Imagem de leitura — Charles Samuel Keene

10 09 2014

Dorothea Corbould, Reading ?circa 1860 by Charles Samuel Keene 1823-1891Dorothea Corbould, lendo, c. 1860

Charles Samuel Keene (Inglaterra, 1823–1891)

Nanquim sobre papel, 16 x 10 cm

Tate Gallery, Londres





Imagem de leitura — Cliff Rowe

21 07 2014

 

 

Cliff Rowe (1904-1989) «Street Scene Kentish Town » 1931Cena de rua no condado de Kent, c. 1931

Cliff Rowe (Inglaterra, 1904-1989)

óleo sobre placa, 61 x 91 cm

Tate Gallery, Londres





Esmerado: fivela de cinto, século VII

27 05 2014

 

 

Belt_buckle

Fivela de cinto dourada do século VII, encontrada no cemitério de navios de Sutton Hoo, em Suffolk na Inglaterra. Museu Britânico.





Curiosidade: o tamanho das cidades na Era Medieval

9 02 2014

carcassonne_cite2Entrada para a cidade medieval francesa, Carcassone.

Por volta de 1200 as maiores cidades do norte da Europa eram Londres, Paris e Ghent.  Cada qual tinha uma população que variava entre 30.000 a 40.000 habitantes.  No entanto, na mesma época, no sul da Europa,  cidades como Veneza e Florença tinham populações acima de 100.000 pessoas.

No século XIV, calcula-se 1/3 de toda a população europeia tenha morrido através da Peste Bubônica, que durou quatro anos.  Mas a Europa precisou dos 150 anos seguintes para recuperar a população que havia tido na primeira metade do século XIV.





Inglaterra, Argentina, Faulklands, Malvinas e a fineza de julgamento de Elsie Lessa

4 04 2012

Londres, Casas do Parlamento, 1903

Claude Monet ( 1840-1926)

óleo sobre tela

[Claude Monet pintou uma série enorme de paisagens como esta, retratando as casas do parlamento inglês, num estudo sobre os efeitos da neblina.  Não sei exatamente o número total de varições desse tema, mas elas foram pintadas em 1900-1904]

Esta semana vimos muitos programas na televisão e artigos no jornal que lembram o aniversário de 30 anos da Guerra das  Ilhas Malvinas ou Faulklands.  Não me pronuncio politicamente nesse blog.  Este não é o objetivo desse lugar, mas não pude deixar de me lembrar dessa crônica de Elsie Lessa,  quando vi tais comemorações:  uma crônica que eu havia lido há alguns anos.  Devo dizer, que sou fã de algumas cidades no mundo.  Londres está entre elas.  [As outras? Paris, Madri, Coimbra, Córdoba, Sarlat e Siena, lugares que por várias e diversas razões cheguei a conhecer muito bem e a visitar inúmeras vezes]. Mas meu sonho de consumo, aquele que a gente acalenta sem dizer palavra porque sabe ser quase impossível, aquele que só se realizaria se um dia eu ganhasse na loteria, (e jogo sempre na esperança)  é ter um “flat” em Londres, uma cidade verdadeiramente cosmopolita.  Como poucas.

COTIDIANO INGLÊS

Elsie Lessa

Estrangeira, com quase cinco anos de Londres, é muito frequente virem me perguntar, brasileiros e ingleses, o que acho da Inglaterra.  Posso dizer a ambos, sem mentir, que acho um privilégio ter desfrutado dela por tanto tempo.  Porque?  Tranquilidade, um sentido de segurança, de ser respeitado como ser humano, de ser deixada viver, sem atritos, num mecanismo social de rodas bem azeitadas, dentro das falibilidades humanas. É um sapato que não dói no pé, como todas as felicidades, negativo, não incomoda, não machuca e a gente só se dá conta disso quando, à força de uso, lembra que está na hora de substituí-lo ou de ter que deixar o país.

As pequenas coisas da vida: o inevitável “obrigado por ter chamado” de qualquer amiga inglesa, para quem a gente ligou. O “por favor” e o “muito obrigado” de que é recheado o cotidiano.

