26 de abril de 1500, Domingo de Páscoa: a posse da terra

26 04 2009

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Primeira Missa no Brasil, 1948

Cândido Portinari (Brasil 1903- 1962)

Têmpera sobre tela, 266 x 598 cm

Coleção Particular

 

 

 

A importância primeira missa rezada em solo brasileiro é às vezes esquecida.  Talvez seja até mais importante do que a descoberta das terras brasileiras, porque a primeira missa tem o valor simbólico da tomada de posse.

 

Se não, vejamos:  de 22 a 26 de abril de 1500 os portugueses foram e voltaram de barquinhos para as caravelas e vice-versa, inúmeras vezes.  Ensaiaram uma comunicação gestual com os habitantes locais e uma troca de adornos.  Estabeleceram um mínimo de confiança entre estranhos.  Convencidos de que mal nenhum lhes chegaria por parte deste grupo de habitantes locais, os portugueses finalmente desembarcam, com sua religião, sua cultura.  Até então, a moradia, o lugar de estar, ainda estava limitado à área enclausurada das caravelas.  Como sabemos era Semana Santa.  E naquele tempo respeitada com muito mais restrições do que hoje.  Quando finalmente, chega o Domingo de Páscoa, já liberados dos limites instituídos pela crença, voltam-se os portugueses para a terra firme.  Trazem do mar, das caravelas, o mundo dos rituais religiosos, dos hábitos de vestir, comer, dormir europeus e os estabelecem em meio à floresta tropical, nas areias da costa brasileira.  É o ato maior de tomada posse da terra brasileira. E gestualmente comunicam aos índios que os circundam que de agora em diante “dividiremos o terreno”.

 

Para nosso prazer, coloco aqui a descrição da Primeira Missa, de acordo com Pero Vaz de Caminha.  

 

………………..

 

À tarde saiu o Capitão-mor em seu batel com todos nós outros capitães das naus em seus batéis a folgar pela baía, perto da praia. Mas ninguém saiu em terra, por o Capitão o não querer, apesar de ninguém estar nela. Apenas saiu — ele com todos nós — em um ilhéu grande que está na baía, o qual, aquando baixamar, fica mui vazio. Com tudo está de todas as partes cercado de água, de sorte que ninguém lá pode ir, a não ser de barco ou a nado. Ali folgou ele, e todos nós, bem uma hora e meia. E pescaram lá, andando alguns marinheiros com um chinchorro; e mataram peixe miúdo, não muito. E depois volvemo-nos às naus, já bem noite.

 

Ao domingo de Pascoela pela manhã, determinou o Capitão ir ouvir missa e sermão naquele ilhéu. E mandou a todos os capitães que se arranjassem nos batéis e fossem com ele. E assim foi feito. Mandou armar um pavilhão naquele ilhéu, e dentro levantar um altar mui bem arranjado. E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual disse o padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes que todos assistiram, a qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção.

 

Ali estava com o Capitão a bandeira de Cristo, com que saíra de Belém, a qual esteve sempre bem alta, da parte do Evangelho.

 

Acabada a missa, desvestiu-se o padre e subiu a uma cadeira alta; e nós todos lançados por essa areia. E pregou uma solene e proveitosa pregação, da história evangélica; e no fim tratou da nossa vida, e do achamento desta terra, referindo-se à Cruz, sob cuja obediência viemos, que veio muito a propósito, e fez muita devoção.

 

Enquanto assistimos à missa e ao sermão, estaria na praia outra tanta gente, pouco mais ou menos, como a de ontem, com seus arcos e setas, e andava folgando. E olhando-nos, sentaram. E depois de acabada a missa, quando nós sentados atendíamos a pregação, levantaram-se muitos deles e tangeram corno ou buzina e começaram a saltar e dançar um pedaço. E alguns deles se metiam em almadias — duas ou três que lá tinham — as quais não são feitas como as que eu vi; apenas são três traves, atadas juntas. E ali se metiam quatro ou cinco, ou esses que queriam, não se afastando quase nada da terra, só até onde podiam tomar pé.

