensa em ilustrações para crianças  é da inglesa Beatrix Potter.

Era verdade! A boa velhinha não mentira.  Agora ia ser invencível.”

Nos EUA há também os famosos ilustradores Maxfield Parrish e Norman Rockwell, ambos trabalhando mais tarde que Potter, na Inglaterra, mas ainda na primeira metade do século XX.  No entanto,  o número de ilustradores de livros para adultos e crianças é enorme a partir da segunda metade do século XIX nos Estados Unidos.

“Joãozinho, ali mesmo, ao pé de uma árvore, sentou-se e abriu o livro precioso.”

Na França temos outros tantos ilustradores famosíssimos: Grandville, Gustave Doré são só dois de dezenas de artistas de peso que se dedicaram às ilustrações de livros tanto de crianças quanto de textos para adultos.

“Acontece que, um dia, a filha do rei ficou seriamente doente.”

[A  ilustração acima é um exemplo deliciosomente anacrônico.  a história se passa num reino encantado, e o remédio para a princesa, podemos ver claramente é uma injeção de penicilina! ]

“Correu imediatamente ao seu encontro e foi dizendo: — Bom dia, boa velhinha.”

” — Mas o monstro azul é muito forte. Até hoje não foi vencido por nenhum ser humano.”

— Não tenha receio, meu irmão. Eu sou invencível.  Não há na terra quem possa comigo, nem mesmo um gigante.”

“Apoderaram-se da caixinha e saíram correndo.”

“Não havia remédio algum.  Viam-se escritas algumas palavras em idioma desconhecido para eles.”

” Joãozinho abraçou Luís e resolveu voltar com ele para o palacete.”

“Causou admiração o aparecimento dos três rapazes, ao palácio.”

“Assim que a moça surgiu na sacada, a multidão prorrompeu em vivas.”

Ficam aqui, então,  as ilustrações dessa edição de Os três irmãos, para entretenimento de todos e quem sabe para instigar uma pesquisa mais aprofundada sobre a ilustradora e sobre a história da ilustração infantil no Brasil.





Quadrinha infantil sobre as mãos

6 10 2011

Ilustração Maurício de Sousa.

Os que têm as mãos fechadas

felizes não podem ser,

pois as mãos foram criadas

para dar e receber.

(Fernandes Soares)





Imagem de leitura — Jacob Simmon Kever

5 10 2011

O livro de leitura, s/d

Jacob Simmon Kever (Holanda,1854-1922)

aquarela sobre papel, 45x51cm

Jacob Simmon Kever nasceu em Amsterdã, na Holanda em 1854. Estudou com P.R. Greive, na Escola de Belas Artes de Amsterdã. Pintor de gênero, Paisagens e Naturezas Mortas. Morreu em 1922.





A gralha e o pavão, fábula, texto de Monteiro Lobato

5 10 2011

A gralha e o pavão, s/d

Frans Snyders (Bélgica, 1579-1657)

Óleo sobre tela

A gralha enfeitada com penas de pavão

Como os pavões andassem em época de muda, uma gralha teve a idéia de aproveitar as penas caídas.

— Enfeito-me com estas penas e viro pavão!

Disse e fez.  Ornamentou-se com as lindas penas de olhos azuis e saiu pavoneando por ali a fora, rumo ao terreiro das gralhas, na certeza de produzir um maravilhoso efeito.

Mas o trunfo lhe saiu às avessas.  As gralhas perceberam o embuste, riram-se dela e enxotaram-na à força de bicadas.

Corrida assim dali, dirigiu-se ao terreiro dos pavões pensando lá consigo:

— Fui tola.  Desde que tenho penas de pavão, pavão sou e só entre pavões poderei viver.

Mau cálculo.  No terreiro dos pavões coisa igual lhe aconteceu.  Os pavões de verdade reconheceram o pavão de mentira e também a correram de lá sem dó.

E a pobre tola, bicada e esfolada, ficou sozinha no mundo.  Deixou de ser gralha e não chegou a ser pavão, conseguindo apenas o ódio de umas e o desprezo de outros.

Amigos: lé com lé, cré com cré.

Em: Fábulas, Monteiro Lobato, São Paulo, Editora Brasiliense: sem data, 20ª edição

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Esopo, xilogravura

Esta fábula de Monteiro Lobato é uma das dezenas de varições feitas através dos séculos da fábulas de Esopo, escritor grego, que viveu no século VI AC. Suas fábulas foram reunidas e atribuídas a ele, por Demétrius em 325 AC. Desde então tornaram-se clássicos da cultura ocidental e muitos escritores como Monteiro Lobato, re-escreveram e ficaram famosos por recriarem estas histórias, o que mostra a universalidade dos textos, das emoções descritas e da moral neles exemplificada. Entre os mais famosos escritores que recriaram as Fábulas de Esopo estão Fedro e La Fontaine.

 

José Bento Monteiro Lobato, (Taubaté, SP, 1882 – 1948). Escritor, contista, dedicou-se à literatura infantil. Foi um dos fundadores da Companhia Editora Nacional. Chamava-se José Renato Monteiro Lobato e alterou o nome posteriormente para José Bento.

