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Por do sol no arroyo, 2004
Carrie Graber (EUA, contemporânea)
óleo sobre tela
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Por do sol no arroyo, 2004
Carrie Graber (EUA, contemporânea)
óleo sobre tela
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Maureen Hyde (EUA, contemporânea)
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Hans Christian Anderson lendo para as crianças, 1862
Elisabeth Jerichau-Baumann (Polônia, 1819- Dinamarca, 1881)
óleo sobre tela
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Pierre-Auguste Renoir (França, 1841-1919)
óleo sobre tela, 130 x 173 cm
The Phillips Collection, Washigton DC
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A revista Smithsonian Magazine deste mês traz um artigo intrigante de Erin Corneliussen. O artigo refere-se ao novo livro de fotografias de Dinah Fried, intitulado Fictitious Dishes [Pratos fictícios]. As fotografias retratam refeições como descritas em conhecidas obras literárias. Elas trazem também as citações que as criaram. Muito interessante ver como uma frase de Herman Melville em Moby Dick sobre sopa de amêijoas; uma frase de Sylvia Plath sobre abacates; ou ainda talvez o mais famoso chá do mundo, o chá de Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll podem servir de inspiração para fotografias interessantes que nos remetem de volta à leitura. Sugiro que você clique no link aqui embaixo para ver as fotos.
Depois de ler o artigo e ver as fotos tentei me lembrar de cenas ou frases nas literaturas de língua portuguesa que mais me tivessem marcado. Não tive muito sucesso, exceto por me lembrar que havia algumas cenas deliciosas em Senhora de José de Alencar. Transcrevo portanto uma de algumas encontradas no romance.
Um bom domingo de Páscoa a todos vocês.
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“Frutas da estação: abacaxis, figos e laranjas seletas, rivalizando com as maçãs, peras e uvas de importação, ornavam principalmente a refeição meridiana que os costumes estrangeiros substituíram à nossa brasileira merenda da tarde, usada pelos bons avós.
Havia também profusão de massas ligeiras, como empadinhas, camarões e ostras recheadas; além de queijos de vários países e doces de calda ou cristalizados. Os melhores vinhos de sobremesa desde o Xerez até o Moscatel de Setúbal, desde o Champanhe até o Constança, estavam ali tentando o paladar, uns com seu rótulo eloquente, outros com o topázio que brilhava através das facetas do cristal lapidado.
– Não tenho a menor disposição! disse Fernando obedecendo ao gesto de Aurélia e sentando-se à mesa.
– Ora! disse a moça com volubilidade. Para provar frutas e doces não é preciso ter fome; faça como os passarinhos. O que prefere? Um figo, uma pera, ou o abacaxi?
– É preciso que eu tome alguma cousa? perguntou Fernando com seriedade.
– É indispensável.
– Nesse caso tomarei um figo.
– Aqui tem; um figo e uma pera; é apenas um casal.
Seixas inclinou a cabeça; colocou o prato diante de si, e comeu as duas frutas, pausada e friamente, como um homem que exerce uma ação mecânica. Nada em sua fisionomia revelava a sensação agradável do paladar.
Aurélia que esmagava entre os lábios purpurinos bagos de uva moscatel, seguia com os olhos os movimentos automáticos de Fernando, e se não adivinhava, confusamente pressentia o motivo que atuava sobre seu marido.
Ergueu-se então da mesa, e saindo fora, à beirada da casa, onde já fazia sombra, divertiu-se em dar de comer aos canários e sabiás, que festejaram sua chegada com uma brilhante abertura de trinados e gorjeios.
Pensava Aurélia que sua presença porventura acanhava ao marido; e buscava aquele pretexto para arredar-se um instante e deixá-lo mais livre de cerimônias. Desvaneceu-se porém essa idéia do seu espírito, quando espiando pela fresta da janela, viu Seixas imóvel, com os olhos fitos na parede fronteira, e completamente absorto.
