Marcadores de alimentos entre as mais novas descobertas arqueológicas em Israel

9 02 2012

Selo para pão “kosher” da era medieval. Foto: EFE.

Um grupo de arqueólogos israelenses encontrou em Acre, no norte do país, um selo com forma de candelabro utilizado para marcar o pão há mais de 1.500 anos.

[agradeço ao leitor Marlos, a correção da tradução da data]

O selo, de pequeno tamanho e feito de cerâmica, deixava sobre a superfície do pão a figura da menorá,  um candelabro de sete braços tal qual o utilizado no segundo Templo de Jerusalém.  Esta era uma forma de marcar o pão “kosher” destinado às comunidades judaicas da época que viviam sob o Império Bizantino.

Esta é a primeira vez que um selo deste tipo é achado em uma escavação científica controlada, o que torna possível determinar sua origem e sua data“, afirmou Danny Syon, arqueólogo, em um povoado rural aos arredores de Acre, cidade notoriamente cristã naquela época.

O selo é importante na medida em que atesta a existência de uma comunidade judaica em Uza ainda na era bizantina-cristã“, os arqueólogos disseram. “Dada a proximidade Uza para Acre, podemos presumir que a comunidade fornecia produtos de padaria “kosher” para os judeus do Acre durante o período bizantino.”

Segundo os arqueólogos, o achado demonstra que os judeus viviam na região e que o pão era marcado para enviá-lo aos que residiam dentro da cidade, uma espécie do atualmente empregado selo “kosher” para produtos que respondem às estritas normas da cozinha judaica. O costume também era semelhante ao dos cristãos da época, que também marcavam seus pães, só que com uma cruz.

O selo mostra além de uma menorá de sete, uma palavra em letras gregas na alça, que de acordo com o Dr. Lia Di Segni, da Universidade Hebraica de Jerusalém, pode significar a palavra “Launtius.”  Esse seria o nome do padeiro, um nome comum entre judeus daquele tempo.  “Launtius” está gravado numa reserva semelhante às que se acredita serem do mesmo período.

David Amit, outro arqueólogo a cargo da escavação e especialista em selos de pão, explicou que “o candelabro foi gravado no selo antes de colocá-lo no forno, e o nome do padeiro depois. Disso deduzimos que os selos com a figura eram fabricados em série para os padeiros, e que cada um deles colocava depois seu nome“.

A Autoridade de Antiguidades de Israel escava, no momento,  Uza, um local a leste de Acre, onde ficava uma aldeia bizantina com o mesmo nome. A escavação vem sendo conduzida como parte dos preparativos para estabelecer novos caminhos de Acre para Carmiel.  Na jazida arqueológica de Hurbat Uza foram encontrados até agora vários objetos que corroboram a existência de uma pequena comunidade judaica em torno de Akko, cidade milenar que, por sua estratégica situação geográfica, foi sempre ambicionada pelos diferentes conquistadores da Terra Santa.

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Carimbo de argila, encontrado em Jerusalem.  Foto: Reuters.

Alguns meses atrás, ainda em 2011, arqueólogos israelenses descobriram um carimbo de argila de 2 mil anos, perto do Muro Ocidental, também conhecido como Muro das Lamentações, em Jerusalém, confirmando relatos documentados por escrito de rituais realizados no templo sagrado judaico.

O selo [um carimbo] do tamanho de um botão tem as palavras “puro para Deus” inscritas em aramaico, indicando que era usado para certificar alimentos e animais usados para cerimônias de sacrifício.

O Muro Ocidental faz parte de um complexo conhecido pelos judeus como o Monte do Templo e pelos muçulmanos como o Nobre Santuário, onde a mesquita islâmica al-Awsa e o Domo da Rocha estão localizados. “Parece que o objeto era usado para marcar produtos ou objetos que eram trazidos para o Templo, e era imperativo que fossem puros segundo rituais“, disse a Autoridade de Antiguidades de Israel, em comunicado para divulgar a descoberta.

Acredita-se ser essa a primeira vez que este tipo de selo foi escavado, oferecendo uma prova arqueológica direta de rituais que eram realizados no templo e que eram descritos em textos antigos.