Outro dia eu esperava o ônibus na esquina e, decerto para entreter a espera, aquele senhor de cabelos brancos e roupa meio puída me chamou atenção para aquele desperdício de dois postes tão juntos.  Não era preciso não estava ali aquele com a tabuleta da parada? Para que o outro?  Era assim que eles gastavam o nosso dinheiro e por aí vai.  Entrei contente na conversa e na argumentação, tinha todíssima razão, a gente devia escrever ao “Council” (Conselho Municipal), dona Tatcher era uma senhora sem juízo, a vida estava cara, essas amenidades.  Veio o meu ônibus, o dele não.  E eu já estava dentro quando o meu vizinho de rua, como fazia meu pai quando lhe agradeciam ter pago a passagem de bonde, levantou um pouco o chapéu, saudou-me, agradecendo: “obrigado por ter falado comigo”. Está aí um obrigado que nunca ninguém antes me dissera.

Sou jornalista, gosto de papear, num dia a dia sem muitos interlocutores e usufruo os privilégios da feliz idade a que cheguei, que me põe a salvo de intenções equívocas, ao iniciar uma conversa com um vizinho de balcão de café.  Era ali na Brompton Arcade para o cafezinho das 4, com um cheiro que deixa os fregueses de bom humor.  Entrei na deixa fácil do café do Brasil, falamos de outros, cafés e países, ele já me oferecia galante uma segunda xícara quando me despedi.  Este já era um “gentleman” bem-apessoado,ao contrário do homem reclamador de Chelsea.  Só os unia a mesma boa educação: “muito obrigado por ter falado comigo”.  Tudo boa gente.

Há 8 semanas este país está em estado de conflito, se não de guerra, já tendo ceifado uma meninada e alguns dos seus comandantes.  Não ouvi uma discussão em voz alta sobre ela, embora seja muito comentada.  A televisão tem vozes soturnas, nunca esbravejantes.  Inevitavelmente são transmitidas as notícias e as estatísticas dos dois lados, embora divirjam. São mostrados trechos inteiros da televisão argentina.  Sem comentários ou com um único, certa vez: “A televisão aqui é um pouco diferente”. Nos programas de auditório, fascinantes, em que se discute tudo, (outro dia tomava parte um argentino do auditório), aceitam-se, em voz baixa, todos os argumentos a favor, contra, nem a favor nem contra, muito pelo contrário. Admite-se que seres humanos tenham diferentes pontos de vista e que os defendam, com bons modos e serenidade.  A Rainha tem um filho na frente de batalha e nem ela nem ninguém faz estardalhaço disso.  Ela respondeu simplesmente, perguntada: “São tempos de preocupação e sofrimento para todos nós.  Nossos corações estão com eles,  Mas a vida deve continuar…”  O príncipe mais moço, Edward, acaba de se alistar como fuzileiro naval.  Com uma única nota para a imprensa: não por causa da guerra, mas como parte da educação dos rapazes da família real”. É, a Inglaterra não dói no pé.

Em: Ponte Rio-Londres, Elsie Lessa, Rio de Janeiro, Record:1984.





Meio ambiente um passo na direção certa: renovação da ponte Blackfriars em Londres

23 11 2011

Ponte Blackfriars em Londres tem cobertura de painéis para energia solar.

Uma estação de trem construída sobre o rio Tâmisa, em Londres, está prestes a se tornar a maior ponte solar do mundo, com a instalação de 4,4 mil painéis solares em seu telhado.  A Ponte de Blackfriars, construída em 1886, tem 281 metros de comprimento e serve de fundação para a estação de trem de mesmo nome, que está em processo de  reforma.   O novo telhado, que será adicionado à estrutura original da ponte, terá mais de 6 mil m² de painéis solares, criando, assim, o maior sistema de captação de energia do sol em Londres.

 Trabalhadores colocando painel solar no telhado.

A previsão é que os painéis solares, que começaram a ser instalados em outubro, gerem em torno de 900 mil kWh por ano, fornecendo 50% da energia consumida pela estação e reduzindo as emissões de gás carbônico em cerca de 511 toneladas anuais.   Além dos painéis solares, outras medidas de economia de energia adotadas na nova estação incluem sistemas para coleta de água da chuva e o uso de “canos solares” para aproveitar a luz natural.   “A ponte férrea, da época da Rainha Vitória, em Blackfriars é parte da história de nosso sistema ferroviário. Foi construída na ‘idade do vapor’ e nós estamos a atualizando com uma tecnologia solar do século 21 para criar uma estação que será um ícone para a cidade“, diz o diretor do projeto, Lindsay Vamplew.  A obra de instalação dos painéis solares em Blackfriars deve terminar em 2012. Além dela, a única “ponte solar” conhecida no mundo é a ponte de Kurilpa, em Brisbane, na Austrália, construída em 2009.

