Boas maneiras XIX

5 07 2009

19 - bom dia 19

Pela manhã…  sorria…

Dizendo a seus pais “bom dia”!





Nossa história na ponta dos dedos, graças a generosidade de José e Guita Mindlin!

5 07 2009

jose_mindlin_biblioteca_436José Mindlin e sua coleção.

 

Tive a oportunidade pela primeira vez de consultar a Coleção Brasiliana, doada pelo empresário e colecionador José Mindlin à Universidade de São Paulo.  Esta é uma extraordinária coleção  Para quem ainda não conhece esta maravilhosa ferramenta de pesquisa ao alcance dos nossos dedinhos a qualquer hora do dia e da noite, vale a pena visitá-la para pelo menos saber o que anda acontecendo de sério na internet. 

Acesse a Coleção Brasiliana   

Esta seleção de livros doados por José e Guita Mindlin, está em processo de digitação e postagem na  internet e  pode ser acessado de qualquer parte do mundo.  Hoje consultei a História do Brasil, por frei Vicente do Salvador, natural da Bahia. Nova edição revista por Capistrano de Abreu, de 1918.  Esta foi a primeira tentativa de relato de uma história do Brasil.  Frei Vicente de Salvador terminou de escrever sua obra sobre as primeiras décadas do Brasil colônia em 1627.  Este também foi o primeiro livro com o qual José Mindlin, aos 13 anos de idade, começou sua coleção.   A Coleção Brasiliana do bibliófilo, que conta com 20 mil títulos entre relatos de viajantes, literatura brasileira e portuguesa, documentos, folhetos e várias primeiras edições de obras importantes, será transferida até o final de 2009 para a Universidade de São Paulo (USP).

Aqui está uma ilustração acompanhando o texto de Frei Vicente do Salvador:

 

Planta da cidade de Salvador, contemporânea da invasão dos holandeses, História do Brasil

Planta da cidade de Salvador, na Bahia, contemporânea à invasão dos holandeses. 

 

A coleção está em processo de digitalização.  Ela é feita por um robô devorador de livros, que lê 2.400 páginas por hora, batizado de Maria Bonita.  “Podemos transformar uma imagem recém tirada do robô em uma página que seja portátil para a web”, explica o engenheiro de computação Vitor Tsujiguchi.  “O usuário vai ver o livro tal como ele é: a imagem do livro original, mas por trás dessa imagem há uma versão digitalizada, como se fosse transcrito. O usuário pode fazer busca por palavra, frase, iluminar trecho, copiar e colar. A pessoa vai poder imprimir em casa, encadernar e colocar na sua estante”, Pedro Puntoni.   O robô reconhece 120 línguas. Até o final do ano o plano é que ele tenha digitalizado 4 mil livros e 30 mil imagens.

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José Mindlin e “Maria Bonita”.

 

Quem está encantado com o trabalho do robô é o professor titular de história do Brasil, Istvan Yancsó, coordenador geral do projeto: “O conceito dessa biblioteca é atender a uma multiplicidade de destinações. É um serviço que a USP vai prestar à nação. Tudo que nós estamos fazendo é sempre em cima da ideia de que é uma colaboração para montagem de alguma coisa que não vai ser a Brasiliana da USP, vai ser uma Brasiliana brasileira”.

 Robo batizado de Maria Bonita, lê 2.400 páginas por hora

O Robô, batizado de Maria Bonita, lê 2.400 páginas por hora.

Os primeiros livros sendo digitalizados são os dos viajantes que percorreram o Brasil nos séculos 16, 17, 18 e 19. Toda a coleção das gravuras de Debret. Depois disso será a vez de todos os livros de história do Brasil e literatura brasileira. Os 17 volumes da primeira edição dos sermões do Padre Vieira, a primeira edição brasileira de “Marília de Dirceu”, de Tomás Antonio Gonzaga – só existem três unidades no mundo. De José de Alencar, a primeira edição do “Guarany”, livro raro.  José Mindlin passou boa parte da vida atrás desse exemplar, um dos únicos existentes e de muitas outras raridades.

Artigo parcialmente baseado no Destak Jornal.