Fontes:  TERRA, Jerusalem Post, Portal Terra





500 anos de Giorgio Vasari: visite a biblioteca nacional em homenagem!

20 01 2012

Entrada principal da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro.

Está na Biblioteca Nacional, a exposição 500 anos de Giorgio Vasari, inventor do artista moderno, que deveria ser visitada por todos os artistas visuais, críticos e historiadores de arte e quaisquer pessoas cujas vidas profissionais têm relação com as artes plásticas.  Por que?  Porque foi Giorgio Vasari (1511-1574)  foi o primeiro historiador da arte,  alcançando esta posição quando publicou as VidasLe Vite de’ più Eccellenti Pittori, Scultori e Architettori] em 1550.  Foi também quem ajudou a sociedade florentina a reconhecer o valor da profissão de artista.  Foi ele, através de sua Academia de Artes do Desenho que reformulou o processo de formação de artistas, que até aquele momento,  ainda obedecia às antigas normas da Guilda de São Lucas estabelecida no início do século XIV.  Essa guilda  incluía pintores, escultores e outros profissionais relacionados ao que hoje chamamos de artes plásticas.  Com esses dois marcos, a publicação de Vidas e com a Academia,  Vasari deu o impulso necessário para que pintores, escultores e arquitetos pudessem ser considerados  como indivíduos, conhecidos por seus nomes, ganhando fama e status  e não  parte de uma massa trabalhadora amorfa, anônima, substituível.

Outra razão para se visitar essa exposição é poder ver o fabuloso acervo literário de obras raras da Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro. Poucas são as bibliotecas do mundo que mantêm tão rico acervo não só de obras raras como de desenhos e gravuras tais como os exibidos nessa ocasião.
É uma exposição imperdível.

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SERVIÇO

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Giorgio Vasari e a Invenção do artista moderno
A partir de 21 de outubro no Espaço Cultural Eliseu Visconti

Endereço: Rua México, s/n – Centro – Rio de Janeiro (acesso pelo jardim da Biblioteca Nacional)
De terça a sexta das 10h às 17h
Sábados das 10h Às 17h
Domingos das 12h às 17h

Entrada franca

ou veja informações no portal da Biblioteca Nacional





Outra opinião: Irene Popow, trecho extraído do livro Adeus, Stalin!

19 01 2012

O bolchevista, 1920
Boris Kustodiev (Rússia, 1878-1927)
Óleo sobre tela, 101 x 141 cm

Estou lendo as memórias de Irene Popow,  publicadas em 2011 pela Editora Objetiva, que levam o título  Adeus Stalin!.  Ainda não terminei a leitura — tenho o hábito de ler 4 a 5 livros ao mesmo tempo — mas ressalto aqui uma passagem interessantíssima, com o objetivo de contrabalançar a atual  discussão sobre o legado de Luís Carlos Prestes, cuja controvérsia sobre a doação de seus bens a família parece até fomentar para que o líder comunista não caia no esquecimento.  Resolvi citar essa passagem de Irene Popow por achá-la necessária para contextualizar, em perspectiva histórica, um período importante na nossa história.

“Tenho um sentimento misto de admiração e inveja cada vez que ouço ou leio que, durante o nazismo de Hitler, 6 milhões de judeus foram mortos.  Admiração porque os judeus conseguem manter viva a lembrança das atrocidades nazistas através de filmes, livros, artigos, palestras, exposições.  Não deixam ninguém esquecer.  Todos, na ponta da língua, sabem: 6 milhões de judeus morreram por ordem de Hitler.  Inveja porque os russos e os ucranianos não o fazem:  não divulgam que 30 milhões de conterrâneos morreram vítimas do comunismo de Stalin.  Raríssimas vezes se fala ou se escreve a respeito.

