Chuvinha serena e mansa, poema infantil de Gevaldino Ferreira

16 09 2008
Ilustração Mauricio de Sousa

Ilustração Maurício de Sousa

Chuvinha Serena e Mansa 
                                                      
Gevaldino Ferreira

Que boa que és, chuvinha!
Chuvinha serena e mansa
caindo assim levezinha,
reverdecendo a campina,
molhando o pelo do gado
batendo no meu telhado,
trazendo um pouco de frio.
Trazendo sono às crianças
trazendo alegria ao rio.
Chuvinha que foi neblina.,
que depois virou garoa;
chuvinha serena e fina,
chuvinha serena e boa
que veio do céu cantando,
deixando o campo molhado,
germinando as sementeiras,
deixando o mato contente;
molhando a palha nas eiras,
molhando a terra e o arado,   
molhando tudo, molhando,
molhando a alma da gente.

Gevaldino Ferreira (RS 1912)  —

Poeta, carreteiro, tropeiro de gado, jornalista, crítico, técnico rural, fitopatologista, chefe do Laboratório Bromatológico do Rio Grande do Sul Flores da Cunha, diretor do ensino no Senai de Porto Alegre, membro da Academia Sul-rio-grandense de Letras e da Estância da Poesia Crioula.

 

Também usou os seguintes cognomes:  Conde de Ani e Fábio Ferreira Jr.

 

 

Obras:

Cantigas Que Vêm da Terra Poesia 1939  

Caravana Sentimentalista Poesia 1937  

Poemas da Alvorada de Mim Mesmo Poesia 1976  

Seara Alheia Crítica, teoria e história literárias 1971  

Tapera da Saudade Poesia 1940 





A reputação de Machado de Assis floresce após um século.

13 09 2008

 

No jornal The New York Times de ontem (12- 9-2008) o jornalista americano Larry Rother, fartamente conhecido por sua tempestuosa estadia no Brasil, assinou um artigo bastante interessante sobre a comemoração dos 100 anos de morte de Machado de Assis.  Nele  Rother admite que nos últimos tempos   Machado de Assis tem sido considerado, por muitos escritores estrangeiros e críticos literários de valia, como um gênio injustamente relegado à negligência mundial.   

Machado de Assis

Machado de Assis

 

 

Para apoiar sua observação ele lembra que a famosa escritora Susan Sontag já admirava Machado de Assis há muito tempo, chamando-o de “ o melhor escritor que a America latina havia produzido”.  Lembra também que já foram feitas diversas comparações de seu trabalho com aquele de Flaubert, Henry James, Beckett e Kafka e que grandes nomes da literatura contemporânea americana, tais como  John Barth e Donald Barthelme admitiram terem sido influenciados pelos textos machadianos.  

 

O artigo bem mais extenso do que este texto foi escrito para explicar o porquê das comemorações que se iniciam na semana que entra e que tem por objetivo marcar a passagem do centenário de morte do escritor brasileiro.   Durante a semana de segunda à sexta o evento Machado 21: a comemoração de um centenário estará ocupando salas acadêmicas, cinemas e algumas galerias com eventos, discussões, mesas redondas, leituras públicas, projeção de filmes, poemas colocados em música e exposições de artes plásticas inspirados pelos trabalhos do autor de Quincas Borba.

 

É interessante ver o jornalista Larry Rother escrever um artigo que se possa considerar favorável ao Brasil, ainda que haja em sua narrativa, um tom de superioridade, que talvez lhe seja inerente e talvez por isso mesmo quase até desculpável, mas que traz à mente outros escritos do jornalista nem sempre bem recebidos no Brasil.

 

Vale a pena checar.





Mendel, poema para crianças de Jorge Sousa Braga

12 09 2008
Giuseppe Arcimboldo, O Hortelão, 1590

Giuseppe Arcimboldo, O Hortelão, 1590

 

Mendel

 

Jorge Sousa Braga

 

 

Ao contrário dos monges beneditinos,

Que ficaram a meditar nas suas celas,

Ele gostava de meditar entre os pepinos,

Os brócolos, as favas e as berinjelas.

