Carmen Varela ( Espanha, contemporânea)
Acrílica sobre madeira, 40 x 40 cm
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Carmen Varela é uma artista contemporânea, espanhola, residente em Madri. Trabalha com pinturas e esculturas e outras artes. Visite o seu site para conhecê-la melhor.
Carmen Varela ( Espanha, contemporânea)
Acrílica sobre madeira, 40 x 40 cm
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Carmen Varela é uma artista contemporânea, espanhola, residente em Madri. Trabalha com pinturas e esculturas e outras artes. Visite o seu site para conhecê-la melhor.
Foto: EPA/SUPREME COUNCIL OF ANTIQUITIES—
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Arqueólogos anunciaram, no dia 18 de outubro, a descoberta de uma tumba com mais de 4.500 anos de um líder religioso da corte do faraó Quefren. O local fica ao sul da necrópole dos construtores das pirâmides, no Cairo, Egito. Segundo o secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, Zahi Hawass, esta é a primeira tumba encontrada na região do platô de Gizé onde as três famosas pirâmides do Egito se encontram. A tumba data da V dinastia, 2465-2323 a.C., e pertencia a Rudj-ka, o sacerdote que liderava o culto mortuário do faraó Quefren – o faraó responsável pela construção da segunda maior pirâmide de Gizé.
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Quefren morreu por volta de 2494 a.C., mas o culto religioso dos faraós às vezes se prolongava após suas mortes, de acordo com o arqueólogo e egiptólogo Hawass. Essa descoberta se difere das feitas até hoje por seu desenho arquitetônico. As paredes dessa tumba eram decoradas com relevos pintados mostrando Rudj-ka e sua esposa em frente a oferendas e em cenas da vida diária. Autoridades egípcias acreditam que a tumba possa fazer parte de uma grande e desconhecida necrópole em Gizé.
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A costureira, 1916
Joseph DeCamp (EUA, 1858-1923)
Óleo sobre tela, 36,5 x 28 cm
Corcoran Art Gallery, Washignton DC
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Procurando por uma excelente história? Por um livro que não quer ser esquecido de nenhuma maneira? Por aquela leitura que nos envolve e empurra para frente e nos obriga a fazer tempo para ler, para saber como tudo se desenrola? Tenho o livro para você: O tempo entre costuras, da escritora espanhola María Dueñas [Planeta Brasil: 2010]. Li este livro compulsivamente e agradeci o tempo chuvoso do fim de semana que me permitiu permanecer em casa com essa maravilhosa história nas mãos.
Este é um romance excitante cujo enredo é complexo e fascinante; é um livro de aventuras e mostra como uma pessoa comum, sem nenhum treino específico além de uma grande vontade de viver e acaba participando da resistência a um poder absoluto e se torna parte de uma grande causa. Ela é Sira Quiroga ,uma mulher jovem que aprendeu ofício de costureira com sua mãe e que desconhece o pai. Uma jovem que contava com um futuro certo pela frente, talvez um pouco insosso – é verdade – mas um futuro sólido com um bom e confiável marido. Às vésperas dos esponsais ela se vira numa outra direção, abandona o noivo e o casamento. A alavanca é um outro homem. No entanto, à medida que a história se desenvolve, percebemos que talvez essa jovem costureirinha madrilenha, soubesse intimamente que a vida poderia ter-lhe reservado muito mais do que um futuro regrado. Porque ela se joga, sem pára-quedas, na aventura de viver, com todos os altos e baixos que essa decisão poderá lhe trazer.
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O pano de fundo das aventuras de Sira Quiroga é a ditadura espanhola de Franco. Essa situação política, que no início do romance parece ser uma descrição de época, torna-se a verdadeira base para o desenrolar da trama. A cada capítulo, a cada dezena de páginas, essa ditadura, esse governo de extremos, se mostra como iminência parda, regulando as ações de todos à sua volta, assim como aquelas de nossa heroína. Porque esta é uma história de espionagem, de resistência, de contestação a um poder ditatorial. É uma história de pessoas comuns contribuindo para evitar que a Espanha se tornasse ainda mais envolvida com o poder nazista do que já estava.
