Paleontologia:descobertas as mais antigas pegadas de animal de 4 patas

8 01 2010
Foto: BBC

A prova mais antiga de um animal de quatro patas caminhando no solo foi descoberta na Polônia. Rochas de uma mina desativada nas montanhas da Santa Cruz, na Polônia, trazem “pegadas” de uma criatura desconhecida que viveu há 397 milhões de anos.   Diversos “caminhos” foram identificados nas Minas Zachelmie. Eles representam o movimento de diversos animais quando se movimentavam pela região que nessa época era um lamaçal tropical de ribeirinho, no Periodo Devoniano  da Terra.  

 

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O artigo com a descoberta é o destaque de capa da revista científica Nature. Segundo os cientistas, é possível inclusive perceber os “dedos” do animal. A equipe de cientistas afirma que com a descoberta é um indício de que os primeiros vertebrados terrestres podem ter aparecido milhões de anos antes do que se acreditava.

Este lugar revelou o que eu considero alguns dos fósseis mais incríveis que já achei na minha carreira como paleontólogo“, disse Per Ahlberg, da Universidade de Uppsala, na Suécia, que trabalhou na pesquisa. “As pegadas nos dão o registro mais antigo de como nossos ancestrais distantes saíram da água, se moveram pelo solo e deram seus primeiros passos.” 

Foto: BBC

Os animais eram provavelmente semelhantes a crocodilos e teriam tido um estilo de vida semelhante aos dos anfíbios (que só vieram a surgir milhões de anos depois).  O tamanho das pegadas indica que eles teriam mais de dois metros de tamanho. A equipe de cientistas da Polônia e da Suécia criou uma imagem hipotética do animal a partir da pegada.  Os pesquisadores reconstruíram pelos desenhos das pegadas como essas criaturas moviam suas “ancas”,  “cotovelos” e “joelhos”.

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Antes da descoberta na Polônia, o fóssil mais antigo com características semelhantes era de 375 milhões de anos atrás.   A teoria é que as primeiras criaturas na terra vieram dos peixes que tinham guelras em lóbulos.  A hora exata que dessa transição tem sido uma um dos campos mais ativos de pesquisa na área, nos últimos anos.  Paleontologistas acreditam que esta transição foi rápida, mas em etapas.  Talvez o mais conhecido fossil desta passage seja o organismo conhecido como Tikaalik roseae, um animal com características intermediárias entre peixe e quadrúpedes. 

Reconstrução período devoniano.  UERJ.

 

Fontes para o artigo:

Parte da tradução: Terra

Outra fonte: BBC





Filhotes fofos: bebê leopardo e sua mamãe

8 01 2010

 

Aqui está Tumai.  Ela é uma mamãe leopardo muito orgulhose de sua prole que está com 10 semanas.  Foram  4 filhotes: dois meninos e duas meninas!  Tumai mora no  Zoológico de Washington DC, nos Estados Unidos.





E você? O que sabe sobre o “erro de Aristóteles”?

7 01 2010
Ilustração, Walt Disney.  Pato Donald estuda matemática.

Há mais de 2.300 anos, Aristóteles errou.  Agora, no ano passado, um turbilhão de atividades acadêmicas está de repente se aproximando de uma resposta para um problema similar à pergunta de quantas pessoas cabem em um fusca da Volkswagen ou em uma cabine telefônica.  Com a diferença de que, nesse caso, os matemáticos não têm pensado no agrupamento de pessoas, mas de sólidos geométricos conhecidos como tetraedros.

É extraordinária a quantidade de artigos escritos sobre isso no ano passado“, disse Henry Cohn, matemático da Microsoft Research New England. O tetraedro é um objeto simples de quatro lados, cada um, um triângulo. Para o problema do agrupamento, pesquisadores estão observando os chamados tetraedros regulares, cujos lados são idênticos a um triângulo equilátero. Jogadores de Dungeons & Dragons reconhecem esse formato triangular de pirâmide em um dado usado no jogo.

