Quadrinhas para crianças: Independência do Brasil — de Walter Nieble de Freitas

29 08 2011
Bandeira do Brasil em mosaico.

Quadrinhas para celebrar a Independência do Brasil

                                                 Walter Nieble de Freitas

A Pátria meus coleguinhas

É o recanto onde nascemos;

É a Família, o Lar, a Escola…

É a Terra onde vivemos!

Foi a Sete de Setembro

Que a nossa Terra Natal

Se libertou para sempre

Do jugo de Portugal!

Nas colinas do Ipiranga,

D. Pedro, o bravo Regente,

Transformou a nossa Terra

Num país independente!

Bandeira colorida, 2007

Zilando Freitas ( Brasil, contemporâneo)

tecido em nós,  100 x 140 cm

http://zilandofreitas.blogspot.com

O grande Pedro Primeiro

Com bravura sem igual,

Proclamou a Independência

De nossa Terra Natal.

Viva o Sete de Setembro!

Viva o povo brasileiro!

Viva a nossa Independência!

Viva D. Pedro Primeiro!

Foi “Independência ou Morte!”

O brado forte e altaneiro

Que libertou para sempre,

O meu Torrão Brasileiro.

Viva a Semana da Pátria!

Salve o povo brasileiro!

Viva a nossa a Independência!

Salve D. Pedro Primeiro!

Em: 1000 Quadrinhas escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1965.





Minha terra, poema de Casimiro de Abreu

26 06 2011

Paisagem com touro, 1925

Tarsila do Amaral ( Brasil, 1886 – 1973)

óleo sobre tela, 52 x 65 cm

Coleção Particular

Minha terra

                             Casimiro de Abreu

Todos cantam sua terra

Também vou cantar a minha

Nas débeis cordas da lira

Hei de fazê-la rainha.

— Hei de dar-lhe a realeza

Nesse trono de beleza

Em que a mão da natureza

Esmerou-se em quanto tinha.

Correi pras bandas do sul:

Debaixo de um céu de anil

Encontrareis o gigante

Santa Cruz, hoje Brasil.

— É uma terra de amores,

Alcatifada de flores,

Onde a brisa fala amores

Nas belas tardes de abril.

Tem tantas belezas, tantas,

A minha terra natal,

Que nem as sonha o poeta

E nem as canta um mortal!

— É uma terra encantada

— Mimoso jardim de fada –

Do mundo todo invejada,

Que o mundo não tem igual.

Em: Vamos Estudar?  Theobaldo Miranda Santos, 3ª série primária, edição especial para o estado do Rio de Janeiro, RJ, Agyr:1957, 9ª edição.

Casimiro José Marques de Abreu (Barra de São João, 4 de janeiro de 1839 — Nova Friburgo, 18 de outubro de 1860) poeta brasileiro da segunda geração romântica. Foi a Portugal com seu pai em 1853, onde permaneceu até 1857. Morreu aos 21 anos de idade de tuberculose. Deixou um único livro de poesias publicado em 1859, Primaveras, mas foi o suficiente para se tornar um dos mais populares poetas brasileiros de todos os tempos. 

Obras: 

Teatro:

Camões e o Jaú , 1856

 Poesia:

Primaveras, 1859

 Romances: 

Carolina, 1856

Camila, romance inacabado, 1856

A virgem loura,

Páginas do coração, prosa poética,1857





Lembranças de alguns SETES de SETEMBRO

6 09 2010

 3º REGIMENTO DE CARROS DE COMBATE levando o pavilhão nacional. Parada de 7/09/1969 em frente ao Ministério do Exército, antigo Ministério da Guerra, Rio de Janeiro. Foto: Exército Brasileiro. [http://www.defesanet.com.br/history/m-3.htm]

Até os meus nove anos, o feriado da Independência do Brasil trazia a invariável recordação de muito calor, sol a pino, uso obrigatório de chapeuzinho de palha, fome, sede, irritação, nervos a flor da pele e grande incômodo ao chegar em casa, com a minha pele muito clara, queimada, vermelha, a pinicar pelo resto do dia.  Não era conseqüência de uma ida à praia.  Não. Praia era coisa corriqueira aqui no Rio de Janeiro, para os fins-de-semana comuns do resto do ano, gastos com manhãs no Arpoador, onde o mar, com ondas baixinhas, era próprio para crianças.  As memórias do incômodo apontam para papai que sempre nos levava para ver a parada de Sete de Setembro, no centro da cidade.

Todo ano era a mesma coisa: garrafa térmica com água e lanchinho na merendeira escolar: uma caixinha miniatura de passas sem caroço.  E lá partíamos nós para observar o interminável desfilar de soldados, militares, ex-combatentes, tropas da Marinha, do Exército, da Aeronáutica.  Vinham canhões.  Passavam sobre nossas cabeças aviões fazendo malabarismos.  Do desfile eu só gostava mesmo da cavalaria e principalmente dos Dragões da Independência.  Ah, como eram bonitos!  E elegantes!  E o pelo de seus cavalos tinha um lustre dourado, um brilho cuidadosamente obtido pelo escovar e tratar do pelo.  Eram magníficos.  Mas custavam a chegar, se não me engano eles fechavam o desfile…

Meu pai deveria ter ido à guerra.  À Segunda Guerra Mundial.   Mas era muito míope, demais mesmo.  Ficou por cá.  Trabalhou na censura de cartas dos Correios e Telégrafos,  já que lia fluentemente o alemão, além do inglês e francês.  Na minha imaginação, ele trabalhou muito bem, como parte da “resistência brasileira.”  Mas pai é sempre herói para filha encantada…   Hoje, no entanto, olhando para trás, acho que sua empolgação com a parada de Sete de Setembro tinha muito a ver com isso.  O não ter ido lutar na Itália.  O saber de amigos e companheiros perdidos em solo europeu. 

