Primavera, poema de Olegário Mariano

9 09 2011

Ilustração assinada como MEE.

Primavera

                                               Olegário Mariano

Terra florida.  Estação nova.  Tanta

Vida em redor!  Ser folha quem dera!

Cada arbusto que vejo é uma garganta,

Um grito de entusiasmo à Primavera!

Bendito o sol que no alto céu flameja

E desce em fogo pelas serranias…

O sol é um velho sátiro que beija

Sofregamente as árvores esguias.

Anda, toto pelo ar, espanejante,

Um enxame fantástico de abelhas

Que estonteadoramente paira diante

De corolas e pétalas vermelhas.

Vida para o trabalho!  Ouve-se o coro

Dos lavradores e das raparigas…

Ondula ao sol, como um penacho de ouro,

A cabeleira fulva das espigas.

Primavera! No teu aspecto antigo,

Alucinante e triste muitas vezes,

Quando chegas pelo ar trazes contigo

Calma e fartura para os camponeses.

Dá arrepios fortes e desejos…

Teu nome é seiva, é força, é mocidade…

A terra anda a clamar pelos teus beijos

Que são sementes da fecundidade.

Em: Toda uma vida de poesia: poesias completas, Olegário Mariano, vol 1 ( 1911-1931), Rio de Janeiro, José Olympio:1957

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (Brasil, 1889 — 1958) Usou também o pseudônimo João da Avenida, poeta, político e diplomata brasileiro. Em 1938, foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros, substituindo Alberto de Oliveira que morrera e que, por sua vez, havia substituído Olavo Bilac. Membro da Academia Brasileira de Letras.

Obras:

Angelus , 1911

Sonetos, 1921

Evangelho da sombra e do silêncio, 1913

Água corrente, com uma carta prefácio de Olavo Bilac, 1917

Últimas Cigarras, 1920

Castelos na areia, 1922

Cidade maravilhosa, 1923

Bataclan, crônicas em verso, 1927

Canto da minha terra, 1931

Destino, 1931

Poemas de amor e de saudade, 1932

Teatro, 1932

Antologia de tradutores, 1932

Poesias escolhidas, 1932

O amor na poesia brasileira, 1933

Vida Caixa de brinquedos, crônicas em verso, 1933

O enamorado da vida, com prefácio de Júlio Dantas, 1937

Abolição da escravatura e os homens do norte, conferência, 1939

Em louvor da língua portuguesa, 1940

A vida que já vivi, memórias, 1945

Quando vem baixando o crepúsculo, 1945

Cantigas de encurtar caminho, 1949

Tangará conta histórias, poesia infantil, 1953

Toda uma vida de poesia, 2 vols., 1957





Ipiranga, poesia para o Dia da Independência, Bastos Tigre

5 09 2011

Paisagem do Campo do Ipiranga, 1893

 Antônio Parreiras (Brasil, 1860-1937)

Óleo sobre tela, 100 x 147 cm

Museu do Ipiranga, USP

Ipiranga

                        7 de setembro

                       Proclamação da Independência

Era arroio humilde e pequenino,

A deslizar, tranquilo e mansamente

Sem ideais e sem destino,

Sem ambições no coração de água corrente.

Boiadeiros, tangendo, nas estradas,

Cansadas reses, em jornadas lentas,

Buscavam-te por vezes.  E as boiadas

Bebiam, ávidas, sedentas,

Tuas águas barrentas.

Ipiranga, outro préstimo não tinhas.

Riacho, ribeiro, córrego, regato…

Jamais se soube de onde vinhas,

A serpentear dentro do agreste mato.

Jamais se soube aonde ias,

Rolando molemente nos calhaus,

A tua vida sempre igual, todos os dias,

Sem dias bons, sem dias maus.

No teu sono de rio preguiçoso

Não pensaste, jamais, que, num surto triunfal,

Chegarias a ter neste apogeu glorioso

Os fidalgos brasões de nobrreza fluvial.

E em radiosa manhã de setembro, eis que, ousado,

A tua timidez de córrego abandonas

E penetras na história audaz, transfigurado

Em possante caudal, desafiando o Amazonas.

