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Pontinho de vista
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Pedro Bandeira
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Eu sou pequeno, me dizem,
e eu fico muito zangado.
Tenho de olhar todo mundo
com o queixo levantado.
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Mas, se formiga falasse
e me visse lá do chão,
ia dizer, com certeza:
— Minha nossa, que grandão!
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Pedro Bandeira
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Eu sou pequeno, me dizem,
e eu fico muito zangado.
Tenho de olhar todo mundo
com o queixo levantado.
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Mas, se formiga falasse
e me visse lá do chão,
ia dizer, com certeza:
— Minha nossa, que grandão!
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Maria de Lourdes Figueiredo
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Vou fazer uma omeleta
pra botar dentro do pão,
e, para isto, é preciso
que eu preste toda atenção.
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Primeiro bater os ovos;
depois, fritar no fogão.
Virá-la, então, com cuidado…
Escapuliu! Foi ao chão!…
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Em: O mundo das crianças: poemas e rimas, vol 1, Rio de Janeiro, Delta: 1975, p. 110
Desenho de astrônomo turco, anônimo,
Do livro Tarcuma-I Cifr, de Maomé Kamalladin.
Univerisdades Rektolugu-Istambul
Turquia
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João de Deus Souto Filho
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O Cometa não é estrela
Nem planeta,
O Cometa é viajante
Estelar,
Grande rei andarilho,
De bela coroa
E cauda a brilhar…
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Em: Jornal de Poesia
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João de Deus Souto Filho, Geólogo e educador. Nasceu em 1957 na cidade de Carolina, MA. É formado em Geologia pela Universidade Federal da Bahia, pós-graduado em Geo-Engenharia de Reservatórios de Petróleo pela UNICAMP (1994), Formado em Letras (Licenciatura) pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (1999). Desenvolve trabalho sobre a importância da formação de uma consciência de preservação dos recursos hídricos.
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Obras infantis:
O quintal do Seu Nicolau, 1992
O aprendiz de jardineiro, teatro, 1992
O passeio da Cinderela, teatro, 1992
Brincadeira de palavras, inédito
Na ponta da pena, inédito.
Campo de Batalha 5 , 1973
Antônio Henrique Amaral ( Brasil, 1935-2015)
óleo sobre tela, 182 x 234cm
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Sônia Carneiro Leão
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A fruta mais descarada
da espécie vegetal,
exibicionista, safada,
a mais amada,
preferência nacional.
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Nasce, assim, sem respeito,
em qualquer parte,
de qualquer jeito,
em qualquer quintal
onde houver
um sol tropical.
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Em terras baianas,
pernambucanas,
nossa República das Bananas.
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Verdadeiro tesouro:
banana-prata, banana-ouro.
Chiquita bacana.
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Banana querida,
banana amiga,
da nossa barriga.
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Banana brasileira,
te como toda,
te como inteira.
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Em: Respostas ao criador das frutas, Sônia Carneiro Leão, Recife: 2010.
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Sônia Carneiro Leão nasceu no Rio de Janeiro, mas reside em Recife. Psicanalista, escritora, poetisa, contista e tradutora.
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Armando Côrtes Rodrigues
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Vozes na Noite! Quem fala
Com tanto ardor, tanto afã?
Falou o Grilo primeiro,
Logo depois foi a Rã.
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Pobre loucura dos homens
Quando julgam entendê-las…
Só eles pasmam os olhos
Neste encanto das estrelas…
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Lá no silêncio dos campos
Ou no mais ermo da serra,
Na voz das rãs dala a àgua,
Na voz dos grilos a Terra.
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Só eles cantam a vida
Com amor e singeleza,
Por ser descuidadaa, alegre;
Por ser simples, com beleza.
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Pudesse agora dizer-te,
Sem ser por palavras vãs,
O que diz a voz dos grilos,
O que diz a voz das rãs.
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Em: Poemas para a infância: antologia escolar, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Edições de Ouro: s/d
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Armando César Côrtes-Rodrigues (Portugal, 1891 — 1971 ) Escritor, poeta, dramaturgo, cronista e etnólogo açoriano que se distinguiu pelos seus estudos de etnografia e em particular pela publicação de um Cancioneiro Geral dos Açores e de um Adagiário Popular Açoriano, obras de grande rigor e qualidade.