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Periscópio de papelão e espelhos.

De todo o evento, no entanto, o que mais me atraía, e acabava me seduzindo a voltar no próximo ano, eram os periscópios que levávamos.  Eu era fascinada com o objeto.  Como uma caixa de papelão, comprida, aberta nas pontas, com um espelho em cada lado, podia me mostrar o que se passava lá na frente, além daquele mundaréu de gente que obstruía a visão das tropas desfilando?  Como funcionava?   Eu gostava tanto da peça que já maiorzinha, abdicava em favor do meu irmão do meio, a montaria nos ombros de papai, para melhor me posicionar para o desfile.  A grande fascinação vinha ao descobrir que a caixa era vazada, e não tinha motor!   E eram bonitos os nossos periscópios, provavelmente comprados em camelôs especializados na data, porque tinham uma bandeirinha do Brasil colada em duas faces diferentes das caixas…  Eram especiais! 

De volta à casa, depois das paradas, os periscópios rolavam ainda por aqui e ali, ao longo do dia, antes que mamãe — que nunca nos acompanhava — desaparecesse com eles, sabe-se lá para onde.  Mas nesse ínterim brincávamos de guerra — eu e meu irmão —  cada qual com seu submarino imaginário, escondidos por trás do caimento da toalha, ao redor da mesa  ainda posta do almoço, enquanto os adultos, pai, mãe, avós se deliciavam com um cafezinho e jogavam conversa fora.   Lembrei-me dessas brincadeiras quando vi há uns poucos dias a ilustração abaixo, que trouxe essa enorme onda de memórias…  Ah! o poder das imagens!

©Ladyce West, Rio de Janeiro: 2010

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Amo o Brasil, poesia de Bastos Tigre para a semana da pátria

31 08 2010

Mickey e Pateta vão ao Brasil, Ilustração Walt Disney.

 

Amo o Brasil

                                     Bastos Tigre

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Amo este céu constelado

Céu do Brasil — manto azul —

Sobre ele, em ouro bordado,

Vê-se o Cruzeiro do Sul.

Amo estas matas virentes

Verdes, de eterno verdor

Onde há frutos recendentes,

De delicioso sabor.

Amo esta água cristalina

Dos rios, viva, a correr,

Fazendo mato e campina

Serra e vale florescer.

As belas árvores amo,

Povoadas de passarinhos,

Onde a vida em cada ramo

Palpita em flores e ninhos.

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Água e mata, céu e terra

Flores do campo gentis,

Amo tudo quanto encerra

Meu grande e belo País.

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Amo as amáveis cantigas

Que ouvi, criancinha, a cantar,

 Em doces vozes amigas,

No berço me acalentar.

Amo a nossa gente boa

Feita só de coração,

Que, por vingança, perdoa

E esquece por compaixão.

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Amo os nomes bem-fadados,

Dos que lutaram por nós;

Dos nossos antepassados,

Avós dos nossos avós.

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Poetas, sábios e guerreiros

Que a história em seus livros traz,

Nobres heróis brasilleiros

Grandes na guerra e na paz.

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Em tudo que amo e bendigo

A minha pátria se vê.

Amo, porque amo!  Não digo

Nem que me perguntem por quê.

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Amo os meus pais.  Necessito

Dizer por que amo os meus pais?

Assim proclamo, assim grito:

Amo o Brasil!  Nada mais.

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Sinto-o em mim, no mais profundo

Da minh’alma juvenil.

Adoro a Deus; e no mundo

Amo, adoro o meu Brasil.

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Em: Antologia Poética, Rio de Janeiro, Ed. Francisco Alves: 1982

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História, poema para a infância de Álvaro Moreyra

2 08 2010

 

Cartaz do 1º centenário da Independência do Brasil.

História

                                                                      Álvaro Moreyra

Dom Pedro Primeiro

chegou de viagem

e trouxe o Brasil.

Foi lá no Ipiranga,

Foi lá em São Paulo,

que ele gritou, ( Deus!)

que tudo era nosso,

que tinha de ser

Brasil brasileiro!

Brasil enfeitado

de verde e amarelo,

no campo, no mato,

no rio, no mar,

e lá na montanha!

Brasil namorado

chamando outras raças

para amart e criar

a raça mais linda

de todo esse mundo!…

Em: Poesia brasileira para a infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968

 

Álvaro Maria da Soledade Pinto da Fonseca Velhinho Rodrigues Moreira da Silva, ou simplesmente Álvaro Moreyra (Porto Alegre, 23 de novembro de 1888 — Rio de Janeiro, 12 de setembro de 1964) completou o curso de ciências e letras (1907). Em 1908, iniciou-se no jornalismo, participando da vida literária. No Rio de Janeiro (1910), entregou-se ao jornalismo na redação do “Fon-Fon“, a revista que atuava no Simbolismo. Diplomou-se em direito (1912). No terreno propriamente teatral, fundou, junto com Eugênia Moreira, o “Teatro de Brinquedo”. Membro da ABL, contista, poeta, teatrólogo, comentarista de rádio, jornalista.

NOTA: Modificou voluntariamente o longo nome de família para Álvaro Moreyra, com y, para que esta letra “representasse as supressões” destes nomes.

