Tomoo Handa (Japão/Brasil, 1906-1996)
óleo sobre tela, 66 x 56 cm
Les Promenades d’Euclide, 1955
[O passeio de Euclides]
René Magritte (Bélgica, 1898-1867)
óleo sobre tela, 162 x 129
The Minneapolis Institute of Art.
Tomemos “Les promenades d’Euclide“, uma das telas fundamentais de Magritte, versão aperfeiçoada de uma outra anterior, “La condition humaine“.
A cortina pesada alude a um cenário onde algo vai ser “representado”. São estas as dramatis personae: em primeiro plano além da cortina o cavalete e a larga vidraça. O cavalete é posto em grande destaque no conjunto: sujeito e protagonista em função do qual o ambiente — inclusive a paisagem — subsiste; um dos objetos-símbolos capitais do ofício de Magritte pictor. Este o secciona para sobrepor à tela original uma segunda, ao mesmo tempo libertada dele e integrada na parte inferior da vidraça, que corresponde à janela dividindo o espaço nos quadros dos antigos pintores flamengos.
Em segundo plano a torre, o arvoredo, o casario, duas minúsculas figuras isolando-se numa avenida deserta; e a linha do horizonte demarcada com rigor. Domina a tela um céu nuvioso. Todos esses elementos reunidos em absoluta consciência criam uma profundidade especial a que o espírito adere: texto de poesia ótica, não-literária. O seccionamento de duas partes do cavalete, a rarefação da segunda tela, a infinitude da perspectiva da alameda, que poderia remontar a Van Eyck ou Memling; a sobriedade da linguagem cromática em suas dominantes marrom, verde, branco e cinza, a justeza do desenho paciente, tudo isso forma uma atmosfera poética onde a mais alta fantasia se submete à planificação. O astro subterrâneo levanta-se, e, para maior segurança do seu itinerário, assume a ordem, a régua e o compasso, determinando relações de surpresa num contexto lógico de objetos familiares. Ajunte-se a isto, também de acordo com a linha dos antigos flamengos, a notação do silêncio, do respiro, da pausa funcionando como dramatis personae.
Em: Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980,p.187-8.
Ilustração Roger Wilkerson.
Nas lojas sempre envolvido,
não tem crédito jamais…
– ou por ser desconhecido,
ou conhecido demais !…
(Rodolpho Abbud)
Ilustração do Journal des Dames et des Modes, 1811 (França)
Zadie Smith, autora de Sobre a Beleza, tem 10 conselhos para quem deseja ser escritor:
1 – Ainda criança trate de ler muitos livros. Passe mais tempo fazendo isso do que qualquer outra atividade.
2 – Já adulto, tente ler seu próprio trabalho como uma pessoa estranha o faria, ou melhor, como faria o seu inimigo.
3 – Não romantize a sua vocação.Você ou escreve bem, boas frases, ou não escreve. Não há isso de estilo de vida de escritor. O que importa é o que você deixa escrito no papel.
4 – Evite seus pontos fracos. Mas não se convença de que o que você não consegue fazer não vale a pena fazer. Não esconda as dúvidas que você tem sobre sua própria capacidade com a máscara do desprezo.
5 – Deixe um bom tempo entre escrever alguma coisa e editá-la.
6 – Evite grupinhos, turmas e bandos. A presença de um grupo não irá fazer a sua escrita melhor do que ela é.
7 – Trabalhe em um computador que não esteja ligado à internet.
8 – Proteja o tempo e o espaço em que você escreve. Mantenha todo mundo do lado de fora, até mesmo as pessoas que lhe são mais caras.
9 – Não confunda honrarias com realizações.
10 – Fale a verdade através de qualquer uma das roupagens com que ela venha, mas diga a verdade. Resigne-se à tristeza pela vida inteira, por do não estar nunca satisfeito.
Mulher lendo jornal na praia
George van Houten (Bélgica, 1888-1964)
óleo sobre madeira, 58 x 79 cm
Coleção da Universidade de Oxford
Agostinho Batista de Freitas (Brasil, 1927-1997)
óleo sobre tela, 54 x 73 cm
Yugo Mabe (Brasil, 1955)
acrílica sobre tela, 60 x 73 cm
São Paulo, Rio Tamanduateí, 1965
Innocêncio Cabral Borghese (Brasil, 1897-1985)
óleo sobre tela, 40 x 49 cm
Fernando Cassiani (Brasil, 1921-2001)
óleo sobre tela, 40 x 30 cm
Composição Urbana, São Paulo, 2013
Gilberto Primo (Brasil, contemporâneo)
acrílica sobre tela, 40 x 140 cm
Estação Cidade Jardim, São Paulo, 2005
Márcio Schiaz (Brasil, 1965)
óleo sobre tela, 31 x 70 cm
Menase Waidergorn (Romênia/Brasil, 1927)
óleo sobre tela, 50 x 40 cm