Parece mesmo que vem chuva — poesia de Sílvio Ribeiro de Castro

11 08 2010

Um dia de chuva em Lexington, KY, 1898

Paul Sawyier (EUA, 1865-1917)

Parece mesmo que vem chuva

                                            Sílvio Ribeiro de Castro

Banho morno na banheira

ensopado cozinhando na panela

alvoroço nas folhas da palmeira

vento sul entrou pela janela

antes do almoço, uma bagaceira

a tarde chegou num barco à vela

Parece mesmo que vem chuva

doce de banana com canela

na fruteira, um cacho de uvas

desenho inacabado numa tela

esquecido na cadeira, um par de luvas

sente saudades das mãos dela

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Bule de café na mesa, cesta de pão

um vaso de rosas amarelas

cachorrinho dormindo no chão

o livro de sonetos de Florbela

noite no meu quarto, solidão

um rosto de mulher numa aquarela

Em: Poesia Simplesmente, diversos autores, prefácio de Roberto Pontes, 1999.





Se ela soubesse ler, poema de Agenor Silveira

17 07 2010
Cartão postal, anúncio inglês para uma marca de chá.

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Se ela soubesse ler

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                                                 Agenor Silveira

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Se ela soubesse ler — que bom seria!

                Que bom!  com que prazer

E comoção meus madrigais leria,

                Se ela soubesse ler!

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Se soubesse escrever – oh!  que alegria

                Não havia de ser!

Que páginas de amor me escreveria

                Se soubesse escrever!

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Mas quantas outras, quantas, não podia

De estranha procedência receber!

E então – que horror!  Que grande horror seria,

Podia a todas elas responder,

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Permita o justo céu que a desalmada,

Que assim me soube o coração prender,

Aprenda a amar-me apenas, e mais nada,

Porque mais nada lhe convém saber…

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Agenor Silveira ( São Paulo, SP 1880 )– contista, poeta, filólogo, diplomado em direito, jornalista e advogado.

Obras: 

Quatro contos: Moeda antiga, 1912

Versos de bom e mau humor, 1919

Rimas, 1919

Colocação de Pronomes, 1920

Ouro de 24, 1927





O gato, poesia infantil de Vinícius de Moraes

29 06 2010

 

O gato

                         Vinícius de Moraes

Com um lindo salto

Lesto e seguro

O gato passa

Do chão ao muro

Logo mudando

De opinião

Passa de novo

Do muro ao chão

E pega corre

Bem de mansinho

Atrás de um pobre

De um passarinho

Súbito, pára

Como assombrado

Depois dispara

Pula de lado

E quando tudo

Se lhe fatiga

Toma o seu banho

Passando a língua

Pela barriga.

Vinícius de Moraes

Marcus VINÍCIUS da Cruz DE Melo e MORAES (RJ 1913-RJ 1980), diplomata, jornalista, poeta e compositor brasileiro.

Livros:

O caminho para a distância (1933)

Forma e exegese (1935)

Ariana, a mulher (1936)

Novos Poemas (1938 )

Cinco elegias (1943)

Poemas, sonetos e baladas (1946)

Pátria minha (1949)

Antologia Poética (1954)

Livro de Sonetos (1957)

Novos Poemas (II) (1959)

Para viver um grande amor (crônicas e poemas) (1962)

A arca de Noé; poemas infantis (1970)

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VÍDEO COM A MÚSICA DESSE POEMA, CANTADA POR MARINA LIMA


Poesia Completa e Prosa (1998 )





O vagalume, poesia, uso escolar, de Fagundes Varela

27 06 2010

Vagalumes, ilustração de Paige Keiser.

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O Vagalume

(Cantiga)

Fagundes Varela

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Quem és tu, pobre vivente,

Que vagas triste e sozinho,

Que tens os raios da estrela,

E as asas do passarinho?

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A noite é negra;  raivosos

Os ventos correm do sul;

Não temes que eles te apaguem

A tua lanterna azul?

Quando tu passas, o lago

De estranhos fogos esplende,

Dobra-se a clícia amorosa,

E a fronte mimosa pende.

