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Carlos Oswald (Brasil, 1882-1971)
óleo sobre tela, 56 x 70 cm
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Quirino Campofiorito (Brasil, 1902-1993)
óleo sobre tela colado em eucatex, 25 x 33 cm
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Natureza morta: uvas e peras, 1969
J. U. Campos (Brasil, 1903-1972)
[Jurandir Ubirajara Campos]
óleo sobre eucatex, 70 x 90 cm
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Antônio Henrique Amaral (Brasil, 1935-2015)
óleo sobre tela, 76 x 76 cm
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Mangueira em flor.–
É com muito pesar que vejo uma a uma as grandes mangueiras do meu bairro irem desaparecendo… Onde moro perdemos pelo menos 4 grandes mangueiras com mais de 50 anos cada à custa da valorização dos imóveis no Rio de Janeiro. Por trás do edifício onde moro havia duas casas com duas grandes mangueiras, Elas deveriam ter pelo menos uns 10m de altura. Robustas e saudáveis. Mas às cinco da manhã todos os dias, vinha uma pessoa, moradora da casa e “regava” as mangueiras. Elas definharam e morreram e assim eles puderam receber a permissão de retirá-las do terreno. As duas casas que eram de um único andar ganharam 2 andares cada e foram colocadas à venda pelo preço de um pequeno palácio na Europa. Venderam. Porque o bairro ficou na moda. Perdemos muito sem ela. E os morcegos que antigamente nos deixavam em paz, agora entram nos apartamentos como o meu à procura de comida. Não podemos deixar nenhuma fruta fora da geladeira, que eles invadem, mesmo quando ainda estamos com as luzes de casa acesas.
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A minha rua residencial, de um único quarteirão, tinha, faz uns dez anos, sete grandes mangueiras. Neste mês de agosto, para dar mais espaço à uma escola, foi-se a penúltima. Agora resta uma única mangueira. A que vemos na foto acima nasce ao longo de um pequeno riacho e é provavel que sobreviva, já que está nos fundos dos terrenos da minha rua e dos terrenos do quarteirão seguinte.
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Esta é a foto da mangueira que foi retirada este ano, pela escolinha para crianças de 2 a 6 anos. Tirei esta foto, sem saber de seu destino, talvez umas duas semanas antes da matança. Ela estava em flor, pois afinal as mangueiras aqui no Rio de Janeiro florescem no inverno.
Não sei se é porque sou completamente apaixonada por mangas, principalmente pelas Carlotinhas, que sinto tanta tristeza ao relatar essas perdas. Mas precisamos acordar. Não vai ser retirando nossas árvores que vamos ter qualidade de vida, que já anda tão escassa no Rio de Janeiro.
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Yoshiya Takaoka (Japão, 1909 — Brasil, 1978)
óleo sobre tela colada em madeira, 48 x 60 cm
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Caquis e uvas, s/d
Jean Xanthakos (Brasil, 1936 (?))
óleo sobre madeira
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Ah! Os caquis,
esses tomates inflados.
Os caquis,
esses pneus assanhados,
risonhos, safados,
que nos convidam a morder
sua carne aguada, açucarada.
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Os caquis,
vítimas da nossa voracidade.
Os caquis,
que se abrem à primeira dentada,
docemente, docilmente,
feito fêmea dominada.
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Ah! Os caquis já vão-se embora.
Despeço-me deles agora.
Mas não faz mal,
estou satisfeita,
esperando a próxima colheita.
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Em: Respostas ao criador das frutas, Sônia Carneiro Leão, Recife, Editora da autora: 2010
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Sônia Carneiro Leão nasceu no Rio de Janeiro, mas reside em Recife. Psicanalista, escritora, poetisa, contista e tradutora.
Campo de Batalha 5 , 1973
Antônio Henrique Amaral ( Brasil, 1935-2015)
óleo sobre tela, 182 x 234cm
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Sônia Carneiro Leão
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A fruta mais descarada
da espécie vegetal,
exibicionista, safada,
a mais amada,
preferência nacional.
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Nasce, assim, sem respeito,
em qualquer parte,
de qualquer jeito,
em qualquer quintal
onde houver
um sol tropical.
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Em terras baianas,
pernambucanas,
nossa República das Bananas.
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Verdadeiro tesouro:
banana-prata, banana-ouro.
Chiquita bacana.
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Banana querida,
banana amiga,
da nossa barriga.
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Banana brasileira,
te como toda,
te como inteira.
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Em: Respostas ao criador das frutas, Sônia Carneiro Leão, Recife: 2010.
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Sônia Carneiro Leão nasceu no Rio de Janeiro, mas reside em Recife. Psicanalista, escritora, poetisa, contista e tradutora.