Herança Paterna — poema de Vicente de Paula Reis, pelo Dia dos Pais

3 08 2011




Herança paterna

                                      Vicente de Paula Reis

De meu pai, como herança que bendigo,

Recebi, neste vale de amargura,

Um tesouro do qual não me desligo

E o guardo avaramente, com ternura.

Escudando-me nele é que consigo,

Tornando a minha vida menos dura,

Impávido, vencer qualquer perigo,

Sobrepondo-me à própria desventura.

Essa herança, meu pai, que me legaste,

Tem suavizado muito a minha vida,

Dos espinhos do mundo mal ferida!

E essa prenda moral, que me deixaste,

É toda essa riqueza de ser pobre!

É toda essa grandeza de ser nobre!

Vicente de Paula Reis ( Rio de Janeiro 1895-?) Professor de português do Colégio Pedro II e jornalista com colunas em diversos periódicos do Rio de Janeiro.

Obra:

Esparsos, poesia, s/d





A troca entre as línguas: do português para o japonês e vice-versa

18 02 2010

Gueixa

Andō Hiroshige (Japão, 1797-1858)

Xilogravura policromada

O contato que durante 96 anos uniu portugueses e japoneses a partir de meados do século XVI ainda hoje se faz sentir, no campo das palavras.  Segundo o filólogo japonês Tsujiro Koga, a língua portuguesa penetrou largamente em Nagasaki onde os vocábulos lusos chegavam a contar quatro mil.  Armando Martins Janeira fez o apanhado das palavras portuguesas introduzidas no vocabulário nipônico.  São aproximadamente 400. 

No campo dos doces e das comidas estão as palavras:

Pão — “pan”

Amêndoa — “amendô”

Marmelo — “marumero”

Vaca — “waka”

Pão de ló — “pandoro”

Biscoito — “bisukouto”

Na indumentária:

Botão — “botan”

Capa — “kappa”

Saia — “saya”

Termos religiosos — introduzidos pelos missionários jesuítas:

Cristo — “Kirishito”

Diabo — ” jiabo”

Evangelho — “ewanzeryo”

Jesus — “Zesus”

Missa — “misa”

Padre — “bateren”

Outras:

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Álcool — “arukoru”

Sabão — “shabon”

Varanda — “beranda”

Mas a língua portuguesa também sofreu influência nipônica:

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“biobo” — biombo

“bozu” — bonzo

“kaki” — caqui

“katana” — catana

“chawan”  — chávena

“chá”  — chá 

“haikai” — haikai

“kamikaze” — camicase

“karate” — caratê

“kara-okê” — caraoquê

“ninja” — ninja

“tatami”  — tatame

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Há entre elas também as palavras de origem japonesa, nomeando hábitos, costumes, esportes, aspectos da vida japonesa,  que entraram para o português, mas que ainda se reportam quase que exclusivamente a hábitos e costumes japoneses: 

Gueixa, Judo, Quimono, Origami, Bonsai, Samurai, Saquê, Iquebana, Mangá, Sushi, Sashimi, Yakisoba

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Você conhece mais alguma palavra?   que tenha origem no Japão e seja usada em português?

 

Sobre o artista da xilogravura:

Hiroshige (1797-1858), também conhecido como: Andō Hiroshige (安藤広重) (uma forma irregular de combinar o nome da família com o nome artístico ou como  Ichiyūsai Hiroshige (一幽斎廣重) seu nome artístico.  Pintor e gravador japonês, conhecido sobretudo por suas xilogravuras de paisagens.   Foi o último grande professor de Ukiyo-e, ou escola de gravura popular, e converteu as paisagens cotidianas em cenas líricas de grande intimismo que lhe proporcionaram um êxito comercial ainda maior que o de seu contemporâneo Hokusai.    Sua obra-prima é a série de gravuras Tokaido gojusan-tsugi (As Cinqüenta e Três Estações do Tokaido).

Artigo sobre a língua portuguesa, parciamelmente baseado no artigo do jornal português, Correio da Manhã de 26/01/ 1988.





Entenda o uso da vírgula!

23 11 2009

Comercial sobre a liberdade de imprensa que mostra como uma simples vírgula pode alterar a história. Associação Brasileira de Imprensa, ABI.