As folhas brilham, lustrosas,

Como espelhos de esmeralda;

Fulge o iris nas torrentes

Da serrania na fralda.

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O grilo salta das sarças;

Piam aves nos palmares;

Começa o baile dos silfos

No seio dos nenufares.

A tribo das mariposas,

Das mariposas azuis,

Segue teus giros no espaço,

Mimosa gota de luz!

São elas flores sem  haste;

Tu és estrela sem céu;

Procuram elas as chamas;

Tu amas da sombra o véu!

Quem és tu, pobre vivente,

Que vagueias tão sozinho,

Que tens os raios da estrela,

E as asas do passarinho?

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Vocabulário:

Clícia — inseto de duas asas

Sarça — matagal

Silfo — gênio das florestas ( mitologia celta)

Nenúfar — planta aquática

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Fagundes Varela

Luís Nicolau Fagundes Varella, (RJ 1841 – RJ 1871) ou Fagundes Varela, poeta brasileiro e um dos patronos na Academia Brasileira de Letras.

Obras:

  • Noturnas – 1861
  • Vozes da América – 1864
  • Pendão Auri-verde – poemas patrióticos, acerca da Questão Christie.
  • Cantos e Fantasias – 1865
  • Cantos Meridionais – 1869
  • Cantos do Ermo e da Cidade – 1869
  • Anchieta ou O Evangelho nas Selvas – 1875 (publicação póstuma)
  • Diário de Lázaro – 1880




São João, poesia de Paulo Setúbal

17 06 2010

 Festa na roça, s/d

Papas Stéfanos ( Rhodes, Grécia, 1948, radicado no Brasil)

Óleo sobre tela, 60 x 80 cm

São João

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                            Paulo Setúbal

                                                           A Luiz Piza Sobº

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É noite…  O santo famoso,

O doce, o meigo S. João,

Tivera um dia glorioso,

Dia de festa e de gozo,

Que encheu de estrondo o sertão.

Já cedo, em meio aos clamores,

Aos vivas do poviléu,

Lindo, enramado de flores,

Um mastro de quentes cores,

Subira em triunfo ao céu!

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E agora, enquanto, alva e lesta,

Palpita a lua hibernal,

Na fazenda, toda festa,

Referve a alegria honesta

Da noite tradicional.

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Dentro, com grande aparato,

Brilha enfeitado o salão:

Que há, nessa festa do mato,

Pessoas de fino trato,

Chegadas para o S. João…

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Destaca-se entre essa gente

A flor do mundo local:

O padre, o juiz, o intendente,

— O próprio doutor Vicente

Que é deputado estadual!

Ante o auditório pasmado,

Que, num enlevo, sorri,

A Isabelinha Machado

Batuca, sobre o teclado,

Uns trechos do Guarani…

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Tudo o que toca e assassina,

Recebe imensa ovação;

Todos, quando ela termina,

Põem-se a exclamar: ” Que menina!

Dá gosto!  Que vocação!”

 

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E ela, entre ingênua e brejeira,

Com ares de se vingar:

Agora, queira ou não queira,

Seu Saturnino Pereira

Há de também recitar.”

 

Surge, à força o Saturnino…

Rugem palmas ao redor!

É um tipo, esgalgado e fino,

Que sabe desdde menino,

Dizer Castro Alves de cor.

Na sala, muda e tranquila,

Tombam, com chama, os versos seus;

E ele, o letrado da vila,

Ao som da velha Dalila,

Lá vai: ” Foi desgraça, meu Deus...”

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Após ouvir a  estupenda

Flamância do seu falar,

No amplo salão da fazenda,

Os velhos jogos de prenda

Reclamam o seu lugar.

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Começa então a berlinda.

Risos. Cochichos. Zum-zum.

— De pé, donairosa e linda.

Pergunta a D. Florinda

Os dotes de cada um:

Por que razão, seu Martinho,

Foi à berlinda a Lelê?

— ” Porque olha muito ao vizinho”;

“Porque é má; porque é um anjinho”;

“Porque é vaidosa”; “porque…”

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E todo o mundo, a porfia,

Põe farpas na indiscreção…

E enquanto, ingênua e sadia,

Essa campônea alegria

Faz tumultuar o salão.

