Trova da felicidade

31 07 2015

 

 

almoço ao ar livre, steven dohanosAlmoço ao ar livre, Steven Dohanos.

 

 

Amigo, na sua idade,

não conte a idade a ninguém,

mas conte a felicidade

pelos amigos que tem.

 

(Edmilson Ferreira Macedo)





Sublinhando…

29 07 2015

 

 

The Three Sisters (1917) Henri Matisse. Musée de l'Orangerie, Paris.As três irmãs, 1917

Henri Matisse (França, 1869-1954)

óleo sobre tela

Musée de l’Orangerie, Paris

 

 

“Da terra são todas as flores,
Mas as hortênsias são do céu.”

 

 

Martins Fontes (1884-1937) Balada Azul, do livro Guanabara, 1936.

 

 





O circo, poema de Santos Moraes

29 07 2015

 

 

circo chegou, Russell Sambrook (1891 – 1956)Ilustração de Rusell Sambrook.

 

 

O circo

 

Santos Moraes

 

Na praça antiga da Matriz havia

Um circo que chegara bem recente.

Eu, menino, julgava-o ingenuamente

O palácio encantado da alegria.

 

Todas as noites, coração ardente,

Àquele mundo de ilusões corria,

E rindo do palhaço eu me sentia

Um ser extraordinário de contente.

 

Hoje, o circo perdido na distância

Tantas vezes  me vem da alma à tona

Que refloresce em mim a leda infância.

 

Encantamentos vãos que a mente afaga!

Sonhos que o peito avaro aprisiona

E o coração por alto preço os paga!

 

 

Em: Tempo e Espuma, Santos Moraes, Rio de Janeiro, Livraria São José: 1956, p. 23-24





Trova da luz da lua

21 07 2015

 

 

LUA 2011_03_12_17_30_52 F. HARDYCartão postal com ilustração de F. Hardy.

 

 

A lua, que nos clareia,

é diferente de quem,

recebendo luz alheia,

não ilumina…ninguém!

 

(João Freire Filho)





Meia-noite, poesia infantil de Olavo Bilac

20 07 2015

 

 

???????????????????????????????Cascão conta carneirinhos ao dormir, ilustração de Maurício de Sousa.

 

Meia-noite

 

Olavo Bilac

 

 

O filho:

 

Ó Mamãe! quando adormecem

Todos, num sono profundo,

Há mesmo almas do outro mundo,

Que aos meninos aparecem?

 

A mãe:

 

Não creia nisso! É tolice!

Fantasmas são invenções

Para dar medo aos poltrões:

Não houve ninguém que os visse.

 

Não há gigantes nem fadas,

Nem gênios perseguidores,

Nem monstros aterradores,

Nem princesas encantadas.

 

As almas dos que morreram

Não voltam à terra mais!

Pois vão descansar em paz

Do que na terra sofreram.

 

Dorme com tranquilidade!

— Nada receia, meu filho,

Quem não se afasta do trilho

Da justiça e da bondade.

 

Em: Poesias infantis, Olavo Bilac, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1949, 17 ª edição, pp- 72-3





Sublinhando…

19 07 2015

 

Ipolit-Strambulescu-Strambu-LecturaLeitura

Ipolit Strâmbu (Romênia, 1871-1934)

óleo sobre cartão

 

 

A ilusão que me mantinha,
Só no palco era rainha:
Despiu-se, e o reino acabou.”

 

 

Fernando Pessoa (Portugal, 1888-1935) em O andaime, 1931.

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Trova para o dia dos Pais

15 07 2015

 

 

pai e filho algebraDesconheço a autoria da ilustração.

 

É força que vem comigo

e no tempo não se esvai:

– Sempre que eu falo de amigo

eu me lembro de meu pai!

 

 

(Rodolpho Abbud)





O café, poema de Armindo Rodrigues

15 07 2015

 

 

David Azuz (Israel 1942) serigrafia ParisCafé em Montparnasse, Paris

David Azuz (Israel, 1942)

Serigrafia

 

 

O Café

 

Armindo Rodrigues

 

 

Aqui, no café, sabe-se tudo

e junta-se gente vinda

de todos os cantos do mundo.

 

Aqui, no café, esquece-se o tempo

e nascem ideias extraordinárias

até dos gestos irrefletidos.

 

Aqui, no café, sonho mais à vontade

que sou tudo o que sonho

e não tenho medo de nada.

 

Aqui, no café, todos sabem que sou

um homem como outro qualquer

que vem aqui todas as tardes.

 

 

Em: Voz arremessada no caminho; poemas, Armindo Rodrigues, Lisboa: 1943, p. 53





A lanterna mágica, poesia de Cassiano Ricardo

14 07 2015

 

 

vagalumes e criança

 

A lanterna mágica

 

Cassiano Ricardo

 

 

E foi

tão grande o seu desespero

na encruzilhada

e a noite era tão escura

na floresta e nos campos,

que o próprio Currupira

ficou com pena

e lhe arranjou uma lanterna

de pirilampos.

 

“Pouco importa

que a noite seja escura,

porque foi apanhar água

no ribeirão

e quebrou seu pote branco

numa pedra do barranco

fazendo essa escuridão.

 

Vá por aqui, direitinho,

com esta lanterna

na mão, alumiando o caminho…

e você encontrará o que procura!”

 

E ele saiu pelo sertão,

procurando o sol da Terra

com uma lanterna de pirilampos

na mão.

 

 

Em: Martim Cererê, Cassiano Ricardo, Rio de Janeiro, José Olympio: 1974, 13ª edição, p. 76.





Trova dos teus braços

8 07 2015

 

d9a28b454621787ff7049b6926f80de5Ilustração Liska Piloto.

 

 

Nesses teus braços aperta

aquele que queiras mais

a morte é tortura certa

a vida é gozo fugaz…

 

 

(Gilka Machado)