E do teu curso, então, muda-se a trajetória;

E demarcas com ela, heril e sobranceiro,

Nos novos mapas da brasileira história.

A linha divisória

Entre Brasil-colônia e o Brasil brasileiro.

Ipiranga! Que importa, acaso, a procedência

A origem do teu nome?  Ipiranga, em verdade,

No idioma do Brasil traduz Independência,

Na língua nacional quer dizer: Liberdade!

Rio imenso, o Brasil cortas de sul a norte

E entram pelos sertões teus afluentes, aos mil.

Na voz d’água clamando.  Independência ou Morte.

Nas cachoeiras cantando o nome do Brasil.

Em: Antologia Poética, Bastos Tigre, 2 vols, Rio de Janeiro, Ed. Francisco Alves: 1982.

Manoel Bastos Tigre nasceu no Recife em 1882.  Formou-se em engenheiro pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro.  Mas dedicou-se às letras.  Estreou na imprensa carioca em 1902, no Correio da Manhã, onde manteve uma coluna humorística diária: Pingos e Respingos, até a sua morte em 1957.  Foi o primeiro bibliotecário brasileiro por concurso o que lhe valeu o título e Patrono dos Bibliotecários do Brasil.





Canto de minha terra, poesia de Olegário Mariano, para a Semana da Pátria

1 09 2011

Simplicidade, s/d

Reinaldo de Almeida Barros ( Brasil, contemporâneo)

acrílica sobre papel

Reinaldo de Almeida Barros

Canto de minha terra

Olegário Mariano

Amo-te, ó minha terra, por tudo o que me tens dado:

Pelo azul do teu céu,  pelas tuas árvores, pelo teu mar;

Pelas estrelas do Cruzeiro que me deixam anestesiado,

Pelos crepúsculos profundos que põem lágrimas no meu olhar.

Pelo canto harmonioso dos teus pássaros, pelo cehiro

Das tuas matas virgens, pelo mugido dos teus bois;

Pelos raios do sol, do grande sol que eu vi primeiro…

Pelas sombras das tuas noites, noites ermas que eu vi depois.

Pela esmeralda líquida dos teus rios cristalinos,

Pela pureza das tuas fontes, pelo brilho dos teus arrebóis;

Pelas tuas igrejas que respiram pelos pulmões dos sinos,

Pelas tuas casa lendárias, onde amaram nossos avós;

Pelo ouro que o lavrador  arranca de tuas entranhas,

Pela bênção que o poeta recebe do teu céu azul.

Pela tristeza infinita, infinita das tuas montanhas,

Pelas lendas que vêm do norte, pelas glórias que vêm do sul.

Pelo trapo da bandeira que flamula ao vento sereno,

Pelo teu seio maternal onde a cabeça adormeci,

Sinto a dor angustiada de ter o coração pequeno

Para conter a onda sonora que canta de mor por ti.

Em: Criança brasileira: quarto livro de leitura, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1949

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (Brasil, 1889 — 1958) Usou também o pseudônimo João da Avenida, poeta, político e diplomata brasileiro.  Em 1938, foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros,  substituindo Alberto de Oliveira que morrera e que, por sua vez, havia substituído Olavo Bilac.  Membro da Academia Brasileira de Letras.

Obras:

Angelus , 1911

Sonetos, 1921

Evangelho da sombra e do silêncio, 1913

Água corrente, com uma carta prefácio de Olavo Bilac, 1917

Últimas Cigarras, 1920

Castelos na areia, 1922

Cidade maravilhosa, 1923

Bataclan, crônicas em verso, 1927

Canto da minha terra, 1931

Destino, 1931

Poemas de amor e de saudade, 1932

Teatro, 1932

Antologia de tradutores, 1932

Poesias escolhidas, 1932

O amor na poesia brasileira, 1933

Vida Caixa de brinquedos, crônicas em verso, 1933

O enamorado da vida, com prefácio de Júlio Dantas, 1937

Abolição da escravatura e os homens do norte, conferência, 1939

Em louvor da língua portuguesa, 1940

A vida que já vivi, memórias, 1945

Quando vem baixando o crepúsculo, 1945

Cantigas de encurtar caminho, 1949

Tangará conta histórias, poesia infantil, 1953

Toda uma vida de poesia, 2 vols., 1957





O dia abriu seu pára-sol bordado, soneto de Mário Quintana

31 08 2011

A pequena comunidade, 1983

Inimá de Paula ( Brasil, 1918-1999)

óleo sobre tela, 50 x 40 cm

O dia abriu seu pára-sol bordado

                                            Mário Quintana

O dia abriu seu pára-sol bordado

de nuvens e de verde ramaria.

