As três fiandeiras, um conto de Histórias do Arco da Velha, de Viriato Padilha

22 01 2012

As três fiandeiras

Rosália era uma rapariga muito preguiçosa, que não gostava de fiar.  Por mais que a tia Rita, sua mãe, se encolerizasse, nada podia obter dela.

Um dia a preguiça da filha exasperou-a de tal forma, que chegou a espancá-la, e Rosália pôs-se a chorar e a gritar muito alto.

Justamente nessa ocasião passava a rainha por ali.  Ouvindo os gritos, fez parar a carruagem, e entrando na casa, perguntou à tia Rita por que razão batia na filha com tanta crueldade, que até os gritos se ouviam na rua.

Tia Rita teve vergonha de revelar o defeito de Rosália, e disse:

— “Não posso lhe tirar o fuso da mão.  Ela quer sempre fiar sem cessar, e, como sou pobre, não lhe posso dar linho que chegue.”

A mulher respondeu:

— “Nada me agrada mais do que a roca, e o barulho da fiandeira me encanta. Dá-me tua filha.  Levá-la-ei para o palácio onde tenho linho em quantidade e assim, poderá fiar quanto quiser.”

A velha consentiu de muito boa vontade e a rainha levou Rosália.

Quando chegaram ao palácio, ela levou-a a três salas, que estavam cheias do mais belo linho, desde cima até embaixo, dizendo-lhe:

— “Fia-me todo esse linho, e quando tudo estiver terminado, far-te-ei desposar meu filho mais velho. Não te inquietes com a tua pobreza, pois o teu zelo para o trabalho ser-te-á dote suficiente.”

A moça não disse palavra, mas interiormente estava consternada, pois ainda que trabalhasse durante trezentos anos, sem parar, desde a manhã até a noite, não acabaria com aqueles enormes montes de estopa.

Quando ficou só, pôs-se a chorar, e assim ficou três dias sem iniciar o trabalho.

No terceiro dia a soberana veio visitá-la e ficou muito admirada vendo que nada havia feito; mas a moça desculpou-se, alegando o pesar de haver deixado a mãe.

Sua majestade teve que se contentar com aquela razão, mas disse ao retirar-se:

— “Vamos, amanhã é preciso começar a trabalhar”.

Quando a moça se achou só, não sabendo o que fazer, pôs-se à janela, muito angustiada.

Daí a pouco viu chegar três mulheres, das quais uma tinha um pé enorme, muito chato; a outra o lábio inferior tão comprido e pendente que cobria o queixo; e a terceira o dedo polegar extraordinariamente comprido e achatado.

Colocaram-se na rua, em frente à janela e perguntaram o que ela queria.

Rosália contou-lhes as suas mágoas e as três mulheres ofereceram-se para auxiliá-la, sob a seguinte proposta:

— “Se nos prometes convidar-nos para o teu casamento e nos chamar tuas primas, sem te envergonhares de nós, e nos fizeres sentar à tua mesa, vamos fiar o teu linho e em pouco tempo o trabalho estará terminado”.

— “De todo meu coração”, respondeu ela. “Podem entrar e começar já”.

Introduziu as três singulares mulheres e desembaraçou um lugar na primeira sala para as instalar.

Elas entregaram-se à obra; a primeira fazia girar a roda; a segunda molhava o fio, a terceira torcia e apoiava-o na mesa com o polegar.

Todas as vezes que a rainha entrava, a rapariga ocultava as fiandeiras, mostrava o trabalho feito, e a soberana não podia conter a sua admiração.

Quando a primeira sala ficou terminada, passaram à segunda e depois à terceira, sendo fiado todo o linho com a maior rapidez.

Então as três mulheres retiraram-se dizendo à moça:

— “Não te esqueças a tua promessa; pois hás de lucrar com isso”.

Quando Rosália mostrou à rainha as salas vazias e o linho fiado, fixou-se o dia das núpcias.

O príncipe ficou contentíssimo por ter uma mulher tão hábil e tão ativa, e principiou a amá-la com ardor.

— “Tenho três primas”, disse ela, “que me prestaram muitos serviços e não queria esquecê-las na minha ventura.  Permiti que as convide para assistirem ao casamento e que se sentem à nossa mesa”.

A rainha e o príncipe consentiram, pois não viam nenhum impedimento nisso.

No dia da festa as três mulheres chegaram em magníficas equipagens e a noiva lhes disse:

— “Queridas primas, sejam bem-vindas”.

— “Ah!” disse-lhe o príncipe, “as tuas parentas são horrorosas!”

Depois, dirigindo-se à que tinha o pé chato e comprido, indagou:

— “Como foi que a senhora ficou com o pé tão disforme?”

— “Foi de tanto fazer mover a roda da fiandeira”.

À segunda:

— “Como foi que a senhora ficou com o beiço tão caído?”

— “Foi por molhar o fio no beiço”.

E à terceira:

— “E a senhora por que motivo ficou com o dedo polegar tão comprido?”

— “Foi por haver torcido muito fio”.

O príncipe aterrorizado por tal perspectiva, declarou que não permitiria mais que a sua esposa tocasse num fuso, e assim ficou ela livre de tão odiosa ocupação.


Em:  Histórias do Arco da Velha, Viriato Padilha, Rio de Janeiro, Livraria Quaresma: 1947

Ilustrações do conto, de Nadir Quinto.

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As três fiandeiras é um conto muito antigo, transmitido pela cultura oral principalmente nos países nórdicos.  Foi registrado pelos Irmãos Grimm, mas uma versão mais antiga ainda um pouquinho diferente já aparece no livro de Giambattista Basile, [ Pentamerone] — uma coleção de histórias folclóricas para crianças — em 1634, publicado postumamente por sua irmã em Nápoles.  Os Irmãos Grimm conheceram esse trabalho e o elogiaram como uma excelente coleção de histórias.  Dando uma olhadinha na rede, podemos ver que mesmo em Portugal há algumas dezenas de versões com pequeníssimas diferenças.  Há outro conto Rumpelstiltskin semelhante mas menos divulgado no Brasil.

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Viriato Padilha, pseudônio ( Aníbal Mascarenhas, MG 1866 – Fortaleza, CE 1924)   Pseudônimos: Aníbal Demóstenes, Ticho Brahe de Araújo, Sancho Pança.  Contista, poeta, autor de literatura infantil, historiador, professor, tradutor.

Obras: [lista incompleta]

Histórias do arco da velha, 1897

Os roceiros, 1899

O livro dos fantasmas





O valor dos professores

12 01 2012

Na sala de aula, 1888

Karen Elizabeth Tornoe (Dinamarca, 1847-2933)

óleo sobre tela, 72 x 59 cm

Coleção Particular

O jornal americano The New York Times, na página de editoriais de hoje, tem um artigo muito interessante de Nicholas D. Kristoff, chamado The Value of Teachers [ O valor dos porfessores] sobre o valor  econômico dos professores na vida dos futuros adultos.  Traduzo livremente os primeiros parágrafos  para ponderação.  Acredito que não seja necessário elaborar a respeito.  As conseqüências dos primeiros parágrafos desse texto são lógicas, mas vale a pena seguir o pensamento do autor.

“Imagine que o seu filho acabou de entrar na 4ª série e cai numa turma com uma excelente professora.  A professora, no entanto,  decide se afastar da escola.  O que você deveria fazer?

 A resposta certa é: Entrar em Pânico!

Bem, não exatamente, mas um estudo de grande porte sobre o assunto mostra a diferença que faz um ótimo professor na vida futura de uma pessoa.   Ter um bom professor na 4ª série faz um aluno ter 1,25% mais chance de entrar para a universidade e 1,25% menos chance de engravidar na adolescência a pesquisa sugere.  Cada um desses alunos se tornará um adulto ganhando uma média de R$3.750,00 – ou mais ou menos uma renda de R$ 1.260.000,00 por uma turma média – tudo isso atribuível ao bom professor lá no passado, na 4ª série.  Isso mesmo: Um excelente professor vale centenas de milhares de dólares, por ano de estudantes, só pela renda extra que esses alunos irão ganhar no futuro.