Dez milhões de ucranianos morreram durante a Segunda Guerra, e cerca de 2,3 milhões foram levados para campos de trabalho forçado na Alemanha (dois terços de todos os eslavos deportados). Com o fim do conflito, muitos não quiseram voltar para a União Soviética e emigraram para vários países.  Minha família veio para o Brasil, mas a maioria seguiu para o Canadá e os Estados Unidos.  O Ukranian Canadian Research & Documentation Center, com sede em Toronto, lamenta que, dos 300 mil imigrantes ucranianos, apenas dois gravaram depoimentos em vídeo sobre os campos de concentração de trabalhos forçados Ostarbeiterlager (Campo de Trabalhadores do Leste), na Polônia, e nenhum sobre o Holodomor.

No entanto, existem dezenas de milhares de relatos feitos por judeus sobre suas vivências nos campos de extermínio.  Jorge Mautner, que nasceu no Brasil, deu um intrigante título ao seu livro autobiográfico O Filho do Holocausto.

É ou não para ter admiração e inveja?

Ao mesmo tempo, fico irritada com a crescente glorificação de Olga Benário e Luís Carlos Prestes, que aumentou após o livro de Fernando Morais e o filme de Jayme Monjardim.  Ambos são muito bons.  Porém, uma obra com qualidade estética considerável sobre Hitler ou Stalin não justifica o enaltecimento desses líderes.
Olga, judia alemã e filiada ao Partido Comunista, revolta-se contra o nazismo e a perseguição ao seu povo, foge para a Rússia e abraça o comunismo de Stalin.  Mas ela ignora – o talvez apoie – a perseguição do dirigente soviético aos milhões de inimigos do povo.  Prestes, que mora em Moscou desde 1931, é treinado com Olga para liderar uma revolução armada no Brasil.

Não acredito que os dois estivessem alheios ao que acontecia na União Soviética.  Posteriormente, devido à Cortina de Ferro e ao isolamento absoluto, foi possível esconder a existência do muro de Berlim.  Entretanto, era quase inconcebível ignorar os milhões de mortos pelo Holodomor e pelos expurgos de Stalin, que era de conhecimento de toda a população soviética.  O mesmo comunismo que Olga e Prestes queriam implantar no Brasil. Eles então chegam ao Brasil em 1934, fiéis ao lema “Os fins justificam os meios”. A tentativa fracassa e os dois são presos.

Porém, nada justifica a decisão da ditadura de Getúlio Vargas de entregar Olga, grávida, à morte nos campos de Hitler.  Nada faz dela uma heroína tampouco.  A glorificação do casal é bem diferente da de Anne Frank, judia alemã também morta num campo nazista.  Seu diário foi traduzido para dezenas de línguas.  A casa em Amsterdã, onde se escondeu com os parentes durante a guerra e na qual registrou suas anotações, virou merecidamente um museu.”





Fundação de São Paulo, texto de Alfredo Ellis Júnior

18 01 2012

Fundação da cidade de São Paulo, 1913

Antônio Parreiras (Brasil, 1860-1937)

óleo sobre tela, 179 x 200cm

PESP: Pinacoteca do Estado de São Paulo

São Paulo, SP

Fundação de São Paulo

Alfredo Ellis Júnior

O padre José de Anchieta veio da Europa em 1553, como irmão leigo e, em companhia do padre Manuel de Paiva no lugar antes chamado de aldeia de Piratininga, em 25 de janeiro de 1554 (ano do nascimento de D. Sebastião) ergueu a casa de educação e catequese de índios Guaianás.

Aí, nessa data, foi dita a primeira missa, tendo a casa tomado o nome de Colégio de São Paulo de Piratininga, em razão do santo do dia.  O lugar que era antes a aldeia de Piratininga, da qual era chefe Tibiriçá, achava-se quase na foz do riacho Anhangabaú, ao desembocar este no Tamanduateí, com um promotório de terra vestido de vegetação rala, que avançava ravinoso e íngreme sobre a várzea do Tamanduateí.

Em razão da facilidade de sua defesa, o colégio jesuíta foi o ponto de atração de imigrantes que vieram em abundância, do velho vilarejo de Santo André da Borda do Campo e do litoral vicentino. Com essa corrente de novos povoadores, o vilarejo piratiningano progrediu de tal forma que, em 1560, o 3º governador-geral Mem de Sá ordenou a extinção de Santo André e a ereção, no novo núcleo do planalto, doo pelourinho, que deveria ser transferido.