Aristóteles equivocadamente acreditava que tetraedros regulares idênticos agrupados perfeitamente, como cubos idênticos, não deixavam espaços entre eles, preenchendo 100% do espaço disponível. Mas não é o que acontece, e 1,8 mil anos se passaram para que alguém apontasse que ele estava errado. Mesmo depois disso, o agrupamento de tetraedros atraiu pouco interesse. Mais séculos se passaram.

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Aristóteles equivocadamente acreditava que tetraedros regulares idênticos agrupados perfeitamente, como cubos idênticos, não deixavam espaços entre eles, preenchendo 100% do espaço disponível.

Um enigma similar sobre qual a melhor forma de agrupar esferas idênticas possui uma história mais célebre.   Aqui, a resposta era óbvia.  Elas devem ser empilhadas como laranjas no supermercado (com uma densidade de agrupamento de 74%), e foi isso que Johannes Kepler conjecturou em 1611.   Mas provar o óbvio levou quase quatro séculos, até Thomas C. Hales, um matemático da Universidade de Pittsburgh, conseguir esse feito em 1998 com a ajuda de um computador.

Com os tetraedros, o melhor arranjo de agrupamento não é óbvio, e depois de ter sido constatado que os tetraedros não se agrupavam perfeitamente, ficou a impressão de que eles não se agrupavam bem de maneira alguma. Em 2006, dois pesquisadores da Universidade de Princeton, Salvatore Torquato, um químico, e John H. Conway, um matemático, relataram que a melhor forma de agrupamento encontrada por eles preenchia menos de 72% do espaço – um agrupamento mais espaçado do que o das esferas.

Isso contestava a conjectura matemática de que, entre os chamados objetos convexos (sem cavidades, buracos ou orifícios), as esferas teriam o agrupamento ideal mais espaçado.

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Aristóteles contemplando o busto de Homero, 1653

Rembrandt van Rijn (Holanda, 1606-1669)

Óleo sobre tela,  143,5 x 136,5 cm

The Metropolitan Museum of Art, NY

O artigo de Princeton levou Paul M. Chaikin, professor de física da Universidade de Nova York, a comprar centenas de dados tetraedros e pedir a um aluno do ensino médio que enchesse aquários de peixes e outros recipientes com eles. “Imediatamente, percebemos que conseguíamos um agrupamento maior do que 72%“, disse Chaikin, que havia trabalhado anteriormente com Torquato no agrupamento de esferas achatadas, ou elipsóides. (Descobriu-se que as esferas achatadas têm um agrupamento mais denso do que as esferas regulares.)

O artigo de Princeton também levou Jeffrey C. Lagarias, professor de matemática da Universidade de Michigan, a pedir que Elizabeth Chen, uma de suas alunas de mestrado, estudasse o agrupamento de tetraedros. Chen se recorda do que Lagarias lhe disse: “Você precisa superá-los. Se você superá-los, será muito bom para você.

Chen examinou centenas de arranjos ao longo das semanas subsequentes, e, ela disse, “vários deles se destacaram pela alta densidade.” Seu melhor arranjo facilmente superou o de Conway e Torquato, com uma densidade de agrupamento de quase 78%, superior ao das esferas.

Na verdade, nem meu orientador acreditou em mim”, Chen se lembra. Depois de produzir modelos físicos dos tetraedros e demonstrar os padrões de agrupamento, ela convenceu Lagarias de que seus agrupamentos eram tão densos quanto ela havia afirmado e finalmente publicou sua descoberta há um ano.

Enquanto isso, Sharon C. Glotzer, professora de engenharia química, também da Universidade de Michigan, estava interessada em descobrir se os tetraedros podiam se agrupar como cristais líquidos. “Nos envolvemos nisso porque estávamos tentando desenvolver novos materiais com propriedades ópticas interessantes para a Força Aérea“, ela disse.

Glotzer e seus colegas criaram um programa de computador que simulava o agrupamento dos tetraedros e seu arranjo sob compressão. Em vez de cristais líquidos, eles descobriram estruturas complexas de quasicristais, com padrões quase, mas não exatamente, repetidos. “Essa foi a coisa mais surpreendente e maluca“, Glotzer disse.

