Quadrinha do burro, no dia de São Francisco de Assis

4 10 2011

Ilustração de autor desconhecido.

Ao burro, nossa homenagem

Pelo seu grande valor.

Ajuda o homem no campo,

É forte e trabalhador.

(Walter Nieble de Freitas)





Imagem de leitura — Andrej Mashkovtsev

3 10 2011

Objeto bem guardado, s/d

Andrej Mashkovtsev (Rússia, 1966)

aquarela e nanquim sobre papel, 28 x 20 cm

Andrej Mashkovtsev nasceu em São Peterburgo, Rússia,  em 1966, completou sua formação  arte e design em 1983.  Prosseguiu com os estudos na Faculdade de Automatismo e Telemecânica na Universidade Técnica de Vinnitsa. Hoje além das artes visuais ele se dedica também a webdesign, animação, ilustração de livros.  Atualmente mora e trabalha em Vinnitsa, na Ucrânia.





As pinturas das crianças das cavernas!

3 10 2011

Universidade de Cambridge / PA: fotografia

Uma curiosa descoberta nas cavernas no vale do Dordogne preencheu o noticiário na semana passada.  Descobriu-se que as decoração das cavernas que têm sulcos, como na foto, foram feitas por crianças pequenas, com idades entre 3 e 7 anos.  O conjunto dessas decorações parece indicar que as crianças tinham um lugar específico  dentro das cavernas ou como parte de algum sistema de creche, ou como num ambiente servindo para que elas fossem aprendizes de pintores de cavernas.    Os sulcos em questão foram feitos quando crianças passavam as mãos na superfície macia das paredes da caverna,  de maneira feita com os dedos semelhante à que é usada nos dias de hoje nas escolas para crianças pequenas. 

Esses desenhos, parte da apresentação dos pesquisadores da Universidade de Cambridge numa conferência sobre arqueologia, mostram linhas sulcadas, paralelas ou entrecruzadas, correndo sobre o vermelho da argila das paredes da caverna e são parte das decorações da Caverna dos Cem Mamutes em Rouffignac, na França.  Foram feitas aproximadamente  há 13.000 anos.

A grande parte dos desenhos feitos por crianças são estrias cobrindo não só as paredes, mas os tetos de passagens de uma câmara a outra dentro do complexo de cavernas.  Os arqueólogos chegaram a imaginar que uma das câmaras tivesse sido uma espécie que “abrigo” infantil, tal a riqueza das decorações feitas com o roçar dos dedos.  A primeira vez que se soube que crianças estavam envolvidas na decoração das cavernas foi em 2006 pelos pesquisadores Van Gelder e Sharpe da Walden University nos EUA, que passaram dois anos analisando a presença de crianças nessas cavernas.

Caverna em Rouffignac, P.A.

O estudo detalhado dessas decorações revela o trabalho de pelo menos dois adultos – ainda que possa ter havido alguns outros no local – e de crianças, sobretudo de uma menina de aproximadamente cinco anos extremamente prolífica em suas decorações.  Há algumas estrias dessas decorações feitas por mãos de criancinhas muito pequenas.  Há uma criança de 2 anos de idade que “ajudou” na decoração.  No entanto, são traços firmes demais para a idade e sugerem que a mão da criança foi orientada por um adulto.  A criança deveria estar sendo ensinada por um adulto.  A pesquisa mostra que as crianças estavam em todos os cantos das cavernas, dos lugares mais profundos e escuros, até os mais amplos e próximos da entrada.   Porque estavam fortemente presente na arte, agora é preciso descobrir o quanto estavam envolvidos na vida diária.  A decoração da caverna era uma atividade de grupo, em que participavam membros de todas as idades.

Essas decorações também são encontradas em outras cavernas na França, na Espanha, Nova Guiné e Austrália.  O tema tem sido bastante debatido por arqueólogos.  Ainda não se sabe por que os pré-históricos fizeram essas decorações.  Parece coisa mais organizada do que simplesmente uma atividade para “um dia chuvoso” lembra a Jess Cooney, uma estudante de PhD da universidade que faz parte da equipe de arqueólogos.   “Além de linhas simples, sinuosos, há estrias de animais e formas que parecem ser esboços brutos de rostos.”