Brasil: uma terra de plantas raras

5 07 2009

holocheilus-monocephalus, campos umidos do extremo sul do Brasil, 60 cm

Holocheilus-monocephalus, nativa dos campos úmidos do extremo sul do Brasil, chega a altura de 60 cm.

 

O livro Plantas Raras do Brasil, lançado quinta-feira passada, dia 2 de julho , identifica 2.291 espécies de plantas encontradas exclusivamente no território nacional.   O trabalho, fruto de uma parceria entre a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e a ONG Conservação Internacional, é resultado de dois anos de pesquisas que reuniram 175 cientistas de 55 instituições brasileiras e internacionais.

 Nas pesquisas, os cientistas também identificaram 752 áreas de relevância biológica para a conservação da flora brasileira e verificaram que 50% dessas áreas estão degradadas.   Segundo os organizadores da obra, a publicação poderá reacender uma polêmica entre cientistas e o Ministério do Meio Ambiente.

 Em uma lista divulgada em setembro do ano passado, o ministério relacionou 472 espécies da flora ameaçadas. No entanto, um consórcio formado por cerca de 300 cientistas afirma que há no Brasil 1.472 espécies ameaçadas.  O professor Alessandro Rapini, da UEFS, um dos organizadores da obra, diz que a situação da flora brasileira pode ser “mais grave” do que os números oficiais apontam.

 

calliandra-hygrophila,encontrada em campos rupestres da Serra do Sincorá, na Bahia.

Calliandra-Hygrophila, encontrada em campos rupestres da Serra do Sincorá, na Bahia.

 

O número total de espécies reconhecidas nesse levantamento significa cerca de 4% a 6% de todas as espécies de angiospermas (subdivisão do reino vegetal que compreende as plantas com flores) do país e, dada a área restrita de ocorrência, muitas delas podem ser consideradas ameaçadas de extinção“, comenta Alessandro Rapini.

Os autores ressaltam que o número de espécies raras e de áreas consideradas estratégicas no Brasil é certamente maior do que o apontado no livro. Isso se deve ao fato de algumas famílias não terem sido incluídas nessa edição ou não terem sido completamente analisadas devido ao grande número de espécies.

 Em 496 páginas, o livro traz um catálogo completo com informações sobre as famílias (são ao todo 108, dentre as 177 analisadas) e suas espécies detalhando dados e distribuição de cada uma, além de um acervo fotográfico com 113 imagens e um capítulo especial, sobre as áreas-chave para a biodiversidade (ACBs), organizadas por região geográfica.

 As áreas-chave para biodiversidade, ou ACBs, são lugares de relevância biológica detectados e delineados a partir da presença de espécies raras (distribuição restrita), endêmicas (exclusivas de uma determinada região) ou ameaçadas de extinção. No escopo da Convenção da Diversidade Biológica (CDB), as ACBs devem ser os alvos preferenciais dos governos para atividades integradas de conservação, pois há o compromisso global de proteger, até 2010, grande parte dessas áreas contra a degradação.

 

barbacenia-fanniae, tem flores rosa e pode ser encontrada no Rio de Janeiro

Barbacenia Fanniae, tem flores cor-de-rosa e pode ser encontrada no estado do Rio de Janeiro.

A Conservação Internacional informa que, das 752 ACBs identificadas a partir da presença de plantas raras, 47% apresentam alto grau de degradação, com mais de 50% de área já alterada por atividade humana. Em contraste, somente 7,8% das ACBs possuem mais de 50% de suas áreas em unidades de conservação ou terras indígenas, indicando lacunas importantes no sistema nacional de áreas protegidas.

 O vice-presidente de ciência para América do Sul, José Maria Cardoso da Silva, co-organizador da obra, diz que a situação é preocupante. “A combinação desses dois indicadores nos traz uma mensagem explosiva: se nada for feito rapidamente, estamos produzindo um evento de megaextinção de plantas brasileiras, que pode aniquilar em poucas décadas o produto de milhões de anos de evolução e criar um embaraço diplomático para o Brasil, um dos primeiros signatários da CDB, pois o governo brasileiro se comprometeu a fazer todos os esforços para evitar a perda de espécies no país“, declara.

 

paepalanthus_globulifer, encontrada na Serra do Cipó em MG, floresce o ano todo

Paepalanthus Globulifer, encontrada na Serra do Cipó em MG, floresce o ano todo.

