Quadrinha sobre o sucesso

27 02 2010

Ilustração, Maurício de Sousa.

 

Do sucesso na subida

nunca te orgulhes demais

muito difícil na vida

é conservar o cartaz.

(Gilka Machado)





Quadrinha: teus olhos

13 02 2010

menina com flores amarelas

Teus olhos, duas continhas,

douradas, suavemente;

duas pérolas,  miudinhas,

neste rostinho luzente.

(Antônio Bispo dos Santos)





A uma bailarina, soneto de Maria Thereza de Andrade Cunha

10 02 2010

 
A uma bailarina

                                          Maria Thereza de Andrade Cunha

Fecho os olhos e a vejo que, ondulante

Como um salgueiro ao vento, fina e leve,

Lá se vai!  Deixa apenas, flutuante,

A lembrança de um véu de “tule” e neve…

Demorou-se tão pouco!   Um curto instante!

Um curto instante, tão fugaz, tão breve!

Quem sabe, além, num palco mais distante,

Outro poema de ritmos descreve?

Mas fica eternamente nos meus sonhos;

Vejo-a de olhos brilhantes e risonhos

Que nas asas do vento a cena corta.

Impalpável… Comparo-a à luz e à espuma,

E a julgo, vendo-a leve como pluma,

A alma, talvez, de uma falena morta!

Em: É primavera… escuta., Maria Thereza de Andrade Cunha, Rio de Janeiro, 1949.

 

 Maria Thereza de Andrade Cunha (RJ, RJ, 1927) Professora, poeta e trovadora.





Quadrinha sobre o trabalho

25 01 2010

trabalhar vc está louco

Ilustração, Walt Disney.

Se tens à frente uma estrada,

não passes por um atalho,

que a vida só é gozada

à custa de muito trabalho.

(Luiz Evandro Innocêncio)





A borboleta azul, poema de Faustino Nascimento

21 01 2010

 

Ilustração, Maurício de Sousa.

 

A borboleta azul

Faustino Nascimento

De uma clareira à borda da floresta,

Que o sol transforma em rútila vinheta,

Toda de azul, como quem vai à festa,

Passa, bailando, a linda borboleta.

Uma ninfa, talvez, fugindo à sesta,

Em busca de algum Pan, deusa faceta,

Toda beleza e graça manifesta,

Voejando, entre uma rosa e uma violeta.

Não tenta conquistar as altitudes,

Transpor abismos e vencer taludes,

Pois nasceu borboleta e não condor…

É que ela busca apenas a quem ama,

E despreza a riqueza, a glória e a fama,

Pois tem tudo na terra, tendo o amor…

Em:  Antologia Poética, Faustino Nascimento, Rio de Janeiro, Freitas Bastos: 1960, p.103.

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Antônio Faustino Nascimento (Missão Velha, CE, 1901-)  advogado, magistrado, escritor, poeta, ensaísta, jornalista, tradutor.  Em Fortaleza, fundou a revista Argus.

Obras

Juvenília, poesia, 1927

As Cosmogonias, ensaio, 1929

Paisagens sonoras, poesia, 1937

Ritmos do novo continente, poesia, 1939, 1943

Elogio do amor e da ilusão, poesia, 1941

Cantos da paz e da guerra, poesia, 1943

O refúgio sublime, poesia, 1945

Exortação, soneto em cinco idiomas, 1949

O sonho do fauno, poesia, 1950

Cântico ao nordeste, poesia, 1954

Caminhos do Infinito, poesia, 1956

A  fonte de Afrodite, poesia, 1958

A Alvorada, cântico a Brasília, 1958

Antologia poética, 1960

A vida, o amor e a ilusão, poesia, 1962

A terra de Israel, ensaios, 1967

Oriente e ocidente, história, 1973





Velho Muro, soneto de Bernardino Lopes

10 01 2010

 

O muro do jardim, 1910

John Singer Sargent (EUA, 1856-1925)

Aquarela e grafite sobre papel, 40 x 53 cm

Museu de Belas Artes, Boston

Velho Muro

 

                                    B. Lopes

Velho muro da chácara!  Parcela

Do que já foste: resto do passado,

Bolorento, musgoso, úmido, orlado

De uma coroa víride e singela.

Forte e novo eu te vi, na idade bela

Em que, falando para o namorado,

Tinhas no ombro de pedra debruçado

O corpo senhoril de uma donzela…

Linda epoméia te bordava a crista;

Eras, ao luar de leite, um linho albente,

Folha de prata, ao sol, ferindo a vista.

Em ti pousava a doce borboleta…

E quantas noites viste, ermo e silente,

Romeu beijando as mãos de Julieta!