A cada ano, milhares de pessoas visitam as cavernas, na região do Dordogne (oeste da França), para admirar os desenhos de mamutes, cavalos e rinocerontes, nas paredes dos 8 km de caverna que foram descobertas no século XVI.  Mas só em 1956 é que os especialistas perceberam que alguns dos desenhos eram pré-históricos. Depois, em 2006, notaram que as pinturas haviam sido feitas por crianças, com seus dedos.   

Fonte: O Estadão Online e The Guardian





Quadrinha com conselho da solidão

3 10 2011

Amadeu resolve ser escritor, ilustração Walt Disney.

Ainda bem que tenho os meios

de não ficar tão sozinha:

desenho e bordo, abro e-mails,

faço versos na cozinha…



(Clevane Pessoa)





Imagem de leitura — Jose de Togores i Llach

2 10 2011

Renée e o gato, s/d

Jose de Togores i Llach (Espanha 1893-1970)

óleo sobre tela

Jose de Togores i Llach nasceu em Cerdanyola del Vallès, Catalunha em 1893.  Aos treze anos contatou meningite que o deixou surdo.  Isso fez com que se interessasse pela pintura.  Começou sua formação artística com Joan Llaverias, Fernández de la Torre  e Fèlix Mestres. Em 1907 ganhou uma bolsa de estudos para Paris.  Foi o primeiro passo para uma conexão Paris-Barcelona: alternando estadia em ambas dessas cidades através dos anos.  Morreu em Barcelona, na Catalunha em 1970  em um acidente de trânsito.





Os sinos de Mariana — Revista Kósmos, Maio 1907 — texto de Mário Behring

2 10 2011

Vista Parcial de Mariana – MG, 2010

Baptista Gariglio Filho (BH, Brasil, 1961)

óleo sobre tela,  70x90cm

http://www.gariglio.cjb.net/

Os sinos de Mariana

Mário Behring

No dia 30 de junho de 1743 grande era o movimento na Vila Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo, hoje cidade arquiepiscopal de Mariana.

Após três meses de permanência, seguia o Bispo do Rio de Janeiro, D. Frei João da Cruz que viera em correição às Minas, para Camargos.

Várias providências haviam sido tomadas pelo prelado nesses três meses, a fim de regularizar a situação do clero na Vila, sendo uma delas a demissão do vigário da vara Padre Dr. Francisco Pinheiro da Fonseca que menos curava das almas do que dos seus negócios particulares, antes do temporal, que do espiritual, pecado que era aliás de todo o clero das Minas, interessado em quanta especulação surgisse para atrair o ouro que fartamente fluía  das catas riquíssimas.

Esse Padre, por isso que fazia vista grossa aos pecados dos seus paroquianos, era tido e havido na conta de um excelente homem, tendo uma grande roda de amigos aos quais agravou a decisão violenta do Bispo, resolvendo-se tirar dela uma vingança pública.

E com tal segredo a prepararam que nada transpirou por entre o povo.

A 20, pela manhã, pôs-se em marcha a comitiva do Bispo – No momento da partida porém, quando os sinos se preparavam para saudar  o seu pastor com os seus costumados cortejos e repiques (1) deram os sineiros pela falta de todos os badalos dos quatro sinos da matriz e do da capela de São Gonçalo.

Célere chegou ao Bispo a notícia do acontecido e voltando então outra vez para Mariana mandou tirar os badalos restantes das demais Igrejas, interditando os templos de toda a Freguesia.

O ouvidor da Vila Rica, Caetano Furtado de Mendonça (2) mandou logo que teve conhecimento do fato, tirar quatro devassas pelas autoridades eclesiásticas.  A primeira pelo próprio Bispo, a segunda pelo Vigário da vara, a terceira pelo Cônego Domingos Lopes e a quarta pelo Vigário de Antônio Dias, Padre Félix Simões.

Dessas devassas resultou para o juízo eclesiástico a convicção de culpa de várias pessoas importantes da Vila e assim, para que não escapassem à pronúncia, o Padre Domingos Lopes reuniu um grande corpo de clérigos armados de clavinas, pistolas e catanas pondo cerco à Vila para efetuar as prisões.

À frente de um troço armado o Padre Domingos Lopes, cuja casa servia de quartel general, invadiu as residências dos culpados, prendendo o Bacharel Manuel Ribeiro de Carvalho, advogado nos Auditórios da Vila, Domingos Pinto Coelho, José de Almeida Costa, o Licenciado em farmácia Manoel Peixoto de Sampaio e Manuel Pinto da Rocha, conseguindo outros fugir a coorte clerical e refugiar-se em lugar seguro.