O estudo, feito por economistas das universidades de Harvard e Columbia, concluiu que se um excelente professor está deixando a sala de aula, os pais deveriam angariar fundos, passar o chapéu, vender bolinhos, na esperança de como um grupo oferecer ao professor o equivalente a R$180.000,00 de prêmio para ficar por um ano a mais.  Claro, isso não seria possível,  – mas as suas crianças lucrariam muito mais que esta soma, no futuro de suas vidas.

Por outros lado, o efeito de um professor ruim  é  como se o aluno tivesse faltado 40%  do ano letivo.  Como não deixamos que isso aconteça, não se entende que se permita que maus professores continuem na sala de aula.  Na verdade, o estudo mostra, que os pais deveriam pagar R$180.000 para que esse mau professor se aposentasse (assumindo-se, é claro, que o substituto fosse de qualidade média) porque um professor fraco retira o potencial de crescimento do aluno.”





Só um computador por aluno, não resolve.

9 02 2011
Cliente em restaurante de Patópolis, ilustração Disney.

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Ano passado tive a mão direita enfaixada e na tipóia por 20 dias.  A todo lugar que ia, precisava de ajuda.  Por causa disso vi-me em conversas variadas com quem quer que me auxiliasse  no banco,  nos correios, no restaurante, supermercado, taxi, elevador, portão, ônibus.  O povo carioca é muito gentil e engrena um papo num minuto, sem quaisquer restrições de sexo, idade, cor, classe social.  Todos sofrem irmãmente com você e se não tiveram uma experiência igual a sua, alguém da família teve.  A solidariedade é grande e a comiseração imediata.  Foram 3 semanas de bate-papos, em que aprendi muito sobre  jovens trabalhadores, calorosos e gentis, de boa índole,  mas com pouca instrução, que passam os dias fazendo entregas de supermercados e farmácias,  limpando mesas de restaurantes, trabalhando nos caixas das quitandas.  Jovens entregues ao setor de serviços na categoria que exige o menor conhecimento técnico.   A maioria vinha de famílias modestas e não passava dos  25 anos.  Fiquei impressionada com a ingenuidade e o desconhecimento cultural deles como um grupo, uma geração, digamos.

Nas conversas vi uma geração inteira, esquecida e despreparada. Exemplos abundam.   A mocinha garconete do restaurante a quilo; o rapaz que abriu um refrigerante em lata, o entregador da farmácia.  A cada um deles expliquei sobre o desgaste dos meus tendões por uso do computador.   Invariavelmente a conversa versava sobre computadores.  Todos diziam gostar muito de computadores.  Gostam do Orkut, do MSN, que usam para zoar os amigos, trocar piadas, fotos, juras de amor e de jogos, pricipalmente “aquele de dirigir um carro”, definitivamente o mais popular.

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Valdirene, uma das jovens trabalhando no caixa de um supermercado foi a única que me confessou querer sair daquele emprego.  Os outros não tinham idéia do que fazer mais tarde, daí a uns 5 anos, por exemplo.   Valdirene queria  fazer o  curso de auxiliar de enfermagem para poder trabalhar como acompanhante de pessoas idosas.  “Não precisa diploma”, ela se apressou a me dizer, “mas com um, a gente pode pedir um pouco mais…”   Ela também — A-DO-RA! —  computadores, vota no BBB, conversa com amigos no MSN, baixa músicas e troca  fotografias com as colegas, que tira com o telefone celeular.  Gosta das  fofocas da televisão.  Valdirene aos 23 anos já tem um filho na escola e nenhum marido.   

Histórias como essas, todos nós conhecemos.  São milhares no Rio de Janeiro e  alguns milhões no país.  Impressiona a falta de perspectiva de trabalho e de um futuro com uma vida plena.  E infelizmente com a taxa de natalidade alta, é uma realidade que se multiplica.  Como será a vida do filho de Valdirene?    Com a  crise na Tunísia e o artigo de Thomas Friedman que li  no New York Times: China, Twitter and 20-year olds vs. The Pyramids, publicado no sábado, o assunto voltou a me preocupar.  Essa combinação de sub-emprego e de desconhecimento me lembra da necessidade de termos escolas- relevantes.  Ou seja,  uma escola que prepare o jovem para uma profissão que lhe dê interesse na vida, um interesse intelectual mínimo.  Além é claro de um sustento.   Caixa de super-mercado, entregador de compras não são profissões, são castas.   

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Zé Carioca ri dos empregos oferecidos no jornal.  Ilustração Disney.

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Thomas Friedman tem nos avisado há tempos das diferenças do mundo de hoje para o do século passado.   Seu livro O Mundo é Plano: uma breve história do século XXI já deveria há muito tempo ter  alarmado  e alertado a todos nós para os problemas que as falhas do nosso sistema de educação, aqui no Brasil,  trariam se não tomássemos decisões radicais,  imediatamente.   Mas alguns anos se passaram, quem leu o livro se assustou, comentou, mas nada fez.  E tudo acabou diluído,  como se a realidade ali descrita só afetasse aos outros, que o Brasil, terra abençoada, estava seguro.  Não é o caso.  Agora, Friedman nos lembra, nessa excelente coluna de sábado, que é justamente a frustração de jovens aos 20 anos, desempregados ou sem futuro, que está fazendo governo após governo do Norte da África,  do Egito ao Oriente Médio tremer.  E cair.  Não há e não haverá mais, no futuro próximo, lugar para ditadores que determinem o que as pessoas possam ou não saber.  Não há mais lugar para o plantio e o cultivo da ignorância.   E há de haver uma maneira de se pensar empregos decentes.

Uma combinação de fatores intrigantes e combinados levam às revoluções que presenciamos: a maneira de nos comunicarmos está cada vez mais rápida e mais fácil; a falta de perspectiva de uma vida com emprego para os formados e os não formados; o custo dos alimentos e outros produtos essenciais que tendem a subir a medida que a China  e a Índia crescem e precisam de mais e mais grãos, açúcar, minério de ferro, petróleo e todos os outros ingredientes necessários ao bem estar de 1.324.655.000 de chineses e  na  Índia 1.147.995.898, pessoas. 

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Dona Marocas dá uma prova no primeiro dia de aula de Chico Bento, ilustração Maurício de Sousa.

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Nesse meio tempo, no Brasil, debatemos o que fazer sobre a educação.  Com exemplos vergonhosos na admnistração do MEC, — o caso do ENEM é só a cereja do bolo —  que demonstram não só o contínuo descaso com o cidadão mas a ineptitude das  admnistrações que vêm e que vão, vemos que tudo não passa de blá, blá, blá.  Se pensarmos no que um ano — só 2010 — de noticário nos indica, a realidade é cruel demais para palavras: diplomas comprados a escolas inexistentes, falta de manutenção nas escolas, que têm goteiras nos dias de chuva e temperaturas de 40ºC dentro da sala de aula;  computadores fechados à chave  nas escolas por falta de quem saiba usá-los;  escolas sem bibliotecas, sem laboratórios,  sem água, sem giz, sem papel-higiênico;   drogas e  armas; violência de alunos contra profesores e vice-versa;  greves e mais greves de professores, de alunos.   Não dá para se imaginar, nem por devaneio, que haja interesse de qualquer governo em melhorar a educação no país.

Mas parece que achamos uma solução universal para os nossos problemas.  A nossa solução para as futuras gerações é um computador para cada aluno como planeja o governo federal.  Maravilhoso!  Não sou contra a democratização da computação.  Muito pelo contrário.  Mas se não conseguirmos ensinar a pensar, o aluno não ganhará nada além de mais uma “maquininha de relacionamentos” que facilita a troca de recados amorosos ou  picantes, “a espiadinha” num programa de televisão,  na vida do vizinho, os encontros da torcida de futebol.    O computador, todos nós sabemos, não resolverá nada, se os alunos  não souberem fazer as perguntas necessárias, se não souberem consultar a imensa quantidade de informações a que podem ter acesso. 

