Então, meninas onde estão suas contribuições para a Wikipedia?

2 02 2011

Nina na minha mesa, 2000

Andrew Paquette ( EUA, contemporâneo)

aquarela sobre papel,  25 x 35 cm

http://www.paqart.com/

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No dia 30 de janeiro o jornal The New York Times publicou um artigo Define gender gap?  Look up Wikipedia contibutors list, de Noam Cohen sobre a enorme diferença de gênero entre os contribuintes da Wikipedia.  Eu e muitos de meus amigos ficamos surpresos com essa diferença.  Só 13% dos contribuintes da enciclopédia virtual é composta de mulheres.  Esta notícia se torna ainda mais surpreendente quando consideramos que as mulheres em grande parte dos países ocidentais têm maior número de anos de educação formal.

Outra surpresa foi saber que a maioria dos contribuintes está no patamar de 25 anos de idade e por causa da menor participação feminina nessa enciclopédia coletiva, há assuntos de relevância para as mulheres com muito menos ênfase do que assuntos de típico interesse masculino.

Sou uma das mulheres que contribui, talvez não tão regularmente quanto poderia, para a Wikipedia.  Por que? 

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Notei, há algum tempo, que quando procurava uma informaçãozinha básica sobre um autor brasileiro ou sobre um assunto nosso, havia muito pouco na enciclopédia em português.   Há muita coisa sobre os esportes.  Mas pouco de cultura.  Há muito sobre filmes, pouco sobre autores do passado.  Há muito sobre televisão e seus artistas.  Há pouco sobre pequenos heróis da nossa história.  Quase nada sobre mulheres de influência nos séculos passados. 

Parte do problema é a nossa própria difusão da cultura.  Parte é que as pessoas de maior idade que possivelmente poderiam contribuir  mais, não são tão adeptas à internet.  São diferenças culturais e de gerações. 

Com a criação deste blog, descobri que eu poderia dar a minha pequena contribuição.  Não necessariamente porque eu saiba mais do que outras pessoas, mas porque, talvez, eu tenha tido mais acesso a informações.  E informação é tudo.  É a divulgação de informação que faz as pessoas pensarem em soluções  para problemas do dia dia de maneira criativa, “fora da caixa”.

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Café au lait, 2006

Pepper Peterson (EUA, contemporânea)

óleo sobre placa de madeira

www.pepperpeterson.com

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Tenho tentado contribuir com a Wikipedia, essa enciclopédia virtual coletiva, postando informações que eu mesma fui obrigada a pesquisar para poder dar informações mais sólidas sobre o que escrevo na Peregrina Cultural.  Mas confesso que tenho tido uma preguiça enorme de colocar lá na Wikipedia o que coloco no blog, repetir a informação.

Às vezes tomo coragem e por dois dias seguidos ponho alguns dados.  Mas não faço isso com regularidade suficiente para dominar os “padrões de estilo” do portal.  Resultado: para entrar, por exemplo, informações sobre os escritores: Wilson Woodrow Rodrigues e Sabino de Campos, coisa que fiz recentemente, acho que foi até na semana passada,  penei.  Editei os textos diversas vezes, muitas vezes mesmo, uma coisa que a Wikipedia prefere que não seja feita.  Assim mesmo, os verbetes, até hoje, ainda não estão de acordo com as regras da Wikipedia. 

Por que acho tão difícil?  Porque gasto muito tempo tentando achar respostas para dúvidas irritantes, procurando informações com as quais perco a paciência, detalhistas demais: como entrar título de obra?  O que deve levar letras maiúsculas?  O que deve ter um link para outra página?  E assim por diante.  Essa necessidade de se entrar tudo de acordo com o sistema deles, que é diferente de muitos, tem-me afastado do portal como contribuinte.   Seria fenomenal se eles tivessem alguém que pudesse fazer isso por mim.  Porque eu certamente poderia usar uma secretária! 

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Amadeu começa a escrever,  será?  Ilustração Walt Disney.