É que Santo André não apresentava condições de fácil defesa.  Situada em um descampado circundado de floresta, o povoado andreense não oferecia segurança aos seus moradores, que estavam por demais expostos aos ataques dos índios.  Enquanto isso, São Paulo de Piratininga, acavalada por sobre outeiros, ilhados na imensidão líquida de varzedo e de valados inundáveis, era uma posição praticamente inexpugnável.

Em: Terra Bandeirante, 4º ano — pequena antologia sobre a terra, o homem e a cultura do estado de São Paulo, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir:1954

Alfredo Ellis Júnior nasceu em 1896.  Advogado, historiador, militar, político. Dedicou-se ao ofício de professor de História, lecionando em escolas de São Paulo.  Em 1938 torna-se professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, onde permanece até 1952 quando se retira por problemas de saúde. Faleceu em 1974.

Obras (listagem incompleta):

Amador Bueno: o rei de São Paulo

Ascendendo na história de São Paulo, 1922

O Bandeirismo Paulista e o Recuo do Meridiano, 1924

O café e a paulistânia, 1951

Capítulos da história social de São Paulo, 1944

Confederação ou separação, 1933

A economia paulista do século XVIII

A Evolução da Economia Paulista e Suas Causas, 1937

Feijó e a primeira metade do século XIX

Geografia econômica

História da civilização brasileira, 1º volume, 1939

História da civilização brasileira: Feijó e sua época, 2º volume, 1940

História da civilização brasileira: panoramas políticos, 6º volume, 1946

Jaraguá: romance histórico da penetração bandeirante

A Lenda da Lealdade de Amador Bueno e a Evolução da Psicologia Planaltina, s/d

A madrugada paulista:lendas de Piratininga, 1934

Meio século de bandeirismo: 1590-1640, 1939

A nossa guerra, 1933

Um parlamentar paulista da república, 1949

Pedras lascadas, 1928

Panoramas históricos, 1946

Os primeiros troncos paulistas e o cruzamento euro-americano, 1936

Populações paulistas, 1934

Raça de gigantes, 1926

Raposo Tavares e a sua época, 1944

Resumo da história de São Paulo, 1942

O tesouro de Cavendish, 1928

O tigre ruivo, 1934





O veado na fonte, fábula de Loqman

10 01 2012

O veado na fonte

Loqman *

Um veado sedento veio a uma fonte para beber, mas quando percebeu sua imagem refletida na água, sentiu-se tomado de melancolia por causa da magreza de seus pés, mas, por outro lado, orgulhava-se da beleza e da grandeza de seus cornos.  Pouco depois, os caçadores puseram-se em sua perseguição.  Enquanto fugia pelas planícies não puderam nada contra ele, mas quando atingiu a floresta da montanha, sua corrida foi retardada por seus cornos que se embaraçavam entre as moitas e os galhos.  Os caçadores então se apoderaram dele sem dificuldade e mataram-no.  Mas antes de exalar o último suspiro o veado gritou:

— Coitado de mim que subestimei o que me salvou a vida e só tive elogios para o que me causou a morte.

Em: Contos Árabes, Jamil Almansur Haddad, Rio de Janeiro, Edições de Ouro: s/d

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* Loqman – [também conhecido como Loqman, o sábio] – foi um fabulista muitas vezes confundido com Esopo.  Muitas vezes suas fábulas também apareceram como sendo de Esopo.  A primeira tradução de suas fábulas para a Europa foi feita por Erpenius em 1615.





Quando o que aprendemos já ficou ultrapassado!