Meu problema com a solução do computador por aluno é a falsa sensação de que se está resolvendo o caos da educação.  Conheço professores que não conseguem ainda assimilar bem o uso do computador para seu próprio benefício.   O que acontecerá quando esses professores tiverem que incluir em suas aulas os computadores do governo?  Além disso, quem fará a manutenção desses computadores? 

O computador é uma excelente FERRAMENTA de ensino, mas sozinho com o aluno, o que irá trazer para o dia a dia é a fofoca da classe, as fotos dos colegas na piscina, o resultado do futebol.  Não tenho nada contra seu uso como entretenimento.  Entretenimento faz parte da vida.  Mas será que os nossos computadores virão com uma programação para que se aprenda a pensar?  Espero que sim.  Pois do contrário, estaremos não só nos enganando como enganando mais uma vez  uma geração inteira de jovens que continuarão sem futuro, sub-empregados, sem motivação, gerando cada vez mais crianças para um futuro semelhante ou pior.





Meu foco nas eleições presidenciais: a educação

14 10 2010

Luminosidade de por do sol, Espanha

Albert Moulton Foweraker(Inglaterra, 1873-1942)

Aquarela

Foi na década de 80, a primeira vez que estive na Espanha.  Passei oito maravilhosos dias em Madri, onde todas as manhãs visitava o Museu do Prado.   As tardes eram passadas fazendo as mais diversas visitas turísticas  e compras para minha futura casa.  Estávamos a caminho da Argélia, onde meu marido iria ensinar na Universidade de Oran e haviam nos aconselhado a comprar alguns aparelhos eletro-domésticos na Espanha, porque a voltagem era a mesma.  É claro que não nos limitamos aos aparelhos elétricos porque havia muita coisas maravilhosa sendo oferecida  nas grandes lojas de departamentos, entre elas El Corte Ingles.   Foi uma semana mágica, que marcou a passagem para uma nova vida, um marco.  Foi um período de suspensão entre a vida que havíamos levado até então e a que nos esperava num país totalmente desconhecido, num outro continente, com outra religião.  A Espanha nos fascinou e foi para ela que voltamos sempre, inúmeras vezes, não só no período em que moramos na Argélia, como quando pudemos, até hoje acabamos achando uma brecha em qualquer roteiro para lá voltarmos.  A Espanha é um país para o qual vou com alegria e excitação.  Já pedi para passar lá e consegui, dois aniversários, um em Salamanca e outro em San Tiago de Compostela.

Na época da nossa primeira visita,  a Espanha ainda não fazia parte da Comunidade Européia.  Ao longo desses quase 30 anos, vimos, através das nossas visitas, uma grande diferença econômica e social impulsionando o país.   Seu povo é um dos mais apaixonados e apaixonantes do mundo.  Tem uma energia e um orgulho intoxicantes.  Os espanhóis têm uma história riquíssima e muitos dos mais belos recantos turísticos do mundo.  Nas nossas últimas viagens testemunhamos, com prazer, o desenvolvimento econômico e social do país evidente em todo canto, nas ruas, nas firmas, no governo.  Era assim, até recentemente.  Ainda não estive lá depois da crise mundial, mas até então a Espanha crescia a olhos vistos.

Portanto, foi com excitação que me envolvi com a leitura nesse fim de semana de um relato de viagem de Penelope Chetwode, em Two Middle-aged Ladies in Andalusia [John Murray Travel Classics: 2002] — Duas senhoras de meia-idade na Andalusia —  uma nova edição do livro publicado em 1961, em que a autora [ uma das senhoras de meia-idade mencionadas no título, uma inglesa de 51 anos – faz turismo pelos povoados do interior da Andaluzia,  montada na égua  de 12 anos de idade [a outra senhora de maia-idade],  Marquesa.  Gosto imensamente de relatos de viagem, uma área da literatura raramente encontrada no Brasil.  E gosto muito mais ainda desses relatos quando feitos por autores ingleses que, a meu ver, estão entre os mais bem humorados, irônicos e aventureiros que conheço.   Além do mais, a minha expectativa em ler esse livro foi ainda maior por ele se passar na região da Andaluzia, que com a Galícia, fazem parte dos meus locais favoritos no mundo, locais para onde sempre retornarei com prazer e alegria.

O livro de Penelope Chetwode não me desapontou.  É irônico, cheio de aventuras, e pinta uma Espanha desconhecida para mim. Em outubro/novembro de 1961 – período de viagem da autora — o mundo era muito diferente.  Estávamos, emocionalmente e economicamente, fechando a década de 50.  Aqui no Brasil, a nossa capital já era Brasília e o Rio de Janeiro virara Estado da Guanabara.   Jânio Quadros havia renunciado em agosto daquele ano.  Os Beatles não haviam tomado o mundo com suas músicas.  O homem ainda não desembarcara na Lua.  Não havia radinho de pilha.  John F. Kennedy não havia sido eleito.   Ah, sim, e o ditador Francisco Franco ainda estava no poder na Espanha.    Vinte e poucos anos depois quando visitei Madri pela primeira vez, a realidade era bem diversa daquela descrita no livro de Penelope Chetwode.  Tudo mudou, rapidamente.

Numa das passagens da viagem de Penelope Chetwode dá para perceber o quanto a Espanha se modificou nesses últimos 50 anos.  Os que lêem o meu blogue sabem da minha preocupação com a educação, sobretudo a educação de mulheres.  Para mim, qualquer referência ao analfabetismo é sempre doloroso.  Assim, é natural que a passagem que cito abaixo tenha sido uma que me tocou de maneira profunda, a tradução do texto é minha.

[“In this village I at last discovered the Mass mystery in Spain: the church bell is rung three times.  First of all about three quarters of an hour before the Holy Sacrifice is due to start, then a second time about 20 minutes later, then the third and final time when the priest goes into the sacristy to vest.  If he has overslept, nobody minds because they go by the bells, but it is very easy to lose count and often people say to you,  “was that the second bell or the third?”  I went along to church at 9 a.m. and Mass started at 9:15, just after the third bell.  Half a dozen girls, aged about 12 or 13, sat in the front pew and one of them handed out dialogue Mass cards, called in Spanish Misa Participada.  The phonetic spelling, to try to get the people to pronounce the Latin correctly, was most extraordinary.  In addition to the girls, five or six women were present.  Only the girls and I, and the little boy serving the Mass, did the responses.  Obviously, the older women could not read.”]

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Nesse vilarejo finalmente descobri o mistério da Missa na Espanha: o sino da igreja toca três vezes.  Primeiro por volta de quinze minutos antes de o Serviço Sacro começar, depois uma segunda vez mais ou menos 20 minutos mais tarde, e pela terceira e última vez quando o padre vai para a sacristia colocar a veste.  Se ele dormir demais,ninguém se preocupa porque eles se atêm aos sinos, mas é muito fácil perder a conta e frequentemente as pessoas se perguntam, “esse foi o segundo ou o terceiro toque?”  Fui à igreja as nove da manhã e a Missa começou às nove e quinze, logo depois do terceiro toque.  Meia dúzia de meninas, de 12 ou 13 anos, sentava no primeiro banco e uma delas me passou o cartão com o diálogo da Missa, chamado em espanhol de “Missa Participada”.  A versão fonética, para fazer as pessoas pronunciarem o Latim corretamente, foi muito especial.  Além das meninas, cinco ou seis mulheres estavam presentes.  Só as meninas e eu, e o menino sacristão, respondemos.  Obviamente as mulheres mais velhas eram analfabetas.

Foi um momento em que parei para agradecer o desenvolvimento dos últimos cinqüenta anos na Espanha, porque hoje o analfabetismo por lá deve estar em declínio.  Sei que este é um retrato que não casa com a Espanha atual. Mas aquela realidade ainda parece muito próxima de nós – cinqüenta anos só – para que nos sintamos imunes ao que ela retrata.  Graças a Deus as coisas parecem ter mudado.

