Minha árvore, poema de Natal de Diógenes Pereira de Araújo

17 12 2009

 

Cartão de Natal da Polônia, década de 1950.
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MINHA ÁRVORE

 

                                                                          Diógenes Pereira de Araújo

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Vou armar uma árvore, escondida

no coração, recôndito de mim.

Será planta odorífera: alecrim,

por faces de pessoas preenchida

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Tais faces vou colhê-las no jardim

dos amigos de sempre cuja vida

fazem a minha vida colorida

e perfumada: há rosas e jasmins

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Amigos do passado eu ponho ao centro

amigos do presente mais à mão

para incluir a todos na oração:

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“Senhor, – que trago aqui também por dentro –,

meu coração, com carga especial

transplanta para o teu neste Natal.”

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Diógenes Pereira de Araújo ( SP, 1935).  Advogdo, escritor e poeta.  Blog:  http://diogenespereiradearaujo.blogspot.com

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Prece de Natal, poema de Vicente Guimarães

14 12 2009

 

Presépio africano, desenho

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PRECE DE NATAL

 

                                                             Vicente Guimarães

Natal! Natal!

Jesus nasceu

No céu a estrela

Apareceu.

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Os sinos tocam!

Delém…delém…

Jesus nasceu

Lá em Belém.

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Viva Jesus

O Deus-menino

Que ele abençoe

Nosso destino.

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Jesus nasceu

Lá em Belém

Os sinos tocam

Delém…delém…

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Vicente de Paulo Guimarães, [Vovô Felício] ( Cordisburgo, MG, 1906 – 1981) — Poeta, contista, biógrafo, jornalista, autor de Literatura Infanto-Juvenil (1979), funcionário público, educador, membro da Academia Brasileira de Literatura (1980), prêmio Monteiro Lobato -ABL (1977). Em 1935, Vicente criou em Belo Horizonte a revista “Caretinha”, dedicada a jovens leitores; dois anos depois, foi o responsável pelo suplemento infantil do jornal “O Diário”.  Um dos projetos de sucesso foi a revista “Era uma vez”, que começou a circular em 1947.  Criou também no mesmo ano a Revista do Sesinho, para divertir e educar as crianças.

Obras:

Tranqüilidade

O pequeno pedestre

Campeão de futebol

Os bichos eram diferentes

Frangote desobediente

João Bolinha virou gente

Boa vida de João Bolinha

Histórias divertidas

Lenda da palmeira, 1944

Quinze minutos de poder

Os três irmãos, 1978

Festa de Natal, 1964

Rui, 1949

O pastorzinho de Pouy, 1957

Princesinha do Castelo vermelho

Gurupi

Marisa, a filha da Mireninha

Vida de rua, 1954

Era uma vez uma onça

O tesouro da montanha

Anel de vidro, 1956

História de um bravo, 1960

Gurupi

Ultima aventura do sete de ouros

Aventuras de um cachorrinho vira lata

Princesinha do Castelo Vermelho

História de uma menina pobre

A fama do jabuti

O macaquinho Guili

Bilac, história de um príncipe, 1968

Biografia de Rui Barbosa para a infância, 1965

Joãozito, infância de João Guimarães Rosa, 1971

Nonô, o menino de Diamantina, 1980

O menino do morro – Machado de Assis, 1980

Coleção vovô Felício –  em seis volumes





Quadrinha da noite de Natal

12 12 2009

Noite de Natal.

Cartão Postal, década de 20, século XX.

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Há sussurros pelo espaço…
Na terra há luz e cristal,
quando a noite estende o braço,
proclamando que é Natal!

(Cidoca da Silva Velho)





Poema de Natal, Jorge de Lima, 1950

11 12 2009

 Natividade, 1962

Antônio Gomide (SP 1895 — SP 1967)

óleo sobre tela

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Poema de Natal

 

                                                               Jorge de Lima

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ERA UM NATAL.  E um poema de alegria

escrito pela mão de quem se iludia

E nele havia as dádivas do dia,

e nele havia sinos acordados;

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e havia nele tudo o que se espera

com seus anseios sempre contrariados;

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só lhe faltava o que ninguém sabia

porque ficara n’alma que o fizera.

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                                  Publicado em Jornal de Letras, Rio de Janeiro, dezembro de 1950.

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Em: Jorge de Lima: poesias completas, volume IV, Brasília, Aguilar, 1974.

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Jorge Mateus de Lima (União dos Palmares, AL, 23 de abril de 1893 — Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1953) foi político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor e pintor brasileiro.