Ponte Solar Kurilpa, para pedestres e bicicletas, em Brisbane, Queensland, Austrália.

A Ponte Kurilpa sobre o Rio Brisbane, na cidade de Brisbane na Austrália já foi originalmente construída para ser uma ponte solar.  A ponte, para pedestres e bicicletas, popularmente conhecida como “Fiddle Sticks” [Arcos de Viola], tem 470 m de comprimento e  custou em 2009, 63 milhões de dólares australianos, que no Brazil de hoje seriam 112 milhões de reais [por que será que tenho a impressão de que aqui no Brasil essa ponte sairia 4 vezes mais cara?].  Em 2011, o projeto dessa ponte recebeu o prêmio mundial de projetos de transporte, no WAF — World Architecture Festival [Festival de Arquitetura Mundial].  

FONTE:  Terra-BBC





Imagem de leitura — Sandra Fisher

10 08 2011


Bob em Redcliffe Square, 1992.

Sandra Fisher ( EUA, 1947-1994))

Óleo sobre tela, 30 x 25cm

Coleção Max Kitaj

Sandra Fisher nasceu na cidade de Nova York, EUA, em 1947.  Cresceu na Flórida e na Califórnia, onde estudou na Escola de Arte Chouinardol, no Instituto de Artes da Califórnia em Los Angeles, graduando-se em 1968.  Em 1970 já era assistente do gravurista Kenneth Tyler no studio desse, Gemini G.E.L..  Foi lá que encontrou seu futuro marido o pintor  R.B. Kitaj.  Mudaram-se para Londres, em 1971, onde permaneceram até a morte da artista, naquela cidade, em 1994.





Nem tudo acaba em pizza…

10 01 2011

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… às vezes acaba em samba!

Música é uma linguagem universal! 

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Divirtam-se!

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NOTA:   Brasil Symphony – Andre Rieu – Live at the Royal Albert Hall, em Londres.





Papa-livros: Viva chama, de Tracy Chevalier

23 11 2009

Goya,osonodarazaoproduzmonstrosO sono da razão produz monstros, 1799  da série:  Os caprichos

Francisco Goya (Espanha, 1746-1828)

Já tive a oportunidade, aqui neste blog, de usar a palavra zeitgeist .  Esta é uma palavra alemã [pronunciada: ‘zaitgaist’] que engloba o conceito de um espírito de época. Originalmente ligada a um movimento do romantismo alemão, com o tempo esta palavra tornou-se a maneira taquigráfica para historiadores explicarem certos fenômenos, atitudes, preocupações que parecem surgir simultaneamente em diversos lugares e culturas diferentes mas que não teriam sido relacionados, apesar dos muitos pontos em comum que apresentam.  Foi justamente este conceito de zeitgeist que primeiro veio à minha mente ao ler Viva Chama [não gosto desta tradução do título inglês: Burning Bright, porque perde a ênfase em português], o mais recente livro de Tracy Chevalier traduzido no Brasil. (Rio de Janeiro, Record: 2009).

Não sou, nem nunca fui, uma especialista do século XVIII, mas conheço o suficiente para me lembrar que uma grande preocupação intelectual do final deste século e  início do século XIX baseava-se nos contrastes, nos opostos.  Intelectuais consideravam seriamente aspectos entre a razão e o sonho;  consideravam os limites do racionalismo em oposição às infinitas possibilidades do inconsciente.  Um dos maiores símbolos para a época, que parece representar fielmente as considerações mencionadas foi a série de oitenta gravuras do pintor espanhol Francisco Goya, chamada de  Los Caprichos, publicada em 1799.  E dentre estas gravuras, uma em particular: O sono da razão produz monstros, se tornou emblemática das preocupações desse fim de século.