Por cá, no Brasil, as coisas também mudaram.  A mulher hoje tem um papel mais ativo na economia e supera os homens na escolaridade.  Mas, mesmo assim, os dois bilhões de reais usados pelo atual governo para combater o analfabetismo no país, não chegaram a reduzir nem em um por cento o número de pessoas incapazes de ler – e isso não conta aqueles que são funcionalmente analfabetos.  Apesar disso, temos que celebrar os avanços que fizemos.  Mas precisamos ficar de olho.  A alfabetização, por si só, não é, nem será suficiente, para proteger as gerações futuras.  E esta semana mesmo tivemos um alerta, que deve nos ajudar a ficar em estado de prontidão, pois o noticiário – no meu caso li no Estadão – mostra que mesmo no Brasil de hoje onde as mulheres têm um melhor índice de alfabetização do que os homens, seus salários, para o mesmo trabalho feito por eles é 27,7% menor. Como a  maioria dos lares brasileiros, hoje, é encabeçada por uma mulher, mesmo que ela seja alfabetizada e preparada, escolarizada as chances de seus filhos venham a ser bem sucedidos parecem periclitantes.  Precisamos sem dúvida pensar além da mera aprendizagem de nível básico ou médio.  Precisamos pensar além da bolsa isso ou da bolsa aquilo, nessas eleições.  O que importa é: qual é o melhor programa proposto para a educação?  Não adianta prometer ” o pulo que qualidade que eu darei no futuro…”   Essas promessas já ouvimos uma, duas, dezenas de vezes.  Quem está propondo algo viável?  Continuar o que tivemos pelos últimos oito anos e que não parece estar surtindo efeito, pode ser um erro do qual poderemos nos arrepender e muito.





Como ajudar seus filhos a conseguirem um bom resultado no Enem?

10 09 2010

 

Interior da Escola Vértice II, São Paulo.  Foto:  Revista VEJA.

Se você está preocupado o suficiente com a educação de seu filho e chegou até aqui, neste blog, nesta postagem, acredite-me você já percorreu metade do caminho necessário para o sucesso escolar de seus filhos.

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O resultado do ENEM de 2009 trouxe uma grande curiosidade sobre a escola Vértice II que ficou colocada em primeiro lugar.  Poeira assentada, coloco aqui uma compilação de diversos artigos encontrados sobre a escola.  Meu objetivo é mostrar que algumas facetas desse sucesso podem ser adaptadas à vida familiar,  pequenas mudanças certamente auxiliariam no sucesso escolar.  Uma família pode fazer bastante para compensar uma escola menos bem avaliada.  A dedicação dos responsáveis pelo estudante pode incentivar e levá-los a um melhor nivel escolar independentemente do colégio ou da cidade onde você se encontre.  Em itálico e  letras coloridas estão algumas sugestões minhas.  O resto em letra normal e em negro estão partes dos artigos compilados que podem ser acessados na íntegra nos links no final do texto.  

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O campeão do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2009 está  localizado numa área menor que um quarteirão, em um conjunto de casinhas amarelas no bairro Campo Belo, na zona sul de São Paulo.  O colégio Vértice II tem orgulho de ser pequeno e de educar de forma quase individualizada seus cerca de 900 alunos. As turmas jamais ultrapassam 50 alunos.  E mesmo com mensalidades que chegam a R$ 2.756, [um aluno de 3° ano paga hoje 13 mensalidades anuais de R$ 2.756] o Vértice II possui uma longa lista de espera para novos alunos, que só termina em 2014.  

Mas como pode uma escola só ter BONS ALUNOS?  Bem, há um sistema de seleção que é um pouco diferente daqueles usados por outras escolas.  Aqui estão alguns  dados que podem servir de guia para sua assistência aos seus filhos ou crianças sob sua guarda.

1 – Ao contrário de boa parte dos colégios particulares, o Vértice II não realiza vestibulinho para escolher seus estudantes. Os candidatos a uma vaga nos ensinos médio e fundamental, porém, são submetidos a uma entrevista, passam um dia na escola e devem mostrar cadernos e apostilas utilizados no passado. Aspirantes com histórico de notas ruins e que não costumam fazer lições de casa ou anotações durante as aulas costumam ser recusados.

1 — Incentive seu filho a manter bons cadernos com deveres de casa e notas de aula, limpos, bem escritos e organizados. 

Faça para ele um outro caderno que acompanhe seus estudos.  Nele, incentive-o a recortar partes de artigos do jornal, de revistas, da internet, fotografias, desenhos, informações, desenhos, letras de música, poesias, referências a livros, ditados, reações pessoais, que estejam relacionados à matéria que está sendo estudada.   Ajude-o a fazer nesse caderno pelo menos uma contribuição diária.  Assim ele estará sempre revendo as matérias já aprendidas em outros contextos, e adicionando suas próprias contribuições ao assunto. 

Arranje um local seguro e limpo para que as apostilas dadas nas escolas sejam guardadas em ordem, fácilemente acessadas, livres de restos de balas, de manchas de refrigerantes.   

2 — Nunca deixe de corrigir também a maneira de falar de seu filho.  Não aceite uma maneira incorreta “só porque muita gente fala assim”.    Não o deixe comer os “s” no final das palavras no plural.  Corrija-o na conjugação verbal, na pronúncia clara.  Aos poucos, consciente de falar bem, seu filho pode se desembaraçar para falar com estranhos, em público e também se expressar numa conversa ou numa entrevista como essa escola faz com seus pretendentes.  Lembre-se  de que ele será julgado por isso, pelo resto da vida, não só nessa escola, mas nas empresas, na procura de uma bolsa de estudos, nas companhias que entrevistam  para selecionar seus candidatos.

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2 – Além de provas bimestrais, os alunos precisam realizar testes semanais, conhecidos como “verificações de aprendizagem”, feitos oralmente ou através de seminários e debates. O objetivo é estimular hábitos regulares de estudo e não apenas nos dias próximos ao período de provas. “Assim, os estudantes deixam de entrar em pânico ao ser avaliados”, afirma Adilson Garcia, um dos diretores. Quem apresenta resultados insatisfatórios é convocado para aulas de reforço fora da jornada escolar.

3 — Converse constantemente com seu filho sobre os assuntos já estudados na escola.  Acompanhe as lições e procure empregar aquilo aprendido de uma outra maneira.  Exemplo: a)  seu filho acaba de aprender como calcular uma área.  Veja com ele quantos quadras de basquete caberiam dentro de um campo de futebol.  b) e quantos pés de café poderiam ser plantados no mesmo campo de futebol de fossem espaçados a cada 5 metros.  Seu filho acabou de aprender uma figura de linguagem?  use exemplos, de alguma figura de linguagem na tarde seguinte, em conversa.    Faça o que está sendo aprendido na escola ter significado fora dela.    Foi a Chegada da Família Real ao Brasil que derrubou a nota do aluno?  Que tal contar quem foi Napoleão?  Como se lutava naquela época sem foguetes e sem bombas atômicas … Procure o desenho de um navio da época, mostre um navio um semelhante ao que trouxe a Família Real.  Como esses navios diferem dos grandes veleiros de hoje?  Todas essas informações são de fácil acesso na internet. 

Se você não sabe a lição, aprenda-a com seu filho.  Acompanhe-o.  Troquem experiências.  Se você está aqui, usando a internet, você tem uma imensa variedade de informações à sua espera,  informações que ajudarão a ambos, você e seu filho.

 

Resultado das provas, ilustração Maurício de Sousa.

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3 – A cada dois meses, os pais recebem um boletim com as notas de seus filhos. Até aqui, nenhuma novidade. Ocorre que, para atribuí-las, os professores também levam em consideração aspectos como comprometimento e respeito aos colegas. “Preparar os alunos para ingressar em boas faculdades é uma de nossas metas”, explica Garcia. “A outra é formar cidadãos responsáveis, que saibam refletir sobre suas atitudes.”