O professor Alessandro Rapini, lembra que o que mais preocupa os cientistas no momento são espécies raras que ainda não foram detectadas. “Correm o risco de desaparecer antes mesmo de serem descritas“, afirma.  Os organizadores da publicação estimam que o Brasil detenha 15% de toda a flora mundial.

As espécies raras não estão distribuídas de forma homogênea. Os Estados campeões em número de espécies raras são Minas Gerais, com 550, e Bahia, com 484, afirmam os pesquisadores. O lançamento do livro ocorre durante o 60º Congresso Nacional de Botânica, em Feira de Santana, na Bahia.  (UOL- Ciência e Saúde)

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Ameaças e desafios – As ameaças à flora brasileira são muitas e ocorrem nas diferentes regiões brasileiras. Vão desde o uso não sustentado de seus componentes, até a retirada total da vegetação para dar lugar à expansão da agricultura mecanizada, de pastagens e de áreas urbanas, passando pela construção de estradas e pressão imobiliária, dentre outros. Ana Maria Giulietti, co-organizadora do livro, chama a atenção para o dilema desenvolvimento x conservação, especialmente crítico no atual contexto do planeta, com a iminência do aquecimento global. “O Brasil, pela riqueza de sua flora e pelo forte contraste cultural entre os habitantes ao longo do território, precisa utilizar estratégias de desenvolvimento que contemplem a melhoria da qualidade de vida de seu povo, com a conservação da nossa biodiversidade. Assim, informações científicas e bem embasadas como as desse livro, certamente ajudarão para a proposição de providências concretas por parte do poder público para evitar a extinção das espécies de plantas no Brasil e conservar o patrimônio natural brasileiro, promovendo o uso sustentável dos recursos naturais”, enfatiza.  — (Ambiente Brasil)

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PLANTAS RARAS DO BRASIL é um projeto desenvolvido pela Universidade Estadual de Feira de Santana e a ONG ambientalista Conservação Internacional com objetivo combinar esforços de pesquisadores e instituições para identificar e mapear todas as espécies raras de plantas do Brasil e também as áreas mais importantes para a conservação dessas espécies. A primeira etapa do projeto foi concluída com a publicação do livro “Plantas Raras do Brasil”, lançado no dia 2 de julho de 2009, em Feira de Santana, Bahia, durante o Congresso Brasileiro de Botânica. As informações do livro estão organizadas aqui para que elas possam ser utilizadas por todos os setores da sociedade brasileira nos seus esforços para garantir a conservação da extraordinária biodiversidade existente no país. 





Não há cidadania sem livro, lembra Milton Hatoum

5 07 2009

Milton-Hatoum

Julio Bittencourt/Folha Imagem

 

Numa entrevista antes do debate com Chico Buarque de Holanda, na FLIP [Feira Literária Internacional de Paraty], o escritor Milton Hatoum lembrou que não há cidadania sem livro.  E que uma política pública de de educação e inclusão social precisa ser feita “no miúdo, nos municípios”.   Milton Hatoum cobrou também mudanças estruturais nas política brasileira e  o engajamento das perfeituras nas políticas voltadas à educação.  

Eu, que ando muito por esse país, observo que os livros do Ministério da Educação estão chegando às escolas e às bibliotecas. Isso é um alento para quem escreve, para quem dá tanta importância a leitura“, disse. “Mas política pública tem que ser feita no miúdo, nos municípios.”

Segundo ele, as políticas públicas não devem “obrigar ninguém a ler“. “Mas é um absurdo, para não dizer um crime, você não permitir o acesso à leitura a milhões de crianças pobres no Brasil. A política do livro deve ser uma prioridade de qualquer governo. Não há cidadania sem leitura“, disse.

Hatoum cobrou ainda a valorização dos professores e defendeu a implantação de uma política de salários para a categoria a partir de 2010. “É uma vergonha que professores ganhem menos do que um salário mínimo. Qualquer país desenvolvido, qualquer país civilizado investiu muito na educação, no livro, na formação dos professores, nos salários dos professores. E isso eu acho positivo.

Agência Brasil

 

Aqui, você encontra a minha opinião sobre o livro Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum.