Obras :

A Boneca Vestida de Arlequim,  1927  

A Cidade mulher , 1923  

A Dama de Espadas , 1945  

A Lenda das Rosas, 1916  

Adão, Eva e Outros Membros da Família, 1929  

As Amargas, Não , 1954  

Casa Desmoronada , 1909  

Cada um carrega o seu deserto, 1994

Circo , 1929  

Cocaína, 1924  

De Volta da U.R.S.S. , 1937  

Degenerada,  1909  

Elegia da bruma , 1910  

Família Difini – 100 Brasil, 1988

Havia uma Oliveira no Jardim, 1958  

Legenda da luz e da vida, 1911  

Lenda das rosas, 1916

O Brasil Continua, 1933  

O Crime de Silvestre Bonnard , 1963  

O Outro lado da vida , 1921  

Os Dias nos Olhos , 1955  

Os Moedeiros Falsos , 1939  

Porta Aberta , 1944  

Semeadores de Gloria; Memorias de  1939  

Tempo Perdido , 1936  

Um Sorriso para Tudo,  1915





A inteligência do Inconfidente, texto de Viriato Corrêa

22 04 2010

A Inconfidência,  década de 1960-70

Emiliano Di Cavalcanti (Brasil 1897 – 1976)

óleo sobre tela

A Inteligência do Inconfidente

                                                                                              Viriato Corrêa

 

A natureza é inexorável nos seus caprichos.  Assim como talha criaturas para os surtos dos sucessos, molda outras irremediavelmente para  as sensaborias da vida.

Tiradentes é uma figura nascida com pouca sorte.  Por mais de um século que vem rolando na história e, até hoje, a história não lhe fez a justiça que merecem  os seus grandes gestos e as suas virtudes cívicas.

Há ainda hoje quem lhe negue tudo: o desassombro em tramar a conjuração mineira, a grandeza da alma em chamar para si as responsabilidades totais do movimento, a confiança no seu papel, a coragem inflamada ao subir à forca, a resignação de mártir, tudo.  E, não satisfeita com isso, a história, quase sem dissonância alguma, nega-lhe até as qualidades de inteligência.

 Ainda hoje o grande sacrificado da inconfidência de Minas é apontado como um ignorantão.  É esse o conceito geral entre quase todos os historiadores do movimento mineiro.

A injustiça é flagrante.  Tiradentes nunca foi a cavalgadura que se propala.

Numa rebelião da ordem da de 1789, em que havia figuras da estatura intelectual de Alvarenga Peixoto, Cláudio Manuel da Costa, Gonzaga, cônego Luiz Vieira da Silva e outros, Tiradentes não podia ser uma personalidade de predominância mental.

Mas, nem por isso, se deve dizer que ele fosse a besta chapada que nossos historiadores têm feito acreditar. 

Sobre os dotes da cultura de Tiradentes há ainda um ponto de interrogação na história.

Ninguém sabe as escolas que o incendido alferes mineiro cursou quando menino e rapaz.  Acostumaram-se os cronistas a julgá-lo um tipo inferior, e ninguém mais cuidou de apurar a verdade.

Não é, porém, provável que o mártir da inconfidência tivesse tido uma educação completamente descurada.  Os seus pais tinham posses para o educar.

Há na Revista do Instituto Histórico um documento interessante a esse respeito.  É o inventário dos bens de dona Antônia da Encarnação Xavier, mãe do futuro sacrificado da conspiração de Minas.

O inventário é de 1756, data em que Tiradentes tinha apenas oito anos de idade.  O inventariante é Domingos da Silva Santos, pai do futuro  alferes e marido de dona Antônia.

Por aquele documento se vê que o casal se não é rico, é pelo menos remediado.  É possuidor de fazenda agrícola do Pombal no Rio Abaixo, no município de São João D’ El-Rei.   Na fazenda trabalham trinta e cinco escravos.  Estende-se nos seus domínios uma lavra de terras minerais, tudo de propriedade do casal.  Entre os bens inventariados lá estão um jarro de prata para lavar as mãos, galhetas e talheres também de prata, sinal de abastança na época.

Todo mundo sabe o que são avaliações de inventário – tudo pela metade ou pelo terço.  O monte mor dos bens do casal progenitor de Silva Xavier é avaliado em mais de dez contos de réis.

Jornada dos Mártires, circa 1928

Antônio Parreiras ( Brasil,  1860-1937)

óleo sobre tela, 200 x 365 cm

Museu Mariano Procópio, Juiz de Fora

Poder-se-á dizer que, apesar de remediados, os pais de Tiradentes podiam não cuidar da educação dos filhos.  Mas Xavier da Veiga, nas Efemérides Mineiras, cita um outro documento em que se vê que isso não é verdade.  É aquele em que se verifica que dois irmãos do sonhador da inconfidência eram padres.  Não parece provável que o velho Domingos da Silva tivesse ordenado dois filhos e descurasse completamente da educação de um  terceiro.

Sobre esse ponto a história se conserva muda.  Sabe-se precisamente o ano em que Tiradentes nasceu – 1748.

Há, porém, uma profunda treva em derredor de sua adolescência.  Vamos depois encontrá-lo em Minas Novas , arvorado em mascate, já homem feito, mercadejando de vila em vila. 

Se nesse tempo tinha ou não o polimento das escolas, está tudo por apurar-se.  Pereira da Silva afirma que ele viajou pela Europa e pelos Estados Unidos, voltando ao Brasil inflamado pelas idéias liberais que no momento incendiavam o mundo.  A informação parece leviana, pois não há nenhum documento que a confirme.

Na profissão de mascate é homem de pouca sorte que a fatalidade caprichosamente atirou ao mundo.  Não progride e é até preso por dívidas, segundo muitos afirmam.

Parece que são os desastres de negociante que o empurram para a farda.  Há quem atribua essa resolução a um caso de amor. [* Martinho de Freitas – Memórias Históricas].

Tiradentes, em S. João D’ El-Rei, amou perdidamente uma moça filha de pais portugueses, abastados.  Os preconceitos de cor e os preconceitos de fortuna predominavam mais do que nunca.  Ele era de cor morena e pobre.  A oposição dos pais da moça não pode ser vencida.  Arreliado, desiludido, corre a por nas costas a farda do regimento de dragões.

Onde e quando a sua alma se inflamou pelas idéias republicanas?  No ambiente do quartel?  Nas peregrinações de mascate?

