O guarda-chuva tem cara de Natal? Sim, veja os cartões de Natal.

16 12 2011

Nos muitos e muitos anos que morei fora do Brasil, no hemisfério norte, pude verificar a ineficiência de um guarda-chuva como abrigo para a neve.  Na maior parte das vezes a neve não cai diretamente de cima para baixo como uma chuva pesada de verão.  Mais vezes do que se imagina, a neve mais ou menos que flutua, caindo levemente como se fosse feita de pluminhas, sem peso, indo em direções múltiplas, podendo até subir dependendo da brisa.  É, sem dúvida,  uma surpresa ver a quantidade de vezes em que o guarda-chuva é um elemento usado nos cartões de Natal.

Guarda-chuvas não oferecem nenhuma proteção possível para a neve, a não ser que seja uma neve muito pesada.  Fora do normal.  No entanto, o que acredito seja o caso, é simplesmente uma solução gráfica para o assunto.

Vejamos, uma paisagem com neve, com campos, telhados, árvores, tudo com neve, é um campo de brancos.  É um estudo nos diversos tons da cor branca e o guarda-chuva, oferece um pequeno campo de contraste, de uma cor forte que pode servir de fundo para a cena principal como mostra esse cartão de Natal francês.

O cartão acima, cujo desenho é provavelmente de origem alemã, dadas as semelhanças entre as crianças e as peças de porcelana decorativa Goebel, é um caso que parece demonstrar exatamente isso, num campo enorme de branco temos as carinhas dos nossos personagens colocadas numa moldura feita pelo semi-círculo do guarda-chuva que os abriga.  Este parece ser o caso em diversos cartões colocados a seguir:

Neste cartão com crianças inglesas de final de século XIX (ainda que eu ache que as letras são bem mais recentes…

Neste cartão com crinaças holandesas de virada do século XIX para o XX.

Neste cartão de Natal inglês

A este cartão de Natal francês dos anos 1960-70.  Tudo parece muito certinho, até que nos deparamos com as representações de Papai Noel no final do século XIX na Europa, um da Alemanha e os outros da Inglaterra.  Aí fica tudo sem explicação mesmo porque os cartões são repletos de cores e não precisariam de um campo de cor para constraste.  Vejam a seguir:

Tudo indica que Papai Noel é um homem vaidoso que mudou muito de roupas através das décadas e que entre seus accessórios temos o guarda-chuva.  Ele tem guarda-chuvas de muitas cores. E esse accessório o acompanha até hoje.

As crianças evidentemente adoram os guarda-chuvas… Aliás não deve ser isso não.  Os adultos adoram ver as crianças com guarda-chuvas, não é mesmo?

Mocinhas casadouras também parecem ser uma preferência:

Homens de neve, ou bonecos de neve parecem ter também muita necessidade de guarda-chuvas.  Mas com eles, acredito que a minha teoria inicial sobre a necessidade de se ter cores contrastantes prova ser correta.  Vejamos.

Até os pássaros e os gatinhos precisam se proteger com um guarda-chuvas no Natal





Presentes de Natal? Livros é claro! — A Peregrina recomenda quatro livros!

15 12 2011

Sim, dou livros de presente de Natal.  Talvez seja porque não consigo imaginar a vida sem eles.  Também acho que o livro certo para a pessoa certa faz milagres.  Para presente, se não sei especificamente o gosto ou o desejo do presenteado, prefiro dar livros que abram portas além dos best-sellers.  Livros que:

1 –  possam ser lidos tanto por homens como por mulheres

2 – que sejam bem escritos.

3 – que surpreendam

A minha lista de recomendações este ano é pequena mas excelente!

Traduzindo Hannah
de Ronaldo Wrobel

Sinopse

O sapateiro judeu Max Kutner é convocado para trabalhar na censura postal do regime Vargas, traduzindo cartas do iídiche para o português em busca de subversivos. Enquanto lida com o peso na consciência, Max se apaixona por uma desconhecida através de suas cartas e, determinado a encontrá-la, descobre mais do que pretendia – inclusive sobre si mesmo.