Quadrinha infantil, sobre o plural

5 07 2009

Maos, pintura pré-histórica, patagoniaPintura pré-histórica da Caverna das Mãos na Patagônia, Argentina.

 

Se o plural de pão é pães

por que das mãos que se tem

não se diz “são duas mães”

direita e esquerda também?

 

(Paulo Amorim Cardoso)





Conversões urbanas: como tornar a sua cidade numa cidade verde, sem demolições.

5 07 2009

 

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No dia 28 de junho o jornal Boston Globe publicou um interessante artigo de Michael Fitzgerald com uma lista de algumas das alternativas — já experimentadas e com sucesso — para transformar uma cidade já existente, numa cidade verde, com uma pegada carbônica muito menor do que a atual.   É claro que ele se concentra no que acha possível ser aplicado à cidade de Boston.  Mas como essas alternativas funcionaram em outros lugares, não custa darmos uma olhadinha para vermos o que anda sendo feito.  A tradução é minha e é bastante livre. 

Conversões urbanas: como tornar uma cidade verde, sem demolições.

 À medida que o mundo aquece, ele se torna também cada vez mais urbano.  Mais da metade da população mundial já vive em cidades ou muito próxima dos centros urbanos.  Então, quando se trata de vida sustentável, as cidades representam um desafio crescente.

Há muitas vantagens que já encontramos nas cidades:  elas têm transporte público, têm uma distribuição eficiente de energia elétrica, e uma densidade populacional compacta, que pode dispensar o uso do automóvel.  Além disso, pessoas que vivem e trabalham em edifícios altos, em vez de construções espalhadas pela paisagem, conservam uma enorme quantidade de energia per capta.

Mas as cidades também têm um grande problema: elas já estão construídas.  Podemos inventar todas as tecnologias “verdes” de que gostamos, mas não podemos derrubar quarteirões cheios de velhas estruturas e iniciar tudo do ponto zero.  Isso, para não falar na trama de ruas, ladeadas por cabos, tubos, túneis,  que se desenvolveram através de décadas, ou até mesmo séculos. O problema é especialmente sentido em cidades antigas como Boston.

Então, vem a pergunta: como para melhorar as cidades que temos? A resposta, através de conversões arquitetônicas.  Em anos recentes, engenheiros, planejadores urbanos, e empresários procuraram novas formas, imaginativas,  de tomar o que conhecemos hoje num uso de energia mais eficiente, enxertar  esse sistema tecnológico nas cidades existentes sem ter que arrasar o que já existe.   Aqui estão algumas idéias já testadas, incluindo algumas que podem vir a funcionar em Boston.

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BICICLETAS DISPONÍVEIS

 Bicicletas só usam suor como combustível, por isso são um item favorito e essencial para qualquer plano verde de trânsito, em qualquer lugar do mundo. Mas, a não ser que você seja um ciclista dedicado, nem sempre terá sua bicicleta com você quando precisar fazer um giro rápido.  É aí, nesse ponto que aparecem programas de compartilhamento que oferecem um bicicletário de bicicletas públicas, que podem ser utilizadas para circulação na cidade.   Apesar de muitas variantes desses programas já terem sido tentadas e não darem certo nos últimos 20 anos; hoje, há esperanças de que venham a funcionar.  Na França aparecem os primeiros sinais de sucesso: desde de 2005 que a cidade de Lyon lançou um programa que funciona com este fim e agora ele aparece de novo, adaptado em Paris.   É simples.  O programa se baseia num bilhete vendido pela cidade, custando aproximadamente R$80,00.  Ele serve por um ano de acesso ao uso de 20.000 bicicletas disponíveis em 1.500 estações na cidade.   O preço da bicicleta (o que seria o aluguel)  não custa nada pelos primeiros 30 minutos.  Depois disso há uma escala crescente de custos que são aplicáveis ao uso.  Há aproximadamente outras 25 cidades no mundo que oferecem programas semelhantes, de Barcelona a Washington DC.   Muitos desses programas são subsidiados por propaganda nas bicicletas ou outro tipo de publicidade. 