21 12 2011

Biblioteca Pública de Chelsea, 1920

Malcolm Drummond (Grã-Bretanha, 1880-1945)

óleo sobre tela

Bridgeman Art Library

Um dos livros cuja narrativa me encantou nesse fim de ano foi  O aprendizado da srta. Beatrice Hempel, de Sarah Shun-lien Bynum [Rocco:2011].  É o tipo de livro que tem passagens que nos fazem reconhecer atitudes e maneiras de pensar.  Enfim, reconhecemo-nos e aos que nos circundam.  Hoje coloco aqui um trechinho  que mostra a realização de uma professora de história que descobre que o que havia insistido muito para que seus alunos da 7ª série aprendessem  e o que estava à beira de ensinar — determinados fatos da história americana —  acabava de ser ultrapassado por novas teorias e descobertas.

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“Tendo falado dos índios com tanta aprovação, a srta Hempel ficou consternada ao encontrar, numa tarde de domingo na livraria, uma publicação nova dedicada a contradizê-la.  Ficou parada no corredor, com o cenho franzido.  De acordo com as últimas descobertas antropológicas, os índios não eram grandes amigos da Natureza; eles arrasavam florestas, caçavam animais quase até a extinção, saboreavam petiscos, como o feto do búfalo, enquanto deixavam a mãe se decompor lentamente ao sol.

O livro estava exposto numa prateleira com uma variedade de outros livros, todos aparentemente com a mesma tendência.  A srta Hempel percebeu que uma pequena indústria tinha surgido cujo único objetivo era revelar as mentiras e as mistificações da história americana.  Paul Revere não gritou “Os britânicos estão chegando!”  Thomas Jefferson seduziu, sim, e engravidou Sally Hemings, sua escrava.  Os fundadores da nação não estavam “nem um pouco interessados em igualdade para todos”.  E o biruta do John Brown era perfeitamente são.  Até mesmo a teoria da ponte entre os continentes estava sob ataque.  Parecia que, afinal de contas, os primeiros americanos não tinham chegado perambulando pelo estreito de Bering.

A srta Hempel se sentiu irritada e traída.  Tinha levado muito tempo para ler América! América!, e agora cá estava uma prateleira inteira de estudos acadêmicos lançando dúvida sobre tudo o que ela estava prestes a ensinar.

No entanto, ela admitia que esses livros realmente pareciam necessários; sua existência fazia sentido para ela.  Era tão difícil contar a história com fidelidade.  Não se podia confiar que uma pessoa conseguisse relatar o seu próprio passado com fidelidade, muito menos a história de um país inteiro.”





Mais antigo manuscrito com os Dez Mandamentos em Nova York

17 12 2011

O manuscrito mais antigo e conservado com as mensagens dos Dez Mandamentos que, segundo a fé judaica, Moisés recebeu no Monte Sinai, será exposto a partir desta sexta-feira no Museu Discovery de Nova York.

Escrito em hebraico, o pergaminho de mais de 2 mil anos possui aproximadamente 45 cm de comprimento por 7 cm de largura e faz parte da mostra mais ampla sobre os manuscritos do Mar Morto, que inclui mais de 500 artefatos cedidos pela Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA, na sigla em inglês). O documento foi descoberto em 1954 e, segundo o Museu Discovery, faz parte de uma coleção de mais de 900 peças encontradas ao longo dos anos 40 e 50 em uma gruta de Qumran, região situada próxima ao Mar Morto.

Os manuscritos, também escritos em aramaico e grego, além de hebraico, são os documentos mais antigos encontrados sobre a vida na Judéia. Segundo o museu nova-iorquino, “os Dez Mandamentos são as regras que constituem os pilares da moralidade e da lei do mundo ocidental”, destacando que o texto reúne e define como os homens e as mulheres devem trabalhar e viverem juntos sob sua fé em uma sociedade civil“.

Essa é a primeira vez que esse pergaminho será exposto em Nova York.  A peça, que contém fragmentos do Deuteronômio, está datada entre os anos 50 e 1 a.C. e é um dos dois únicos manuscritos antigos com os Dez Mandamentos que conhecemos atualmente. O pergaminho contém o texto de Deuteronômio 5, o quinto livro do Antigo Testamento, onde Moisés explica a aliança do Deus israelitas com o seu povo, lembrando os mandamentos de Deus à geração mais jovem, que estava para entrar na terra prometida.