Examinando os quasicristais, eles conseguiram encontrar uma estrutura periódica que representou outro salto na densidade de agrupamento: superior a 85%. No mês passado, quando essa descoberta ficou pronta para publicação na revista Nature, um grupo da Universidade Cornell, usando um método de pesquisa diferente, encontrou outro agrupamento com densidade similar.

Mas enquanto a estrutura de Glotzer era surpreendentemente complexa “um padrão de repetição formado por 82 tetraedros “, o cristal da Cornell era surpreendentemente simples, com apenas quatro elementos. Também é surpreendente para os pesquisadores o fato dos tetraedros nas simulações de Glotzer tenderem a estruturas complexas de quasicristais quando o melhor agrupamento é na verdade uma estrutura muito mais simples.

Isso faz parte da surpresa em relação a isso“, disse Cohn, da Microsoft Research. “Cada um desses agrupamentos parece muito diferente.” Alguns dias antes do Natal, Torquato e Yang Jiao, aluno de mestrado, relataram que haviam ajustado a estrutura da Cornell, aumentando ligeiramente a densidade de agrupamento para 85,55%.

Ficaria chocado se esse agrupamento atual fosse o mais denso“, Torquato disse em entrevista na semana passada. “Ele é apenas o mais denso por enquanto.”

Torquato não precisa ficar chocado. Na segunda-feira, Chen, aluna de mestrado da Universidade de Michigan, divulgou um novo avanço, que descreve uma família de agrupamentos que incluem as últimas estruturas de Cornell e Princeton. Mas ele também inclui um melhor agrupamento. O cálculo foi verificado por simulações do grupo de Glotzer. O novo recorde mundial de densidade de agrupamento de tetraedros: 85,63%.

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Tradução: Amy Traduções

Artigo original no The New York Times.  Em português:  Terra





Arte e medicina, vira e volta elas se encontram!

6 01 2010

 

IIlustração,  Walt Disney.  Pateta vai à galeria de arte.

Desde os meus primeiros anos de estudo em história da arte, que sei que de vez em quando um eventual médico resolve explicar o que está representado nas telas por doenças ou problemas de saúde dos pintores.  Eu me lembro de um famoso médico dizendo que os impressionistas continuaram um estilo que só poderia ter sido iniciado por alguém que precisasse  de óculos, porque só olhos  míopes viam, assim,  tudo um pouco embaçado;  lembro-me de um outro querendo explicar as imagens alongadas de El Greco como demonstração de que o pintor sofria de astigmatismo.    Mas há muito tempo que não vejo o contrário, um médico que preconiza as doenças sofridas pelos modelos de algumas pinturas famosas.  E é exatamente isso que o Dr. Tito Franco [que ironia, uma combinação de dois dos maiores ditadores do século XX!], um médico italiano, resolveu fazer, de acordo com a notícia da agência EFE,  que copio e colo aqui, a seguir.  Estas descobertas não me convencem,  jogo-as para escanteio, como uma curiosidade, mas acredito que haja muita gente interessada no assunto.  Aqui está:

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 Médico detecta doenças em retratados em obras de arte

 

Um médico italiano diz ter descoberto sinais de diferentes doenças nos personagens retratados em famosas obras de arte como a “Mona Lisa“, de Leonardo da Vinci, ou “As Meninas“, de Velázquez.   Em declarações ao jornal britânico The Times, Tito Franco, professor de Anatomia Patológica da Universidade de Palermo, disse que esses sinais de doença vão desde más-formações ósseas até cálculos renais.    “Olho a arte com um olhar diferente do de um especialista em arte, como um matemático escuta a música de modo diferente de um crítico musical”, explica Franco, que analisou uma centena de obras, desde esculturas egípcias a produções contemporâneas.

Mona Lisa ou A Gioconda,  1503-1506

Leonardo da Vinci (1452-1519)

óleo sobre madeira  77 x 53 cm

Museu do Louvre, Paris.

