Muito grata!

5 06 2023
Um dos grandes prazeres que tive depois que lancei À meia voz, foi receber feedback. Tenho um volume de meu livro com marcações sobre que pessoas gostaram de que poesias. O livro está todo rabiscado… mas adoro ver que poesia marcou aquela pessoa e se possível o porquê dessa preferência.
 
Mas recebi um feedback SENSACIONAL. Uma de minhas leitoras, que se dedica à aquarela, me mandou uma aquarela da capa do meu livro. Isso não é sensacional? Aqui está. O nome dela é Lu Pimentel. E estarei para sempre  grata
 
.
Nunca pensei de ser recipiente de tão delicada lembrança.

 





Outono: P. D. James

2 06 2023

Outono em Cornwall, 1925

Walter Elmer Schofield (EUA, 1866-1944)

óleo sobre tela

 

 

 

“Era um daqueles dias ingleses de outono perfeitos que acontecem com mais frequência na memória do que na vida.”

 

P.D. James (A Taste for Death (Adam Dalgliesh, #7))

 

Tradução: Ladyce West

 

-.-.-.

“It was one of those perfect English autumnal days which occur more frequently in memory than in life.”
P.D. James (A Taste for Death (Adam Dalgliesh, #7))

 





Outono: Helen Bevington

1 06 2023

Uma estrada do interior no outono, 1918

Edward Wilkins Waite (Grã-Bretanha, 1854-1924)

óleo sobre tela

 

 

 

“O estímulo sazonal é forte entre poetas. Milton escrevia sobretudo no inverno.  Keats esperava que a primavera o acordasse (como havia feito anteriormente nos meses de abril e maio de 1819). Burns escolheu o outono.  Longfellow gostava do mês de setembro. Shelley brilhava nos meses quentes.  Alguns poetas, como Wordsworth,  trabalhavam ao ar livre. Outros, como Auden, permaneciam em lugares com cortinas fechadas. Schiller precisava do perfume de maçãs apodrecidas  à sua volta para escrever um poema.  Tennyson e Walter de la Mare tinham que fumar.  Auden bebia muito chá, Spencer café; Hart Crane álcool. Pope, Byron e William Morris eram criativos às altas horas.  E assim por diante.”

 

Helen Bevington (When Found, Make a Verse of)

 

Tradução: Ladyce West

 

-.-.-.

“The seasonal urge is strong in poets. Milton wrote chiefly in winter. Keats looked for spring to wake him up (as it did in the miraculous months of April and May, 1819). Burns chose autumn. Longfellow liked the month of September. Shelley flourished in the hot months. Some poets, like Wordsworth, have gone outdoors to work. Others, like Auden, keep to the curtained room. Schiller needed the smell of rotten apples about him to make a poem. Tennyson and Walter de la Mare had to smoke. Auden drinks lots of tea, Spender coffee; Hart Crane drank alcohol. Pope, Byron, and William Morris were creative late at night. And so it goes.”

— Helen Bevington (When Found, Make a Verse of)

 





Encontro carioca

1 06 2023
Encontro com a amiga e também escritora Lenah Oswaldo Cruz, em um café no Leblon, RJ.
 
Caso vocês não saibam, Lenah é autora de A voz do tempo, um livro absorvente. São memórias de suas angústias e incompreensão ainda menina, depois adolescente, e finalmente jovem mulher, para entender a paixão de Dora e Luiz, seus pais, paixão que se autodestruiu mas que gerou frutos fecundos.
 
Lenah tem sido também uma das maiores incentivadoras da minha escrita, tanto na poesia como sobre arte. Foi uma prazer imenso passar umas horinhas em sua companhia.




Outono: E. B. White

28 05 2023

Ilustração: Edward Cucuel

 

“Os grilos acharam ser seu dever alertar todos de que a temporada do verão não podia durar para sempre. Até mesmo nos mais belos dias do ano inteiro – dias em que o verão está mudando para o outono – os grilos espalhavam o zunido de tristeza e transformação.”

 

E. B. White, em  A teia de Charlotte

 

Tradução: Ladyce West

 

“The crickets felt it was their duty to warn everybody that summertime cannot last for ever. Even on the most beautiful days in the whole year – the days when summer is changing into autumn – the crickets spread the rumour of sadness and change.”
— E.B. White (Charlotte’s Web)




Outono:Lyn Yutang

26 05 2023

Most Famous Autumn Paintings

Quatro árvores, 1917

Egon Schiele (Alemanha, 1890-1918)

óleo sobre tela, 110 x 140 cm

Galeria Belvedere, Viena

 

“Gosto da primavera, mas é muito jovem. Gosto do verão, mas é muito orgulhoso. Então, de todos gosto mais do outono, porque suas folhas são um tanto amarelas, sua modulação madura, suas cores mais ricas, e é tingido por um pouco de tristeza e premonição da morte. Sua riqueza dourada não fala da inocência da primavera, nem do poder do verão, mas da suavidade e gentil sabedoria da idade chegando. Sabe das limitações da vida e está satisfeito. Do conhecer dessas limitações e da riqueza de sua experiência surge uma sinfonia de cores, mais rica que tudo, seu verde fala de vida e vigor, seu laranja do contentamento dourado e o roxo de resignação e morte.”

