Palavras para lembrar — José Luís Peixoto

28 05 2014

Philip MaliavinJovem com livro, 1895

Filipp Andreevich Malyavin (Rússia, 1869 — França, 1940)

óleo sobre tela

 

 

“Escrever é um momento em que se olha para dentro, é, muitas vezes, recordar com os olhos abertos”.

José Luís Peixoto





Novos rumos na ficção científica?

30 03 2013

books logo rodney mathews

Ilustração de Rodney Mathews.

Um artigo interessante no Irish Times sobre a literatura de ficção científica, The new future od sci-fi,  atraiu a minha atenção nessa semana que passou.  Há muito que se fala da dificuldade de classificação das obras de ficção científica.  A fantasia e a ficção científica parecem se misturar em muitos momentos. Mas não importa, algumas obras acabam saindo da prateleira estritamente reservada às literaturas de gênero e entram para a categoria de clássicos da literatura mundial.  Desde de o século XIX que não faltam exemplos desse tipo de ficção considerada hoje parte integral, e essencial de uma boa educação.  Lá estão enfileirados nessas prateleiras  livros que estabeleceram o ramo da ficção científica  Frankenstein de Mary Shelley (1818), ao longo das obras do popularíssimo Júlio Verne, considerado o autor mais traduzido no mundo ( 148 línguas) com títulos como Viagem ao Centro da Terra (1864) Vinte Mil Léguas Submarinas (1870),  A Volta ao Mundo em Oitenta Dias (1873). No reino da fantasia, há também exemplos brilhantes do passado: As viagens de Gulliver, de Jonathan Swift (1726) parecem ter aberto essa porta para o mundo moderno, ainda que a tradição do gênero venha desde a antiguidade. A criação literária classificada como fantasia parece ser mais inclusiva do que a ficção científica, e conta com contribuição no século XIX, de George MacDonald com Phantastes (1858) e de diversos outros que ocasionalmente embarcaram nessa nave, como William Morris The Well at the World’s End (1892), The Wood Beyond the World (1892) livros que foram de grande influência para autores como C. S. Lewis e J.R.R. Tolkien.

Mas aonde cai realmente a linha divisória que separa a ficção científica do resto da literatura?   E será essa uma questão importante?  Aparentemente escritores contemporâneos resolveram a questão simplesmente escrevendo.  E no processo não deram atenção a quaisquer limitações,  combinando a bel prazer características de ambos os gêneros para preencher suas necessidades narrativas.  O resultado é uma nova geração de escritores de ficção científica que não se enquadra perfeitamente aos moldes anteriormente determinados. Esses autores, ainda que não estejam ligados a qualquer movimento ou causa, parecem ter encontrado um meio de renovar um gênero considerado estagnado há algum tempo.  Se você está curioso faça uso da lista de autores selecionados por Gareth L Powell  para mostrar essa nova geração que é feita de escritores de diversas nacionalidades.  E  boa leitura!

Escritores:  Adam Christopher  autor de Empire State e Seven Wonders, Aliette de Bodard com a trilogia Obsidian and Blood;  Lauren Beukes autora de In Moxyland Zoo City;  Chuck Wendig com seu Black Birds ;  Lavie TidharLou Morgan,Emma Newman, com o título Between Two Thorns; Kim Lakin-Smith com o livro Cyber Circus e Tim Maughan.





Quadrinha infantil sobre o livro

25 09 2011

Leitura à luz da lâmpada, 1973

Daniele Akmen (França, 1945)

acrílica sobre tela, 116 x 89 cm

Nos momentos de alegria,

Ou nas horas de aflição,

O livro é um companheiro,

É um amigo, um irmão.

(Walter Nieble de Freitas)





Papa-livros, leitura para junho: Brooklyn, Colm Tóibín

25 05 2011

Sem título

Cesare dell Acqua ( Itália, 1821-1904)

Leitura para JUNHO, discussão a partir do dia 20

Brooklyn, de Colm Tóibín

SINOPSE

No início dos anos 1950, a Irlanda não oferece futuro para jovens como Eilis Lacey. Sem encontrar emprego, ela vive na pequena Enniscorthy com a mãe viúva e a irmã Rose. Mas eis que o padre Flood lhe faz uma oferta de trabalho e moradia no Brooklyn, Estados Unidos. De início apavorada com a ideia de sair do ninho familiar, ela acaba partindo rumo à América.
Triste e solitária em seu novo mundo, a tímida Eilis acaba por estabelecer uma rotina de trabalho diurno e estudo noturno na faculdade de contabilidade. No baile semanal da paróquia, conhece um jovem de origem italiana que aos poucos entra em sua vida. Mas quando começa a se sentir mais livre e segura, Eilis é obrigada a voltar, por algumas semanas, para Enniscorthy. E ali ela se vê, mais uma vez, diante de uma escolha muito difícil.
Sem nunca fazer de Eilis uma heroína clássica, Colm Tóibín trama uma delicada teia de sentimentos ocultos, de aceitação do destino e de sonhos abandonados que deixará o leitor preso à história muito tempo depois de terminar o livro.

EDITORA: Cia das Letras

Ano: 2011

Númeor de páginas: 304





Imagem de leitura — Juan Gris

3 03 2011

Pierrô com livro, cerca 1924

Juan Gris (Espanha 1887-1927)

Óleo sobre tela,  84 x 70 cm

Tate Gallery, Londres

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Juan Gris, pseudônimo de Juan José Victoriano González.  Nasceu em Madri, na Espanha em 1887.   estudou na Real Academia de Belas Artes São Fernando, estudou depois sob direção do pintor José Moreno Carbonero.  Seus primeiros trabalhos profissionais foram ilustrações para revistas da época inclusive revistas de poesias.   Em 1906 vai para Paris.  Lá conhece os maiores pintores, poetas e críticos literários de seu tempo.  Entre eles Pablo Picasso e Georges Braque dois pintores que exerceram grande influência sobre seu trabalho.    Abraça então o movimento cubista em 1912.   Faleceu aos 40 anos em 1927.