 

A “Mona Lisa“, de Leonardo da Vinci, apresenta em torno de seu olho esquerdo, segundo Franco, sintomas de xantelasma, um conjunto de pequenos tumores benignos ou depósito de gordura situados ao redor das pálpebras e que podem indicar níveis elevados de colesterol.  Nas mãos da Gioconda parece haver, acrescenta o médico, lipomas subcutâneos, ou seja, tumores benignos compostos por tecido adiposo.

 As meninas, ou A Família de Filipe IV,  1656

Diego Velazquez ( 1599-1657)

óleo sobre tela,  318 cm x 276cm

Museu do Prado, Madri

Em “As Meninas“, Franco diz ter descoberto que o personagem principal, a infanta Margarita, parece vítima da chamada síndrome de Albright, doença genética que “inclui puberdade precoce, baixa estatura, doenças ósseas e problemas hormonais“.

 

Escola de Atenas, 1511

Rafael Sanzio ( 1483-1520)

Pintura mural, afresco,  500 x 700 cm

Palácio Apostólico,  Vaticano

Em “A Escola de Atenas“, de Rafael, há uma pessoa identificada como o filósofo Heráclito sentada em escadas com os joelhos muito inchados, o que, segundo Franco, “claramente é consequência de um excesso de ácido úrico típico de quem sofre com cálculos renais.

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Madona do Parto, 1467

Piero della Francesca, ( 1416-1492)

Afresco,  206 x 203 cm

Igreja de Santa Maria a Nomentana, Monterchi

 

E a famosa Madonna do Parto, de Piero della Francesca, mostra sintomas de bócio, inchaço da glândula tireóide “típico de pessoas que bebiam água de poço” durante a Idade Média e que sofriam carência de iodo, diz Franco.

É pode ser…

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 NOTA DA PEREGRINA:  Na figura de Heráclito, mencionada acima, no afresco de Rafael, A Escola de Atenas, é de conhecimento comum, que a cabeça é feita pelo retrato (rosto) de Michelangelo. 

 

Fonte: Terra





Olha para o céu, Frederico! de José Cândido de Carvalho

5 01 2010

Engenho de dentro, s.d.

Bustamante Sá (Brasil, 1907-1988)

óleo sobre tela, 60 x 73 cm

Coleção particular

Comecei o ano de 2010 com a leitura de um clássico brasileiro, um livro cujo título virou quase que um jargão, com muitas pessoas o repetindo, já sem saberem referência exata.  Uma pequena busca no Google mostra esta frase sendo usada para os mais diversos fins.  Sinal do seu grande sucesso.  Olha para céu, Frederico! foi o meu segundo José Cândido de Carvalho.  Conhecido de todos que freqüentaram escolas brasileiras pelo romance O Coronel e o Lobisomen, José Candido de Carvalho acabou tendo o resto de sua obra injustamente relegada a um outro patamar.   Então hoje, começo a colocar em dia a dívida que tenho comigo mesma de conhecer melhor o trabalho deste autor fluminense.

 

A característica mais marcante deste romance, além do retrato dos negócios e da decadência moral das famílias usineiras de açúcar da região de Campos dos Goytacazes,  é, sem dúvida, um delicioso senso de humor que  seduz e capacita o escritor a falar de assuntos sérios sem que venha a melindrar os orgulhos de famílias locais ou as politicagens bastante conhecidas dos anos 30 na região retratada.   Além deste senso de humor, há no romance inteiro, as mais saborosas expressões, figuras de linguagem, que me fizeram parar a leitura e anotá-las, não só porque me pareceram novas, mas também porque me fizeram recordar de umas outras tantas maneiras de falar de pessoas que conheci na minha infância, quando a influência e a homogeneização da cultura através dos meios de comunicação nacionais não era ainda tão extensa.  Aqui estão algumas dessas delícias:

Quem visse Frederico assim de fala mole, com miséria nas conversas, era capaz de acreditar num São Martinho encalhado, de rodas mortas, com ninho de rato nas fornalhas.  Conheci e vi morrer meu tio com esses lamentos que só acabaram quando sua boca se fechou vazia de palavras”.

Era alto como vela de promessa”.

