Que lembranças você deixará para os seus sobreviventes?

30 08 2010

Gerânios em potes, ilustração sem nome do autor.

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Recentemente participei de uma reunião de família lembrando a data de aniversário de uma tia que se estivesse viva faria cem anos. Duas gerações se recordaram de momentos em que tia Maria-Emília havia tido um papel importante: por um gesto, uma palavra, uma série de atitudes; por seus quitutes – Quadradinhos Norma, de longe o favorito da família: certamente o meu, além de suas Barquetes de queijo. Depois de algumas semanas desse encontro, nem sei a razão, vim a me lembrar de outra faceta, outro aspecto de sua influência nas minhas memórias, que não cheguei a relatar naquela noite: o seu jardim, mais especificamente seus gerânios.

Essa foi a minha única tia que morava em casa com jardim. Cidadã urbana, crescendo no Rio de Janeiro, num edifício de apartamentos, jardins sempre foram, para mim, entidades de outro mundo, mantidas por jardineiros, mais ou menos capazes, que dobravam como porteiros, ou vice-versa. Sempre gostei de jardins, mas sua manutenção era algo altamente misterioso.

Um dos meus primeiros encontros com os mistérios do jardim de tia Maria-Emília foi quando, aluna da terceira série, tive como dever de casa levar uma plantinha para a sala de aula, colocá-la na janela e cuidar dela. Já tínhamos a essa altura, criado feijão em algodão molhado, e batatas doces em água, cujas folhas caíam felizes de vasos pendurados na parede da escola. Com o novo projeto em mente rumamos, mamãe e eu, à casa de titia. Lá, encantada com as avencas, plantinhas mimosas que cresciam na pedra úmida do morro por trás da casa, recebi das mãos de minha tia meu primeiro projeto de jardinagem. Foram na verdade três avencas levadas para a escola em sucessivos projetos de jardinagem frustrados. Consegui matar a todas três durante o ano letivo. Mamãe já estava sem graça de pedir mudas à minha tia… Paramos o projeto. Papai me arranjou um cacto que não cresceu nem morreu. Simplesmente existiu pelo resto do ano. Achei daí por diante que não tinha muita afinidade com jardins além de apreciar sua sombra, suas flores e seus perfumes. Isso eu sabia fazer!

Das curiosidades marcantes do jardim de titia havia a abundância das flores azuis da Bela-Emília, arbustos que ladeavam a escada de entrada. Até hoje, quando passo pela praça Antero de Quental no Leblon e vejo Belas-Emílias florindo em profusão passa-me pela mente a casa de titia. Havia também uma grande bananeira na frente da casa – só decorativa: um leque gigante de plumagem verde, cujos frutos não eram comestíveis e um cantinho, numa jardineira alta, fazendo divisa com a casa ao lado, onde titia plantava gerânios: coloridas bolotas de flores vermelho alaranjadas. Como eu gostava daquelas flores e de seu perfume!

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Cartão Postal de felicidades, originário da Holanda

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Minha tia Maria-Emília visitou a Europa comigo. Não fisicamente. Mas esteve presente nos meus pensamentos quando passei pelos Alpes austríacos, onde, num início de primavera, muitas jardineiras, penduradas logo abaixo dos peitoris das janelas, apareciam cheias de gerânios. Essas flores arredondadas ajudavam a decorar as casas de madeira do Tirol, feitas já bastante alegres pelas pinturas de guirlandas coloridas em seus exteriores. Nessa mesma viajem, mais tarde, quando atravessei para a Itália, logo apareceu tia Maria-Emília, de novo, apreciando comigo os gerânios que cascateavam pelas paredes de estuque antigo, caindo das sacadas de Veneza.