 

 

Tiradentes, 1928

Décio Villares

óleo sobre tela

Joaquim Felício dos Santos, na Revista do Arquivo Mineiro, parece esclarecer esse ponto.  Quando mercador ambulante, Tiradentes foi muitas vezes à Bahia refazer o sortimento de mercadorias para os seus negócios.  A capital baiana era o centro da efervescência maçônica, foi mesmo o primeiro ponto de entrada da maçonaria no Brasil.  E, naquela época, as lojas de maçonaria eram verdadeiras oficinas revolucionárias, verdadeiro centro de cultura, sob o influxo novo dos enciclopedistas que transformaram o mundo.

Numa daquelas viagens, Tiradentes se fez maçom  e, na atmosfera crepitante das lojas, formou seu espírito de revolucionário liberal.

A sua vida militar foi amarga e dura.

No século XVIII Portugal insaciavelmente explorou o Brasil.  Explorou-o em tudo> no ouro, nos diamantes, na incultura imposta nos cargos públicos.  O brasileiro não tinha direito de subir.   No exército só os portugueses conseguiam os melhores postos.

A vida militar de Tiradentes dói exemplaríssima.  Apesar disso, sofreu as mais cortantes injustiças.  Não sabia pedir, não sabia adular, e o preteriam nas promoções.

Não passou de alferes.  Valeriano Manso, seu furriel, avançou-lhe à frente, conquistando o posto de tenente.  Antônio José de Araújo, que ele viu furriel, subiu a capitão nas suas próprias barbas.  O cadete Fernando Vasconcelos fez-se alferes da noite para o dia.

Esses dissabores constantes deviam-lhe ter arranhado fundamente a alma, acendendo-lhe os ímpetos de independência, despertando-lhe o sonho de um país emancipado, onde houvesse justiça e prêmio às virtudes. 

Nenhum estudo foi feito até hoje em que se pudessem aquilatar com precisão os dotes de cultura do admirável sacrificado da conjuração mineira.

É possível mesmo que esses dotes fossem poucos, mas o que ninguém poderá negar é qie Tiradentes tivesse sido uma criatura inteligentíssima, de uma inteligência clara e avançada, muito superior para a época em que viveu.

Não falemos das suas incontestáveis habilidades de dentista.  Não há notícia de que ele tivesse aprendido a cirurgia dentária e, no entanto, os cronistas são unânimes em afirmar ter sido ele um habilíssimo cirurgião “que tirava os dentes com a mais sutil ligeireza e ornava a boca de novos dentes, feitos por ele mesmo, que pareciam naturais”, segundo informação dada por frei Raimundo Penaforte, aquele estranho frade que lhe assistiu os últimos momentos.  E, naquela época, no Brasil, isso constituía um verdadeiro assombro.

Não falemos das suas qualidades de médico, das suas curas felizes entre a pobreza, fatos que ninguém contesta e que todos apontam.

Falemos apenas de Tiradentes engenheiro, Tiradentes homem de larga iniciativa.

São João D’  El-Rei, 1983

Emeric Marcier ( Romênia 1916- Paris 1990)

óleo sobre tela                73 x 92 cm

Os documentos da história neste particular são positivos.  Tiradentes era tido no seu tempo como uma competência em assuntos mineralógicos.  Em 1784, o governador Luiz da Cunha Menezes incumbiu o sargento-mor  Pedro Afonso Galvão de S. Martinho de proceder a uma “exatíssima averiguação” nos sertões de leste de Minas.  Para acompanhar o sargento-mor foi escolhido o alferes republicano.  Lá está no ofício que o  governador envia ao coronel Manuel Rodrigues da Costa:

          “ o mesmo (Pedro Afonso Galvão de S. Martinho) leva para o acompanhar o alferes Joaquim José da Silva Xavier, que se acha destacado na ronda do Mato, visto Vmcê, também me dizer que ele tem inteligência mineralógica.”

Esse “também” mostra a boa fama em que Tiradentes  era tido no assunto.

Mas não é só  como minerador que ele se firma um homem de inteligência incontestável.  É com trabalhos mais largos, com iniciativa mais vasta.

A primeira vez que Tiradentes veio ao Rio, já militar, ficou deslumbrado pela grandeza e pela riqueza da cidade.  O Rio de Janeiro, naquela época, tinha apenas cinqüenta mil habitantes, mas era já a maior e mais bela cidade brasileira. 

Num lancear de olhos o humilde alferes mineiro compreendeu o progresso futuro da capital do Brasil.  O Rio de Janeiro desenhou-se-lhe no espírito de homem superior com a grandeza e o vulto que hoje tem.  Havia de ser uma das vastas capitais do mundo, no correr de um século.

E reparem bem isto:  Tiradentes teve a visão que se não tinha ainda: uma cidade como o Rio, com o futuro do Rio, exigia, com urgência, um perfeito abastecimento de água e um porto onde não faltassem trapiches.

E em 1788, quando volta ao Rio, propõe ao vice-rei Luiz de Vasconcelos a canalização dos riachos Maracanã e Andaraí, para o abastecimento da cidade e a construção de vastos trapiches na Saúde.

É preciso considerar com justiça esse fato e pesar, no seu valor, as duas propostas.  Só podem ser de um homem de inteligência admirável.  Raros serão os engenheiros do século XX que,  ao chegar rapidamente a uma cidade, sem conhecimento da sua topografia, possam perceber, de um golpe, não só as suas necessidades de abastecimento de água como os meios de resolver o caso.

Monumento à civilização mineira

Praça da Estação Rodoviária

Belo Horizonte, MG

E de que Tiradentes teve em pleno século XVIII a verdadeira visão comercial do Rio futuro, aí estão as obras do porto, só começadas no século XX, como uma necessidade imprescindível do comércio.