Agência: África São Paulo Publicidade Ltda.
Produtora: Visorama Diversões Eletrônicas
Áudio: Sonido Produções Musicais





Lembrando: regras da concordância nominal

14 06 2009

Anni Matsick, Stephannie watercolor

Stephanie, aquarela de Annie Matsick.

 

Cada vez mais se torna importante o uso do bom português.  Portas para trabalhos se abrem com maior facilidade, mesmo que em funções de menor responsabilidade.  Como a competição para qualquer posição é grande, não custa tentarmos aprimorar tanto a nossa língua falada quanto a escrita.  Com esse objetivo reproduzo aqui o artigo sobre concordância nominal do professor Thiago Godoy que o portal Terra postou para auxiliar aqueles que  prestam vestibular.  Mas as dicas são boas e importantes para qualquer um de nós.

 Assim como a concordância nominal, é fundamental que o vestibulando saiba concordar verbo e sujeito. Além de aparecer em questões da prova de Português, o conteúdo é importante para a redação.

 “Os verbos, via de regra, concordam com seu sujeito, independente de sua posição“, diz Thiago Godoy, professor de Gramática da Oficina do Estudante, de Campinas. E exemplifica: “O aluno mora em Campinas“, “Os alunos moram em Campinas“, “Mora o aluno em Campinas“, “Moram os alunos em Campinas“, “Em Campinas mora o aluno“, “Em Campinas moram os alunos“. Entretanto, diz Godoy, há casos que merecem destaque. Confira as dicas preparadas pelo professor:

 – Quando o sujeito é composto e o verbo vem anteposto a ele: “Com um sujeito com mais de um núcleo, ou seja, sujeito composto, o verbo anteposto (colocado antes do sujeito) pode assumir duas formas: Ou concorda com todos os núcleos (“Chegaram Jussara e Fabiana”), ou concorda apenas com o mais próximo (“Chegou Jussara e Fabiana”)”.

 – Quando o sujeito apresenta expressão partitiva: “Tanto pode concordar o verbo com o núcleo do sujeito ou com seu adjunto. Logo, o verbo pode permanecer no singular, ou ir para o plural (‘Um bando de assaltantes invadiu o banco’ ou ‘um bando de assaltantes invadiram o banco’). Existe uma pequena nuança de sentido aqui: se se mantém o verbo no singular, a ideia do grupo é reforçada, se se prefere a forma plural, ressaltamos cada indivíduo participante da ação”.

 – Quando o sujeito apresenta quantidade aproximada ou porcentagem: “O verbo concordará apenas com o substantivo da expressão: ‘Cerca de duzentas estudantes participaram da passeata’, ‘Menos de 10 pessoas assistiram à peça’, ‘Mais de um deputado votou na lei’. O mesmo vale para sujeitos expressos por porcentagem (‘99% do povo brasileiro é otimista’, ‘1% dos brasileiros são pessimistas’)”.

 – Sujeitos “que”/ “quem“: “Quando o sujeito for o pronome relativo ‘que’, o verbo concordará com seu antecedente (‘somos nós que estudamos Gramática, mas são eles que recebem boas notas’). Já quando o pronome sujeito é ‘quem’, há duas possibilidades, o verbo concorda com o antecedente ou com o pronome (‘São os homens quem devem oferecer-se a pagar o jantar, mas são as mulheres quem deve recusar a oferta’)”.

 – Quando o sujeito apresenta a estrutura “um dos que“: “Geralmente, na oralidade titubeamos na concordância verbal desta expressão. Mas não há motivos para dúvida. Imagine que na história das Copas do Mundo houve vários goleadores. Ronaldo foi um dos vários goleadores das Copas. Ronaldo foi um daqueles que mais marcaram gols nas Copas do Mundo. Portanto, ‘Ronaldo foi um dos que mais marcaram gols’. Ou seja, tendo em vista a dica anterior, o verbo estará sempre no plural nesta expressão, dado que concorda com o antecedente do pronome relativo ‘que’: Um dos que…”

FONTE: Terra





Português no vestibular: cinco temas a priorizar

28 05 2009

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Chico Bento, ilustração:  Maurício de Sousa

 

 

O professor de Língua Portuguesa da Oficina do Estudante, de Campinas, Thiago Godoy lembra que as grandes universidades não estão mais tão interessadas em alunos que possuam um conhecimento “enciclopédico e estanque“. “São mais atraentes aqueles que, com conhecimentos adquiridos nos anos de escola, saibam processar e internalizar informações novas.

