Zeitgeist, o espírito dos tempos

4 08 2009

1984

 

Há épocas em que tudo o que se lê parece ter a ver com todo o resto que se leu no dia anterior ou na hora anterior.  É o que os alemães chamam de zeitgeist – espírito do tempo —  palavra em geral usada em alemão mesmo, em qualquer língua, para clareza e especificação de seu significado.

 

Pois hoje, graças à família Sarney [cujo pai, ex-presidente, se respeitasse sua própria biografia — como fomos ordenados a fazê-lo pelo NOSSO GUIA —  já teria se desvinculado do Senado], voltei a tropeçar no assunto de censura.  Censura que às vezes vem de onde não esperamos.  No nosso caso aqui, de um desembargador…  Mas voltemos ao assunto…

 

kindle

 

Há duas semanas mais ou menos os portadores do Kindle – o livro eletrônico vendido pelo portal Amazon, descobriram que alguns dos textos que tinham, que haviam sido comprados pelo site, com download feito legalmente e que mantinham no Kindle para futura leitura na máquina, exatamente como manda o figurino, desapareceram.    Mas como?   A companhia Amazon, sem nenhum aviso, remotamente, entrou nos Kindles que tinham esses textos e sumariamente os destruiu.  Assim, mesmo.  Sem aviso prévio.  Sem explicações.  Mais tarde, depois da surpresa, e até, com muito boa vontade, dá para entender a explicação dessa intervenção da companhia de livros.  Se tudo o que aconteceu foi só que Jeff Bezos, CEO da Amazon explicou: “os livros haviam sido vendidos como textos para download no Kindle por erro da companhia.  Havia problemas com as permissões.”

 

E chega a ser engraçado quando vemos que textos eram esses.  Quais?   Nada mais nada menos do que dois livros de George Orwell: Animal Farm e 1984.  Que piada!  1984?  Tem certeza?  

 

1984 livro

 

Mas há outros textos removidos: Atlas Shrugged , The Fountainhead e The Virtue of Selfishness de Ayn Rand e alguns tomos de Harry Potter.    A explicação da companhia é que esses textos foram vendidos em Kindles de maneira illegal.  Alguém havia posto no site textos piratas.  Diversos alertas deveriam ter soado nas nossas cabeças:

 

1 – Como pode alguém entrar no site da Amazon e colocar lá textos piratas?  E a segurança? 

 

2 – Como pode uma companhia entrar nos nossos livros comprados nessa companhia e eliminar, sem aviso prévio o que está lá dentro, que você comprou, pelo que sabia de maneira legal?

 

3 – E se a moda pega?  E cai nas mãos de um Chávez ou qualquer outro GRANDE ESTADISTA que resolve eliminar a oposição entrando nos Kindles que temos em casa e apagando os textos?  

 

mix leitor d

Mix Leitor D da Mix Tecnologia.

 

Dizem que o futuro dos livros está nas formas eletrônicas como o Kindle.  Realmente é mais uma dessas coisas de zeitgeist.  Semana passada, a Mix Tecnologia, de Pernambuco – aquele centro maravilhoso de tecnologia brasileira, circulava a novidade do Mix Leitor D, de produção total nacional, que estará no mercado brasileiro já a partir do ano que vem, com dois modelos: a versão Básica e Premium com tela de 6 polegadas, em bom português, 15 cm.  A diferença entre as duas versões é a memória que varia de 1 GB a 4 GB de dados, que daria para guardar até 1.500 livros. O Mix Leitor D deve custar entre R$ 650 e R$ 1.100, dependendo da versão.

 

Infelizmente a censura da Amazon traz a tona problemas com esses leitores que não haviam ainda sido discutidos.  A censura continuará a existir, assim como existe hoje: alguém abre processo contra essa biografia publicada, contra aquele cara que copiou minha idéia etc.  Mas os livros  publicados, pelo menos até hoje, depois de publicados, não conseguem desaparecer completamente do mapa.  Há sempre um volume.  Alguém que comprou antes. Alguém que recebeu de presente e nunca leu e tampouco jogou fora.   Mas a habilidade que uma companhia como a Amazon demonstrou de entrar dentro do seu livro, dos GBs de memória que você comprou e eliminar tudo o que quiser sem que você saiba, faz parte de uma realidade horripilante.  