E através dos séculos futuros, só vêem as inteligências privilegiadas…

Não se sabe bem qual foi a impressão que as propostas de Tiradentes causaram ao vice-rei.   Luiz de Vasconcelos era homem de certo gosto, mas era também cortesão.  Um simples alferes provinciano não lhe devia merecer grande importância.  O certo é que, por isto ou aquilo, enviou as propostas a Lisboa, ao Conselho Ultramarino.  Em Portugal os planos do republicano mineiro foram levados a sério.  O Conselho, tomando-os em consideração, devolveu os papéis ao vice-rei para que os informasse.

Que Tiradentes foi um homem de talento não se pode ter dúvida.  Os próprios historiadores que o apontam como cavalgadura dizem-no orador vibrante, eloqüente, que arrebatava as multidões com rasgos de fulgor.

E só podia ser uma inteligência de imenso vulto.  Só uma grande inteligência poderia ser irmã daquela esplêndida alma desassombrada que, diante da morte, sorri tranqüila e, diante da miséria dos companheiros, consegue ter alento para perdoar.

***

 

Em:  Terras de Santa Cruz: contos e crônicas da História Brasileira,  Viriato Corrêa, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro: 1956,  páginas 153-160.

Manuel Viriato Corrêa [ou Correia] Baima do Lago Filho (Pirapemas, MA 1884 — Rio de Janeiro, RJ 1967) – Pseudônimos: Viriato Correia, Pequeno Polegar, Tibúrcio da Anunciação. Diplomado em direito, jornalista, contista, romancista, teatrólogo, autor de literatura infantil e crônicas históricas, professor de teatro, membro da ABL e político brasileiro.

Obras:

Minaretes,  contos, 1903

Era uma vez…, infanto-juvenil, 1908

Contos do sertão, contos, 1912

Sertaneja, teatro, 1915

Manjerona, teatro, 1916

Morena, teatro, 1917

Sol do sertão, teatro, 1918

Juriti, teatro, 1919

O Mistério, teatro,  1920

Sapequinha, teatro, 1920

Novelas doidas, contos, 1921

Contos da história do Brasil, infanto-juvenil,  1921

Terra de Santa Cruz, crônica histórica, 1921

Histórias da nossa história,crônica histórica, 1921

Nossa gente, teatro, 1924

Zuzú, teatro,  1924

Uma noite de baile, infanto-juvenil,1926

Balaiada, romance, 1927

Brasil dos meus avós, crônica histórica, 1927

Baú velho, crônica histórica,  1927

Pequetita, teatro, 1927

Histórias ásperas, contos, 1928

Varinha de condão, infanto-juvenil, 1928

A Arca de Noé, infanto-juvenil, 1930

A descoberta do Brasil, infanto-juvenil,1930

A macacada, infanto-juvenil, 1931

Bombonzinho, teatro,  1931

Os meus bichinhos, infanto-juvenil, 1931

No reino da bicharada, infanto-juvenil, 1931

Quando Jesus nasceu, infanto-juvenil, 1931

Gaveta de sapateiro, crônica histórica,  1932

Sansão, teatro, 1932

Maria, teatro, 1933

Alcovas da história, crônica histórica,  1934

História do Brasil para crianças, infanto-juvenil, 1934

Mata galego, crônica histórica, 1934

Meu torrão, infanto-juvenil,1935

Bicho papão, teatro, 1936

Casa de Belchior, crônica histórica, 1936

O homem da cabeça de ouro, teatro, 1936

Bichos e bichinhos, infanto-juvenil, 1938

Carneiro de batalhão, teatro, 1938

Cazuza, infanto-juvenil, 1938

A Marquesa de Santos, teatro, 1938

No país da bicharada, infanto-juvenil, 1938

História de Caramuru, infanto-juvenil, 1939

O país do pau de tinta, crônica histórica, 1939

O caçador de esmeraldas, teatro, 1940

Rei de papelão, teatro, 1941

Pobre diabo, teatro, 1942

O príncipe encantador, teatro, 1943

O gato comeu, teatro, 1943

À sombra dos laranjais, teatro, 1944

A bandeira das esmeraldas, infanto-juvenil, 1945

Estão cantando as cigarras, teatro, 1945

Venha a nós, teatro, 1946

As belas histórias da História do Brasil, infanto-juvenil, 1948

Dinheiro é dinheiro, teatro, 1949

Curiosidades da história do Brasil, crônica histórica, 1955

Terras de Santa Cruz: contos e crônicas da História Brasileira, 1956

O grande amor de Gonçalves Dias, teatro, 1959.

História da liberdade do Brasil, crônica histórica, 1962





Brasileiro, onde está a tua Pátria?, poema de Ronald de Carvalho para o dia 7 de setembro

7 09 2009

bandeira, Morandini, designer, de seu blogBandeira do Brasil

Morandini, designer ( de seu blog: http://blog.morandini.com.br/ )

Técnica mista com folhas de árvores

Brasileiro, onde está a tua Pátria?

Ronald de Carvalho

Tua Pátria não está somente no torrão em que nasceste!

tua Pátria não se levanta num simples relevo geográfico.

O solo em que pisas,

as águas em que te refletes,

o céu que te alumia,

as árvores que te dão vozes, fruto e sombras,

as fontes que te dessedentam,

o ar que respiras,

recebeste, em partilha, com todos os homens sobre a terra.

Tua pátria não é um acidente geográfico!

Brasileiro,

se te perguntarem: Onde está a tua Pátria?

responde:

— Minha Pátria está na geografia ideal que os meus

Grandes Mortos me gravaram no coração;

no sangue com que temperaram a minha energia;

na essência misteriosa que transfundiram no meu caráter;

na herança de sacrifícios que me transmitiram;

na herança cunhada a fogo;

no ferro, no bronze, no aço das Bandeiras, dos Guararapes, das Minas da Inconfidência, da Confederação do Equador, do Ipiranga e do Paraguai.