Não obstante a sua idade, o Museu Discovery confirmou que o estado de conservação do manuscrito é “excepcional“, apesar de ser feito com um material tão frágil como a pele de um animal, ou seja, muito vulnerável à umidade, à luz e às variações de temperatura.  O período da exposição —  15 dias —  é um dos mais longos já permitidos pela Autoridade de Antiguidades de Israel que propiciou esta mostra fora de Israel por causa da importância universal desses rolos de sua fragilidade e idade.  Os Dez Mandamentos são importantes para as três religiões monoteístas do Ocidente:  o judaísmo, o cristianismo e o Islã.  Imediatamente após a exposição, o livro será devolvido para Israel .

O outro manuscrito, conhecido como o Papiro Nash, está armazenado na Universidade de Cambridge. Apesar de estar fragmentado, a peça é datada entre o ano 150 e 100 a.C. A identidade do escriba ainda permanece desconhecida, embora a instituição nova-iorquina tenha afirmado que muitos especialistas acreditem que todos os manuscritos do Mar Morto tenham sido escritos por integrantes de uma seita que se distanciou do Judaísmo e viveu no deserto de Israel do século III a.C. até o ano 68 d.C. antes de os romanos destruírem aquela comunidade.

Descoberto perto de Khirbet, Qumran, o rolo com os Dez Mandamentos está entre os antigos tesouros escritos conhecidos como Manuscritos do Mar Morto, que foram encontrados por pastores beduínos inicialmente entre 1947 e 1956 em uma série de cavernas perto da costa noroeste da Mar Morto.  Cerca de 900 manuscritos teriam sido encontrados em cavernas. Feitos com pele animal, o manuscrito com os Dez Mandamentos, em pergaminho, mede 18 centímetros de comprimento por 3 cm de altura e é escrito em hebraico.

Além dos rolos com os Dez Mandamentos, a exposição incluirá mais de 500 artefatos da era bíblica até o período Bizantino em Israel. Os artefatos e pergaminhos proporcionam “um olhar cativante e intrigante em um dos períodos mais influentes da história, quando surgiu o judaísmo, o domínio do Império Romano caiu, e as sementes do cristianismo surgiram,” disse Kristin Romney, consultor curador da exposição.  Objetos nunca antes vistos, incluindo mosaicos, esculturas em pedra, e utensílios domésticos, tais como jóias e cerâmica.

O pergaminho dos Dez Mandamentos poderá ser visto até o próximo dia 2 de janeiro, enquanto o resto da exposição, que foi inaugurada 28 de outubro, permanecerá aberta até o dia 15 de abril de 2012.

FONTES: Terra e Christian Post





“Fiz a cama na varanda”: o homem primitivo já dormia em colchões

12 12 2011

Ilustração Maurício de Sousa.

Os humanos primitivos da África do Sul já fabricavam colchões à base de erva e plantas medicinais há 77 mil anos, 50 mil anos antes do que se pensava.  Restos vegetais foram descobertos nas escavações da caverna de Sibudu, na província de KwaZulu -Natal, pela equipe comandada pelo professor Lyn Wadley, da Universidade de Witwatersrand (Johanesburgo).  Esses “colchões” são 50 mil anos mais antigos que outros exemplos conhecidos.  Nossos ancestrais da Idade da Pedra já faziam camas de folhas, sementes e caules de junco local adicionadas a gramíneas que colocavam no chão da caverna  a partir de 77 mil anos atrás. E pelos próximos 44 mil anos, os Homo sapiens nômades caçaram e se reuniram na área, utilizando Sibudu como seu local de descanso, usando a compactação de material vegetal para criar colchonetes.

O uso de colchões coincide com outros comportamentos introduzidos na vida cotidiana do homem moderno, entre eles uso de conchas como instrumentos e da tecnologia de lapidação da pedra.  Os especialistas destacam que modificar o espaço vital do habitat, incluindo o ambiente do dormitório, é um aspecto importante do comportamento e da cultura humana. Por isso, estes achados trazem informações “fascinantes” sobre os primeiros humanos modernos, que habitavam o sul da África.