Editora: Record: 2010,  ISBN: 8501091146,  Páginas: 272

Instruções para salvar o mundo
de Rosa Montero

Sinopse

Num cenário de subúrbio, onde a noite reclama o seu território e os fantasmas reivindicam o seu espaço, um taxista viúvo que não consegue superar a perda da mulher, um médico desiludido, uma cientista anciã e uma belíssima prostituta africana sedenta de vida cruzam os seus caminhos, para nos obsequiarem com uma visita guiada ao mundo vertiginoso e convulso que cada um encerra dentro de si. Mas esta não é uma história de horrores, é antes uma fábula de sobreviventes, de quatro personagens que reúnem todos os elementos necessários para serem considerados uns desgraçados, que se movem nos mundos limítrofes à máfia, ao tráfico de mulheres brancas, e a universos virtuais como Second Life, mas que conseguem encontrar um apoio que lhes permite a remição e a saída das trevas que os mantinham prisioneiros.

Editora Nova Fronteira: 2011, ISBN: 9788520926567 Páginas: 288

O pintor de letreiros
de R. K. Narayan
Sinopse

Malgudi é uma efervescente pequena cidade no Sul da Índia, onde se respira a força da cultura tradicional indiana unida ao anseio de integração no mundo moderno e global, um lugar em que palavras como ética, democracia, liberdade sexual e igualdade entre os sexos, individualismo e bem comum não só têm importância e sentido, como não estão necessariamente em conflito com a tradição. Um fio percorre e conecta a vida de uma inteira comunidade – são os letreiros de Raman. Do advogado ao comerciante, do sacerdote ao charlatão, é a escrita que os une. Raman prepara os letreiros no seu ateliê de fundo de quintal, onde vive sozinho com a tia, numa casa à beira do rio. Durante as solitárias leituras vespertinas ou pedalando a bicicleta a serviço dos fregueses e à caça de novos clientes, sua imaginação prevalece e torna incoerentes as convicções e certezas que defende e apregoa, fazendo-o cair em frequentes contradições, que geram situações embaraçosas e hilariantes ao mesmo tempo. Porém este equilíbrio na rotina metódica do pintor de letreiros é rompido com a chegada de uma forasteira. Idealista e determinada, ela contrata os seus serviços e o envolve numa viagem cheia de aventuras pela zona rural. Durante o percurso, Raman realiza uma dupla travessia – a atribulada viagem num carro-de-boi e o mergulho insidioso pelos meandros da paixão carnal e do romantismo.

Editora: Guarda-Chuva: 2011,  ISBN: 9788599537190 Páginas: 252

O aprendizado da srta. Beatrice Hempel: diário de uma jovem professora
de Sarah Shun-lien Bynum

Se existe algo que a srta. Beatrice Hempel acredita é que ela é uma terrível professora. Para tentar reverter esse quadro, a jovem faz de tudo um pouco. Libera os alunos cinco minutos mais cedo às sextas-feiras, começa o ano sempre lendo um livro que fala sobre o quanto os pais podem ser malvados com os filhos e faz de conta que não ouve quando os alunos falam mal dos outros professores. Ela não poderia estar mais equivocada, como se percebe ao longo da leitura de O aprendizado da srta. Beatrice Hempel – Diário de uma jovem professora, finalista do PEN/Faulkner Award em 2009. Os alunos adoram a professora criada por Sarah Shun-Lien Bynum, uma das 20 melhores ficcionistas norte-americanas da atualidade, segundo a prestigiada revista New Yorker. Afinal, que outro professor seria capaz de oferecer à sétima série aquele livro de Tobias Wolff, repleto de palavrões? Nem mesmo os pré-adolescentes sentiram-se confortáveis no início. Porém, como os próprios pais e mães observaram na reunião de pais, havia muito tempo que os alunos não liam um livro de forma tão voraz – se é que alguma vez isso havia ocorrido. A própria Beatrice Hempel tinha uma atração especial por palavrões. Em casa, o pai a proibia terminantemente de dizê-los. Como descreve a autora, ela até desejou um dia se tornar uma pessoa de boca imunda, mas não teve muito sucesso. Ao longo das páginas, a jovem professora vai relatando situações aparentemente corriqueiras da escola, enquanto recupera aqui e ali lembranças de sua própria infância. Reflete que na escola as crianças são livres para ser o que bem quiserem e sonhar com o futuro que acharem mais interessante. Beatrice Hempel lembra-se de quando ela mesma frequentava o colégio: “O maravilhoso na escola é isso, quando você vai bem no teste de matemática, pode um dia vir a trabalhar na Nasa, se o diretor do coral pede para que você cante um solo, já se imagina a Mariah Carey…” Enquanto acompanha pequenas conquistas dos alunos dia a dia e algumas dela mesma, a protagonista revela ao leitor alguns dos acontecimentos de seu passado, não apenas as interações com o pai, mas seus relacionamentos amorosos e mesmo relacionamentos com seus alunos, a quem normalmente trata com a reserva e distância que os papéis de ambos sugerem. A partir dessas pequenas histórias, a autora vai apresentando o caminho de transição percorrido por Beatrice Hempel desde as inseguranças do início da carreira até atingir a maturidade. Sarah Shun-Lien Bynum divide os relatos em oito capítulos, escritos de forma elegante e disciplinada, talvez como a própria Beatrice Hempel faria, caso ela se sentisse confortável escrevendo pareceres – especialmente aqueles sobre o comportamento e a evolução de seus alunos. A autora constrói assim um romance delicado, mas que reflete a complexidade e as nuances dos sentimentos e das relações humanas.