 

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UMA REDE INTELIGENTE

A rede que fornece a nossa eletricidade é complexa, mas nem sempre é bem utilizada.    Lembre-se do telefone casa da vovó – aquele que não tem identificador de chamadas, e que não consegue receber mensagens de texto ou vídeo.  Se fosse um telefone “inteligente” poderia se comunicar com a sua casa, e vice-versa.   A nível residencial isso significaria que você saberia exatamente que aparelhos estariam desperdiçando energia e como usá-los de forma mais eficiente.   A nível municipal, uma rede inteligente pode mudar o modo do consumo de energia.  A municipalidade poderia facilmente cobrar mais dinheiro pela energia em horas de grande uso.  O indivíduo poderia até mesmo vender o excesso de energia renovável sem uso de volta para a rede.  Algumas cidades pioneiras e alguns consumidores já usam redes inteligentes: na cidade de Boulder, no estado do Colorado, a companhia Xcel Energy lançou um plano piloto de contadores inteligentes que permite aos consumidores de verem a cada segundo as estatísticas sobre o seu gasto de energia e que permite também a mudança de temperatura da casa ou outras variáveis de maneira automática.

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PODCARS

 

A cidade de Masdar, a ser construída em Abu Dhabi tem em plano experimental “pós-petróleo”.  Ela será a primeira cidade do mundo a apresentar em grande escala um sistema rápido trânsito de pessoas.  Será um pequeno túnel subterrâneo movido a baterias, servindo a 4 pessoas por veículo.   Esquemas semelhantes estãosendo testados em Londres, no aeroporto Heathrow;  e em Uppsala, na Suécia.  Todos esses podcars usam rodas, o que significa que eles precisam de faixas nas ruas da cidade.  Mas há locais, como a cidade de Boston, que poderiam ser melhor servidos com o uso da tecnologia de levitação magnética, semelhante a utilizada nos trens de alta velocidade.  A empresa californiana Unimodais Systems construiu um protótipo mag-lev podcar no sistema da NASA Ames Research Center.  Ela afirma que o sistema é leve o suficiente para usar postes de luz como pontos de apoio.  Há muito tempo que um projeto de podcars da Universidade de West Virginia em Morgantown foi financiado durante a administração Nixon, e ainda está até hoje transportando estudantes pelo campus universitário.

 

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ESTAÇÕES DE PERMUTA

 Para trânsito alternativo há muitas idéias brotando em inúmeras cidades usando empresas que dividem serviços de carros e motos.  Um dos problemas que todas encontram é a falta de conexão entre pontos, especialmente quando se engloba distâncias mais afastadas do centro das cidades.  Estações de permuta, bem planejadas, poderiam ligar estes serviços, da mesma maneira que eles funcionam nas linhas de trens urbanos, ou nos metrôs, e com serviços de taxi.    A cidade de Bremen, na Alemanha criou um sistema que conecta ônibus e trem, motos, táxis, e grupos de caronas para que residentes possam se locomover com mais facilidade, sem ter um carro. Um sistema integrado de pagamento significa que eles podem fazer toda a viagem com apenas um cartão, ou até mesmo um celular.  Outras “estações de permuta” já estão organizadas em cidades como Washington, São Paulo, Cidade do Cabo, e Chennai, na Índia.  Entusiastas também vislumbram  online mapas inteligentes que liguem todos os meios de trânsito disponíveis ao público, com GPS e estimativas de tempo de viagem.

 

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RE-CONFIGURAÇÃO DE IMÓVEIS  

 Edifícios novos e eficientes são ótimos.  Mas não se pode simplesmente derrubar os edifícios já existentes para construir novos. Em vez disso, os construtores começam a reconfigurar o acabamento externo de concreto dos edifícios mais velhos, esfoliando as suas superfícies e acrescentando novas camadas térmicas.  Estas invertem a tendência normal de absorção do calor no verão e de perda deste mesmo calor no inverno.  Uma cuidadosa reconfiguração pode cortar o gasto de energia pela metade enquanto que o novo acabamento pode também englobar uma melhoria nas tubulações de serviços essenciais assim como nas tubulações elétricas.  É a cidade de Berlim que lidera neste caminho.  Com a esfoliação de um complexo de edifícios de 40 anos compreendendo 16.000 apartamentos.  Um edifício de escritórios em Manchester, na Inglaterra, foi reconfigurado com células foto-voltaicas.  Até mesmo edifícios ícones, parte da paisagem de cidades turísticas  podem passar por esse processo.  Um exemplo é o Empire State Building  que está em processo de reconfiguração começando de seu interior, e adicionando janelas com 3 painéis, além de atualizações mecânicas.  O resultado será a economia de USD 4.400.000 por ano em gastos de energia.  E tudo isso sem alterar sua aparência exterior.  O grande problema destes projetos é que eles são difíceis de serem repetidos em outros edifícios.  A Zerofootprint, uma organização sem fins lucrativos em Toronto criou um prêmio de USD $ 1 milhão para um projeto de reestruturação exterior que possa ser facilmente adaptado para muitas cidades.

