Ilustração, Maurício de Sousa.
Do sucesso na subida
nunca te orgulhes demais
muito difícil na vida
é conservar o cartaz.
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(Gilka Machado)
Do sucesso na subida
nunca te orgulhes demais
muito difícil na vida
é conservar o cartaz.
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(Gilka Machado)
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Teus olhos, duas continhas,
douradas, suavemente;
duas pérolas, miudinhas,
neste rostinho luzente.
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(Antônio Bispo dos Santos)
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Maria Thereza de Andrade Cunha
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Fecho os olhos e a vejo que, ondulante
Como um salgueiro ao vento, fina e leve,
Lá se vai! Deixa apenas, flutuante,
A lembrança de um véu de “tule” e neve…
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Demorou-se tão pouco! Um curto instante!
Um curto instante, tão fugaz, tão breve!
Quem sabe, além, num palco mais distante,
Outro poema de ritmos descreve?
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Mas fica eternamente nos meus sonhos;
Vejo-a de olhos brilhantes e risonhos
Que nas asas do vento a cena corta.
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Impalpável… Comparo-a à luz e à espuma,
E a julgo, vendo-a leve como pluma,
A alma, talvez, de uma falena morta!
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Em: É primavera… escuta., Maria Thereza de Andrade Cunha, Rio de Janeiro, 1949.
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Maria Thereza de Andrade Cunha (RJ, RJ, 1927) Professora, poeta e trovadora.
Ilustração, Walt Disney.
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Se tens à frente uma estrada,
não passes por um atalho,
que a vida só é gozada
à custa de muito trabalho.
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(Luiz Evandro Innocêncio)
Ilustração, Maurício de Sousa.
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Faustino Nascimento
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De uma clareira à borda da floresta,
Que o sol transforma em rútila vinheta,
Toda de azul, como quem vai à festa,
Passa, bailando, a linda borboleta.
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Uma ninfa, talvez, fugindo à sesta,
Em busca de algum Pan, deusa faceta,
Toda beleza e graça manifesta,
Voejando, entre uma rosa e uma violeta.
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Não tenta conquistar as altitudes,
Transpor abismos e vencer taludes,
Pois nasceu borboleta e não condor…
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É que ela busca apenas a quem ama,
E despreza a riqueza, a glória e a fama,
Pois tem tudo na terra, tendo o amor…
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Em: Antologia Poética, Faustino Nascimento, Rio de Janeiro, Freitas Bastos: 1960, p.103.
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Antônio Faustino Nascimento (Missão Velha, CE, 1901-) advogado, magistrado, escritor, poeta, ensaísta, jornalista, tradutor. Em Fortaleza, fundou a revista Argus.
Obras
Juvenília, poesia, 1927
As Cosmogonias, ensaio, 1929
Paisagens sonoras, poesia, 1937
Ritmos do novo continente, poesia, 1939, 1943
Elogio do amor e da ilusão, poesia, 1941
Cantos da paz e da guerra, poesia, 1943
O refúgio sublime, poesia, 1945
Exortação, soneto em cinco idiomas, 1949
O sonho do fauno, poesia, 1950
Cântico ao nordeste, poesia, 1954
Caminhos do Infinito, poesia, 1956
A fonte de Afrodite, poesia, 1958
A Alvorada, cântico a Brasília, 1958
Antologia poética, 1960
A vida, o amor e a ilusão, poesia, 1962
A terra de Israel, ensaios, 1967
Oriente e ocidente, história, 1973
O muro do jardim, 1910
John Singer Sargent (EUA, 1856-1925)
Aquarela e grafite sobre papel, 40 x 53 cm
Museu de Belas Artes, Boston
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B. Lopes
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Velho muro da chácara! Parcela
Do que já foste: resto do passado,
Bolorento, musgoso, úmido, orlado
De uma coroa víride e singela.
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Forte e novo eu te vi, na idade bela
Em que, falando para o namorado,
Tinhas no ombro de pedra debruçado
O corpo senhoril de uma donzela…
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Linda epoméia te bordava a crista;
Eras, ao luar de leite, um linho albente,
Folha de prata, ao sol, ferindo a vista.
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Em ti pousava a doce borboleta…
E quantas noites viste, ermo e silente,
Romeu beijando as mãos de Julieta!