Editora: Rocco: 2011, ISBN: 9788532527011  Páginas: 192

E… ótimas leituras nesse Natal! 
Aproveite o tempo livre, leia pelo menos um livro!




Papai Noel viaja de carro! — cartões postais de Natal!

14 12 2011

Papai Noel com o carro estacionado.

Quando os carros se tornaram um pouquinho mais populares, Papai Noel viu a chance de entregar seus presentes com maior rapidez e aderiu ao carro, dirigindo-o por terra e pelo ar.

Cartão de Natal de 1910, carro de Papai Noel, genérico.

Quando dirige sua barba voa.  Isso me diz que para cumprir com suas obrigações de visitar as casas de todas as crianças do mundo ele tem que colocar o pé na tábua!

Cartão de Natal francês.

Nesse período — final do século XIX e início do XX — quando os carros começavam a fascinar a população, não importava se Papai Noel estivesse na Inglaterra, na França, na Alemanha, nos Estado Unidos, ele era um velhinho sábio que usava um carro eficiente e genérico.

Cartão de Natal, alemão.

Seus carros parecem frágeis, este por exemplo tem treliça!

Papai Noel e anjo passeiam de carro para enttregar presentes.

Às vezes seu carro é tão genérico que nem parece ter motor, mas o guidão e os faróis estão ali para trazerem conforto nas curvas e nas viagens noturnas.

Carro de Papai Noel, entulhado, cartão postal da 1ª década do século XX.

Reparem que Papai Noel confia no seu carrinho, com velocidade suficiente para o gorro e as fitas da guirlanda na mala do carro voarem, ele atravessa o caminho de neve, já ao escurecer, quando as casas já acenderam as luzes.

Papai Noel viaja na neve, cartão de 2009.

Mesmo com um carrinho que parece um trator, Papai Noel viaja até por cima dos pinheiros e acaba parando nos telhados das casas que visita.

Papai Noel no telhado de uma casa, jogando brinquedos pela chaminé.

Frequentemente ele precisa da ajuda de um elfo, um anjo ou às vezes até mesmo de uma menina ou um menino para a viagem noturna.

Papai Noel e seu ajudante, com a lanterna na mão, quase voando.  Faróis acesos.

Tudo indica que seus mais alegres auxiliares são alguns anjinhos franceses, como os dois postais seguintes refletem.

Às vezes ele dá uma caroninha para crianças bem comportadas…

Que será que essas crianças pensam de passear com Papai Noel?

Raramente Papai Noel é visto simplesmentes dirigindo com calma, como nos cartões acima.

Em geral ele está correndo contra o tempo …

De tal maneira que seu gorro de arminho, não consegue ficar preso à cabeça…

E ele passa chispando pela nossa casa, só tem tempo mesmo de acenar para o boneco de neve…

E quanto mais brinquedos ele distribui, mais brinquedos enchem o seu carro”

São bonecas. de todos os tamanhos, cavalinhos de madeira,

Tambores, ursinhos, bolas, marionetes…

Às vezes os presentes vêm embrulhados com laçarotes vistosos, que até os animais param para ver…

A medida que as horas passam, Papai Noel fica um pouquinho cansado.

Só nos tempos modernos ele passou a dirigir alguns carros de marca:

Ele e os elfos ajudantes gostam de um carro conversível…

E na Finlândia ele até para para colocar gasolina Polar, com elfos ajudantes calibrando o pneu….

