Bicicletas elétricas têm tudo a ver com a preservação do Meio Ambiente

28 07 2009

bicicleta, modeloModelo demonstra nova, mais atualizada bicicleta elétrica no Japão.

 

Do Japão à Inglaterra as bicicletas elétricas começam a fazer estrondoso sucesso.  Melhor que carros que respeitam o meio ambiente, as bicicletas elétricas são a moda para quem se autodefine como responsável pelo meio-ambiente.   As bicicletas elétricas japonesas usam um pequeno motor elétrico que dá impulso a o ciclista, ajustando a força do motor à velocidade e à resistência do movimento do pedal.  Isso torna muito mais fácil subir uma ladeira ou levar uma carga mais pesada. 

 

bicicleta, inglaterra

Agentes imobiliários com suas bicicletas elétricas, Londres.

 

Com baterias recarregáveis estas bicicletas podem cobrir 37 km sem necessidade de recarregar a bateria.  As mais populares fabricantes do mundo de bicicletas eletrônicas são a Yamaha, Panasonic, Sanyo e Bridgestone.  E juntas elas esperam dominar o mercado não só no Oriente mas sobretudo na Europa.

FONTES

Reuters

BBC





Novo sagui descoberto na Amazônia

7 07 2009

sagui

Pesquisadores descobriram uma nova subespécie de macaco numa parte remota da Floresta Amazônica, disse um grupo de conservação da vida selvagem com sede nos Estados Unidos na terça-feira. O macaco recém-descoberto foi visto pela primeira vez por cientistas em 2007 no Estado do Amazonas e é parente do sagui-de-cara-suja, conhecido pelo dorso marcado, disse a Wildlife Conservation Society (WCS).

O macaquinho, que é basicamente cinza e marrom e pesa 213 gramas, recebeu o nome de sagui-de-cara-suja de Mura, numa homenagem à tribo indígena de Mura, da região da bacia dos rios Purus e Madeira, onde a nova subespécie foi encontrada. Ele tem 24 cm de altura e uma cauda de 32 cm.

“Esse macaco descrito recentemente mostra que mesmo hoje há grandes descobertas na natureza a serem feitas”, disse Fábio Rohe, autor principal de um estudo que confirmou a descoberta, em um comunicado divulgado pela WCS. “Essa descoberta deveria servir de alerta de que ainda há muito a aprender sobre os locais selvagens do mundo, embora os homens continuem a ameaçar essas áreas com destruição.”

O estudo descobriu que o macaco está sendo ameaçado por projetos de desenvolvimento da região, incluindo uma grande rodovia que atravessa a floresta, que está sendo asfaltada e poderia aumentar o desmatamento.

Fonte:  TERRA





Brasil: uma terra de plantas raras

5 07 2009

holocheilus-monocephalus, campos umidos do extremo sul do Brasil, 60 cm

Holocheilus-monocephalus, nativa dos campos úmidos do extremo sul do Brasil, chega a altura de 60 cm.

 

O livro Plantas Raras do Brasil, lançado quinta-feira passada, dia 2 de julho , identifica 2.291 espécies de plantas encontradas exclusivamente no território nacional.   O trabalho, fruto de uma parceria entre a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e a ONG Conservação Internacional, é resultado de dois anos de pesquisas que reuniram 175 cientistas de 55 instituições brasileiras e internacionais.

 Nas pesquisas, os cientistas também identificaram 752 áreas de relevância biológica para a conservação da flora brasileira e verificaram que 50% dessas áreas estão degradadas.   Segundo os organizadores da obra, a publicação poderá reacender uma polêmica entre cientistas e o Ministério do Meio Ambiente.

 Em uma lista divulgada em setembro do ano passado, o ministério relacionou 472 espécies da flora ameaçadas. No entanto, um consórcio formado por cerca de 300 cientistas afirma que há no Brasil 1.472 espécies ameaçadas.  O professor Alessandro Rapini, da UEFS, um dos organizadores da obra, diz que a situação da flora brasileira pode ser “mais grave” do que os números oficiais apontam.

 

calliandra-hygrophila,encontrada em campos rupestres da Serra do Sincorá, na Bahia.

Calliandra-Hygrophila, encontrada em campos rupestres da Serra do Sincorá, na Bahia.

 

O número total de espécies reconhecidas nesse levantamento significa cerca de 4% a 6% de todas as espécies de angiospermas (subdivisão do reino vegetal que compreende as plantas com flores) do país e, dada a área restrita de ocorrência, muitas delas podem ser consideradas ameaçadas de extinção“, comenta Alessandro Rapini.

Os autores ressaltam que o número de espécies raras e de áreas consideradas estratégicas no Brasil é certamente maior do que o apontado no livro. Isso se deve ao fato de algumas famílias não terem sido incluídas nessa edição ou não terem sido completamente analisadas devido ao grande número de espécies.

 Em 496 páginas, o livro traz um catálogo completo com informações sobre as famílias (são ao todo 108, dentre as 177 analisadas) e suas espécies detalhando dados e distribuição de cada uma, além de um acervo fotográfico com 113 imagens e um capítulo especial, sobre as áreas-chave para a biodiversidade (ACBs), organizadas por região geográfica.

 As áreas-chave para biodiversidade, ou ACBs, são lugares de relevância biológica detectados e delineados a partir da presença de espécies raras (distribuição restrita), endêmicas (exclusivas de uma determinada região) ou ameaçadas de extinção. No escopo da Convenção da Diversidade Biológica (CDB), as ACBs devem ser os alvos preferenciais dos governos para atividades integradas de conservação, pois há o compromisso global de proteger, até 2010, grande parte dessas áreas contra a degradação.

 

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Barbacenia Fanniae, tem flores cor-de-rosa e pode ser encontrada no estado do Rio de Janeiro.

A Conservação Internacional informa que, das 752 ACBs identificadas a partir da presença de plantas raras, 47% apresentam alto grau de degradação, com mais de 50% de área já alterada por atividade humana. Em contraste, somente 7,8% das ACBs possuem mais de 50% de suas áreas em unidades de conservação ou terras indígenas, indicando lacunas importantes no sistema nacional de áreas protegidas.

 O vice-presidente de ciência para América do Sul, José Maria Cardoso da Silva, co-organizador da obra, diz que a situação é preocupante. “A combinação desses dois indicadores nos traz uma mensagem explosiva: se nada for feito rapidamente, estamos produzindo um evento de megaextinção de plantas brasileiras, que pode aniquilar em poucas décadas o produto de milhões de anos de evolução e criar um embaraço diplomático para o Brasil, um dos primeiros signatários da CDB, pois o governo brasileiro se comprometeu a fazer todos os esforços para evitar a perda de espécies no país“, declara.

 

paepalanthus_globulifer, encontrada na Serra do Cipó em MG, floresce o ano todo

Paepalanthus Globulifer, encontrada na Serra do Cipó em MG, floresce o ano todo.

O professor Alessandro Rapini, lembra que o que mais preocupa os cientistas no momento são espécies raras que ainda não foram detectadas. “Correm o risco de desaparecer antes mesmo de serem descritas“, afirma.  Os organizadores da publicação estimam que o Brasil detenha 15% de toda a flora mundial.

As espécies raras não estão distribuídas de forma homogênea. Os Estados campeões em número de espécies raras são Minas Gerais, com 550, e Bahia, com 484, afirmam os pesquisadores. O lançamento do livro ocorre durante o 60º Congresso Nacional de Botânica, em Feira de Santana, na Bahia.  (UOL- Ciência e Saúde)

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Ameaças e desafios – As ameaças à flora brasileira são muitas e ocorrem nas diferentes regiões brasileiras. Vão desde o uso não sustentado de seus componentes, até a retirada total da vegetação para dar lugar à expansão da agricultura mecanizada, de pastagens e de áreas urbanas, passando pela construção de estradas e pressão imobiliária, dentre outros. Ana Maria Giulietti, co-organizadora do livro, chama a atenção para o dilema desenvolvimento x conservação, especialmente crítico no atual contexto do planeta, com a iminência do aquecimento global. “O Brasil, pela riqueza de sua flora e pelo forte contraste cultural entre os habitantes ao longo do território, precisa utilizar estratégias de desenvolvimento que contemplem a melhoria da qualidade de vida de seu povo, com a conservação da nossa biodiversidade. Assim, informações científicas e bem embasadas como as desse livro, certamente ajudarão para a proposição de providências concretas por parte do poder público para evitar a extinção das espécies de plantas no Brasil e conservar o patrimônio natural brasileiro, promovendo o uso sustentável dos recursos naturais”, enfatiza.  — (Ambiente Brasil)

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PLANTAS RARAS DO BRASIL é um projeto desenvolvido pela Universidade Estadual de Feira de Santana e a ONG ambientalista Conservação Internacional com objetivo combinar esforços de pesquisadores e instituições para identificar e mapear todas as espécies raras de plantas do Brasil e também as áreas mais importantes para a conservação dessas espécies. A primeira etapa do projeto foi concluída com a publicação do livro “Plantas Raras do Brasil”, lançado no dia 2 de julho de 2009, em Feira de Santana, Bahia, durante o Congresso Brasileiro de Botânica. As informações do livro estão organizadas aqui para que elas possam ser utilizadas por todos os setores da sociedade brasileira nos seus esforços para garantir a conservação da extraordinária biodiversidade existente no país. 