4 — Verifique as notas de seu filho e tente entender porque certas notas podem ter baixado.  Não faça guerra a ele.  Faça dele um aliado. 

5 — Cobre comprometimento do seu filho.  Não só dele.  Seu também.  Tenha sempre o material do aluno pronto para o dia seguinte, não se atrase ao levá-lo à escola.  Não aceite desculpas forjadas, inconsequentes, para faltar as aulas.  Não aceite faltas.  Não aceite desrespeito aos professores.  Nem aos outros alunos.  Se ele tem um compromisso, os pais também têm que ter esse compromisso de mantê-lo na escola.  Você também precisa mostrar com o seu exemplo comprometimento com a escola, com o seu trabalho, com o país, com os outros. 

4 – Para garantir o bom desempenho em sala de aula, os diretores do colégio se desdobram para promover atividades fora dela. Há desde esportes tradicionais, como basquete, judô e futebol de salão, até oficinas de artes, teatro, sapateado e xadrez. Visitas a museus e exposições são organizadas duas vezes por ano para cada série. Algumas atividades são cobradas à parte e realizadas depois do período escolar. “Livros e apostilas não são as únicas ferramentas de aprendizagem”, diz a fundadora do colégio, Walkiria Gattermayr.

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Um passeio no Jardim Zoológico.

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6 – Uma vez por mês faça um passeio em família com um comprometimento cultural.  Vá a um museu, a uma galeria de arte.   Vá a uma biblioteca municipal.  Visite um lugar significativo na história da sua cidade.  Procure um contador de histórias.  Há muitas livrarias que hoje em dia têm programas onde contadores de histórias divertem o público infantil.  Se não há livrarias na sua cidade, procure na internet uma história e conte-a a seu filho. 

Não se acanhe ou se avexe de ir a esses lugares  mesmo que na sua infância você não o tenha feito.  Lugares públicos são para isso mesmo, abertos ao público.  Até um passeio no parque local pode ser fonte de muita instrução.  Em que época o parque foi feito?  No governo de quem?  Quem era o presidente da república naquele tempo?  Que árvores estão plantadas?  Como se reconhece uma mangueira, um jatobá, uma bananeira? 

Faça com que seu filho já comece sua vida familiarizado com livros, bibliotecas, livrarias, museus de história, das ciências, de arte.  É seu dever como pai/educador abrir as portas do mundo para os seus filhos.   Faça um passeio numa noite enluarada.  Mostre-lhe as estrelas no céu.  Pegue um mapa do céu no nosso hemisfério na internet, imprima-o e nesse passeio ajude-o a reconhecer as estrelas, nomeá-las, ajude-o a colocá-las em suas respectivas constelações.  Volte para casa e tente desenhar a posição das estrelas vistas.  Mais tarde procure na internet o significado dos nomes de cada constelação.  Na semana seguinte leia uma história da mitologia grega que tenha alguma referência às constelações.  Tudo está interligado: escola, vida, estudo, profissão, sucesso. 

7  — Incentive seu filho a colecionar alguma coisa.  Um colecionador aprende a história dos objetos que coleciona, as épocas de suas criações,  quer eles sejam selos ou conchas.  Podemos colecionar um número enorme de coisas que estão constantemente nos ensinando sobre o mundo em que vivemos: pedras, penas de pássaros, cantos de pássaros, semementes.  Folhas de árvores, bolinhas de gude, insetos, carrinhos de plástico.  Fotografias velhas, revistinhas em quadrinhos.   Um colecionador de figurinhas aprende sobre o assunto de suas figurinhas, quer elas sejam de jogadores de futebol, flores tropicais ou até de animais em extinção. 

8 — Procure com o seu filho um vídeo na internet que mostre seu poema favorito, seu carro preferido, o animal de estimação mais fofo.  Mostre a ele um vídeo com idéias sobre seu passatempo favorito: esporte, crochê, robôs, costura, pipas, bordado, luta de judô. Aprofundem-se em qualquer assunto.  Há muitas maneiras de se aprender sobre o mundo, com cada uma delas a informação do que está sendo aprendido se reforça.

9 — Incentive a curiosidade natural de seu filho.   

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 Uma coleção de pratos.

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5 – Desde o ensino fundamental, os alunos do Vértice estão habituados a estudar os conteúdos de forma interdisciplinar. A cada ano, um grande tema é selecionado para ser debatido em todas as disciplinas. Em 2009, atividades relacionadas ao continente africano foram incluídas nas aulas de geografia, filosofia e música. Em 2010, o assunto escolhido foi a Copa do Mundo. O objetivo é trazer para a sala de aula assuntos do cotidiano, cada vez mais comuns em vestibulares.

10 — Isso você também pode fazer em casa.   Basta decidir sobre um assunto, um tema a ser abordado, alguma coisa que tenha a ver com a vida na sua cidade, no seu estado, no país ou no mundo.  Por exemplo em 2011, o Paraguai completa 200 anos de independência.  E se você e seus filhos escolhessem alguns assuntos que fazem o Paraguai importante para o Brasil?  Afinal, foi o único país no século XIX contra quem o Brasil esteve em guerra.  Temos uma fronteira importante com esse país…  E assim por diante. 

Outro exempolo  em fevereiro, os chineses comemoram o início de seu ano.  Que tal naquele semestre selecionar diversos assuntos sobre os chineses, o ano lunar, a muralha da China, que outros povos usam o calendário lunar? E há mais, muito mais a ser descoberto.

 11 — É claro que a medida que seus filhos crescem esses projetos e programas devem ir se sofisticando de acordo com a idade de cada um.  mas o mais importante é estabelecer desde cedo o hábito do estudo, o hábito da leitura, o prazer de aprender.

6 – Nem todos os pais costumam participar da rotina escolar de seus filhos. Para reverter esse quadro, o Colégio Vértice promove todos os anos cerca de oito palestras sobre temas ligados à educação para pais e professores. A presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, Quézia Bombonatto, foi uma das convidadas recentes. “Com essa interação, nossos alunos se sentem mais motivados a estudar, pois o apoio familiar aumenta”, afirma Walkiria.

12 — Agora, então é hora de você fazer o seu dever de casa.  É o momento de você mostrar comprometimento com a educação dos seus filhos.  Reserve um momento na internet para procurar novos assuntos relacionados a educação.   Telefone ou marque uma visita com um professor de seu aluno.  Não espere ser chamado pelo professor para mostrar interesse pela educação de seu filho.  Converse com o diretor da escola, com o coordenador de educação física.  Com a pessoa que ensina trabalhos manuais.  Procure saber como eles acham que você poderia auxiliar no melhor aproveitamento das aulas, da experiência escolar pelo seu filho.  Quanto mais familiarizado com a escola você estiver, seu filho se sentirá mais envolvido e comprometido com a educação que recebe.

 Dá trabalho?   — Dá.  Mas por outro lado você não estará pagando de R$1.300,00 a R$2.700, 00 13 vezes por ano!

Luizinho, Huguinho e Zezinho na escola, ilustração Walt Disney.

 

 

Sobre a escola

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A consequência das boas colocações foi a migração de alunos de diversos colégios particulares da cidade para os bancos de suas salas de aula. Atualmente, para cada vaga nova oferecida pelo colégio (apenas 100 a cada começo de ano, sendo 40 para educação infantil e as outras 60 distribuídas entre todas as séries do ensino fundamental I, II e ensino médio), existem entre oito e dez interessados. “Daria para montar mais um colégio e meio com a lista de espera que temos”, conta o diretor, Adilson Garcia.

Segundo ele, a procura está tão acirrada que alguns pais estão inscrevendo filhos que ainda nem nasceram na lista. “Verificamos que temos procura para o ensino infantil, que começa aos 3 anos, para o ano de 2014, ou seja, são mães que estão grávidas hoje e que já estão reservando vaga para a criança entrar quando completar essa idade. Nessas fichas não tem nem o nome da criança”, admite.