Minha Pátria está na consciência que tenho de sua grandeza moral e nessa lição de ternura humana que a sua imensidade me oferece, como um símbolo perene da tolerância desmedida e infinita generosidade.

Minha Pátria está em ti, Minha Mãe! No orgulho comovido com que arrancaste das entranhas do meu ser a mais bela das palavras, o nome supremo: — BRASIL!

Em: Criança Brasileira: quinto livro de leitura [admissão e quinta-série], Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1949

ronald-de-carvalho

 

Ronald de Carvalho (RJ, 1893 — RJ, 1935), foi um poeta e político brasileiro. Nasceu a 16 de março de 1893, no Rio de Janeiro. Formou-se em Direito e ingressou no serviço diplomático. Participou ativamente do movimento modernista e da Semana de Arte Moderna, em São Paulo,  em 1922.  Em concurso realizado pelo Diário de Notícias, em 1935, foi eleito Príncipe dos Prosadores Brasileiros, em substituição a Coelho Neto. Faleceu vítima de um acidente automobilístico em 1935.

Obras:

Luz Gloriosa, 1913

Pequena História da Literatura Brasileira, 1919

Poemas e Sonetos, 1919

Afirmações: um ágape de intelectuais, 1921

Epigramas Irônicos e Sentimentais, 1922

O espelho de Ariel, 1923

Estudos Brasileiros, 1924

Jogos pueris, 1926

Toda a América, 1926

Imagens do México, 1929

Caderno de Imagens da Europa, 1935

Itinerário: Antilhas, Estados Unidos, México, 1935





Histórias da Independência do Brasil para a semana da pátria

5 09 2009

Carybé, batalha de Piraja, projeto para muralBatalha de Pirajá, desenho de projeto para mural.

Carybé (Brasil, 1911-1997)

 

O Corneteiro de Pirajá

 

por Viriato Correia

 

Quando se proclamou a independência foi a Bahia que mais custou a sair do jugo de Portugal.

O general Madeira de Melo não quis obedecer ao governo brasileiro. Para ele o Brasil era uma propriedade dos portugueses e, portanto, aos por­tugueses devia continuar sujeito, sem nenhum direito de libertar-se. 

E comandando grandes forças armadas, compostas de gente portuguesa, tomou conta da província e não consentiu que os baianos gozassem, como os outros brasileiros, da independência proclamada. 

Aquilo feriu a fundo o coração dos patriotas da Bahia. Era pela força que Madeira queria impor o jugo de Portugal, só pela força a província proclamaria a sua liberdade. 

E a Bahia inteira, a Bahia brasileira, pegou em armas para bater-se contra os inimigos da independência. 

Foram penosos os primeiros encontros. Madeira é que tinha armas, munições, navios e dinheiro que lhe vinham constantemente de Portugal. 

O governo brasileiro estava no momento cheio de dificuldades e quase não podia ajudar os patriotas baianos.

Os patriotas baianos, porém, defendiam-se e resistiam como leões.

A melhor maneira de vencer as forças de Madeira era encurralá-las de modo que não pudessem receber auxílios. Para isso os baianos formaram postos de ataque aqui, ali, além, por toda a região que na Bahia se conhece pelo nome de Recôncavo.

Um desses postos, justamente o mais forte deles, o mais destemido, aquele em que se reuniam os mais valentes defensores da terra baiana, era o de Pirajá.

Um dia, quando o general Madeira abriu os olhos, Pirajá estava embaraçando os passos do seu exército. O general não podia receber víveres e reforços: tinham-lhe sido tomados os caminhos de terra e mar.

Era necessário, portanto, destruir Pirajá o mais de­pressa possível.

******

E as forças portuguesas atiram-se contra o posto brasileiro.

É a 8 de novembro de 1822, antes de raiar a manhã.

Deve ser segura, infalível a vitória. As tropas de Madeira, além de bem armadas e mais numerosas, vão fazer o ataque de surpresa.

Está ainda escuro quando os batalhões inimigos de­sembarcam cautelosamente nas praias de Itacaranhas e Plataforma, ao mesmo tempo que, pelos outros lados, o grosso do exército avança rapidamente.

Quando as sentinelas baianas, colocadas em Coqueiro e Bate-Folha, percebem o avanço, não é mais possível fazer nada. 

É ao clarear do dia que pipocam os primeiros tiros.

Pirajá inteiro ergue-se para a peleja.

Começa o combate. Madeira, em pessoa, dirige os seus corpos. O que ele pretende é investir por Itacaranhas para cortar a retaguarda dos brasileiros. Mas os nossos vão resistindo e resistindo heroicamente.

 Uma hora inteira de fogo.

O general português, surpreendido com aquela resistência, ordena que novas centenas de soldados avancem. Mas os baianos não se deixam vencer.

Mais uma hora de fogo.

Os portugueses vão pouco a pouco conquistando o terreno.

 Barros Falcão, que comanda os nossos, percebe claramente a vitória inevitável do inimigo. Mas é preciso lutar. E luta-se mais uma hora.

Madeira está inquieto com a resistência. Agora ordena a novos corpos que avancem em grandes massas. Mas o fogo das linhas brasileiras não cessa um instante.

Novos corpos investem contra os nossos.   Outra hora de peleja e de fogo.

 ******

Havia cinco horas que aquilo durava. Os portugueses tinham ganho tanto terreno que, em poucos momentos, os brasileiros estariam num círculo de balas.

Um minuto mais vai dar-se a ruína completa dos baianos. Não há mais resistência possível. Continuar a luta é sacrificar inutilmente centenas de vidas.

Barros Falcão, de um galope, percebe que chegou o momento de retirar-se. A dois passos está Luís Lopes, o cometa, que ele conservou sempre ao seu lado, esperando aquele instante desesperador.

 —  Toque retirada!   ordena.

O cometa não se move.

