Evitando acidentes XVIII

9 03 2009

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Cuidado!  Olhe pra frente!

Você pode se queimar no ferro quente!





Insônia de Ribeiro Couto, poesia para uso escolar

7 03 2009

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Cão ao luar, 1972

Rufino Tamayo (México 1899-1991)

Litografia: The Mexican Master Suites


INSÔNIA

 

                              Ribeiro Couto

 

 

O latido dos cães, na noite sem lua,

dá-me pavores vagos.

Por que latem aqueles cães lá longe?

 

 

As árvores, ali fora, estão imóveis.

Nem um sopro de vento bole nas folhas.

E tudo tão negro, na noite sem lua!

 

 

Por que latem aqueles cães lá fora?

Quem terá passado na estrada?

 

 

Na minha lâmpada mariposas batem.

Deve ser tarde.

Os meus olhos errando pelo pasto.

 

 

Ouço o tilinte vigilante de um cincerro…

É um cavalo errando pelo pasto.

 

 

E lá longe os cães latindo, desesperados, como se batalhassem,

como se defendessem o lugarejo adormecido.

 

 

Noite de insônia inquieta ao pé da lâmpada.

 

 

Em: Poemas para a infância: antologia escolar, ed. Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Ediouro, s/d.

 

 

Vocabulário:

 

cincerro = campainha

de insônia = sem sono

 

 —–

 

 

Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto (Santos, 12 de março de 1898 — Paris, 30 de maio de 1963), mais conhecido simplesmente como Ribeiro Couto, foi um jornalista, magistrado, diplomata, poeta, contista e romancista brasileiro.

 

Foi membro da Academia Brasileira de Letras desde 28 de março de 1934 (ocupando a vaga de Constâncio Alves na cadeira 26), até sua morte.

 

 

Obra

 

Poesia

 

O jardim das confidências (1921)

Poemetos de ternura e de melancolia (1924)

Um homem na multidão (1926)

Canções de amor (1930)

Noroeste e alguns poemas do Brasil (1932)

Noroeste e outros poemas do Brasil (1933)

Correspondência de família (1933)

Província (1934)

Cancioneiro de Dom Afonso (1939)

Cancioneiro do ausente (1943)

Dia longo (1944)

Arc en ciel (1949)

Mal du pays (1949)

Rive etrangère (1951)

Entre mar e rio (1952)

Jeux de L’apprenti Animalier. Dessins de L’auteur. (1955)

Le jour est long, choix de poèmes traduits par l’auter (1958)

Poesias reunidas (1960)

Longe (1961)

 

 

Prosa

 

A casa do gato cinzento, contos (1922)

O crime do estudante Batista, contos (1922)

A cidade do vício e da graça, crônicas (1924)

Baianinha e outras mulheres, contos (1927)

Cabocla, romance (1931);

Espírito de São Paulo, crônicas (1932)

Clube das esposas enganadas, contos (1933)

Presença de Santa Teresinha, ensaio (1934)

Chão de França, viagem (1935)

Conversa inocente, crônicas (1935)

Prima Belinha, romance (1940)

Largo da matriz e outras histórias, contos (1940)

Isaura (1944)

Uma noite de chuhva e outros contos (1944)

Barro do município, crônicas (1956)

Dois retratos de Manuel Bandeira (1960)

Sentimento lusitano, ensaio (1961)

 





Evitando acidentes XVII

2 03 2009

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Bonzinho o estranho até parece,

Não o deixe entrar, se você não o conhece.





Salgueiro, poema de Leonor Posada

1 03 2009
Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, Carnaval 2009, Foto: AFP

Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, Carnaval 2009, Foto: AFP

 

 

Homenagem à escola vencedora do Carnaval carioca de 2009.

 

 

 

 

 

SALGUEIRO

 

                                        Leonor Posada

 

 

 

Olho-te, morro, apaixonadamente,

docemente,

como quem olha, em noite luminosa,

a cena de Belém.

Em tuas grimpas o sol crava seus raios,

e os desmaios

da tarde, no poente, arroxeada,

são a coros que te sangra a fronte.

 

Sobem teus flancos

mil caminhos tortuosos, e barrancos

debruçam-se a olhar para a cidade.

Teus casebres misérrimos parecem,

de longe, feios,  entre os arvoredos,

um ponto de saudade.

 

Pela manhã, desce ligeiramente,

a tua gente

em busca do seu pão, do seu trabalho;

ao passo que o malandro, mal dormido,

no chão batido,

inda cheio de sono,

a fome engana batucando um samba…

 

Olho-te, morro, apaixonadamente,

docemente,

como quem olha, em noite luminosa,

a cena de Belém.

