Nem tudo acaba em pizza…

10 01 2011

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… às vezes acaba em samba!

Música é uma linguagem universal! 

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Divirtam-se!

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NOTA:   Brasil Symphony – Andre Rieu – Live at the Royal Albert Hall, em Londres.





Uma viagem por 1905: veja como era a vida cem anos atrás!

8 01 2011



Coloco aqui, hoje,  a título de ilustração,  o vídeo feito de um filme em 1905, na Market Street, em São Francisco, no estado da Califórnia, nos Estados Unidos.  Mais de dois milhões de pessoas já o viram.  Uma  câmera  estava  presa ao bonde. Este vai a uma baixa velocidade mas  não para.  Muito do que é  visto nestes minutos de filmagem foi destruído no ano seguinte, com o grande terremoto de 1906.  É excelente documento da vida nos primeiros anos do século XX.  Cem anos já se passaram desde a tomada dessas cenas.  No entanto, o comportamento das pessoas parece semelhante ao que vemos hoje em muitos lugares.  Há os que “desafiam” o bonde, os que se arriscam.  Provavelmente, nem havia Leis de Trânsito, que era caótico com a convivência, não tão harmoniosa, entre pedestres, bicicletas, charretes, automóveis, cable car, bondes, etc.  Pouquíssimas mulheres são vistas.  É surpreendente a quantidade de automóveis que já existia àquela época e quantas imprudências se cometia. Observem que os bondes que cruzam a rua já possuem tração elétrica!   No final da rua, existe um prédio que está lá até hoje, pois trata-se do terminal de passageiros da Baía de San Francisco. 

A música de fundo é a primeira faixa do Air’s Moon Safari.  O filme original, tinha aquela rapidez dos filmes antigos.  Foi retardado para retratar um ritmo mais realista. 

 Boa Viagem!





OLIMPÍADAS 2016 – um símbolo na medida carioca!

7 01 2011


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Gostei imensamente do símbolo das Olimpíadas Cariocas, desvendado no dia 31 de dezembro durante a Festa de Réveillon em Copacabana.  Produzido pela empresa carioca Tátil, com 20 anos de experiência no mercado e uma equipe de 105 funcionários, é o primeiro símbolo das Olimpíadas tri-dimensional.  Acredito que esta idéia, de tri – dimensionar, tenha sido um daqueles momentos de AHA! — um momento  EURECA! – no processo criativo, pois ele certamente se prestará à própria modernização visual das Olimpíadas.  Eu me explico: hoje temos uma abundância de televisões e filmes cujas imagens podem ser vistas em três dimensões, a tendência deve ser de se tornarem mais comuns. Mas o uso de imagens holográficas também está se acelerando.  Recentemente a Universidade de Tóquio demonstrou por um vídeo desenvolver o que se chama de holografia tátil.   E nas eleições para Presidente dos Estados Unidos a rede de televisão CNN inaugurou o uso de uma imagem de Jessica Yellin, conversando com o jornalista Wolff Blitzer em que a imagem dela foi projetada e parecia estar em três dimensões, mas vinda de outro local, distante dos estúdios televisivos, por aproximadamente 1.600 km. Esses experimentos estão pipocando no mundo todo e o símbolo das Olimpíadas cariocas facilmente se adaptará a esses meios não tão comuns hoje, mas que deverão ser corriqueiros em 2016.

O símbolo das Olimpíadas de 2016 faz uma referência visual às montanhas cariocas, como o vídeo de apresentação mostra [ veja abaixo].  A imagem de três pessoas dando-se as mãos num círculo foi um achado de grande felicidade.   Como sabemos, a dança em círculo, é uma das manifestações humanas mais antigas, quase sempre traduzindo felicidade e união, duas características associadas ao evento olímpico e a este momento especial por que passa a cidade do Rio de Janeiro.    A dança em círculo também foi durante a Idade Média e a Renascença considerada uma dança sagrada.  Já mencionamos isso aqui no blog quando mostramos o altar do Último Julgamento de Fra Angélico.