Tanta gentileza acabou por trazer Dona Lúcia para a cama de Frederico.  Os parentes é que não viam nada.  Só olhavam a velhice de meu tio, a plantação que podia nascer em sua testa”. … “Agora, com um simples negócio de altar, os mourões do São Martinho ficavam sendo as pitangueiras da praia”.

O raposão do meu tio não mostrava as unhas.  Na varanda, de tarde, esparramado na cadeira de preguiça, lia os jornais.  Vinha gente tirar prosa com ele.  Conversinhas de calor, da miséria de fim de vida que andava solta pelo mundo”.

Os barões, dependurados em pregos de parede, por trás das barbas , espiavam meus desmandos”.

José Cândido de Carvalho

Eduardo, nosso narrador, um menino órfão, vai morar com o tio Frederico e nunca chega a entender o velho.  Não percebe como o tio era uma raposa velha, sempre comendo  beiradas, parecendo um cordeirinho, mas que na  hora H, dava o bote certeiro arrancando tudo do vizinho, do parente mais próximo, de quem fosse mais fraco,  mesmo sem o saber.  Frederico era um estrategista, com homem com olho grande, matreiro, conhecedor das fraquezas humanas. 

Tendo passado os primeiros anos de sua vida na família de outro tio, Eduardo, chega à casa de Frederico cheio de orgulho por seus antepassados, nobreza brasileira, dona de terras e de gente.  Depois de quase quinze anos no engenho São Martinho, com Frederico, ele recebe uma vistosa herança quando o tio morre.  Mas Eduardo mostra que todo o tempo passado nessa usina de açúcar, pouco o atingiu.  Só mesmo o aprendizado de sem-vergonhice vingou.  No mais, ele que parece aberto à modernidade, às máquinas para melhor aproveitamento da cana de açúcar, mas logo, logo, mostra que em seu íntimo ainda vive de um esplendor imaginado da época de seus antepassados e espalha arrogância e desprezo pelos outros.

E assim vai o romance, com a prosa descontraída das conversas de varanda, com ritmo próprio que acompanha um enrolar de cigarro de palha, ou se cala para ouvir os primeiros grilos de um início de noite.  Mas, por trás desta ingenuidade quase caipira, há uma forte crítica à sociedade dos usineiros, dos donos das terras, dos decadentes baronatos, gente com mentalidade de estupradores da terra, piratas permissionários pela monarquia, que pouco construíram além de famílias ilegítimas, de uma prole gerada com ex-escravas ou mulheres sem condições financeiras.  Este grupo de irresponsáveis, mal letrados, preferiu continuar com a exploração nos moldes escravagistas, em que todos de quem dependia cresciam abandonados, sem recursos financeiros ou intelectuais, fadados a perpetuar a pobreza no campo por gerações e gerações futuras.

Olha para o céu, Frederico! é um livro que vale a pena ser lido, para nos lembrarmos também de como chegamos aqui, até hoje, em 2010.  E para sabermos não repetir os erros do passado, de um passado nem tão longínquo.  Apesar da seriedade do assunto tratado, o texto é leve, cheio de passagens humorísticas que nos levam facilmente ao fim: sem sermões, sem dogmatismo.  Uma excelente leitura.   





Imagem de leitura — Teodoro Nuñez Ureta

5 01 2010

A leitura, 1930

Teodoro Nuñez Ureta ( Peru, 1912 – 1988)

Teodoro Nuñez Ureta, nasceu em Arequipa, Peru em 1912.  Autodidata.  No entanto, graças a seu pai que trabalhava numa livraria na cidade, Nuñez Ureta foi exposto à obras dos grandes pintores internacionais, através dos livros de arte que seu pai trazia para casa.   Quando terminou a escola secundária, ainda não foi se dedicar à pintura exclusivamente.  Ao invés, foi para a Universidade Nacional de San Agustin, onde se formou como Doutor de Filosofia e Letras com uma tese sobre o grotesco e o cômico na arte.  Daí por diante passou a ensinar na universidade na cadeira de História da Arte e Estética  (1936-1950).  Foi um homem brilhante, excedendo-se tanto nas artes plásticas, principalmente com a pintura mural, como na´escrita e na pesquisa em história da arte.  Em 1943 ganha um concurso nacional na imprensa e mais tarde, no mesmo ano, segue para os EUA patrocinado pela Fundação Guggenheim.  O resultado deste período de pesquisas foi imdeidato, em 1945 publica o livro:  A Academia e a Arte Moderna.  Muda-se para Lima e em 1959 é premiado pelo mural que pintou para o Ministério de Economia Finanças e Comércio em 1954.  Foi diretor da Escola Nacional de Belas Artes em Lima (1973-1976).  Faleceu em Lima, em 1988.





