Arranjo
Florêncio [José Carlos dos Santos] (Brasil, 1947)
óleo sobre tela
Arranjo
Florêncio [José Carlos dos Santos] (Brasil, 1947)
óleo sobre tela

Prato fundo com o brasão da cidade de Florença, início do século XV
Faiança. 64 cm de diâmetro e 8 cm de altura
Louvre
Este prato é uma das relíquias de cerâmica mais impressionantes do início do século XV (1400-1425) em Florença. O desenho de um leão num campo de lírios e segurando uma bandeira com o lírio florentino, símbolo da cidade. O prato mostra influência espanhola e do oriente, mas também anuncia a nova faiança italiana. Como o catálogo do Museu do Louvre explica, esse prato deve ser visto no contexto de desenvolvimento de um novo estilo, original.
OUTONO, ilustração de G. Higham
Zinda Maria Vaconcellos
Árvores cheias de frutos,
com as folhas avermelhadas,
estão quietinhas, parada,
parecem ter muito sono…
que bom, estamos no outono…
Já mudou a paisagem,
o vento com sua aragem,
põe nuazinhas as árvores.
Folhas caídas, bailando,
vão o chão todo enfeitando.
É o inverno que vem chegando.
Em: O mundo da criança, vol. 1: poemas e rimas, Rio de Janeiro, Editora Delta: 1971, p. 146
Teseu e o minotauro, Séculos II-III
Mosaico romano
Província Récia, Império Romano
Bibliothek der Universität Fribourg, Suíça
Teseu foi um grande herói grego, filho de Egeu. Governou Atenas por 30 anos, de 1234 a 1204 a. E. C. É um herói porque entre outros feitos, conseguiu matar o Minotauro, que se encontrava no centro de um labirinto. O Minotauro, um ser fantástico, metade touro, metade homem, era filho do rei Minos.
Um acordo de guerra depois que Minos derrotou Egeu, pai de Teseu, fez com que Minos cobrasse uma recompensa: de nove em nove anos, sete rapazes e sete moças de Atenas iriam a Creta. Lá, entrariam no labirinto onde seriam devorados pelo Minotauro, um ser monstruoso.
Na terceira vez que a seleção de jovens para o sacrifício foi feita, Teseu decidiu que isso era demais. Substituiu um dos jovens rapazes indicados para morrer no labirinto e rumou para Creta. Teve, no entanto, ajuda de Ariadne, filha do rei Minos, que enamorada por Teseu, sugeriu ao jovem que entrasse no labirinto segurando um novelo de lã, cuja ponta ela estaria segurando na porta de entrada. Teseu desenrolaria o fio de Ariadne até chegar ao centro do Labirinto onde, encontraria o Minotauro. Depois de enfrentá-lo, e matá-lo, bastava enrolar o fio de onde estava, seguindo o caminho de volta até a porta de entrada onde ela o esperava. E assim foi feito, Teseu matou o Minotauro e voltou vitorioso para o lado de Ariadne.
David Larson Evans (EUA, contemporâneo)
óleo sobre placa, 25 x 20 cm
Hilary Mantel em Mudança de Clima, Rio de Janeiro, Record, 1997. Frase da introdução.
Retrato da menina Maria Catarina Douat, 1957
Win van Dijk ( Holanda/Brasil, 1915-1990)
óleo sobre tela, 95 x 60 cm
Stella Leonardos
(Para Leilá)
É uma sílfide dançando.
É uma infanta adolescendo.
Cabelo de ouro brilhando.
Alvor de lírio crescendo.
Coração de cristal puro,
Alma de rosa nevada,
Sonha trepada no muro.
E não sabe que é uma fada.
Em: Pedaço de Madrugada, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José: 1956, p.51
Zé da Roça tira uma soneca na sombra de uma árvore. © Estúdios Maurício de Sousa
Monteiro Lobato
Américo Pisca-Pisca tinha o hábito de por defeito em todas as coisas. O mundo para ele estava errado e a Natureza só fazia asneiras.
— Asneiras, Américo?
— Pois então?!… Aqui mesmo, neste pomar, você tem a prova disso. Ali está uma jabuticabeira enorme sustendo frutas pequeninas, e lá adiante vejo uma colossal abóbora presa ao caule duma planta rasteira. Não era lógico que fosse justamente o contrário? Se as coisas tivessem que ser reorganizadas por mim, eu trocaria as bolas, passando as jabuticabas para a aboboreira e as abóboras para a jabuticabeira. Não tenho razão?
Assim discorrendo, Américo provou que tudo estava errado e só ele era capaz de dispor com inteligência o mundo.
— Mas o melhor – concluiu, é não pensar nisto e tirar uma soneca à sombra destas árvores, não acha?
E Pisca-pisca, pisca piscando que não acabava mais, estirou-se de papo para cima à sombra da jabuticabeira.
Dormiu. Dormiu e sonhou. Sonhou com o mundo novo, reformado inteirinho pelas suas mãos. Uma beleza!
De repente, no melhor da festa, plaf! Uma jabuticaba cai do galho e lhe acerta em cheio o nariz.
Américo desperta de um pulo; pisca, pisca; medita sobre o caso e reconhece, afinal, que o mundo não era tão mal feito assim.
E segue para casa refletindo:
— Que espiga! … Pois não é que se o mundo fosse arrumado por mim a primeira vítima teria sido eu? Eu, Américo Pisca-pisca, morto pela abóbora por mim posta do lugar da jabuticaba? Hum! Deixemo-nos de reformas. Fique tudo como está, que está tudo muito bem.
E Pisca-pisca continuou a piscar pela vida em fora, mas já sem a cisma de corrigir a Natureza.
Em: Fábulas, Monteiro Lobato, São Paulo, Brasiliense:1966, 20ª edição, pp.19-20.
Leitura
Vicente Romero (Espanha, 1956)
Pastel, 69 x 80 cm
Julián Fuks em A resistência, São Paulo, Companhia das Letras:2015, página 9, primeiro capítulo, primeira página.
Foto: Greg Foster, fotografia feita no Smithsonian Museum, Viveiro de borboletas, Washington DC.
A Borboleta Transparente leva o nome científico de Greta Oto. Natural da América Central: México, Panamá. Ela também pode ser encontrada na Venezuela, na Colômbia e em algumas partes do Brasil. É uma borboleta com asas transparentes exceto pelas bordas das asas que são marrom avermelhado e fazem o efeito de pequenas janelas. Não é comum, mas a espécie ainda não está em perigo. A razão de ser transparente é simples, ela não tem escamas coloridas como as outras borboletas. Essa transparência serve de camuflagem. O corpo é sempre escuro. As asas abertas podem chegar a 6 cm de largura e elas são bastante resistentes, podendo voar até 20 km por dia.