 

FONTES:

Slate Magazine

Terra





Imagem de leitura — Inha Bastos

30 07 2009

Inha Bastos (Brasil, 1949) Menina lendo, 2008, ost, 50x50

Menina lendo, 2008

Inha Bastos ( Brasil, 1949)

óleo sobre tela, 50x 50 cm

 

Inha Bastos é o nome artístico da pintora brasileira Maria das Graças Fontes Bastos, nascida em Itabuna,  na Bahia,  em 1949. Formada pela Escola de Belas Artes em Salvador, /UFBA 1970 / 1974.  Adolescente, descobriu sua vocação artística, quando recebeu um estojo de tintas de presente.  Inha Bastos tem participado de exposições coletivas e individuais em diversos estados brasileiros e no estrangeiro. Suas obras fazem parte do acervo de diversas instituições públicas e particulares.. Inha Bastos foi uma das artistas selecionadas para representar o Brasil no “ ano do Brasil na França” e seu trabalho ganhou destaque na imprensa francesa.





Os 10 mais na ficção americana da primeira parte de 2009, Amazon

29 07 2009

angela ursilloLendo no ônibus, no Japão, 2001.

Ângela Ursillo (EUA, contemporânea)

Trabalho totalmente digital, usando Painter.

 

Chegado o meio do ano, e com as vendas em baixa, a maioria das livrarias americanas que tem portal na internet anda pressionando bastante, através de emails as promoções e as chamadas especiais de títulos que acreditam estar dentro do seu perfil de comprador.  Recebi hoje da Amazon a lista das dez melhores publicações em ficção nos EUA para 2009, que rapidamente passo aqui para o blog.  Isso nos dará uma idéias do que pode estar a nosso caminho nas produções editoriais brasileiras, se estes livros realmente se mostram ter o sucesso já anunciado pela livraria digital.

 

Os dez mais da ficção publicada nos EUA em 2009.  Está em ordem alfabética pelo último nome do autor, como é praxe nos EUA.   

SWEETNESS AT THE BOTTOM OF THE PIE, de Alan Bradley.  È um livro de mistério.  Quando uma sagaz  menina adolescente com aspirações de ser uma futura química descobre um corpo na plantação de pepinos em sua casa, deixa de lado os cadinhos e corre atrás do assassino.

 

EVERYTHING MATTERS, de Ron Currie, Jr. Ao nascer Junior Thibodeau é informado do momento exato em que o mundo vai acabar.  Esse conhecimento, revelado a ele por uma entidade desconhecida, faz com que ele se pergunte, constantemente, se vale a fazer qualquer coisa comum, vivenciar o dia a dia.  Aos poucos, através de experiências comuns ele e o leitor chegam a uma conclusão.

 

Ro Lohin (EUA, contemp), Subway Reader, 2005,ost

Leitor no Metrô, 2005

Ro Lohin, (EUA, contemporâneo)

Óleo sobre tela

 

EVERY MAN DIES ALONE, de Hans Fallada.  Trata da história verdadeira de um casal de Berlim, que independentemente, toma em suas mãos uma pequena e reservada resistência ao regime nazista. Este é um livro antigo, um resgate.  Seu autor morreu em 1947.

 

TINKERS, de Paul Harding.  Este é o primeiro romance de Paul Harding.  Nele, estão registradas as memórias de sua vida como uma faz-tudo, especializado principalmente no conserto de relógios,  e suas lembranças de seu pai, que como ele também era uma faz-tudo.  O pai sofria de crises epiléticas o que aparentemente dá um ar do inexplicável a esta curta narração.  Muito apreciado pela precisão de seu texto de menos de 200 páginas.  

 

THE VAGRANTS, de Yiyun Li.  A história se refere ao tempo da Revolução Cultural na China onde crianças denunciam seus pais, amantes traem seus parceiros, tudo para sua sobrevivência.  A narrativa começa com a história dos pais de Gu Shan, uma vítima do regime que é executada como contra-revolucionária.  O texto mostra como pequenos atos de corrupção, crueldade e medo, acabam com a moralidade da sociedade.  Este é o primeiro romance de Yiyum Li.