A cidade é berço do Messias,

e para tua gente tem um nome

sem significação:

— Civilização

 

 

 

Em: Poetas cariocas em quatrocentos anos, ed. Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965

 

 

 

Leonor Posada, (Cantagalo, RJ 1893 – Rio de Janeiro, 1960) Poeta, teatróloga, professora.

 

Obras:

 

Plumas e espinhos,  poesia, 1926

Leituras cívicas, didático, 1943

Guia de redação, didático, 1953

Serenidade, poesia, 1954

Os primeiros passos na redação, 1956





Histórias do Saci — poema infantil de Marieta Leite

27 02 2009

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Ilustração de Maurício de Sousa

HISTÓRIAS  DO SACI

 

                                              Marieta Leite

 

 

A criançada foi dormir

pensando nas histórias

do saci-pererê.

 

 

Lá fora,

fria, farfalha a floresta densa

e o vento zune

nos túneis estreitos das montanhas

imensas

  paradas 

vestidas da luz assombrada

que esguicha a lua fantasma.

 

 

E o saci-pererê

  pererê …  pererê! …

balança o corpinho negro

enrodilhado no cipós.

E espia p’ra o alto

e manda p’ra lua

um assovio fino

que zune mais que o vento

e farfalha mais que o mato

  Pererê …  pererê! …

 

 

Mas quando a madrugada foi chegando,

empurrando

com seus dedos de luz

o capuz de cetim

da noite enluarada,

e a manhã,

trepada na montanha mais alta,

sorriu

seu sorriso de sol

a criançada foi espiar a janela

que tinha amanhecido toda aberta

 escancarada  

Sem que ninguém soubesse como nem por quê.

 

 

Mas …  ah!

O galho fresco de árvore,

lascado de novo,

que em cima dele se achava,

com certeza

tinha servido de chicote

ao saci-pererê.

 

 

Mas só a tia Josefa é que sabia,

que fora o vento,

que cobrira de pétalas o chão.

E que o galho fresco de árvore

lascado de novo,

tinha sido um pedaço de chicote

do filho de Siá Maria

que ela vira,

ao abrir a janela,

madrugadinha ainda,

fustigar, em demanda do pasto,

seu cavalo alazão.

 

 

Em:  Terra Bandeirante de Theobaldo Miranda Santos, para o 3° ano primário,  Rio de Janeiro, Agir: 1954.

 

——

VOCABULÁRIO

 

Farfalha – faz ruído sob a ação do vento

 

Densa  cerrada

 

Lua fantasma – lua que mete medo

 

Túneis – passagens ou caminhos debaixo da terra

 

Escancarada – aberta completamente

 

Fustigar – bater com vara ou com chicote

 

Em demanda – em busca, à procura

 

Alazão  cor de canela

 

———–

 

Questionário:

 

1 – Que foi fazer a criançada?

 

2 – Que fazem, lá fora, a floresta e o vento?

 

3 – E o saci-pererê?

 

4 – Que fez a criançada quando chegou a madrugada?

 

5 – Para que serviu o galho de árvore lascado?

 

6 – Que sabia a tia Josefa?





Cinzas — poema de Joaquim Norberto de Souza e Silva

25 02 2009

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Quarta-feira de Cinzas, 1855-1860

Carl Spitzweg (Alemanha 1808-1885)

Óleo sobre tela,  21 x 14 cm

Galeria Nacional de Stuttgart

Alemanha

 

 

 

CINZAS

 

                         Joaquim Norberto de Souza e Silva

 

 

Sobre as asas da alegria,

Entre enganos ruidosos,

Entre vivas jubilosos,

Expirava o carnaval.

 

Oh, quanta moça faceira,

Que muito se divertira

Morrer com pena não vira

Esse tríduo sem igual.

 

A rótula então perdera

Todo o sigilo, se abrindo,

E um rosto moreno e lindo

Livre e ousado se mostrou;

E mais de um braço certeiro

Achou um alvo condigno,

Em que amável, benigno,

Os seus tiros empregou.

Em: Poetas Cariocas em 400 anos, ed. Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965

 

 

Joaquim Norberto de Sousa e Silva  (RJ 1820 – RJ 1891)

Pseudônimo: Joaquim Norberto, Fluviano, João do Norte.  Poeta, romancista, teatrólogo, polígrafo, pesquisador, biógrafo. Sua atividade literária foi intensa e seus estudos têm validade para o conhecimento do passado literário do Brasil, dispersos na Revista do IHGB, na “Revista Popular”, na “Minerva Brasiliense”. É na crítica e história literária que reside a sua melhor contribuição através de estudos, memórias, edições anotadas de autores brasileiros.

