A Leitora, Emmanuel Garant (Canadá 1953)
Emmanuel Garant — nasceu em Lévis, no Canadá, no dia 5 de junho de 1953. Filho de dois artistas plásticos André Garant e Louise Carrier.
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A Leitora, Emmanuel Garant (Canadá 1953)
Emmanuel Garant — nasceu em Lévis, no Canadá, no dia 5 de junho de 1953. Filho de dois artistas plásticos André Garant e Louise Carrier.
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O Engenho do Ovo…
Wilson W Rodrigues
A madrinha era pobre,
tão pobre, que no batizado,
um ovo bem pequenino
deu de presente ao afilhado.
Do ovo nasceu uma pintinha,
que de pinta se fez franga,
e de franga se fez galinha
com olhinhos de sapiranga.
A galinha deu ninhada,
que encheu o galinheiro,
e vendendo essa ninhada
o rapaz ganhou dinheiro.
Com o dinheiro comprou um porco,
que matou para vender;
então comprou uma bezerra
que como ele estava a crescer.
A bezerra se fez vaca
e no rapaz a barba cresceu.
A vaca deu tanto filho,
que o rapaz enriqueceu.
E agora já bem taludo
dono de grande criação,
o rapaz comprou Engenho
como era sua ambição.
De um ovo de batizado,
dado com todo empenho,
um felizardo afilhado
acabou senhor de engenho.
Wilson R. Rodrigues
Vocabulário:
Olhos de sapiranga – olhos sem pestanas
Nunhada – todos os pintos que nascem de uma vez
Taludo – crescido, forte
Ambição – desejo
Empenho – boa vontade
Senhor – dono
Em:
Leituras Infantis, 2° livro, Theobaldo Miranda Santos, Agir:1962, Rio de Janeiro
Wilson Woodrow Rodrigues, nasceu em 1916 em Salvador, BA. Foi poeta, folclorista e jornalista.
Obras:
A caveirinha do preá, Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro
Desnovelando, Arca ed., s/d, Rio de Janeiro
O galo da campina, Arca ed,: s/d, Rio de Janeiro
O pintainho, Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro
Por que a onça ficou pintada, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro
A rãzinha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro
Três potes, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro
O bicho-folha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro
A carapuça vermelha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro
Bahia flor, 1948 (poesias)
Folclore Coreográfico do Brasil, 1953
Contos, s/d
Contos do Rei-sol, s/d
Contos dos caminhos, s/d
Pai João, 1952
São Paulo, Brazil
Montagem de uma biblioteca pública na região do bairro do Jabaquara, São Paulo-SP, por um grupo de 4 escoteiros.
Tudo começou com uma campanha de arrecadação de livros relâmpago em 2005 por 17 grupos escoteiros onde foram arrecadados cerca de 4000 livros. Os 4 jovens escoteiros que formam a equipe, sendo 3 voluntários e 1 funcionário do Instituto Cidadania Ativa, observaram a falta de bibliotecas na região eo incentivo à leitura, e a quantidade imensa de escolas e comunidades carentes nos arredores. Então tiveram a iniciativa de montar uma biblioteca comunitária, onde além de acesso a leitura houvessem atividades diversificadas para estimular a leitura.
A bibliteca situa-se no Parque Ecológico Fontes do Ipiranga (antiga Febem Imigrantes, situado no início da Rodovia dos Imigrantes). Contamos com o apoio da União dos Escoteiros do Brasil através do Instituto Cidadania Ativa (braço de projetos sociais da UEB), Rede Record (que reformou a sala da biblioteca e outras coisas mais), entre outros apoios.
Fonte: clique AQUI
Ruy Ohtake Cria Biblioteca Comunitária em Heliópolis
Paredes coloridas, almofadas no chão, prateleiras cheias de gibi e livro infantil são elementos perfeitos para que as crianças saiam de suas casa e vão fazer a tarefa escolar no ambiente descontraído da Biblioteca Comunitária UNAS Heliopólis.