Conversões urbanas: como tornar a sua cidade numa cidade verde, sem demolições.

5 07 2009

 

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No dia 28 de junho o jornal Boston Globe publicou um interessante artigo de Michael Fitzgerald com uma lista de algumas das alternativas — já experimentadas e com sucesso — para transformar uma cidade já existente, numa cidade verde, com uma pegada carbônica muito menor do que a atual.   É claro que ele se concentra no que acha possível ser aplicado à cidade de Boston.  Mas como essas alternativas funcionaram em outros lugares, não custa darmos uma olhadinha para vermos o que anda sendo feito.  A tradução é minha e é bastante livre. 

Conversões urbanas: como tornar uma cidade verde, sem demolições.

 À medida que o mundo aquece, ele se torna também cada vez mais urbano.  Mais da metade da população mundial já vive em cidades ou muito próxima dos centros urbanos.  Então, quando se trata de vida sustentável, as cidades representam um desafio crescente.

Há muitas vantagens que já encontramos nas cidades:  elas têm transporte público, têm uma distribuição eficiente de energia elétrica, e uma densidade populacional compacta, que pode dispensar o uso do automóvel.  Além disso, pessoas que vivem e trabalham em edifícios altos, em vez de construções espalhadas pela paisagem, conservam uma enorme quantidade de energia per capta.

Mas as cidades também têm um grande problema: elas já estão construídas.  Podemos inventar todas as tecnologias “verdes” de que gostamos, mas não podemos derrubar quarteirões cheios de velhas estruturas e iniciar tudo do ponto zero.  Isso, para não falar na trama de ruas, ladeadas por cabos, tubos, túneis,  que se desenvolveram através de décadas, ou até mesmo séculos. O problema é especialmente sentido em cidades antigas como Boston.

Então, vem a pergunta: como para melhorar as cidades que temos? A resposta, através de conversões arquitetônicas.  Em anos recentes, engenheiros, planejadores urbanos, e empresários procuraram novas formas, imaginativas,  de tomar o que conhecemos hoje num uso de energia mais eficiente, enxertar  esse sistema tecnológico nas cidades existentes sem ter que arrasar o que já existe.   Aqui estão algumas idéias já testadas, incluindo algumas que podem vir a funcionar em Boston.

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BICICLETAS DISPONÍVEIS

 Bicicletas só usam suor como combustível, por isso são um item favorito e essencial para qualquer plano verde de trânsito, em qualquer lugar do mundo. Mas, a não ser que você seja um ciclista dedicado, nem sempre terá sua bicicleta com você quando precisar fazer um giro rápido.  É aí, nesse ponto que aparecem programas de compartilhamento que oferecem um bicicletário de bicicletas públicas, que podem ser utilizadas para circulação na cidade.   Apesar de muitas variantes desses programas já terem sido tentadas e não darem certo nos últimos 20 anos; hoje, há esperanças de que venham a funcionar.  Na França aparecem os primeiros sinais de sucesso: desde de 2005 que a cidade de Lyon lançou um programa que funciona com este fim e agora ele aparece de novo, adaptado em Paris.   É simples.  O programa se baseia num bilhete vendido pela cidade, custando aproximadamente R$80,00.  Ele serve por um ano de acesso ao uso de 20.000 bicicletas disponíveis em 1.500 estações na cidade.   O preço da bicicleta (o que seria o aluguel)  não custa nada pelos primeiros 30 minutos.  Depois disso há uma escala crescente de custos que são aplicáveis ao uso.  Há aproximadamente outras 25 cidades no mundo que oferecem programas semelhantes, de Barcelona a Washington DC.   Muitos desses programas são subsidiados por propaganda nas bicicletas ou outro tipo de publicidade. 

 

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UMA REDE INTELIGENTE

A rede que fornece a nossa eletricidade é complexa, mas nem sempre é bem utilizada.    Lembre-se do telefone casa da vovó – aquele que não tem identificador de chamadas, e que não consegue receber mensagens de texto ou vídeo.  Se fosse um telefone “inteligente” poderia se comunicar com a sua casa, e vice-versa.   A nível residencial isso significaria que você saberia exatamente que aparelhos estariam desperdiçando energia e como usá-los de forma mais eficiente.   A nível municipal, uma rede inteligente pode mudar o modo do consumo de energia.  A municipalidade poderia facilmente cobrar mais dinheiro pela energia em horas de grande uso.  O indivíduo poderia até mesmo vender o excesso de energia renovável sem uso de volta para a rede.  Algumas cidades pioneiras e alguns consumidores já usam redes inteligentes: na cidade de Boulder, no estado do Colorado, a companhia Xcel Energy lançou um plano piloto de contadores inteligentes que permite aos consumidores de verem a cada segundo as estatísticas sobre o seu gasto de energia e que permite também a mudança de temperatura da casa ou outras variáveis de maneira automática.

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PODCARS

 

A cidade de Masdar, a ser construída em Abu Dhabi tem em plano experimental “pós-petróleo”.  Ela será a primeira cidade do mundo a apresentar em grande escala um sistema rápido trânsito de pessoas.  Será um pequeno túnel subterrâneo movido a baterias, servindo a 4 pessoas por veículo.   Esquemas semelhantes estãosendo testados em Londres, no aeroporto Heathrow;  e em Uppsala, na Suécia.  Todos esses podcars usam rodas, o que significa que eles precisam de faixas nas ruas da cidade.  Mas há locais, como a cidade de Boston, que poderiam ser melhor servidos com o uso da tecnologia de levitação magnética, semelhante a utilizada nos trens de alta velocidade.  A empresa californiana Unimodais Systems construiu um protótipo mag-lev podcar no sistema da NASA Ames Research Center.  Ela afirma que o sistema é leve o suficiente para usar postes de luz como pontos de apoio.  Há muito tempo que um projeto de podcars da Universidade de West Virginia em Morgantown foi financiado durante a administração Nixon, e ainda está até hoje transportando estudantes pelo campus universitário.

 

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ESTAÇÕES DE PERMUTA

 Para trânsito alternativo há muitas idéias brotando em inúmeras cidades usando empresas que dividem serviços de carros e motos.  Um dos problemas que todas encontram é a falta de conexão entre pontos, especialmente quando se engloba distâncias mais afastadas do centro das cidades.  Estações de permuta, bem planejadas, poderiam ligar estes serviços, da mesma maneira que eles funcionam nas linhas de trens urbanos, ou nos metrôs, e com serviços de taxi.    A cidade de Bremen, na Alemanha criou um sistema que conecta ônibus e trem, motos, táxis, e grupos de caronas para que residentes possam se locomover com mais facilidade, sem ter um carro. Um sistema integrado de pagamento significa que eles podem fazer toda a viagem com apenas um cartão, ou até mesmo um celular.  Outras “estações de permuta” já estão organizadas em cidades como Washington, São Paulo, Cidade do Cabo, e Chennai, na Índia.  Entusiastas também vislumbram  online mapas inteligentes que liguem todos os meios de trânsito disponíveis ao público, com GPS e estimativas de tempo de viagem.