Papai Noel é capaz de dirigir também muitos outros tipos de veículos que veremos em futuras postagens…  Até a próxima!





Quadrinha de Natal, noite de festa e de luz

13 12 2011

Cartão de Natal da Europa Oriental, inicio do século XX.

É Natal — Noite de Festas,

De regozijos, de luz …

Fogem as sombras funestas:

No mundo nasceu Jesus!

(José Lara)





O transporte de Papai Noel: cartões postais de Natal contam histórias… (1)

12 12 2011

Papai Noel chega no carrinho de mão, cartão de Natal, de época,  inglês.

Quando eu era criança, Papai Noel vinha trenó puxado por renas, na noite de Natal. Era a única época do ano em que as palavras rena e trenó faziam sentido.  É claro, naquela mesma época Papai Noel chegava ao Rio de Janeiro, por volta do dia 8 de dezembro de helicóptero.  Não me lembro bem como nós mantínhamos essas duas chegadas simultaneamente, fazendo sentido… Mas criança gosta de Papai Noel de qualquer maneira.

Cartão postal com Papai Noel em trenó puxado a renas, 1909.

Fiquei surpresa de ver um cartão de Natal em que Papai Noel aparece sendo transportado num carrinho de mão.  Não tenho a menor idéia do que esse cartão inglês representa, acredito que reflita alguma história conhecida na Inglaterra, pois é muito curioso.

Papai Noel a pé na neve, acompanhado de um anjinho.

Mas quando pesquisamos em antigos cartões postais vemos que o meio de transporte de Papai Noel, pode mudar.  No século XIX ele aparece na maioria das vezes a pé. E até empurra um carrinho de mão, parecido com aquele do primeiro cartão postal, cheio de presentes, frutos e traz também a árvore de Natal.

A pé, ele também pode chegar esquiando ou deslizando com patins nos  lagos gelados.

Mas ele pode chegar a cavalo, a cavalo voador, de carruagem e de carroça puxada a burro.

Papai Noel chega em seu cavalo branco, cartão de Natal finlandês, século XX.

Cavalo voador, cartão de Natal, Ucrânia.

Carruagem cheia de presentes, neste cartão de Natal.-
Cartão do século XIX.

Papai Noel chega de carroça neste cartão francês.

E pode ter um ou outro acidente no percurso como mostra o cartão de Natal abaixo:

Dependendo da parte da Europa onde ele se encontra, seu trenó é puxado por um cavalo:

ou, como na Rússia, seu trenó sempre puxado por 3 cavalos, quer brancos ou não.

Mas Papai Noel pode surpreender ainda mais, seguir os passos de Hanibal e levar uma manada de  elefantes para sua viagem…

Pelo ar ele tem também muitas opções, por exemplo: o balão, Papai Noel pode viajar de balão:

Pode andar de avião:

Papai Noel atravessa os céus num monomotor.

É claro que Papai Noel também pode viajar de tapete mágico!

E quem procura por Papai Noel também vai pelos ares:

E se precisar descer rapidamente, há sempre um pára-quedas à disposição:

OUTRAS POSTAGENS EXAMINARÂO OUTROS MEIOS DE TRANSPORTE DESSE VELHINHO AVENTUREIRO…





O presépio: lembranças de infância, minhas e de Miriam Mambrini

10 12 2011

“O nosso pequeno presépio tinha um jeito de coisa antiga, como se viesse mesmo do tempo em que Jesus nasceu.  O estábulo com o telhadinho de palha, as figuras da Virgem e de São José totalmente absorvidos na contemplação, o menino que abria os braços na manjedoura e mais o boi e o burro, dois pastores, três carneiros.  Tudo o que o nosso presépio tinha em pequeno, surgia num tamanho quase natural no da Igreja Nossa Senhora da Paz, onde havia ainda grutas, riachos, plantas, camelos e outros bichos.  Nos domingos de dezembro, eu o via povoar-se mais e mais, até a missa triunfal do dia vinte e cinco, quando o Menino Jesus ocupava seu lugar na manjedoura e só ficavam faltando os Reis Magos, que iam surgir em cena no dia seis de janeiro.”

Em: Maria Quitéria, 32 de Miriam Mambrini [Míriam Backheuser Mambrini], crônicas, Rio de Janeiro, Bom Texto:2008.