 O segredo do sucesso do colégio, na opinião de Garcia, é a criação do hábito de estudo nos alunos. “A principal preocupação da escola é criar o hábito do estudo no estudante.  Não queremos que eles deixem para aprender a matéria apenas na véspera da prova, por isso, aplicamos avaliações semanais, corrigimos todas as lições junto com eles, tanto as feitas em sala de aula quanto as de casa. Nunca deixamos que uma dificuldade do aluno se arraste para o bimestre seguinte”, garante.  A ênfase do colégio é para a leitura e para o entendimento dos conteúdos. Segundo o diretor, o desafio é que o aluno consiga sair do Vértice com autonomia para buscar seus conteúdos. Para ajudar, aulas extracurriculares que vão da culinária ao xadrez, passando por sapateado e a música. “Esta autonomia é algo que o indivíduo vai levar para a vida toda, não é só para o colégio“, disse.

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Aula de matemática, ilustração de renato Silva, do livro CAZUZA de Viriato Corrêa.

Em busca dos bons resultados do Vértice, pais de estudantes que entram para o colégio para focar seus estudos no vestibular, vêem seus filhos, muitas vezes bons alunos em outros lugares, terem que ir atrás de reforço — de aulas complementares —  para  poderem se encaixar bem na escola.   às vezes em outras escolas alunos que querem se esforçar, estudando mais do que os outros para atingirem o objetivo de passarem no vestibular, são criticados pelos amigos, por estudarem mais e se esforçarem.  “Aqui, quem não estuda é estranho“, admitem os alunos.

Com aulas das 7h às 19h, de segunda a sexta e meio período aos sábados, estes estudantes no Vértice encontraram o que buscavam.  A escola adota apostilas de um sistema de ensino terceirizado e complementa as aulas com materiais próprios. Segundo os alunos, simulados surpresa fazem parte da rotina de estudos para o vestibular, que tem como base os processos seletivos da USP, Unicamp e das universidades federais de São Paulo.  Mas nem sé de vestibular vive o colégio,  os alunos têm atividades extracurriculares também que vão do  sapateado, culinária, coral, leitura interpretativa, xadrez às aulas de alemão.

Fundada por uma psicóloga e pedagoga, a escola não se contenta com o índice de 30% a 40% de aprovação em escolas públicas no vestibular. Segundo o diretor, o projeto pedagógico do colégio não tem o vestibular como objetivo. “Nós preparamos os alunos para os desafios da vida e o vestibular está entre eles, mas não focamos nosso trabalho nisso, não separamos os alunos por área de aptidão para trabalhar melhor, tratamos todos do mesmo jeito”, diz.  Segundo Garcia, cada professor tem a orientação de procurar distinguir entre seus alunos qualquer variação de comportamento entre seus alunos que indique algum problema emocional e chamá-lo para uma conversa particular, se necessário. “Nós exigimos que conheçam o máximo que podem dos seus alunos“, diz o diretor.

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Mas como fazer isso sem invadir a privacidade do aluno na adolescência, fase em que este valor é tão precioso? O diretor esclarece: “Só no olhar. Se o aluno está cabisbaixo, isso pode indicar alguma dificuldade em casa como uma separação dos pais, a morte de um avô ou do animal de estimação“, exemplifica o educador. As medidas podem incluir uma conversa particular, a sugestão de alguma atividade especial como teatro ou uma reunião entre professores e pais.

O trabalho de participação da família no aprendizado é levado a sério e a negligência dos pais é considerada grave e passível da expulsão do aluno. “Nossa relação com os familiares precisa ser de confiança, se percebemos que os pais não são nossos parceiros sugerimos que procurem outra escola para o próprio bem de seus filhos“, diz o diretor.  O colégio oferece também uma escola para os pais, que em encontros mensais ou semanais recebem noções de pedagogia e psicologia aplicada no cotidiano, e devem acompanhar as tarefas dos filhos em casa e funcionar como parceiras dos professores.

Antes de o professor iniciar o ensino de um tema, o aluno deve ter feito uma leitura prévia e uma pesquisa do vocabulário em casa. É o pontapé inicial para o processo de aprender“, explica Adilson Garcia. “Perseguimos a criação desses hábitos“, conta ele.

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Colégio Vértice
Fundação: 1976
Número de professores: 86
Área da escola: 4.500 metros quadrados
Mensalidade: de R$ 1.330 (1º ano do Ensino Fundamental) a R$ 2.756
Endereço: Rua Vieira de Morais, 172

Fontes:

Portal Terra

Último segundo

Veja

Estadão





Corrente de formiguinhas, poesia infantil de Henriqueta Lisboa

15 06 2010

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Corrente de formiguinhas
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                                                                      Henriqueta Lisboa

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Caminho de formiguinhas,

fiozinho de caminho.

Caminho de lá vai um,

atrás de uma lá vai outra.

Uma, duas argolinhas,

corrente de formiguinhas.

 

Corrente de formiguinhas,

centenas de pontos pretos,

cabecinhas de alfinete

rezando contas de terço.

 

Nas costas das formiguinhas

de cinturinhas fininhas

pesam grandes folhas mortas

que oscilam a cada passo.

Nas costas das formiguinhas

que lá vão subindo o morro

igual ao morro da igreja,

folhas mortas são andores

nesta procissão dos Passos.

 

 

Em: O mundo da criança: poemas e rimas, vol I, Rio de Janeiro, Delta: s/d.

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Henriqueta Lisboa (MG 1901- MG 1985), poeta mineira.  Escritora, ensaísta,  tradutora professora de literatura,  Com Enternecimento (1929), recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras.  Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.

 Obras:

Fogo-fátuo (1925)

Enternecimento (1929)

Velário (1936)

Prisioneira da noite (1941)

O menino poeta (1943)

A face lívida (1945) — à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano

Flor da morte (1949)

Madrinha Lua (1952)

Azul profundo (1955);

Lírica (1958)

Montanha viva (1959)

Além da imagem (1963)

Nova Lírica ((1971)

Belo Horizonte bem querer (1972)

O alvo humano (1973)

Reverberações (1976)

Miradouro e outros poemas (1976)

Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra (1977)

Pousada do ser (1982)

Poesia Geral (1985), reunião de poemas selecionados pela autora do conjunto de toda a obra, publicada uma semana após o seu falecimento

 

 





1.000.000 — [um milhão] — de visitantes a este blog! Muito obrigada!

10 06 2010
Ilustração Maurício de Sousa.

Muito obrigada!





Maria Carrucá, fábula infantil de Viriato Padilha, ilustrações variadas

7 06 2010

 

O rei ordena aos príncipes que se casem.  Desenho infantil.

Maria Carrucá

Um rei tinha três filhos, vendo-os em idade de constituírem família, chamou-os e disse-lhes:  “Meus filhos, é chegada a idade em que se torna preciso constituir família, atendendo à elevada posição que tendes.  Ide, pois, procurar esposas; porém, procedei de modo que eu não tenha que me envergonhar da escolha”.

Os três príncipes saíram do palácio e partiram por diferentes caminhos em demanda de esposa.  Os dois mais velhos encontraram logo princesas que os quisessem para maridos e casaram-se.  O mais moço, porém, por maiores esforços que empregasse, não encontrou quem julgasse digna de lhe oferecer a mão.

Ilustração russa, o Príncipe vê uma sapa.

Desalentado por não conseguir o que desejava, achava-se uma tarde à beira de uma lagoa, e pegando uma varinha, começou a rabiscar na areia.   Impressionou-o, no entanto, estranhamente o fato de que embora quisesse escrever um pensamento qualquer, só conseguia rabiscar na areia a palavra – sapo.

Tudo o que escrevia era sapo, e tendo isto afinal o irritado, exclamou:

–“Ora, saia de lá dessa lagoa uma sapa, que quero me casar com ela!…

“Imediatamente saltou uma sapa…” — Ilustração infantil.