Paisagem de Mariana, Minas Gerais, 1995

Carlos Bracher ( Brasil, 1940)

óleo sobre tela, 81 x 100 cm

Realizada a prisão desses acusados, mandou o Bispo carregá-los de ferros, metendo-os no tronco da cadeia, como se costuma fazer aos escravos, (3).

Enquanto isso se dava, na casa Juiz de Fora, José Pereira de Moura, aparecia uma carta anônima dizendo o local em que se achavam os badalos subtraídos.

Dirigindo-se com alguns oficiais de justiça a um córrego que atravessava o pasto da Vila, constatou o Juiz de Fora a presença dos badalos que foram logo restituídos à autoridade eclesiástica.

Resolveu o Bispo que fossem os presos transportados para o Rio de Janeiro e para isso organizou um corpo de 20 clérigos armados que deveriam vencer o ordenado de 200 oitavas de ouro cada um a custa da fazenda dos culpados.

A isso porém se opôs o ouvidor Furtado de Mendonça, dizendo que tendo os presos entreposto recurso de sua pronúncia para o juízo da Coroa, deviam permanecer na cadeia da Vila até final decisão.

Animados com as primeiras violências não se quiseram sujeitar os clérigos à decisão do Ouvidor , e combinaram um assalto à cadeia para arrancando à viva força os presos, seguirem para o Rio , conforme determinara o Prelado.

Ânimo resoluto e decidido não se acorbadou o Ouvidor: antes determinou imediatamente ao  Juiz de Fora que fizesse guardar a cadeia por oficiais de justiça bem armados e estabelecesse rondas na Vila, até que se acalmasse aquela paixão eclesiástica.

Não se conteve o Padre Domingos Lopes, generalíssimo dos Padres belicosos.

E tais censuras dirigiu ao Ouvidor que este em carta dirigida à Corte assim se expressava:

“Não sofre demora a satisfação do castigo porque se os juízes da Coroa de Vossa Majestade houverem de ser descompostos nos provimentos dos recursos por esses Padres desavergonhados e enfronhados nas suas ordens, que lhes parece de tudo são isentos nos seus desaforos, não haverá Juiz da Coroa, que com medo de sua venenosa língua e pena se atreva a valer com a proteção Real aos oprimidos vassalos de Vossa Majestade”…

Essa questão entre o Ouvidor de um lado e o Bispo e Vigário da vara de outro, agravou-se dentro em pouco por motivo de um conflito de jurisdição.

Morrera um clérigo que deixando alguns bens em um testamento secular, as justiças eclesiásticas fizeram o seqüestro nesses bens. 

Paisagem de Mariana, 1977

Inimá de Paula (Brasil, 1918-1999)

óleo sobre tela  69 x 90 cm

Interpuseram os herdeiros recurso para o Ouvidor que lhes dando razão decidiu em seu favor a causa. 

Não cumpriu porém a decisão o Vigário da vara e na réplica usando de expressões pelo ouvidor julgadas desrespeitosas, retorquiu, chamando-o atrevido e petulante; não se calou o vigário da vara redargüindo com outras e equivalentes injúrias o que lhe valeu ser autuado pelo Ouvidor e condenado a multa de 200 oitavas de ouro em proveito da Fazenda Real.

A intimação dessa sentença mandou-a fazer o Ouvidor pelo seu escrivão no palácio episcopal.

Seguiu ele a cumprir o mandado e passado algum tempo vieram dizer ao Ouvidor que o Bispo prenderá o escrivão em palácio. 

Encolerizado, reuniu Furtado de Mendonça os oficiais de justiça e marchou para a residência do bispo, onde chegado mandou, tendo-lhe previamente posto cerco, uma intimação ao prelado para que desse imediata liberdade ao funcionário da justiça sob pena de ir arrancá-lo à força.  

Com o cerco começou a juntar-se povo defronte do palácio, chovendo comentários como soe sempre acontecer nessas ocasiões. 

O Bispo, em resposta, mandou dizer ao Ouvidor que em sua casa só entrava quem ele permitisse; que o escrivão não estava constrangido: aguardava somente um outro escrivão eclesiástico para dar contra fé do seu mandado.  Com isso e saindo o escrivão, retirou-se o Ouvidor, endereçando o Bispo à Corte longa queixa, contra Furtado de Mendonça.