Lyn Yutang

 

Tradução Ladyce West

 

“I like spring, but it is too young. I like summer, but it is too proud. So I like best of all autumn, because its leaves are a little yellow, its tone mellower, its colours richer, and it is tinged a little with sorrow and a premonition of death. Its golden richness speaks not of the innocence of spring, nor of the power of summer, but of the mellowness and kindly wisdom of approaching age. It knows the limitations of life and is content. From a knowledge of those limitations and its richness of experience emerges a symphony of colours, richer than all, its green speaking of life and strength, its orange speaking of golden content and its purple of resignation and death”

 





Outono: George Eliot

18 05 2023

Paisagem, 1961

Dakir Parreiras (Brasil, 1894-1967)

óleo sobre tela, 41 x 51 cm

 

“Não é este um verdadeiro dia de outono?  A melancolia precisa, imóvel, que amo — que faz vida e natureza se harmonizarem. Os pássaros se aconselham sobre a migração, as árvores se vestem das cores pálidas ou frenéticas do declínio, e começam a cobrir o terreno, para que nossos próprios passos não perturbem o repouso da terra e do ar, enquanto nos dão um perfume que é o bálsamo perfeito para o espírito desassossegado.  Delicioso outono!  Minha verdadeira alma unida a ele, e se eu fosse um pássaro voaria pela terra procurando por outonos sucessivos.”

 

[George Eliot, Carta a Miss Lewis, 1 de Outubro, 1841]

Tradução:  Ladyce West

 

“Is not this a true autumn day? Just the still melancholy that I love – that makes life and nature harmonise. The birds are consulting about their migrations, the trees are putting on the hectic or the pallid hues of decay, and begin to strew the ground, that one’s very footsteps may not disturb the repose of earth and air, while they give us a scent that is a perfect anodyne to the restless spirit. Delicious autumn! My very soul is wedded to it, and if I were a bird I would fly about the earth seeking the successive autumns.”

 

[Letter to Miss Lewis, Oct. 1, 1841]




15 anos! FELIZ ANIVERSÁRIO!

8 05 2023
Festa de aniversário da Magali,  ilustração Maurício de Sousa.

 

 

Hoje a WordPress avisa: fazemos aniversário. Seria bom comemorarmos. Esta parceria dura quinze anos. Não sabia quando comecei o blog que viria a ser tão importante para mim, para professores, para escolas públicas através do Brasil, para quem quisesse aprender uma coisinha de cada vez.  Das crianças aos adultos, do contemporâneo ao resgate cultural Um detalhe por dia. Passo a passo lembramos do que já fomos, já fizemos e ainda somos.

Não imaginei que teria o grande número de seguidores,   nem a projeção que a Peregrina Cultural conseguiu. Hoje com um pouco mais de onze milhões e quatrocentas mil visitas únicas, ou seja ninguém foi contado mais de uma vez.

Para mim, é um hobby, um passatempo a que me dedico diariamente. Quase não estive ausente nestes anos. Pago à plataforma uma taxa anual para não ter anúncios. Não vendo nada. Mal anuncio meus cursos de história da arte, ou meus livros. Tenho direito a domínio próprio, mas ainda não tive a paciência de me embrenhar pelas escolhas digitais que terei que fazer.

Mantive a aparência por quinze anos. Comecei com um conteúdo um pouco diferente. Mas tudo muda. Mudei porque muitos outros brasileiros foram aos poucos preenchendo melhor do que eu poderia fazer alguns campos de interesse.

 

Mas o objetivo principal é mostrar a importância da leitura, das artes e da história.

Quero agradecer às cinco mil pessoas que recebem avisos diários sobre o blog e a todos que me visitam. É doce saber que há alguém, lá do outro lado da minha telinha, que liga para o que posto. É um prêmio!

 

Muito obrigada todos. Em frente por mais quinze anos? Será?  Vamos ver…

 

PS: O nome da Peregrina Cultural é Ladyce West,





Mãos gigantes

23 04 2023

Paisagem Imaginária, 1983

Antônio Henrique Amaral (Brasil, 1935-2015)

óleo sobre tela, 40 x 60 cm

Recentemente encontrei a obra de Antônio Henrique Amaral: Paisagem imaginária, de 1983.  Não a conhecia. Amaral usava imagens simplificadas, de grandes proporções.  Transmitia mensagens  alegóricas entendidas ou não pelo espectador.  Fartamente familiarizado com a arte Pop dos anos sessenta, Amaral desenvolveu, à moda de Andy Warhol, obras icônicas de seu tempo.  Elas levavam o espectador a identificar e reconhecer que as imagens tinham simbolismo relevante para o momento em que foram produzidos.  