Obras:

Poesia: 

XIV Alexandrinos (1914)

O Mundo do Menino Impossível (1925)

Poemas (1927)

Novos Poemas (1929)

O acendedor de lampiões (1932)

Tempo e Eternidade (1935)

A Túnica Inconsútil (1938)

Anunciação e encontro de Mira-Celi (1943)

Poemas Negros (1947)

Livro de Sonetos (1949)

Obra Poética (1950)

Invenção de Orfeu (1952)

Romance:

O anjo (1934)

Calunga (1935)

A mulher obscura (1939)

Guerra dentro do beco (1950





Natal é partilha, quadrinha.

11 12 2009

Noite de Natal.

Postal alemão, 1920-25.

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Feliz de quem afinal,
consegue, na humana trilha,
ver que o brilho do Natal
surge da luz da partilha!

(Regina Célia de Andrade)





Quadrinha de Natal, romântica

9 12 2009

Feliz Natal.

Cartão Italiano, 1910-1912.

Neste dia alegre e doce,
de festas, sentimental,
queria que você fosse
meu presente de Natal.

(J. G. de Araújo Jorge)





Natal é caridade, quadrinha.

8 12 2009

Chegada de Papai Noel.

Capa da Revista Toda Família, Suécia, 1917.

Natal é meditação,
é o tempo da Humanidade
entender que salvação
tem um nome: CARIDADE!

(José Ouverney)





Canto de Natal — poema de Manuel Bandeira

7 12 2009

Nascimento de Jesus

Arte folclórica dos Estados Unidos, anônimo

 

Canto de Natal

 

                                                                          Manuel Bandeira

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O nosso menino

Nasceu em Belém

Nasceu tão-somente

Para querer bem.

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Nasceu sobre as palhas

O nosso menino.

Mas a mãe sabia

Que ele era divino.

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Vem para sofrer

A morte na cruz,

O nosso menino.

Seu nome é Jesus.

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Por nós ele aceita

O humano destino:

Louvemos a glória

De Jesus menino.

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Em: Bandeira, antologia poética, Rio de Janeiro, José Olympio:1978, 10ª edição.

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Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (Recife, 19 de abril de 1886 — Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968)  poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro.

Obras:

3 Conferências sobre Cultura Hispano-americana,  1959  

50 poemas escolhidos pelo autor , 1955  

A Autoria das Cartas Chilenas, 1940  

A Cinza das Horas, 1917  

A Cópula, 1986  

A Leste do Éden, 1958  

A Morte, 1965  

A Versificação em Língua Portuguesa    

Alumbramentos, 1960  

Andorinha, Andorinha  1965  

Antologia de Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos  1946  

Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana  1938  

Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântica  1937  

Antologia dos Poetas Brasileiros: fase moderna  1967  

Antologia dos Poetas Brasileiros: Fase Simbolista  1937  

Antologia Poética  1961  

Apresentação da Poesia Brasileira  1944  

Auto Sacramental do Divino Narciso, de Sóror Juana Inés de la Cruz    

Carnaval  1919  

Cartas de Mário de Andrade a Manuel Bandeira  1958  

Colóquio Unilateralmente Sentimental  1968  

Crônicas da Província do Brasil  1937  

De Poetas e de Poesia  1954  

Discurso de Posse de Manuel Bandeira na Academia Brasileira de Letras  1941  

Em Busca do Verso Puro, de Pedro Henríquez Ureña  1946  

Estrela da Manhã  1936  

Estrela da Tarde  1960  

Estrela da Vida Inteira  1966  

Flauta de Papel  1957  

Francisco Mignone  1956  

Glória de Antero  1943  

Gonçalves Dias  1952  

Guia de Ouro Preto  1938  

Itinerário de Pasárgada  1954  

Itinerários  1974  

Libertinagem  1930  

Literatura Hispano-americana  1949  

Macbeth, de Shakespeare  1958  

Mafuá do Malungo  1948  

Maria Stuart, de Schiller  1955  

Mário de Andrade: animador da cultura musical brasileira  1954  

Meus Poemas Preferidos  1967  

Noções de História das Literaturas  1940  

Noturno do Morro do Encanto  1955  

O Melhor Soneto de Manuel Bandeira  1955  

Obras Poéticas  1956  

Obras Poéticas de Gonçalves Dias  1944  

Obras-primas da Lírica Brasileira  1943  

Opus 10  1952  

Oração de Paraninfo  1946  

Os Reis Vagabundos  1966  

Panorama das Literaturas das Américas  1958  

Pasárgada  1960  

Poemas Traduzidos  1945  

Poemas-gráficos: 3 ensaios tipográficos no centenário do poeta  1986  

Poesia do Brasil  1963  

Poesia e prosa  1958  

Poesia e Vida de Gonçalves Dias  1962  

Poesias  1924  

Poesias completas  1940  

Poesias Escolhidas  1937  

Poesias, de Alphonsus de Guimaraens  1938  

Portinari  1939  

Recepção do sr. Peregrino Júnior  1947  

Recordações de Manuel Bandeira nos Arquivos Implacáveis de João Condé  1990  

Rimas, de José Albano  1948  

Rio de Janeiro em Prosa & Verso  1965  

Rubaiyat, de Omar Khayyan  1965  

Sonetos Completos e Poemas Escolhidos, de Antero de Quental  1942  

Um Poema de Manuel Bandeira  1956





Natal é reunião em família, quadrinha

6 12 2009

 