E foi num momento de meditação

Entre ervilhas de casca lisa e rugosa,

Que descobriu por que é que os teus olhos

São castanhos e não azuis ou cor-de-rosa.

 

Jorge Sousa Braga nasceu em 1957, em Vila Verde, Portugal. Médico e poeta. Seus cinco primeiros livros de poesia, publicados nos anos oitenta, encontram-se reunidos no livro O  Poeta Nu (1991).

 

      Outras obras:

      Fogo sobre Fogo (1998)

      Herbário (1999)

      A Ferida Aberta (2001)

 

Do livro: Herbário, Lisboa, Assírio & Alvim, 1999      

    

 

 

 

Nota da Peregrina:

 

Mendel: 

Gregor Mendel (1822-1884) é chamado, com mérito, o pai da genética. Realizou trabalhos com ervilha (Pisum sativum 2x=14 ) no mosteiro de Brunn, na Áustria.

Arcimboldo:

Giuseppe Arcimboldo (15271593) foi um pintor italiano.





A onça e o macaco, poema infantil de Maria Lúcia Godoy

11 09 2008

A ONÇA E O MACACO

 

 

Maria Lúcia Godoy

 

 

Lá vem a onça pintada!

fico toda arrepiada,

mas vendo a sua beleza

fico a olhá-la encantada,

bem a distância, é claro,

que não sou boba nem nada.

 

Concordo que seja linda

mas tem a garra afiada.

Seu olhar verde, rasgado,

seu andar macio e ágil.

É uma onça menina,

brincando aprende a caçar.

 

Ora, a onça vem com fome.

Há muitos dias não come,

pois a caça está bem rara,

e ela só vê a cara

de um macaquinho engraçado.

 

Entre as folhas se disfarça.

Ligeira prepara o bote:

como uma flecha dispara

sobre o animal assustado.

O macaco dá um pulo,

foge para um galho alto

onde a onça não alcança.

 

De longe ele faz caretas

meu Deus, mas que aflição!

Acalmei meu coração,

disse adeus ao macaco e à onça

   desliguei a televisão.

 

 

Do livro:  O boto cor-de-rosa, Maria Lúcia Godoy, Rio de Janeiro, Editora Lê: 1987





A Pátria. Não há 7 de setembro, sem este poema!

7 09 2008

Bandeira do Brasil, criação fotográfica de Culiculicz.

Retirado de:

http://flickr.com/photos/62759970@N00/167812480/

 

 

A PÁTRIA

Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!

Criança! não verás nenhum país como este!

Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!

A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,

É um seio de mãe a transbordar carinhos.

Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,

Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!

Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!

Vê que grande extensão de matas, onde impera

Fecunda e luminosa, a eterna primavera!

Boa terra! jamais negou a quem trabalha

O pão que mata a fome, o teto que agasalha…

Quem com seu suor a fecunda e umedece,

Vê pago o sue esforço, e é feliz, e enriquece!

Criança! não verás país nenhum como este:

Imita na grandeza a terra em que nasceste!

Olavo Bilac

Do livro:  Poesias Infantis, Olavo Bilac, Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves: 1949, 17a edição.

 

 





Canto Nativo, de Jaime d’ Altavila, poesia para a 3a série, na semana da pátria.

6 09 2008

 

Paisagem, por Aldemir Martins (-2006), AST.

Paisagem, por Aldemir Martins (CE 1922- SP 2006), AST.

 

CANTO NATIVO

 

Jaime d’ Altavila

 

 

Quando eu morrer,

você rasgue um pedaço deste céu

            E faça dele a minha mortalha.

Quando eu morrer,

            você cave um torrão de terra virgem

            E faça dele o meu travesseiro.