 

Por isso, não basta saber mecanicamente conjugar verbos irregulares e anômalos, inclusive na ‘temida’ segunda pessoa do plural, sem entender seus usos pragmáticos, as diferenças de registro de linguagem, variação lingüística etc.“, analisa.

 

Cinco dicas do professor para a prova de Português.

 

 

Concordância nominal e verbal: o aluno tem de estar atento às flexões verbais impostas pela modificação dos núcleos nominais, principalmente sujeitos compostos, e às substituições possíveis para cada coletivo, pronome relativo, expressões numéricas e partitivas. Inadequações decorrentes da permutação dos verbos haver e existir, singular e plural, sempre são alvos de questões, assim como a concordância do verbo ser.

 

Regência nominal e verbal: os examinadores costumam testar os candidatos em questões que mesclam regências de nomes e verbos. Procure habituar-se às preposições regidas e enfocar as mudanças de sentido que verbos de mais uma regência apresentam. Este conteúdo também é campo frutífero para perguntas referentes ao uso da crase.

 

Coerência e Coesão: as antigas questões de análise sintática, em sua maioria, foram substituídas por exercícios que testam a capacidade do aluno em reestruturar enunciados, alterando seu conteúdo, por meio de conjunções e locuções conjuntivas. A prática constante das paráfrases é uma tarefa importante para o domínio deste tipo de habilidade.

 

Interpretação de texto: as provas de interpretação não mais utilizam apenas o “formato tradicional” de texto. Diversos vestibulares, principalmente os dissertativos, exploram propagandas, tirinhas e outros formatos, até mesmo em outros suportes, como material para os testes de leitura. O aluno deve concentrar-se em regionalismos, gírias, jargões e outras mudanças de registro.

 

Figuras de Linguagem: este conteúdo aproxima bastante as disciplinas de Gramática e Literatura. Procure, nos próprios textos literários, conhecer e reconhecer as figuras mais exploradas pelos autores: Metáfora, Metonímia, Antítese, Paradoxo, Anáfora, Aliteração, Assonância, Polissíndeto, Sinestesia, Ironia etc.

 

 

Portal TERRA.





Redação: os erros mais comuns!

17 05 2009
Ilustração de Susan B. Pearse, 1923 -- cartão postal

Ilustração de Susan B. Pearse, 1923 -- cartão postal

 

No site Brasil Escola, Sabrina Vilarinho, professora formada em letras fez uma lista fantástica sobre os erros mais comumente encontrados nas redações dos alunos. 

Coloco sua lista aqui, porque reconheço que esses erros existem por todo lado, e muito, muito mesmo nas postagens em blogs pessoais.  Então, gente, vamos prestar atenção porque é fácil corrigir os seus textos.  E lembrem-se, no mercado de trabalho de hoje, empregadores dão muito valor a quem possa escrever corretamente.  Então, é bom lembrar que:

Há alguns equívocos muito comuns em redações e, por este motivo, estão no patamar dos mais cometidos. Mas isso ocorre apenas por falta de conhecimento, portanto, uma vez informados, os estudantes não voltam a cometê-los.raciocínio do verbo “fazer”, citado acima. No sentido de existir ou na ideia de tempo decorrido, o verbo haver é impessoal: Houve muitas passeatasHá tempos não o vejoHavia algumas cadeiras disponíveis.aula, esta semana está sendo ótima, este dia vai ser abençoado, este ano está sendo o melhor de todos, esta noite veremos estrelas.