 

 Ceia de Natal

 

Cartão de Natal da Polônia.

Natal!  É sonho e vigília

harmonia, amor e paz…

Milagre!  Toda a família

se reúne uma vez mais…

(J. G. de Araújo Jorge)





O presépio — poema de Natal de Joaquim Serra

5 12 2009

O presépio

                                                  Joaquim Serra

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Na palhoça iluminada,

Que fica junto da ermida,

Des que a missa foi cantada

Se congrega a multidão;

Toldo de mirta florida,

Flores de mágico aroma

Ornam o presépio, que toma

Na sala grande extensão.

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Quão lindo está!  Não lhe falta

Nem o astro milagroso

Que de repente brilhou;

Nem o galo, que o repouso

Deixara por noite alta

E que inspirado cantou!

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Tudo o que a lenda memora

E consagra a tradição,

Vê-se ali, grosseiro embora,

Despido de perfeição.

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Céu de estrelinhas douradas,

Estrelas de papelão;

Brancas nuvens fabricadas

Da plumagem do algodão!

Anjos soltos pelos ares,

Peixes saindo dos mares,

Feras chegando do além.

Marcha tudo, e vêm na frente

Os Reis Magos do Oriente

Em demanda de Belém.

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É esta a lapa; o Menino

Nas palhas está deitado,

Com um sorriso de alegria

Todo doçura e amor!

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Contempla o quadro divino

São José ajoelhado,

E a Santíssima Maria

De Jericó meiga flor!

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Trajando risonhas cores

Com muitos laços de fitas,

Rapazes, moças bonitas

Formam grupos de pastores.

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Que curiosos bailados,

Com maracás e pandeiros!

E o ruído dos cajados

Desses risonhos romeiros!

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Essa quadrilha dançante,

Cantando versos festivos,

Aos pés do celeste infante

Vai depor seus donativos:

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Frutas, doces, sazonadas,

Ramilhetes de açucenas,

Cera, peles delicadas,

Pombinhos de brancas penas.

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São as joias que os pastores

Dão ao Deus onipotente!

E o povo aplaude os cantores

E o espetáculo inocente.

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Eis o presepe singelo

Da devoção popular;

Oratório alegre e belo

Sagrado risonho altar!

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Em: Poesia Brasileira para a Infância, de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito,  São Paulo, Saraiva: 1969.

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Joaquim Serra

——

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Joaquim Maria Serra Sobrinho ( MA 1838 — RJ 1888) jornalista, professor, político e teatrólogo.  Pseudônimos: Amigo Ausente, Ignotus, Max Sedlitz, Pietro de Castellamare, Tragaldabas.  Foi um intelectual muito ativo na segunda metade do século XIX.  Abolicionista, trabalhou lado a lado com Joaquim Nabuco, Quintino Bocaiuva e José do Patrocínio para o fim da escrevidão. 

Obras:

A capangada, sem data, séc. XIX

A pomba sem fel, sem data, séc. XIX

As Cousas da moda, sem data, séc. XIX

Epicedio à morte de Manuel Odorico Mendes, sem data, séc. XIX

O jogo das libras, sem data, séc. XIX

O remorso vivo, sem data, séc. XIX

Quem tem boca vai a Roma

Rei morto, rei posto

Biografia do ator brasileiro Germano Francisco de Oliveira, 1862

A coalisão, 1862

Julieta e Cecília, contos, 1863

Mosaico, poesia traduzida, 1865

O salto de Leucade, 1866

A casca da caneleira, romance de autoria coletiva, cabendo a J.S. a coordenação, 1866

Um coração de mulher, poema-romance, 1867

Versos de Pietro de Castellamare, 1868

Semanário maranhense, 1867

Quadros, poesias, 1873

Almanaque Humorístico Ilustrado, 1876

Diário oficial do império do Brasil, 1878

O abolicionista, 1880

Sessenta anos de jornalismo, a imprensa no Maranhão, 1820-80, por Ignotus, 1883

O coroado, 1887

Poesias e poemas, 1888

Os melros brancos, 1890