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María Dueñas
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Esta é uma história de ação. Lembrou-me tantas e tantas outras obras, livros e filmes, que retratam o movimento da resistência francesa ao regime Vichy. E como aquelas, O tempo entre costuras é excitante, sedutor, um verdadeiro rodamoinho de emoções, perigo e de fantasias aguçadas pelo medo. Tudo isso centralizado nas ações de uma bela e jovem mulher, costureira, não muito letrada, não muito sofisticada, mas corajosa e inteligente. Este é um ótimo romance, cinco estrelas, que tem como finalidade uma narrativa rápida, de ação, bem baseada em fatos verídicos, com figuras históricas amplamente documentadas. Com ele aprende-se um pouco da realidade espanhola nas mãos do Generalíssimo; e um pouco sobre os serviços de espionagem internacionais que se mantinham atentos ao namoro e noivado do governo espanhol com a Alemanha de Hitler. Uma história que ainda tem muito a ser contada, muito a ser descoberto pelo resto do mundo.
Uma leitura que entretém, sempre, mesmo quando nela aprendemos sobre a Espanha. Recomendadíssimo.
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AQUI: UMA ENTREVISTA COM A AUTORA — EM ESPANHOL
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Ilustração do livro de Nicholas Barnaud Delphinas, O livro de Lambspring, de 1625.—
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Um dia dois leões, sob um sol muito forte, chegaram a um grande lago morrendo de sede. Este era um lago enorme, com muita água, o bastante para saciar a sede de muitos animais. Mas, apesar de sentirem muita sede, motivo que os levara a procurar por uma fonte de água, quando chegaram à beira do lago, nenhum dos dois quis a companhia do outro. O orgulho e a vaidade falaram mais alto. Cada um queria ser o primeiro a beber da água, sem dar chance ao outro. Eles se olharam com muita maldade. Encresparam as jubas para a luta, e seus corpos se encurvaram de maneira ameaçadora, prontos. Cada qual se preparou para um bote mortal. Altercaram-se com rugidos aterradores, alertando toda a vizinhança. Engalfinharam-se numa luta sem igual. Os dois, igualmente fortes e ferozes, atracaram-se rolando pelo chão. Machucaram-se um ao outro, cada um ferindo o inimigo sem piedade. Ao final, caíram exaustos lado a lado. Cada qual com o corpo coberto de feridas e sangrando, com muitas marcas deixadas pelo rival. Cada um se arrastou devagarinho até as margens do lago. Os dois beberam da água cristalina ao mesmo tempo, e também caíram mortos no mesmo lugar. Acabaram, lado a lado, juntos na morte tal como não o haviam sido na vida.
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Jean-Pierre Claris de Florian (França,1755 — 1794) foi um poeta, teatrólogo e escritor francês. Entrou para a Académie Française em 1788. Foi preso durante a Revolução Francesa, mas sua vida foi poupada graças a intervenção de Robespierre. Hoje é mais conhecido por suas fábulas do que por seus romances e peças teatrais que, no entanto, foram o que lhe fizeram conhecido e apreciado em seu tempo. Além de suas popularíssimas fábulas, recontadas até hoje, na maioria dos países de cultura ocidental, Florian foi também responsável por alguns bons adágios que passaram a ser moeda corrente de linguagem na França e até no exterior. Entre eles está o que conhecemos no Brasil: Ri melhor quem ri por último.
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Um lindo filhote de tamanduá faz o primeiro passeio nas costas de sua mamãe, no Sunshine International Aquarium em Tóquio. Os tamanduás não têm dentes, eles se valem de uma longa língua pegajosa para chegar às formigas. Elem podem chegar a comer 35.000 formigas por dia. O sexo do tamanduá bebê só pode ser determinado depois de alguns meses de vida.
Cascão lê notícias no jornal sobre discos voadores, ilustração Maurício de Sousa.—
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Li hoje m artigo interessante no Booksblog, do jornal inglês The Guardian, que me levou a pensar sobre os melhores filmes de ficção científica de Hollywood. A postagem, na verdade, se refere à incapacidade das companhias cinematográficas baseadas em Hollywood de fazerem um filme de ficção científica cuja qualidade possamos considerar perene.
A premissa é de que a ficção científica é um gênero baseado em idéias. E que se um filme tem sucesso é porque seu argumento foi capaz de preservar o essencial de cada elemento do gênero. O autor menciona só dois filmes com as qualidades necessárias: 2001 Odisséia no espaço, de Stanley Kubrick lançado em 19 e Blade Runner: o caçador de andróides, de Ridley Scott, de 1982.