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Em: Antologia dos poetas brasileiros da fase parnasiana,  ed. Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do livro: 1951.

Vocabulário:

Víride:  verde,  uso poético

Epoméia: ver ipoméia, trepadeira rústica comum em terrenos baldios, também conhecida como  jitirana, jetirana, corriola, campainha, corda-de-viola.

Albente:  que alveja, que embranquece

Bernardino Lopes, pseudônimo B. Lopes (Rio Bonito, RJ, 1859 — RJ,1916) foi um poeta brasileiro de diferentes tendências literárias na passagem do século XIX ao XX.  Foi funcionário do Correio Geral,  Membro da boemia intelectual carioca foi um poeta de transição do fim do romantismo.  Ficou muito conhecido pelos seus sonetos parnasianos.  Tem grande afinidade com os simbolistas.

Obras:

Cromos (1881) – 2ª Edição 1896

Pizzicatos – “Comédia Elegante” (1886)

Brasões (1895)

Sinhá Flor (1899)

Val de Lírios (1900)

Helenos (1901)

Plumário (1905)

Poesias Completas (1945)





Quadrinha sobre a aranha e sua teia

10 01 2010

aranha

A teia se expande e estica

porque a aranha o fio tece.

O milagre não se explica

e simplesmente acontece.

(José Augusto Fernandes)





O Super-Homem, poesia de Reynaldo Valinho Alvarez

8 01 2010

 

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O Super-homem

 

Reynaldo Valinho Alvarez

Abro a janela e solto-me no espaço.

A vida é um pátio aberto em plena escola,

para onde eu vou, com pasta e com sacola,

toda manhã, de sol ou de mormaço.

Queria ser igual ao Homem-Aço,

para voar mais alto do que a mola

que tenho no meu peito ou do que a bola

que impulsiono a correr e sem cansaço.

Na linha das montanhas, me liberto

e eis que percorro todo o espaço aberto,

como no pátio alegre do recreio.

Sou mais que o Super-Homem, pois não tenho

os limites quadrados do desenho,

para conter meu vôo e meu anseio.

Em:  Galope do Tempo, Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro: 1997, p. 83.

 

Reynaldo Valinho Alvarez (RJ, RJ, 1931) Formado em Letras Clássicas, Direito, Economia e Administração.  Prêmios da Academia Brasileira de Letras, do Instituto Nacional do Livro, a Fundação Biblioteca Nacional, a Fundação Cultural do Distrito Federal, a União Brasileira de Escritores, a Câmara Brasileira do Livro, a Fundação Catarinense de Cultura, o Conselho Estadual de Cultura do Rio de Janeiro, entre outros.

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Algumas Obras:

Cidade em grito, 1973

Roteiro  solidão, 1979

Canto em si e outros cantos, poesia, 1979

As aventuras de Princês, o príncipe sem medo, infanto-juvenil, 1979, 1982

O Solitário gesto de viver, poesia, 1980, 2000

Solo e subsolo, poesia, 1981

O sol nas entranhas, poesia, 1982

Quem sabe o sim sabe o não, 1982

Monteiro Lobato: escritor e pedagogo, 1982

Calatrava, 1983

Gabrilofe, 1984

Pássaro sem asas, memória do abismo, romance, 1984

O grande guru, 1986

Ladrão que rouba ladrão, 1987, 2002

Um índio caiu do céu, infanto-juvenil, 1988

O dia em que os bichos votaram, 1989, 2004

A incrível peleja do pinto calçudo, 1990, 1996, 2000

O A-Bê-Cê da Nanica, 1994, 2003

O continente e a ilha, poesia, 1995

Chutando estrelas, 1995

Eu digo Rio e sorrio, 1997

Guerra dos humildes, 1997

Galope do tempo, poesia, 1997

A faca pelo fio, poesia, 1999

Das rias ao mar oceano, 2000

O tempo e a pedra, poesia, 2002

Lavradio, 2004

O vôo de Cauã, 2004

Corta a noite um gemido, poesia, 2007

Janeiros com rios, poesia, s/d





Quadrinha da mucama

7 01 2010

 madonnadeleite, canoto ( Brasil 1985),ost, 80x100Madona do leite

Canato ( SP, Brasil, 1985)

Óleo sobre tela,  80 x 100 cm

www.canato.com.br

A cantiga da mucama,

que embalava o sinhozinho,

tinha mimo de quem ama,

de quem sofre tinha espinho.

 

(Margarida Ottoni)





Quadrinha para a infância: o sentido da vida

5 01 2010

menino com passarinhos

Não creio ser necessário

explicar meu ideal…

—  Por que é que canta o canário?

—  Por que é que voa o pardal?

( Moysés Augusto Torres)