 

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RE-CONFIGURAÇÃO DE IMÓVEIS  

 Edifícios novos e eficientes são ótimos.  Mas não se pode simplesmente derrubar os edifícios já existentes para construir novos. Em vez disso, os construtores começam a reconfigurar o acabamento externo de concreto dos edifícios mais velhos, esfoliando as suas superfícies e acrescentando novas camadas térmicas.  Estas invertem a tendência normal de absorção do calor no verão e de perda deste mesmo calor no inverno.  Uma cuidadosa reconfiguração pode cortar o gasto de energia pela metade enquanto que o novo acabamento pode também englobar uma melhoria nas tubulações de serviços essenciais assim como nas tubulações elétricas.  É a cidade de Berlim que lidera neste caminho.  Com a esfoliação de um complexo de edifícios de 40 anos compreendendo 16.000 apartamentos.  Um edifício de escritórios em Manchester, na Inglaterra, foi reconfigurado com células foto-voltaicas.  Até mesmo edifícios ícones, parte da paisagem de cidades turísticas  podem passar por esse processo.  Um exemplo é o Empire State Building  que está em processo de reconfiguração começando de seu interior, e adicionando janelas com 3 painéis, além de atualizações mecânicas.  O resultado será a economia de USD 4.400.000 por ano em gastos de energia.  E tudo isso sem alterar sua aparência exterior.  O grande problema destes projetos é que eles são difíceis de serem repetidos em outros edifícios.  A Zerofootprint, uma organização sem fins lucrativos em Toronto criou um prêmio de USD $ 1 milhão para um projeto de reestruturação exterior que possa ser facilmente adaptado para muitas cidades.

 

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ALUGUEL DE ENERGIA SOLAR

Um dos maiores obstáculos para os donos de casas  mudarem suas residências para a energia solar, é o custo.  Em média custa nos EUA cerca de USD $ 25.000 para um conjunto de painéis de telhado.  Cidades como São Francisco conseguiram atrair subsídios federais  para reduzir esses custos pela metade.  Mesmo assim ainda é muito dispendioso.  Agora empresas privadas como SolarCity e SunRun andam seduzindo consumidores com uma outra maneira para consumo de energia solar.  Com o pagamento de USD $ 1.000 iniciais, proprietários de imóveis  podem alugar painéis solares por uma pequena quantia mensal baseada no uso de eletricidade por unidade. Inicialmente estas companhias se concentraram em partes ensolaradas do país, principalmente na Costa Oeste dos EUA.  Mas a SunRun começou recentemente,  no início deste ano, um programa de locação de painéis  em Massachusetts.

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Boa idéia, para monitorar o meio ambiente! Por que não tentar no Brasil?

30 06 2009

chuva, Copacabana, fotoLadyce West

 

Caso algum dos temporais ferozes que costumam caracterizar o mês de junho se desenvolva em tempestade mais grave e venha a resultar em ameaça mais séria de inundação, os moradores do Colorado contarão com um serviço de alerta antecipado acionado por uma ampla rede de 1,2 mil voluntários espalhados pelo Estado. Os participantes da rede permitiram que fossem instalados nos terrenos de suas casas uma série de medidores de chuva.

Uma rede de avaliação da chuva, chuva de granizo e neve que está em operação em 46 Estados norte-americanos sob a coordenação da Universidade Estadual do Colorado recebeu mais de 800 relatórios instantâneos sobre as precipitações acontecidas em um recente dia de chuva de junho.

A Rede Colaborativa Comunitária para a Chuva, Granizo e Neve, apesar de seu nome desajeitado, oferece aos pesquisadores do clima dados inestimáveis sobre a tendências climáticas práticas.

A rede distribuída por 46 Estados espera estender suas atividades a mais três do Estados norte-americanos este ano, elevando seu total de monitores voluntários dos padrões de precipitação a 14,5 mil pessoas em todo o país.

Quando os voluntários saem aos quintais de suas casas em meio a fortes temporais a fim de verificar o nível registrado nos medidores de chuva, quaisquer resultados definidos como perigosos que eles encontrem são encaminhados imediatamente aos escritórios do Serviço Nacional de Meteorologia nas áreas sob ameaça.

E boa parte desse esforço deriva do sentimento de culpa persistente que Nolan Doesken, um climatologista da Universidade Estadual do Colorado, continua a sentir devido a uma devastadora inundação acontecida em 1997 em Fort Collins, Colorado, a sede da universidade. Cinco pessoas morreram quando as ruas da cidade foram inesperadamente tomadas pela água de uma inundação.

Doesken afirmou que estava ciente de que as chuvas do dia eram pesadas no bairro em que vive, mas não entrou em contato com as autoridades para reportar o fato – e nenhum outro morador local o fez, tampouco.

 

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O Serviço Nacional de Meteorologia dispunha de imagens de radar que mostravam sérias concentrações de chuva ao longo do dia, mas não estimava que o temporal que desabaria sobre Fort Collins viesse a se provar pior do que as demais tempestades que estava acompanhando, afirma Doesken.

Caso houvesse um sistema de informação sobre a intensidade da chuva operando em tempo real na cidade, o Serviço Nacional de Meteorologia e as autoridades policiais poderiam ter lançado alertas mais urgentes quanto à ameaça de inundação. Agora, Doesken se preocupa menos, porque sabe que conta com uma rede de voluntários dedicados para cuidar desse tipo de situação.

Quando as pessoas sabem que podem realizar uma tarefa simples, sem que precisem sair de casa, e com isso ajudar suas comunidades e a ciência, muita gente se interessa por participar“, afirmou o pesquisador.

Eu gostaria que tivéssemos um número maior de voluntários prontos a reportar sobre a região de Denver a cada manhã“, ele disse. “Caso tivéssemos um voluntário a cada dois quarteirões, o número não seria excessivo“.

Portal Terra





José Veríssimo: Quatro dias em Minas Gerais — texto integral da Revista Kósmos, Outubro 1907

24 06 2009

minasgerais, mineraçãodoouro, eucalol

Mineração do ouro, Minas Gerais, Estampa Eucalol.

 

O artigo de ontem José Veríssimo: Quatro dias em Minas Gerais – texto integral da Revista Kósmos, Nov. 1907, foi o que mais se ocupou com a descrição das minas de manganês que eu procurava.  Mas como em quase todas estas publicações antigas o artigo se dividiu em duas partes.  A que transcrevi ontem que foi a segunda parte.  E a que transcrevo hoje, a primeira parte, publicada no mês de Outubro d e1907.  

 

 

QUATRO DIAS EM MINAS GERAIS

 

 

O que distingue e exalta o jovem e já célebre historiador italiano Sr. Guilherme Ferrero é não ser ele um simples erudito, ou artista, ou literato apenas voltado para a ordem de estudos ou de lucubrações que imediatamente interessam a sua especialidade, se não um espírito curioso de todas as coisas, aberto a todas as impressões, interessado de quanto lhe possa fornecer noções, idéias, sensações à sua inteligência ávida de alargar cada vez mais a compreensão das coisas.  Desta sua feição espiritual deriva seguramente a vida que ele pôs na história romana, refazendo-a a seu modo, e intensamente vivificando-a para nosso gosto espiritual.  

Não lhe bastava, pois, ver nossa capital, já quase uma cidade européia, e que lhe podia dar uma idéia falsa do nosso país.  Era-lhe necessário a impressão direta deste no que ele ainda conserva de original e próprio, a surpreendê-lo em flagrante no seu trabalho de transformação.

Uma rápida excursão a Minas Gerais, de quatro dias, após digressão pouco mais longa pelo Estado de S. Paulo, forneceu-lhe ensejo de do Brasil, que rapidamente visitou, não conhecer apenas a capital.  As capitais, como as salas de visita, dão sempre uma idéia falsa das nações, ou das casas, aos que não passaram delas.  S. Paulo e Minas, duas das mais importantes porções do Brasil, e, não  obstante tão juntas, tão distintas uma da outra, de caracteres tão diversos, teriam oferecido a arguta observação do Sr. Ferrero, um historiador para quem a vida comum, cotidiana, é também história, mais de um precioso elemento de informações e de juízo.

Pelo seu afastamento do litoral, pelo isolamento maior do mundo em que a puseram as suas montanhas, pela maior vida local que dentro dela mesma estas, separando os seus diversos cantões, lhe afeiçoaram, Minas, mais conservadora, mas também mais chã, mais ingênua quiçá mais sincera que S. Paulo, tem com este este  ponto de semelhança, que são dois dos estados mais históricos do Brasil. Por menos que da nossa história saiba o eminente historiador italiano, não ignoraria isto.

