O Super-Homem, poesia de Reynaldo Valinho Alvarez

8 01 2010

 

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O Super-homem

 

Reynaldo Valinho Alvarez

Abro a janela e solto-me no espaço.

A vida é um pátio aberto em plena escola,

para onde eu vou, com pasta e com sacola,

toda manhã, de sol ou de mormaço.

Queria ser igual ao Homem-Aço,

para voar mais alto do que a mola

que tenho no meu peito ou do que a bola

que impulsiono a correr e sem cansaço.

Na linha das montanhas, me liberto

e eis que percorro todo o espaço aberto,

como no pátio alegre do recreio.

Sou mais que o Super-Homem, pois não tenho

os limites quadrados do desenho,

para conter meu vôo e meu anseio.

Em:  Galope do Tempo, Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro: 1997, p. 83.

 

Reynaldo Valinho Alvarez (RJ, RJ, 1931) Formado em Letras Clássicas, Direito, Economia e Administração.  Prêmios da Academia Brasileira de Letras, do Instituto Nacional do Livro, a Fundação Biblioteca Nacional, a Fundação Cultural do Distrito Federal, a União Brasileira de Escritores, a Câmara Brasileira do Livro, a Fundação Catarinense de Cultura, o Conselho Estadual de Cultura do Rio de Janeiro, entre outros.

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Algumas Obras:

Cidade em grito, 1973

Roteiro  solidão, 1979

Canto em si e outros cantos, poesia, 1979

As aventuras de Princês, o príncipe sem medo, infanto-juvenil, 1979, 1982

O Solitário gesto de viver, poesia, 1980, 2000

Solo e subsolo, poesia, 1981

O sol nas entranhas, poesia, 1982

Quem sabe o sim sabe o não, 1982

Monteiro Lobato: escritor e pedagogo, 1982

Calatrava, 1983

Gabrilofe, 1984

Pássaro sem asas, memória do abismo, romance, 1984

O grande guru, 1986

Ladrão que rouba ladrão, 1987, 2002

Um índio caiu do céu, infanto-juvenil, 1988

O dia em que os bichos votaram, 1989, 2004

A incrível peleja do pinto calçudo, 1990, 1996, 2000

O A-Bê-Cê da Nanica, 1994, 2003

O continente e a ilha, poesia, 1995

Chutando estrelas, 1995

Eu digo Rio e sorrio, 1997

Guerra dos humildes, 1997

Galope do tempo, poesia, 1997

A faca pelo fio, poesia, 1999

Das rias ao mar oceano, 2000

O tempo e a pedra, poesia, 2002

Lavradio, 2004

O vôo de Cauã, 2004

Corta a noite um gemido, poesia, 2007

Janeiros com rios, poesia, s/d





Quadrinha da mucama

7 01 2010

 madonnadeleite, canoto ( Brasil 1985),ost, 80x100Madona do leite

Canato ( SP, Brasil, 1985)

Óleo sobre tela,  80 x 100 cm

www.canato.com.br

A cantiga da mucama,

que embalava o sinhozinho,

tinha mimo de quem ama,

de quem sofre tinha espinho.

 

(Margarida Ottoni)





Quadrinha para a infância: o sentido da vida

5 01 2010

menino com passarinhos

Não creio ser necessário

explicar meu ideal…

—  Por que é que canta o canário?

—  Por que é que voa o pardal?

( Moysés Augusto Torres)





Quadrinha sobre a medida do amor!

4 01 2010

peso

Ilustração, Maurício de Sousa.

Por que será que, na vida,

por que será, meu senhor,

não foi criada a medida

capaz de medir o amor?

(Luiz Evandro Innocêncio)





Quadrinha filosófica

3 01 2010

choro 6

Ilustração, Maurício de Sousa.

Cada um tem sua sorte

pelo destino traçado,

mas não há ninguém tão forte

que nunca tenha chorado.

(Rômulo Cavalcante Mota)





Quadrinha dos olhos negros

3 01 2010

menina com flores azuis-julie-ann-bowdenIlustração, Julie Ann Bowden.

 

Olhos negros, cismadores…

Olhos de intenso brilhar.

Olhos que falam de amores

e vivem sempre a sonhar.

(Therezinha Radetic)





Soneto de Natal, José Albano

23 12 2009

 

Cartão Postal, Europa oriental, década de 1950.

SONETO

                                                                                 José Albano

Bom Jesus, amador das almas puras,

Bom Jesus, amador das almas mansas,

De ti vêm as serenas esperanças,

De ti vêm as angélicas doçuras.

Em toda parte vejo que procuras

O pecador ingrato e não descansas,

Para lhe dar as bem-aventuranças

Que os espíritos gozam nas alturas.

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A mim, pois, que de mágoa desatino

E, noite e dia, em lágrimas me banho,

Vem abrandar o meu cruel destino.

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E, terminado este degredo estranho,

Tem compaixão de mim, Pastor Divino,

Que não falte uma ovelha ao teu rebanho!

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José de Abreu Albano (Brasil, CE, 1882 — França, 1923).  Católico fervoroso, eruditíssimo, de temperamento explosivo e comportamento extraordinário.  Pouco publicou em vida, e sua obra, pequenina no tamanho, mas grandíssima no valor, permaneceria desconhecida do grande público, não fosse a edição de sua obra pelo poeta Manuel Bandeira em 1948.

Obras:

Rimas de José Albano: Redondilhas (1912),

Rimas de José Albano – Alegoria (1912)

Rimas de José Albano – Cançam a Camoens (1912)

Ode à Língua Portuguesa (1912)

Comédia Angelica de José Albano (1918),

Four sonets by José Albano, with Portuguese prose-translation (1918)

Antologia Poética de José Albano (1918)





O Natal das crianças, quadrinha.

23 12 2009

Feliz Natal, cartão de Natal, França, 1910-1915.

 

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Deus na Terra… Eis o Natal!
Repicam sinos… Festanças…
Feriado nacional          
no coração das crianças!

 

(J. G. de Araújo Jorge)





Natal, poema de Auta de Sousa

21 12 2009

 

NATAL

                                                                      Auta de Sousa

É meia noite … O sino alvissareiro,

Lá da igrejinha branca pendurado,

Como num sonho místico e fagueiro,

Vem relembrar o tempo do passado.

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Ó velho sino, ó bronze abençoado,

Na alegria e na mágoa companheiro!

Tu me recordas o sorrir primeiro

De menino Jesus imaculado.

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E enquanto escuto a tua voz dolente,

Meu ser que geme dolorosamente

Da desventura, aos gélidos açoites …

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Bebe em teus sons tanta alegria, tanta!

Sino que lembras uma noite santa,

Noite bendita mais que as outras noites!

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Auta de Souza (Macaíba, 12 de setembro de 1876 — Natal, 7 de fevereiro de 1901) foi uma poetisa brasileira.  Considerada a a maior poetisa mística do Brasil.

Obras:

Horto, 1900





Quadrinha sobre o Natal

21 12 2009

Adoração dos Reis Magos.

Cartão Postal da Polônia, sem data.

Pratique o bem, ore e peça
por teus irmãos em vigília:
Natal com Cristo começa
em nós, no lar, na família!

(Antônio Vogel Spanemberg)