Quando finalmente tive minha primeira casa com jardim, na época em que morei nos Estados Unidos, resolvi logo, logo, plantar gerânios em vasos de barro colocados em pontos de grande visibilidade na varanda de madeira — um deck – que arrematava os fundos da casa e de onde podíamos inspecionar o quintal. Gostaria naquele momento de ter tido o conselho de tia Maria-Emília. Principalmente depois que descobri ser alérgica ao gerânio. Alérgica ao óleo perfumado de suas folhas aveludadas. Alergia de contato, só. Facilmente resolvido com um par de luvas ou até mesmo, quando o desejo de tocar na maciez de suas folhas arredondadas e crespinhas na borda me tiravam do sério, com uma lavagem das mãos, rápida, com sabonete, imediatamente depois do toque sedutor. Mesmo assim, insisti nesse passatempo. Mas o gerânio não se dá bem durante o inverno americano. Deixado do lado de fora, morre com o frio. Trazido para dentro de casa, tampouco sobrevive, não recebe luz suficiente pelos meses de outono/inverno para permanecer saudável. Não tinha jeito.

Essas lembranças me assaltaram quando decidi, recentemente, no meio de uma noite mal dormida, com algumas horas em claro, na madrugada carioca, colocar alguns gerânios no peitoril da janela de meu quarto. Tenho certeza de que esta decisão me levará a lembrar daqueles ótimos momentos de uma infância feliz e despreocupada, e muitas vezes ainda me lembrarei de minha tia.

Nunca sabemos pelo que seremos lembrados depois de nossa morte. Nem se chegaremos a ser lembrados — bem ou mal —     pelas pessoas que nos conheceram.  Dizem que continuamos vivos enquanto somos lembrados pelos que aqui ainda se encontram. Às vezes achamos que seremos lembrados por alguns ditos, por nossos escritos, mas raramente imaginamos que nossos pequenos projetos sejam causa das recordações que deixamos para trás.  Mas acredito que é o que se faz com paixão, por puro prazer, aquilo que nos imortaliza, nem que seja por uma ou duas mais gerações.

©Ladyce West, Rio de Janeiro: 2010





Dicas para pais ajudarem os filhos na escola

7 07 2009

lendo conto de fadas, elizabeth shippen green

Lendo conto de fadas, cartão postal

Elizabeth Shippen Green (EUA 1871-1954) 

Ilustradora de livros. 

 

 

Veja algumas dicas:

A psicopedagoga Andrea Garcez ensina os pais a ajudar os filhos no dever de casa e estimulá-los a ler.

 – Reserve uma mesa, nunca cama ou sofá, para estudos, com livros, revistas, tesoura, cola e lápis de cor.

– Tempo: para os menores do 1º ano, estabeleça entre 15 e 20 minutos. Do 7º ano em diante: entre 1 e 2 horas.

– Fazer o dever pela criança a torna insegura e faz com que os professores acreditem que o aluno está bem.

– Pais devem acompanhar as tarefas dos filhos, mas cabe à escola ensinar. Professores podem escolher temas atuais, explorar recursos da mídia, da Internet, criar desafios, competições saudáveis e expor os trabalhos.

 

O hábito da leitura é fundamental para o sucesso escolar e profissional. É difícil criá-lo se a família não lê. Os pais ensinam mais através de atos do que de palavras.

PORTAL TERRA





O leitor ávido é um bom aluno

7 07 2009

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Uma pesquisa inédita da Secretaria Municipal de Educação do Rio revela que muitos alunos do Ensino Médio nunca ou raramente têm ajuda para fazer o dever de casa. A tarefa é solitária para 48,3% dos estudantes do 7º ao 9º do Ensino Fundamental. Os jovens do 4º ao 6º ano ganham um pouco mais de atenção: 35,2% têm apoio para cumprir a lição. O levantamento revelou, também, que a leitura por prazer é rara: menos de 10%, nos dois segmentos, buscam livros por iniciativa própria.

O trio de bons alunos Leonardo, Luiz e Ana Paula não sai da biblioteca em Copacabana: o hábito da leitura é fundamental para o sucesso escolar.  A psicopedagoga Andrea Garcez, 33, mestranda em Educação pela PUC-RJ, destaca a importância de acompanhar o dever de casa dos filhos.