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Com área de especialização na Arte Européia Moderna (1868-1945 — da Guerra Austro-prussiana ao final da 2ª Guerra Munndial) e dedicação de dez anos de estudo à história da arte, com teses esmiuçando os movimentos artísticos na Europa no início do século XX, é natural que, volta e meia, eu venha a relacionar o que vejo com o que estudei.  Assim aconteceu na primeira vez que vi o símbolo da Olimpíadas do Rio de Janeiro.  Um dos grandes passatempos de historiadores da arte é imaginar que influências, diretas ou não, certos artistas receberam para chegar às soluções gráficas que escolheram.  Até o final do século XX, antes do aparecimento da internet, era mais fácil saber o que cada pintor ou escultor havia visto e determinar se um quadro ou uma escultura havia influenciado o resultado final de uma composição mais tardia.  Na verdade, as coisas começaram a mudar quando a impressão de fotografias de quadros famosos começou a aparecer em revistas de grande tiragem,  já no final do século XIX.  Mas até então, artistas estavam, em sua grande maioria, limitados à presença física diante de uma obra de arte ou de uma de suas cópias — daí as inúmeras cópias da arte clássica grega e romana, por exemplo, que preenchem grande parte dos museus de Belas Artes. 

Historiadores da arte, principalmente aqueles especializados nas Proto e Alta Renascença podem passar anos de suas vidas dedicando-se às influências sofridas por este ou aquele pintor.  Teria tido ele acesso a esse manuscrito que tem ilustrações semelhantes?  Ou teria fulano tido acesso a qual edição de um Livro de Emblemas?  Hoje, com a internet, estas suposições já não cabem.  Todo mundo tem acesso a tudo.  Mas, fato é que, esta maneira de pensar acaba ficando no sangue de quem estuda História da Arte; é um vício de enfoque, digamos assim.  E o símbolo das Olimpíadas de 2016 me remeteu de imediato, a um dos maiores artistas do século XX, o francês Henri Matisse.

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A  dança, 1909

Henri Matisse ( França, 1869-1954)

Óleo sobre tela, 2,60m x 3,90m

Museu de Arte Moderna [MOMA] de Nova York

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Há duas versões desse quadro: A Dança, de Matisse.  A de Nova York , de 1909, que é a primeira versão, uma espécie de estudo.  As figuras têm menos detalhes do que as que aparecem na versão definitiva, de 1910,  hoje no Museu Hermitage em São Petersburgo, na Rússia.  E as cores são bastante mais pálidas na primeira versão.  A Dança  tem um par, um pendant, que é  a  tela Música.  Ambas foram pintadas para o empresário e colecionador russo Sergei Shchukin.  E essas obras marcam uma virada, um ponto importante da carreira de Matisse: foram a primeira experiência de Matisse com um trabalho baseado em elementos arquitetônicos – os painéis tinham a incumbência de “vestirem” ,ou melhor,  serem colocados ao longo da grande escadaria do palacete de Shchukin, e também causaram grande comoção ao pintor, pois seu patrocinador teve sérias dúvidas se poderia ou não dependurar essas obras, com tantos nus, na residência onde morava com duas sobrinhas, donzelas,  sem ofender a moral vigente.

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A dança, 1910.

Henri Matisse (França, 1869-1954).

Óleo sobre tela, 2,60m  x 3, 9O m

Museu Hermitage, São Petersburgo, Rússia

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Cem anos separam o símbolo das Olimpíadas no Rio de Janeiro das telas de Henri Matisse, assim como aproximadamente cem anos separaram as telas de Matisse do que é considerado fonte de inspiração do artista francês:  A dança de Oberon, Titania,  e Puck com as Fadas, de circa 1786, de autoria do inglês William Blake ilustrando O sonho de uma noite de verão de William Shakespeare.

