Ilustração de Dudovich.
Do meu coração me espanto!
O amor só me deu pesar,
como tendo amado tanto
tenho ainda amor para dar?!…
(Gilka Machado)
Ilustração de Dudovich.
Do meu coração me espanto!
O amor só me deu pesar,
como tendo amado tanto
tenho ainda amor para dar?!…
(Gilka Machado)
Antigo cartão postal.
Meu Deus, que coisa mais triste
ver uma rosa murchar!
– Que pena, esta vida insiste
em tudo modificar!
(Elza Capanema Leitão)
Ilustração Homem no parque, de Édouard Halouze, 1920.
Armindo Rodrigues
Nem mal, nem bem,
nem sim, nem não,
nada por obrigação
me convém.
Só quero querer
o de que na verdade
eu próprio tiver
vontade.
Em: Voz arremessada no caminho; poemas, Armindo Rodrigues, Lisboa: 1943, p. 15
Pipa conversa com passarinho, ilustração de Maurício de Sousa.
Não invejo o passarinho,
livre e alegre na amplidão.
Vivo preso ao teu carinho,
e sou feliz na prisão…
(Almeida Corrêa)
Retrato da irmã da artista, 1914
Zinaida Evgenievna Serebriakova (Rússia, 1884-1967)
óleo sobre tela
Carlos de Laet (Brasil 1847-1927) em Triste Filosofia, Poesias, 1873
Ilustração Henry Clive.
Há celulares à farta,
i-phone, computador…
Mas nada se iguala à carta
para os recados de amor!
(A. A. de Assis)
Ilustração Freddie Langeler.
Henriqueta Lisboa
— Menino, vem para dentro,
olha a chuva lá na serra,
olha como vem o vento!
— Ah, como a chuva é bonita
e como o vento é valente!
— Não sejas doido, menino,
esse vento te carrega,
essa chuva te derrete!
— Eu não sou feito de açúcar
para derreter na chuva.
Eu tenho força nas pernas
para lutar contra o vento!
E enquanto o vento soprava
e enquanto a chuva caía,
que nem um pinto molhado,
teimoso como ele só:
— Gosto de chuva com vento,
gosto de vento com chuva!
Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta, p. 170.
Cascão sonha com porquinhos, ilustração de Maurício de Sousa.
A mentira é sonho lindo
neste meu mundo encantado.
Sonhando, minto dormindo,
mentindo, sonho acordado.
(Sinval Emílio da Cruz)
“– Como é que você só leu uma página do seu livro, mamãe?” — Cartoon, Bil Keane.
Sérgio Caparelli
De patins, de bicicleta,
de carro, moto, avião
nas asas da borboleta
e nos olhos do gavião
de barco, de velocípedes
a cavalo num trovão
nas cores do arco-íris
no rugido de um leão
na graça de um golfinho
e no germinar do grão
teu nome eu trago, mãe,
na palma da minha mão.
Em: Poesia fora da estante, Vera Aguiar, Simone Assumpção e Sissa Jacoby, 13ª edição, Porto Alegre, Projeto: 2007, p.106
Ilustração de Joseph B. Platt, Revista House and Garden, março de 1925.
Afonso Louzada
Artista jardineiro, enamorado
do encanto policrômico das cores,
em meu jardim plantei todas as flores
a que dei meu amor mais desvelado:
rosas de um rubro vivo, das mil dores
do acicate cruento do pecado;
lírios de um branco puro, imaculado,
da virginal pureza dos amores.
E sob o meu carinho, todo dia,
como nenhum outro jamais faria,
tudo medrou, cresceu, floriu, enfim.
Só vós que sois das flores a princesa,
entre rosas e lírios, com certeza
não quisestes florir no meu jardim.
Em: Templo Abandonado, Afonso Louzada, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional: 1945, p. 31