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Muitos não confiam num trabalho coletivo desse porte. Nem tudo que está lá é correto.  Mas o que é correto é tão maior, mas muito, muito maior do que o incorreto, que pode  ser considerado insignificante e em geral é consertado rapidamente.  E vejo que a divulgação de informação correta no portal da Wikipedia é uma das grandes contribuições que esta organização fez mundialmente; uma grande contribuição para nivelar acesso a informações e aumento do conhecimento geral no planeta.  É um documento do saber coletivo.  Lindo não é mesmo?   E gosto dela por isso.  Gosto de estar lá dando a minha contribuição de formiguinha. 

Se olharmos o número de verbetes em português em comparação com o número de verbetes em outras línguas, a gente sai perdendo.  Vamos nos lembrar que os verbetes em português, incluem: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Cabo Verde, Macau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.  Países com população muito menor que essa toda  têm muito mais verbetes do que nós.  Depois reclamamos da falta de conhecimento “lá fora” sobre o que é nosso.  Mas o que estamos fazendo para divulgar esse conhecimento aqui e lá fora?

Lendo o artigo ontem sobre a falta de mulheres como contribuintes da Wikipedia, voltei a criar coragem e tentar diminuir essa diferença.  Quem sabe se você que está lendo esta postagem não se candidata?  Cada qual faz um pouquinho e brasileiros e o mundo terão mais acesso e mais conhecimento sobre as nossas coisas, a nossa cultura.  Anime-se!





OLIMPÍADAS 2016 – um símbolo na medida carioca!

7 01 2011


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Gostei imensamente do símbolo das Olimpíadas Cariocas, desvendado no dia 31 de dezembro durante a Festa de Réveillon em Copacabana.  Produzido pela empresa carioca Tátil, com 20 anos de experiência no mercado e uma equipe de 105 funcionários, é o primeiro símbolo das Olimpíadas tri-dimensional.  Acredito que esta idéia, de tri – dimensionar, tenha sido um daqueles momentos de AHA! — um momento  EURECA! – no processo criativo, pois ele certamente se prestará à própria modernização visual das Olimpíadas.  Eu me explico: hoje temos uma abundância de televisões e filmes cujas imagens podem ser vistas em três dimensões, a tendência deve ser de se tornarem mais comuns. Mas o uso de imagens holográficas também está se acelerando.  Recentemente a Universidade de Tóquio demonstrou por um vídeo desenvolver o que se chama de holografia tátil.   E nas eleições para Presidente dos Estados Unidos a rede de televisão CNN inaugurou o uso de uma imagem de Jessica Yellin, conversando com o jornalista Wolff Blitzer em que a imagem dela foi projetada e parecia estar em três dimensões, mas vinda de outro local, distante dos estúdios televisivos, por aproximadamente 1.600 km. Esses experimentos estão pipocando no mundo todo e o símbolo das Olimpíadas cariocas facilmente se adaptará a esses meios não tão comuns hoje, mas que deverão ser corriqueiros em 2016.

O símbolo das Olimpíadas de 2016 faz uma referência visual às montanhas cariocas, como o vídeo de apresentação mostra [ veja abaixo].  A imagem de três pessoas dando-se as mãos num círculo foi um achado de grande felicidade.   Como sabemos, a dança em círculo, é uma das manifestações humanas mais antigas, quase sempre traduzindo felicidade e união, duas características associadas ao evento olímpico e a este momento especial por que passa a cidade do Rio de Janeiro.    A dança em círculo também foi durante a Idade Média e a Renascença considerada uma dança sagrada.  Já mencionamos isso aqui no blog quando mostramos o altar do Último Julgamento de Fra Angélico.