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A dança de Oberon, Titania e Puck com as fadas, c. 1786

William Blake (Inglaterra, 1757-1827)

Aquarela sobre papel grafite, 47,5cm x 67,5cm

Tate Gallery, Londres

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Ainda que a obra de Matisse A Dança tenha diversas versões escultóricas pelo mundo, inclusive uma versão no Jardim Botânico do Rio de Janeiro,  e que seus cinco elementos em círculo venham a lembrar os cinco círculos que compõem o logotipo das Olimpíadas, cada qual representando um dos continentes, acredito que seja a versão de William Blake a que mais se aproxime em composição do logo das Olimpíadas de 2016.  Isso porque na dança, propriamente dita, de Blake há três fadas, que se separadas do original, como o detalhe abaixo mostra, muito se assemelham no contorno de seus movimentos aos contornos da logomarca das Olimpíadas cariocas.

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William Blake, Dança das Fadas, DETALHE.

Logo, Olimpiadas 2016.

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William Blake ou Henri Matisse podem ter sido ou não as fontes de inspiração para uma excelente marca.  Mas, vale a pena lembrar, que desde a Grécia antiga o círculo é considerado a forma mais simples e mais perfeita [Proclus Lycaeus , (500 aC)].   E que o círculo talvez seja o mais antigo símbolo de união.  O círculo tem sido através dos séculos o símbolo de um todo, indivisível: uma unidade.  Símbolo, também,  da bondade, do infinito e do sol, todos ingredientes existentes no Rio de Janeiro e essenciais para o bom desempenho das Olimpíadas.  Este círculo, formado pelas mãos unidas de três pessoas dançando, se veste de alegria e cristaliza o momento mágico, sagrado, de comunhão com algo que é maior que nós.  Esse círculo, que no Rio de Janeiro toma uma forma tri-dimensional, representa também a união de diferentes povos num momento especial de paz e de entrega.  E é tão carregado de associações culturais, as mais diversas, que repercute nas nossas almas, no nosso inconsciente coletivo, lembrando-nos dos valores das Olimpíadas, dos esportes, da cordialidade entre os povos que devem florescer no espírito desta festa.   Parabéns aos que o criaram e parabéns ao Rio de Janeiro por ser tão bem representado.

©Ladyce West, Rio de Janeiro: 2011

VEJA COMO FOI O PROCESSO DE CRIAÇÂO DA LOGOMARCA:





Tartaruga-couro [ou Tartaruga-de-couro] nada mais de 7.000 km para procriar

5 01 2011

 

Tartarugas marinhas, selo de Angola, com a tartaruga-couro no selo propriamente dito.

 

Equipamentos de rastreamento via satélite lançaram luz sobre uma impressionante odisseia transatlântica realizada pela tartaruga-de-couro, uma das mais antigas espécies do mundo, que se lança em uma corrida alimentar antes de procriar, disseram cientistas esta quarta-feira.

Biólogos da Universidade de Exeter, no sudoeste da Inglaterra, instalaram minúsculos rastreadores em 25 tartarugas fêmeas em suas áreas de procriação no Gabão, centro-oeste da África, e monitoraram seus movimentos nos cinco anos seguintes.

Três rotas migratórias emergiram à medida que as tartarugas se dirigiam a águas repletas de comida no Atlântico, construindo reservas nos próximos dois a cinco anos antes de retornar ao Gabão para se reproduzir, afirmaram.

Uma das rotas levou a uma zona circular no meio do Atlântico, entre a África central e o Brasil, e outra rota foi registrada bem mais ao sul, além do Cabo da Boa Esperança. Uma terceira cruza, reto como uma flecha, o Atlântico até a costa da América do Sul, uma travessia oceânica de 7.563 km.

Apesar de a pesquisa extensiva realizada sobre as tartarugas-de-couro, ninguém tinha certeza até agora sobre as jornadas que fazem no Atlântico sul”, disse Matthew Witt, do Centro de Ecologia e Conservação da universidade britânica.