Desenvolvida para atender a comunidade, a biblioteca faz parte do programa Identidade Cultural de Heliopólis, idealizado pelo arquiteto Ruy Ohtake. Para isso, ele contou com o apoio da bibliotecária Elisa Machado, do professor José Castilho, ex-diretor da Biblioteca Municipal de São Paulo e do professor e critico literário Antônio Cândido.
Espero que seja o ponto de cultura de Heliopólis, de subsidio pedagógico, cultural e social para os projetos de cultura já existentes. Só tem sentido se a biblioteca for fomentadora de projetos já existentes em Heliopólis, declara Elisa Machado. Ruy Ohtake conta que criou pensando na formação do jovem que será o futuro líder da comunidade e precisa estar mais sensível aos acontecimentos do mundo. Quero que a biblioteca seja o ponto de convergência para quando o garoto, o adolescente e o adulto irem procurar um livro, uma revista, emprego. Seja um ponto de ventilação das idéias, vendo o que está acontecendo dentro e fora de Heliopólis pelo jornal, diz. O resgate da identidade Cultural de Heliopólis é o primeiro passo para a inclusão espacial -fazer com que a comunidade seja um bairro.
Inaugurada no começo do mês a biblioteca já disponibiliza cerca de 1700 livros, dos mais variados títulos como Shakespeare, Luis Fernando Veríssimo, Jorge Amado, Eça de Queiroz, Mario Prata, Ariano Suassuna, Agatha Chirstie, além de livros de legislação, direito, artes, humor entre outros. Os grandes clássicos também dividem espaço com revistas, jornais e diversos periódicos. Tomamos o cuidado com o público, de suprirmos a demanda da comunidade colocando também jornal com classificados para os desempregados, explica Elisa.
A fundamental importância da construção é que fosse dentro das ruelas da favela, ao lado do boteco e da lojinha, no local em que o adulto e a criança passam, para isso, foi reformada duas casinhas na rua da mina, região central de Heliopólis, esclarece Ohtake. A proximidade é um dos elementos que ajudou a população, as bibliotecas que existem por aqui são muito longe, leva uma meia hora para chegar, fala Felipe Garcia, 18 anos, um dos monitores da biblioteca.
Os funcionários também são da comunidade, no total de cinco monitores, estudantes do ensino médio que recebem bolsa – auxilio de um salário mínimo pela Lei do Aprendiz. Eles estão sendo capacitados para auto-gerirem o espaço. Espero que a biblioteca resgate o pessoal para dentro desse ambiente, porque a gente já não tem muito no que se apegar, diz o monitor José Augusto de Oliveira, 18 anos.
Há planos para que o ambiente cultural se integre ainda mais com a comunidade, escritores, poetas e artistas locais irão promover leitura nas ruas. Os moradores também iram sugerir as novas aquisições de livros, com base no gosto literário deles. A Biblioteca Comunitária de UNAS está servindo de referência para estudiosos de outros países. Professores de Madri, Barcelona, e um grupo de franceses já visitaram o local.
Escrito por: Erika Vieira
Fonte: clique AQUI
As irmãs mais novas do pintor, 1826
Constatin Hansen, (Dinamarca 1804 – 1880)
Óleo sobre tela
Carl Christian Constantin Hansen, Dinamarca, (3/11/ 1804 – 29/3/1880) foi um dos pintores associados a Fase de Ouro da Pintura Dinamarquesa. Filho do pintor retratista Hans Hansen, nasceu em Roma.
Ilustração: Walt Disney
Como montar uma biblioteca comunitária?
O primeiro passo é definir o local: no condomínio onde você mora, no trabalho, na associação de bairro etc. Feito isso, é preciso uma infra-estrutura mínima, composta por prateleiras, mesa e cadeiras, um fichário e, de preferência, um computador para controle dos livros e dos usuários.
O passo seguinte é obter as obras que farão parte do acervo. Você pode solicitar doações a amigos, parentes, colegas de trabalho, vizinhos e também a órgãos municipais e estaduais ligados à cultura. Outra saída é negociar com editoras e revendedores de livros a compra com desconto, caso você tenha verba para isso.
Com os livros em mãos, é preciso catalogá-los e organizá-los por temas (ficção, auto-ajuda, infantil, técnicos, enciclopédias etc.).