 

Acabada a pregação encaminhou-se o Capitão, com todos nós, para os batéis, com nossa bandeira alta. Embarcamos e fomos indo todos em direção à terra para passarmos ao longo por onde eles estavam, indo na dianteira, por ordem do Capitão, Bartolomeu Dias em seu esquife, com um pau de uma almadia que lhes o mar levara, para o entregar a eles. E nós todos trás dele, a distância de um tiro de pedra.

 

Como viram o esquife de Bartolomeu Dias, chegaram-se logo todos à água, metendo-se nela até onde mais podiam. Acenaram-lhes que pousassem os arcos e muitos deles os iam logo pôr em terra; e outros não os punham.

 

Andava lá um que falava muito aos outros, que se afastassem. Mas não já que a mim me parecesse que lhe tinham respeito ou medo. Este que os assim andava afastando trazia seu arco e setas. Estava tinto de tintura vermelha pelos peitos e costas e pelos quadris, coxas e pernas até baixo, mas os vazios com a barriga e estômago eram de sua própria cor. E a tintura era tão vermelha que a água lha não comia nem desfazia. Antes, quando saía da água, era mais vermelho. Saiu um homem do esquife de Bartolomeu Dias e andava no meio deles, sem implicarem nada com ele, e muito menos ainda pensavam em fazer-lhe mal. Apenas lhe davam cabaças d’água; e acenavam aos do esquife que saíssem em terra. Com isto se volveu Bartolomeu Dias ao Capitão. E viemo-nos às naus, a comer, tangendo trombetas e gaitas, sem os mais constranger. E eles tornaram-se a sentar na praia, e assim por então ficaram.

 

……………….. 

 

Carta de Pero Vaz de Caminha a El-rei D. Manoel I, 1500.





22 de abril de 1500, O DESCOBRIMENTO DO BRASIL

22 04 2009

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Descobrimento do Brasil, 1956

Cândido Portinari (Brasil, 1903-1962)

Óleo sobre tela, 199 x 169 cm

Banco Central do Brasil,

Distrito Federal

 

 

 

 

 

E dali avistamos homens que andavam pela praia, uns sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos que chegaram primeiro.

Então lançamos fora os batéis e esquifes. E logo vieram todos os capitães das naus a esta nau do Capitão-mor. E ali falaram. E o Capitão mandou em terra a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E tanto que ele começou a ir-se para lá, acudiram pela praia homens aos dois e aos três, de maneira que, quando o batel chegou à boca do rio, já lá estavam dezoito ou vinte.

Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos, e suas setas. Vinham todos rijamente em direção ao batel. E Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os depuseram. Mas não pôde deles haver fala nem entendimento que aproveitasse, por o mar quebrar na costa. Somente arremessou-lhe um barrete vermelho e uma carapuça de linho que levava na cabeça, e um sombreiro preto. E um deles lhe arremessou um sombreiro de penas de ave, compridas, com uma copazinha de penas vermelhas e pardas, como de papagaio. E outro lhe deu um ramal grande de continhas brancas, miúdas que querem parecer de aljôfar, as quais peças creio que o Capitão manda a Vossa Alteza. E com isto se volveu às naus por ser tarde e não poder haver deles mais fala, por causa do mar.

 

 

Trecho da carta de Pero Vaz de Caminha  a El Rei D. Manuel I

 





Muralha da China era bem maior!

21 04 2009

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A muralha da China, 2007

Cheng Minsheng (China 1947)

aquarela

 

 

 

 

 

A Grande Muralha da China pode ser ainda maior do que se pensava, indica a primeira pesquisa detalhada a estabelecer o comprimento do monumento histórico. Depois de dois anos, a pesquisa concluiu que a Grande Muralha tem 8.850 km. Até agora, acreditava-se que o tamanho da muralha era de 5 mil km.

 

As medições anteriores eram baseadas principalmente em registros históricos. O novo estudo, conduzido pela Administração Estatal de Patrimônio Cultural e pela Administração Estatal de Topografia e Cartografia, usou tecnologias de GPS e infravermelho para localizar algumas áreas que haviam sido ocultadas ao longo do tempo pela ação de tempestades de areia, informou a agência estatal chinesa.