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Em: Antologia dos poetas brasileiros da fase parnasiana, ed. Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do livro: 1951.
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Vocabulário:
Víride: verde, uso poético
Epoméia: ver ipoméia, trepadeira rústica comum em terrenos baldios, também conhecida como jitirana, jetirana, corriola, campainha, corda-de-viola.
Albente: que alveja, que embranquece
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Bernardino Lopes, pseudônimo B. Lopes (Rio Bonito, RJ, 1859 — RJ,1916) foi um poeta brasileiro de diferentes tendências literárias na passagem do século XIX ao XX. Foi funcionário do Correio Geral, Membro da boemia intelectual carioca foi um poeta de transição do fim do romantismo. Ficou muito conhecido pelos seus sonetos parnasianos. Tem grande afinidade com os simbolistas.
Obras:
Cromos (1881) – 2ª Edição 1896
Pizzicatos – “Comédia Elegante” (1886)
Brasões (1895)
Sinhá Flor (1899)
Val de Lírios (1900)
Helenos (1901)
Plumário (1905)
Poesias Completas (1945)
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A teia se expande e estica
porque a aranha o fio tece.
O milagre não se explica
e simplesmente acontece.
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(José Augusto Fernandes)
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Reynaldo Valinho Alvarez
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Abro a janela e solto-me no espaço.
A vida é um pátio aberto em plena escola,
para onde eu vou, com pasta e com sacola,
toda manhã, de sol ou de mormaço.
Queria ser igual ao Homem-Aço,
para voar mais alto do que a mola
que tenho no meu peito ou do que a bola
que impulsiono a correr e sem cansaço.
Na linha das montanhas, me liberto
e eis que percorro todo o espaço aberto,
como no pátio alegre do recreio.
Sou mais que o Super-Homem, pois não tenho
os limites quadrados do desenho,
para conter meu vôo e meu anseio.
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Em: Galope do Tempo, Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro: 1997, p. 83.
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Reynaldo Valinho Alvarez (RJ, RJ, 1931) Formado em Letras Clássicas, Direito, Economia e Administração. Prêmios da Academia Brasileira de Letras, do Instituto Nacional do Livro, a Fundação Biblioteca Nacional, a Fundação Cultural do Distrito Federal, a União Brasileira de Escritores, a Câmara Brasileira do Livro, a Fundação Catarinense de Cultura, o Conselho Estadual de Cultura do Rio de Janeiro, entre outros.
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Algumas Obras:
Cidade em grito, 1973
Roteiro solidão, 1979
Canto em si e outros cantos, poesia, 1979
As aventuras de Princês, o príncipe sem medo, infanto-juvenil, 1979, 1982
O Solitário gesto de viver, poesia, 1980, 2000
Solo e subsolo, poesia, 1981
O sol nas entranhas, poesia, 1982
Quem sabe o sim sabe o não, 1982
Monteiro Lobato: escritor e pedagogo, 1982
Calatrava, 1983
Gabrilofe, 1984
Pássaro sem asas, memória do abismo, romance, 1984
O grande guru, 1986
Ladrão que rouba ladrão, 1987, 2002
Um índio caiu do céu, infanto-juvenil, 1988
O dia em que os bichos votaram, 1989, 2004
A incrível peleja do pinto calçudo, 1990, 1996, 2000
O A-Bê-Cê da Nanica, 1994, 2003
O continente e a ilha, poesia, 1995
Chutando estrelas, 1995
Eu digo Rio e sorrio, 1997
Guerra dos humildes, 1997
Galope do tempo, poesia, 1997
A faca pelo fio, poesia, 1999
Das rias ao mar oceano, 2000
O tempo e a pedra, poesia, 2002
Lavradio, 2004
O vôo de Cauã, 2004
Corta a noite um gemido, poesia, 2007
Janeiros com rios, poesia, s/d
Canato ( SP, Brasil, 1985)
Óleo sobre tela, 80 x 100 cm
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A cantiga da mucama,
que embalava o sinhozinho,
tinha mimo de quem ama,
de quem sofre tinha espinho.
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(Margarida Ottoni)
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Não creio ser necessário
explicar meu ideal…
— Por que é que canta o canário?
— Por que é que voa o pardal?
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( Moysés Augusto Torres)