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22 02 2011

Multidão from MULTIDAO on Vimeo.





Imagem de leitura — Carlos Leão

11 01 2011

Modelo, 1960

Carlos Leão ( Brasil, 1906-1983)

óleo sobre madeira, 54x 70 cm

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Carlos Leão (Rio de Janeiro, 1906 – 1983) arquiteto, pintor, aquarelista e desenhista brasileiro. Formou-se pela Escola Nacional de Belas-Artes em 1931. Foi amigo e sócio no escritório de arquitetura de Lúcio Costa.   Trabalhou com Gregori Warchavchik, famoso arquiteto ucraniano que construiu em São Paulo a casa modernista, uma das primeiras manifestações aparecidas no Brasil do estilo moderno na arte de construir.   Integrou a equipe de jovens arquitetos que projetou, entre 1937 e 1943, o Edifício Gustavo Capanema, sede do Ministério da Educação e da Saúde Pública, no Rio de Janeiro.   Nas artes plásticas ele fez diversas exposições principalmente no Rio e São Paulo  mas o que mais o destaca além dos seus nus femininos, são seus trabalhos de ilustrador que se inicia em 1946 com o livro de Vinicius de Moraes Poemas, Sonetos e Baladas.





O tempo entre costuras, de María Dueñas, uma GRANDE AVENTURA

18 10 2010

A costureira, 1916

Joseph DeCamp (EUA, 1858-1923)

Óleo sobre tela, 36,5 x 28 cm

Corcoran Art Gallery, Washignton DC

Procurando por uma excelente história?  Por um livro que não quer ser esquecido de nenhuma maneira?  Por aquela leitura que nos envolve e empurra para frente e nos obriga a fazer tempo para ler, para saber como tudo se desenrola?  Tenho o livro para você:  O tempo entre costuras, da escritora espanhola María Dueñas  [Planeta Brasil: 2010].   Li este livro compulsivamente e agradeci o tempo chuvoso do fim de semana que me permitiu permanecer em casa com essa maravilhosa história nas mãos.

Este é um romance excitante cujo enredo é complexo e fascinante; é um livro de aventuras e mostra como uma pessoa comum, sem nenhum treino específico além de uma grande vontade de viver e acaba  participando da resistência a um poder absoluto e se torna parte de uma grande causa. Ela é Sira Quiroga ,uma mulher jovem que aprendeu ofício de costureira com sua mãe e que desconhece o pai.  Uma jovem que contava com um futuro certo pela frente, talvez um pouco insosso – é verdade – mas um futuro sólido com um bom e confiável marido.  Às vésperas dos esponsais ela se vira numa outra direção, abandona o noivo e o casamento.  A alavanca é um outro homem.  No entanto, à medida que a história se desenvolve, percebemos que talvez essa jovem costureirinha madrilenha, soubesse intimamente  que a vida poderia ter-lhe reservado muito mais do que um futuro regrado.  Porque ela se joga, sem pára-quedas, na aventura de viver, com todos os altos e baixos que essa decisão poderá lhe trazer.

O pano de fundo das aventuras de Sira Quiroga é a ditadura espanhola de Franco.  Essa situação política, que no início do romance parece ser uma descrição de época, torna-se a verdadeira base para o desenrolar da trama.  A cada capítulo, a cada dezena de páginas, essa ditadura, esse governo de extremos, se mostra como iminência parda, regulando  as ações de todos à sua volta, assim como aquelas de nossa heroína.  Porque esta é uma história de espionagem, de resistência, de contestação a um poder ditatorial.  É uma história de pessoas comuns contribuindo para evitar que a Espanha se tornasse ainda mais envolvida com o poder nazista do que já estava.

María Dueñas

Esta é uma história de ação.  Lembrou-me tantas e tantas outras obras, livros e filmes, que retratam o movimento da resistência francesa ao regime Vichy.   E como aquelas,  O tempo entre costuras  é excitante, sedutor, um verdadeiro rodamoinho de emoções, perigo e de fantasias  aguçadas pelo medo.  Tudo isso centralizado nas ações de uma bela e jovem mulher, costureira, não muito letrada, não muito sofisticada, mas corajosa e inteligente.   Este é um ótimo romance, cinco estrelas, que tem como finalidade uma narrativa rápida, de ação, bem baseada em fatos verídicos, com figuras históricas amplamente documentadas.  Com ele aprende-se um pouco da realidade espanhola nas mãos do Generalíssimo; e um pouco sobre os serviços de espionagem internacionais que se mantinham atentos ao namoro e noivado do governo espanhol com a Alemanha de Hitler.  Uma história que ainda tem muito a ser contada, muito a ser descoberto pelo resto do mundo.

Uma leitura que entretém, sempre, mesmo quando nela aprendemos sobre a Espanha.  Recomendadíssimo.

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AQUI: UMA ENTREVISTA COM A AUTORA — EM ESPANHOL

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Um livro de ORIGAMI! Você já leu algum?

3 08 2010




Papa-livros: leitura para setembro

25 08 2009

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Esta é a seleção de leitura para setembro do grupo de leitura Papa-livros. 

O que cabe em duas malas: uma viagem para dentro

Autor:  VERONIKA PETERS

Editora:  Guarda-chuva

Edição: 1ª 2009

Número de páginas: 240

 

Discussão para o dia 20 de sembro de 2009.  Resenha aparecerá aqui depois desta data, quando quem quiser debater o conteúdo será bem-vindo.

Boa leitura!