 

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ALUGUEL DE ENERGIA SOLAR

Um dos maiores obstáculos para os donos de casas  mudarem suas residências para a energia solar, é o custo.  Em média custa nos EUA cerca de USD $ 25.000 para um conjunto de painéis de telhado.  Cidades como São Francisco conseguiram atrair subsídios federais  para reduzir esses custos pela metade.  Mesmo assim ainda é muito dispendioso.  Agora empresas privadas como SolarCity e SunRun andam seduzindo consumidores com uma outra maneira para consumo de energia solar.  Com o pagamento de USD $ 1.000 iniciais, proprietários de imóveis  podem alugar painéis solares por uma pequena quantia mensal baseada no uso de eletricidade por unidade. Inicialmente estas companhias se concentraram em partes ensolaradas do país, principalmente na Costa Oeste dos EUA.  Mas a SunRun começou recentemente,  no início deste ano, um programa de locação de painéis  em Massachusetts.

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Marte tem neve de madrugada

4 07 2009

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Geada depositada no solo de Marte.

 

Marte tem neve de madrugada: cristais de gelo caem das nuvens sobre o ártico. Eles não chegam a tocar ao solo, evaporando-se no caminho e saturando a atmosfera de água. Essa neblina espessa produz uma geada que vira vapor ao amanhecer, devolvendo a água à atmosfera. Por volta da meia-noite, as nuvens formam-se outra vez, nutrindo os cristais que cairão na madrugada seguinte.

São cristais grandes, caindo e movendo-se com o vento“, descreve o cientista brasileiro Nilton Rennó, da Universidade de Michigan. “Às vezes, o nevoeiro cobre tudo, da superfície até as nuvens“, explica ele, que é um dos autores do trabalho que registra o ciclo das águas marciano, publicado na edição desta semana da revista Science.

A revista traz uma série de quatro artigos, resumindo as principais descobertas feitas pelos instrumentos da sonda Phoenix, da Nasa, que operou em Marte no ano passado. O texto sobre a água marciana confirma a presença, no ártico, de uma camada de gelo no subsolo, começando a uma profundidade de 5 centímetros. Também menciona a teoria, defendida por Rennó, de que água líquida ainda pode existir no planeta, sob a forma de gotículas, ou em poças. O ponto de congelamento da substância cai por conta da grande concentração de sais dissolvidos.

 

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Pode existir líquido em qualquer ponto do planeta onde a temperatura mínima fique acima dos 70º C negativos e exista uma fonte de água, como gelo subterrâneo”, diz o cientista, que detalha as evidências a favor da presença atual de água líquida em Marte em dois outros artigos: um que será publicado na revista especializada Journal of Geophysical Research e outro que será apresentado, em agosto, num congresso de astrobiologia – a ciência da busca pela vida em outros planetas.

A presença de água em estado líquido facilita muito” a presença de vida, diz o brasileiro. Ele defende que a Nasa deveria atualizar seu lema para a busca de sinais de vida em Marte – “siga a água” – para “siga a água líquida“.

O artigo sobre astrobiologia, assinado pelo brasileiro e por mais três colegas da Universidade de Michigan, sugere que a busca por vida em Marte privilegie a estratégia de tentar encontrar água, salgada e em estado líquido, na vizinhança nos locais da onde se originam as emanações de gás metano – a mais simples das moléculas orgânicas – já detectadas em Marte por sondas orbitais.