 

De acordo com as novas descobertas, as seções da muralha somam 6.259 km, além de outros 359 km de trincheiras e 2.232 km de barreiras defensivas naturais, como montes e rios.

 

Especialistas afirmam que as partes recém-descobertas da muralha foram construídas durante a Dinastia Ming, que reinou na China de 1368 a 1644. As pesquisas deverão prosseguir por mais 18 meses e mapear seções da muralha construídas durante as dinastias Qin (221 a 206 a. C.) e Han (206 a. C. a 94 d. C.).

 

Criada para proteger a fronteira norte do império chinês, a Grande Muralha da China é, na verdade, uma série de muralhas cuja construção começou no século 5 a.C. e que foram unidas pela primeira vez no reinado de Qin Shi Huang, por volta de 220 a. C. O monumento foi declarado patrimônio mundial pela Unesco em 1987.

 

 

Fonte: BBC





Túmulos de Marco Antônio e Cleópatra encontrados!

16 04 2009

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Marco Antônio e Cleópatra, 1885

Sir Lawrence Alma-Tadema ( UK e Holanda 1836-1912)

Óleo sobre madeira,  65,5 cm x 92 cm

Coleção Particular

 

 

 

 

Uma missão arqueológica realizada por pesquisadores egípcios e romanos afirma ter encontrado novas provas que confirmam a localização da tumba de Cleópatra, a rainha mais famosa do Egito (70 a.C. – 30 a.C.), e seu amante Marco Antônio, célebre general romano, nas proximidades de Alexandria, segundo um comunicado emitido nesta terça-feira.

O diretor do Conselho Supremo de Antiguidades do país, Zahi Hawas, informou que um cemitério foi descoberto junto ao templo de Taposiris Magna, no Lago Mariut, hoje chamado de Abusir. A estrutura foi erguida durante o reino de Ptolomeu II (282-246 a.C.).

 

 

 

 

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A tumba dos amantes estaria nas ruínas do templo Taposiris Magna, perto de Alexandria.

 

 

No local, foram desenterradas 27 tumbas, algumas delas douradas, e dez múmias. Segundo Hawas, a instalação foi utilizada por nobres e funcionários que escolheram o lugar devido à proximidade com uma tumba real presente no interior do templo, reforçando a idéia de que seria a de Cleópatra.

De acordo com a nota, os estudos realizados pela diretora dominicana da missão, Kathleen Martínez, demonstram que os restos dos famosos amantes repousam no complexo funerário, a 50km ao oeste de Alexandria. O comunicado lembra também que nesta zona foram resgatados uma cabeça de alabastro (pedra semelhante ao mármore) que representa Cleópatra e 22 moedas de bronze com a imagem da rainha, além de uma estátua real decapitada e uma máscara de Marco Antônio.

 

 

 

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Relíquias como 22 moedas de bronze com a imagem da rainha egípcia foram descobertas no local.

Além disso, o comunicado explica que um radar ajudou a localizar três locais nos quais podem estar a tumba real dos lendários defuntos. Os trabalhos de escavação nas áreas rastreadas começarão nesta semana.

 

Fonte:  Portal Terra

 





Viajando? Que livros levar?

11 04 2009

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Amigos me mandaram um link para um artigo do escritor Frank Bures, na Worldhum, onde ele fez uma provocadora lista para nos ajudar a selecionar os livros que devemos levar numa viagem, principalmente se esta é uma viagem longa e para terras estrangeiras.   Gente que lê mal pode imaginar não carregar um peso extra na mala para preencher com leitura não só as horas de espera nos aeroportos, como as horas passadas nos aviões, as horas em que se acorda no meio da noite por conta de diferentes fusos horários, assim como os minutos antes e depois de dormir.  Cada qual tem seu ritual, mas se você é um leitor provavelmente fica num marasmo em frente de sua mala feita, pensando no que levar para ler nos dias que se abrem numa viagem internacional.

 

Como gostei imensamente das razões explicitadas na lista do autor, coloco aqui, em linhas mais gerais sua maneira de selecionar os oito tipos de livros que devem fazer parte da lista de itens nas suas malas.  