Vejamos, então, os 10 erros mais cometidos em redação: (não estão por ordem de importância)

1.Fazem dez anos que não vemos tantas mudanças”. O verbo “fazer” no sentido temporal, de tempo decorrido ou de fenômenos atmosféricos é impessoal, ou seja, fica no singular: Faz dez anosFaz muito frio

2.Houveram muitas passeatas nesta semana em prol da igualdade racial.” O verbo haver acompanha o mesmo raciocínio do verbo “fazer”, citado acima. No sentido de existir ou na ideia de tempo decorrido, o verbo haver é impessoal:  Houve muitas passeatasHá tempos não o vejoHavia algumas cadeiras disponíveis.aula, esta semana está sendo ótima, este dia vai ser abençoado, este ano está sendo o melhor de todos, esta noite veremos estrelas.


3.Para mim escolher, preciso de um tempo.” Na dúvida verifique quem é o sujeito do verbo. No caso, o verbo “escolher” não tem sujeito, pois “mim” não pode ser! O certo seria o pronome “eu”: para eu escolher. A expressão “para mim” só funciona quando é objeto direto: Traga essa folha para mim. Dessa forma, sempre diga e escreva: Para eu fazer, para eu levar, para eu falar, pois o verbo precisa de um sujeito!

4.Esse assunto fica ente eu e você!” Quando a preposição existe, neste caso “entre”, usa-se o pronome oblíquo. O correto é: entre mim e você ou entre mim e ti. Portanto, use pronome oblíquo tônico (mim, ti, si, ele, ela, nós, vós, si, eles, elas) após preposição: falava sobre mim, faça por nós, entre mim e você não há problemas, falavam entre si.

5.Há muito tempo atrás, comprei uma bicicleta.” O verbo “há” tem sentido de tempo passado, logo não há necessidade de adicionar “atrás”. Ou você escolhe um ou outro: Há muito tempoTempos atrás… Há dez anos… Dez anos atrás.

6.Então, pegou ele pela gola.” Quando for necessário que um pronome seja objeto direto (pegou algo: ele), nunca coloque pronome pessoal, opte pelo caso oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, se, os, as, lhes): Pegou-o, avisou-o, apresentei-a, levou-nos, ama-me, leva-nos.

7. Aonde você estava? “Aonde” indica ideia de movimento, enquanto “onde” refere-se somente a lugar. Portanto: Onde você estava? E Aonde nós VAMOS agora?

8.A situação vinha de encontro ao que ele desejava.” Se é uma situação que a pessoa desejava, será: ao encontro de, expressão que designa favorecimento, estar de acordo. Já a locução “de encontro a” tem sentido de oposição, de choque: Ele foi de encontro ao poste.

9.Esse ano vamos fazer diferente.” Se é o ano vigente, então use o pronome “este”, uma vez que indica proximidade: Esta sala de

10. O verboadequar” é defectivo, isso quer dizer que não é conjugado de todas as formas. Assim: Isso não se adéquaEle não se adéqua… Eu não me adéquo… são orações equivocadas. Outros verbos também passam por este tipo de problema, como: abolir, banir, colorir, demolir, feder, latir. O verbo adequar é correto e usado com mais frequência nos modos infinitivo (adequar) e particípio (adequado).

Por Sabrina Vilarinho





Clichês: o mais rápido meio de empobrecer o seu texto!

28 04 2009

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Chico Bento, ilustração Maurício de Sousa.

 

 

 

 

A revista Língua Portuguesa: conhecimento prático, do mês de abril deste ano,  publica 66 páginas quase todas dedicadas aos clichês e lugares-comuns.  A publicação aparece  na hora certa, pois estamos muito envolvidos com o mau hábito de usar muitos lugares-comuns, principalmente porque os ouvimos constantemente na imprensa falada ou televisada.  Não há maneira mais eficaz de empobrecer um texto do que desfiar lugares-comuns, num ritmo perpétuo como contas de um rosário.

 

Aproveito a oportunidade para enumerar aqui a lista de clichês coletados por Sérgio Augusto de Andrade, publicada pela primeira vez na revista Bravo de julho de 2002 e relembrada neste número da Língua Portuguesa: conhecimento prático, na página 61.

 

Se você tiver como objetivo eliminar estas expressões do seu dia a dia, não só seus interlocutores apreciarão o gesto, mas a Língua Portuguesa também!

 

Exercer a cidadania

Vou dar um retorno

A nível de

Tudo acaba em pizza

Preciso de uma posição

 

 

 

Você tem uma lista de clichês que doem no seu ouvido?  Por que não me envia?