 

soraya-french (Teerã, Irã), Contemporanea, mixed media, 40x40

Jornal de Domingo, 2005

Soraya French ( Irã, contemporânea)

Técnica mista, 40 cm x 40 cm

 

BORDER SONGS, de Jim Lynch. Este romance tem como principal personagem o guarda de fronteira Brandon Vanderkool, que consegue uma série de apreensões de importância no trânsito entre os EUA e o Canadá, trazendo uma mudança generalizada a um trecho da fronteira entre os dois países que havia sido, até então, ignorado.

 

MILES FROM NOWHERE, de Nami Mun.  Este romance está centrado em Joon, personagem adolescente, que fugiu de casa.  É a história de diversas de suas aventuras que têm em comum um parâmetro de valores que as faz todas terem sentido.  Este é o primeiro romance de Nami Mun.

EVERYTHING RAVAGED, EVERYTHING BURNED, de Wells Tower.   Esta é uma coleção de contos do autor, muito apreciada pelo senso de humor, e por seus personagens fora da veia normal da sociedade.  

 

Yusuf Arakkal (Índia, 1945) Paper reading, óleo sobre tela,120 cm x 120 cm

Lendo o jornal, 2004

Yusuf Yakkal (Índia, 1945)

óleo sobre tela, 120 cm x 120 cm

 

CUTTING FOR STONE, de Abraham Verghese.  Marion e Shiva Praise Stone são gêmeos, nascidos de um relacionamento entre uma freira/santa e um pobre cirurgião, trabalhando ambos num hospital missionário em 1950 na Etiópia.  O autor é um médico e este é seu primeiro romance, uma obra em que ele demonstra o magnífico poder das artes medicinais.

 

LOWBOY, de John Wray.  Lowboy é o pseudônimo do personagem principal, Will Heller, um esquizofrênico que está certo de que o mundo acabará logo, corre em fuga atrás de uma solução, pelos caminhos do metrô de Nova York.   Romance muito apreciado pela descrição dos altos e baixos, do pulos e brancos, de uma mente doente.





Bandeja de madeira, de Ladyce West

27 07 2009

 

 

bandeja de madeira, turística, marqueteria

Ontem à noite Gisela, minha prima e amiga, lembrou-me deste poema que publiquei em 2007.  Numa conversa familiar decidimos que eu  iria re-colocá-lo na web, apesar de já ter aparecido no meu antigo blog:  A Meia Voz.  Agradeço aos fãs da peripécia aqui revelada.

 

 

Bandeja de madeira

 

Ladyce West

 

 

Comprei uma bandeja de madeira,

No mercado de usados da cidade.

O preço alto, verdadeiro assalto,

Testava a minha vontade…

Invocada reclamei:

“Preço muito apimentado!”

O feirante desfiou, então,

A ladainha da ocasião:

Uma cascata de palavras

E de muitas abobrinhas.

Listadas de um modo simples,

Em fileira memorizada,

Uma tabuada de dados,

Sem nexo e sem sentido,

Qual jovem guia turístico

Treinado para repetir,

Sem nenhuma compreensão,

História de monumentos,

Batalhas, guerra ou ação.

Um rol de características,

Uma lista de preciosismos,

Que turistas escutam em vão.

No caso do comerciante,

Era manobra astuta,

Artimanha obstrucionista,

Inspirada na política

Do partido oposicionista,

Com intenção de impedir

Barganhas, regateio, pechincha.

Mas não me dei por vencida

E esbocei, na medida,

Uma ensaiada choradeira

De compradora matreira,

Desconfiada confessa.

Mas para meu desagrado,

A manobra desta vez

Não deu nenhum resultado.

E o vendedor perturbado,

Não se fazendo de rogado,

Disse em português claro:

O preço é este e está acabado!

Era esperteza, eu sabia.

Manha de ressabiado

Recalque de gato escaldado.

Experiente e esperta,

Também lhe disse umas tantas,

Questionei ainda uma vez

Os dados da tal bandeja

Que sabia muito bem

Não ser uma antiguidade.

“Mas minha senhora veja,

Já não se faz trabalho

Detalhado como este.

Marqueteria finíssima,

Olhe a delicadeza

Deste desenho aqui em cima!”