 —  Toque retirada, já lhe disse!   grita o comandante pela segunda vez.

O cometa vira-lhe as costas.

Barros Falcão avança de espada em punho para obrigar o insubordinado a cumprir as suas ordens, mas, nesse momento, Luís Lopes cola a cometa à boca e claros sons metálicos retinem nos ares.

O comandante agita-se, surpreendido. — Que é isso?  que é isso?

Não é o sinal de retirada que está ouvindo. É que a corneta está soprando loucamente no espaço é o sinal de “avançar cavalaria e degolar”.

Pararam todos, alarmados: o comandante, os oficiais, os soldados. Que cavalaria é aquela que aquele doido está mandando avançar?

 ******

No exército português é brutal a surpresa. É a confusão. E o pavor.

É a debandada louca.

Fogem todos alucinadamente daquela cavalaria que não existe.

 

Fogem todos, todos feridos por aquele toque de corneta que vale mais do que cinco horas de tiroteio, mais do que a própria voz dos canhões.

 

Em: Meu Torrão : contos da história pátria, Viriato Correa, 1953, 4ª edição.

 

Viriato_correia

 

Manuel Viriato Correia Baima do Lago Filho (Pirapemas, MA 1884 — Rio de Janeiro, RJ 1967) – Pseudônimos: Viriato Correia, Pequeno Polegar, Tibúrcio da Anunciação. Diplomado em direito, jornalista, contista, romancista, teatrólogo, autor de literatura infantil e crônicas históricas, professor de teatro, membro da ABL e político brasileiro.

 

Obras:

Minaretes,  contos, 1903

Era uma vez…, infanto-juvenil, 1908

Contos do sertão, contos, 1912

Sertaneja, teatro, 1915

Manjerona, teatro, 1916

Morena, teatro, 1917

Sol do sertão, teatro, 1918

Juriti, teatro, 1919

O Mistério, teatro,  1920

Sapequinha, teatro, 1920

Novelas doidas, contos, 1921

Contos da história do Brasil, infanto-juvenil,  1921

Terra de Santa Cruz, crônica histórica, 1921

Histórias da nossa história,crônica histórica, 1921

Nossa gente, teatro, 1924

Zuzú, teatro,  1924

Uma noite de baile, infanto-juvenil,1926

Balaiada, romance, 1927

Brasil dos meus avós, crônica histórica, 1927

Baú velho, crônica histórica,  1927

Pequetita, teatro, 1927

Histórias ásperas, contos, 1928

Varinha de condão, infanto-juvenil, 1928

A Arca de Noé, infanto-juvenil, 1930

A descoberta do Brasil, infanto-juvenil,1930

A macacada, infanto-juvenil, 1931

Bombonzinho, teatro,  1931

Os meus bichinhos, infanto-juvenil, 1931

No reino da bicharada, infanto-juvenil, 1931

Quando Jesus nasceu, infanto-juvenil, 1931

Gaveta de sapateiro, crônica histórica,  1932

Sansão, teatro, 1932

Maria, teatro, 1933

Alcovas da história, crônica histórica,  1934

História do Brasil para crianças, infanto-juvenil, 1934

Mata galego, crônica histórica, 1934

Meu torrão, infanto-juvenil,1935

Bicho papão, teatro, 1936

Casa de Belchior, crônica histórica, 1936

O homem da cabeça de ouro, teatro, 1936

Bichos e bichinhos, infanto-juvenil, 1938

Carneiro de batalhão, teatro, 1938

Cazuza, infanto-juvenil, 1938

A Marquesa de Santos, teatro, 1938

No país da bicharada, infanto-juvenil, 1938

História de Caramuru, infanto-juvenil, 1939

O país do pau de tinta, crônica histórica, 1939

O caçador de esmeraldas, teatro, 1940

Rei de papelão, teatro, 1941

Pobre diabo, teatro, 1942

O príncipe encantador, teatro, 1943

O gato comeu, teatro, 1943

À sombra dos laranjais, teatro, 1944

A bandeira das esmeraldas, infanto-juvenil, 1945

Estão cantando as cigarras, teatro, 1945

Venha a nós, teatro, 1946

As belas histórias da História do Brasil, infanto-juvenil, 1948

Dinheiro é dinheiro, teatro, 1949

Curiosidades da história do Brasil, crônica histórica, 1955

O grande amor de Gonçalves Dias, teatro, 1959.

História da liberdade do Brasil, crônica histórica, 1962





O Brasil, poema de Renato Sêneca Fleury, para o dia da Pátria

2 09 2009

José Pancetti, Igreja de Santo Antonio da Barra, 1951, ost, 60 x 73 cm MNBAIgreja de Santo Antônio da Barra, 1951

José Pancetti ( Brasil, 1902-1958)

Óleo sobre tela,  60 x 73 cm

Museu Nacional de Belas Artes,  Rio de Janeiro

 

 

O BRASIL

 

                                  Renato Sêneca Fleury

 

 

Perguntei ao céu tão lindo,

— Por que é todo cor de anil?

Ele me disse, sorrindo:

— Eu sou o céu do Brasil!

 

Perguntei ao Sol, então,

A causa de tanta luz.

— Sou a glorificação

Da Terra de Santa Cruz!

 

Depois perguntei à Lua:

— Por que noites de luar?

— É para enfeitar a tua

Grande Pátria à beira-mar.

 

Perguntei às claras fontes:

— Por que correis sem cessar?

— Nós brotamos destes montes

Para a terra fecundar!

 

Então eu disse à floresta:

— És tão bela, verde inteira!

Ela respondeu em festa:

— Sou a mata brasileira!

 

Perguntei depois às aves:

— Por que estais a cantar?

— Cantamos canções suaves

Para tua Pátria saudar.

 

Céu e sol, luar e cantos,

Florestas e fontes mil

Enchem de eternos encantos

És minha Pátria, — o Brasil!