 

 

 

 

Não há um endereço virtual para esta revista.  Está publicado, no entanto, um endereço de email para contatos:  l.portuguesa@criativo.art.br

 





Português nas escolas públicas no Uruguai

22 04 2009

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A ministra uruguaia da Educação e Cultura, Maria Simón, anunciou que a partir de 2010 seu país terá o ensino do português como segundo idioma nas escolas públicas. O anúncio foi feito na 12ª Conferência Ibero-Americana de Ministros da Cultura, que se realiza esta quarta-feira em Portugal.

 

Este ano (o ensino do português) começa nos Centros de Línguas, que são locais onde as pessoas podem aprender idiomas estrangeiros de graça. No próximo ano (letivo) vamos começar nas escolas públicas“, afirmou. Além do português, os Centros de Línguas já ensinam o inglês e o francês e alguns também têm aulas de alemão e italiano.

 

Segundo a ministra, a introdução do português no currículo escolar deverá ser gradual. “Vamos começar pela fronteira, onde é mais fácil, por que existe o bilinguismo. Há casos de crianças cuja língua materna é o português. Muitos na região da fronteira falam uma espécie de dialeto, o portunhol, que vemos não como algo negativo, mas como uma possibilidade de ampliar os conhecimentos para as duas línguas”.

 

Ela acredita que em cinco anos todos os estudantes uruguaios estarão aprendendo o português e em 11 o idioma será de conhecimento generalizado. “Acho que estarão todos falando português em mais seis anos, quando terminarem o ensino fundamental. Para nós, o ensino do português é o cumprimento de uma das nossas obrigações com o Mercosul e esperamos que os outros também cumpram.”

 

Algumas escolas poderão adiantar o processo, começando antes do que está previsto. “Na nova legislação, reservamos uma verba para cada escola – por meio dos Conselhos de Participação, em que participam os pais e a comunidade – decidir o que fazer. Podem decidir fazer uma reforma no estabelecimento ou ensinar uma língua estrangeira, como o russo, no caso de uma coletividade em que grande parte da população seja de origem russa.

 

Simón considera que a ampliação do ensino de línguas vai ser uma forma de diminuir o abismo social no país. “Até agora, apenas as escolas privadas ofereciam o ensino de línguas, o que gerava uma diferença de oportunidades. Sou professora titular da Universidade de Engenharia e muitos dos livros são em inglês. Nós oferecemos um curso gratuito de inglês técnico na faculdade, optativo, mas isso não é a mesma coisa.”

 

 

Para as aulas de português, a ministra não prevê a contratação de professores brasileiros, mas a formação dos uruguaios. “Até agora temos intercâmbio com Portugal, que nos ofereceu os cursos de formação e livros“.

 

Os cursos também poderão ser dados com a ajuda de computadores – no Uruguai, cada criança que está na escola tem a partir deste ano um computador. “O professor poderá atuar como mediador. Ele pode não ter a pronúncia perfeita, mas pode ajudar a corrigir quando as crianças repetirem as palavras do programa de computador de ensino do português“.

 

 

Texto de Jair Rattner – BBC Brasil

 





Sinfonia Cotidiana — poema de J. G. de Araújo Jorge

30 11 2008

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Menina com gato e piano, 1967

Di Cavalcanti (Brasil 1897 – 1976)

óleo sobre tela  62 x 51 cm

Coleção Particular

 

 

Sinfonia Cotidiana

 

 

A manhã surge

aos sons do Concerto n.° 1 de Grieg

no rádio madrugador do meu vizinho.

 

A tarde chega

acompanhada pelo Prelúdio n.° 24 de Chopin,

num piano sem lugar.

 

A madrugada se embala

com a música do mar.

 

 

J. G. de Araújo Jorge

 

 

Em: A outra face, Editora Vecchi:1957, Rio de Janeiro

 

 

José Guilherme de Araújo Jorge (AC 1914 – RJ 1987), conhecido como J. G. de Araújo Jorge, foi um poeta e político brasileiro.

