Ó rosa, nobre e bonita,
que encantamento trazeis!
Em vossa beleza, habita
a majestade dos reis!
—
(Eno Teodoro Wanke)
Ó rosa, nobre e bonita,
que encantamento trazeis!
Em vossa beleza, habita
a majestade dos reis!
—
(Eno Teodoro Wanke)
Daniel Penna ( Brasil, 1951)
óleo sobre tela/ sobre madeira
18 cm x 24 cm
A .D. Olga
Ricardo Gonçalves
Arrepanhando o vestido
De chita azul, nhá Carola,
Põe feijão na caçarola
Para o almoço do marido.
Dorme um cachorro estendido
À porta da casinhola;
Gritam galinhas de Angola
No terreiro bem varrido.
Enquanto chia a panela,
A moça vai à janela,
A ver se o marido vem.
Mas entra logo zangada
Porque na volta da estrada
Não aparece ninguém.
—
Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Maria da Silva Brito, São Paulo, Saraiva:1968
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Ricardo Mendes Gonçalves (SP, SP 1893 – SP, SP 1916) pseudônimos: Ricardo Gonçalves, Bruno de Cadiz, D. Ricardito. Poeta, tradutor, jornalista, diplomado em Direito (1908), político, membro grupo Minarete. Trabalhou para diversos jornais entre eles o Comércio de São Paulo e Estadinho. Foi também repórter do jornal O Correio Paulistano.
Obras:
Ipês, 1922
Bambu ao vento, aquarela chinesa.
Resiste ao vento o pinheiro,
e a ramaria espedaça;
mas o bambu, mesureiro,
dobra o dorso, e o vento passa.
(Archimino Lapagesse)
Cientistas da África do Sul comemoraram a descoberta de um enorme dinossauro, Aardonyx celestae, que antecede os gigantes do período Jurássico. Os ossos recém-descobertos — um dinossauro de espécie até agora desconhecida — mostram que ele caminhava sobre as patas traseiras, mas podia adotar uma postura quadrúpede . O Aardonyx, era vegetariano e caminhava na maior parte do tempo ereto. Mas a forma de seus ossos no antebraço mostra que ele era capaz de usar as quatro patas, dividindo assim o peso num maior número de pontos do apoio.
A criatura tinha mais do que 20 metros de comprimento e seis metros de altura no quadril. Pesava, aproximadamente, 500 kg, ou meia tonelada. Este fóssil foi descoberto em uma fazenda perto de Belém, no Estado Livre, na África do Sul. Sua idade está estimada em 195 milhões de anos. Esta descoberta possivelmente ajudará no conhecimento de como os enormes saurópodes — os maiores animais que já habitaram a Terra – evoluiram.
Este é, sem sombra de dúvida, um novo tipo de dinossauro, que nunca vimos antes e que tem uma posição significativa na árvore da família dos dinossauros, disse o paleontólogo australiano Adam Yates. Yates liderou a investigação do Price Bernard Instituto de Pesquisa Paleontológica na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo. A equipe formada por diversos cientistas africanos e de outras partes do mundo, levou mais de dois anos desbastando a pedra que cercava o fóssil. Os resultados estão publicados na revista britânica Proceedings of The Royal Society B.
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O paleontólogo Adam Yates descreve a descoberta de sua equipe na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo.
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Yates disse que o animal tem muitas características dos herbívoros que andavam sobre duas patas, bem como características de seus descendentes. Esses saurópodos, conhecidos popularmente como brontossauros, cresceram até tamanhos enormes e passaram a ser totalmente quadrúpedes. A nova descoberta revela um estágio intermediário na evolução dessas criaturas, disse Yates. O aardonyx nos deixa vislumbrar a evolução até o animal se tornar um saurópodo.
O nome do gênero é uma combinação das palavras terra do africâner: aard. E do grego para garra: ônix. Porque entre as primeira partes descobertas desse dinossauro estavam as garras incrustadas com terra.
Cartão Postal de Ano Novo, década de 1930, França.
A lua faceira e bela,
vestindo um manto de prata,
debruçou-se numa nuvem
para ouvir a serenata.
( Joanna D’Arc Pereira)
Cheng Minsheng ( QinDu, China, 1943)
Aquarela, tinta, sobre papel.
25 cm x 25 cm
Coleção particular.
Alegria de menina que gosta de leite de cabra
Afonso Schmidt
Quando acorda a corruíra do pessegueiro,
eu acordo também;
é a hora dourada em que passa o cabreiro
com suas cabrinhas tão bonitinhas…
São cerca de quarenta mas, contando bem,
talvez não passem de trinta…
A pintada, aquela que vai correndo na frente
e que não tem medo de gente
é a que leva o guizo alegre que tilinta.
As outras vão correndo atrás,
vão pulando,
vão chifrando,
vão berrando
bé, bé, bé…
Eu pego no copo e vou para o portão
chamar o cabreiro:
— Seu cabreiro, me tire este copo de leite,
mas quero daquela cabrinha malhada
que leva na boca uma folha dourada.
E o cabreiro chama a cabrinha:
bit, bit, bit…
Põe-se a tirar o leite:
puxa que puxa,
espicha que espicha,
escorrupicha…
Mamãe , que me espia sob o pé de brincos-de-princesa,
me fala:
— Menina que gosta de leite de cabra vira cabrita!
(mas isso é bobagem, ninguém acredita).
