Imagem de leitura — Karl Hofer

1 02 2016

 

 

Karl Hofer. Lesestunde (1953)Estudando, 1953

Karl Hofer (Alemanha, 1878-1955)

óleo sobre tela





Domingo, poesia de Olavo Bilac

31 01 2016

 

 

BUSTAMANTE SÁ, Rubens Forte (1907 - 1988) - Figuras no cotidiano, o.s.t. - 46 x 56 cm.Figuras no cotidiano

Rubens Bustamante Sá (Brasil, 1907-1988)

óleo sobre tela, 46 x 56 cm

 

 

Domingo

 

Olavo Bilac

 

 

Domingo… Os sinos repicam

Na igreja, constantemente,

E todas as ruas ficam

Alegres, cheias de gente.

 

Todo um dia de ventura…

Como o domingo seduz!

O homem, cansado, procura

Ter paz, ter ar, e ter luz.

 

Paradas e sem trabalho,

Dormem na roça as enxadas;

Dormem a bigorna e o malho

Nas oficinas fechadas.

 

Também, meninos cansados,

Os vossos livro deixai!

Deixai lições e ditados!

Dormi! Sorride! Cantai!

 

Fechem-se as aulas! E o bando

Ruidoso das criancinhas

Livre se espalhe, voando,

Como um bando de andorinhas!

 

Deus, quando o mundo fazia,

Sete dias trabalhou,

E ao fim do sétimo dia

Do trabalho descansou…

 

 

Em: Poesias infantis, Olavo Bilac, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1949, 17 ª edição, pp- 47-8.





Resenha: Setembros de Shiraz, de Dalia Sofer

30 01 2016

 

 

Fakhraddin Mokhberi (Irã, 1965) ostEstudando

Fakhraddin Mokhberi (Irã, 1965)

óleo sobre tela, 50 x 60 cm

 

 

 

Leio hoje que a Itália, ao receber o presidente iraniano, cobriu as antigas obras de arte de nus e não serviu vinhos para não ofender o visitante, ao passo que a França fez justamente o contrário, não cedeu às imposições geradas pelo ortodoxismo islâmico. Essas ações mostram como a leitura que fiz nessa semana, Setembros de Shiraz, está atualizada e nos ajuda a entender o momento presente.  O texto de Dalia Sofer se concentra no período imediatamente após a queda do Xá da Pérsia [Irã]. E descreve os problemas dos cidadãos persas que não seguiam os preceitos da nova teocracia, uma ditadura com a intenção de acabar com qualquer vestígio de influência cultural fora do islamismo.

A autora é descendente de uma dessas famílias e emigrou da Pérsia para os Estados Unidos. Lá elas encontraram um lugar em que puderam manter intactas tanto a herança cultural, quanto sua religião. Dalia Sofer é judia e o personagem principal do livro, Isaac Amin, foi baseado nas experiências sofridas por seu pai, preso pelo regime instalado na revolução iraniana de 1979.

 

 

SETEMBROS_DE_SHIRAZ_1388426038B

 

Ditaduras são sempre iguais, sejam elas de direita, de esquerda ou religiosas, ou ambas. Elas interferem nos direitos essenciais dos seres humanos.  Cortam a liberdade do pensamento.  Cansamos de ver ditaduras no século XX, Alemanha, Rússia, China, Cuba, Brasil, Chile,Venezuela, Iraque, Irã são apenas algumas que ainda detêm grande parte da nossa memória coletiva. Ditaduras reduzem e deformam a grandiosidade da experiência humana. Definhamos sob seu domínio.  A comunidade judia que estava estabelecida há mais de quatro milênios na Pérsia foi uma das minorias atacadas pelos Aiatolás do novo regime. E sem boa causa essas famílias que ajudaram a formar a história do lugar foram singularmente destacadas para sacrifício, prisão e morte nas cadeias, numa continuação tardia de atos semelhantes da Segunda Guerra Mundial na Europa.  Por isso mesmo a história de Isaac Amin e sua família, que se assemelha a tantas outras vindas da Pérsia nesse período, precisa ser contada e recontada para que não se esqueça os fundamentos, as raízes mesmo, do pensamento ocidental.