O homem da Idade da pedra já demarcava espaços para diferentes atividades

4 01 2010

A arqueologia não é só a busca por posses, habilidades e crenças de culturas antigas. Também se trata de espaços de habitação.   Escavações recentes em Israel parecem mostrar que ancestrais humanos da Idade da Pedra começaram, em um estágio surpreendentemente precoce, a organizar seus espaços habitacionais ao ar livre em grupos separados para diferentes atividades.

Uma área era usada principalmente para preparar e comer os alimentos, e outra, a mais de 7 metros de distância, era usada para a produção de ferramentas de pedra.   Arqueólogos que relataram as descobertas neste mês na revista “Science” disseram que ter áreas separadas para diferentes atividades indicava “um conceito formalizado de espaço habitacional, que muitas vezes reflete uma sofisticada cognição“.    A surpresa, segundo os arqueólogos, foi descobrir a evidência disso em um assentamento que foi ocupado há 790 mil anos. Esses padrões de vida e trabalho antes eram associados apenas ao Homo sapiens moderno e, portanto, um comportamento que só emergiu nos últimos 200 mil anos.

No relato, Nira Alperson-Afil e seus colegas observaram que “o uso moderno do espaço requer organização social e comunicação entre membros do grupo, e acredita-se que isso envolva parentesco, gênero, posição e habilidades“.    Alperson-Afil, arqueóloga da Universidade Hebraica em Jerusalém, e pesquisadores da Alemanha, Israel e Estados Unidos analisaram os resquícios de Gesher Benot Ya’aqov, no vale do rio Jordão, onde ancestrais humanos viveram na margem de um lago antigo. Níveis superpostos de artefatos indicavam que o local foi ocupado por um período de 100 mil anos.

Escavações dirigidas por Naama Goren-Inbar, também da Universidade Hebraica, já tinham exposto evidências, relatadas um ano atrás, de que ocupantes do local tinham a habilidade de produzir e controlar fogo. Se isso estiver correto, será o primeiro exemplo definitivo do controle da produção do fogo.    “É um local extraordinário“, disse Alison S. Brooks, professora de antropologia da George Washington University, sem envolvimento com o estudo. “Existem bem poucos locais como esse daquele tempo na África, Oriente Médio ou qualquer outra parte“.  Brooks disse que a evidência de uma lareira “implica um tipo de organização espacial no local“, mas alertou que arqueólogos teriam de estudar as descobertas antes de comentar sobre as interpretações.

A identidade dos ocupantes de Gesher Benot Ya’aqov é desconhecida; nenhum de seus restos mortais foi encontrado ali. Cientistas afirmam que eles podem ter sido Homo erectus, uma espécie que, segundo suposições, deixou a África mais de 1 milhão de anos atrás, ou uma espécie intermediária mais recente da família dos humanos.  A primeira evidência conhecida de ferramentas de pedra está associada a hominídeos que viveram há 2,6 milhões de anos no que hoje é a Etiópia.   A equipe de Alperson-Afil relatou que os ocupantes “produziam com habilidade ferramentas de pedras, abatiam e exploravam sistematicamente animais, coletavam plantas comestíveis e controlavam o fogo“. Rochas, madeira e outros materiais orgânicos queimados mostravam a presença de fogo em lareiras em locais específicos.

