Ouro sagrado, uma exposição de artefatos pré-columbianos

7 06 2011

O Museu de Belas Artes de Bilbao, na Espanha, abriu esta semana uma exposição muito interessante.  Se você estiver com intenção de viajar pela Espanha até o dia 2 de setembro de 2011, não deve perder a oportunidade de visitar esta mostra.  Sob o título Ouro sagrado, arte pré-histórica da Colômbia, o museu mostra 253 peças – a maior parte delas de ouro –  mas há também peças de cerâmica e arte cedidas para este evento pelo Museu do Ouro do Banco da República, de Bogotá, cobrindo 2.000 anos de culturas pré-hispânicas.

O ouro, que sempre esteve associado ao sol, era simbólico de poder nessas culturas que o exploraram antes da chegada dos espanhóis.  De fato, nas Américas, a metalurgia nasceu no Peru há 3.500, e sua exploração, artesania e simbologia já estavam desenvolvidas na Colômbia desde 4 séculos antes de Cristo.  Através dos séculos até a chegada dos espanhóis, diferentes estilos e técnicas de artesania do ouro se desenvolveram entre os povos que ocupavam o território que hoje compreende a Colômbia.

Os conquistadores,  que desceram nas Américas em busca de ouro e glória,  mataram ou converteram  as populações indígenas.  Tomaram as peças de ouro dos habitantes locais.  Poucas peças se salvaram coma chegada dos espanhóis que prontamente derreteram o ouro e a prata encontrados para levar de volta à Espanha.  O  Museu de Ouro do Banco da República de Bogotá tem o maior acervo das peças de ouro de origem indígena do mundo e abrange aproximadamente 2.500 anos.  Para a exposição de Bilbao foram selecionadas pulseiras, colares, coroas e couraças, máscaras, figuras votivas, além de esculturas antropomórficas.

Fontes:  Museu de Bilbao, Arqueologia





Imagem de leitura — Henriette Browne

6 06 2011

Uma menina escrevendo, 1860-1880

Henriette Browne ( França, 1829-1901)

óleo sobre tela

Victoria & Albert Museum, Londres

Henriette Browne, pseudônimo de Mme Jules de Saulx ( França, 1829-1901) Nasceu em Paris e estudou com Penn e Chaplin.  Exibiu no Salão de Paros de 1853, e na Academia Real em 1871-9.  Pintora que também se dedicou à gravura.  Teve preferência pela pintura de gênero e pelas telas com motivos religiosos, além de muitas cenas do Oriente médio.   Parou de expor mais ou menos 20 anos antes de morrer na sua cidade natal.

 

 





Relógios, poeminha de Sílvio Ribeiro de Castro

6 06 2011

O Relojoeiro, de Norman Rockwell, capa da revista The Saturday Evening Post, 3/11/1945.

Relógios

Sílvio Ribeiro de Castro

amor vem e não se espera

saudade não manda aviso

a morte não marca encontro

de relógios não preciso

Em: Branco silêncio, solidão azul, na coletânea: Poesia Simplesmente, Rio de Janeiro, 1999.

Sílvio Ribeiro de Castro ( RJ, século XX) Advogado e poeta.  Integra o grupo Poesia Simplesmente.

Obras:

Memórias, confissões e outras mentiras, 2002

Quando o amor acaba, 2005

50 poemas escolhidos pelo autor, 2010






Acessando as informações deste blog: imagens de leitura, arte brasileira, fotos do Rio de Janeiro, quadrinhos

5 06 2011
Ilustração John La Gatta (Itália, 1894-1977) — Capa da Revista LIFE de Janeiro de 1929.

As Imagens de Leitura deste blog têm sido fonte de muito interesse por parte dos que nos visitam.  Hoje, duas semanas antes de comemorar 3 anos de blog, consegui passar para o FLICKR  as imagens de pessoas lendo que já foram postadas aqui.  A intenção é facilitar a quem procura exclusivamente por estas imagens. Assim, para acessá-las, clique no quadrinho na coluna da direita, com os dizeres FOTOS FLICKER [Flickr Photos].  Você irá direto para a  minha página no FLICKR onde estão estas imagens de leitura.  Na verdade, neste local estão diversas fotos, selecionadas em álbuns.

Leitores na arte — onde estão as imagens de leitura

Arte brasileira — onde estão as obras de arte brasileira que já apareceram no blog.

Fotos do Rio de Janeiro  — minhas fotos do Rio de Janeiro

Quadrinhos com leitores — quadrinhos em que personagens aparecem lendo

Revistinhas — imagens de capas de revistinhas em quadrinhos brasileiras

Ilustrações brasileiras — Fotos de ilustrações publicadas no Brasil.

No momento as coleções mais completas são as Leitores na arte e Arte brasileira.  E é uma questão de tempo de organização minha,  fazer os outros álbuns mais atualizados.  Infelizmente dá muito trabalho voltar às postagens, diárias, muitas vezes mais de uma por dia, para verficar o que há ali que deva ser incluído nos álbuns.  É um trabalho meticiuloso e cansativo, mas vale a pena.