Depois o cabreiro e suas cabrinhas vão
pelas ruas do bairro, encharcadas de sol.
Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Maria da Silva Brito, São Paulo, Saraiva:1968.
Afonso Schmidt (Cubatão, SP 1890 – SP, SP 1964) poeta, romancista, contista, biógrafo, jornalista. Como jornalista trabalhou para A Voz do Povo, em 1920, no Rio de Janeiro. Para Folha da Noite, Diário de Santos e A Tribuna, em Santos. Em São Paulo trabalhou na Folha da Noite e O Estado de S.Paulo. Neste último trabalhou de 1924 até 1963. Recebeu o prêmio da revista O Cruzeiro em 1950 pelo romance Menino Felipe. A União Brasileira de Escritores lhe premiou com o Juca Pato – Intelectual do Ano em 1963. Foi sócio fundador do Sindicato dos Jornalistas do Estado de S. Paulo, membro da Academia Paulista de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.
Obras:
A Árvore das lágrimas – 1942
A Datilógrafa
A Marcha -1941
A Nova conflagração -1931
A Primeira viagem – 1947
A Revolução brasileira – 1930
A Sombra de Júlio Frank – 1936
A Vida de Paulo Eiró – 1940
Ao relento -1922
As Levianas
Aventuras de Indalécio
Bom tempo -1956
Brutalidade – 1922
Carantonhas – 1952
Carne para canhão – 1934
Colônia Cecília – 1942
Curiango – 1935
Evangelho dos livres -1919
Garoa – 1931
Janelas abertas – 1911
Lembrança
Lírios roxos – 1904
Lua nova
Lusitânia – 1918
Menino Felipe -1950
Miniaturas – 1905
Mirita e o ladrão – 1960
Mistérios de São Paulo – 1955
Mocidade – 1921
O Assalto – 1945
O Canudo – 1963
O Desconhecido
O Dragão e as virgens – 1926
O Enigma de João Ramalho – 1963
O Passarinho verde
O Que era proibido dizer – 1932
O Reino do céu – 1942
O Tesouro de Cananéia – 1942
Os Boêmios
Os Impunes – 1923
Os Impunes – 1924
Os Melhores contos de Afonso Schmidt – 1946
Pirapora -1934
Poesia – 1945
Poesias -1933
Retrato de Valentina – 1948
Saltimbancos – 1950
São Paulo dos meus amores -1954
Somos todos irmãos – 1949
Tempos das águas – 1962
Zamir
Zanzalás – 1938
Dilan Camargo
Senhora Dona Vassoura
Elegante Dama Loura
ao vê-la assim tão linda
minha tristeza se finda.
Vamos dançar uma valsa?
Pra poder acompanhá-la
este jovem se descalça
com medo de pisá-la.
Deixe enlaçar, dançarina
a sua cintura fina.
Deixe tomar, bem sensíveis
os seus braços invisíveis.
Ao soar a melodia
surpresa todos verão:
rodopia, rodopia
um belo par no salão.
Em: Poesia fora da estante, coord. Vera Aguiar, Simone Assumpção e Sissa Jacoby, Porto Alegre, Editora Projeto:2007
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Dilan Deibal D’ Ornellas Camargo — ( Itaqui, RS, 1948) advogado, professor, escritor, poeta, teatrólogo e letrista.
Obra:
Em mãos, poesia, 1976
Na mesma Voz, poesia, 1981
Sopro nos Poros, poesia, 1985
O Embrulho do Getúlio, poesia infantil, 1989
Rebanho de Pedras, poesia, 1990
O Vampiro Argemiro, poesia
Eu pessoa, pessoa eu, poesia, 1997
Poesia e Cidade, poesia, 1997
Bamboletras, poesia, 1998
O tempo começa no coração, poesia, 1999
A Fala de Adão, poesia, 2000
Antologia do Sul – Poetas Contemporâneos do RS, poesia, 2001
Ilustração Maurício de Sousa.
Dilan Camargo
Mamãe me empresta tua bolsa
teu colar e teus sapatos
depois me passa batom
que vou tirar um retrato.
Deixa eu me olhar no espelho
deixa só por um instante.
Quero batom mais vermelho
quero um colar mais brilhante.
A sala é uma passarela
requebro e faço proeza
sou artista de novela
a rainha da beleza.
Será que o sonho termina
quando desço dos sapatos?
Será que baixa a cortina
quando chega o fim do ato?
Em: Poesia fora da estante, coord. Vera Aguiar, Simone Assumpção e Sissa Jacoby, Porto Alegre, Editora Projeto:2007
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Dilan Deibal D’ Ornellas Camargo — (Itaqui, RS, 1948) advogado, professor, escritor, poeta, teatrólogo e letrista.
Obra:
Em mãos, poesia, 1976
Na mesma Voz, poesia, 1981
Sopro nos Poros, poesia, 1985
O Embrulho do Getúlio, poesia infantil, 1989
Rebanho de Pedras, poesia, 1990
O Vampiro Argemiro, poesia
Eu pessoa, pessoa eu, poesia, 1997
Poesia e Cidade, poesia, 1997
Bamboletras, poesia, 1998
O tempo começa no coração, poesia, 1999
A Fala de Adão, poesia, 2000
Antologia do Sul – Poetas Contemporâneos do RS, poesia, 2001
Borboleta multicor
tu me lembras, ao passar,
um bilhetinho de amor
dobrado em dois, a voar…
(J. G. de Araújo Jorge)