 

 

Categoria I:

 

Escapismo:  Em geral são os livros que nos deixam confortáveis, envolvidos na trama, sem nos sentirmos ameaçados, tais como  uma boa ficção científica ou um bom livro de mistério.

 

Categoria II:

 

História:  Devemos conhecer pelo menos as linhas gerais da história do lugar que visitamos.  Isso certamente enriquece a nossa visita e nos faz entender melhor o que vemos.

 

Categoria III:

 

Guia:  Guias de turismo sempre nos ajudam na seleção do que ver e como fazê-lo.  É um guia.  Direciona.  E combinado com a Categoria II: história local, pode nos ser de grande serventia.

 

Categoria IV:

 

Literatura local: é sempre bom ler um livro que mostre a literatura local, para que se conheça valores ou guias culturais do lugar que visitamos.

 

 

Categoria V:

 

Antologia: uma antologia de contos, crônicas ou até mesmo de ensaios pode resolver muitos problemas, principalmente se a viagem é longa e a gente não sabe exatamente o que gostaríamos de ler em certos momentos.  A variedade de autores numa antologia nos dará a chance de sempre podermos encontrar um texto que nos apeteça num momento especial.

 

Categoria VI:  

 

Língua local: Sempre haverá um momento oportuno para usar uma palavra ou uma frase na língua local.  Livros de frases feitas na língua local são uma excelente ferramenta.  Há horas em que estas palavras podem fazer a diferença entre uma bem sucedida ida a um ponto turístico, ou fazer com que se evite no cardápio aquele marisco que nos dá alergia.  

 

Categoria VII: 

 

Saudades de casa: se a viagem é longa, certamente um livro que leve sua imaginação de volta à casa, à infância à cultura que você deixou para trás certamente terá um lugar especial para aquele momento em que a saudade bate.

 

Categoria VIII:  

 

Observações de viagem: Livros com observações de outros viajantes em terras estranhas podem aguçar a nossa sensibilidade a respeito do que estamos vendo de diferente e como estamos percebendo o mundo que nos cerca.  Muitos escritores famosos tiveram suas melhores páginas ao viajar e descrever o que viam.  Indiretamente eles podem ajudar na nossa própria maneira de observar aquilo que nos cerca.  





Novas descobertas em tumba egípcia

17 03 2009

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O egiptólogo espanhol José Manuel Galán descobriu uma câmara funerária pintada de 3,5 mil anos em Luxor, sul do Egito, anunciou o Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC).

 

A câmara, que faz parte do cemitério de Dra Abu El-Naga, tem as paredes e o teto completamente pintados com desenhos e hieróglifos do Livro dos Mortos e seria de Djehuty, uma autoridade da época.  Djehuty viveu na região por volta do ano 1.475 a.C. e recebeu um túmulo “muito especial” porque foi servente de uma das poucas mulheres que atuou como faraó na história do Egito, a famosa Hatshepsut, exercendo os cargos de chefe do Tesouro da rainha e também chefe dos artistas.  Hatshepsut  era filha de Tutmosis I (dinastia XVIII), cujo reinado aconteceu entre 1.479 e 1.457 a.C.

 

 

 

 

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Há sete anos que a equipe chefiada por Galán trabalha nas escavações ao redor das entradas de cemitérios na colina de Dra Abu el-Naga, em Luxor, Egito.  A equipe de arqueólogos espanhóis que penetrou na tumba do alto dignatário Djehuty, servente há cerca de 3,5 mil anos da rainha Hatshepsut, já foi responsável por um grande número de descobertas sem precedentes, inclusive a do primeiro retrato conhecido de um faraó visto de frente – provavelmente Tutmés III ou sua mãe, Hatshepsut — e não de perfil.  .  Em 2007, esta descoberta trouxe bastante interesse na comunidade de egiptólogos porque fora um achado é incomum porque os egípcios sempre se retratavam de perfil. Os únicos retratos frontais eram os de estrangeiros, de demônios e do deus anão Bes, que seria uma importação cultural.