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Pietà, 1795

William Blake ( Inglaterra, 1757-1828)

Tate Gallery,  Londres

William Blake (1757-1828), poeta e pintor inglês, contemporâneo de Goya e também um dos personagens do livro de Tracy Chevalier foi um dos intelectuais da época,  mais  preocupados com a dualidade dos elementos.  Blake, que parece no romance um personagem de pano de fundo, tem, no entanto, suas idéias cristalizadas no tecido do romance.  Assim, questões que poderiam ser reduzidas e polarizadas, como razão x sonho; bom x mau; crença x materialismo, encontram no romance a linha de união que as une; a linha de união que preocupava Blake e que ele, através da autora explica:

 — Sim, minhas crianças.  A tensão entre os opostos é o que nos faz ser como somos.  Não somos apenas  uma coisa, mas o oposto dela também, misturando, se chocando e faiscando  dentro de nós.  Não apenas luz, mas escuridão.  Não só paz, mas guerra.  Não só inocência, mas conhecimento.  – Ele descansou o olhar um instante na margarida que Maisie ainda segurava.  – É uma lição que precisamos aprender: ver o mundo todo numa flor… [p. 230].

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William Blake, 1807

Thomas Phillips ( Inglaterra, 1770-1845)

National Portrait Gallery, Londres.

 

 

Tracy Chevalier, astutamente, digere para o leitor a grande temática de opostos se complementando, e o faz em tantos níveis através do romance, que este se torna, para quem o percebe, quase um quebra-cabeças do gênero: quantos quadrados podemos ver neste desenho?  Onde a figura apresentada não só é feita de quadrados como emoldurada por eles.    A trama é difusa e simples, aparentemente centrada nas peripécias de três personagens nos primeiros anos da adolescência.  Uma família sai de um vilarejo na Inglaterra, mudando-se para Londres, a convite do dono de um circo.  O pai, marceneiro, especialista cadeiras, vai para a capital do país ser carpinteiro do circo. Com ele além da mulher vão os filhos: Maisie, uma menina recatada e seu irmão mais velho Jem.   Logo, logo as crianças ficam amigas de Maggie, uma menina de idade próxima à de Jem, filha de vizinhos.  Os três têm muitas aventuras citadinas.  Maggie se aproxima deles feliz por poder mostrar aos “caipiras do interior” sua habilidade e esperteza adquiridas no dia a dia da metrópole.   Um casal — William Blake e sua esposa — que mora no mesmo grupo de casas, é olhado com curiosidade e desconfiança pelos vizinhos.  Assim se torna um elemento de fascinação para os três aventureiros que seguem o casal daqui para acolá e acabam travando uma amizade com o poeta-pintor e sua esposa.

Todos os personagens com grandes ou pequenas participações na trama apresentam duas facetas:  boa e má, inocente e experiente, seriedade e jocosidade.  Anne Kellaway, a senhora sisuda do interior é imediatamente fascinada pelo mundo do circo, onde ela pode se deixar levar por momentos oníricos que não admitia em sua própria vida.  O sério casal Blake é entrevisto nas suas relações sexuais ao ar livre.    Jem, o nosso adolescente do interior luta contra a fascinação e o repúdio por sua amiga Maggie.  Até mesmo as duas meninas, que parecem um o reverso da outra, têm em comum o mesmo nome, Margaret, para o qual cada uma usa um apelido diferente: Maisie e Maggie.  

William Blake é retratado como uma pessoa afável que desperta bastante curiosidade não só por sua impressora, uma máquina que pode ser vista em sua casa, da rua, como também pelos seus desenhos, por suas conversas, por suas poesias e por suas preferências políticas a favor daqueles que no continente apóiam a Revolução Francesa.  E mesmo como um intelectual londrino, William Blake não se esquiva de participar de pequenas discussões sobre uma visão do todo, que inclua seus opostos, com qualquer pessoa que pareça se interessar pelo assunto.   Um exemplo, logo no início do romance, de um diálogo que se desenrola entre ele e o dono do circo Phillip Astley.

Philip Astley

 

 

— O senhor cria, não é? – continuou Phillip Astley – Desenha as coisas reais, mas seus desenhos, suas gravuras não são a coisa em si, pois não?  São fantasias.  Creio que.  apesar das diferenças… – olhou de lado para o paletó preto e simples do Sr. Blake comparado ao vermelho que ele usava, com seus botões de metal brilhando, lustrados diariamente pelas sobrinhas  — somos do mesmo ramo, senhor: nós dois vendemos ilusão. O senhor com seu pincel, tinta e buril, enquanto eu… – Phillip Astley fez um gesto para as pessoas em volta — …todas as noites crio um mundo com artistas no picadeiro.  Tiro o público de seus cuidados e preocupações e dou-lhe fantasia para ele achar que está em outro lugar.  Mas para ser real às vezes temos que ser reais.  ….