Rennó apresenta como smoking gun – prova cabal – da presença de água em estado líquido em Marte uma sequência de três imagens do apoio de uma das pernas da Phoenix. Elas mostram o desaparecimento de um glóbulo de gelo que havia se formado na peça. O glóbulo escurece antes de sumir – e, como a água em estado líquido é mais escura do que gelo, aí estaria um indicador de que a pequena esfera congelada teria, de fato, derretido e escorrido.

Fonte: Estadão





Livros decorativos, só?

4 07 2009

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Caixa Econômica Federal, Rio de Janeiro.

 

A postagem de ontem a noite [ Sobre livros e decoração ] me fez pensar muitas vezes no Centro Cultural da Caixa Econômica aqui no Rio de Janeiro.  Este é um lugar que visito regularmente.  Tem grandes exposições e shows.  O último que vi lá foi de Dori Caymmi, no início do mês de junho.  Além do mais, está a uns passos da estação do metrô da Carioca.  Em suma: um lugar fácil de ir, com uma ótima programação.

 

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Hall de entrada do Centro Cultural da Caixa Econômica, RJ.

 

Este Centro Cultural fica no edifício-sede da Caixa na Avenida Almirante Barroso, no centro da cidade.  Sua arquitetura é muito interessante, um pouco grandiosa mas por outro lado o espaço tem mais de 6.000 metros quadrados, um teatro de arena, dois cinemas, três galerias de arte, uma cafeteria, uma bombonière, além de salas de oficinas e ensaios, como bem explica o Portal da Caixa.    Há detalhes de grande charme tais como a escadaria que leva ao mezanino e o grande painel de Bandeira de Mello ocupando boa parte da chegada a este mezanino.  

 

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Café e Livraria do Centro Cultural da Caixa Econômica, RJ.

 

Mas há algo de curioso, um quebra-cabeças sem igual, nesta organização: o Café e Livraria administrado pelo SENAC, no mezanino.  É um café.  Só café.  Não há nenhuma livraria.  Nem biblioteca.  Nem exposição de livros.  Os livros que vemos – e vemos de fato muitos livros nas paredes, são exclusivamente estampados de papel de parede.  Fica um charme sem dúvida, principalmente porque aquece, torna mais habitável uma arquitetura sem alma e sem calor humano, como este gigante saguão que percebemos pelas fotos acima e abaixo.  

 

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Café e Livraria do Centro Cultural da Caixa Econômica no Rio de Janeiro. 

 

Por que, então, o nome: Café e Livraria?   Como livraria?  Os livros não existem a não ser como tromp l’oeil!  É tudo falso.  Por quê?   

O Centro abriu ao público em 2006.  E é possível que originalmente tenham pensado num café/livraria como estava e ainda está tão em moda.  E é quase provável que  até hoje os administradores do CCCEF  não tenham tido a oportunidade de conquistar algum empresário, alguma companhia,  algum visionário que quisesse abrir uma livraria no local.  Não me surpreende.  Há muito pouco tráfico de visitantes e pedestres.  Não me parece um lugar de sucesso para uma livraria, principalmente porque com tantos centros culturais no Rio de Janeiro todos com livrarias quase morrendo de inanição e com o grande número de  portais na internet vendendo livros, há de ser muito difícil manter um negócio de venda de livros, neste lugar.  Mas então, por que manter a idiossincrasia?

 

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Papel de parede com desenho de estante elegante.

 

Porque livros transformam lugares.  Eles dão aconchego e fazem de qualquer ambiente local propício para a troca de idéias, para conversas variadas.  Os livros nos alimentam, suas idéias nos embriagam.  Assim, eles parecem, para as pessoas que deles se rodeiam, trazer um espírito de confraternização semelhante ao que vemos entre amigos depois de uma farta ceia, regada a um bom vinho.  Além disso, eles abafam os sons, tornando qualquer ambiente mais íntimo. 

Nas revistas de decoração estrangeiras eles aparecem com freqüência.  Por que será que por aqui eles só aparecem em números ímpares, casados com outros elementos decorativos, como mencionei anteriormente?   Será que ainda mantemos, no fundo, no fundo, aquela desconfiança da palavra escrita que prevaleceu durante a Inquisição?  Será que continuamos a tradição católica que desconfiava da Reforma de Lutero porque ele pedia que se lesse a Bíblia?  Será que ainda não nos liberamos desta desconfiança sobre a palavra escrita que foi um componente decisivo da nossa história durante a colonização portuguesa no Brasil?