 

 

 

 

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Agora novas riquezas se fazem conhecidas.  A câmara encontrada e devidamente anunciada hoje é nada mais nada menos do que uma sala quadrada de 3,5 metros de largura e 1,5 metro de altura.  O que a torna fora do  comum é a decoração total, incluindo todas as paredes e o teto com pinturas da época.





Descoberta: estátuas do reinado Cushe no Sudão, 300 AC

17 12 2008

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REUTERS/René-Pierre Dissaux/Section Française de la Direction des Antiquités du Soudan/Handout

Três estátuas em pedra datadas do período Meroe (450 a.C. e 300 d.C.) foram descobertas nos sítios arqueológicos do Sudão, na África.  As esculturas, que contêm inscrições da antiga escrita meroítica, são as mais completas já encontradas.  Até hoje só se encontrara fragmentos de peças desta época.  Todas as esculturas encontradas são de um carneiro que sabemos representava o deus Amun, considerado rei dos deuses egípcios e força criadora da vida.  A curiosidade sobre as estátuas descobertas desta vez é que todas têm inscrições muito antigas e difíceis de interpretar.

 

Meroe (ou Meroé) é o nome de uma antiga cidade na margem leste do rio Nilo, na Núbia.  Ficava na região do vale do rio Nilo que hoje é é ocupada pelo Egipto e pelo Sudão, aproximadamnete a  300 km NE de Cartum.  No século VII antes de Cristo, Cartum fora a capital do reino de Cushe por mais de mil anos, ( entre o século VII a.C. e o século IV da nossa era) sabendo-se ser uma das primeiras civilizações do vale do rio Nilo. Neste período os núbios  desenvolveram uma escrita própria, chamada pelos estudiosos de “escrita meroítica”. É a mais antiga língua escrita do Saara meridional.

 

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A importância das estátuas que foram descobertas há três semanas em el-Hassa, próximo às pirâmides de Meroe, é que suas inscrições estão gravadas numa língua mais antiga do que todas as inscrições que se conhece do Meroe.  Isto as torna de  difícil interpretação.  Mas demonstra uma maior coplexidade e antiguidade da língua, da qual sabemos muito pouco.  “É uma importante descoberta”, afirmou o pesquisador Vincent Rondot à BBC.   

 

Estas estátuas  ainda mostram pela primeira vez uma dedicação real com escrita completa.  Meroe, lembrou o arqueólogo Rondot: é uma das últimas línguas da antiguidade que ainda não entendemos completamente.  Nós conseguimos ler.  Não temos problemas pronunciando as letras, mas não conseguimos ainda entendê-la por completo.  Entendemos algumas palavras longas e os nomes das pessoas mencionadas.  No momento os especialistas estão se valendo de fragmentos encontrados anteriormente para poderem decifrar as novas legendas encontradas.

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REUTERS/René-Pierre Dissaux/Section Française de la Direction des Antiquités du Soudan/Handout

 

Estas escavações são financiadas pelo ministério de relações exteriores da França, e feitas pela seção Francesa do Departamento de Antiguidades do Sudão.   E estão também trazendo à tona informações sobre um rei muito mal conhecido — Amanakharequerem — e que é mencionado nas inscrições das estátuas dos cordeiros.

 

Antes destas descobertas, nós tínhamos só quatro documentos que mencionavam seu nome.  Não sabemos nem  onde ele foi enterrado.   Agora estamos começando a compreender sua importância no reino. – disse Rondot.

 

 

O Sudão tem mais pirâmides do que o Egito.  Mas pouca gente visita estas ruínas arqueológicas por causa dos conflitos internos no país que ocupam seus habitantes há quase 46 anos.   Esses conflitos armados internos fazem qualquer trabalho tanto arqueológico como de turismo, extremamente difícil.

 

 





Lista dos presos em 1932 — Revolução Constitucionalista

26 10 2008

 

Estou repetindo aqui a entrada fotográfica da lista de presos que publiquei na postagem do dia 23 de agosto de 2008, com a listagem em separado, para que seja mais fácil a leitura do nome dos presos. 