 

 

 

 

Renato Sêneca de Sá Fleury ( SP 1895- SP 1980) Pseudônimo: R. S. Fleury, ensaísta, pedagogo, escritor de Literatura Infantil, professor, professor catedrático de Pedagogia e Psicologia, jornalista, membro da Academia de Ciências e Letras de São Paulo, membro fundador do Centro Sorocabano de Letras.

 

 

Obras:

 

Anchieta    

Ao Passo das Caravanas    

Barão do Rio Branco,  1947  

Contos e Lendas Orientais  1941  

Francisco Adolfo de Varnhagen  1952  

História do Pai João  1939  

José Bonifácio    

Osvaldo Cruz    

Rui Barbosa

Almirante Tamandaré

Santos Dumont

A Vingança do João de Barro/ A Jóia Encantada/ Quem faz o Bem

Ao Passo das Caravanas

As Amoras de Ouro

Breves Histórias Orientais

Cálculo Escolar, 1945

Como é bom trabalhar!

Consultor Popular da Língua Portuguesa

Contos e lendas do deserto

Contos e lendas orientais

Correspondência para todos, 1944

D. Pedro II, 1967

Duque de Caxias,

Emendas à gramática

Gusmão, o padre voador, 1957

Heroínas e mártires brasileiras

História do Corcundinha

Histórias de Bichos, 1940

No reino dos bichos, 1940

O caminho de ouro, 1957

O esposo, a esposa, os filhos

O Padre Feijó

O Padre Gusmão

O Pássaro de ouro

O Pequeno polegar

Os vasos de ouro e as rosas do dragão

Proezas na roça

Prudente de Morais

Visconde de Mauá

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Giuseppe Gianinni Pancetti (Campinas SP 1902 – Rio de Janeiro RJ 1958). Pintor. Muda-se para a Itália em 1913. Em 1919, ingressa na Marinha Mercante italiana e viaja por três meses pelo Mediterrâneo. Em 1920, de volta para o Brasil, executa diversos ofícios; trabalhando em fábrica de tecidos, como ourives e garçom, entre outros. Conhece o pintor Adolfo Fonzari (1880-1959) e auxilia-o na pintura decorativa de uma residência. Em 1922, alista-se na Marinha de Guerra brasileira, onde trabalha por mais de vinte anos. Em 1933 ingressa no Núcleo Bernardelli e recebe orientação de Manoel Santiago (1897-1987), Edson Motta (1910-1981), Rescála (1910-1986) e principalmente do pintor polonês Bruno Lechowski (1887-1941). Participa das exposições do Salão Nacional de Belas Artes, sendo premiado em várias edições. É considerado um dos principais pintores de marinhas do país.
Fonte: Itaú Cultural





D. Pedro, documento da independência

1 09 2009

Pedro I, Araujo Porto Alegre, MHN

O Imperador D. Pedro I, 1826

Manuel de Araújo Porto-alegre (Brasil, 1806-1879)

Óleo sobre tela

Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro

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PROCLAMAÇÃO – DE 8 DE SETEMBRO DE 1822

Sobre a divisa do Brasil – Independência ou Morte.

HONRADOS PAULISTANOS

        O amor que Eu consagro ao Brazil em geral, e à vossa Provincia em particular, por ser aquella, que perante Mim e o Mundo inteiro fez conhecer primeiro que todos o systema machiavelico, desorganisador e faccioso das Côrtes de Lisboa, Me obrigou a vir entre vós fazer consolidar a fraternal união e tranquilidade, que vacillava e era ameaçada por desorganizadores, que em breve conhecereis, fechada que seja a Devassa, a que Mandei proceder. Quando Eu mais que contente estava junto de vós, chegam noticias, que de Lisboa os traidores da Nação, os infames Deputados pretendem fazer atacar ao Brazil, e tirar-lhe do seu seio seu Defensor: Cumpre-Me como tal tomar todas as medidas, que Minha Imaginação Me suggerir; e para que estas sejam tomadas com aquella madureza, que em taes crises se requer, Sou obrigado para servir ao Meu Idolo, o Brazil, a separar-Me de vós (o que muito Sinto), indo para o Rio ouvir Meus Conselheiros, e Providenciar sobre negocios de tão alta monta. Eu vos Asseguro que cousa nenhuma Me poderia ser mais sensivel do que o golpe que Minha Alma soffre, separando-Me de Meus Amigos Paulistanos, a quem o Brazil e Eu Devemos os bens, que gozamos, e Esperamos gozar de uma Constituição liberal e judiciosa, Agora, paulistanos, só vos resta conservardes união entre vós, não só por ser esse o dever de todos os bons Brazileiros, mas tambem porque a Nossa Patria está ameaçada de soffrer uma guerra, que não só nos ha de ser feita pelas Tropas, que de Portugal forem mandadas, mas igualmente pelos seus servis partidistas, e vis emissarios, que entre Nós existem atraiçoando-Nos. Quando as Autoridades vos não administrarem aquella Justiça imparcial, que dellas deve ser inseparavel, representai-Me, que eu Providenciarei. A Divisa do Brazil deve ser – INDEPENDENCIA OU MORTE – Sabei que, quando Trato da Causa Publica, não tenho amigos, e validos em occasião alguma.

        Existi tranquillos: acautelai-vos dos facciosos sectarios das Côrtes de Lisboa; e contai em toda a occasião com o vosso Defensor Perpetuo. – Paço, em 8 de Setembro de 1822.

PRINCIPE REGENTE´

 

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Manuel José de Araújo Porto-alegre, primeiro e único barão de Santo Ângelo (Rio Pardo, 2 de novembro de 1806 — Lisboa, 29 de dezembro de 1879), escritor, pintor, caricaturista, arquiteto, crítico e historiador de arte, professor e diplomata brasileiro.