Ah! se as árvores falassem!
Diriam, por certo, assim:
Criança, sou tua amiga,
Peço que zeles por mim!
–
(Walter Nieble de Freitas)
Ah! se as árvores falassem!
Diriam, por certo, assim:
Criança, sou tua amiga,
Peço que zeles por mim!
–
(Walter Nieble de Freitas)
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Christina Rossetti
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Navegam botes nos rios,
navios andam no mar,
mas que é mais belo que as nuvens
que se transformam no ar?
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Vejo pontes sobre os rios,
belas esteiras de aço;
mas que ponte mais bonita
você conhece, no espaço?
–
Sete cores reunidas
formando bonito véu,
um arco misterioso
que serve de ponte ao céu.
–
É uma estrada colorida
que aparece, de repente,
levando, da terra ao céu,
tudo que nossa alma sente!…
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Tradução e adaptação de Helena Pinto Vieira
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Em: O mundo da crianças, poemas e rimas, Rio de Janeiro, Editora Delta: 1975, volume 1, p. 156
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Que festa pelo caminho!
Que som, que luz, que esplandor!
Gorgeios em cada ninho,
abelhas em cada flor!
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(Paulo Setúbal)
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Cantiga da bela infância,
peteca, bola, pião …
Minha inocência pelada
nadando no ribeirão…
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(Clóvis Brunelli)
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Henriqueta Lisboa
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Vento do Norte
vento do Sul
vento do Leste
vento do Oeste.
Quatro cavalos
em pêlo.
Quatro cavalos
de longas crinas,
de longas caudas,
narinas sôfregas
bufando no ar.
Quatro cavalos
que ninguém doma,
quatro cavalos
que vêm e vão,
que não descansam,
de asas e patas
varrendo os céus.
Cavalos sem dono,
cavalos sem pátria,
cavalos ciganos
sem lei nem rei.
Quatro cavalos em pêlo.
Animais em beira de rio, s/d
Alexandre Reider ( Brasil, SP, 1973)
Óleo sobre tela
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Julinda Alvim
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Sulcando a plaga serena
à luz da manhã dourada,
numa cantiga magoada,
chora o rio a sua pena.
–
E uma bonita morena,
lavadeirinha engraçada,
canta saudosa balada,
descendo a margem amena.
–
Chega e depõe a bacia
de roupa. Seu vulto espia
na flor do rio, cismando.
–
Volve, escuta os passarinhos.
Depois a nuvem de linhos
mergulha na água, cantado…
–
Em: Vamos estudar? – 3ª série primária – edição especial para o estado do Rio de Janeiro, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1957
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Que grande travesso é o mar!
Molha de novo o lençol
que a praia para secar,
expôs aos raios do sol!
–
(Walter Waeny)
Negra com paisagem ao fundo, 1935
Genesco Murta ( Brasil, MG 1885 — MG, 1967)
óleo sobre tela sobre eucatex, 58 x 48 cm
Coleção Particular
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Antônio Gedeão
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Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
–
Recolhi a lágrima
com todo cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
–
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
–
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
–
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
–
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
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Rômulo Vasco da Gama de Carvalho , rambém conhecido pelos pseudônimos : Antônio Gedeão ou por Rômulo de Carvalho. (Portugal, 1906-1997) Poeta, professor e historiador da ciência portuguesa. Teve um papel importante na divulgação de temas científicos, colaborando em revistas da especialidade e organizando obras no campo da história das ciências e das instituições. Revelou-se como poeta apenas em 1956, com a obra Movimento Perpétuo.
Obras poéticas:
Movimento perpétuo, 1956
Teatro do Mundo, 1958
Máquina de Fogo, 1961
Poema para Galileu 1964
Linhas de Força, 1967
Poemas Póstumos, 1983
Novos Poemas Póstumos, 1990
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Pedro Bandeira
–
Eu sou pequeno, me dizem,
e eu fico muito zangado.
Tenho de olhar todo mundo
com o queixo levantado.
–
Mas, se formiga falasse
e me visse lá do chão,
ia dizer, com certeza:
— Minha nossa, que grandão!
–
–
Maria de Lourdes Figueiredo
–
Vou fazer uma omeleta
pra botar dentro do pão,
e, para isto, é preciso
que eu preste toda atenção.
–
Primeiro bater os ovos;
depois, fritar no fogão.
Virá-la, então, com cuidado…
Escapuliu! Foi ao chão!…
–
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Em: O mundo das crianças: poemas e rimas, vol 1, Rio de Janeiro, Delta: 1975, p. 110