Noite, ilustração de Yan Nascimbene.
Mário Quintana
Os padeiros da lua
Derrubam farinha
Na noite retinta.
Quem ganha? É o chão
Que se pinta e repinta
De giz e carvão.
Rendilha de aranha
Na face encantada,
Moedinha de prata
Escondida na mão,
Minh’alma menina
Fugiu para a mata.
Meu coração
bate sozinho
no velho moinho
da solidão.
Até eu me fujo…
Eu sou o corujo,
Olhar enorme
Que nunca dorme.
Nana, nana
Nina, nina,
Alma menina…
E sonha comigo
Como eu era dantes!
Os padeiros da lua
Derrubam farinha…
O chão se repinta
De giz e carvão…
Sonha, Menina,
Na mata assombrada
Enquanto o moinho
Vai rangendo em vão.
Em: Apontamentos de história sobrenatural, Mário Quintana, Rio de Janeiro, Objetiva:2012
Edward Lamson Henry (EUA, 1841-1913)
óleo sobre tela, 12 x 17 cm
Galeria de Arte da Universidade de Yale
Bolinha e os meninos vão pescar.
Bem cedinho, o pescador,
No rio, foi apanhar
Esse peixe apetitoso
Que eu vou comer no jantar.
Em: 1001 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1965
Os dois Ursos haviam se convertido na atração máxima do grande baile de Carnaval do Teatro Municipal.
Um deles, entre risos dos foliões, acabara, havia pouco, com todas as frutas que ornamentavam as mesas, devorara um enorme peixe e a mais volumosa bandeja de salada russa. Nem por isso parecia saciado, pois se atirara à geleia e ao creme com a volúpia de um menino. Bebeu dúzias e dúzias de cervejas geladinhas; comeu dezenas de camarões recheados, coxinhas de galinha, ovos, uma quantidade assombrosa de comida e doces sem conta.
Perto da meia-noite, os alto-falantes convocaram os foliões para o famoso desfile do Concurso de Fantasias.
Todos aplaudiram:
— Os Ursos! Os Ursos!
O primeiro deles levantou-se e apontou a passarela:
— Vamos, seremos os Reis do Baile.
— Eu não, resmungou o outro.
— Não vai participar do desfile?
— Não.
— Sem você … que será de mim?
E numa confissão melancólica:
— Um casal de Ursos não é a mesma coisa que um Urso solitário. Perderei o prêmio.
— Não vou, nem devo ir… já é muito tarde.
— Mas a festa mal começou!
— Por isso mesmo, não quero estragar a alegria de ninguém. À meia noite, todos terão de arrancar as máscaras.
— E que tem isso?
— Acontece que eu não uso máscara. Eu sou um Urso mesmo.
***
Em:Contos dos caminhos, Wilson W. Rodrigues, Torre Editora, Estado da Guanabara, s/d, pp: 31-34
Insetos se reúnem, ilustração de Hazel Frazee, para a capa da Revista Child’s Life, março de 1927.
Henriqueta Lisboa
Vamos todos cirandar
ciranda de mariposas.
Mariposas na vidraça
são jóias, são brincos de ouro.
Ai! poeira de ouro translúcida
bailando em torno da lâmpada.
Ai! fulgurantes espelhos
refletindo asas que dançam.
Estrelas são mariposas
(faz tanto frio na rua!)
batem asas de esperança
contra as vidraças da lua.
Rua de Patópolis, ilustração Walt Disney.
Quem atravessa a rua,
Lendo revista ou jornal,
Quando não encontra a morte,
Vai parar no hospital.
Em: 1001 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1965
Caravelas portuguesas ao mar, ilustração sem designação de autoria.A esquadra que descobriu
A nossa Terra Natal
Partiu do Porto do Tejo,
Comandada por Cabral
Em: 1001 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1965
Fazenda com figuras e animais, c. 1952
Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885-1962)
óleo sobre tela, 39 x 47 cm
Olegário Mariano
É dolorosa a angélica atitude
Dos grandes bois lentos a trabalhar…
Sinto neles a força da saúde
A glória de viver para ajudar.
Da sua laboriosa juventude
Nada têm, pobres diabos a esperar…
Quem sabe? A vida pode ser que mude…
E eles se põem a olhar o campo, a olhar…
Tempo de safra. Brilham canaviais…
Gemem os carros e o rumor se irmana
À alma dos bois que geme muito mais.
Pacientemente seguem, dois a dois…
Há uma filosofia muito humana
No mugido e no olhar, tristes, dos bois…
Em: Toda uma vida de poesia: poesias completas (1911-1955) , Olegário Mariano, Rio de Janeiro, Editora José Olympio: 1957, 1º volume (1911-1931), p. 93
Etelredo II, o Despreparado, c. 1220
(Reinado: c. 968-1016)
Iluminura no manuscrito:
Crônicas de Abindon, MS Cott. Claude B.VI folio 87, verso, The British Library
Um caçador de tesouros amador descobriu um grande tesouro de moedas anglo-saxãs, durante um evento anual de fim de ano. Esse evento era exclusivo para os membros de um clube de caçadores de tesouros amador. Em um local com raízes históricas na Idade Média, foi encontrado um dos maiores tesouros da Grã-Bretanha. Seu valor se aproxima a 1 milhão de libras. Acompanhado por seu filho e um amigo, Paul Coleman, tomou parte na escavação de um terreno em Lenborough, Buckinghamshire, pouco antes do Natal.
Não pensaram em encontrar uma coleção intocada de mais de 5.000 moedas de prata feitas nos reinados de Etelredo, o Despreparado (978-1016) e Canuto II (1016-1035). É possível que essa descoberta esteja ligada a uma “casa da moeda” estabelecida por Ethelred em Buckingham. Este local de cunhagem de moedas permaneceu ativo durante o tempo do rei Canuto II.
Ao todos foram 5.251 moedas encontradas de uma só vez, guardadas em um recipiente forrado por chumbo e enterrado a 60 cm do chão. O evento e a escavação foram acompanhados por um arqueólogo para garantir que o processo de escavação fosse correto. Apenas algumas dessas moedas foram limpas, mas todas provaram estar em excelente condição. Essa coleção remonta a um período extraordinário da história, durante o qual os vikings assumiram o controle da Inglaterra.
Há moedas do reinado de Etelredo II, o Despreparado, que se tornou rei da Inglaterra aos sete anos, depois que seu meio-irmão Edward II foi assassinado em 978. Há também moedas do rei Canuto II, o Grande, rei da Dinamarca, Noruega, Escócia e Inglaterra que reinou de 1018 a 1035.
As moedas descobertas nesta semana, são de um momento pioneiro na produção de moedas cunhadas em prata sólida, em massa. A prata havia substituído o ouro romano que por seu turno havia substituído o cobre Anglo Saxão no século VIII.
Quando Etelredo II assumiu o trono, havia mais de 70 “casas da moeda” na Inglaterra, em diversos locais como Londres, Winchester, Lincoln, e York. As moedas de um centavo foram as primeiras a ter a efígie desses primeiros monarcas, pioneiros em seu tempo. Trabalhadores reais especializados podiam carimbar mais de 2.000 moedas em branco por dia.
À medida a tecnologia foi se desenvolvendo as moedas se tornaram mais uniformes e muitas das tradições que existem até hoje foram estabelecidas nessa época, como a posição da cabeça de um monarca.
Espera-se agora a compra das moedas por algum museu inglês, provavelmente da região. O resultado da venda será dividido entre o escavador e o dono do terreno onde foi encontrado como regem as leis locais.