Em Minas ele viu primeiro, como era natural e conveniente, minas, as de manganês de Lafayette as de ouro do Morro Velho, em Vila Nova de Lima.

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O historiador italiano, Guilherme Ferrero, Revista Kósmos, Out. 1907.  Fotografia sem notificação de autor.

 

Pela natureza do minério, e pelos aspectos da exploração, e do mesmo sítio  em que esta se faz, é talvez mais interessante a Mina do Morro Velho.

A despeito da ordem cronológica, principiamos, pois, por ela.

Fica esta mina de ouro, uma das mais antigas e mais célebres do Brasil, nas proximidades de Congonhas de Sabará, hoje Vila Nova de Lima, no município de São João d’El-Rey, donde vem à companhia inglesa que a explora o seu título de S. John d’El-Rey Mining Company. Por esta são regularmente exploradas as minas do Morro Velho desde 1834, com fases sucessivas de prosperidade ou menor resultado.  Hoje a exploração está em pleno desenvolvimento e, cremos, sucesso.  É feita já a mais de 1500 metros de profundidade numa rede de galerias bastante amplas, suficientemente arejadas, artificialmente iluminadas a luz elétrica numa extensão de alguns quilômetros.  Desce-se a elas por elevadores e nas últimas em grandes caçambas de ferro que se ainda deixam a desejar como comodidade parecem oferecer toda a segurança, o que é essencial.  Nas mais profundas dessas galerias, onde o ar começa a ser mais escasso, e a imaginação nos faz sofrer do peso de mais de mil metros de rocha sobre as nossas cabeças, cavam-se ainda novos poços, donde vimos sair, à meia luz daquelas cavernas, imperfeitamente iluminadas por parcos focos elétricos, como numa visão dantesca de Gustavo Doré, homens inteiramente nus, literalmente cobertos de lama negra dos poços em perfuração.  Mais adiante outros brocavam o granito com instrumentos movidos a ar comprimido, ou agachados sob as abóbadas mal abertas as iam levantando a golpes de picareta, no meio de um barulho infernal das possantes máquinas que ali nas entranhas da terra, distribuem luz, ar, força necessárias aquele duro labor de ciclopes.  Tudo isso numa temperatura de 38 a 39 graus centígrados, e sob a indizível impressão de que um acidente sempre possível, o surgir inopinado de um veio d’água, uma explosão de gazes, vos pode sepultar, em transes horríveis de um desespero sobrehumano, a quilômetro e meio de superfície do solo, sob milhões de metros cúbicos de granito.

 

Minas primeira seção da vista geral de Morro velho

Primeira seção da vista geral de Morro Velho.  Revista Kosmos, outubro 1907. Fotografia sem nome do autor.

 

Em cima, sobre a mina, estendem-se os edifícios, as oficinas, as usinas da mineração após o trabalho da extração em baixo.  O seu material é de 120 pilões californianos, cujo socar põe em roda um estranho e constante ruído ensurdecedor.  Há ainda aparelhos para o minério e pessoal, bombas, perfuradores, compressores de ar, movido tudo a força hidráulica hidroelétrica e a vapor.  Nas galerias subterrâneas, o minério ou antes a pedra quebrada que o encerra é conduzido por vagonetes de ferro rodando sobre trilhos, puxados por muares, que uma vez descidos aquelas profundezas nunca mais vêem a luz do dia.  Nos seus primeiros 52 anos de existência, (ela tem 72) esta mina do Morro Velho produziu 58.314 quilogramas de ouro no valor de 5.125.000 libras esterlinas, e nos últimos cinco anos, de 1901 a 1905, 13.304.042 gramas no valor de 1.419.051 libras esterlinas.  E no entanto por cada tonelada de pedra extraída não dá senão 18.300 de minério de ouro.  Trabalham nela pouco mais de 2 mil operários,  na sua maioria nacionais.  Chefes, mestres e contra-mestres são todos ingleses.

Minas segunda seção da vista geral do Morro Velho

Segunda seção da vista geral de Morro Velho.  Revista Kósmos, outubro 1907. Fotografia sem nome do autor.

 

A Companhia mantém não longe da confortabilíssima casa do Diretor, um hospital para os seus operários e suas famílias.  Otimamente colocado sobre uma colina, num edifício de um só pavimento todo avarandado, este hospital pode ser modelo no seu gênero, tal é a excelência da sua instalação e a abastança de seus recursos. Dirigem-no dois médicos ingleses.  Como a invejável e largamente hospitaleira residência do Diretor, o amável Sr. Chalmers, é esta casa de saúde, cercada de um parque e jardins admiravelmente cuidados, onde naquele momento havia uma luxuriosa profusão de flores, de soberbas rosas sobretudo. 

Da estação de Honório Bicalho a Morro Velho é uma hora a cavalo, que nós fizemos ao chouto incomodo de burros e bestas.  Salvo no vale do fundo do qual surge Vila Nova de Lima, antiga Congonhas do Campo o Morro Velho, este trecho do sertão não tem nenhuma beleza particular.   Mas vista dos altos que a rodeiam aquela aldeia tem um singular encanto, e o atravessá-la, pelas suas ruas estreitas, ladeirosas e empredadas de matacães roliços, marginadas de velhas e miseráveis casas baixas, feias, de vila colonial, vos trás não sei que sentimento de melancolia.  É o velho Brasil sertanejo, que ainda se demora em desaparecer mas que está evidentemente por pouco.

 

                                                                                  José Veríssimo

Minas, terceira seção da vista geral do morro velho

Terceira  seção da vista geral de Morro Velho.  Revista Kósmos, outubro 1907. Fotografia sem nome do autor.





José Veríssimo: Quatro dias em Minas Gerais – texto integral da Revista Kósmos, Nov. 1907

23 06 2009

 

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Mapa do estado de Minas Gerais.

 

A postagem de anteontem, 1949: a natureza em MG, Francisco de Barros Júnior, lembrou-me do artigo escrito por José Veríssimo para a Revista Kósmos em 1907, que descreve justamente a mineração em Minas Gerais.  Colocarei abaixo o artigo para que todos possam lê-lo:

 

 

QUATRO DIAS EM MINAS GERAIS

 

Não sei se apropriadamente se pode chamar de minas — aberturas subterrâneas, feitas para se tirarem minerais, segundo definem os dicionaristas – às colinas de manganês chamadas Morro da Mina, cuja exploração se faz toda a céu aberto cavando a montanha ou deslocando os blocos de minério que a constituem toda a golpes de enxada ou picareta, como aqui no rio vemos fazer aos cavouqueiros tirando terra ou barro dos nossos morros. E é esta a sua singularidade e preciosidade, que nela a escavação não custa o menor esforço de escavação ou sequer de abertura de galerias, ainda superficiais,  nem mesmo da simples rebusca de um veio a descobrir ou explorar. Todo o morro é mina ou antes mineral; para o aproveitar basta escavá-lo com instrumentos simples e rudimentares, que todo homem sabe manejar, a enxada, o alveão,  a picareta da base ao cimo, faldas a cima, desagregando com extrema facilidade os torrões vermelho escuro com laivos negros que os compõem.  O Morro da Mina, que é certamente uma das curiosidades de Minas, está situado a 5 kilometros a leste de

 

Minas, vista geral

Fotografia do Morro da Mina, Revista Kosmos, 1907.  Sem atribuição de fotográfo. 

 

Queluz de Minas, a 12 horas pouco mais ou menos do Rio pela Estrada de Ferro Central do Brasil, a qual se liga por um ramal de 7 kilometros.  O ponto culminante do Morro da Mina está a 1114 metros de altitude, tendo a linha férrea de contorno da jazida a altitude média de 1050 metros. 

A exploração como disse a cima é toda a céu aberto, e as cabeceiras de ataque estão em uma série de degraus formando outros tantos andares, cuja extensão total é de pouco mais de um quilômetro.  Cada um desses andares é servido por linhas Decauville para vagonetes, exceto o primeiro que o é diretamente pelos carros da Central. Para os andares superiores, em cada cabeceira de trabalho, os vagonetes recebem o minério extraído, o levam a grandes calhas — para depósito, por onde o minério corre diretamente para dentro dos carros da Central que os trazem ao porto de embarque.