Obras:

A Barca de Gleyre, 1944

A Caçada da Onça, 1924

A ceia dos acusados, 1936

A Chave do Tamanho, 1942

A Correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto, 1955

A Epopéia Americana, 1940

A Menina do Narizinho Arrebitado, 1924

Alice no País do Espelho, 1933

América, 1932

Aritmética da Emília, 1935

As caçadas de Pedrinho, 1933

Aventuras de Hans Staden, 1927

Caçada da Onça, 1925

Cidades Mortas, 1919

Contos Leves, 1935

Contos Pesados, 1940

Conversa entre Amigos, 1986

D. Quixote das crianças, 1936

Emília no País da Gramática, 1934

Escândalo do Petróleo, 1936

Fábulas, 1922

Fábulas de Narizinho, 1923

Ferro, 1931

Filosofia da vida, 1937

Formação da mentalidade, 1940

Geografia de Dona Benta, 1935

História da civilização, 1946

História da filosofia, 1935

História da literatura mundial, 1941

História das Invenções, 1935

História do Mundo para crianças, 1933

Histórias de Tia Nastácia, 1937

How Henry Ford is Regarded in Brazil, 1926

Idéias de Jeca Tatu, 1919

Jeca-Tatuzinho, 1925

Lucia, ou a Menina de Narizinho Arrebitado, 1921

Memórias de Emília, 1936

Mister Slang e o Brasil, 1927

Mundo da Lua, 1923

Na Antevéspera, 1933

Narizinho Arrebitado, 1923

Negrinha, 1920

Novas Reinações de Narizinho, 1933

O Choque das Raças ou O Presidente Negro, 1926

O Garimpeiro do Rio das Garças, 1930

O livro da jangal, 1941

O Macaco que Se Fez Homem, 1923

O Marquês de Rabicó, 1922

O Minotauro, 1939

O pequeno César, 1935

O Picapau Amarelo, 1939

O pó de pirlimpimpim, 1931

O Poço do Visconde, 1937

O presidente negro, 1926

O Saci, 1918

Onda Verde, 1923

Os Doze Trabalhos de Hércules, 1944

Os grandes pensadores, 1939

Os Negros, 1924

Prefácios e Entrevistas, 1946

Problema Vital, 1918

Reforma da Natureza, 1941

Reinações de Narizinho, 1931

Serões de Dona Benta, 1937

Urupês, 1918

Viagem ao Céu, 1932





Quadrinha do Bem-te-vi

5 10 2011

Ilustração Adelaide Hiebel

Bem-te-vi, que estás cantando

nos ramos da madrugada,

por muito que tenhas visto,                       

juro que não viste nada.

 

(Cecília Meirelles)





Imagem de leitura — Walter Shirlaw

4 10 2011

Entre velhos poetas, s/d

Walter Shirlaw (Escocia, 1838 – Espanha 1909)

Óleo sobre tela, 42 x 54cm

Smithsonian American Art Museum

Walter Shirlaw nasceu nas Escócia em 1838, mas aos dois anos de idade a família se mudou para os EUA.  Depois de estudar trabalhou como gravurista, e teve sua primeira exposição em 1861 na National Academy.





Quadrinha de São Francisco

4 10 2011

São Francisco, 1985

Antônio Maia ( Brasil, 1928)

acrílica sobre tela, 61 x 46 cm

São Francisco era bondoso,

espalhava caridade,

hoje é santo milagroso,

distribui felicidade.

(Margarida Ottoni)





Você sabe o que é Matéria Escura? Veja o vídeo e a tradução abaixo.

4 10 2011

Professor Ludovico. Ilustração de Walt Disney.

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Hoje descobri uma excelente postagem no RADAR CIENTÍFICO — postagem de 29/9, que me apresso a dividir com vocês.  

Tradução do vídeo de  Ademir Xavier

“Você nunca teve a impressão de que há algo maior que você não pode ver? Sim, há, e se chama ‘matéria escura’. Essa matéria está espalhada por todo o espaço, abarcando a Via Láctea e todas as outras galáxias. É quatro vezes mais comum no universo do que a matéria visível. Você nunca poderá vê-la ou observá-la. Então como sabemos que está lá? Por causa da Gravidade. Uma galáxia é como um enorme carrossel que está sempre girando. Para que se mantenha coesa, as estrelas têm que ficar em posições certas. Por isso, a gravidade é importante. De outra forma, as estrelas voariam soltas pelo espaço. O problema é que a força da gravidade que mantém tudo que vemos, não é forte suficiente para manter as estrelas da galáxia juntas. Todas as estrelas deveriam voar para fora desse carrossel. Mas elas não fazem isso. É como se uma corda invisível as mantivesse no lugar. Físicos acreditam que essa força provém da massa de coisas que não podemos ver. E ai entra a matéria escura. E como sabemos a velocidade das estrelas em galáxias distantes? Por causa do efeito Doppler, que é o mesmo efeito que faz com que sirenes de polícia mudem de timbre quando elas passam correndo por nós. E isso também funciona para a luz. Essa é maneira com que sabem a sua velocidade (na estrada) e como astrônomos medem a rotação das galáxias. Assim usamos coisas que podemos ver para nos dizer algo sobre o que não podemos ver.”





São Francisco, poema de Eduarda Duvivier

4 10 2011

São Francisco de Assis, 1982

Jenner Augusto ( Brasil, 1924-2003)

óleo sobre tela,  62 x 37 cm

São Francisco

Eduarda Duvivier

Por que não disse às feras pra não serem bravas?

Por que não disse às feras pra ficarem mansas

Com os homens bons?

E que todos os pássaros mortos fossem para o céu

Para brincar com as crianças que fossem para lá?

Por que não ensinou as onças a ficarem amigas

Das cabritas e dos veadinhos?

Por que não arranjou para elas uma carne de

–  –  –  –  –   — –   –   – (deixa eu ver) de jacaré…

Não, S. Francisco, uma carne de frutas?

Em: Poesia brasileira para a infância, de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968