O empréstimo deve ser feito por meio do preenchimento de uma ficha, onde o usuário coloca seu nome, número de documento, endereço e telefone. A retirada de livros pode ser gratuita ou ter uma taxa simbólica.
Para melhor controle dos empréstimos, o gestor da biblioteca pode estabelecer uma multa para quem atrasar a devolução, sugere João Gonçalves, gerente da ONG Leia Livros, que mantém um programa de caminhões bibliotecas em 50 escolas públicas do país. A finalidade da multa não é punir o usuário, mas desenvolver nele o sentido de responsabilidade.
Escrito por Yuri Vasconcelos
A borboleta
Olavo Bilac
Trazendo uma borboleta,
Volta Alfredo para casa.
Como é linda! É toda preta,
Com listas douradas na asa.
Tonta, nas mãos da criança,
Batendo as asas, num susto,
Quer fugir, porfia, cansa,
E treme, e respira a custo.
Contente, o menino grita:
“É a primeira que apanho,
“Mamãe vê como é bonita!
“Que cores e que tamanho!
“Como voava no mato!
“Vou sem demora pregá-la
“Por baixo do meu retrato,
“Numa parede da sala”.
Mas a mamãe, com carinho,
Lhe diz: “Que mal te fazia,
“Meu filho, esse animalzinho,
“Que livre e alegre vivia?
“Solta essa pobre coitada!
“Larga-lhe as asas, Alfredo!
“Vê como treme assustada…
“Vê como treme de medo…
“Para sem pena espetá-la
“Numa parede, menino,
“É necessário matá-la:
“Queres ser um assassino?”
Pensa Alfredo… E, de repente,
Solta a borboleta… E ela
Abre as asas livremente,
E foge pela janela.
“Assim, meu filho! Perdeste
“A borboleta dourada,
“Porém na estima cresceste
“De tua mãe adorada…
“Que cada um cumpra a sorte
“Das mãos de Deus recebida:
“Pois só pode dar a Morte
“Aquele que dá a Vida.”
Em: Poesias Infantis, Olavo Bilac, Livraria Francisco Alves: 1949, Rio de Janeiro, 17ª edição, pp. 21-23
Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (RJ 1865 — RJ 1918 ) Príncipe dos Poetas Brasileiros – Jornalista, cronista, poeta parnasiano, contista, conferencista, autor de livros didáticos. Escreveu também tanto na época do império como nos primeiros anos da República, textos humorísticos, satíricos que em muito já representavam a visão irreverente, carioca, do mundo. Sua colaboração foi assinada sob diversos pseudônimos, entre eles: Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., e muitas vezes sob seu próprio nome. Membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias. Sem sombra de duvidas, o maior poeta parnasiano brasileiro.
Obras:
Poesias (1888 )
Crônicas e novelas (1894)
Crítica e fantasia (1904)
Conferências literárias (1906)
Dicionário de rimas (1913)
Tratado de versificação (1910)
Ironia e piedade, crônicas (1916)
Tarde (1919); Poesia, org. de Alceu Amoroso Lima (1957), e obras didáticas.
A iniciativa de uma professora transformou a vida do bairro de Guaxindiba. Os meninos e meninas não tinham nenhuma opção de lazer. Agora, passam o tempo em uma biblioteca, criada só para eles.
As ruas do bairro sequer são asfaltadas. Mesmo com chuva, Thaynara anda meia hora quase todos os dias para chegar à biblioteca. Nas prateleiras está o motivo do esforço. “É por causa dos livros“, afirma a menina.
“Eu gosto de ficar lendo os livros de poesia. Antes, eu ficava parado e sem fazer nada. Agora, eu venho para cá e fico lendo e estudando”, conta Kenedy de Oliveira, de 10 anos.
Há dois anos, a pedagoga Alessandra Honorata começou a recolher livros entre os amigos. Ela montou e uma biblioteca na varanda de casa para as crianças do bairro. As doações eram tantas que já não cabiam mais na casa da Alessandra.