O que demonstramos é que há três rotas migratórias claras quando elas retornam para seus locais de alimentação, após o acasalamento no Gabão, embora o número de indivíduos que adota cada estratégia varie a cada ano. Nós não sabemos o que influencia esta escolha ainda, mas sabemos que há jornadas realmente consideráveis“, acrescentou.

As descobertas, publicadas em Proceedings B, revista da Real Sociedade britânica, demonstraram ainda que as tartarugas também cruzam rotas usadas por traineiras. Estas são embarcações que lançam no mar um rastro de anzóis para pegar peixes, mas que acabam capturando acidentalmente tartarugas e albatrozes.

Todas as rotas que identificamos levam as tartarugas de couro por áreas sensíveis para a indústria de pesca”, disse o colega de Witt, Brendan Godley. “Conhecer as rotas também nos ajudou a identificar pelo menos 11 países que devem estar envolvidos em esforços de preservação, bem como aqueles com frotas de pesca de longa distância“, emendou.

As tartarugas-de-couro são a espécie maior, que viaja mais longe e mergulha mais fundo entre todas as espécies do planeta, alcançando 2 m de comprimento e excedendo os 900 kg. Sua população se manteve relativamente estável no Atlântico, mas declinou de forma alarmante no Pacífico, o que tem sido atribuído à captura acidental por traineiras e à perda de áreas de procriação devido à ocupação costeira.

Tartaruga-couro

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Características da Tartaruga-couro:

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•  A tartaruga-couro é a maior tartaruga  do mar, chegando a quase dois metros de comprimento e 540 kg de peso.

 •  Ao contrário de outras tartarugas marinhas,  a tartaruga- couro não tem uma casca dura.   Sua casca é feita na parte superior de um mosaico de pequenos ossos cobertos por uma pele firme, que lembra a borracha e tem sete cristas longitudinais.

•  As tartarugas couro são as tartarugas marinhas mais amplamente encontradas:  podem ser encontradas nos oceanos  Pacífico, Índico e Atlântico, particularmente nas regiões tropicais.

•  As tartarugas-couro, entre todas as tartarugas marinhas,  são as que mergulham nas regiões mais profundas dos oceanos.  O mergulho mais profundo que se registrou foi de 1,2 km que é um pouco mais do que o mergulho mais profundo conhecido que pertence à baleia cachalote.

•  Tal como acontece com outros répteis, o sexo de tartarugas é determinado pela temperatura dos ovos durante a incubação. Com as tartarugas-couro, temperaturas acima de 29º graus centígrados resultarão em filhotes do sexo feminino.

•   As tartarugas-couro são fortes nadadoras e algumas já foram registradas como tendo cruzado oceanos,  viajando milhares de quilômetros em busca de sua presa favorita, as águas-vivas.

 FONTES:  Terra, Eureka

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VEJA FILHOTINHOS DE TARTARUGA-COURO:

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Para outro artigo sobre essa tartaruga neste blog, clique   AQUI.





A dança do tangará, poesia infantil de Álvaro Moreyra

4 01 2011

A dança do tangará

Álvaro Moreyra

Naquela noite danada

em que a formiga rogou

a praga contra a cigarra:

— Cantava, não é?  Cantou?

Pois, então, agora dance! –

naquela noite danada

aconteceu que de um galho,

vizinho do bangalô

onde a formiga morava,

um passarinho escutou

essas palavras malvadas.

Mas, malvadas não achou.

Ao contrário da cigarra,

o passarinho gostou.

Gostou tanto, que em seguida,

dançou, dançou, dançou.

Nunca mais quis outra vida.

Dançou sozinho, primeiro.

Depois, com par.  Afinal,

bateu na testa e acabou

formando uma companhia

de bailado brasileiro,

bem nosso, bem nacional.

Artistas disciplinados.