Dois coautores, Goren-Inbar e Gonen Sharon, explicaram por e-mail que, se esses fossem o resultado de fogo natural, “esperaríamos que sua distribuição fosse similar à distribuição geral de artefatos de pedra e outros materiais, e não agrupados como estão“.    Na parte norte do local, arqueólogos encontraram uma concentração de fragmentos –pedaços de rochas, ferramentas de pedra para cortar e raspar usadas na preparação de alimentos, pedaços de cascos de caranguejos e espinhas de peixes, várias sementes, nozes, grãos e fragmentos de madeira. O material queimado sugeria a existência de uma lareira ali.

Embora a lapidação da pedra ocorresse de forma abundante na área, presumivelmente relacionada à produção de fogo, a maioria das peças de rochas queimadas foi coletada na parte mais ao sul do local, onde os arqueólogos afirmaram que havia evidências definitivas de lareira. A densidade de artefatos de basalto e calcário mostrou que ali era o centro de produção de ferramentas.  Entre os dois centros de atividade, disseram os pesquisadores, parecia haver apenas artefatos dispersos, nada que sugerisse como a área era usada.  Goren-Inbar e Sharon disseram que “o fato de reconhecermos zonas de atividades e definirmos como algumas das atividades aconteciam já é uma grande descoberta por si só“.

FONTE:  Folhaonline





Alguém para correr comigo, de David Grossman

4 01 2010

Ilustração, Eva Furnari.

Início de ano prolongado…  Estou aproveitando o tempo para limpar o escritório e colocar coisas em ordem.  Assim, antes de descartar algumas resenhas que foram feitas para outros fins, que não o blog, venho aqui postá-las para não perder de todo o controle do que li, e das minhas reações a certas leituras.

Quando lemos Alguém para correr comigo, no nosso grupo de leitura, esperávamos um outro tipo de livro de David Grossman.  Esperávamos, com certeza, algo mais político, dadas as informações que tínhamos sobre o autor.  De modo que todos ficamos surpresos de nos encontrarmos envolvidos numa aventura moderna, liderados pelo faro de uma cachorro adorável, o personagem principal deste livro, que peregrina através dos capítulos, unindo dois adolescentes, que em circunstâncias normais jamais teriam se encontrado.

 

No início, é um pouco difícil seguir a narrativa, porque os capítulos parecem, desde o início, não ter nada a ver um com outro.  De um rapazinho com um cachorro, passamos a uma adolescente que obviamente faz parte de uma missão que não entendemos.   Os períodos no tempo também são diferentes.  Então, David Grossman confia no seu taco de escritor e pede ao leitor, que confie no seu estilo de narrativa, que o acompanhe numa aventura que não sabemos onde nos levará, da mesma forma que nosso jovem herói, segue os caminhos tortuosos da cidade, escolhidos pelo cachorro, atrás de sua verdadeira dona.  

Há nessa história uma gama grande e  bem caracterizada de personagens de apoio, que dão ao leitor um melhor compreensão do contexto das vidas desses adolescentes retratados; e também conseguimos facilmente conhecer a maneira como nossos jovens heróis pensam.  David Grossman certamente conhece adolescentes.  Sabe o que eles pensam de suas famílias, de seus grupos, e como conseguem ser criativos quando precisam encarar um mundo incompreensível,  perigoso e aterrorizador.

David Grossman

 

Outro ponto de interesse na narrativa foi descobrirmos a vida diária em Jerusalém, coisa que às vezes esquecemos que ocorre normalmente, regular e previsível, quando todo o nosso maior contato com a cidade, vem dos noticiários de guerras, que cobrem ações de terrorismo, e homens-bomba. 

Apesar de todos nós no grupo de leitura termos gostado do livro, ainda acredito que este livro seria melhor apreciado por jovens leitores e adolescentes.

02/03/2006  — postada na Amazon.





Novas descobertas de tumbas em Saqara, ao sul de Cairo

4 01 2010

Arqueólogos no local das novas descobertas em Ras al Gesr.

 

Uma equipe de arqueólogos egípcios descobriu dois túmulos construídos há 2.500 anos.  Localizados na zona de Ras al Gesr, estes são os túmulos mais antigos encontrados até o momento no sítio arqueológico de Saqara,  a 25 quilômetros ao sul da cidade do Cairo.