Os pesquisadores descobriram pelo menos 15 centímetros de uma grossa camada de matéria vegetal encaixada dentro de um pedaço de sedimento, de 3m de espessura. Eles suspeitaram que essas camadas fossem camas humanas, mas já que as esteiras mais antigas para dormir conhecidas até hoje datavam só de 20.000 e 30.000 anos atrás, os arqueólogos tiveram que estudar o material sob o microscópio para ver de que exatamente era composta essa camada e se as pessoas haviam trazido essas plantas para o local intencionalmente.

Ilustração Maurício de Sousa.

Baseados na análise de fitólitos — pequenos restos de plantas fósseis — que permite a identificação das espécies de plantas e micromorfologia, o exame de alta resolução de vestígios arqueológicos, a equipe descobriu que as camadas, que datava de 77.000 a 58.000 anos atrás, eram feitas de caniços, juncos, e ervas, plantas que crescem além do rio Tongati mas que não são encontradas no abrigo rochoso e seco, ou próximas ao sítio da descoberta.   Assim, as pessoas em Sibudu devem tê-las juntado deliberadamente e trazido-as para a caverna. Sob o microscópio, o material vegetal mostrou sinais de compressão e de repetido pisoteio.  Na camada mais antiga, 77 mil anos de idade, a equipe descobriu que as folhas de Cryptocarya woodii, também conhecida como Cabo de louro, ou a “árvore de cânfora bastarda“, uma planta aromática cujas folhas são usadas até hoje na medicina tradicional, porque suas folhas contêm diversos compostos químicos que podem matar insetos.  A equipe sugeriu, então, que os primeiros seres humanos escolheram essas plantas especificamente para se proteger contra a malária,  transmitida por mosquitos e de outras pragas.

A seleção dessas folhas para a fabricação do colchão indica que os primeiros habitantes de Sibudu tinham um bom conhecimento das plantas que rodeavam sua caverna e da eficiência de seu uso medicinal“, explica Lin Wadley.  Os pesquisadores acreditam que os habitantes da caverna colheram as sementes e plantas das proximidades do rio Tongati e que as usavam não só para dormir, mas também para trabalhar sobre elas.  As camadas também mostraram evidência de queima regular, começando há 73 mil anos atrás.  Arqueólogos acreditam que as pessoas queimaram a cama para eliminar pragas que tinham infestado a plantas e / ou para reduzir a altura acumulada  com os anos de uso, para acabar com esteiras deterioradas e para que pudessem começar de novo, de maneira limpa. Este é o primeiro exemplo conhecido de seres humanos que usam o fogo para a manutenção de habitação.

Tudo indica que os habitantes dessa caverna não teriam vivido lá permanentemente, apesar de terem feito desse, um local tão agradável e acolhedor. Eles provavelmente usaram o espaço por algumas semanas de cada vez até que a área tivesse esgotado a sua caça e o material orgânico entrasse em decomposição atraindo vermes. Os arqueólogos encontraram fragmentos de lascas de pedras e ossos queimados no meio do material das plantas, portanto, além de usar as esteiras para dormir, seus criadores também podem tê-las usado como uma superfície de trabalho para fazer ferramentas e alimentos.

Há cerca de 58 mil anos atrás, as camadas da cama se tornaram mais freqüentes, sugerindo que a população em Sibudu estava crescendo durante este período. Os arqueólogos estimam que o Homo sapiens migrou da África 50 mil anos atrás, talvez, pela própria expansão populacional que os colchões indicam ter havido.

Fontes: Terra, The History Blog





A descoberta de Sutil, de Theobaldo Miranda Santos, uso escolar.

29 11 2011

Bandeirantes, gravura do século XVIII.

Miguel Sutil foi um dos primeiros bandeirantes que atravessaram os sertões de Mato Grosso.  Em outubro de 1720, encontrava-se ele no povoado de Nossa senhora da Penha, onde tinha inciado uma plantação de milho e mandioca.