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Lá fora, alegre e gabola,

Nun terreiro de café,

Ao rude som da viola,

A caboclada rebola

Num tremendo bate-pé!

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A filha do Zé-Moreira

É o mimo deste São João;

À luz da rubra fogueira,

Requebra a guapa trigueira

Ao lado de Chico Peão.

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Candoca, a noiva do Jango,

Baila num passo taful;

É a flor que, nesse fandango,

Tem lábios cor de morango,

Vestido de chita azul.

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No sapateio se nota,

Aos risos dos que lá estão,

Nhô Lau, de esporas e bota.

Dançando junto à nhá Cota,

Viuva do Conceição….

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A voz do pinho que chora,

Por sob a paz do luar,

Fremindo vai, noite afora,

Essa alegria sonora

Da caboclada a bailar!

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E do salão, qua ainda brilha

Num faiscante esplendor,

Chegam os sons da quadrilha,

Que alguém ao piano dedilha

Com indomável furor.

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E no sarau campezino,

Nessa festa alegre e chã

Ruge a voz do Saturnino,

Que grita, esgalgado e fino:

Balancez!  Tour!  En avant...”

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Em: Alma cabocla, Paulo Setúbal, São Paulo, Ed. Carlos Pereira:s/d, 5ª edição [ Primeira edição foi em 1920]

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Paulo Setúbal

Paulo de Oliveira Leite Setúbal (São Paulo, 1893 — São Paulo, 1937), advogado, escritor brasileiro, trabalhou como colaborador do jornal O Estado de S. Paulo, deputado estadual de 1928 a 1930, renunciamdo ao mandato por ter agravada sua tuberculose.

Obras:

Alma cabocla, poesia, 1920

A marquesa de Santos, romance-histórico, 1925

O príncipe de Nassau, romance histórico, 1926

As maluquices do Imperador, contos-históricos, 1927

Nos bastidores da história, contos, 1928

O ouro de Cuiabá, história, 1933

Os irmãos Leme, romance, 1933

El-dourado, história, 1934

O romance da prata, história, 1935

O sonho das esmeraldas, 1935

Um sarau no Paço de São Cristóvão, 1936

A fé na formação da nacionalidade, ensaio, 1936

Confiteor, memórias, 1937





Os primeiros livros, poema de Bastos Tigre

9 06 2010
O livro do ABC, 1943, ilustrado por Ethel Hays ( EUA 1892-1989).

Os primeiros livros

                                                                                       Bastos Tigre

Um livro: — um lindo brinquedo

Que Bebê fica a mirar:

Cada página é um segredo

          A desvendar.

 

Livro de folhas escritas

E ilustradas — mais de cem!

Quantas histórias bonitas

          Ele contém!

 

Figuras de vivas cores,

Lindamente combinadas:

Casas, bichos, frutas, flores,

          Bruxas e fadas…

 

E a explicação disso tudo

Em grandes letras impressas!

Bebê, radiante no estudo,

          Firme, começa!

 

Essas letras, essas frases

Têm tais sentidos ocultos,

Que entender não são capazes

          Doutos adultos.

 

É preciso ter cinco anos

— E nem todo mundo os tem —

Para poder tais arcanos

          Penetrar bem.

 

Por leitura eu não entendo

O que eu faço e faz qualquer,

As letras do que está lendo

          Sem ver sequer.

 

Bebê cada letra estuda,

Em cada sílaba atenta,

Franzindo a testa sisuda,

          Descobre, inventa,

 

 Decifra um novo mistério

A cada voz que enuncia

Que estudo não há mais sério,

          De mais valia.

 

E é de notar-se o ar solene

Com que as silabas lê:

Já não confunde o “m” e o “n”,

          O “p” e o “q”…

 

Ei-lo que as letras combina,

Forma os sons e, num momento,

Vai-lhe a frase, da retina

          Ao pensamento.

 

Maravilha do alfabeto

Que dos arranjos de traços

Faz surgiur a idéia, o objeto!

          Novos espaços.

 

Abre à razão ignorante,

Dá-lhe asas de luz e a eleva,

Radiosa, para o levante,

          Longe da treva!