Quando eu morrer,

            você arranque o Cruzeiro do Sul

            E faça das estrelas meus círios.

 

……………………………………………………………………..

 

Quando eu morrer,

            você  corte um ramo de pitangueiras

            E cruze, sobre ele, as minhas mãos.

Quando eu morrer,

            você plante sobre a minha sepultura

            uma palmeira de ouricuri.

………………………………………………………………………

 

Quando eu morrer,

            você diga aos que perguntarem por mim

            Que eu morri como nasci:

                        Brasileiro,

                        Brasileiro,

                        Brasileiro.

 

Jaime d’Altavila,  pseudônimo de Anfilófio Melo (AL 1895-1970), formado em Direito,  novelista, cronista, poeta, ensaísta, historiador.  Fundador da Academia Alagoana de Letras.

 

Obras:

 

A Terra Será de Todos  1983  

Canto Nativo  1949  

Estudos de literatura brasileira  1937  

Gênese da literatura alagoana  1922  

Lógica de um Burro  1924  

Luango  1945  

Mil e Duas Noites  1931  

O Tesouro Holandês de Porto Calvo  1961  

Poesias de J. A.  1995

Encontrado em: Vamos Estudar?  Theobaldo Miranda Santos, 3a série primária, Rio de Janeiro, Agir: 1961.





MINHA TERRA, poesia para 3a série, Semana da Pátria

5 09 2008

 

Índio brasileiro.

Índio brasileiro.

 

MINHA TERRA

 

 

D. Aquino Correia

 

 

Minha terra é Pindorama

de palmares sempre em flor:

quem os viu e não os ama,

não tem alma nem amor.

 

Santa Cruz é minha terra,

terra santa cá do sul:

seu pendão a cruz encerra,

tem a cruz no céu azul.

 

Deus num último batismo

meu país Brasil chamou;

se me abrasa o patriotismo,

brasileiro então eu sou.

 

Eis os nomes que assinalam

minha terra sempre em flor:

são três nomes que me falam

de beleza, fé e amor.

 

Pindorama!  és meu encanto!

Santa Cruz!  és minha fé!

O’ Brasil!  Eu te amo tanto,

que por ti morrera até.

 

 

VOCABULÁRIO:

 

Pindorama – terra das palmeiras, nome dado ao Brasil pelos índios.

 

♦♦♦♦♦♦

 

 

D. Francisco Aquino Correia ( Cuiabá, MT 1885 – São Paulo – 1956)  arcebispo de Cuiabá.

 

 

Do livro:

 

Vamos estudar?: 3a série primária, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro,  Agir: 1961. 12a edição. [Edição especial para os Estados de Goiás e Mato Grosso].

 

 





Romance Dos Dois Pedros, poema de Murillo Araújo para a Semana da Pátria

5 09 2008

D. Pedro I, o Defensor Perpétuo do Brasil, 1830, por Simplicio Rodrigues de Sá, Museu Imperial de Petrópolis

D. Pedro I, o Defensor Perpétuo do Brasil, 1830, por Simplício Rodrigues de Sá, Museu Imperial de Petrópolis

 

ROMANCE DOS DOIS PEDROS

 

Murillo Araújo

 

 

 

Dois Pedros singulares

teve a Pátria na sua construção.

Dois Pedros – duas pedras angulares

serviram de pilares

à Nação.

 

 

Intensamente

dois príncipes de sangue

amaram nossa Pátria adolescente.

 

 

Um deles – oh o rei moço e enamorado! –

um deles no delírio arrebatado

de uma paixão primeira!

O segundo – nesse êxtase sagrado

que  costuma durar a vida inteira.

 

 

E um com brilho da espada, outro com a pena

— ah! cada qual honrou

a terra linda, esplêndida e morena

que desposou.

 

 

Um Pedro, desafiando a força e a guerra

quis ser o seu Perpétuo Defensor.