Os que me seguem neste blog sabem que gosto imensamente de ler diários ou livros de memórias, principalmente aqueles de pessoas comuns, sem celebridade, livros que mostram hábitos e curiosidades de comportamento de uma época, de uma sociedade.  Sempre que encontro essas preciosidades faço questão de comprá-las.  Sei que tanto os diários como os livros de memórias são um tipo de ficção; que a realidade é diferente para cada um de nós e que cada pessoa escolhe lembrar-se de coisas diferentes.  Mesmo assim esses relatos, quer diários, quer memórias, trazem de volta uma versão da realidade do passado que não pode ser ignorada.

Nos meus Natais de antigamente também tínhamos um presépio, com um estábulo de madeira com meio telhado de palha que dava mesmo só para abrigar os três elementos principais das festas, a Virgem Maria, São José e o Menino Jesus.  Diferente da memória acima relatada, no nosso presépio todas as figuras estavam presentes desde que era armado, invariavelmente no dia 8 de dezembro, dia de N. Sra. da Conceição. Tínhamos um boi, um burro, um anjo de braços abertos e dois tocando cornetas um de roupa azul e um de camisolão rosa, alguns pastores, carneirinhos, os três Reis Magos.  Pelo menos era assim inicialmente.  Mas a medida que os anos foram se passando e meus irmãos foram adicionados à família, o presépio assim como a família foi crescendo.  Isso porque qualquer bichinho pequenino que nos aparecesse durante o ano era guardado para fazer parte do presépio.  Havia uma caixinha de madeira de jacarandá com as quinas de prata trabalhadas, bem ao estilo português, que morava na estante de papai.  Ali eram guardados os bichinhos pequeninos para que fossem colocados no presépio no final do ano.

Sempre armado no topo do aparador da sala de jantar, o nosso presépio aos poucos foi ocupando mais do que o lado esquerdo do móvel.  Havia que dar espaço para a famíia de galináceos que encontráramos nos ovos da Páscoa; que dar abrigo a três patinhos de madeira colorida que vieram de dentro de um brinquedo que se quebrara…  Quando meu irmão Marcus, o caçula, finalmente completou 13 anos, nosso presépio passou para minha tia Yedda,  que recebeu tudo: alguns camelos comprados que colocávamos em fila como numa caravana, comprados por papai na Casa Mattos; alguns animais de celuloide, de variados tamanhos, alguns um pouco desproporcionais ao estábulo,  o laguinho feito de espelho cujas bordas eram rodeadas por florezinhas secas e  coloridas que mamãe colora a toda volta e os patinhos que pousavámos na superfície espelhada.  Havia além do anjo anunciando a novidade aos pastores, o galo no telhado do estábulo; e tínhamos pastores diversos, um ou outro carregando um carneirinho nos ombros.  Havia um papagaio diminutivo com penas sedosas que amarrávamos com arame fino num pequeno galho seco, pintado de branco, de qualquer árvore do jardim.  Para essa “árvore de presépio” também foram um apito em forma de tucano, e um outro pássaro que fazia um clique se apertássemos seus pés, tesouro adquirido de um camelô no centro da cidade por papai.  A cada ano, mais e mais animais pequeninos foram adicionados: um tamanduá e o cavalo do Zorro, além de pequenas bonequinhas que também faziam parte da população para quem o anjo anunciava o nascimento do Menino Jesus.   Mas a última coisa a ser colocada no nosso presépio sempre foi a estrela, que tinha tripé próprio porque era feita por mamãe.  Era sempre de papelão e tinha uma cauda comprida, brilhava por causa do pó de purpurina colado em toda sua superfície.  Aumentava de tamanho a cada ano.  Ela e a lona verde que protegia o tampo do aparador eram as únicas peças que sabíamos sempre maiores.  Armar o presépio era um momento mágico para nós.  Desarmá-lo, no entanto, no dia 7 de janeiro, era uma tarefa árdua, que tínhamos prazer em deixar aos cuidados de mamãe: as novas adições requeriam mais caixas de sapatos, onde os recém integrados elementos do presépio ficariam guardados pelos 11 meses vindouros.





Papai Noel, soneto de Ciro Vieira da Cunha

10 12 2011

Ilustração dos anos 50 do século XX: Papai Noel.