Informada favoravelmente pelo governador Gomes freire de Andrade, saiu triunfante o Bispo da questão, sendo removido o Ouvidor.

A questão do furto dos badalos foi cometida então ao Juiz de Fora que abriu nova devassa, verificando a inocência de alguns dos que o Bispo prendera anteriormente como culpados.

Provaram as indagações tratar-se de uma simples vingança do Padre Francisco da Costa de Oliveira, já falecido em 1745, quando se concluiu a devassa, que o Bispo não admitira a exames, talvez por ser íntimo do ex-vigário do Dr. Francisco Pinheiro da Fonseca.

Também concorrera para o furto o Padre Antônio Sarmento.

Contra Miguel Pinto da Rocha um dos anteriormente presos havia indícios de cumplicidade visto como antes do fato ele assoalhara que os sinos da cidade calar-se-iam no dia da partida do Bispo. 

Quanto ao boticário Manuel Peixoto de Sampaio, sabia-se ser amicíssimo do ex-vigário, “ser homem arrogante, insolente” tendo tido um atrito com o Bispo que o coagira a firmar um termo de deixar o concubinato em que publicamente vivia.

A cerca deste último era opinião do Juiz de Fora que embora sobre ele não recaíssem mais que vagos indícios, devia ser retirado das Minas e mandado para outra capitania…

E eis aí como terminou essa questão, vencendo em toda a linha o clero, fazendo recuar os representantes da Justiça d’ El Rei.

Partiu para o Rio vitorioso o Bispo D. Frei João da Cruz; passados anos demitiu-se do cargo e ao retirar-se para o Reino julgou ser conveniente ao serviço de Deus, carregar com todas as alfaias, ornamentos e prataria comprados com a renda do Bispado e ainda com o espólio do seu antecessor D. Frei Antônio de Guadalupe, ação por sem dúvida merecedora de que aqui a rememoremos, (4) arrancando-a a injusto olvido. 

Maio – 907

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(1) Consulta do Conselho Ultramarino de 16 de Abril de 1744.

(2) Cartas de 6 e 25 de Agosto de 1743.

(3) Carta do Ouvidor de Vila Rica, Caetano Furtado de Mendonça para a Corte.

(4) Carta do Cabido da Sé do Rio de Janeiro, 6 de Abril de 1751.

[Texto integral, em domínio público,  mas com grafia atualizada para facilitar a leitura.   As ilustrações não pertencem ao texto original, são obras posteriores ao texto, paisagens da cidade mineira onde esses fatos aconteceram.  Mantive as maiúsculas como no texto ainda que seu uso seja irregular.  Estão de acordo com o texto original.]

Em:  Kósmos, revista artística, científica e literária, Ano IV, número 5, Maio de 1907, Rio de Janeiro.





Quadrinha infantil para o Professor

2 10 2011

Chico Bento e a professora.  Ilustração Maurício de Sousa.

A vida do professor

Pode servir de lição

Para aqueles que não sabem

O que é dedicação.

(Walter Nieble de Freitas)





Imagem de leitura — Pierre Adolphe Valette

1 10 2011

Jovem lendo, s/d

Pierre Adolphe Valette (França, 1876-1942)

óleo sobre madeira, 60 x 52 cm

Christie’s Londres, 1998

Pierre Adolphe Valette nasceu em St. Eitienne, em 1876.  Estudou em Bordeaux na Escola de Belas Artes e Artes Decorativas.  Emigrou para a Inglaterra em 1904, onde no ano seguinte já trabalhava nas artes gráficas numa companhia que imprimia cartões e calendários em Manchester.  Depois de estudar arte à noite na Escola Municipal de Arte naquela cidade, foi convidado a dar aulas no mesmo local.   Desenvolveu um estilo bastante impressionista e ficou conhecido principalmente por suas paisagens.  Permaneceu na Inglaterra até 1924, quando retornou à França, onde morreu em 1942.





Filhotes fofos — antílope

1 10 2011

(Phil Noble/Reuters)

Um bebê antílope toma uma mamadeira, no zoológico de Chester ao norte da Inglaterra.  Este é um tipo mais raro de antilopes, um dos menores antílopes do mundo.