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Com área de especialização na Arte Européia Moderna (1868-1945 — da Guerra Austro-prussiana ao final da 2ª Guerra Munndial) e dedicação de dez anos de estudo à história da arte, com teses esmiuçando os movimentos artísticos na Europa no início do século XX, é natural que, volta e meia, eu venha a relacionar o que vejo com o que estudei.  Assim aconteceu na primeira vez que vi o símbolo da Olimpíadas do Rio de Janeiro.  Um dos grandes passatempos de historiadores da arte é imaginar que influências, diretas ou não, certos artistas receberam para chegar às soluções gráficas que escolheram.  Até o final do século XX, antes do aparecimento da internet, era mais fácil saber o que cada pintor ou escultor havia visto e determinar se um quadro ou uma escultura havia influenciado o resultado final de uma composição mais tardia.  Na verdade, as coisas começaram a mudar quando a impressão de fotografias de quadros famosos começou a aparecer em revistas de grande tiragem,  já no final do século XIX.  Mas até então, artistas estavam, em sua grande maioria, limitados à presença física diante de uma obra de arte ou de uma de suas cópias — daí as inúmeras cópias da arte clássica grega e romana, por exemplo, que preenchem grande parte dos museus de Belas Artes. 

Historiadores da arte, principalmente aqueles especializados nas Proto e Alta Renascença podem passar anos de suas vidas dedicando-se às influências sofridas por este ou aquele pintor.  Teria tido ele acesso a esse manuscrito que tem ilustrações semelhantes?  Ou teria fulano tido acesso a qual edição de um Livro de Emblemas?  Hoje, com a internet, estas suposições já não cabem.  Todo mundo tem acesso a tudo.  Mas, fato é que, esta maneira de pensar acaba ficando no sangue de quem estuda História da Arte; é um vício de enfoque, digamos assim.  E o símbolo das Olimpíadas de 2016 me remeteu de imediato, a um dos maiores artistas do século XX, o francês Henri Matisse.

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A  dança, 1909

Henri Matisse ( França, 1869-1954)

Óleo sobre tela, 2,60m x 3,90m

Museu de Arte Moderna [MOMA] de Nova York

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Há duas versões desse quadro: A Dança, de Matisse.  A de Nova York , de 1909, que é a primeira versão, uma espécie de estudo.  As figuras têm menos detalhes do que as que aparecem na versão definitiva, de 1910,  hoje no Museu Hermitage em São Petersburgo, na Rússia.  E as cores são bastante mais pálidas na primeira versão.  A Dança  tem um par, um pendant, que é  a  tela Música.  Ambas foram pintadas para o empresário e colecionador russo Sergei Shchukin.  E essas obras marcam uma virada, um ponto importante da carreira de Matisse: foram a primeira experiência de Matisse com um trabalho baseado em elementos arquitetônicos – os painéis tinham a incumbência de “vestirem” ,ou melhor,  serem colocados ao longo da grande escadaria do palacete de Shchukin, e também causaram grande comoção ao pintor, pois seu patrocinador teve sérias dúvidas se poderia ou não dependurar essas obras, com tantos nus, na residência onde morava com duas sobrinhas, donzelas,  sem ofender a moral vigente.

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A dança, 1910.

Henri Matisse (França, 1869-1954).

Óleo sobre tela, 2,60m  x 3, 9O m

Museu Hermitage, São Petersburgo, Rússia

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Cem anos separam o símbolo das Olimpíadas no Rio de Janeiro das telas de Henri Matisse, assim como aproximadamente cem anos separaram as telas de Matisse do que é considerado fonte de inspiração do artista francês:  A dança de Oberon, Titania,  e Puck com as Fadas, de circa 1786, de autoria do inglês William Blake ilustrando O sonho de uma noite de verão de William Shakespeare.

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A dança de Oberon, Titania e Puck com as fadas, c. 1786

William Blake (Inglaterra, 1757-1827)

Aquarela sobre papel grafite, 47,5cm x 67,5cm

Tate Gallery, Londres

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Ainda que a obra de Matisse A Dança tenha diversas versões escultóricas pelo mundo, inclusive uma versão no Jardim Botânico do Rio de Janeiro,  e que seus cinco elementos em círculo venham a lembrar os cinco círculos que compõem o logotipo das Olimpíadas, cada qual representando um dos continentes, acredito que seja a versão de William Blake a que mais se aproxime em composição do logo das Olimpíadas de 2016.  Isso porque na dança, propriamente dita, de Blake há três fadas, que se separadas do original, como o detalhe abaixo mostra, muito se assemelham no contorno de seus movimentos aos contornos da logomarca das Olimpíadas cariocas.