Papai Noel

Ciro Vieira da Cunha

Natal… Natal… meus tempos de menino,

Tempos felizes que não voltam mais…

Missa do galo… repicar do sino…

E a casa pobre dos meus velhos pais…

Natal … a mocidade, o desatino,

Loucos amores, ternos madrigais…

Mulheres que dobraram meu destino

Com seus beijos marcantes e fatais…

Papai Noel! atende ao meu pedido,

Nesta noite de paz e de bonança,

Atende, pelo muito que hei sofrido.

E em meus sapatos põe a caridade

De um pedaço bonito de esperança,

De um farrapo esquecido de saudade…

Em: 232 poetas paulistanos – antologia — Pedro de Alcântara Worms, Rio de Janeiro, Conquista:1968

Ciro Vieira da Cunha, nasceu em São Paulo, SP em 1897.  Usou também o pseudônimo João da Ilha professor, poeta, biógrafo, cronista, jornalista e médico brasileiro.  Faleceu no Rio de Janeiro em 1976.

Obras:

Pontos de Química Fisiológica (com Alberto Moreira), 1918

Contra o alcoolismo, 1920

De como se deve combater o alcoolismo no Brasil, 1922

O Dialeto Brasileiro (tese), 1933

Espera Inútil, poesia, 1933

Oração de Paraninfo, 1937

De Pé, pelo Brasil, 1941

Trovas, 1942

Alguma Poesia, poesia, 1942

Chuva de Rosas, poesia, 1947

No tempo de Paula Nei, prosa, 1959

    O cadete 308, prosa, 1956

No tempo de Patrocínio (2 v.),prosa, 1960

Memórias de um médico da roça, 1965

Arte de colar, 1970

Guia de civismo (com Terezinha Saraiva), 1972





Humilde estrebaria — soneto de Clóvis Ramos

8 12 2011

Anunciação aos pastores, 1634

Rembrandt van Rijn (Holanda, 1606-1669)

Gravura em metal, 26 x 22 cm

Grunwald Center,

Col. Universidade da Califórnia – Los Angeles,

Humilde estrebaria

Clóvis Ramos

Um fenômeno estranho acontecia

nas terras de Judá.  Eis que os pastores

ouviram vozes de anjos em louvores

ao pequenino filho de Maria.

A noite era de míticos fulgores,

noite serena, noite de poesia.

Sobre as palhas de humilde estrebaria,

dormitava Jesus por entre flores.

Uma estrela de brilho nunca visto,

aparecera nessa noite e os Magos

vieram de longe em caravanas de ouro…

“Glória a Deus nas alturas!” Glória ao Cristo!

Maria – Mãe – porém, em prantos e afagos,

temia a sorte de seu filho louro.

. . . . .  . . . .

Em: A Poesia Maranhense no Século XX,  organização  e ed. Assis Brasil, Rio de Janeiro, Sioge/Imago: 1994.

Clóvis Pereira Ramos nasceu em Tabatinga no Amazonas, em 1922. Foi advogado, contador, poeta,  ensaísta, historiador.  Nasceu no Amazonas, mas fez seus primeiros estudos no Maranhão.  Não seguiu a carreira militar depois de se formar pelo Colégio Militar de Fortaleza, ao invés, formou-se em perito contador pela Academia de Comércio do Maranhão. Mais tarde, em 1955, formou-se em direito no Rio de Janeiro.





Livros que são ótimos presentes para o adolescente! As minhas sugestões

7 12 2011

Ilustração Franco Matticchio.

Poucos dias atrás fiz a postagem dos livros que os leitores deste blog sugeriram para leitura por outros leitores adolescentes.  Aqui vai então a minha lista de livros com que eu presentearei os adolescentes e jovens leitores  nas festas de fim de ano.  Vou me limitar aqui a livros que ainda não mencionei em outras postagens sobre o assunto.

Para todos os gostos, em ordem de preferência:

Estilo: aventura no mundo real, humor. 

Recomendado sem restrições.

Excelente leitura para jovens e adultos.

Na dúvida, este será o meu livro de escolha para qualquer faixa etária.