Assim, 2001 teria trazido para a tela algo que pressentimos ser verdade, ao retratar a evolução da existência humana do tempo em que éramos um pouco mais do que grandes macacos até nosso destino intergaláctico retratado no final. Nosso momento atual é o próprio período de transição. Por isso o filme nos cala, porque sentimos que nele há algo de verdadeiro.
Por outro lado, em Blade Runner,mostra uma outra realidade que nos toca como intrinsecamente verdadeira e é projetada na habilidade que nós humanos temos de desumanizar nossos semelhantes quando nos convém. Sabemos que isso é verdadeiro, temos exemplos todos os dias ao nosso redor que comprovam essa ser uma característica nossa, de seres humanos.
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Além dessas observações, concordo com muitos dos outros pontos do argumento. Gosto particularmente da lembrança de que a ficção científica é um gênero de idéias. Como tal é um gênero bastante abstrato e quando projetado em imagens pode facilmente parecer pobre em contraste com as nossas imaginações; limitado aos recursos de época, a não ser que sua linha principal repercuta no nosso âmago mais recôndito, como verdades nossas de seres humanos. É justamente aí que a agulha da balança pesa para um lado ou para o outro quando julgamos filmes de ficção científica que fossem significativos em qualquer época para qualquer geração. E é muito difícil esta balança pesar mais para o lado universal dos nossos sentimentos e daquilo que sabemos ser verdadeiro, quando nos encontramos face a face com uma realidade desconhecida de todos nós, como é mundo sci-fi.
Mas eu gostaria de adicionar um outro filme que acredito ter os requisitos para se perpetuar: Contatos Imediatos de Terceiro Grau, de Steven Spielberg , lançado em 1977. Por quê? Porque também me parece trazer aquelas características que consideramos perenes: a nossa curiosidade – sem ela não teríamos chegado ao nivel que chegamos na nossa evolução. E também, o conhecimento intrínseco que temos, lá nas profundezas de nossos seres, que as chances de sermos o único lugar com vida no universo são pequenas, muito pequenas. Quase inexistentes. Sabemos, também, que iremos de alguma forma, algum dia, nos comunicar com estes outros seres, quer de maneira inteligível, quer através de uma comunicação à base de trocas de celulas ou de DNA. A genialidade do argumeto de Spielberg foi associar essa comunicação a um nivel de grande abstração como o som, a música. Impossível de ser limitado e de ser descrito de alguma outra forma.
Então, para ter longa vida a ficção científica no cinema tem que mostrar uma verdade intrínseca nossa, de seres humanos, que repercuta nas nossas almas, e mais ainda, que sua representação não limite a nossa imaginação, mas ao contrário que nos faça expandi-las.
E você, o que pensa?
Peninha ouve o despertador. Ilustração Walt Disney.—
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Se você mora nas regiões Centro-oeste, Sudeste e Sul do Brasil lembre-se de ADIANTAR os seus relógios hoje à noite. Adiante de uma hora. Assim meia noite será 1 da manhã. O HORÁRIO DE VERÃO permanecerá conosco até o dia 20 de fevereiro. Esta mudança tem o fim de aproveitar a luz natural o maior tempo possível durante os dias mais longos do ano. O Brasil reduz o consumo em aproximadamente 5% durante o horário de verão. Isso ajuda a economizar energia e a preservar o meio- ambiente.
Ilustração Maurício de Sousa.—
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1 – Banho? Corte 5 minutos do seu banho, economia: 35 litros de água.
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2 – Escovando os dentes? Fazendo a barba? Só abra a torneira quando necessário, economia: 15 litros de água.
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3 — Lavando louça? Ensaboe toda louça, só depois enxágüe, economia: 15 litros de água.
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4 – Carro sujo? Diga NÃO à mangueira. Pano e balde, economia: 300 litros de água.