Imediatamente saltou da lagoa uma sapa, que postando-se em frente do príncipe,  lhe disse:

— “Aqui estou, meu adorado noivo”.

Aqui estou! — ilustração de Yuri Vasnetsov (Russia, 1900 – 1973)

O príncipe acompanhou a sapa, que era uma formosíssima princesa encantada, para o fundo da lagoa, onde ficou deslumbrado por encontrar o mais suntuoso dos palácios e as mais maravilhosas riquezas.

Realizado o casamento, o príncipe foi comunicar o ocorrido ao pai, que ficou muito desgostoso por saber que o filho havia se casado com um animal tão asqueroso.

Dias depois, o rei mandou a cada uma das noras uma lindíssima toalha de cambraia pedindo-lhes que as bordassem.

 

O —

 O príncipe apresenta sua esposa ao pai.  Ilustração russa.

A sapa, logo que recebeu a toalha, chamou uma criada e disse-lhe:

—  “Maria Carrucá, monta no pescoço do galo branco, vai à casa das senhoras princesas, e, dize-lhes que mando pedir um pouco de fio de barbante bem grosso, para bordar a toalha do rei”.

Maria Carrucá, assim o fez.  As princesas, porém, que eram muito invejosas e estúpidas, responderam-lhe:

–“Vá dizer à senhora princesa D. Sapa que se temos barbante, é para bordar as nossas toalhas”.

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A princesa sapa e o seu príncipe.

E assim disseram, melhor fizeram, bordando as toalhas que o rei mandara, com barbante grosso.  A sapa, no entanto, bordou a sua com o mais delicado fio de ouro.

— “Ora vejam só, disse o rei, “ a sapa fez um trabalho tão mimoso, e no entanto as princesas estragaram-me as toalhas, com  um barbante grosseiro, transformando-as em panos de cozinha”.

Daí a alguns dias o rei mandou a cada uma das noras um cãozinho, para que elas os criassem com todo o desvelo, pois esses animais pertenciam a uma excelente raça de caça.

Maria Carrucá, xilogravura, autor desconhecido.

Apenas a sapa recebeu o cãozinho, disse para a criada:

— “Maria Carrucá, monta no pescoço do galo branco, e vai à casa das senhoras princesas pedir-lhes da minha parte um pouco de cal para dissolver na água, a fim de lavar o cãozinho do rei e umas peles de toucinho para engordá-lo”.

Maria Carrucá foi desempenhar sua comissão, mas as princesas disseram:

Vá dizer à senhora princesa D. Sapa, que se temos cal é para lavar os cãezinhos que o rei nos mandou, e se temos peles de toucinho é para alimentá-los”.

E assim fizeram de modo que os animais perderam quase todo o pelo, e emagreceram a tal ponto, que quase não podiam suster-se de pé.

A princesa sapa.

A sapa, no entanto, banhava o seu com água perfumada e alimentava-o com pão de ló e outras iguarias delicadas, de modo que e tornou um animal formosíssimo, o que muito admirou o rei, quando mandou buscar todos os três, e viu o deplorável estado em  que se achavam os outros, parecendo-lhe incrível que uma triste sapa se avantajasse em tudo a princesas de sangue azul.

O príncipe e sua esposa com o pai e os irmãos.  Ilustração do desenho animado da Princesa Sapa.
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Daí a alguns dias, o rei, desejando conhecer pessoalmente as noras, mandou convidá-las para um baile no palácio.

A sapa, logo que recebeu o convite, voltou-se para a criada e disse-lhe:

— “ Maria Carrucá, monta no pescoço do galo branco, e vai à casa das senhoras princesas pedir-lhes da minha parte, uma navalha para raspar a cabeça a fim de ir ao baile do rei, pois é costume agora na corte, apresentarem-se as damas de cabeça raspada”.

As princesas, porém, que por inveja não queriam que a sapa se apresentasse na moda, mandaram dizer-lhe que, se tinham navalha, era para elas rasparem a cabeça.

E trataram de raspar a cabeça, apresentando-se no palácio como verdadeiras Fúrias, o que muito desgostou o rei.

A princesa sapa desencanta-se.

A sapa, no entanto, desencantou-se, e readquirindo a sua forma de mulher, apresentou-se com elegante toucado, fazendo toda a corte pasmar pela sua extraordinária beleza e pela riqueza do vestuário.

O rei ficou satisfeito com ela, ao passo que só tinha palavras de desdém para as duas invejosas.

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Em: Histórias do Arco da Velha, de Viriato Padilha, Rio de Janeiro, Editora Quaresma: 1947, 12ª edição

NOTA:  Esta história é uma adaptação de um conto folclórico russo muito popular e bastante traduzido e adaptado no século XIX por diversos autores, alemães, franceses, italianos (Ítalo Calvino em seu volume de Contos folclóricos da Itália, tem duas versões dessa história) e  portugueses e aqui por Viriato Padilha.  A cada tradução alguns detalhes e principalmente as demandas do rei foram adaptadas aos costumes mais familiares dos leitores.  Por exemplo na versão russa o príncipe quase acerta a princesa sapa com uma seta enquanto caçava.  Note nas ilustrações acima e abaixo que a seta figura quase sempre próximo à sapa. 

 

Mas a popularidade desse conto na Rússia, explica a abundância de ilustrações russas sobre o tema.  No século XX, com o domínio da indústria editorial americana e principalmente com o império Disney, este conto, apesar da sua grande lição sobre valores e inveja, foi esquecido, principalmente depois da popularização pelos próprios americanos da história da princesa que se casa com um sapo. 

 

VEJA MAIS ILUSTRAÇÕES — Variantes do mesmo tema depois da nota biográfica abaixo.

Viriato Padilha ( Aníbal Mascarenhas, MG 1866 – Fortaleza, CE 1924)   Pseudônimos: Aníbal Demóstenes, Ticho Brahe de Araújo, Sancho Pança.  Contista, poeta, autor de literatura infantil, historiador, professor, tradutor.

Obras: [lista incompleta]

Histórias do arco da velha, 1897

Os roceiros, 1899

O livro dos fantasmas

 

OUTRAS   ILUSTRAÇÕES:

 

Ilustração russa, desconheço a autoria.

A princesa sapa de autoria da ilustradora Nancy Farmer.

Ilustração russa, em bandeja de artesanato folclórico.

Ilustração russa em livro publicado em 1930.

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Decoração pintada à mão em caixa de papier maché.

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Cartum humoristico, a princesa sapa estuda livros eróticos.

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Transparência de desenho animado.

O príncipe encontra a princesa sapa, ilustração russa.

Ilustração russa.

Ilustração russa.

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Ilustração russa de N. Petrov.

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Ilustração russa, segunda metade século XX.

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Capa de livro russo para crianças da Princesa Sapa.

Capa de livro para crianças da Princesa Sapa.

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Princesa sapa, ilustração russa.




Leitura aumenta graças à Copa!

18 05 2010

 

A Copa do Mundo fez crescer o volume de lançamentos de livros relacionados ao esporte no Brasil. De olho nos leitores fanáticos por futebol, editoras lançaram no mercado mais de dez títulos ligados ao tema, que tratam desde listas de melhores atletas até dados históricos, apostando que a empolgação com a proximidade do torneio também impulsione as vendas. E os resultados já começam a aparecer: só nas lojas da Livraria Cultura foi registrado um aumento de 460% nas vendas de títulos relacionados a futebol no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado, e a perspectiva é de que as vendas aumentem ainda mais com a proximidade do torneio.

O mercado editorial evoluiu bastante no que se refere a futebol. A Copa é uma efeméride e atrai interesse de obras sobre as seleções, especialmente. Antes não vendia porque fazia-se livros sobre futebol voltado para antropólogos, filósofos, acadêmicos de modo geral. Hoje fazemos livros voltados para torcedores, e nossos números não param de crescer“, afirma Pedro Almeida, publisher da Editora Lua de Papel.