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— Não desenho pessoas reais – interrompeu o Sr. Blake, que ouvia com grande interesse e falou. Então, num tom mais normal, sem raiva.  – Mas entendo o senhor.  Porém vejo de outra forma.  O senhor faz diferença entre realidade e ilusão.  Julga que são opostos, não?

— Claro – respondeu Phillip Astley.

— Para mim, são uma coisa só.  ….   [p. 115-116]

E assim, como numa sala de espelhos, a idéia de opostos unidos num todo, é esmiuçada e explicada, multiplicada infinitamente em diferentes níveis através do romance.  Quando vemos, temos em nossas mãos a verdadeira união de “opostos”,  William Blake que parecia apenas um personagem lateral, quase pano de fundo,  tem suas idéias explicitadas de tal forma que é indiretamente o real e único retratado na narrativa.  

Vista da Ponte de Westminster em Londres na segunda metade do século XVIII.

 

É a habilidade narrativa de Tracy Chevalier que leva este romance à leitura rápida, quase compulsiva da trama.  Como leitores anteriores já haviam comentado –  as citações na capa mostram – a riqueza de detalhes desta Londres do final do século XVIII é impressionante.  A autora parece sempre confiante nas descrições em que os cinco sentidos acabam sendo envolvidos: da paisagem do Tamisa de um lado ao outro da ponte de Westminster, aos cheiros dos becos locais, à delicadeza do tato na manufatura de um botão, ao perpétuo gosto de mostarda para os trabalhadores da fábrica, ao assovio de uma canção.  Neste livro todos os nossos sentidos são acordados para o mundo de 200 anos atrás.   E melhor ainda, nós nos lembramos de que esse mundo anterior, poderia ser particularmente cruel e imundo, de vida difícil, esgotante, para a maioria das pessoas.  

Se você gosta de um romance com clareza histórica e uma conexão literária, não deixe de ler Viva Chama.  Vale a pena.

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PS:  A Bertrand do Brasil poderia ter sido um pouco mais cuidadosa na editoração do livro.   Há muitos pequenos errinhos, incluindo a troca de personagens, que distraem a leitura.  Uma falta que não se espera de uma das editoras de um grande conglomerado editorial.  Pena.  Muita pena, que a pressa do lucro haja desvalorizado o texto.

 

Tracy Chevalier





A criatividade quase nunca se deixa abater!

23 09 2008

Sequestradora de homens, 2008 (um dos trabalhos da mostra)

 

Um dos grandes valores das artes é o crescimento interno, o crescimento emocional, a paisagem pessoal que cada artista plástico, músico, escritor parece descobrir dentro de si para poder sobreviver num mundo que para ele não faz sentido.  São muitos os exemplos de pessoas que recorreram à sua criatividade nas horas difíceis de guerra, de perseguição racial, de desastre econômico.  Isto volta a ser mostrado numa exposição de artistas plásticos, contemporâneos, morando no Iraque, que hoje exibem em Londres, na galeria Artiquea.  Para quem vai a Londres: do dia 19 de setembro ao dia 31 de outubro, a galeria estará apresentando a exposição intitulada: Na linha de fogo — arte no Iraque sob ocupação.

 

Sob a curadoria dos escultores iraquianos radicados na Inglaterra Najim Alqaysi e Redha Farhan a exposição mostra 42 trabalhos de escultura e pintura de 21 artistas.  A maioria deles ainda trabalhando no Iraque, sob a guerra. Alguns artistas representados, escultores: Ali Rassan, Mondher Ali e Abdulkareem Khaleel.  Pintores: Fakher Mohammad, Sattar Darwish, Dhia Alkhozai e Wisam Zakko.

 

Não estarei em Londres, nem tenho a possibilidade de ver estes trabalhos pessoalmente, mas acredito ser do interesse de todos testemunharem mais uma vez este espírito imbatível que têm as pessoas criativas.