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William Blake, Dança das Fadas, DETALHE.

Logo, Olimpiadas 2016.

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William Blake ou Henri Matisse podem ter sido ou não as fontes de inspiração para uma excelente marca.  Mas, vale a pena lembrar, que desde a Grécia antiga o círculo é considerado a forma mais simples e mais perfeita [Proclus Lycaeus , (500 aC)].   E que o círculo talvez seja o mais antigo símbolo de união.  O círculo tem sido através dos séculos o símbolo de um todo, indivisível: uma unidade.  Símbolo, também,  da bondade, do infinito e do sol, todos ingredientes existentes no Rio de Janeiro e essenciais para o bom desempenho das Olimpíadas.  Este círculo, formado pelas mãos unidas de três pessoas dançando, se veste de alegria e cristaliza o momento mágico, sagrado, de comunhão com algo que é maior que nós.  Esse círculo, que no Rio de Janeiro toma uma forma tri-dimensional, representa também a união de diferentes povos num momento especial de paz e de entrega.  E é tão carregado de associações culturais, as mais diversas, que repercute nas nossas almas, no nosso inconsciente coletivo, lembrando-nos dos valores das Olimpíadas, dos esportes, da cordialidade entre os povos que devem florescer no espírito desta festa.   Parabéns aos que o criaram e parabéns ao Rio de Janeiro por ser tão bem representado.

©Ladyce West, Rio de Janeiro: 2011

VEJA COMO FOI O PROCESSO DE CRIAÇÂO DA LOGOMARCA:





A dança do tangará, poesia infantil de Álvaro Moreyra

4 01 2011

A dança do tangará

Álvaro Moreyra

Naquela noite danada

em que a formiga rogou

a praga contra a cigarra:

— Cantava, não é?  Cantou?

Pois, então, agora dance! –

naquela noite danada

aconteceu que de um galho,

vizinho do bangalô

onde a formiga morava,

um passarinho escutou

essas palavras malvadas.

Mas, malvadas não achou.

Ao contrário da cigarra,

o passarinho gostou.

Gostou tanto, que em seguida,

dançou, dançou, dançou.

Nunca mais quis outra vida.

Dançou sozinho, primeiro.

Depois, com par.  Afinal,

bateu na testa e acabou

formando uma companhia

de bailado brasileiro,

bem nosso, bem nacional.

Artistas disciplinados.

Formam roda nos caminhos

e repetem sempre igual,

na cadência que a embalança,

ida e volta, volta e ida,

a dança do tangará,

mais alegre do que a dança

que agente dança na vida

que se chama esperança,

ida e volta, volta e ida…

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Em: Poesia brasileira para a infância de Cassiano Nunes e Mário da Silva brito, Coleção Henriqueta, São Paulo, Saraiva: 1968

Álvaro Maria da Soledade Pinto da Fonseca Velhinho Rodrigues Moreyra da Silva (Porto Alegre, 1888 – Rio de Janeiro, 1964) Poeta, cronista, jornalista, teatrólogo, radialista . Completou o curso de ciências e letras (1907). Em 1908, iniciou-se no jornalismo.  No Rio de Janeiro (1910), entregou-se ao jornalismo na redação da revista “Fon-Fon”. Diplomou-se em direito (1912). Fundou, junto com Eugênia Moreira, o “Teatro de Brinquedo”. Eleito em 1959 para a ABL, ocupou a cadeira 21, sucedendo a Olegário Mariano.