Obra poética:
Ode a Minerva:angra do heroísmo, 1922
Em Louvor da humildade: poemas da terra e dos pobres., 1924
Cântico das Fontes, 1934
Cantares da noite seguidos dos poemas de orpheu, 1942
Quatro poemas líricos, 1948
Horto fechado e outros poemas, 1953
Antologia de Poemas de Armando Côrtes-Rodrigues, 1956.
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Não adianta reclamar,
quem joga tem que saber:
jamais deverão jogar
os que não sabem perder.
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(Décio Valente)
Creme
Alfred Arthur Brunel de Neuville (França, 1851-1941)
óleo sobre madeira
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O leite, que é a bebida
Ideal para o estudante,
É mil vezes superior
A qualquer refrigerante.
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(WNF)
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Henriqueta Lisboa
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Quando a noite
vem baixando,
nas várzeas ao lusco-fusco
e na penumbra das moitas
e na sombra erma dos campos,
piscam piscam pirilampos.
São pirilampos ariscos
que acendem pisca-piscando
as suas verdes lanternas,
ou são claros olhos verdes
de menininhos travessos,
verdes olhos semitontos,
semitontos mas acesos
que estão lutando com o sono?
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Henriqueta Lisboa (MG 1901- MG 1985), poeta mineira. Escritora, ensaísta, tradutora professora de literatura, Com Enternecimento (1929), recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras. Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.
Obras:
Fogo-fátuo (1925)
Enternecimento (1929)
Velário (1936)
Prisioneira da noite (1941)
O menino poeta (1943)
A face lívida (1945) — à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano
Flor da morte (1949)
Madrinha Lua (1952)
Azul profundo (1955);
Lírica (1958)
Montanha viva (1959)
Além da imagem (1963)
Nova Lírica ((1971)
Belo Horizonte bem querer (1972)
O alvo humano (1973)
Reverberações (1976)
Miradouro e outros poemas (1976)
Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra (1977)
Pousada do ser (1982)
Poesia Geral (1985), reunião de poemas selecionados pela autora do conjunto de toda a obra, publicada uma semana após o seu falecimento.
Romero Britto ( Brasil, 1963)
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Walter Nieble de Freitas
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Trago no peito uma joia
Pequenina, delicada,
Tão pequenina que lembra
Esta mãozinha fechada.
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Nela se aninha a bondade,
O carinho, a gratidão;
O seu nome tem poesia,
Pois se chama coração.
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Não pensem que ele foi feito
Com gemas de alto valor:
É um presente de Deus
Esta obra prima de amor!
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Numa cadência de marcha,
Bate sempre sem parar,
Como se fosse um pandeiro
Que não para de vibrar.
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Mas se eu faço travessuras,
Meu coração contrafeito,
Muda o compasso e transforma
Em batucada o meu peito!
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Em: Barquinhos de Papel: poesias infantis, de Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Editora Difusora Cultural: 1961
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Walter Nieble de Freitas ( Itapetininga, SP) Poeta e educador, foi diretor do Grupo Escolar da cidade de São Paulo.
Obras:
Barquinhos de papel, poesia, 1963
Mil quadrinhas escolares, poesia, 1966
Desfile de modas na Bicholândia, 1988
Simplicidade, poesia, s/d
Chico Vagabundo e outras histórias, 1990
Adam Fryda (Inglaterra, contemporâneo)
gravura 20 x 16,5 cm
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Sérgio Capparelli
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Um hipopótamo na banheira
molha sempre a casa inteira.
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A água cai e se espalha
molha o chão e a toalha.
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E o hipopótamo: nem ligo
estou lavando o umbigo.
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E lava e nunca sossega,
esfrega, esfrega e esfrega
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a orelha, o peito, o nariz
as costas das mãos, e diz:
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Agora vou dormir na lama
pois é lá a minha cama!
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Sérgio Capparelli (MG, 1947) é um escritor de literatura infanto-juvenil, jornalista e professor universitário.
VEJA O PORTAL DO AUTOR: http://www.capparelli.com.br/