Como ler as legendas?

Inseparáveis, c. 1900

Florence Fuller (África do Sul, 1867- Austrália 1946)

Óleo sobre tela,   90, 2 x 68, 5cm

Art Gallery of South Australia, Adelaide, Elder Bequest Fund em 1900

Uso a descrição padrão em história da arte que é lida da seguinte maneira:

TÍTULO DO TRABALHO, DATA DO TRABALHO : Inseparáveis, c. 1900  [ c. significa- cerca de… por volta de…] [s/d = sem data]

PINTOR, LOCAL DE NASCIMENTO E DATAS DE NASCIMENTO E MORTE: Florence Fuller (África do Sul, 1867- Austrália 1946)

MATERIAIS USADOS E DIMENSÕES: Óleo sobre tela,   90,2 x 68,5cm — dimensões: 1º) altura, depois largura.

LOCAL ONDE ESTA OBRA SE ENCONTRA: Art Gallery of South Australia, Adelaide, Austrália.

[Elder Bequest Fund  em 1900] é informação do museu sobre como a obra foi adquirida.]

NB: Nem sempre tenho todas as informações.  Muitas vezes tenho só o autor e o título.  Sempre arredondo as dimensões, este blog não é um documento de história da arte para especialistas.  O uso do tamanho auxilia especialistas a saberem se o trabalho é original ou não.  Mas aqui usamos essas obras como ilustrações.  Eu mesma traduzo os títulos, quando não os conheço em português.  Medidas, até 0,5cm  aproximo para baixo, acima disso, aproximo para cima.  O quadro acima eu teria colocado: 90x 68cm.

Com muita frequencia os quadros que uso foram colocados em leilões nas maiores casas internacionais.  É de lá que vêm as informações.  E se posso divulgá-las, eu o faço.  Muitos desses quadros estão também em coleções particulares e para se saber o paradeiro, é preciso ter acesso a um historiador da arte especializado naquele período e naquele artista.

Se eu não coloquei alguma dessas informações é porque não as tenho.

Se o artista é contemporâneo, procuro colocar o lugar na rede onde seus trabalhos possam ser achados.  No entanto, muitos dos artistas mudam com frequência seus portais e suas páginas, porque vendem as obras ou preferem colocar novos trabalhos na rede.  Não posso garantir que a obra que postei no blog esteja no site dos  artistas.

O mesmo critério se aplica às legendas das obras brasileiras, em outro álbum no FLICKR.

O resto é auto-explicativo.

Boa sorte e divirta-se!




A pomba e a formiga, fábula de Esopo

5 06 2011

Ilustração, Amy Hintze ( EUA, contemporânea)

A pomba e a formiga

Uma pombinha branca, que estava com sede, desceu à beira de um riacho. Procurava um bom lugar para beber água.  Eis que avista uma formiguinha debatendo-se nas águas do riacho, prestes a se afogar.

A pombinha ficou com pena da formiga.  Depressa, apanhou um galho seco, levou-o até próximo à formiga que se salvou, agarrando-se nele com vontade.

Pouco depois, um caçador passou por ali.  Vendo a pombinha numa árvore, resolveu caçá-la para o almoço.   Rapidamente apontou a espingarda para matar a pobrezinha.

Mas a formiga, que ainda estava ali perto, resolveu ajudar a pombinha.  Subiu no pé do caçador e deu uma boa ferroada.   Surpreso, o caçador ao sentir a dor, perdeu a pontaria.  E não acertou a pombinha.

A pombinha voou para longe e a formiga voltou ao seu formigueiro.

Moral:  Amor com amor se paga.

Texto adaptado da versão de Theobaldo Miranda Santos em Leituras Infantis, 2º livro, Rio de Janeiro, Agir:1962





Imagem de leitura — Genrikh Brzhzovski

4 06 2011

 

 

Mulher lendo, 1969

Genrikh Brzhzovski ( Belorússia, 1912-2008)

óleo sobre madeira, 18 x35 cm

Genrikh Brzhzovski (Belorússia, 1912) Se graduou na Vitebsk escola de arte.  Em seguida estudou no ateliê do pintor  F. Modorov.

 





O verde do meu bairro: pau-formiga

3 06 2011
Pau-formiga em flor.

O mês de maio aqui no Rio de Janeiro é agraciado com uma das florações mais espetaculares nas árvores tropicais usadas no paisagismo dos terrenos de casas e edifícios de apartamentos.  O responsável pela bela mudança da paisagem é o pau de formiga.  Esta árvore de folhas largas arredondadas como muitas das belas folhagens tropicais é uma das árvores favoritas dos jardins arborizados do Leblon.   Extremamente vistosas, as flores aparecem em maio em grupos saindo de um só ramo, como se fossem ramalhetes pré-arrumados,  prontos para um arranjo decorativo.