Formam roda nos caminhos

e repetem sempre igual,

na cadência que a embalança,

ida e volta, volta e ida,

a dança do tangará,

mais alegre do que a dança

que agente dança na vida

que se chama esperança,

ida e volta, volta e ida…

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Em: Poesia brasileira para a infância de Cassiano Nunes e Mário da Silva brito, Coleção Henriqueta, São Paulo, Saraiva: 1968

Álvaro Maria da Soledade Pinto da Fonseca Velhinho Rodrigues Moreyra da Silva (Porto Alegre, 1888 – Rio de Janeiro, 1964) Poeta, cronista, jornalista, teatrólogo, radialista . Completou o curso de ciências e letras (1907). Em 1908, iniciou-se no jornalismo.  No Rio de Janeiro (1910), entregou-se ao jornalismo na redação da revista “Fon-Fon”. Diplomou-se em direito (1912). Fundou, junto com Eugênia Moreira, o “Teatro de Brinquedo”. Eleito em 1959 para a ABL, ocupou a cadeira 21, sucedendo a Olegário Mariano.

Obras:

Degenerada, poesia, 1909

Casa desmoronada, poesia, 1909

Elegia da bruma, poesia, 1910

Legenda da luz e da vida, poesia, 1911

Um sorriso para tudo, prosa, 1915

Lenda das rosas, poesia, 1916

O outro lado da vida, prosa, 1921

A cidade mulher, prosa, 1923

Cocaína, prosa, 1924

A boneca vestida de Arlequim, prosa, 1927

Circo, poesia, 1929

Adão e Eva e outros membros da família, teatro, 1929

Caixinha dos três segredos, poesia, 1933

O Brasil continua, prosa, 1933

Tempo perdido, prosa, 1936

Teatro espanhol na Renascenç, prosa, 1946

As amargas, não…, prosa, 1954

O dia nos olhos, prosa, 1955

Havia uma oliveira no jardim, prosa, 1958

Veja o vídeo do tangará no seu ritual acasalador:

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Tangará dançador- Chiroxiphia caudata





Apreciando os quadros de Gerard ter Borch

7 12 2010

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Ontem, na minha postagem da série  Imagem de Leitura, coloquei aqui uma tela do pintor holandês Gerard ter Borch, cuja especialidade foi a pintura de gênero.  Ele atuou no século XVII, mesmo período em que os holandeses, seus conterrâneos,  invadiram o Brasil e dominaram a vida cultural do nordeste.

É justamente através da pintura de gênero (cenas do dia a dia) que se tem uma melhor idéia de como era a vida, como ela era percebida,  na época.  E ainda temos uma noção de como seus contemporâneos queriam deixar suas vidas  registradas, como gostariam de ser lembrados pelas gerações subsequentes.  A pintura de gênero, estilo que só apareceu depois da Renascença, ajuda bastante nessa reconstrução de época.  

 Assim, coloco aqui um vídeo com as pinturas de Gerard ter Borch para que tenhamos uma melhor idéia de como viviam os holandeses da classe média e de classe média alta, ou melhor dizendo da classe mercantil, na época em que Maurício de Nassau construía seus sonhos de uma Holanda Meridional no Brasil.

 Uma das grandes diferenças está, é  claro,  na alfabetização de todos, tanto homens quanto mulheres, um feito oposto ao encontrado aqui no Brasil no século XVII. Divirtam-se.  Há quadros muito bonitos. O primeiro, é o retrato do pintor.





Aprecie neste vídeo a obra de Félix Revello de Toro

2 12 2010




O mundo dos livros mágicos de Sue Blackwell

24 11 2010

As doze princesas dançarinas, 2007

Sue Blackwell ( Inglaterra, 1975)

escultura em papel

www.sublackwell.co.uk

Recentemente para mudar de residência com um tanto de agilidade tive a difícil tarefa de selecionar entre os livros  que tenho aqueles que queria manter comigo e outros para me desfazer.  Uma seleção difícil que precisava ser feita.  Numa cidade como o Rio de Janeiro onde se tem cada vez menos espaço para morar, e numa família como a nossa em que cada vez temos mais livros para ler, há de chegar a hora em que uma decisão radical se faz necessária.  Foram-se muitos e muitos livros.  Calculamos que nos desfizemos de uns 1200 exemplares: livros lidos, que jamais iríamos reler.  Livros que marcaram nossas vidas, mas que ficaram para trás assim como os nossos “eus” daquelas épocas.  A vida mudou e eles ficaram nas estantes como marcos nos lembrando daqueles de outros tempos enquanto colecionavam poeira, que nos dava alergia.