É interessante esse modo de carregamento que permite encher cada vagão com cerca de 40.000 quilos em 6 ou 8 minutos no máximo.  O serviço está organizado de modo a serem diariamente assim carregadas 1.000 toneladas.  

O embaraço único para pleno desenvolvimento dessa incomparável exploração mineira está na dificuldade que até aqui tem encontrado de meios d transporte, pois são ainda insuficientes os que lhe oferece a Estrada de Ferro Central.  Acredita porem o diretor engenheiro desta exploração, Dr. Joaquim de Almeida Lustosa, de quem são estas informações, que a atual inteligente e segura orientação e direção daquela Estrada promete para breve um grande aumento na sua capacidade de transporte.

O pessoal efetivo na mina é de cerca de 150 trabalhadores, nacionais e italianos. O minério em todos os carregamentos acusa a média de 50% de manganês metálico.

 

Minas, galeria de passagem para vagonetes Galeria de passagem para vagonetes no Morro da Mina, Revista Kosmos, 1907, fotografia sem atribuição de autor.

 

A jazida está avaliada em cinco milhões de toneladas disponíveis para os primeiros cem metros verticais, a contar de cima para baixo; ficando ainda outros cem metros acima do talvegue do vale, constituindo uma reserva provável de outros tantos milhões de toneladas.  

Em suma, uma imensa riqueza à flor da terra, cujo aproveitamento por esta singular e felicíssima circunstancia quase não dá trabalho e despesa, se o compararmos com o de outros minérios.   E apenas começado a explorar em Minas Gerais o manganês há uma dúzia de anos, em 1894, a sua exportação nos dez primeiros atingiu a 190.591.465 quilogramas.

No outro dia amanhecemos em Cordisburgo, nome meio latino, meio germânico desagradavelmente destoante da costumada anomástica geográfica indígena.

De Cordisburgo à Gruta de Maquine a distância é mais ou menos a mesma que de Honório Bicalho a Morro Velho, uma hora ou um quarto a cavalo, por um terreno mais ondulado do que realmente acidentado, de cujas medianas alturas se descortina por vezes um infindo e belo horizonte, todo rodeado de montanhas que a enorme distância faz azuis.

A gruta de Maquiné, já descrita por Lund e outros, é realmente uma maravilha.  A larga entrada toda de rocha viva, rodeada e coroada de vegetação circundante, lembra um desses grosseiros e robustos pórticos das grandiosas construções pelasgicas, reveladas por Schieliemann.  Passada ela, está-se numa vasta sala, que é de si mesmo pela amplidão e aspecto estranho uma maravilha.  Uma abertura no fundo, à direita leva à outra sala já escura, onde seria impossível andar sem luz.  Começam a aparecer as estalactites e  estalagmites de quartzo, de formas variadas e estranhas, que se repetem em todas as outras salas ou salões, fingindo animais, cadeiras, caras humanas, púlpitos, candelabros, segundo os afeiçoava a imaginação dos visitantes.  Mas tudo estranho, maravilhoso, como vistas de um mundo irreal.  As numerosas luzes que levávamos e as vozes que refletindo-se e repercutindo naquelas abóbadas altas e sonoras produziam um singular efeito.  Nalguns trechos os cristais de quartzo tocados pela luz brilhavam como miríades de diamantes.  A impressão era de assombro. 

A gruta é imensa percorrendo-a rapidamente levamos umas duas boas horas, e creio que três mil homens não ficariam muito apertados nela.

Daí o trecho da viagem mais interessante é a travessia da Mantiqueira, uma lindíssima região a lapestre por mais de mil metros acima do nível do mar  Em alguns pontos o descortino de vastas extensões montanhosas abaixo de nós é realmente magnífico, e a construção desta linha férrea parte da Central do Brasil, recomenda justamente os engenheiros que a realizam.  Aliás, toda a linha férrea por nós percorrida em mais de 1.500 quilômetros é um documento da sua capacidade, como da boa administração dessa nossa grande via férrea.  Não se pode bastante louvar a excelente conservação de toda ela, a regularidade dos seus serviços, o asseio de suas estações, a disciplina do seu pessoal.  Pena é que a sua extrema direção curvilínea se assim posso chamar a sua extraordinária abundância em curvas, determinada pela natureza do terreno por onde correm seus trilhos, lhe não permitam senão excepcionalmente e intermitentemente as grandes velocidades de certas ferrovias estrangeiras.

 

Minas, carregamento de minerio

Carregamento de minério.  Revista Kosmos, 1907, fotografia sem atribuição de autor.

 

A tarde do terceiro dia chegamos a Belo Horizonte, entre o espocar de bombas e os vivas de uma grande multidão aglomerada na estação.  Vista de longe, ao chegar, Belo Horizonte apresenta o aspecto de uma grande cidade.  Dela já tive ocasião de escrever.

“Monumento da vontade e do esforço de uma geração a quem ela só basta para recomendar à nossa estima, Belo Horizonte pela sua posição felicissimamente  escolhida e belíssima, justificando cabalmente o seu nome, apresenta-se já, não obstante a sua minguada população (os cálculos mais generosos não lhe dão mais de 25 mil habitantes) com o aspecto de uma grande e formosa cidade.  Nada, com efeito, a não ser população, elemento aliás principal, lhe falta para isso:  num sítio lindíssimo, e que lhe avantaja magnificamente as proporções atuais, foi traçada a cidade, segundo os preceitos mais modernos e mais bem recomendados em tais criações, serviços municipais exemplares, arruamentos magníficos, excelentemente arborizados, construções custosas e caprichosas, edificação pública suntuária, jardins,  parques, iluminação elétrica, viação urbana ótima.  E tudo isso foi feito apenas em dez anos ou ainda em menos, por um povo que se não presumia quisesse competir com o Yankee em atividade febril.”

De Belo Horizonte, entretanto, vimos muito pouco.  O Dr. João Pinheiro, presidente do Estado, tinha a peito mostrar a seus hóspedes de um dia, principalmente ao mais ilustre deles, um dos aspectos da sua esclarecida administração, a sua preocupação direta e singular dos problemas econômicos em cuja solução ele crê o estado imediata e grandemente interessado.  Para isso íamos de antemão convidados à colônia do Barreiro e ao campo de experiência agrícola de Gameleira.  Eram uns quarenta quilômetros ida e volta que tínhamos de fazer, a cavalo ou de carro, conforma as preferências de cada um e que fizemos.

O primeiro daqueles lugares é o de uma velha fazenda abandonada por imprestável, tanto eram suas terras julgadas “cansadas” segundo a expressão local.

O empreendimento do Dr. João Pinheiro, e que não é só uma empresa oficial de funcionamento burocrático mas que ele acompanha de perto com amor de autor cioso do bom resultado da sua obra e interesse de um administrador zelosíssimo do seu bom renome e do sucesso de seus projetos governativos, aponta a mais de um fim.  Primeiro promover de uma maneira inteligente e eficaz a imigração para Minas Gerais mediante a criação de muitos núcleos coloniais dos quais o de Barreiro é um, onde se deparam ao colono condições de êxito tais que o tentamen não possa absolutamente malograr. Este sucesso conseguido, e tudo faz crer que o seja, estará lançada a semente fecunda da colonização mineira, isto é, criado o movimento inicial da corrente de imigração de que o estado precisa para o aproveitamento de suas indizíveis riquezas.  Segundo, mostrar praticamente ao mesmo indígena desanimado da lavoura pelo cansaço da terra, que em face dos modernos processos agrícolas não há terras cansadas e imprestáveis, e que numa velha fazenda abandonada se pode ainda fazer florescentes lavouras.  Esta segunda parte do seu projeto já o Dr. João Pinheiro a realizou ou está em via de realizar plenamente.  Vimos os campos da bela fazenda admiravelmente lavrados pelo arado e outros instrumentos aratórios, cientificamente adubados, com magníficas plantações de arroz, batatas inglesas e cebolas, que pelos cálculos feitos em nossa presença, e que nos pareceram de exatidão rigorosa, devem pagar sobejamente o trabalho da cultura.  Não há dúvida que essas fazendas velhas que os nossos agricultores  têm abandonado à invasão do mato ou vendido a vilíssimo preço podem ainda ser campo de uma considerável e proveitosa atividade agrícola.  E provando-o experimentalmente o Dr. João Pinheiro não só uma utilíssima lição de coisas ao seu estado mas ao Brasil todo, especialmente aos que no outrora riquíssimo vale do Paraíba abandonaram fazendas e terras, com aquele pretexto de cansadas.