Mantive meu ar incrédulo

De pessoa que conhece:

Reclamei do acabamento,

Das alças, das bordas, do centro,

Do verniz barato – opaco.

“Não sou caloteiro!

Nem tampouco pirateio.

A Sra. pode confirmar

Nos antiquários da cidade!

Vai ver que é coisa boa,

Que tem uma certa idade!”

Pus-me a andar, dando o fora,

No velho ardil de negócios

Fazendo-lhe acreditar

Que era fácil ir embora.

Ele veio correndo atrás,

É vintage, minha senhora,

É vintage, repetia!

Como se a palavra,

A denominação,

A expressão estrangeira,

Respondesse às perguntas

Corriqueiras que lhe fiz.

Mas parei.  E voltei.

Queria muito a bandeja

Rica em marqueteria.

“Não pode ser”, eu dizia,

“Eu me lembro dessas bandejas,

Dessas lembranças para turistas,

Vendidas nas barraquinhas

Da Quinta da Boa Vista…”

De súbito ele parou.

De cima abaixo me olhou.

E puxando lá do fundo

De sua sabedoria, perguntou:

“– Mas quantos anos a senhora tem?”

Num breve momento de pausa,

Disse para mim mesma:

“Que história!  Traída pela memória!”

Olhei para a bandeja de novo

E ainda uma vez mais…

E paguei.

 

 

© Ladyce West, 2007,  Rio de Janeiro





Estória, poema de Martins d’ Alvarez — [para o dia da vovó]

26 07 2009

 vovó conta histórias

 

 

Estória

 

( para pequenos e grandes)

 

                                        Martins d’ Alvarez

 

 

À sombra do tamarindo,

vovozinha, bem sentada,

vai de alfinetes cobrindo

o papelão da almofada.

 

O neto deixa o brinquedo,

chega-se de alma curiosa,

nos bilros buscando o enredo

da renda maravilhosa.

 

Sutil, entre dois extremos,

uma conversa se agita:

— Vovó, como é que aprendemos

Fazer renda, assim, bonita?

 

— Ora, benzinho, aprendendo…

Aprendendo devagar…

Até acabar sabendo,

até um dia acertar.

 

— Pois me ensine, vovozinha!

Garanto que hei de aprender.

— Ensinarei, calunguinha,

quando aprenderes a ler.

 

— Mas vovó não disse, um dia,

que vovozinho morreu

pelo muito que sabia…

Por que demais aprendeu?

 

— Morreu porque foi ferido

No amor próprio, meu bebê!

— Então, o vovô querido

não só amava a você?

 

Vovó fez cara de chiste,

mas, sua fronte pendeu…

Soltou um suspiro triste,

quedou-se … e não respondeu!

 

(Fortaleza, Ceará, 1932)

 

Em: Poesia do cotidiano, Fortaleza, Ceará, Editora Clã: 1977

 

 

 

José Martins D’Alvarez   (CE 1904)  Poeta, romancista, jornalista, diplomado em Farmacia e Odontologia, professor, membro da Academia Cearense de Letras. Nasceu na cidade de Barbalha, Estado do Ceara, em 14 de setembro de 1904.  Filho de Antonio Martins de Jesus a de Antonia Leite da Cruz Martins. Fez os estudos primários na sua cidade natal, os secundários, no Liceu do Ceará.  Depois de formado em Odontologia. Transferiu em 1938 sua residência para o Rio de Janeiro, onde exerceu, além de atividades na imprensa, atividades no magistério superior.

 

 

 

Obras:

 

“Choro verde: a ronda das horas verdes”, 1930, poesia

“Quarta-feira de cinzas”, 1932, novela

 “Vitral”, 1934, poesia

“Morro do moinho” 1937, romance

“O Norte Canta”, 1941,  poesia popular

“No Mundo da Lua”, 1942, poesia para crianças

“Chama infinita, 1949,  poesia

“O nordeste que o sul não conhece 1953, ensaio

“Ritmos e legendas” 1959, poesias escolhidas

“Roteiro sentimental: geopolítica do Brasil” 1967, poesias escolhidas

“Poesia do cotidiano”, 1977, poesia





Imagem de leitura — Gerard Dou

26 07 2009

gerard dou

Velha senhora lendo, (Retrato da Mãe de Rembrandt), 1630

Gerard Dou ( 1613-1675)