O livro ilustrado de pássaros,  2008

Sue Blackwell ( Inlagterra, 1975)

Escultura em papel

www.sublackwell.co.uk

 Para quem gosta de livros, é difícil peregrinar pelos sebos oferecendo seus valiosos amigos e descobrir que a maioria dos sebos não tem o menor interesse em livros que foram publicados aos milhares, há três ou quatro décadas.  Os livros mais recentes até que eles levaram, mas os mais antigos, de “autores menores” ou cobrindo assuntos de interesse muito específico, ficaram conosco mesmo, para nos desfazermos como pudéssemos.  E como grande parte era em língua estrangeira, então o valor descia a ZERO.  Muitos livros de bolso em inglês, francês e alemão foram mandados para reciclagem de papel, vendidos a peso pelo catador mais próximo.  

Alice e a festa do chá maluco, 2007

Sue Blackwell ( Inglaterra, 1975)

Escultura em papel

www.sublackwell.co.uk

Com essa experiência ainda recente, qual não é o meu prazer de ver o trabalho de Sue Blackwell, esta semana. Ela consegue dar a livros antigos, que não teriam nenhuma outra utilidade, desprezados pelos sebos, uma nova versão que é absolutamente SENSACIONAL.  Observem comigo.

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De Nárnia, 2009

Sue Blackwell ( Inglaterra, 1975)

escultura em papel

www.sublackwell.co.uk

Acredito que a minha primeira reação de encantamento tenha sido um eco, digamos assim, dos livrinhos para crianças cujos personagens ou cenas se levantam das páginas, quando passamos de uma página para outra.  É um outro mundo encantador que toma forma e nos ensina sem palavras que os personagens de uma trama podem existir em um outra dimensão. 

O navio do Capitão Gancho em Peter Pan, 2007

Sue Blackwell ( Inglaterra, 1975)

Escultura em papel

 www.sublackwell.co.uk

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A própria escolha dos temas dessas esculturas, que refletem os textos das quais são extraídas, vindas em sua grande maioria de livros infanto-juvenis, de  muitas histórias para crianças, nos levam a essa comparação com os livros de crianças muito pequenas, cujos personagens se levantam com o passar das páginas.  

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Pássaros, animais e peixes, 2007

Sue Blackwell ( Inglaterra, 1975)

Escultura em papel

www.sublackwell.co.uk

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Sue Blackwell se diz  inspirada sobretudo na arte oriental do origami.  E seus trabalhos refletem um ambiente poético cuja delicadeza certamente remonta à sensibilidade oriental.

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Esperança, 2009

Sue Blackwell ( Inglaterra, 1975)

Escultura em papel

www.sublackwell.co.uk

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A mim, seus trabalhos têm afinidade ainda que remota com os romances de colagem feitos por Max Ernst da década de 30 do século passado.  A delicadeza do encontro de imagem e texto no trabalho de Sue Blackwell pode com certeza ser comparada à delicadeza do encontro de imagens explorado no trabalho de Ernst.

Flores nativas, 2006

Sue Blackwell ( Inglaterra, 1975)

Escultura em papel

www.sublackwell.co.uk

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É sem dúvida um trabalhho extremamente minucioso e que dá asas à imaginação de quem o encontra.  O poder dessa emoção transmitida pelas construções da artista já foi explorado — de maneira bem positiva — pelo mundo da propaganda e do marketing.  Abaixo um dos exemplos do trabalho com este fim.