 

Minas, parte central da jazida mostrando 3 planos de ataque

Parte central da jazida, mostrando os três planos de ataque.  Revista Kosmos, 1907, fotografia sem atribuição de autor.

 

A primeira parte do seu programa conta o Dr. João Pinheiro resolveu-a dando a cada imigrante com família, com casa para habitar, e boa casa, um lote com 5 hectares dos quais dois já plantados, e o resto já arroteado, e mais os instrumentos e apetrechos necessários à sua vida agrícola.  O colono não será desanimado pela necessidade de tudo fazer por si e terá, um prazo razoável, três anos, creio, para pagar a despesa com ele feita.  O produto que de sua lavoura colher, ou venderá livremente a quem lhe parecer, ou o entregará ao Estado pelos preços do mercado.  

Tal é, nas suas linhas bem gerais, o sistema do Dr. João Pinheiro.  Eu o vi discuti-lo um dia inteiro com o Sr. Guilherme Ferrero e com Mme Ferrero, ambos muito versados em questões econômicas e ambos com idéias sociais e econômicas contrárias a do estadista mineiro, cujo talvez exagerado protecionismo (pois ele funda o sucesso do seu sistema numa tarifa protecionista que eleve até a proibição o imposto de entrada dos gêneros que as suas colônias devam produzir) ambos combateram com razões que a mim, anti-protecionista como eles, me pareceram fortes.

O Dr. João Pinheiro, ao contrário da maioria dos nossos improvisados estadistas, é um homem de estudo e experiência, do livro e do campo, de pensamento e de atividade prática.  É proprietário de uma grande fábrica de cerâmica e fazendeiro, e sempre se ocupou principalmente desta feição de sua atividade.  Este homem prático, porém, e é isto que a meus olhos o distingue e enobrece,  é também um ideólogo, no bom sentido da palavra.  Um estadista sem idéias, ou sem a capacidade de as apreciar e compreender, é apenas um burocrata ou um politicante vulgar.  Mas na ideologia do Sr. João Pinheiro, há uma força, que é a convicção e o entusiasmo necessário, indispensáveis à realização dos planos como o seu.  O perigo que eu neste vejo é o de todos os grandes planos governativos, do mesmo gênero, que se enriquecem e engrandecem o Estado, prejudicam e empobrecem o indivíduo.

Era na essência o motivo da oposição de Ferrero e sua senhora, que antepõem, e eu estou com eles, o bem do indivíduo ao do Estado.  A eles parecia que os sacrifícios que ia fazer o Estado em bem de seu povoamento e do progresso da sua estacionária e rotineira lavoura, teriam ao cabo de pesar sobre o contribuinte, que desde já viam ameaçados de novos impostos para os pagar.  

 

Minas, segundo plano de ataque da mina

Segundo plano de ataque da mina.  Revista Kosmos, 1907, fotografia sem atribuição de autor.

 

Respondia-lhes convencido e seguro de si o Sr. João Pinheiro que esses sacrifícios eram apenas aparentes e momentâneos, pois de fato o mesmo colono reembolsava o estado do que lhe houvesse custado, e o argumento da riqueza pública, que o povoamento e o desenvolvimento da lavoura forçosamente determinariam, garantiria o bem-estar das populações.

Em teoria parece-me ter toda a razão o Presidente de Minas, mas eu não sei se da experiência de todos os  povos, e nossa mesma, não resulta a verificação de que o enriquecimento e prosperidade do Estado nem sempre corresponde, antes nunca corresponde, o bem-estar do indivíduo cada vez mais sacrificado a ele.  Para alterar a ordem destes valores, requerer-se-iam estadistas inspirados de um espírito novo, como quero crer seja o Dr. João Pinheiro, capazes de se emanciparem da superstição, do fetichismo do estado, Moloch moderno a quem é sacrificado inconsiderada e levianamente o individuo, a pretexto de uma grandeza e prosperidade daquele que rari ssimamente aproveita a este.

De Barreiro, a fazenda velha transformada em futurosa colônia agrícola, fomos a Gameleira que é há um tempo um campo de experiências da nova agricultura e uma escola prática de trabalhos rurais.  Não só se fazem ali com saber e método tais experiências, das quais já vimos explêndidos resultados, como pode ali o agricultor conhecer, ver funcionar e aprender a manejar os mais variados e eficazes instrumentos de lavoura, de toda a espécie e utilidade.

Quem, como nós, acabava de atravessar quilômetros e quilômetros, horas e horas, de caminho de ferro, sem quase ver gente, e apenas alguma rara e escassa lavoura, não podia deixar de dar razão ao atual chefe deste grande e riquíssimo Estado de Minas no seu propósito de promover oficialmente o povoamento do seu solo, pois apesar dos seus 3 milhões de habitantes, a maior população de um estado do Brasil, a impressão que dá Minas a quem o percorre em 3 ou 4 dias de caminho de ferro não está longe da de um deserto.  

                                                                                              José Veríssimo

 

Em: Revista Kósmos,  Novembro de 1907, Ano IV, Número 11.

 

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Jose_Verissimo

José Veríssimo

 

José Veríssimo Dias de Matos (Óbidos, PA, 1857 — Rio de Janeiro, RJ, 1916) foi um escritor, crítico, educador, jornalista, sociólogo, sócio do IHGB, sócio-fundador da ABL, diretor da Revista Brasileira, professor, diretor do Colégio Pedro II.  Como escritor, a sua obra é das mais notáveis, destacando-se os vários estudos sociológicos, históricos e econômicos sobre a Amazônia e as suas séries de história e crítica literárias. Na Introdução à sua História da literatura brasileira tem-se uma primeira revelação de todas as vicissitudes por que havia de passar uma literatura que se nutriu por muito tempo da tradição, do espírito e de fórmulas de outras literaturas, principalmente do que lhe vinha de Portugal e da França.  Usou também os pseudônimos: Cândido e José Verega.

 

 

Obras:

 

 

Primeiras páginas, 1878

Emílio Litré, 1881

Carlos Gomes, 1882

Cenas da vida amazônica, ensaio social, 1886

Questão de limites, história, 1889

Estudos brasileiros, 2 séries, 1889-1904

Educação nacional, educação, 1890

A religião dos tupis-guaranis, 1891

A Amazônia, 1892

Domingos Soares Ferreira Penna, 1895

A pesca na Amazônia, história, 1895

Ginásio nacional, 1896

O século XIX, 1899

Pará e Amazonas, 1899

Estudos de literatura, 6 séries, 1901-1907

A instrução pública e a imprensa, educação, 1901  

Homens e coisas estrangeiras, 3 séries, 1902-1908

Que é literatura e outros escritos, 1907

Interesses da Amazônia, 1915

História da literatura brasileira, 1916

Letras e literatos (póstuma), 1936

 

Em domínio Público e  pronta para leitura na internet: História da literatura brasileira 





1949: a natureza em MG, Francisco de Barros Júnior

21 06 2009

minasgerais, mineraçãodomanganês,eucalol

Estampa Eucalol: Mineração do manganês em Minas Gerais

          No meio do debate sobre desmatamento versus preservação, a semana que passou foi pontuada por palavras do presidente Lula, favorecendo o desmatamento em função de um possível progresso.  Os resultados de planos como esse infelizmente não trazem as benfeitorias sociais de longo prazo tão anunciadas.  Isso já foi demonstrado dezenas de vezes por estudiosos do assunto.  Hoje, esses são discursos difíceis de serem aceitos por qualquer um de nós,  brasileiros, que se importa com o meio ambiente.  É quase inacreditável que mesmo com as conseqüências já bastante conhecidas e  prejudiciais ao planeta, haja líderes eleitos, como os nossos, que ainda defendam o desmatamento.  É um discurso antigo.