Tchick – Wolfgang Herrndorf  –

As férias do nerd Maik Klingenberg naquele verão prometiam ser péssimas: a mãe, mais uma vez, fora internada numa clínica de desintoxicação, e o pai teve que fazer uma “viagem de negócios” com a secretária de dezenove anos. De quebra, a menina por quem Maik estava superafim, Tatjana, “esquecera” de convidá-lo para sua festa de aniversário – a balada mais aguardada do ano. O que prometia ser um tédio total muda completamente quando Tchick, o colega mais esquisito da turma, aquele de quem todos queriam distância, aparece com um velho Lada Niva roubado e acaba por convencer Maik a viajar com ele até a Valáquia, para visitar os avós e… umas primas gostosas. Valáquia?! Descobrir onde fica esse lugar seria bem mais fácil do que chegar até lá, pois não é moleza atravessar um país sem mapa para se orientar, sem carteira de motorista, com quase nenhum dinheiro e dirigindo um carro roubado. Tudo isso aos catorzes anos de idade, e tendo a polícia nos calcanhares. Com 120.000 exemplares vendidos na Alemanha (desde agosto de 2010), Tchick é mais que um romance de aventura, repleta de peripécias narradas com muito bom humor e impressionante agilidade: é a história de dois garotos que, de repente, resolvem descobrir, afinal, o que é viver – mesmo sem saber que estavam fazendo isso. Os aventureiros enfrentam situações que nunca experimentaram antes – algumas, inclusive, em que correm grande perigo –, conhecem pessoas diferentes e até estranhas – mas nem por isso ruins –, e descobrem o quanto a amizade pode ser forte e importante na vida. É isso: Tchick é um romance sobre a descoberta da vida.

—  228 páginas – São Paulo, Editora Tordesilhas: 2011  [Tordesilhas é um selo da Editora Alaúde] www.alaude.com.br

Estilo: aventura, fantasia, história.

Recomendado sem restrições. 

Excelente leitura para jovens e adultos.

A Batalha do Apocalipse – Da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo – Eduardo Spohr

Há muitos e muitos anos, há tantos anos quanto o número de estrelas no céu, o Paraíso Celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania dos poderosos arcanjos, levantando armas contra seus opressores. Expulsos, os renegados foram forçados ao exílio, e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o dia do Juízo Final.

Mas eis que chega o momento do Apocalipse, o tempo do ajuste de contas, o dia do despertar do Altíssimo. Único sobrevivente do expurgo, o líder dos renegados é convidado por Lúcifer, o Arcanjo Negro, a se juntar às suas legiões na batalha do Armagedon, o embate final entre o Céu e o Inferno, a guerra que decidirá não só o destino do mundo, mas o futuro do universo.

Das ruínas da Babilônia ao esplendor do Império Romano; das vastas planícies da China aos gelados castelos da Inglaterra medieval. A Batalha do Apocalipse não é apenas uma viagem pela história humana, mas é também uma jornada de conhecimento, um épico empolgante, cheio de lutas heróicas, magia, romance e suspense.

— 586 páginas    Campinas, Editora Verus: 2010 — 2ª edição www.veruseditora.com.br

Estilo: aventura, fantasia.

Recomendado sem restrições. 

Boa leitura para jovens e adultos.

A Guerra dos Tronos – As Crônicas de Gelo e Fogo – Livro Um – George R. R. Martin

Quando Eddard Stark, lorde do castelo de Winterfell, recebe a visita do velho amigo, o rei Robert Baratheon, está longe de adivinhar que a sua vida, e a da sua família, está prestes a entrar numa espiral de tragédia, conspiração e morte. Durante a estadia, o rei convida Eddard a mudar-se para a corte e a assumir a prestigiada posição de Mão do Rei. Este aceita, mas apenas porque desconfia que o anterior detentor desse título foi envenenado pela própria rainha – uma cruel manipuladora do clã Lannister. Assim, perto do rei, Eddard tem esperança de o proteger da rainha. Mas ter os Lannister como inimigos é fatal – a ambição dessa família não tem limites e o rei corre um perigo muito maior do que Eddard temia. Sozinho na corte, Eddard também se apercebe que a sua vida nada vale. E até a sua família, longe no norte, pode estar em perigo.

– 592 páginas  São Paulo, Editora Leya: 2010www.leya.com.br





Três variações do mesmo tema: Santa Claus is coming to town

6 12 2011

Ontem fiz uma longa postagem sobre Krampus e como essa tradição alemã está refletida numa das mais populares músicas de Natal dos Estados Unidos.  Não houve espaço para  todas as imagens de Krampus que eu tenho assim como não houve espaço para que eu colocasse pelo menos um vídeo com a música que mencionei.  Mas não seja por isso, hoje venho com três versões, três vídeos que demonstram a popularidade da canção assim como sua adaptação a diferentes ritmos e vozes.  Bom proveito.