Outro Pedro votou à nossa terra

um mundo de solícito fervor.

 

 

Pedro I lhe alcançou, lutando,

a túnica marcial da liberdade.

E a Nação, mal desperta, lhe sorriu.

 

Pedro II

deu-lhe um manto de glória venerando –

a nobre integridade

que, ante os olhos do mundo,

a revestiu.

 

 

Um foi, nas armas, bravo e extraordinário;

outro foi magnânimo e foi justo.

 

 

Um foi dominador e temerário;

outro foi sábio, generoso, augusto.

 

 

E de tal sorte.

amando a terra moça e bela,

um viveu prestes a morrer por ela,

outro – viveu por ela até a morte.

 

 

Encontrado em:

 

O candelabro eterno: aos moços – este álbum dos avós que criaram o Brasil, publicado pela primeira vez em 1955, parte da  Poemas Completos de Murillo Araújo, 3 volumes, Rio de Janeiro, Irmãos Pongetti:1960

 

 

D. Pedro II, o Magnânimo, 1864, por Vitor Meireles (Brasil, 1832-1903), OST, Museu de Arte de São Paulo

D. Pedro II, o Magnânimo, 1864, por Vítor Meireles (Brasil, 1832-1903), OST, Museu de Arte de São Paulo





DIA DE FESTA… Mais um poema de Murillo Araújo na semana da pátria

4 09 2008
Dragões da Independência, Foto de Cláudio Reis

Dragões da Independência, Foto de Cláudio Reis

 

DIA DE FESTA…

 

Murillo Araújo

 

Olho o céu mais contente.

 

 

Por que tantas bandeiras

batem alegremente,

como grandes pavões, as asas verde e ouro,

inquietas e ligeiras?

 

 

Por que passam soldados

e nas armas têm flores?

 

Por que estrondam dobrados

com clarins e tambores?

 

 

 

Por que todos na escola, reunidos, cantamos,

todos nós, mais de mil?!

 

 

 

É o Brasil que faz anos…

 

 

É o Brasil que faz anos:

Viva o Brasil!

 

 

 

Murillo Araújo – (MG 1894 – RJ 1980) jornalista, formado em direito.  Poeta.

 

Retirado de: A Estrela Azul: poemas para crianças, 1940 em Poemas Completos de Murillo Araújo

 





Murillo Araújo: Dois Tesouros na Pátria — para a semana da pátria

3 09 2008

 

A Pátria, 1905, Pedro Bruno, (RJ  1888-1949), óleo sobre tela, Museu Histórico do Rio de Janeiro.

A Pátria, 1905, Pedro Bruno, (RJ 1888-1949), óleo sobre tela, Museu Histórico do Rio de Janeiro.

 

DOIS TESOUROS NA PÁTRIA

 

 

Murillo Araújo

 

 

 

O mestre disse: “Adora a tua terra!

É um prodígio glorioso e sem segundo.

 

Quanto ouro verde em cada verde serra,

quanto ouro de astros neste céu profundo

entre montanhas grandes como o mundo!

 

Adora nossa pátria e nossa história.

Pensa nos que iam à chuvarada e aos sóis

lutar, morrer com a glória da vitória…

e adora nossa pátria em seus heróis!”

 

Mas – terra de meu sonho e meus desejos –

eu te amo mais – oh meu país, perdoa –

porque, em ti, minha mãe me enche de beijos

e em ti meu  pai me abraça e me abençoa!

 

E eles são meus heróis de auréola de ouro,

a cuja luz o coração inundo;

e eles são para mim maior tesouro

do que as montanhas grandes como o mundo…

 

 

 

Murillo Araújo – (MG 1894 – RJ 1980) jornalista, formado em direito.  Poeta.

 

Retirado de: A Estrela Azul: poemas para crianças, 1940 em Poemas Completos de Murillo Araújo [ 3 volumes], Rio de Janeiro, 1960, Irmãos Pongetti.