Como Andy Warhol e outros artistas  Pop nos Estados Unidos, Amaral usou imagens de objetos corriqueiros, para montar seu discurso.  Cada espectador que tirasse suas conclusões.  Nos Estados Unidos, Andy Warhol escolheu latas de sopa, garrafinhas de Coca-Cola, retratos de Marilyn Monroe e de outros ídolos do momento para fazer sua denúncia  sobre o que era santificado no momento. Jasper Johns  produziu grande variedade de arte-objeto, das bandeiras americanas às latinhas de cerveja.  Todos com o mesmo objetivo de abrir os  olhos dos espectadores para o seu redor.  Jasper Johns era  mais politicamente envolvido, sobretudo com a Guerra do Vietnã, presente no dia a dia do americano dos anos sessenta do século passado.  Esse viés de engajamento político não foi desprezado por Antônio Henrique Amaral que dedicou muitas de suas telas a símbolos da vida cotidiana brasileira: bananas, bambus, bandeiras. Estas imagens, sobrepostas levavam ao engajamento político para qualquer observador de suas telas.  Amaral, convidava, como seus parceiros americanos,  o visitante da galeria ou museu a tirar conclusões frente suas telas, sobre momento histórico ou sobre a vida cotidiana da época.

À esquerda, Antônio Henrique Amaral, Sob a luz do Cruzeiro do Sul, 1993; à direita, René Magritte, Homenagem a Shakespeare, 1963.

Amaral foi responsável por obras enganosamente simples: imagens de  dimensões colossais ganhavam importância no imaginário do observador.  Deveria haver uma razão, uma mensagem numa tela repleta de bambus. Todos procuravam entender o simbolismo, dar significado ao grandioso ícone que encaravam.  Afinal, por que ver uma banana de um metro por oitenta centímetros? Que ele queria dizer com isso? E a banana na frente de duas bandeiras, a nacional e a americana?  Essas telas convidavam à conversa do espectador com o pintor;  quase demandavam a participação de quem as visse.

Genuíno produto segunda metade do século XX, Antônio Henrique Amaral não escapa à influência de seus colegas americanos.  No entanto, volta-se também para os artistas que trabalharam nos anos anteriores à Segunda Guerra Mundial. As  superimposições que usa, como bandeiras e bananas, surgem acompanhadas da estética de René Magritte, que era, por sua vez,  fruto de influências que acomodavam grandes discrepâncias de tamanho.  Comecemos com a importância dada aos objetos, como aconteceu durante o movimento Dada, com Marcel Duchamp.

Roda de bicicleta, 1951, 3º versão, original de 1913 perdido, Marcel Duchamp (França-EUA,1887-1968), ready-made, MOMA, NY

Desse período temos Duchamp e Man Ray, entre outros trazendo a “coisa pronta” [ready-made] para as galerias e colecionadores.  Magritte estava no início do século XX à procura do caminho a seguir.  Estes foram seus verdadeiros anos formativos.  Como uma esponja absorvia o que via, na arte de pintores contemporâneos, nas galerias de arte, revistas, anúncios o que lhe caísse nas mãos.  Foi diretamente influenciado pelos livros-colagem de Max Ernst, La femme 100 têtes e Une semaine de bonté, que precederam seu trabalho. Mas também teve notória influência de Giorgio de Chirico.  E não é que ambos Ernst e de Chirico  combinavam imagens díspares de tamanhos variados?

Em cima, René Magritte, Túmulo dos lutadores, 1960; embaixo, Antônio Henrique Amaral, Banana, s/d.

Característica da arte do século passado, de pintor em pintor, a compreensão do espaço a ser preenchido nas duas dimensões do papel ou da tela, ganha impulso com novas técnicas e maneiras de expressão. O colóquio entre presente e passado, pintura e escultura é frequente, sempre baseado nas obras daqueles que precederam o artista do momento.  Muita vezes, seus próprios contemporâneos servem de apoio a uma nova estética   absorvida ou determinada por uma movimento, por troca de ideias por comprometimento de objetivos.

 A imagem que suscitou essa postagem, Paisagem imaginária, imediatamente pareceu ter afinidade visual com a obra de Oscar Niemeyer, Mão, 1988 situada no Memorial da América Latina, em São Paulo. Teria ele intimidade com o  trabalho de Amaral?  A pintura de Amaral antecede o projeto escultórico de Niemeyer por cinco anos.

Em cima, Paisagem imaginária, 1983 de Amaral; embaixo Mão, 1988, Niemeyer.