          Vale lembrar algumas mudanças que já se fizeram notar no nosso meio ambiente, mudanças que ocorreram através da exploração de minerais, de minério de ferro, de manganês, de ouro, que contribuíram para alguns dos problemas do meio ambiente enfrentados no  Brasil, nos dias de hoje.  Não especifico, aqui, mudanças no meio ambiente através de séculos de exploração, mas das mudanças que ocorreram, nos últimos 50, 60 anos. 

 Transcrevo a seguir, um pequeno texto, publicado em 1949, de Francisco de Barros Júnior para consideração.  

alberto da veiga guignard,Sabará, 1949,osm 38x47,

Sabará, 1949

Guignard (Brasil 1896-1962)

Óleo sobre madeira, 38 x 47 cm

          De um lado, o Paraíba demandando, em saltos e corredeiras através das gargantas da serra, as planícies campistas.  Do outro, a majestosa Mantiqueira coberta de pastagens que substituíram as matas, de onde saíram as caviúnas e jacarandás para as preciosas arcas, mesas e camas entalhadas, que adornavam os lares de nossos maiores, e que nos mesmos lugares há mais de cem anos devem ainda estar nas salas , quartos e alpendres daquela fazenda da margem esquerda, situada a meia encosta.  Com seu pomar onde avultam as enormes mangueiras, com a grande casa senhorial assobradada, ostentando portais e janelas em arco, discretamente velada pelo renque de altíssimas palmeiras imperiais, com os muros do “quadrado” em que viviam os escravos, com as grandes cocheiras e estábulos, os quartos de arreios, os galpões onde talvez ainda durmam poeirentos, os banguês e berlindas ricamente decorados e os amplos terreiros de largas lajes, são um testemunho do fausto em que viviam seus orgulhosos senhores.

          Usando do privilégio de narrador, vamos prosseguir de dia, pois se continuássemos pelo mesmo trem, nada veríamos da terra mineira.  Façamos de conta que, vindos pelo noturno paulista, tomamos em Barra do Piraí o primeiro rápido mineiro, ruma a Belo Horizonte.

          A locomotiva galga lerda e resfolegante os aclives máximos, fazendo-nos mergulhar com freqüência nas trevas de curtos túneis.  A terra é montanhosa, dificilmente se vê uma planície, e o coração dos que pela primeira vez viajam por essas paragens fica constantemente apertado, quando o desengonçado comboio passa em vertiginosa velocidade a cavaleiro de insondáveis abismos…

          Passamos pela linda Juiz de Fora a que seus filhos chamam orgulhosamente de “Manchester Mineira”, e que julgam rival da Capital, pelo seu comércio e convívio social selecionado…  Depois, Palmira, hoje Santos Dumont, em homenagem ao genial patrício nascido em fazenda de seu município.  Cidade pequena e graciosamente espalhada por duas colinas, o que lhe dá um aspecto de mimoso presépio.  È o refúgio das vítimas do cruel bacilo de Koch, graças ao ameno clima de seus novecentos metros de altitude.

          Agora, Barbacena, alcandorada no tope da montanha, e que nos aparece de grande distância, vestida de branco.  À chegada, passamos pelos imponentes edifícios do Patronato Agrícola, de administração federal, onde os barbacenenses vão buscar ótimos legumes, figos, uvas, ameixas, e saborosos caquis.

          Até aqui, a zona pastoril, terra do leite, manteiga e queijos deliciosos.  A seguir mergulhamos no domínio das matérias-primas, por cuja porta – Lafaiete – sai o manganês puríssimo de suas inesgotáveis jazidas.  Intermináveis comboios estão nos desvios, abarrotados desse precioso minério, esperando linha para descer até o Rio, e de lá no bojo de transatlânticos, irão para a América do Norte, endurecer o aço dos canhões e das couraças…  Sobre diversas colinas íngremes, à nossa direita, está Congonhas do Campo, em cujas igrejas se perpetuou o gênio do Aleijadinho, essa tosca encarnação de Miguel Ângelo, arquiteto, pintor e escultor.

          Pelas estradas marginais, trotam em fila dezenas de cargueiros carregados de carvão vegetal para alimento dos altos fornos de Itabirito, que, na penumbra da tarde, lançam para o céu o fogacho rubro de suas entranhas, de onde escorre o ferro moldando-se em lingotes, que irão para a insaciável indústria paulista.

          As necessidades da siderurgia vêm devastando as matas há muitos anos, e de longe deve estar chegando esse carvão.  Os caçadores dessa zona têm de ir a grandes distâncias para encontrar codornas e perdizes, afugentadas com as plantações de capim gordura, em cujo meio não podem viver.

          É noite fechada, e a poderosa iluminação da capital projeta-se contra nuvens baixas, localizando-a a muitos quilômetros.

          Os apressados despem o guarda-pó ainda muito em uso nesse Estado, reúnem embrulhos e malas que arrumam sobre os bancos, e muito antes de chegar à plataforma, já estão com meio corpo fora da janela chamando pelos carregadores, na ânsia de serem os primeiros a desembarcar.  Demoro-me bastante para retirar a bagagem despachada, e minha atenção vai para um carrinho que roda em direção a um vagão de bagagem, especial, ligado ao noturno, já pronto para descer rumo ao Rio.  Cercam-no cinco ou seis soldados e vários sujeitos carrancudos com ares de ferrabrazes de opereta.  Nele, vão quatro ou cinco caixotes fortemente arqueados e lacrados, e sou rudemente afastado por um dos referidos capangas, quando pretendo aproximar-me do misterioso cortejo…  È meia tonelada de ouro puro em lingotes, produto de todo um mês de trabalho nas minas de Morro Velho, destinados aos cofres do Banco do Brasil.  Deixa o ilustre itinerante sua obscura morada onde viveu milhões de anos a três mil e seiscentos metros abaixo da superfície do mar, na mais profunda mina do mundo, para um palácio confortável, onde terá uma corte vigilante e respeitosa.

          Começa o reinado de sua majestade o Ouro!

          Terra Brasileira!

          Nossa terra!…

 

***

Em: Caçando e pescando por todo o Brasil, 3ª série: Planalto Mineiro, O São Francisco e Bahia, Francisco de Barros Júnior, São Paulo, Melhoramentos: 1949, 2ª edição, páginas 25-28.

minademanganêsemconslafaiete

Mina de Manganês em Conselheiro Lafaiete, MG.

Francisco Carvalho de Barros Júnior (Campinas, 14 de dezembro de 1883 — 1969) foi um escritor e naturalista brasileiro que ganhou em 1961 o Prêmio Jabuti de Literatura, na categorua de literatura infanto-juvenil.

Francisco Carvalho de Barros Júnior, patrono da cadeira n° 16 da Academia Jundiaiense de Letras, colaborou em vários jornais e revistas e é o autor da série Caçando e Pescando Por Todo o Brasil, um relato de viagens pelo Brasil na primeira metade do século XX, descrevendo diversos aspectos das regiões visitadas (entre outros botânica, animais e populações caboclas e indígenas).

Obras:

Série Caçando e Pescando Por Todo o Brasil

Primeira série: Brasil-Sul, 1945

Segunda Série: Mato Grosso Goiás, 1947

Terceira Série: Planalto Mineiro – o São Francisco e a Bahia, 1949

Quarta Série: Norte,  Nordeste,  Marajó, Grandes Lagos, o Madeira, o Mamoré, 1950

Quinta Série: Purus e Acre, 1952

Sexta Série: Araguaia e Tocantins, 1952

Tragédias Caboclas, 1955, contos  

Três Garotos em Férias no Rio Tietê, 1951, infanto-juvenil

Três Escoteiros em Férias no Rio Paraná, infanto-juvenil

Três Escoteiros em Férias no Rio Paraguai, infanto-juvenil

Três Escoteiros em Férias no Rio Aquidauana, infanto-juvenil

guignardAlberto da Veiga Guignard

 

Alberto da Veiga Guignard (Nova Friburgo, 25 de fevereiro de 1896Belo Horizonte, 25 de junho de 1962) foi pintor, professor, desenhista, ilustrador e gravador mas acima de tudo um famoso pintor brasileiro, conhecido principalmente por retratar paisagens mineiras. Fluminense por nascimento, mas mineiro por opção, registrou, na maioria dos seus quadros, as belezas naturais de Minas Gerais, em especial de Ouro Preto: «Ouro Preto é a sua cidade, amor, inspiração.»  É o próprio pintor que faz, por escrito, nesta singela frase, sua declaração de amor à histórica cidade mineira, antiga capital do Estado, berço de Aleijadinho e inspiração de tantos outros artistas. Guignard participou dos Salões de 1924, 1929, 1939 e 1942, no Rio de Janeiro; realizou algumas exposições individuais dentro e fora do país; marcou presença na 1ª Bienal de São Paulo. Houve, ainda, várias exposições após sua morte, a maioria delas em Belo Horizonte.