Depois do lanche, Aurélia convidou o marido para darem uma volta pelo jardim; mas havia senhoras nas janelas da vizinhança, e a moça não quis expor-se aos olhares curiosos. Ela não era a noiva feliz e amada; mas as outras a supunham, e tanto bastava para que seu pudor a recatasse às vistas dos estranhos.
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Em: Senhora, José de Alencar, 1875, em domínio público.
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Laerte Agnelli, (Brasil, 1937).
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O jornal inglês The Guardian fez esta pergunta a seus leitores: “daqui a cem anos que livros publicados no século XXI ainda serão lidos?” Para nos ajudar nessas especulações próprias para o fim de semana, John Crace, que assina a matéria, nos lembra que entre a virada do século XX e o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, os seguintes livros foram publicados que ainda são lidos nos dias de hoje:”L Frank Baum escreveu The Wonderful Wizard of Oz, [O mágico de Oz]; Colette escreveu Claudine em Paris; Joseph Conrad escreveu Heart of Darkness [O coração das trevas], Baronesa Orczy escreveu The Scarlet Pimpernel, [O pimpirnela escarlate]; EM Forster escreveu Howards End, Thomas Mann escreveu Death in Venice [Morte em Veneza] e Marcel Proust escreveu Swann’s Way [No caminho de Swann]: todos esses livros se tornaram clássicos e são lidos até hoje”.
A minha pergunta é a mesma que o jornal inglês faz. Que livros que você leu — publicados — nesses 14 anos do século XXI, você acredita que estarão ainda sendo lidos no ano de 2114?
Dos que li acredito que ainda sejam lidos em 2114.
Equador, de Miguel Sousa Tavares
Traduzindo Hannah, de Ronaldo Wrobel
E vocês?
Mais dois:
Seu rosto amanhã, Javier Marías — contribuição da leitora, Nanci Sampaio, como vemos nos comentários.
2666, Roberto Bolaño — contribuição do leitor Alexandre Kovacs
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PS: Adicionei outros quando me lembrar de outros.
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Giorgione (Castelfranco 1477- Veneza, 1510)
óleo sobre madeira, 76 x 60 cm
Museu Ashemolean, Oxford
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Giorgione (Castelfranco Veneto , c. 1477 — Veneza, final de 1510) [Giorgio Barbarelli da Castelfranco], pintor italiano, do Renascimento. Giorgione foi o fundador da escola de pintura renascentista de Veneza apoiado por Giovanni Bellini e Ticiano, que muito aprenderam com ele.
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Roberto van der Ploeg (Holanda, 1955) [radicado no Brasil desde 1979]
óleo sobre tela, 80 x 60 cm
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Roberto van der Ploeg nasceu em Valkenburg aan de Geul na Holanda em 1955. Ele veio em 1979 para o Brasil no contexto de um estudo de mestrado em Teologia Latino americana. Desde 1982 reside no Nordeste brasileiro. A mudança da teologia para a pintura não foi muito radical para Roberto Ploeg. Segundo ele teologia e arte são de essência metafórica porque as duas procuram apresentar de maneira pessoal, experiências universais em imagens literárias e visuais. Neste sentido o teólogo é um artista da palavra. O caminho pessoal de Ploeg foi da palavra à imagem visual. Ele fez sua formação artística através de vários cursos em instâncias culturais em Olinda e Recife (MAC, Oficina Guaianases, Escolinha da Arte, UFPE, IAC, Fundaj). Após anos de atividades como teólogo da libertação no Nordeste Brasileiro, ele opta em 1995 definitivamente pela arte. Roberto Ploeg se considera um pintor figurativo. Sua técnica é tradicional: óleo sobre tela. Motivos e temas da sua caminhada pessoal desafiam sua criatividade. Sua arte é engajada sem querer ser ideológica ou transformadora. Ele quer simplesmente testemunhar e analisar seu próprio tempo. Sua preferência é a figura humana, para ele “a primeira paisagem”.