Obras:

Degenerada, poesia, 1909

Casa desmoronada, poesia, 1909

Elegia da bruma, poesia, 1910

Legenda da luz e da vida, poesia, 1911

Um sorriso para tudo, prosa, 1915

Lenda das rosas, poesia, 1916

O outro lado da vida, prosa, 1921

A cidade mulher, prosa, 1923

Cocaína, prosa, 1924

A boneca vestida de Arlequim, prosa, 1927

Circo, poesia, 1929

Adão e Eva e outros membros da família, teatro, 1929

Caixinha dos três segredos, poesia, 1933

O Brasil continua, prosa, 1933

Tempo perdido, prosa, 1936

Teatro espanhol na Renascenç, prosa, 1946

As amargas, não…, prosa, 1954

O dia nos olhos, prosa, 1955

Havia uma oliveira no jardim, prosa, 1958

Veja o vídeo do tangará no seu ritual acasalador:

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Tangará dançador- Chiroxiphia caudata





Os violões no Natal, poesia de Sabino de Campos

6 12 2010

Músicos, cartão de Natal, da Rússia, sem data.

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Os violões no Natal

Sabino de Campos

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Os violões, no Natal, são mais sonoros:

Enchem nossa existência de infinito,

De perfumes sinfônicos e coros

Doces, pungentes como um luar no Egito.

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Nas suas cordas, pássaros canoros

Gorjeam terno cântico bonito…

Não há no mundo trevas nem meteoros,

Tudo parece angélico e bendito…

Natal.  A natureza reverdece

Entre lírios e rosas e esplendores,

Tem o mundo a doçura de uma prece…

E os violões do Natal, cordas de luz,

Parecem dedilhados, entre flores,

pelos dedos divinos de Jesus…

                     João Pessoa — Paraíba

Em: Sabino de Campos, Natureza: versos, Rio de Janeiro, Pongetti: 1960

 

Sabino de Campos, Retrato a bico de pena, por Seth, 1947.

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Sabino de Campos (Amargosa, BA, 1893– ? ),  poeta, romancista e contista.

Obras:

 

Jardim do silêncio, 1919, (poesia)

Sinfonia bárbara, 1932,  (poesia)

Catimbó: um romance nordestino, 1945 (romance e novela)

Os amigos de Jesus, 1955 (romance e novela)

Lucas, o demônio negro, 1956 – romance biográfico de Lucas da Feira (romance e novela)

Natureza: versos,  1960 (poesia)

Cantigas que o vento leva, 1964, (poesia)

Contos da terra verde, 1966 (contos)

Fui à fonte beber água, 1968 (poesia)

A voz dos tempos, memórias, 1971

Cantanto pelos caminhos, 1975

Autor, junto de Manoel Tranqüilo Bastos, do hino da cidade de Cachoeira, BA





Cidadezinha cheia de graça, soneto — de Mário Quintana – uso escolar

29 11 2010

Casario, 1943

Milton da Costa ( Brasil 1915 – 1988)

óleo sobre madeira, 32 x 41 cm

Coleção Particular

Cidadezinha cheia de graça

                                                 Mário Quintana

Cidadezinha cheia de graça…

Tão pequenina que até causa dó!

Com seus burricos a pastar na praça…

Sua igrejinha de uma torre só.

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Nuvens que venham, nuvens e asas,

Não param nunca, nem um segundo…

E fica a torre sobre as velhas casas,

Fica cismando como é vasto o mundo!…

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Eu que de longe venho perdido,

Sem pouso fixo ( que triste sina!)

Ah, quem me dera ter lá nascido!

Lá toda a vida poder morar!

Cidadezinha… Tão pequenina

Que toda cabe num só olhar…

Em: Mário Quintana, Prosa e verso – série paradidática — Porto Alegre, Editora Globo: 1978

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Mário de Miranda Quintana – (RS 1906 – RS 1994) poeta, tradutor e jornalista.