Relação dos presos na cidade do Rio de Janeiro, na Revoluçao de 1932

Relação dos presos na cidade do Rio de Janeiro, na Revoluçao de 1932

Leitura da lista dos presos de 1932

 

 

Grupo de presos políticos da Revolução Paulista de 1932, na Casa de Correção do Rio de Janeiro, em Outubro de 1932

 

 

1 –       Austregésilo de Athayde                   jornalista dos Diários Associados

2 –       Capitão Martin Cavalcanti                da Polícia Militar 

3 –       Oswaldo Chateaubriand                   jornalista dos Diários Associados

4 –       Eurico Martins                                  jornalista A Gazeta

5 –       Luiz Américo de Freitas.                   Presidente do Instituto do Café

6 –       Guilherme de Almeida                       Poeta

7 –       Ataliba Leonel                                  PRP

8 –       Thyrso Martins                                 ex-chefe de polícia

9 –       Sylvio de Campos                            PRP

10 –      Francisco Cunha Junqueira               ex-secretario da Agricultura

11 –      Casper Líbero                                  jornalista A Gazeta

12 –      Haroldo Pacheco e Silva                  Legião Paulista

13-       Oscar Machado                               MMDC

14-       Levos Vampré                                 MMDC

15-       Luiz Piza Sobrinho                           MMDC

16-       Joaquim Sampaio Vidal                   ex-diretor Dep. Municipal

17-       Pádua Salles                                    PRP

18-       Aureliano Leite                                PD

19-       J. Castro Carvalho                          PRP

20-       Júlio Mesquita Filho                        jornalista O Estado de São Paulo

21-       Ibrahim Nobre                                promotor público

22-       Lauro Parente                                 engenheiro

23        Aviador Tito Delon(?)

24-       ?                                                     PD

25-       Luiz Dutra                                       advogado no Rio

26-       Mylario Freire                                 PRP

27-       Paulo Salles                                     Minas

28-       Prudente de Moraes Netto               MMDC

29-       J. Cardoso de Almeida Sobrinho      engenheiro,Rio

30-       A. C. Pacheco e Silva                      F. P. Paulista

31-       Antonio Silva Bernardes                   Minas

32-       Cel Azariss Silva                              PP Paulista

33-       Carlos de Souza Nazareth                Pres. Assoc. Com.  MMDC

 

 

 

#1        Belarmino Maria Austregésilo Augusto de Athayde (Caruaru, 25 de setembro de 1898 — Rio de Janeiro, 13 de setembro de 1993) foi um jornalista e professor, cronista, ensaísta e orador brasileiro. Formou-se em direito, trabalhou como escritor e jornalista, chegando a dirigente dos Diários Associados, a convite de Assis Chateaubriand.  Sua declarada oposição à revolução de 1930 e o apoio ao movimento constitucionalista de São Paulo (1932) levou-o a prisão e exílio na Europa e depois na Argentina.  Permaneceu muitos meses em Portugal, Espanha, França e Inglaterra e de lá se dirigiu a Buenos Aires, onde residiu por dois anos (1933-1934).

 

#2       

 

 

#3        Oswaldo Chateaubriand é irmão do Sr. Assis Chateaubriand (proprietário dos Diários Associados) e diretor do “Diário de São Paulo”.

 

# 7       Ataliba Leonel (Itapetininga, 15 de maio de 1875 — Piraju, 29 de outubro de 1934) foi um militar e político brasileiro.  Formado na Faculdade de Direito de São Paulo, foi um dos preparadores do movimento de 23 de maio, quando, na capital do Estado, tombaram as quatro figuras históricas cujos nomes passaram a constituir o símbolo M.M.D.C.. Iniciada a revolução em 9 de julho, organizou a Brigada do Sul, da qual foi comandante-geral. Com a vitória da ditadura, foi preso e exilado em Portugal, residindo em São João do Estoril, com outros brasileiros ex-combatentes da mesma causa. Membro da C.D. do Partido Republicano, representou São Paulo na Câmara Federal, onde relatou a Receita da União na Comissão de Finanças, produzindo trabalhos notáveis, que honra a cultura paulista.