 

 

Dalia SoferDalia Sofer

 

Setembros de Shiraz faz esse trabalho. Detalha a vida diária de uma família de um comerciantes judeu, classe média alta, que é mandado para a prisão por causa nenhuma a não ser por ter servido ao Xá, por manter bebidas alcoólicas em casa, por ter posse de objetos de luxo, por ter parentes em Israel, por conseguir pensar além dos horizontes locais. Conhecemos a vida dos filhos, da esposa, dos pais de Isaac Amin, dos empregados.  Sabemos das vantagens e das dificuldades que eles passaram antes e depois da prisão e conseguimos reconstruir, sem nunca termos ido ao Irã, como seria essa vida.  O livro é detalhado nesse aspecto e a narrativa flui em pequenos capítulos cobrindo da vida diária no Irã às aventuras de sobrevivência do filho do casal estudante nos EUA.

O que faltou nesse livro: melhor resolução dos conflitos.  Talvez, porque esteja tão baseado na vida de seus pais, e como a vida nem sempre se resolve por grandes atos, mas por acomodação paulatina a uma nova realidade, a narrativa perde impacto no final.  Até mesmo o romance do rapaz em Nova York com Rachel, uma menina de uma família judia ortodoxa, simplesmente se dissolve, perdendo o momento. Este é o meu grande senão sobre a obra, ela perde o ímpeto inicial.  Mas para quem tem curiosidade sobre a época, o livro oferece uma fatia interessante do dia a dia desse período no Irã, detalhada e complexa.

 





Imagem de leitura — Georg Schrimpf

29 01 2016

 

 

Georg_Schrimpf_Martha_1925-11Martha, 1925

Georg Schrimpf (Alemanha, 1889-1938)

óleo sobre tela

Pinakothek der Moderne, Munique





Turner, anotações de Murilo Mendes

28 01 2016

 

 

111turnePaisagem com rio e baía ao fundo, 1835-40

Joseph Mallord William Turner (GB, 1775-1851)

óleo sobre tela, 93 x 123 cm

Museu do Louvre, Paris

 

 

♦  Vive? Pseudônimo, isolado numa casa de Chelsea, domínio da desordem e da poeira. O irmão de Ruskin refere que nunca viu nada tão impressionante “desde Pompéia”.

 

♦  Ignoram-no os acadêmicos ou não. Entre sábado e segunda-feira eclipsa-se na periferia londrina, instala-se nos bordéis: decifrará ou não o enigma do sexo, suas cores mordentes?

 

♦  Habita, familiar, a faixa do relâmpago, as ruínas do maremoto, a chama extinta, o reino das ondas giróvagas, o balanço dos navios correlativos, a fantasmagoria de Veneza que dorme esquecida em si própria, auto-espectra, a subversão da luz. Não “representa” coisa alguma. O pincel clandestino precede a marcha do impressionismo.

 

♦  É William Turner. A luz interna e a luz externa conjugam-se no seu quadro, onde a manhã anoitece.

 

1973

 

Em: Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980, p. 217.





Domingo, um passeio no campo!

24 01 2016

 

 

CARLOS OSWALD - Paisagem - O.S.T. - 54 x 81 cm - assinado no ciePaisagem

Carlos Oswald (Brasil, 1882-1971)

óleo sobre tela, 54 x 81 cm





Mais três telas de Rafael Falco!