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Luminosidade de por do sol, Espanha
Albert Moulton Foweraker(Inglaterra, 1873-1942)
Aquarela
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Foi na década de 80, a primeira vez que estive na Espanha. Passei oito maravilhosos dias em Madri, onde todas as manhãs visitava o Museu do Prado. As tardes eram passadas fazendo as mais diversas visitas turísticas e compras para minha futura casa. Estávamos a caminho da Argélia, onde meu marido iria ensinar na Universidade de Oran e haviam nos aconselhado a comprar alguns aparelhos eletro-domésticos na Espanha, porque a voltagem era a mesma. É claro que não nos limitamos aos aparelhos elétricos porque havia muita coisas maravilhosa sendo oferecida nas grandes lojas de departamentos, entre elas El Corte Ingles. Foi uma semana mágica, que marcou a passagem para uma nova vida, um marco. Foi um período de suspensão entre a vida que havíamos levado até então e a que nos esperava num país totalmente desconhecido, num outro continente, com outra religião. A Espanha nos fascinou e foi para ela que voltamos sempre, inúmeras vezes, não só no período em que moramos na Argélia, como quando pudemos, até hoje acabamos achando uma brecha em qualquer roteiro para lá voltarmos. A Espanha é um país para o qual vou com alegria e excitação. Já pedi para passar lá e consegui, dois aniversários, um em Salamanca e outro em San Tiago de Compostela.
Na época da nossa primeira visita, a Espanha ainda não fazia parte da Comunidade Européia. Ao longo desses quase 30 anos, vimos, através das nossas visitas, uma grande diferença econômica e social impulsionando o país. Seu povo é um dos mais apaixonados e apaixonantes do mundo. Tem uma energia e um orgulho intoxicantes. Os espanhóis têm uma história riquíssima e muitos dos mais belos recantos turísticos do mundo. Nas nossas últimas viagens testemunhamos, com prazer, o desenvolvimento econômico e social do país evidente em todo canto, nas ruas, nas firmas, no governo. Era assim, até recentemente. Ainda não estive lá depois da crise mundial, mas até então a Espanha crescia a olhos vistos.
Portanto, foi com excitação que me envolvi com a leitura nesse fim de semana de um relato de viagem de Penelope Chetwode, em Two Middle-aged Ladies in Andalusia [John Murray Travel Classics: 2002] — Duas senhoras de meia-idade na Andalusia — uma nova edição do livro publicado em 1961, em que a autora [ uma das senhoras de meia-idade mencionadas no título, uma inglesa de 51 anos – faz turismo pelos povoados do interior da Andaluzia, montada na égua de 12 anos de idade [a outra senhora de maia-idade], Marquesa. Gosto imensamente de relatos de viagem, uma área da literatura raramente encontrada no Brasil. E gosto muito mais ainda desses relatos quando feitos por autores ingleses que, a meu ver, estão entre os mais bem humorados, irônicos e aventureiros que conheço. Além do mais, a minha expectativa em ler esse livro foi ainda maior por ele se passar na região da Andaluzia, que com a Galícia, fazem parte dos meus locais favoritos no mundo, locais para onde sempre retornarei com prazer e alegria.
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O livro de Penelope Chetwode não me desapontou. É irônico, cheio de aventuras, e pinta uma Espanha desconhecida para mim. Em outubro/novembro de 1961 – período de viagem da autora — o mundo era muito diferente. Estávamos, emocionalmente e economicamente, fechando a década de 50. Aqui no Brasil, a nossa capital já era Brasília e o Rio de Janeiro virara Estado da Guanabara. Jânio Quadros havia renunciado em agosto daquele ano. Os Beatles não haviam tomado o mundo com suas músicas. O homem ainda não desembarcara na Lua. Não havia radinho de pilha. John F. Kennedy não havia sido eleito. Ah, sim, e o ditador Francisco Franco ainda estava no poder na Espanha. Vinte e poucos anos depois quando visitei Madri pela primeira vez, a realidade era bem diversa daquela descrita no livro de Penelope Chetwode. Tudo mudou, rapidamente.
Numa das passagens da viagem de Penelope Chetwode dá para perceber o quanto a Espanha se modificou nesses últimos 50 anos. Os que lêem o meu blogue sabem da minha preocupação com a educação, sobretudo a educação de mulheres. Para mim, qualquer referência ao analfabetismo é sempre doloroso. Assim, é natural que a passagem que cito abaixo tenha sido uma que me tocou de maneira profunda, a tradução do texto é minha.