 

O Exílio

 

 

Assim que detidos, foram aprisionados no navio-presídio “Pedro 1º” e transferidos, em seguida, para o navio “Siqueira Campos” que, em 18 de novembro de 1932, chegava a Portugal, desembarcando, entre outros, os generais Bertoldo Klinger, Isidoro Dias Lopes (nos seus quase setenta anos), coronel Euclides Figueiredo, major Mena Barreto, o tenente Agildo Barata Ribeiro; os civis Álvaro de Carvalho, Altino Arantes, Austragésilo de Ataíde, Carlos de Souza Nazaré, Francisco de Mesquita, Guilherme de Almeida, Ibrahim Nobre, Júlio de Mesquita Filho, Luís de Toledo Pisa Sobrinho, Oswaldo Chateaubriand, Prudente de Morais Neto e Paulo Duarte, entre dezenas de outros mais. Eram ao todo 73 brasileiros banidos de sua pátria, que iam se juntar aos exilados de 1930.





São Paulo perde de cabeça erguida! Revolução 1932

23 10 2008

4 de outubro de 1932

 

 

Eu não sei fazer um juízo exato do móvel da revolução de 9 de julho.

 

A revolução encabeçada por São Paulo e seguida por Mato Grosso, dizia-se constitucionalista.  Entretanto, também o governo provisório dizia-se constitucionalista e o Brasil todo o é inegavelmente, e, apesar de tudo, o Brasil todo veio combater São Paulo e Mato Grosso, ao lado do governo central.  Para mim, como expliquei na nota do dia 11 de julho, a revolução foi precipitada pelo Gal Klinger e não foi um movimento constitucionalista no seu íntimo.  São Paulo não podia nem devia pegar em armas pela constitucionalização do país, no dia 9 de julho, uma vez que na época da eleição já se achava marcada pelo governo para 3 de maio do ano vindouro, data com a qual São Paulo já tinha concordado.  O governo provisório, por seu turno, fez mal em aceitar a luta com São Paulo, sem parlamentar com ele, ou ceder um pouco no  prazo do pleito eleitoral, pois, se ele governo, é constitucionalista, não lhe ficava bem tentar abafar pelas armas, um movimento que se dizia ser pela restauração da constituição e da lei eleitoral.  A luta armada só poderia retardar o advento da lei.  Empenhando-se nela, São Paulo, que se dizia constitucionalista, retardava a constitucionalização do país; tentando abafá-la pelas armas, o governo federal que se diz também pela volta da constituição ao país, prolongava o regime ditatorial e prolongava-o com sérios prejuízos ao país, morais, materiais e de vidas preciosas que se iam tombando na guerra entre irmãos.  Logo, nem o governo federal é pela constituição, nem São Paulo fez revolução de caráter constitucionalista.  O motivo da revolução deve ser outro.

 

São Paulo é um povo que cultua um justo orgulho do seu valor cívico, moral, material, intelectual.  Rico, poderoso, populoso, o maior estado do Brasil, que tinha no seu escudo o famoso – non ducor, ducoˡ – achava-se humilhado pela sua ocupação militar desde outubro de 1930.  Essa humilhação prolongava-se e seu orgulho crescia dia a dia.  Sua ira transbordou-se; e, sem motivo plausível, sem uma justificativa séria, pegou em armas, resoluto, para ver se abreviava a constitucionalização do país pela força.

 

A luta armada foi cruenta.  São Paulo todo se mobilizou, e pode dizer-se que o Brasil teve a 9 de julho sua primeira revolução.  Foi uma verdadeira guerra.  Guerra de trincheira, encarniçada, feroz, violenta, demorada.  Guerra de aviões, medonha, implacável.  Guerra verdadeira, na extensão da palavra, porque todos se prontificaram para os combates e tudo foi mobilizado: civis, militares, velhos, crianças, mulheres, índios de Mato Grosso, comerciantes, professores, industriais, alunos, funcionários, etc.  Fábricas trabalhavam dia e noite confeccionando fardamentos, pólvoras, balas, munições em geral.  Fabricaram-se granadas, tanques, carros blindados.  E São Paulo mobilizou cerca de 120.000 homens para a luta e mandou-os para as trincheiras.  O comércio e o povo ajudaram muito.  Subscrições populares se abriram para a compra de tudo.  E o soldado paulista tinha de tudo: roupas, fardamento completo, coletes de lã, cache-cols, capas impermeáveis, capacetes de aço, cobre-capacetes, capacetes de cortiça, cobre-orelhas, bom passadio, alimentação abundante, tudo que se possa imaginar. 