 

Que humano invento o suplanta?

Só um Deus pudera, em verdade,

Tal grandeza por em tanta

          Simplicidade.

 

Vendo-o tão simples, dir-se-ia

— Do nada tão pouco além…

Que humana sabedoria

          Do nada vem…

 

Quase-nada, gérmen ovo,

Do saber, célula mater,

Sem ele não tem um povo

          Alma, caráter…

 

                          ***

 

Mas Bebê quer tudo feito

Depressa; e anseia por ciência!

(Não é seu menor defeito

          O da impaciência).

 

E, antes que os frutos recolha

Da cultura, ah, quem dissera!

Todo o livro, folha a folha,

          Zás, dilacera!

 

 

 

Em: Meu bebê: poesias líricas ( Poemas da primeira infância), 1925. [Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras].





O esqueleto, poesia infantil de Walter Nieble de Freitas

3 06 2010

La Catrina, s/d

[La Catrina é um personagem folclórico do México]

 José Guadalupe Posada (México 1852-1913)

gravura aquarelada

O esqueleto

                                                      Walter Nieble de Freitas

Por causa de um esqueleto

Corri a não poder mais:

Assustado entrei em casa

E contei tudo a meus pais

“O esqueleto, seu bobinho,

Nunca foi assombração:

É ele um conjunto de ossos

Dispostos em armação.

Sua função principal

É manter o corpo ereto;

Tem cabeça, tronco e membros

Todo esqueleto completo.

Preste, pois, muita atenção,

Guarde bem, jamais se esqueça:

Somente de crânio e face

Se constitui a cabeça.

O tronco tem só três partes,

Vou dizer-lhe quais são elas:

A coluna vertebral,

O esterno e as costelas.

Os membros são conhecidos:

Os de cima superiores;

E os que servem para andar,

São chamados inferiores”.

Até agora não compreendo

Como é que fui tolo assim:

Correr de um pobre esqueleto

Tendo outro esqueleto em mim!

 Em Barquinhos de papel: poesias infantis, São Paulo, Editora Difusora Cultural:1961.

 

 

 

Walter Nieble de Freitas ( Itapetininga, SP)  Poeta e educador, foi diretor do Grupo Escolar da cidade de São Paulo.

Obras:

Barquinhos de papel, poesia, 1963

Mil quadrinhas escolares, poesia, 1966

Desfile de modas na Bicholândia, 1988

Simplicidade, poesia, s/d

Chico Vagabundo e outras histórias, 1990

O esqueleto humano





Quadrinha infantil do mar e do pescador

20 04 2010

pescador, Lucille HollingIlustração, Lucille Holling.

Quem vai ao mar deitar rede,

que tome cuidado, tome!

O mar nunca teve sede,

mas nunca vi tanta fome!

(Eno Teodoro Wanke)





Este lago sereno — poesia de Ladyce West

5 04 2010

 

Fantasia tropical —  Foto: Ladyce West, Jardim Botânico,  Rio de Janeiro.

Este lago sereno

 

                                                                                        Ladyce West 

Este lago sereno exerce uma atração,

Uma obsessão misteriosa,

Alucinante em mim.

Um desejo de mergulhar na sua profundeza,

De me perder em seu mistério,

De desaparecer na paisagem tranqüila,

Pintada em suas águas sombrias,

Sossegadas, calmas e imóveis.  

Seu silêncio me hipnotiza e seduz.

Este lago manso me mesmeriza

No tratar invertido da natureza:

A dupla imagem, a ambigüidade.

Céu e água. Água e céu.

O reflexo do vôo de um pássaro no ar…

Um  peixe fugidio a nadar?

Verso e reverso.  Corpo e alma.

Inferno e paraíso.

Meu mundo unido num só horizonte.

 —

© Ladyce West, 2006, Rio de Janeiro — Em: À meia voz.





Quadrinha infantil: conselho para plantar

31 03 2010

Ilustração, Maurício de Sousa.

Se um dia necessitares

Uma árvore derrubar,

Tu deves, no mesmo instante,

Plantar outra em seu lugar

(Walter Nieble de Freitas)