22 01 2016

 

 

Rafael Falco (Brasil, 1885-1967), Piçarras, otcp,30 x 20 cm, Col. Part. Fabiano WolffVista de Piçarras

Rafael Falco (Argélia/Brasil, 1885-1967),

óleo sobre tela colada em placa, 30 x 20 cm

Coleção Fabiano Wolff

[com localização e dedicatória no verso ao pintor EmílioWolff]

 

 

Em 2011, neste blog, lancei um pergunta sobre o pintor brasileiro Rafael Falco, que poucos conhecem por nome, mas que muitos conhecem pelas obras históricas tal como Tiradentes ante o carrasco, de 1941, que de vez em quando aparece na televisão como pano de fundo de entrevistas políticas porque faz parte do acervo da Câmara dos Deputados em Brasília.  Minha pergunta: por que conhecemos tão pouco a respeito de alguém cuja obra apareceu em verso de papel moeda, em ilustrações de livros de história?  [Rafael Falco, um pintor brasileiro. Alguém tem mais informações?] Esse questionamento levou a um interessante diálogo, de alguns anos, que permanece vivo até hoje com familiares do pintor, colecionadores e outros estudiosos da pintura brasileira.

Por causa desse questionamento informações adicionais foram publicadas sobre a obra de Rafael Falco como ilustrador da revista Caça e Pesca, cujas fotos foram gentilmente cedidas por Paulo Araújo de Almeida, chegaram ao blog em 2012. [Pintor Rafael Falco, ilustrador da revista Caça e Pesca]

 

 

Rafael Falco (Argelia-Brasil, 1885-1967), Natureza morta, ost, 44x 36cm, Col. Part. Fabiano WolffNatureza morta

Rafael Falco (Argélia-Brasil, 1885-1967)

óleo sobre tela, 44 x 36cm

Coleção Fabiano Wolff

 

 

Hoje voltamos ao assunto através da coleção particular de Fabiano Wolff que, atenciosamente, cedeu fotografias de três obras de Rafael Falco: a paisagem retratando o balneário de Piçarras em Santa Catarina,  a natureza morta com uva, garrafa e tacho de cobre e o retrato do pintor brasileiro Emílio Wolff, todos postados aqui.

 

Rafael Falco (Argelia-Brasil, 1885-1967), Retrato do pintor Emílio Wolff, 1952,ost, 44x 36cm, Col. Part. Fabiano WolffRetrato do pintor Emílio Wolf, 1952

Rafael Falco (Argélia-Brasil, 1885-1967)

óleo sobre tela, 44x 36 cm

Coleção Fabiano Wolff

[com data e dedicatória do pintor ao amigo pintor]

 

A técnica de Rafael Falco parece bastante influenciada pelo impressionismo.  Ainda que eu não tenha visto nenhuma dessas obras em pessoa, posso observar a pincelada solta, desprendida.  Há realce da luz.

Se você também tem uma obra de Rafael Falco, e gostaria de contribuir para esse tema por favor nos contate.  Tenha cuidado com a fotografia. Mande-me os detalhes das obras: técnica, tamanho, localização. E teremos grande prazer em continuar com o tema.





São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro!

20 01 2016

 

 

OSWALDO TEIXEIRA - São Sebastião - ost - 80 x 60São Sebastião

Oswaldo Teixeira (Brasil, 1905-1974)

óleo sobre tela, 80 x 60 cm

 

20 de janeiro, dia de São Sebastião: a cidade em festa!




Flores para um sábado perfeito!

16 01 2016

 

 

FLEXOR - óleo s tela, datado 1956, medindo 51 cm x 71 cm.Antúrios, 1956

Samson Flexor (Moldávia/Brasil, 1907-1971)

óleo sobre tela, 51 x 71 cm





Imagem de leitura — Elizabeth Peyton

16 01 2016

 

Elizabeth Peyton, L.A. (E.P.), 2004, autorretrato, osm, 35 x 30 cm, The Art Institute of ChicagoAutorretrato, 2004

Elizabeth Peyton (EUA, 1965)

óleo sobre madeira, 35 x 39 cm

The Art Institute of Chicago