Chama-se Pau-formiga, por uma característica muito interessante: seu tronco é oco e sempre serve de moradia para um formigueiro, em geral de formigas tachi, que protegem essa árvore dos herbíforos.   É uma árvore perfeita também para a paisagem urbana se não estiver atrapalhada por fios elétricos, porque além de vistosa com bela floração ( tanto a planta macho quanto a fêmea), cresce até 20 metros de altura, fazendo um grande e majestoso contraponto a plantas e outras árvores de menor porte.  E como não têm raízes que danifiquem as calçadas são ideais para o uso nas cidades.

É natural do Brasil.  Como tal, é de grande valia nos processos de reflorestamento.   Só a planta fêmea tem floração colorida, que vai do vermelho alaranjado ao rosa pálido.    As plantas macho têm floração mais delicada, tímida e acinzentada, mas também são extremamente decorativas.  É bom lembrar que ambas as árvores são necessárias para a propagação.   O pau-formiga é uma árvore perfeita para plantio no sudeste brasileiro, já que fica feliz e satisfeita com o clima quente e úmido.  E gosta de sol e de solo fértil, enriquecido, úmido e bem irrigado.   São árvores que crescem muito empertigadas, certinhas, sem se esparramarem e têm a forma de um grande cilindro ou de uma grande pirâmide.  Assim sendo, não devem ser podadas para não perderem as características que as fazem tão especiais.   Multiplicam-se por sementes, e crescem ainda mais felizes se forem fertilizadas no verão e na primavera.   Floradas no final do outono e no inverno, dependendo da região.  No Rio de Janeiro pau-formiga é a árvore do Dia das Mães, floresce no mês de maio.

Nome Científico: Triplaris brasiliana

Sinonímia: Triplaris brasiliensis, Triplaris pyramidalis

Nome Popular: Pau-formiga, Pau-de-novato, Formigueiro, Novateiro, Pau-de-formiga, Paliteiro, Taquari, Pajeú, Tachi, Tangarana

Família: Polygonaceae

Divisão: Angiospermae

Origem: Brasil

Ciclo de Vida: Perene

Fonte:  Jardineiro





Soneto de aniversário, Vinícius de Moraes

3 06 2011

 

Aniversário, 1915

Marc Chagall  ( Belarússia/França, 1887-1985)

Óleo sobre papelão, 81 x 100cm

MOMA: Museu de Arte Moderna de Nova York

Soneto de aniversário

………………….Vinícius de Moraes


Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece…
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

(Rio, 1942)





Imagem de leitura — Jean-Pierre Gibrat

2 06 2011

Cecile deitada

Jean-Pierre Gibrat ( França, 1954)

Gravura, 70 x 50cm

Jean Pierre Gibrat ( Paris, 1954).  Estudou filosofia, publicidade e artes visuais antes de se dedicar aos quadrinhos, na segunda metade da década de 1970.  Suas primeiras histórias foram publicadas na Pilote. Fundador com Jackie Berroyer da série Goudard em 1978.

 





História Pátria, poema de Oswald de Andrade

2 06 2011

Marinha, 1986

José Paulo Moreira da Fonseca (Brasil, 1922-2004)

óleo sobre tela, 20 x 60 cm

História Pátria

………..Oswald de Andrade

Lá vai uma barquinha carregada de

……………………………………Aventureiros

Lá vai uma barquinha carregada de

……………………………………Bacharéis

Lá vai uma barquinha carregada de

……………………………………Cruzes de Cristo

Lá vai uma barquinha carregada de

……………………………………Donatários

Lá vai uma barquinha carregada de

…………………………………….Espanhóis

…………………………………….Paga prenda

…………………………………….Prenda os espanhóis.

Lá vai uma barquinha carregada de

…………………………………….Flibusteiros

Lá vai uma barquinha carregada de

……………………………………Governadores

Lá vai uma barquinha carregada de

……………………………………Holandeses

Lá vai uma barquinha cheinha de índios

Outra de degredados

Outra de pau de tinta

……….Até que o mar inteiro

……….Se coalhou de transatlânticos

……….E as barquinhas ficaram

……….Jogando prenda com raça misturada

……….No litoral azul do meu Brasil.

Retrato de Oswald de Andrade, 1922

Tarsila do Amaral ( Brasil 1886-1973)

óleo sobre tela

 

 

José Oswald de Sousa de Andrade Nogueira (São Paulo,1890 — São Paulo, 1954) foi um escritor, ensaísta e dramaturgo brasileiro.  Foi um dos promotores da Semana de Arte Moderna de 1922 em São Paulo, tornando-se um dos grandes nomes do modernismo literário brasileiro.

Obras:

Os Condenados (trilogia), romance, 1922-1934

Memórias Sentimentais de João Miramar, romance, 1924

Pau-Brasil, poesia, 1925

Primeiro Caderno do Aluno de Poesia Oswald de Andrade,poesia, 1927

Serafim Ponte Grande, romance, 1933

O Homem e o Cavalo, teatro, 1934

A Morta, teatro, 1937

Rei da Vela, teatro, 1937

 Marco Zero à Revolução Melancólica, romance, 1943

 Cântico dos Cânticos para Flauta e Violão, poesia, 1945

 O Escaravelho de Ouro, poesia, 1945

 O Cavalo Azul, poesia,1947

Manhã, poesia, 1947