Os mausoléus estão enterrados e têm gravuras em vários de seus muros, segundo detalha uma nota do Conselho Supremo de Antiguidades (CSA), divulgada hoje. Uma das duas construções é a de maior dimensão encontrada na região e inclui inúmeros corredores, quartos e salas, explicou Zahi Hawas, secretário-geral do CSA.

Este túmulo é precedido por duas grandes fachadas, parte em deterioração e outra de tijolo, conforme o comunicado. Dois dos quartos, que estão cheios de  material de construção e de terra, levam a uma sala em que,  no seu interior, foram achadas diversas ossadas e vasilhas de cerâmica.

Foto: EFE,  os mausoléus estão enterrados e têm gravuras em vários de seus muros.

Numa outra sala, pequena,  foi descoberto um poço com profundidade de sete metros. Na parte norte do túmulo, também foram encontradas várias múmias de falcões que estão em um bom estado de conservação. Conforme Hawas, o túmulo foi utilizado em mais de uma ocasião e provavelmente depredado no século V depois de Cristo.

Na segunda sepultura, de menores dimensões, embora também seja composta por várias salas, foram encontradas inúmeras vasilhas de cerâmica. O especialista em arqueologia revelou sua satisfação com as descobertas, uma prova que a região de Saqara, onde fica a pirâmide escalonada de Zoser, ainda guarda muitos segredos.

FONTE Terra





A volta do mercado, poema de Carlos Chiacchio

3 01 2010

mercado flutuante2

A volta do mercado

                                  Carlos Chiacchio

Desce a canoa de fio

Pela corrente do rio.

Vem arisca, vem frecheira,

Carregada até a beira.

Fruta, ou peixe, da vazante

Ouve-se o búzio distante.

E o povo corre ao mercado.

Na praia, o remo cravado,

Começa a voz das barganhas.

E, logo, em pilha as piranhas.

Vivos, saltando, ao punhados,

Curimatans e dourados.

Matrinchans, madins, a rodo.

Pocomons, frescos, do lodo.

Numa algazarra de festa

Joga-se n’água o que resta.

Volta a canoa de fio

Contra a corrente do rio.

Volta leve, vai suave,

Peneirando como uma ave.

É uma diaba a canoa…

Pulando de popa a proa.

Em: Poesia Brasileira para a Infância,  Cassiano Nunes e Maria da Silva Brito,  São Paulo, Saraiva:1968, pp 8-9

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 Carlos Chiacchio

Carlos Chiacchio ( Januária, MG, 4 de julho de 1884 – Salvador, BA, 1947)  jornalista, orador, poeta, cronista, crítico literário, membro do IGH-BA, Academia de Letras da Bahia. Nasceu na antiga cidade de Januária, situada entre a Serra da Tapiraçaba e o Rio São Francisco, em Minas Gerais. Filho de Jacome Chiacchio e de D. Patrícia de M. Chiacchio. Estudou como interno  no colégio Spencer em Salvador, quando mostrou ter vocação literária.  Em Salvador, cidade onde mais tarde também se formou em medicina, fez parte da Nova Cruzada, associação cultural fundada em 1901 e extinta em 1916. Foi proprietário de farmácia, funcionário da Estrada de Ferro, e médico de bordo. Por fim, fixou-se mesmo em Salvador, onde ficou até o fim de sua vida. Foi o chefe e animador do grupo modernista na Bahia, em 1928, em torno da revista Arco & Flecha (1928-1929). Foi um dos mais típicos e valorosos intelectuais de província, e muito trabalhou para a difusão da cultura na Bahia, algumas vezes até sacrificando seus interesses pessoais. Sua produção extensa, dela salientando-se, contudo, um livro de poemas Infância e Biocrítica.

 

Obras: 

A Dor, 1910  

A Margem de uma polêmica, 1914  

Biocrítica, 1941  

Canto de marcha, 1942  

Cronologia de Rui, 1949  

Euclides da Cunha, 1940  

Infância, poesia, 1938  

Modernistas e Ultramodernistas, 1951  

Os grifos, 1923  

Paginário de Roberto Correia, 1945  

Presciliano Silva, 1927  

Primavera, 1910, 1941