Óleo sobre madeira 71 x 55,5 cm

Museu Rijksmuseum, Amsterdã

 

 

Gerard Dou —  Filho de um gravador e pintor em vidro, Gerard Dou começou sua vida de artista plástico pintando sobre vidro.  Em 1628 começou a estudar com Rembrandt, onde aprendeu a arte dos contrastes de luz, a arte do claro-escuro.   Sua especialidade acabou sendo as cenas iluminadas a luz de vela que o fizeram bastante popular  na Holanda do século XVII.    Pintou principalmente pintura de gênero, em que pessoas são retratadas no seu ambiente do dia a dia.  Ficou conhecido pela meticulosa maneira de pintar, pela acurada precisão da representação de texturas diversas.  Gozou de uma excelente reputação internacional e diversos monarcas europeus colecionaram seus trabalhos.  Morreu em Leiden, onde nasceu, e de onde nunca se sentiu tentado a sair.





Brasil que lê: fotografia tirada em lugar público

17 07 2009

Brasileiro lendo dando espaço no banco para outros 1610Não me interrompam a leitura está boa.  Já deixei espaço no banco, não precisa pedir permissão para sentar!” — Praça Serzedelo Correia, Copacabana, RJ.





Meus hábitos de leitura

8 07 2009

bookshelf 1

 

Bem no meio da semana de mudança de um apto para outro, arranjei de ficar gripada.  Então, com febre e sem energia para nada, está difícil entrar com algo interessante no blog.  Resolvi postar algo que preparei há algum tempo,  seguindo  o exemplo de Cadê o Revisor, das Carambolas Azuis, das Laranjinhas, de Pelvini e muitos outros, listando meus hábitos de leitura, ou melhor ainda, o meu relacionamento com o mundo dos livros.

 

Karen Cooper, (EUA)Amantes dispuestos, acrst, 50x75cm

Amantes Dispuestos, s/d

Karen Cooper (EUA- contemporânea)

Acrílica sobre tela,  50 x 75 cm

 

♦ Leio tudo.  Se tiver letras eu leio: anúncio nos outdoors, tabuleta de FRETE, etc  Quando morei na Argélia a maior dificuldade foi não conseguir ler nem os nomes das ruas, pois não tenho a menor idéia sobre o alfabeto árabe.  

♦ Comecei a ler antes de entrar na escola.

♦ Meus pais liam.  Ambos.  Eu imitava.

♦ Desde de criança que tive uma estante para os meus livros.

Sempre dou livros para as pessoas.  Até para aqueles que sei não terem o hábito de ler. Procuro algo que possa seduzir a pessoa, por exemplo, um fã de futebol: crônicas sobre o Flamengo de Nelson Rodrigues.

♦ Nunca ponho dedicatória no livro, mas num cartão acompanhando.

♦ Sou capaz de rir às gargalhadas ou de chorar lendo um livro em qualquer lugar que eu esteja.

♦ Não caio no sono sem ler.

♦ São raros os livros que releio.

 

Diana Ong

Leitora, s/d

Diana Ong ( EUA, 1940)

Gravura

 

♦ Sempre quero saber o que outros na rua, no metrô ou no ônibus estão lendo.

♦ Leio em qualquer transporte público.  

♦ Às vezes, compro livro pelas capas.

♦ Empresto livros com bastante facilidade, principalmente romances.  Não sou ciumenta dos meus livros.  Tenho prazer em saber que o meu livro pode estar dando prazer a outro.  Quanto mais gente ler o meu livro mais feliz eu fico.

♦ Incentivo a leitura naqueles que as vezes não lêem por falta de dinheiro: empresto pro porteiro, pro taxista, pra faxineira. 

♦ Quando adolescente gastava boa parte da minha mesada em livros, em sebos.

♦ Não escrevo a lápis nos meus livros.  Tomo notas num caderninho especial.

♦ Marco passagens interessantes com tirinhas de papel.  Se quando eu terminar o livro elas ainda forem interessantes, passo para um caderno com passagens interessantes.  Há dois anos este caderno não existe, é uma pasta no meu computador.