 

 

Obras:

 

A Cantora Brasileira Crítica, teoria e história literárias 1871  

A noite de agonia: Poesia 1889  

Amador Bueno, ou, A Fidelidade Paulistana, Drama em 5 actos Teatro 1855  

As Americanas Poesia 1856  

As duas orfãs: Romance e Novela 1841  

Balatas Poesia 1841  

Beatriz Teatro XIX   

Bosquejo da historia da poesia brazileira. Crítica, teoria e história literárias XIX   

Brasileiras Célebres Biografia 1862  

Cantos Épicos Poesia 1861  

Cantos epicos Poesia 1861  

Cantos poeticos. Poesia XIX   

Chegado de Londres: Romance e Novela 1884  

Chile e Brazil: Poesia 1889  

Climnestra, Rainha das Micenas, Tragédia em Cinco Atos Teatro 1846  

Colombo ou o descobrimento da America: Teatro 1854  

Dirceu de Marilia. Liras atribuídas à sra. D. M. J. D. de S. (Natural de Villa Rica) … Poesia 1845  

Flores entre Espinhos; Contos Poéticos Conto 1864  

História da Conjuração Mineira Outros 1860  

História das Aldeias… Outros XIX   

Investigações sobre o Recenseamento da População Geral do Império Outros 1870  

Jacub ou Carlos VII entre seus grandes vassallos: Teatro 1841  

Joaquim Garcia Romance e Novela 1832  

Kettli Tradução XIX   

Maria ou Vinte Anos Depois Romance e Novela 1844  

Melodias romanticas: Poesia XIX   

Modulações Poéticas, Precedidas de um Bosquejo da História da Poesia Brasileira Crítica, teoria e história literárias 1841  

Novas modulações: Poesia XIX   

O berço livre: Poesia 1883  

O Brazil: Poesia 1857  

O cancioneiro das bandeiras: Poesia XIX   

O Chapim do Rei Teatro 1851  

O Livro de Meus Amores Poesia 1849  

O Martírio do Tiradentes Romance e Novela 1882  

O ultimo abraço, 1841  

Poesia á inauguração da estatua equestre do fundador do imperio. Poesia 1862  

Romances e novelas Romance e Novela 1852  

Tartufo: Tradução XIX   

Vindo de Paris: Romance e Novela 1884  

Visão. Poesia XIX 





Evitando acidentes XVI

24 02 2009

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No metrô, nas ruas,  em todo lugar,

existem faixas e passagens pra se usar.





Evitando acidentes XV

23 02 2009

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Água fervendo evapora.

Não vá chegar perto logo agora!





Evitando acidentes XIV

11 02 2009

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No vermelho não se atravessa.

Pra que tanta pressa?





A lagartixa — poema, Da Costa e Silva

22 01 2009

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A Lagartixa

 

                                    Da Costa e Silva

 

 

A um só tempo indolente e inquieta, a lagartixa,

Uma réstia de sol buscando a que se aqueça,

À carícia da luz toda estremece e espicha

O pescoço, empinando a indecisa cabeça.

 

Ei-la aquecendo ao sol; mas de repente a bicha

Desatina a correr, sem que a rumo obedeça,

Rápida num rumor de folha que cochicha

Ao vento, pelo chão, numa floresta espessa.

 

Traça uma reta, e pára; e a cabeça abalando,

Olha aqui, olha ali; corre de novo em frente

E outra vez, pára, a erguer a cabeça, espreitando…

 

Mal um inseto vê, detém-se de repente,

Traiçoeira e sutil, os insetos caçando,

A bater, satisfeita, a papada pendente…

 

Em: Poesias completas, Da Costa e Silva, Nova Fronteira: 1985, Rio de Janeiro

 

 

 

Antonio Francisco da Costa e Silva – (Amarante, Piauí, 1885 – Rio de Janeiro, 1950) Poeta.  Começou a compor versos por volta de 1896, tendo seus primeiros poemas publicados em 1901. Todavia, seu primeiro livro de poesia, Sangue, foi lançado só em 1908, primeira obra da última geração simbolista. .  Formou-se pela Faculdade do Direito do Recife. Foi funcionário do Ministério da Fazenda, tendo ocupado os cargos de Delegado do Tesouro no Maranhão, no Amazonas, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Viveu não só na capitais desses estados, mas também, por mais de uma vez, em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. Jornalista. Exerceu função pública na Presidência da República do Brasil, entre 1931 e 1945, a pedido do então presidente Getúlio Vargas. É o autor da letra do hino do Piauí.  Recolheu-se ao silêncio, demente, pelos últimos 17 anos de vida. Faleceu em 29 de junho de 1950.

 

 

Publicou os seguintes livros de poemas:

 

 

Sangue (1908),

Zodíaco (1917),

Verhaeren (1917),

Pandora (1919)

Verônica (1927)