 

Na década de 1980,  Oscar Niemeyer já conhecia o trabalho de Antônio Henrique Amaral. Quando pediu ao governador de São Paulo que o painel de Cândido Portinari, Tiradentes  de 1948, fosse realocado do Palácio dos Bandeirantes, para  Memorial da América Latina, em construção, abriu-se uma competição para artistas convidados com o objetivo de preencher o vazio criado no palácio do governo que ficara despido.  Aguilar, Antonio Henrique Amaral, Cláudio Tozzi, Emanoel Araújo, Sérgio Ferro  e Valdir Sarubbi foram chamados para apresentar suas visões do que poderia ser feito. Hoje, esses projetos fazem  parte do acervo do palácio. O escolhido foi Antônio Henrique Amaral que se dedicou então ao São Paulo – Brasil: Criação, Expansão e Desenvolvimento.

 

 

Ainda que no painel para o Palácio Bandeirantes não haja mãos, bambus e outras vegetações tomam toda a superfície, é bom lembrar que não teria sido só em  Paisagem imaginária que Amaral representou mãos de impacto visual. Algumas aparecem em xilogravuras o que torna a popularidade de sua obra maior.  Há, afinal, dezenas de tiragens ou mais dependendo da demanda, que podem ser vistas em inúmeros lugares ao mesmo tempo.  Antônio Henrique Amaral tinha preferência por esta forma de expressão. Em parte por ter estudado com o pintor e  excelente gravador Lívio Abramo, e também porque a xilogravura é parte essencial do vocabulário artístico do país de norte a sul.  

 

Em cima, Consensus, 1967;  embaixo Diálogo Frustrado, 1967, ambas xilogravuras de Antônio Henrique do Amaral.

 

Essa fascinação por mãos que falam, grandes ou pequenas  tão expressivas, às vezes mais expressivas do que um rosto, primeiro me lembrou a obra do escultor chileno Mario Ararrazábal.  Difícil falarmos de mãos no início do século XXI sem referência imediata a este artista e suas várias e gigantescas mãos.  Primeiro agonizante mão plantada no deserto do Atacama, na estrada que leva a Antofagasta, chamada A Mão do Deserto, de 1992.  Gigantesca ela parece pedir auxílio.  Logo vem à lembrança também a mão de Veneza de sua autoria, já menos desesperadora, talvez porque esteja quase toda acima do solo, desenterrada, já. 

 

Em cima, Mão, 1992, Chile; embaixo Mão, 1995, Veneza, Itália. Ambas do escultor chileno Mario Ararrazábal.

 

A Mão de Oscar Niemeyer, no Memorial da América Latina, tem em comum com as obras de Mario Ararrazábal o tamanho gigantesco, os dedos abertos, espalmados ao vento, como num apelo mudo a um ser maior, um espírito protetor, a quem preste atenção ao seu desespero. Mas quaisquer que ela sejam, independente de quem  as fez, há aflição, angústia, ansiedade causadas por estas mãos com  ou sem punhos saindo do solo.  E no entanto volto meus pensamentos uma vez mais à obra de René Magritte, onipresente no século XX. 

 

Colagem, 1966

René Magritte (Bélgica, 1898-1967)

colagem, lápis e tinta sobre papel

 

Um ano antes de falecer, Magritte faz uma misteriosa colagem, que vemos acima: a mão enorme, desproporcional à mesa em que parece apoiada, preenche a paisagem arenosa de uma praia.  Não parece muito diferente daquelas do escultor chileno  Mario Ararrazábal. Nesta obra Magritte parece voltar a atenção ao  início de sua carreira, quando admirou e absorveu a estética de Max Ernst e de Giorgio de Chirico. Por que?  Pergunta difícil de responder.

 

MAX ERNST, FEMME 100 TETES 1

Página do romance gráfico, feito exclusivamente de colagens, La femme 100 têtes, 1929, de Max Ernst

 

MAGRITTE - DECHIRICO SONG OF LOVE

Giorgio de Chirico, Canção de Amor, 1914, óleo sobre tela.

-.-.-.-.-.-.

NOTA:

Este texto é um trabalho em andamento…. parte de futura publicação —  Notas da história da arte: observações aleatórias das salas de aula

 

©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2023

 

-.-.-.-.-.-

Ladyce West é uma historiadora da arte.  Em sua vida acadêmica, antes de abrir uma galeria de arte e antiquário, dedicou-se ao estudo do surrealismo belga.  Seu livro: Humor, Wit and Irony in the Works of Belgian Surrealists, baseado em tese da Universidade de Maryland, está em processo de tradução para o português. 

 







Um presente para o Dia das Mães!

22 04 2023

Livro À meia voz, de Ladyce West, em todas as livrarias e na Amazon, papel e digital.