Sublinhando…

9 02 2016

 

Jean-Baptiste-CamilleCorot, Young girl reading, 1868, National Gallery of Art, Washington, DC (2)Jovem lendo, 1868

Jean Baptiste Camille Corot (França, 1796-1875)

óleo sobre papelão sobre madeira, 32 x 41 cm

National Gallery, Washington, DC

 

 

“Fechar ao mal de amor a nossa alma adormecida
é dormir sem sonhar, é viver sem ter vida…”

 

 

Menotti del Picchia (Brasil, 1892-1988) em Juca Mulato.

 





Domingo, poesia de Olavo Bilac

31 01 2016

 

 

BUSTAMANTE SÁ, Rubens Forte (1907 - 1988) - Figuras no cotidiano, o.s.t. - 46 x 56 cm.Figuras no cotidiano

Rubens Bustamante Sá (Brasil, 1907-1988)

óleo sobre tela, 46 x 56 cm

 

 

Domingo

 

Olavo Bilac

 

 

Domingo… Os sinos repicam

Na igreja, constantemente,

E todas as ruas ficam

Alegres, cheias de gente.

 

Todo um dia de ventura…

Como o domingo seduz!

O homem, cansado, procura

Ter paz, ter ar, e ter luz.

 

Paradas e sem trabalho,

Dormem na roça as enxadas;

Dormem a bigorna e o malho

Nas oficinas fechadas.

 

Também, meninos cansados,

Os vossos livro deixai!

Deixai lições e ditados!

Dormi! Sorride! Cantai!

 

Fechem-se as aulas! E o bando

Ruidoso das criancinhas

Livre se espalhe, voando,

Como um bando de andorinhas!

 

Deus, quando o mundo fazia,

Sete dias trabalhou,

E ao fim do sétimo dia

Do trabalho descansou…

 

 

Em: Poesias infantis, Olavo Bilac, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1949, 17 ª edição, pp- 47-8.





Profissão de Fé, soneto de Carvalho Júnior

7 01 2016

 

 

Malcolm_Liepke_Pensive.2001, litografia, 47 x 58 cmPensativa, 2001

Malcolm Liepke (EUA, 1953)

Litografia, 47 x 58 cm

 

 

Profissão de Fé

 

Carvalho Júnior

 

Odeio as virgens pálidas, cloróticas,

Beleza de missal que o romantismo

Hidrófobo apregoa em peças góticas,

Escritas nuns acessos de histerismo.

 

Sofismas de mulher, ilusões óticas,

Raquíticos abortos do lirismo,

Sonho de carne, compleições exóticas,

Desfazem-se perante o realismo.

 

Não servem-me esses vagos ideais

Da fina transparência dos cristais,

Almas de santa e corpo de alfenim.

 

Prefiro a exuberância dos contornos,

As belezas da forma, sem adornos,

A saúde, a matéria, a vida enfim.

 

Publicado em 1879.

 

Em: Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana, editado por Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro: 1951, p. 56

 

Francisco Antônio de Carvalho Júnior (Brasil, 1859-1929)

 





Trova dos teus braços

5 01 2016

 

 

BEIJO ROUBADO, howard chandler christy, 1904Beijo roubado, ilustração de Howard Chandler Christy, 1904.

 

 

Fico em teus braços… Depois,

rogo a Deus, mais uma vez,

que o segredo de nós dois

fique só entre nós três.

 

(Cezário Brandi Filho)





Trova dos meus ouvidos

10 12 2015

 

 

loving-birds-on-branch_23-2147503341

 

São meus ouvidos dois ninhos

onde guardo, ao meu sabor,

um bando de passarinhos!

– Tuas mentiras de amor.

 

(Lilinha Fernandes)





Sublinhando…

8 12 2015

 

 

 

Louise Catherine Breslau (Swiss, 1856-1927). Oil on wood. Schweizerische Eidgenossenschaft, Bundesamt für Kultur, BernNa biblioteca

Louise Catherine Breslau (Suíça, 1856-1927)

óleo sobre madeira

Schweizerische Eidgenossenschaft, Bundesamt für Kultur, Berna

 

 

“Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada…”

 

 

Em: Velho Tema, de Vicente de Carvalho (Brasil, 1866-1924), Poemas e canções, 4ª edição, São Paulo, Editora O Livro: 1919.





Poema de Natal, Carlos Pena Filho

8 12 2015

 

 

sinos vermelhos, 1934Sinos, 1934.

 

 

Poema de Natal

 

Carlos Pena Filho

 

 

— Sino, claro sino,

tocas para quem?

— Para o Deus menino

que de longe vem.

 

— Pois se o encontrares

traze-o ao meu amor.

— E que lhe ofereces

velho pecador?

 

— Minha fé cansada,

meu vinho, meu pão,

meu silêncio limpo,

minha solidão.

 

 

Em: Melhores poemas, Carlos Pena Filho, Sel. Edilberto Coutinho, Editora Global:2000, 4ª edição, p.36.

 





Trova do nosso destino

4 12 2015

 

estrada, Stevan DohanosEstrada, ilustração de Stevan Dohanos, 1956.

 

Destino é força que esmaga…
Credor austero, tremendo:
– Manda a conta e a gente paga,
sem saber que está devendo.

 

(Barreto Coutinho)





Música Brasileira, soneto de Olavo Bilac

1 12 2015

 

 

Candido Portinari,Samba,1956,ost,BancoCentraldoBrasil, BrasiliaSamba, 1956

Cândido Portinari (Brasil, 1903-1962)

óleo sobre tela

Pinacoteca do Banco Central do Brasil, Brasília

 

 

Música Brasileira

 

Olavo Bilac

 

Tens, às vezes, o fogo soberano

Do amor: encerras a cadência, acesa

Em requebros e encantos de impureza,

Todo o feitiço do pecado humano.

 

Mas, sobre essa volúpia, erra a tristeza

Dos desertos, das matas e  do oceano:

Bárbara poracé, banzo africano,

E soluços de trova portuguesa.

 

És samba e jongo, xiba e fado, cujos

Acordes são desejos e orfandades

De selvagens, cativos e marujos:

 

E em nostalgias e paixões consistes,

Lasciva dor, beijo de três saudades,

Flor amorosa de três raças tristes.

 

Originalmente publicado em Tarde, Livraria Francisco Alves, RJ, 1919, p.p. 16-17. Aqui em: Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana, ed. Manoel Bandeira, 3ª edição, Rio de Janeiro, Departamento da Imprensa Nacional:  1951. pp: 231.





Paralelos

28 11 2015

 

Thomas CoutureJovem cosendo, c. 1870

Thomas Couture (França, 1815-1879)

óleo sobre tela, 92 x 73 cm

Coleção Particular

 

 

 

“Pegando da costura à luz da claraboia,
Põe na ponta do dedo em feitio de adorno,
O seu lindo dedal com pretensão de joia.”

 

 

Em: Rústica, de Francisca Júlia (Brasil, 1874-1920) Esfinges, São Paulo, Monteiro Lobato & Cia, s/d, pp. 39-40