 

 

 

 

Obras:

 

 

Meu Céu Interior, 1934 

Bazar De Ritmos, 1935 

Cântico Do Homem Prisioneiro, 1934

Amo!, 1938

Eterno Motivo, 1943

O Canto Da  Terra, 1947

Estrela Da Terra, 1947

Festa de Imagens, 1948

A Outra Face, 1949

Harpa Submersa, 1952

A Sós. . ., 1958

Concerto A 4 Mãos, 1959

Espera.. ., 1960

De Mãos Dadas, 1961

Canto A Friburgo, 1961

Cantiga Do Só, 1964

Cantigas De Menino Grande. 100 Trovas, 1964

Trevos De Quatro Versos . Trovas, 1964

Quatro Damas, 1965

Mensagem, 1966 

Cantigas De Menino Grande. 100 Trovas, 1964

Trevos De Quatro Versos . Trovas, 1964

O Poder Da Flor, 1969

Um Besouro Contra A Vidraça  PROSA, 1942

 Com Letra Minúscula- PROSA, 1961

 

 

 

 

Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo, mais conhecido como Di Cavalcanti (Rio de Janeiro, 6 de setembro de 1897 — Rio de Janeiro, 26 de outubro de 1976) foi um pintor, ilustrador e caricaturista brasileiro.

 

 

Edvard Hagerup Grieg (Noruega 1843 – 1907) compositor norueguês, um dos mais célebres do período romântico e do mundo. As suas peças mais conhecidas são a Suíte Sinfónica Holberg, o concerto para piano e a Suíte Peer Gynt.

 

 

Frédéric Chopin (Polônia 1810 — 1849) foi um pianista grande músico e compositor para piano da era romântica. É amplamente conhecido como um dos maiores compositores para piano e um dos pianistas mais importantes da história. Sua técnica refinada e sua elaboração harmônica vêm sendo comparadas historicamente com as de outros gênios da música, como Mozart e Beethoven, assim como sua duradoura influência na música até os dias de hoje.





Canção de Gonçalves Crespo, no dia da consciência negra

20 11 2008

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Mulata, s/d

Di Cavalcanti (Brasil, 1897-1976)

Óleo sobre tela.

 

 

 

 

 

CANÇÃO 

 

                               Gonçalves Crespo

 

                                                            A Bernardino Machado

 

 

                              I

 

Mostraram-me um dia na roça dançando

Mestiça formosa de olhar azougado,

Co’um lenço de cores nos seios cruzado,

Nos lobos de orelha pingentes de prata.

               Que viva mulata!

                Por ela o feitor

Diziam que andava perdido de amor.

 

 

                             II

 

De entorno dez léguas da vasta fazenda

A vê-la corriam gentis amadores,

E aos ditos galantes de finos amores,

Abrindo seus lábios de viva escarlata,

                 Sorria a mulata,

                 Por quem o feitor

Nutria quimeras e sonhos de amor.

 

 

                           III

 

Um pobre mascate, que em noites de lua

Cantava modinhas, lunduns magoados,

Amando a faceira dos olhos rasgados,

Ousou confessar-lhe com voz timorata…

                 Amaste-o, mulata!

                 E o triste feitor

Chorava na sombra perdido de amor.

 

 

                           IV

 

Um  dia encontraram na escura senzala

O catre da bela mucamba vazio;

Embalde recortam pirogas o rio,

Embalde a procuram nas sombras da mata.

                 Fugira a mulata,

                 Por quem o feitor

Se foi definhando, perdido de amor.  

 

 

 

 

Em: Obras Completas, Gonçalves Crespo, Livros de Portugal, s/d, Rio de Janeiro.

 

 

 

 

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António Cândido Gonçalves Crespo (Rio de Janeiro, 1846 — Lisboa, 1883), jurista e poeta, membro das tertúlias intelectuais portuguesas do último quartel do século XIX. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra, tendo colaborado em diversos periódicos, entre os quais O Ocidente e a Folha, o jornal de que era director João Penha, o poeta que introduziu em Portugal o Parnasianismo.  Foi casado com a poetisa Maria Amália Vaz de Carvalho.

 

 

 

 

 

dicavalcantiEmiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo, mais conhecido como Di Cavalcanti (Rio de Janeiro, 6 de setembro de 1897 — Rio de Janeiro, 26 de outubro de 1976) foi um pintor, ilustrador e caricaturista brasileiro.