 

E o mais notável em tudo foi a elevação moral do soldado.  Os paulistas iam para as trincheiras, cantando!  Os lares se abriam para soltarem os voluntários, principalmente no norte do estado (aqui em Itapetininga reinou mais o desânimo).  As cartas todas (pela censura se via) eram, com raríssimas exceções, cartas de coragem.  O povo dava dinheiro, jóias, alianças para a vitória de São Paulo. 

 

Vivemos em São Paulo, como anotei no outro dia, o tempo pretérito da antiga e aguerrida Sparta.  Tal qual a espartana que não queria saber se o filho morrera, mas unicamente se Sparta vencera, a paulista em geral recomendava ao marido, ao filho, ao irmão que partia: não voltes sem a vitória de São Paulo!

 

Essa luta foi mantida pelo orgulho do paulista.  São Paulo lutou quase três meses.  Cedia terreno pouco a pouco, quando já não podia resistir o inimigo muito mais numeroso e melhor armado.  Sabia que ia perder a campanha.  Sabia-o, mas atirava-se novamente à sangrenta guerra.  Era um delírio.  Havia qualquer coisa de louco no procedimento do povo paulista, ou qualquer laivo de suicídio em massa.

 

Formavam-se batalhões e batalhões de voluntários.  Fabricavam-se granadas de mão.  Mobilizaram-se batalhões de granadeiros.  Inventaram-se aparelhos lança-chamas e canhões lança-minas, e dizem que fabricaram gases lacrimogêneos, asfixiantes e mais uma outra espécie de invenção paulista que não chegou a ser usada. 

 

Foi a primeira revolução do Brasil, porque as anteriores não se comparam com dois dias desta de 9 de julho.  A verdade é que São Paulo forneceu à historia pátria uma página que pode traduzir leviandade de conduta, precipitação e orgulho, mas também traduz no seu reverso, um exemplo edificante de união, coesão e força. 

 

Apesar de ter havido uma série de traições à causa que São Paulo defendia, traições à coesão, em parte justificadas pela ausência de motivo plausível para semelhante luta fratricida, apesar disso, pode dizer-se que o povo esteve na sua grande maioria unido, nos dias mais amargos e tétricos, sentindo prazer dessa união na desgraça, parecendo repetir aquela frase de Hugo: S’aimer dans l’affliiction, c’est le bonheur du malheur!²

 

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NOTAS:

 

1 – NON DUCOR DUCO = expressão em latim: não sou conduzido, conduzo.  Presente na bandeira de São Paulo

 

2 – [Tradução da frase de Vitor Hugo: Amar-se nos momentos dolorosos é a felicidade da infelicidade].

 

 

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 151-156 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

 

 

 





Cessou o movimento revolucionário!

16 10 2008

                    Aos que morreram na Revolução.

3 de outubro de 1932

 

Cessou definitivamente o movimento revolucionário.  As tropas paulistas se renderam, incondicionalmente dizem os jornais.  As tropas federais, ocupam Itapetininga e Sorocaba.  Regressei para Itapetininga e, no regresso vim só, de trem, observando a paisagem tristonha do São Paulo vencido.  

 

Vinha de Sorocaba, de trem, sem saber o que se estava passando em Itapetininga, sabedor apenas de que tinha havido ocupação militar da cidade.  Parecia-me que o trem não saía do lugar.  E eu vinha com a imagem de São Paulo vencido a brincar na minha imaginação.  Tudo, no caminho, para mim, assemelhava-se a um ser vencido, mesmo as coisas inanimadas.  E quase do alto da entrada eu avistei a cidade meio metida no mato, ao longe, a matriz de Itapetininga com suas duas torres erguidas sobre o mato, afigurou-se que gritava como um soldado vencido, de braços para cima: não me matem!

 

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Vargas

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 150-151 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

Soldados Revolucionários