A mais ativa dentre as editoras que decidiram apostar na Copa do Mundo foi a Contexto. Ao todo, nove volumes foram colocados no mercado pela empresa. Seis livros fazem parte de uma coleção intitulada “Os Onze Maiores do Futebol Brasileiro” – técnicos, goleiros, laterais, volantes, camisas 10 e centroavantes. Entre os autores estão jornalistas esportivos de renome, como Milton Leite, Marcelo Barreto e Sidney Garambone. De acordo com a editora, a ideia foi contar com jornalistas conhecidos para chamar a atenção dos leitores. Outros dois livros lançados pela editora também prometem levantar discussões: “As Melhores Seleções Brasileiras de Todos os Tempos” e “As Melhores Seleções Estrangeiras de Todos os Tempos“.

Contudo, o livro da Contexto que, embora trate de futebol, extrapolou o foco de livro de História foi “O Futebol Explica o Brasil: Uma História da Maior Expressão Popular do País“, do jornalista Marcos Guterman. A obra trata da ligação do esporte com a sociedade brasileira, desde a chegada ao País pelas mãos (e pés) de Charles Muller até a Copa de 2002 e teve como base a tese de mestrado apresentada por ele. “O livro foi lançado em novembro justamente para escapar do rótulo de lançamentos da Copa, mas entrou no pacote da editora por causa do mundial. Hoje ele é encontrado na prateleira de esportes, mas ele é um livro de História“, conta Guterman.

Grande parte dos lançamentos nessa véspera da Copa do Mundo trata, no entanto, sobre a história do evento. E nenhum dos livros lançados atingiu a profundidade que “O Mundo das Copas“, do jornalista Lycio Vellozo Ribas, conseguiu. Em uma obra de mais de 600 páginas, ele traz uma verdadeira enciclopédia sobre a competição, com fichas técnicas e textos sobre todos os jogos da história do torneio, iniciada em 1930, além de resultados de eliminatórias, curiosidades e estatísticas sobre todos os atletas que já participaram da mais importante festa do futebol. “Cada Copa é influenciada por tudo o que acontece ao redor, então também cito fatores extracampo, como política“, explica.

Entre os livros sobre futebol, o de Ribas vem obtendo os melhores resultados de vendas nas livrarias. “Nossa ideia era de fazer um produto numa tiragem limitada, visto que se trata de uma obra para venda num período curto, de pouco mais de 70 dias. E enfrentamos outro dilema: trabalhar com um preço bem acessível. Assim, tivemos de encarar uma edição gigante, de 30 mil exemplares. Ficamos apreensivos no lançamento, mas na segunda semana percebemos que tínhamos acertado nas apostas de tiragem e preço. Mais de 70% da tiragem já está vendida“, conta Almeida, da Lua de Papel, responsável pela publicação de “O Mundo das Copas“.

O sucesso já faz a editora pensar em lançar uma segunda edição ao fim da Copa da África, atualizada com o que ocorrer na competição. Ribas, que também mantém um blog para promover o livro, já está trabalhando na atualização. “Mas, se o Brasil for mal na Copa, pode diminuir o interesse dos leitores“, admite.

Outra editora que também está apostando em livros sobre a história das Copas do Mundo é a Panda Books, que lançou no mercado duas obras por conta da competição: “Os 55 Maiores Jogos das Copas do Mundo“, de Paulo Vinícius Coelho, e “A História das Camisas de Todos os Jogos das Copas do Mundo“, do jornalista Rodolfo Rodrigues, do colecionador e administrador Paulo Gini e do ilustrador Maurício Rito – um livro com desenhos e histórias dos uniformes que cada seleção usou em jogos de Mundiais. Já a editora Girassol aposta no livro “A História da Copa do Mundo“, oficial da Fifa, que tem como diferencial a capa em formato e com textura de bola de futebol.

Os bons números de vendas e a empolgação dos torcedores ajuda, assim, a reforçar o mercado de publicações sobre futebol no País. “Na Europa sempre se vendeu mais livros sobre futebol, mas nosso mercado cresceu muito nos últimos anos e hoje conseguimos colocar livros sobre futebol nas listas de mais vendidos, o que não tem acontecido por lá“, conclui Almeida.

 

MÁRIO SÉRGIO LIMA, COM COLABORAÇÃO DE WLADIMIR D’ANDRADE – Agência Estado




Descoberta especial: um super-predador em solo brasileiro

14 05 2010

Foto: Ulbra

A Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) apresentou na segunda-feira próxima passada, um fóssil quase completo de um superpredador, o tecodonte Prestosuchus chiniquensis , no município de Dona Francisca, no Rio Grande do Sul. Segundo a universidade, o animal viveu no período Triássico (há aproximadamente 238 milhões de anos) e é um ancestral dos dinossauros.   O fóssil foi achado há cerca de 30 dias após chuvas que expuseram parte do material.  Segundo universidade, os tecodontes eram um grupo de répteis ancestral aos dinossauros e também às aves.

O animal, segundo os pesquisadores, deveria ter aproximadamente 7 m de comprimento e pesar cerca de 900 kg. “Este é o maior esqueleto e em melhor estado de conservação já encontrado. (…) Esse achado tem enorme importância, com repercussão internacional, porque o conjunto completo pode nos dar informações amplas sobre este animal. Há diversos achados espalhados que se julga serem partes de prestosuchus. Agora, com todos os ossos, podemos certificar que realmente são desse tecodonte“, disse o paleontólogo Sérgio Cabreira.

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De fato a descoberta desse fóssil quase completo atraiu a atenção internacional.   Segundo o paleontólogo Sérgio Cabreira, responsável pelo achado, a imprensa internacional não está acostumada com trabalhos na América do Sul. Países como Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, defendem a sua própria cultura científica. “Aí, nesse conjunto, nós, brasileiros aqui do Sul, descobrimos algo completo com estruturas que não haviam sido encontradas antes. Isso mexe com o contexto“, afirma. De acordo em ele, o Brasil está em ascensão no cenário internacional e já é visto com respeito. “Não precisamos mais de suporte externo, temos estrutura.”

O pesquisador ressalta também que essa região do município de Dona Francisca é um dos sítios de fósseis mais importantes do mundo. “A área explorada ainda é pequena. Quando o processo de pesquisa for formatado realmente, nós vamos encontrar dezenas de fósseis“.

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A descoberta reflete um trabalho de seis anos de projeto, conta Sérgio Cabreira. “Temos feito vários achados de material na área. Há três anos, encontramos neste mesmo local, duas vértebras muito grandes desse Arcossauro. Nessa oportunidade, eu já tinha uma ideia do belo material que estava para encontrar. A erosão expôs uma margem do material e o limpamos. Entendemos que se travava de algo importante“, afirmou.    Ele também  acredita que esse animal tenha sido soterrado por  uma enchente poucos dias após a sua morte. “Encontramos um fóssil com crânio, coluna cervical, cauda, em excelente estado de preservação. O fóssil fala por ele mesmo.” Depois da divulgação das imagens, paleontólogos de diversas regiões visitaram o local.   O Prestosuchus chiniquensis representa o grupo dos primeiros arcossauros que atingiram um grande tamanho. “Não conseguiremos entender esse frisson da imprensa internacional se não olharmos para o cenário científico“, explicou referindo-se a todas as implicações históricas, científicas e sociais do trabalho.

Existem leis que regem o patrimônio científico brasileiro. A divulgação das descobertas é essencial para criar uma guarda em torno desse patrimônio, segundo o paleontólogo. “Devemos expor esse material para disseminar a conquista de todos os brasileiros. Além disso, o fato permite com que a sociedade e os políticos tomem providências para o aproveitamento e cercamento de áreas.”

O fóssil do tecodonte Prestosuchus chiniquensis continuará sendo estudado em território nacional. Ele agora entra em um circuito de tratamento, com clima e acondicionamento adequados. Réplicas serão feitas antes que os cientistas possam manusear os fósseis encontrados.  Geralmente essas cópias é que são apreciadas em museus, enquanto a original é utilizada em pesquisas.

Fonte:  Portal Terra