Mas as tarefas devem ser realizadas pelo estudante e a ajuda só deve ocorrer quando solicitada. A realização de exercícios em conjunto fortalece o aprendizado e os laços familiares, cria o hábito do estudo e da pesquisa e aproxima os pais dos professores“, afirma.

No projeto Harmonicanto, no Cantagalo, a professora de Música Cássica, Oliveira, ensina canto e instrumentos musicais a 16 crianças e adolescentes da favela. E as auxilia no dever de casa diariamente. “Percebi que, para desenvolverem bem o dom da música, elas precisavam de ajuda nas tarefas escolares. O rendimento delas melhorou muito, tanto nas atividades da ONG, quanto na escola“, assegura.

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Histórias da selva, 1895

James Jebusa Shannon (EUA, 1862-1933)

óleo sobre tela,  87 x 114 cm

The Metropolitan Museum of Art, Nova York

O leitor ávido, é um bom aluno.

Mais de 70% dos alunos só vão às prateleiras quando o professor leva e mais de 10% confessaram nunca terem ido à Sala de Leitura da escola. Os irmãos Leonardo, 11 anos, e Ana Paula Rodrigues Barreto, 10, do 4º e 5º ano da Escola Municipal São Tomaz de Aquino, no Leme, vão diariamente à Biblioteca Popular Municipal Infantil Max Feffer, em Copacabana.

Às vezes troco uma ‘pelada’ por uma hora na biblioteca“, conta Léo. O quarteto de leitores, e também bons alunos, é completado pelos irmãos Luiz Carlos da Silva Marques, 10, e Lucas, 13:  juntos, já leram mais de 30 livros este ano.

Pais devem ler perto dos filhos

A Secretaria Municipal de Educação tem atraído os pais para a tarefa de criar nos filhos o hábito da leitura. “Os pais são orientados sobre a importância da criação do hábito diário de acompanhamento nos exercícios de casa e a verificar se o dever está sendo corrigido pelos mestres. Estamos incentivando parentes a ler perto dos filhos nas horas de lazer“, disse a secretária Cláudia Costin.

A prefeitura incrementará o acervo das Salas de Leitura, presentes em 1.060 das 1.062 escolas municipais. Mestres são instruídos a levar os alunos lá com mais freqüência.

PORTAL TERRA





10 passos para que seus filhos se tornem bons leitores

20 11 2008

sharon-wilson-bermuda-the_reading

A Leitura, s/d

Sharon Wilson (Bermudas)

Pastel a óleo sobre papel

 

 

1          Leia em voz alta com eles.  Explore com eles os livros e outros materiais de leitura – revistas, jornais, folhetos, almanaques, cartazes, placas.

 

 

2       – Ofereça a eles um ambiente favorável à leitura: fazendo atividades com leitura, mesmo com bebês e crianças bem pequenas.

 

 

3       – Converse com seus filhos e escute-os quando falam.  Isso ajuda muito no desenvolvimento da linguagem oral.

 

 

4       – Peça para eles recontarem histórias que você leu em voz alta para eles.   (Isso não é aula!  Cuidado!  Precisa ser descontraído e agradável!)

 

 

5       – Incentive seus filhos a desenhar e fazer de conta que escrevem as histórias que ouviram.  Depois peça a eles que “leiam” as histórias que eles desenharam.

 

 

6       – Dê o exemplo: faça com que eles vejam você lendo e escrevendo.

 

 

7       – Vá à biblioteca mais próxima de sua casa regularmente e leve seus filhos com você.

 

 

8       – Crie uma pequena biblioteca em casa e uma prateleira de livros para sua criança, onde ela se acostume a colocar livros, guardá-los e buscá-los.

 

 

9       – Faça um pouquinho de mistério com os livros ou as histórias a serem contadas, aguce a curiosidade da criança, faça com que ela deseje um certo livro, uma história específica.

 

 

10  – Leve seus filhos sempre que houver Hora do Conto, teatro infantil e atividades similares na comunidade, na escola, no município onde você mora. 

 

 

 

Texto adaptado do Passaporte da Leitura: brincar de ler, do Instituto EcoFuturo, publicado pela Editora Globo:2008