Texto: Pitoresco





Quadrinha sobre Ecologia, uso escolar

11 06 2009

floresta diminuindo

Papa-capim e um amigo, ilustração: Maurício de Sousa

 

Vêm das fábricas descendo

impurezas em excesso.

A Natureza morrendo…

Chamam a isto progresso?

 

(Luiz Evandro Innocêncio)





Você conhece o jequitibá?

10 06 2009

jequitiba_2, UFF

Foto: UFF

 

OS JEQUITIBÁS

Nomes científicos:

Cariniana legalis (Mart.) Kuntze) –  JEQUITIBÁ ROSA

Cariniana estrellensis (Raddi) Kuntze – JEQUITIBÁ BRANCO

Couratari pyramidata – espécie da família em perigo de extinção (RJ e MG)

Cariniana rubra – JEQUITIBÁ VERMELHO

Cariniana ianeirensis, conhecida apenas como JEQUITIBÁ

Cariniana parvifolia – JEQUITIBÁ CRAVINHO

Família: Lecythidaceae

 

Os jequitibás são árvores fascinantes nativas da Mata Atlântica.

O Jequitibá é considerado a maior árvore deste bioma, podendo alcançar 60m de altura!!!!!  Isto é equivalente a um edifício de 20 andares!!!! 

Em tupi-guarani, seu nome significa:  Gigante da Floresta.

De porte majestoso, o jequitibá se destaca das demais árvores ao seu redor, ultrapassando o dossel da mata.

jequitibá-rosa

Jequitibá-rosa

 

JEQUITIBÁ ROSA

Arvore símbolo do Estado de São Paulo.

Outros nomes: congolo-de-porco, estopa, jequitibá-de-agulheiro, jequitibá-branco, jequitibá-cedro, jequitibá-grande, jequitibá-vermelho, pau-carga, pau-caixão, sapucaia-de-apito.

Nativa: ES, RJ, SP, MG, MS, AL, PB, BA, PE.

O maior e mais antigo espécime vivo do jequitibá-rosa se encontra no Parque Estadual do Vassununga, em Santa Rita do Passa Quatro, SP, e possui mais de 3.000 anos de idade, considerado dessa forma um dos seres vivos mais antigos do planeta, e a mais velha árvore do Brasil. Sua altura é 40 m e seu diâmetro 3 m. Outro espécime importante fica no Parque Estadual dos Três Picos, RJ, e tem cerca de 1.000 anos.

Suas sementes são muito apreciadas por macacos.

É planta medicinal, sua casca é usada em extrato fluido.

A madeira é própria para construção civil, obras internas para contraplacados, folhas faqueadas, móveis, para confecção de brinquedos, salto de calçados, lápis, cabos de vassouras, etc.

A árvore é exuberante e muito ornamental, podendo ser empregada no paisagismo de parques e praças públicas e áreas rurais.  Esta árvore é tão monumental e admirada que emprestou seu nome a cidades, ruas, palácios, parques, etc.

Como planta tolerante à luz direta é excelente para plantios mistos, por isso pode ser usada na revegetação de áreas desmatadas.O que tem sido feito para preservá-los.

jequitiba-branco

Jequitibá-branco

JEQUITIBÁ BRANCO

Está na lista de espécies ameaçadas do estado de São Paulo.

Outros nomes: jequitibá, estopa, jequitibá-rei, jequitibá-vermelho, jequitibá-rosa, cachimbeiro, jequitibá vermelho, pau-de-cachimbo, pau-estopa, mussambê, coatinga.

Nativa: Sul da BA, ES, RJ, SP, MG, GO, PR, SC, RS e AC.  Bolívia, Paraguai e Peru.

Chega a altura de 45 m, com tronco de até 120 cm de diâmetro.

Há no Rio de Janeiro um exemplar com 60 m de altura e mais de 6 m de diâmetro. Outro exemplar com 50 m de altura tem 7,10 m de diâmetro.

Suas sementes são muito apreciadas por macacos.

A madeira, leve, é usada na construção civil apenas em obras internas, pois é pouco resistente ao tempo.

Ornamental e de porte monumental, pode ser usada no paisagismo de parques, praças e áreas rurais.

Indispensável na revegetação de áreas desmatadas.

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Fruto do jequitibá, Foto: UFF

JEQUITIBÁ

Cariniana ianeirensis é uma espécie de planta lenhosa da família Lecythidaceae, cujo nome popular é jequitibá.

Nativa:Mata Atlântica do Rio de Janeiro, nas florestas da Tijuca e de Itaocara, e de São Paulo.

Está ameaçada  de extinção por perda de seu habitat, que fica muito próximo à área urbana da cidade.

A floresta da Tijuca é quase inteiramente protegida, mas buscas feitas em 1998 não encontraram espécimes desse jequitibá.

chaise zonza, eduardo gomes baroni, jequitibá, 2007, móveis schuster

Chaise Zonza, 2007

Designer: Eduardo Gomes Baroni

Madeira: jequitibá

Móveis Schuster

Foto: Blog do Rodrigo Barba

 

JEQUITIBÁ VERMELHO

Outros nomes: jequitibá, cachimbeira, cachimbo-de-macaco.

Nativa: GO, TO, MT.

Esta é bem menor que as anteriores. Sua altura chega até 18 m e o tronco chega até 80 cm de diâmetro.  Suas flores são de cor vermelha.

Suas sementes são muito apreciadas por macacos.

A madeira é usada na construção civil, e a casca para cordoaria.

Pode ser usada no paisagismo de parques, praças e áreas rurais.

Recomendada na revegetação de áreas ciliares desmatadas.

JEQUITIBÁ CRAVINHO

Está ameaçado de extinção. Teporariamente protegidio na Reserva de Linhares.

Nativa: ES.

Outros usos dos jequitibás: O tanino de sua casca é empregado no curtimento de couros, e sua casca também tem grande poder desinfetante. As propriedades bioativas de sua casca têm despertado a depredação de indivíduos milenares.  Os jequitibás pertencem a uma espécie vulnerável, em alguns lugares nativos, como no estado de Pernambuco, por exemplo, já em extinção.

 

Fontes:

Tropical Flora

UFF

Blog de Paisagismo Lopes

Biomania

 

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Por causa do grande número de pessoas me contatando para saber como plantar um jequitibá, posto aqui o que encontrei na WEB a respeito e coloco duas fontes.  Muito obrigada pela atenção:

 

Como plantar um jequitibá:

 

Se você tem a muda:

 

Preste atenção ao tamanho da muda.  Quanto menor o vaso ou o saquinho onde está maior o cuidado.  Procure não se descuidar das regas. Sem água demais e sem deixar secar.  Exemplo, uma muda com 5 cm o ideal seria você transplantá-la para um vaso grande até que ela atinja um bom tamanho.  Por exemplo, seria conveniente  transplantar as mudas para uma lata de tinta de 20 litros, ou um recipiente semelhante, para que a muda possa se desenvolver bem, antes de colocá-la no solo.  

Se a muda é nova, procure um local com sol apenas por algumas horas na parte da manhã.  O jequitibá é uma árvore clímax, esse tipo de arvore prefere sombra para seu desenvolvimento inicial. 

Com o crescimento que é  acelerado, procure replantá-la em um vaso maior quando perceber que ela tem essa necessidade. Só a plante no chão quando já tiver um tamanho que não a deixe ser vítima de pisoteio ou sol a pino.

 

Um detalhe muitíssimo importante: escolha um local com bastante espaço para plantá-la porque cresce muito. Caso se esqueça desse detalhe, talvez tenha que arrancá-la mais tarde.

 

Resposta baseada em dados do site: http://www.ojardineiro.com.br

 

 

Colhida a semente:

 

Verifique o seguinte site de pesquisa do Embrapa:

 

http://www.cnpf.embrapa.br/publica/folders/JequitibaRosa_2004.pdf