E estava até um fumo, que subia,

mi-nu-ci-o-sa-men-te desenhado.

Depois surgiu, no céu arqueado,

a Lua – a Lua! – em pleno meio-dia.

Na rua, um menininho que seguia

parou, ficou a olhá-lo admirado…

 –

Pus meus sapatos na janela alta,

sobre o rebordo… Céu é que lhes falta

pra suportarem a existência rude!

 –

E eles sonham, imóveis, deslumbrados,

que são dois velhos barcos, encalhados

sobre a margem tranquila de um açude…

Mário de Miranda Quintana – (RS 1906 – RS 1994) poeta, tradutor e jornalista.

Obras:

– A Rua dos Cata-ventos (1940)

– Canções (1946)

– Sapato Florido (1948)

– O Batalhão de Letras (1948)

– O Aprendiz de Feiticeiro (1950)

– Espelho Mágico (1951)

– Inéditos e Esparsos (1953)

– Poesias (1962)

– Antologia Poética (1966)

– Pé de Pilão (1968) – literatura infanto-juvenil

– Caderno H (1973)

– Apontamentos de História Sobrenatural (1976)

– Quintanares (1976) – edição especial para a MPM Propaganda.

– A Vaca e o Hipogrifo (1977)

– Prosa e Verso (1978)

– Na Volta da Esquina (1979)

– Esconderijos do Tempo (1980)

– Nova Antologia Poética (1981)

– Mario Quintana (1982)

– Lili Inventa o Mundo (1983)

– Os melhores poemas de Mario Quintana (1983)

– Nariz de Vidro (1984)

– O Sapato Amarelo (1984) – literatura infanto-juvenil

– Primavera cruza o rio (1985)

– Oitenta anos de poesia (1986)

– Baú de espantos ((1986)

– Da Preguiça como Método de Trabalho (1987)

– Preparativos de Viagem (1987)

– Porta Giratória (1988)

– A Cor do Invisível (1989)

– Antologia poética de Mario Quintana (1989)

– Velório sem Defunto (1990)

– A Rua dos Cata-ventos (1992) – reedição para os 50 anos da 1a. publicação.

– Sapato Furado (1994)

– Mario Quintana – Poesia completa (2005)





Roupa na corda, poesia de Jorge de Lima

27 08 2011

Roupa estendida, 1944

Eliseu Visconti (1866-1944)

óleo sobre tela  67 x 82 cm

Coleção Particular

Roupa na corda

                                Jorge de Lima

No fio de arame

tem roupa estendida,

tem roupa na corda,

ceroulas e cuecas

que dizem coisas brejeiras

às calçolas da sinhá

                   sinhá, sinhá

                   toma vento

                   senão vem um pé-de-vento

                   e carrega com sinhá!

no fio de arame

tem roupa pingando água,

deixa pingar

não faz mal nenhum…

Em: Poesias completas, vol. IV, Jorge de Lima, Rio de Janeiro, José Aguilar:1974

Jorge Mateus de Lima (União dos Palmares, AL, 23 de abril de 1893 — Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1953) foi político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor e pintor brasileiro.

Obras:

Poesia: 

XIV Alexandrinos (1914)

O Mundo do Menino Impossível (1925)

Poemas (1927)

Novos Poemas (1929)

O acendedor de lampiões (1932)

Tempo e Eternidade (1935)

A Túnica Inconsútil (1938)

Anunciação e encontro de Mira-Celi (1943)

Poemas Negros (1947)

Livro de Sonetos (1949)

Obra Poética (1950)

Invenção de Orfeu (1952)

Romance: 

O anjo (1934)

Calunga (1935)

A mulher obscura (1939)

Guerra dentro do beco (1950)





Os quatro ventos, poesia infantil de Henriqueta Lisboa

20 08 2011

Quatro Cavalos, ilustração de Maggie Anthony.