Há dois meses, a biblioteca foi para uma loja. Foi mais um passo que ela não deu sozinha. Muitos vizinhos a ajudam a pagar o aluguel e a conta de luz. “Eu nunca conseguiria fazer isso aqui sozinha. À medida que outras pessoas do bairro também estão conscientizadas da importância de a criança ter acesso à cultura, à leitura e ao lazer, elas se somam às minhas forças e nos tornamos mais fortes”, afirma a pedagoga Alessandra Honorata.
“Com a biblioteca, o meu filho ficou uma criança mais alegre. Ele chega da escola e fala ‘quero ir para a biblioteca’. Para mim, está sendo muito bom e para ele também”, comenta a dona de casa Maria Aparecida Guimarães.
O cachorro vira-lata
queria que queria
entrar dentro de um inseto.
Mas a lata não deu inteira
dentro do inseto.
O rabo ficou de fora.
Em: Cantigas por um passarinho à toa, Manoel de Barros, Ed. Record:2003, Rio de Janeiro.
Manoel Wenceslau Leite de Barros, (Cuiabá, MT 1916) é advogado, fazendeiro e poeta.
Obras
1937 — Poemas concebidos sem pecado
1942 — Face imóvel
1956 — Poesias
1960 — Compêndio para uso dos pássaros
1966 — Gramática expositiva do chão
1974 — Matéria de poesia
1982 — Arranjos para assobio
1985 — Livro de pré-coisas (Ilustração da capa: Martha Barros)
1989 — O guardador das águas
1990 — Poesia quase toda
1991 — Concerto a céu aberto para solos de aves
1993 — O livro das ignorãças
1996 — Livro sobre nada (Ilustrações de Wega Nery)
1998 — Retrato do artista quando coisa (Ilustrações de Millôr Fernandes)
1999 — Exercícios de ser criança
2000 — Ensaios fotográficos
2001 — O fazedor de amanhecer
2001 — Poeminhas pescados numa fala de João
2001 — Tratado geral das grandezas do ínfimo (Ilustrações de Martha Barros)
2003 — Memórias inventadas – A infância (Ilustrações de Martha Barros)
2003 — Cantigas para um passarinho à toa
2004 — Poemas rupestres (Ilustrações de Martha Barros)
COMPENSAÇÃO
Cyra de Queiroz Barbosa
Ao meu irmão Celso
Couve mineira
picada fininha
me lembra Vovó.
Sentada no mocho
de saia cobertos
só a ponta se via
dos pés pequeninos.
As mãos enrugadas
cortavam cortavam
a couve fininha.
Colhida na horta
que antes plantara
a couve verdinha
que agora picava
iria pra mesa
em travessa esmaltada.
Comida sadia
de gente mineira
arroz com feijão
que era tropeiro
torresmos sequinhos
lingüiça de lombo
farinha torrada
com ovos mexidos.
“Menina gulosa
tira a mão do torresmo!
Só quer escolher
o mais tenro e carnudo
aquele que o Celso
mais gosta e aprecia!”
— Couve mineira
picada fininha
me lembra a Vovó.
Café ralo e bem doce
com leite e farinha
que era de milho
torrada em fogão.
— Os netos gostavam
e ela sorria,
pra todos, é certo
mas um era neto
a quem mais queria.
— Só filhas criara
E nele beijava
o filho menino
que sempre sonhara.
Em: Moenda:painéis e poemas interiorizados, Cyra de Queiroz Barbosa, Rocco:1980, Rio de Janeiro
—
—
A primavera
P. de Petrus
Primavera! A Natureza,
Agora em nova roupagem,
Traz às plantas mais beleza,
Deita perfumes na aragem.
A colina é uma princesa
Dentro da mata selvagem.
Já não existe a tristeza
No sorriso da paisagem.
O sol, dourando o horizonte,
Cobre de beijos a fonte
E também a flor que o espera…
E o cantar dos passarinhos,
Quebrando a calma dos ninhos
Vem saudar a Primavera.
Pedro Bandettini, cognome P. de Petrus (SP 1920 – SP 1999)
Obras:
Paisagens Poéticas, 1970
Pensamentos Poéticos , 1975
Meu Canteiro de Trovas, 1984