Durante muito tempo, Sutil havia procurado ouro na região sem nada conseguir.  Certo dia, achava-se ele no interior da mata, longe de casa, quando sentiu fome.  Ordenou então, a dois índios carijós, que trouxera em sua companhia, que percorressem a floresta em busca de mel de abelhas e palmito.

Lá se foram os índios obedientes à ordem do chefe.  Passaram-se muitas horas sem que eles voltassem.  Sutil ficou impaciente. A fome aumentava a nada havia ali para comer.

O sol descambava no horizonte.  Os pássaros recolhiam-se aos seus ninhos.  E os índios não apareciam.  Sutil estava furioso com a demora dos indígenas.

De repente, ouviu-se um barulho no mato e surgiram, afinal, os dois carijós.  Vinham correndo.  Traziam nas mãos alguma coisa que o bandeira não distinguiu.

Sutil interpelou-os com energia.  Os índios nada responderam.  Mas mostraram ao chefe o que traziam.  Suas mãos estavam cheias de ouro!

Mal rompeu o dia, Sutil dirigiu-se ao lugar onde os índios haviam encontrado o ouro.  Lá chegando, quase desmaiou de emoção.  O ouro, em grande quantidade, brilhava na superfície da terra.  Num só dia, o bandeirante e os índios recolheram mais de duas arrobas de ouro!

E assim foi descoberta uma das minas de ouro mais ricas da região centro-oeste do Brasil.

Em: Vamos estudar? — 3ª série primária – de Theobaldo Miranda Santos, edição especial para os estados Goiás e Mato Grosso,  Rio de Janeiro, Agir: 1961





Moedas do Império Romano, aos milhares, encontradas na França

8 11 2011

Moedas de 1700 anos atrás, encontradas num milharal

A administração de assuntos culturais da França divulgou uma foto de três ânforas antigas contendo milhares de moedas de bronze, de mais de 1700 anos de idade.  A descoberta de milhares de moedas romanas no campo de L’Isle-Jourdain, perto de Toulouse, no sudoeste da França foi considerada por arqueólogos “ um achado importante, na medida em que não é frequente falar de objetos do tipo desse período“, disse Michel Vaginay ,o responsável regional por descobertas arqueológicas.

Essas moedas, desenterradas e guardadas no final da semana, foram forjadas entre os anos 290 e 310 D.C em Londres, Lyon (atual França), Cartago (atual Tunísia) ou Trier (atual Alemanha). Seriam então da à época em que a França e todos esses outros lugares faziam parte do Império Romano.  Foram encontrada em duas ânforas de 80cm de altura e um outro jarro de aproximadamente a metade desse tamanho.   

Ânforas repletas de moedas do século III d.C.

Os tesouros foram descobertos por dois amantes de arqueologia que já haviam descoberto outras peças romanas nesse mesmo local.  “Nós sabíamos que havia mais por aqui e então, no meio de uma caminhada nos deparamos com essas peças na superfície mesmo do solo”, disse um deles.  Primeiro achamos mais ou menos 250 peças arqueológicas num campo por aqui que havia acabado de ser arado.  Isso nos fez pensar que poderíamos encontrar algo mais por aqui”.  Os dois juraram permanecer no anonimato.

Quando descobriram o tesouro, os dois contataram as autoridades responsáveis que verificaram o achado.  Mas o dono da propriedade pediu que escavações só fossem feitas depois dessa colheita do milho.  A maior preocupação, no entanto, foi manter segredo.  Com a demora das escavações, nenhuma palavra sobre o achado deveria chegar aos jornais para que ladrões e outros caçadores de tesouros não tivessem a idéia de virem ao sítio arqueológico roubar e destruir o que havia sido encontrado.  

Levadas para Toulouse para classificação e estudos de laboratório, essas moedas devem ser examinadas por um período de aproximadamente três a quatro meses.  Depois disso devem poder ser vistas pela população de L’Isle-Jourdain.  Pelo menos é o que promete o prefeito da cidade.  “Esperamos poder expor algumas dessas peças por um longo período.  Mas no momento, o que sabemos ao certo é que os habitantes do cidade poderão ver este achado dentro de poucos meses”.

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Fontes:  Terra, La Depeche