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Que todos os nossos anúncios, que todas as nossas propagandas, tenham tanta poesia em suas mensagens.

Abaixo um vídeo para mostrar como a artista chega às esculturas que vemos.

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O tempo entre costuras, de María Dueñas, uma GRANDE AVENTURA

18 10 2010

A costureira, 1916

Joseph DeCamp (EUA, 1858-1923)

Óleo sobre tela, 36,5 x 28 cm

Corcoran Art Gallery, Washignton DC

Procurando por uma excelente história?  Por um livro que não quer ser esquecido de nenhuma maneira?  Por aquela leitura que nos envolve e empurra para frente e nos obriga a fazer tempo para ler, para saber como tudo se desenrola?  Tenho o livro para você:  O tempo entre costuras, da escritora espanhola María Dueñas  [Planeta Brasil: 2010].   Li este livro compulsivamente e agradeci o tempo chuvoso do fim de semana que me permitiu permanecer em casa com essa maravilhosa história nas mãos.

Este é um romance excitante cujo enredo é complexo e fascinante; é um livro de aventuras e mostra como uma pessoa comum, sem nenhum treino específico além de uma grande vontade de viver e acaba  participando da resistência a um poder absoluto e se torna parte de uma grande causa. Ela é Sira Quiroga ,uma mulher jovem que aprendeu ofício de costureira com sua mãe e que desconhece o pai.  Uma jovem que contava com um futuro certo pela frente, talvez um pouco insosso – é verdade – mas um futuro sólido com um bom e confiável marido.  Às vésperas dos esponsais ela se vira numa outra direção, abandona o noivo e o casamento.  A alavanca é um outro homem.  No entanto, à medida que a história se desenvolve, percebemos que talvez essa jovem costureirinha madrilenha, soubesse intimamente  que a vida poderia ter-lhe reservado muito mais do que um futuro regrado.  Porque ela se joga, sem pára-quedas, na aventura de viver, com todos os altos e baixos que essa decisão poderá lhe trazer.

O pano de fundo das aventuras de Sira Quiroga é a ditadura espanhola de Franco.  Essa situação política, que no início do romance parece ser uma descrição de época, torna-se a verdadeira base para o desenrolar da trama.  A cada capítulo, a cada dezena de páginas, essa ditadura, esse governo de extremos, se mostra como iminência parda, regulando  as ações de todos à sua volta, assim como aquelas de nossa heroína.  Porque esta é uma história de espionagem, de resistência, de contestação a um poder ditatorial.  É uma história de pessoas comuns contribuindo para evitar que a Espanha se tornasse ainda mais envolvida com o poder nazista do que já estava.

María Dueñas

Esta é uma história de ação.  Lembrou-me tantas e tantas outras obras, livros e filmes, que retratam o movimento da resistência francesa ao regime Vichy.   E como aquelas,  O tempo entre costuras  é excitante, sedutor, um verdadeiro rodamoinho de emoções, perigo e de fantasias  aguçadas pelo medo.  Tudo isso centralizado nas ações de uma bela e jovem mulher, costureira, não muito letrada, não muito sofisticada, mas corajosa e inteligente.   Este é um ótimo romance, cinco estrelas, que tem como finalidade uma narrativa rápida, de ação, bem baseada em fatos verídicos, com figuras históricas amplamente documentadas.  Com ele aprende-se um pouco da realidade espanhola nas mãos do Generalíssimo; e um pouco sobre os serviços de espionagem internacionais que se mantinham atentos ao namoro e noivado do governo espanhol com a Alemanha de Hitler.  Uma história que ainda tem muito a ser contada, muito a ser descoberto pelo resto do mundo.

Uma leitura que entretém, sempre, mesmo quando nela aprendemos sobre a Espanha.  Recomendadíssimo.

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AQUI: UMA ENTREVISTA COM A AUTORA — EM ESPANHOL

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Vida no campo, vídeo, desenho musicado

11 09 2010