♦ Já tive um ex-libris.  Hoje acho isso uma interferência…

♦ Tenho livros em todos os cômodos da casa, exceto a cozinha.  Mas tenho uma biblioteca de livros de cozinha no quarto de empregada.

♦ Sou conhecida por colocar livros em ordem nas livrarias, colocar de volta nas prateleiras livros que pessoas deixaram nas mesas.   

Joesph_Alleman, reading

O companheiro, 2001

Joseph Alleman (EUA)

Aquarela,  75 x 55 cm

 

 

♦ Prefiro o silêncio quando leio.  Mas uma música instrumental baixinho às vezes pode rolar.

♦ Tenho pilhas de  livros no meu quarto.  São as próximas leituras.

♦ Tenho um bloquinho com a classificação de 1 a 5 estrelas dos livros lidos.

♦ Não empresto livros de referência.  Entre eles estão dicionários, é claro, os clássicos,  livros de historia, nem livros de arte. 

♦ Já escrevi um livro que nunca foi publicado. 

♦ Leio jornal todo dia. 

♦ Sempre leio o resumo da contra-capa.

♦ Pertenço a um grupo de leitura há mais de cinco anos, somos 12 mulheres, juntas já lemos mais de 65 livros.

♦ Leio no mínimo de 4 a 6 livros por mês.

♦ Leio alguns  jornais estrangeiros todos os dias na internet, dou preferência aos ingleses.

♦ Leio algumas revistas digitais, umas duas vezes por semana.

♦ Todos os dias leio a BBC e a Reuters digitais.

 

reading-comics

 

♦ Acho que irei me adaptar aos livros digitais, apesar de não ter no momento nenhum kindle ou semelhante.  Mas leio com facilidade no computador.

♦ Acho que não me adaptarei a ler um livro no celular.

♦ Não gostei do livro, deixo de lado.  Há muitos outros e certamente não viverei anos suficientes na minha vida para ler todos.

♦ Não escrevo resenhas de livros de que não gosto.  

♦ Numa livraria, antes de comprar, se tenho dúvidas se devo ou não investir num livro ou autor desconhecido, leio a primeira página.  Se dá vontade de continuar, compro.

♦ Leio fluentemente em 3 línguas.  E leio sempre um livro em cada uma dessas línguas regularmente, para não perder o hábito com a língua.

♦ Quando viajo tento levar livros sobre aquele lugar que algum autor já publicou e comparo as minhas impressões com as dele.  Isso foi de grande efeito quando passeei algum tempo na Espanha, lendo Ibéria de James Michener.

♦ Não coleciono autógrafos.  Nem de autores de que gosto.  Não sou dada ao culto de celebridades, quaisquer que elas sejam. 

 

 

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♦ Já li autoajuda.

♦ Já li livros para melhorar a administração de carreira.

♦ Compro mais livros do que leio, porque gosto de saber que estão em meu poder e posso vir a lê-los a qualquer momento.

♦ Leio livros emprestados também.

♦ Leio livros de sebo assim como novos.  

♦ Desde que saí da casa de meus pais, para ter o meu próprio canto, tenho uma área da casa dedicada a livros.

♦ Conheci meu marido numa biblioteca.

♦ Gosto de visitar bibliotecas, mesmo quando sou turista.  

♦ Eu e as bibliotecas somos amigas do peito: sou produto de uma biblioteca municipal, no Rio de Janeiro, da biblioteca da escola pública que freqüentei, da biblioteca do Colégio Pedro II e por aí afora.  

♦ Leio livros de história, acadêmicos, como se fossem romances.

♦ Na internet sou bastante aventureira e passeio por portais de livrarias em alemão, em holandês, sueco, etc.  Acabo aprendendo um pouco.  É divertidíssimo.

♦ Minha biblioteca é um tanto bagunçada e segue uma organização genérica por assunto.

♦ Dou e dôo livros com freqüência.

♦ Não me interesso muito pela vida do autor.  O livro, sua obra, é o que me atrai.

♦ Não sou a pessoa que mais lê na minha casa.  Meu marido lê muito,  muito mais do que eu.





Dicas para pais ajudarem os filhos na escola

7 07 2009

lendo conto de fadas, elizabeth shippen green

Lendo conto de fadas, cartão postal

Elizabeth Shippen Green (EUA 1871-1954) 

Ilustradora de livros. 