Os quatro ventos

Henriqueta Lisboa

Vento do Norte

vento do Sul

vento do Leste

vento do Oeste.

 

Quatro cavalos

em pêlo.

Quatro cavalos

de longas crinas,

de longas caudas,

narinas sôfregas

bufando no ar.

 

Quatro cavalos

que ninguém doma,

quatro cavalos

que vêm e vão,

que não descansam,

de asas e patas

varrendo os céus.

 

Cavalos sem dono,

cavalos sem pátria,

cavalos ciganos

sem lei nem rei.

 

Quatro cavalos em pêlo.





O filho de Sto Antônio, poema de Fagundes Varela

11 06 2011

Santo Antônio, 2009

Gustavo Rosa (Brasil, 1946 – 2013)

Gravura, 80 x 65cm

O filho de Stº Antônio

(canção de um devoto)

……….Fagundes Varela

Bem sei, criança estouvada

Que por artes do demônio,

Furtaste, a noite passada,

O filho de Santo Antônio!

E sem medo, sem piedade,

Cheia de um ímpio alvoroço,

O mimo do pobre  frade

Correste a esconder no poço!

Arrepende-te.  Chiquinha,

Vida minha,

Minha linda tentação!

A divindade perdoa,

Terna e boa,

Os erros do coração.

Ah! que fizeste, insensata?

Demo gentil, que fizeste?

Por causa de um’alma ingrata

Tu’alma pura perdeste!

Tira depressa a criança

Do frio asilo onde está,

Tem nos santos esperança,

Que teu amor voltará.

Ainda é tempo, Chiquinha,

Rola minha,

Minha rosada ilusão!

A divindade perdoa,

Terna e boa,

Os erros do coração.

Acende uma vela benta

Junto ao santo que ofendeste,

Lançando a mão violenta

Contra o pirralho celeste.

Leva-lhe linda toalha

Cheia de finos bordados,

Talvez a oferta lhe valha

O olvido dos teus pecados.

Não te demores, Chiquinha,

Trigueirinha,

Que tens por cetro a paixão!

A divindade perdoa,

Terna e boa,

Os erros do coração.

E quando alcançado houveres

A remissão, minha vida,

Mais formosa entre as mulheres,

Vem, mimosa arrependida,

Vem que o santo receoso

De novo furto, quiçá,

Velará por teu repouso,

Nosso amor protegerá…

Não percas tempo Chiquinha!

Glória minha!

Minha dourada visão!…

A divindade perdoa,

Terna e boa,

Os erros do coração.

Luís Nicolau Fagundes Varella, (RJ 1841 – RJ 1871) ou Fagundes Varela, poeta brasileiro e um dos patronos na Academia Brasileira de Letras.

Obras:

  • Noturnas – 1861
  • Vozes da América – 1864
  • Pendão Auri-verde – poemas patrióticos, acerca da Questão Christie.
  • Cantos e Fantasias – 1865
  • Cantos Meridionais – 1869
  • Cantos do Ermo e da Cidade – 1869
  • Anchieta ou O Evangelho nas Selvas – 1875 (publicação póstuma)
  • Diário de Lázaro – 1880




A banana, poema de Sônia Carneiro Leão

11 04 2011

Campo de Batalha 5 , 1973

Antônio Henrique Amaral ( Brasil, 1935-2015)

óleo sobre tela, 182 x 234cm

A banana

Sônia Carneiro Leão

A fruta mais descarada

da espécie vegetal,

exibicionista, safada,

a mais amada,

preferência nacional.

Nasce, assim, sem respeito,

em qualquer parte,

de qualquer jeito,

em qualquer quintal

onde houver

um sol tropical.

Em terras baianas,

pernambucanas,

nossa República das Bananas.

Verdadeiro tesouro:

banana-prata, banana-ouro.

Chiquita bacana.

Banana querida,

banana amiga,

da nossa barriga.

Banana brasileira,

te como toda,

te como inteira.

