Evitando acidentes V

24 11 2008

 

acidente-8

Lugar de remédio é guardado

Longe de criança, bem trancado.





Nariz, nariz, e nariz — Bocage, poesia

23 11 2008

 

cyrano-de-bergerac

 

Nariz, nariz, e nariz

                                                         Bocage

Nariz, nariz, e nariz,
Nariz, que nunca se acaba;
Nariz, que se ele desaba,
Fará o mundo infeliz;
Nariz, que Newton não quis
Descrever-lhe a diagonal;
Nariz de massa infernal,
Que, se o cálculo não erra,
Posto entre o Sol e a Terra,
Faria eclipse total!

 

 
bocageManuel Maria de Barbosa l’Hedois du Bocage (Setúbal, 15 de Setembro de 1765 — Lisboa, 21 de Dezembro de 1805), Poeta português, possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano.  Árcade e pré-romântico, sonetista notável, um dos precursores da modernidade em seu país.

 

 

Ilustração no início: cartaz para a peça Cyrano de Bergerac.





Ofícios — poesia de Cid Silveira para uso escolar

21 11 2008

engraxate-patrice-piard-haiti

Engraxate

Patrice Piard (Haiti)

 

 

 

Ofícios
                                                        Cid Silveira

Para ganhar meu pão, basta que exista
um ofício qualquer, seja qual for:
caldeireiro, engraxate, motorista,
tecelão, alfaiate ou ferrador.

Todo trabalho é nobre quando honesto,
quando não favorece a exploração
e não provoca o mínimo protesto
de outros que também têm seu ganha-pão.

Por mais rude que for, não me intimida
nem me causa aversão nenhum mister.
Porque trabalho, não receio a vida
e espero sempre o que de pior me vier.

Nem todos os ofícios são amenos
como os que para nós sonharam nossas mães …
Tudo serei na vida, tudo; menos
agente de polícia ou laçador de cães!

 

 

 

Obras:

Poemas da Minha Saudade, 1928.

Poesias, 1944

 

Cid Silveira – (SP 1910). Trabalhou muitos anos em Santos, como empregado do comércio, numa casa comissária de café.  Contador, Bacharel em Ciências Econômicas; colaborou na imprensa por muitos anos.                                             





Evitando acidentes IV

20 11 2008

acidente-4

Jamais converse com alguém,

se você não o conhece bem.





19 de novembro: o dia do cordelista

19 11 2008

Uma pequena homenagem aos nossos  cordelistas.

dsc05235

…………..

 

Agora com mensalão

Tudo virou um mistério

O homem rico do Brasil

Agora é Marcos Valério

Nossa justiça não brinca

Eu digo que o caso é sério

 

 

O povo tá arretado

E coberto de razão

Dinheiro sendo roubado

Para pagar o mensalão

Eu só vou me conformar

Depois de pegar o ladrão

 

 

FIM

 

 

 

Duas últimas estrofes de – Mensalão: um vírus no Brasil, em literatura de cordel de Davi Teixeira.  Capa: xilogravura do autor. ©2005 

 

 

David Teixeira da Silva nasceu em Bezerros em 1959 começou a escrever seus poemas em 1998, alguns deles já foram publicados no jornal A Folha de Pernambuco.

 

 

 

Para mais informações sobre O dia do cordelista.

 





Evitando acidentes III

19 11 2008

acidente-2

Você não é passarinho.

Não fique na janela sozinho.





Poema de Murillo Araújo no DIA DA BANDEIRA — 19 de novembro

19 11 2008

bandeira-do-brasil

 

COM AS ESTRELAS NATAIS

 

Murillo  Araújo

 

 

Alta, nas nuvens e nos ventos, alta,

no turbilhão se enrola e se levanta.

Como a bandeira de heroísmo salta!

Como a bandeira de heroísmo canta!

 

Ondeia audaz.  Sonha nos grandes mastros

por entre incandescências de arrebóis.

Vibram em suas asas de ouro e de astros

as almas legendárias dos heróis.

 

Oh contemplar assim, por toda a vida,

os seus clarões sublimes e supremos!

Resplende, em sua rama enflorescida,

o céu de estrelas sob o qual nascemos.

 

No exílio… à morte, pela terra imensa,

possamos vê-la rútila e imortal…

e se a tivermos sobre nós suspensa

nós dormiremos sob o céu natal.

 

 

Retirado de: A Estrela Azul: poemas para crianças, 1940 em Poemas Completos de Murillo Araújo

 

 

 

Murillo Araújo – ou Murilo Araújo — (MG 1894 – RJ 1980) jornalista, formado em direito.  Poeta, escritor, teatrólogo, ensaísta.

 

Obras:

 

Carrilhões (1917)  

A galera (escrito em 1915, mas publicado anos depois)

Árias de muito longe (1921)

A cidade de ouro (1927)

A iluminação da vida (1927)

A estrela azul (1940)

As sete cores do céu (1941)

A escadaria acesa (1941)

O palhacinho quebrado (1952)

A luz perdida (1952)

O candelabro eterno (1955)

 

Prosa:

A arte do poeta (1944)

Ontem, ao luar (19510 — uma biografia do compositor Catulo da Paixão Cearense

Aconteceu em nossa terra (pequenos casos de grandes homens)

Quadrantes do Modernismo Brasileiro (1958)

 

Outros poemas de Murillo Araújo (Murilo Araújo neste blog):

Dois tesouros na pátria

Romance dos Dois Pedros

Dia de festa





Evitando acidentes — II

18 11 2008

acidente-3

Levar choque não é nada engraçado.

De pensar nisso papai corre apavorado.





O guarda-chuva — poema de Mauro Mota para uso escolar

18 11 2008

Ilustração Mauricio de Sousa

 

 

 

O Guarda-chuva

 

 

Mauro Mota

 

 

Meses e meses recolhida e murcha,

sai de casa, liberta-se da estufa,

a flor guardada ( o guarda-chuva).  Agora,

cresce na mão pluvial, cresce.  Na rua,

sustento o caule de uma grande rosa

negra, que se abre sobre mim na chuva.

 

 

Em: Antologia Poética, Mauro Mota, Rio de Janeiro, Editora Leitura: 1968, P.87

 

 

 

Mauro Ramos da Mota e Albuquerque (Nazaré da Mata, 16 de agosto de 1911 — Recife, 22 de novembro de 1984) foi um jornalista, professor, poeta, cronista, ensaísta e memorialista brasileiro.

 

Obras:

 

Elegias (1952)

A tecelã (1956)

Os epitáfios (1959)

Capitão de Fandango (1960, crônica)

O galo e o cata-vento, (1962)

Canto ao meio (1964)

O Pátio vermelho: crônica de uma pensão de estudantes (1968, crônica)

Poemas inéditos (1970)

Itinerário (1975)

Pernambucânia ou cantos da comarca e da memória (1979)

Pernambucânia dois (1980)

Mauro Mota, poesia (2001)

Antologia poética, 1968

Antologia em verso e prosa, 1982.

 





Evitando Acidentes — I

14 11 2008

acidente1

 

Não bote cabeça e braços pra fora,

senão o passeio acaba agora.