 

 

Veja algumas dicas:

A psicopedagoga Andrea Garcez ensina os pais a ajudar os filhos no dever de casa e estimulá-los a ler.

 – Reserve uma mesa, nunca cama ou sofá, para estudos, com livros, revistas, tesoura, cola e lápis de cor.

– Tempo: para os menores do 1º ano, estabeleça entre 15 e 20 minutos. Do 7º ano em diante: entre 1 e 2 horas.

– Fazer o dever pela criança a torna insegura e faz com que os professores acreditem que o aluno está bem.

– Pais devem acompanhar as tarefas dos filhos, mas cabe à escola ensinar. Professores podem escolher temas atuais, explorar recursos da mídia, da Internet, criar desafios, competições saudáveis e expor os trabalhos.

 

O hábito da leitura é fundamental para o sucesso escolar e profissional. É difícil criá-lo se a família não lê. Os pais ensinam mais através de atos do que de palavras.

PORTAL TERRA





O leitor ávido é um bom aluno

7 07 2009

reading 147

Uma pesquisa inédita da Secretaria Municipal de Educação do Rio revela que muitos alunos do Ensino Médio nunca ou raramente têm ajuda para fazer o dever de casa. A tarefa é solitária para 48,3% dos estudantes do 7º ao 9º do Ensino Fundamental. Os jovens do 4º ao 6º ano ganham um pouco mais de atenção: 35,2% têm apoio para cumprir a lição. O levantamento revelou, também, que a leitura por prazer é rara: menos de 10%, nos dois segmentos, buscam livros por iniciativa própria.

O trio de bons alunos Leonardo, Luiz e Ana Paula não sai da biblioteca em Copacabana: o hábito da leitura é fundamental para o sucesso escolar.  A psicopedagoga Andrea Garcez, 33, mestranda em Educação pela PUC-RJ, destaca a importância de acompanhar o dever de casa dos filhos.

Mas as tarefas devem ser realizadas pelo estudante e a ajuda só deve ocorrer quando solicitada. A realização de exercícios em conjunto fortalece o aprendizado e os laços familiares, cria o hábito do estudo e da pesquisa e aproxima os pais dos professores“, afirma.

No projeto Harmonicanto, no Cantagalo, a professora de Música Cássica, Oliveira, ensina canto e instrumentos musicais a 16 crianças e adolescentes da favela. E as auxilia no dever de casa diariamente. “Percebi que, para desenvolverem bem o dom da música, elas precisavam de ajuda nas tarefas escolares. O rendimento delas melhorou muito, tanto nas atividades da ONG, quanto na escola“, assegura.

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Histórias da selva, 1895

James Jebusa Shannon (EUA, 1862-1933)

óleo sobre tela,  87 x 114 cm

The Metropolitan Museum of Art, Nova York

O leitor ávido, é um bom aluno.

Mais de 70% dos alunos só vão às prateleiras quando o professor leva e mais de 10% confessaram nunca terem ido à Sala de Leitura da escola. Os irmãos Leonardo, 11 anos, e Ana Paula Rodrigues Barreto, 10, do 4º e 5º ano da Escola Municipal São Tomaz de Aquino, no Leme, vão diariamente à Biblioteca Popular Municipal Infantil Max Feffer, em Copacabana.

Às vezes troco uma ‘pelada’ por uma hora na biblioteca“, conta Léo. O quarteto de leitores, e também bons alunos, é completado pelos irmãos Luiz Carlos da Silva Marques, 10, e Lucas, 13:  juntos, já leram mais de 30 livros este ano.

Pais devem ler perto dos filhos

A Secretaria Municipal de Educação tem atraído os pais para a tarefa de criar nos filhos o hábito da leitura. “Os pais são orientados sobre a importância da criação do hábito diário de acompanhamento nos exercícios de casa e a verificar se o dever está sendo corrigido pelos mestres. Estamos incentivando parentes a ler perto dos filhos nas horas de lazer“, disse a secretária Cláudia Costin.

A prefeitura incrementará o acervo das Salas de Leitura, presentes em 1.060 das 1.062 escolas municipais. Mestres são instruídos a levar os alunos lá com mais freqüência.

PORTAL TERRA