Em: Respostas ao criador das frutas, Sônia Carneiro Leão, Recife: 2010.

Sônia Carneiro Leão nasceu no Rio de Janeiro, mas reside em Recife.  Psicanalista, escritora, poetisa, contista  e tradutora.





Vida de flor, poema de Fagundes Varela, 1861

17 03 2011

 

Flores, 1961

Agostinho Batista de Freitas ( Brasil, 1927-1997) 

óleo sobre tela,  50 x 70 cm

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Vida de flor

                             Fagundes Varela

Por que vergas-me a fronde sobre a terra,

Diz a flor da colina ao manso vento,

SE apenas às manhãs o doce orvalho

          Hei gozado um momento?

Tímida ainda, nas folhagens verdes

Abro a corola à quietação das noites,

Ergo-me bela, me rebaixas triste

          Com teus feros açoites!

Oh! Deixa-me crescer, lançar perfumes,

Vicejar das estrelas à magia,

Que minha vida pálida se encerra

          No espaço de um dia!

Mas o vento agitava sem piedade

A fronte virgem da formosa flor,

Que pouco a pouco se tingia, triste,

          De mórbido palor.

Não vês, ó brisa?  lacerada, murcha,

Tão cedo ainda vou pendendo ao chão,

E em breve tempo esfolharei já morta

          Sem chegar ao verão?

Tem piedade de mim!  Deixa-me ao menos

Desfrutar um momento de prazer,

Pois que é meu fado despontar n’aurora

          E ao crepúsc’lo morrer!…

Brutal amante não lhe ouviu as queixas,

Nem às suas dores atenção prestou,

E a flor mimosa, retraindo as pétalas,

          Na tige se inclinou.

Surgiu n’aurora,   não chegou à tarde,

Teve um momento de existência só!

A noite veio, procurou por ela,

          Mas a encontrou no pó.

Ouviste, ó virgem, a legenda triste

Da flor do outeiro e seu funesto fim?

Irmã das flores à mulher, às vezes,

          Também sucede assim.

São Paulo, 1861

 

Luís Nicolau Fagundes Varella, (RJ 1841 – RJ 1871) ou Fagundes Varela, poeta brasileiro e um dos patronos na Academia Brasileira de Letras.

Obras:

  • Noturnas – 1861
  • Vozes da América – 1864
  • Pendão Auri-verde – poemas patrióticos, acerca da Questão Christie.
  • Cantos e Fantasias – 1865
  • Cantos Meridionais – 1869
  • Cantos do Ermo e da Cidade – 1869
  • Anchieta ou O Evangelho nas Selvas – 1875 (publicação póstuma)
  • Diário de Lázaro – 1880




Pirilampos, poesia infantil de Henriqueta Lisboa

12 03 2011

Ilustração, Vagalumes, de Leslie Harrington.

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Pirilampos

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Henriqueta Lisboa

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Quando a noite

vem baixando,

nas várzeas ao lusco-fusco

e na penumbra das moitas

e na sombra erma dos campos,

piscam piscam pirilampos.

São pirilampos ariscos

que acendem pisca-piscando

as suas verdes lanternas,

ou são claros olhos verdes

de menininhos travessos,

verdes olhos semitontos,

semitontos mas acesos

que estão lutando com o sono?

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Henriqueta Lisboa (MG 1901- MG 1985), poeta mineira. Escritora, ensaísta,  tradutora professora de literatura,  Com Enternecimento (1929), recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras.  Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.

Obras:

Fogo-fátuo (1925)

Enternecimento (1929)

Velário (1936)

Prisioneira da noite (1941)

O menino poeta (1943)

A face lívida (1945) — à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano

Flor da morte (1949)

Madrinha Lua (1952)

Azul profundo (1955);

Lírica (1958)

Montanha viva (1959)

Além da imagem (1963)

Nova Lírica ((1971)

Belo Horizonte bem querer (1972)

O alvo humano (1973)

Reverberações (1976)

Miradouro e outros poemas (1976)

Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra (1977)

Pousada do ser (1982)

Poesia Geral (1985), reunião de poemas selecionados pela autora do conjunto de toda a obra, publicada uma semana após o seu falecimento.