[“In this village I at last discovered the Mass mystery in Spain: the church bell is rung three times. First of all about three quarters of an hour before the Holy Sacrifice is due to start, then a second time about 20 minutes later, then the third and final time when the priest goes into the sacristy to vest. If he has overslept, nobody minds because they go by the bells, but it is very easy to lose count and often people say to you, “was that the second bell or the third?” I went along to church at 9 a.m. and Mass started at 9:15, just after the third bell. Half a dozen girls, aged about 12 or 13, sat in the front pew and one of them handed out dialogue Mass cards, called in Spanish Misa Participada. The phonetic spelling, to try to get the people to pronounce the Latin correctly, was most extraordinary. In addition to the girls, five or six women were present. Only the girls and I, and the little boy serving the Mass, did the responses. Obviously, the older women could not read.”]
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Nesse vilarejo finalmente descobri o mistério da Missa na Espanha: o sino da igreja toca três vezes. Primeiro por volta de quinze minutos antes de o Serviço Sacro começar, depois uma segunda vez mais ou menos 20 minutos mais tarde, e pela terceira e última vez quando o padre vai para a sacristia colocar a veste. Se ele dormir demais,ninguém se preocupa porque eles se atêm aos sinos, mas é muito fácil perder a conta e frequentemente as pessoas se perguntam, “esse foi o segundo ou o terceiro toque?” Fui à igreja as nove da manhã e a Missa começou às nove e quinze, logo depois do terceiro toque. Meia dúzia de meninas, de 12 ou 13 anos, sentava no primeiro banco e uma delas me passou o cartão com o diálogo da Missa, chamado em espanhol de “Missa Participada”. A versão fonética, para fazer as pessoas pronunciarem o Latim corretamente, foi muito especial. Além das meninas, cinco ou seis mulheres estavam presentes. Só as meninas e eu, e o menino sacristão, respondemos. Obviamente as mulheres mais velhas eram analfabetas.
Foi um momento em que parei para agradecer o desenvolvimento dos últimos cinqüenta anos na Espanha, porque hoje o analfabetismo por lá deve estar em declínio. Sei que este é um retrato que não casa com a Espanha atual. Mas aquela realidade ainda parece muito próxima de nós – cinqüenta anos só – para que nos sintamos imunes ao que ela retrata. Graças a Deus as coisas parecem ter mudado.
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Por cá, no Brasil, as coisas também mudaram. A mulher hoje tem um papel mais ativo na economia e supera os homens na escolaridade. Mas, mesmo assim, os dois bilhões de reais usados pelo atual governo para combater o analfabetismo no país, não chegaram a reduzir nem em um por cento o número de pessoas incapazes de ler – e isso não conta aqueles que são funcionalmente analfabetos. Apesar disso, temos que celebrar os avanços que fizemos. Mas precisamos ficar de olho. A alfabetização, por si só, não é, nem será suficiente, para proteger as gerações futuras. E esta semana mesmo tivemos um alerta, que deve nos ajudar a ficar em estado de prontidão, pois o noticiário – no meu caso li no Estadão – mostra que mesmo no Brasil de hoje onde as mulheres têm um melhor índice de alfabetização do que os homens, seus salários, para o mesmo trabalho feito por eles é 27,7% menor. Como a maioria dos lares brasileiros, hoje, é encabeçada por uma mulher, mesmo que ela seja alfabetizada e preparada, escolarizada as chances de seus filhos venham a ser bem sucedidos parecem periclitantes. Precisamos sem dúvida pensar além da mera aprendizagem de nível básico ou médio. Precisamos pensar além da bolsa isso ou da bolsa aquilo, nessas eleições. O que importa é: qual é o melhor programa proposto para a educação? Não adianta prometer ” o pulo que qualidade que eu darei no futuro…” Essas promessas já ouvimos uma, duas, dezenas de vezes. Quem está propondo algo viável? Continuar o que tivemos pelos últimos oito anos e que não parece estar surtindo efeito, pode ser um erro do qual poderemos nos arrepender e muito.
Aldo Bonadei ( Brasil, 1906-1974)
Óleo sobre tela, 73 x 54 cm
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Aldo Cláudio Felipe Bonadei, (São Paulo, 1906 — São Paulo, 1974) pintor brasileiro, integrante do Grupo Santa Helena. Além da pintura fez desenhos, gravuras e foi figurinista para teatro e cinema. Também escreveu poesia. O artista teve importante atuação, entre os anos 1930 e 1940, na consolidação da arte moderna paulista e foi um dos pioneiros no desenvolvimento da arte abstrata no Brasil. No fim da década de 50 atuou como figurinista na Companhia Nydia Lícia – Sérgio Cardoso e em dois filmes de Walter Hugo Khoury.