Relógio — quadrinha infantil

2 07 2009

relógio clock-mender

 

Parecia ter sotaque

aquele relógio chique:

— Soltava o tique no taque,

e vice-versa no tique!

 

(Eno Teodoro Wanke)





Sobre livros e decoração:

2 07 2009

biblioteca 4

 

 

Finalmente!  Estou em processo de mudança.  Agentes imobiliários não acreditavam toda vez que eu dizia: “Este apartamento não serve. Tem armários demais e poucas paredes para colocar estantes para os meus livros. Poucas paredes para os meus quadros.” Levei oito meses procurando minha nova “caverna”.  Poucas foram as pessoas que entenderam o meu dilema:

1 – Preciso sim, deste grande número de livros.

2 – Não, ainda não li todos eles.

3 – Alguns deles jamais serão lidos de ponta a ponta, assim como dicionários, há outros livros que são mantidos pela simples necessidade da referência!

 Então, finalmente, de posse do novo “refúgio”, chamei um marceneiro para remodelar as estantes que cobrem duas paredes do meu atual escritório.  Quero que elas venham a cobrir outras paredes no novo endereço.  E como nenhum espaço é igual a outro, teremos que ajustar as dimensões. 

 É evidente, também, que as estantes que tínhamos já não eram suficientes.  Mesmo depois de oito visitas que fizemos ao sebo mais próximo para “desovar” livros de entretenimento e alguns outros mais, que, como alimento que são para nossas almas, têm data de validade!   Exemplos:  Dude, where´s  my country?  de Michael Moore ou O Mundo é plano de Thomas Friedman. Temos agora que pensar na adição de uma nova estante.

 Como esta nova estante não caberá no próximo escritório hoje passamos um tempinho de manhã, calculando o melhor lugar para a nova adição.  O marceneiro que contratei, que veio com boas recomendações, e cujo trabalho parece satisfatório, achou que poderia dar sua opinião enquanto debatíamos o melhor lugar para as novas prateleiras.  Depois que apontei para uma boa parede da sala, ele pediu desculpas e disse:

 — A Sra. não se incomode, mas vou dar uma opinião, trabalho há 25 anos fazendo armários e estantes, e, se eu fosse a Sra., não colocaria a estante logo nesta parede.  Esta é a parede mais importante da sala.   Não vai ficar bonito, mostrar esses livros todos logo aqui….  Escolha outra parede, menos importante.  Aqui a Sra. deveria colocar um aparador, com um grande espelho…

  

Denyse Klette reading

A lanterna de Kyle, s/d

Denyse Klette (Canadá, contemporânea)

Acrílica sobre tela

60 x 120 cm

 

Tive que contar até 10 antes de responder.  Olhei para meu marido.  Um olhar divertido encheu a sala.  Mudamos de assunto.  E eventualmente escolhemos uma outra parede.  Não foi aquela, mas a parede que meu marido havia originalmente escolhido, logo  na entrada.  Abre-se a porta do apartamento para uma grande estante.  Essa sim, é a arquitetura do meu abrigo. 

Há, é claro, implicações culturais a respeito da opinião do marceneiro.  Que um espelho seja a escolha para a parede principal não é surpresa para a cultura narcisista que adotamos.  Mas achar que livros podem ser feios, é falta de hábito, inclusive, falta de se ver nas casas “chiques” dos programas televisivos bibliotecas que não estejam ligadas a trabalho.  Os móveis-estante, dos programas de TV, das casas de decoração, das revistas de decoração, em geral abrigam alguns volumes e uma escultura; 6 ou 8 volumes e um quadrinho dentro da estante.  São porta-retratos e alguns livros; troféus esportivos e alguns livros;  pratinhos de porcelana em tripés e alguns livros.  São três volumes de arte, do pintor ou do escultor da moda, empilhados ao lado de um vaso com tulipas.  Ou na mesa de centro ao lado de uma curiosa escultura africana de alguma deusa da fertilidade.  Isso é o que passa por “sofisticação” e “ cultura”.  Raramente quem faz as decorações vê em livros – os troféus que são de uma mente em ebulição, de uma idéia genial.  Pena!    Perdemos todos….