Obras:

– A Rua dos Cata-ventos (1940)

– Canções (1946)

– Sapato Florido (1948)

– O Batalhão de Letras (1948)

– O Aprendiz de Feiticeiro (1950)

– Espelho Mágico (1951)

– Inéditos e Esparsos (1953)

– Poesias (1962)

– Antologia Poética (1966)

– Pé de Pilão (1968) – literatura infanto-juvenil

– Caderno H (1973)

– Apontamentos de História Sobrenatural (1976)

– Quintanares (1976) – edição especial para a MPM Propaganda.

– A Vaca e o Hipogrifo (1977)

– Prosa e Verso (1978)

– Na Volta da Esquina (1979)

– Esconderijos do Tempo (1980)

– Nova Antologia Poética (1981)

– Mario Quintana (1982)

– Lili Inventa o Mundo (1983)

– Os melhores poemas de Mario Quintana (1983)

– Nariz de Vidro (1984)

– O Sapato Amarelo (1984) – literatura infanto-juvenil

– Primavera cruza o rio (1985)

– Oitenta anos de poesia (1986)

– Baú de espantos ((1986)

– Da Preguiça como Método de Trabalho (1987)

– Preparativos de Viagem (1987)

– Porta Giratória (1988)

– A Cor do Invisível (1989)

– Antologia poética de Mario Quintana (1989)

– Velório sem Defunto (1990)

– A Rua dos Cata-ventos (1992) – reedição para os 50 anos da 1a. publicação.

– Sapato Furado (1994)

– Mario Quintana – Poesia completa (2005)





1º Festival de Canto Coral da Arquidiocese do Rio de Janeiro

22 11 2010

Canto de Natal, 2005

Anatoly Marchuck (Ucrânia)

Óleo sobre tela, 75 x 65 cm 

O 1º Festival de Canto Coral da Arquidiocese do Rio, “Natal EnCanto”, será realizado entre os dias 20 de novembro e 18 de dezembro de 2010. Cada coral vai apresentar duas músicas, de livre escolha, mas respeitando a doutrina da Igreja. A duração de cada apresentação será de, no máximo, 15 minutos. A premiação do Festival na categoria adulto será de 15 mil reais para o primeiro colocado, 10 mil para o segundo e cinco mil para o terceiro. Já na categoria infantil, o primeiro colocado receberá 10 mil, o segundo sete mil e o terceiro três mil reais. Sendo que toda a premiação será dividida: metade para a obra social da paróquia, indicada pelo pároco, e a outra parte para o coral. A final será apresentada da Igreja São José da Lagoa, no dia 18 de dezembro, a partir das 18 horas. Antes, será realizada a Santa Missa. Ainda três corais participantes serão convidados a se apresentar nas lojas do Supermercado Zona Sul, um dos patrocinadores do evento. 

 Confira a programação completa das apresentações e participe.

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ADULTO – 1ª ETAPA 24/11 – 20h – 4ª feira

Paróquia Nossa Senhora da Paz

Rua Visconde de Pirajá, 339 – Ipanema

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ADULTO – 2ª ETAPA 27/11 19h30 – Sábado

Basílica Imaculada Conceição

Praia de Botafogo, 266 – Botafogo

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ADULTO – 3ª ETAPA 01/12 – 20h – 4ª feira

Paróquia Santos Anjos

Av. Afrânio de Franco Melo, 300 Leblon

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ADULTO – 4ª ETAPA 04/12 – 14h – Sábado

Paróquia N. S. da Divina Providência

Rua Lopes Quintas, 274 Jardim Botânico

INFANTIL 11/12 – 15h – Sábado

Paróquia N. S. da Divina Providência

Rua Lopes Quintas, 274 Jd Botânico

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ADULTO – FINAL 18/12 – 20h – Sábado

Paróquia São José

Av. Borges de Medeiros, 2.735 – Lagoa

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Pano da costa, poesia de Wilson W. Rodrigues

20 11 2010

Baianas, 1979

Armando Romanelli ( Brasil, 1945)

Óleo sobre tela colado em eucatex, 20 x 20 cm

Coleção Particular

Pano da Costa

                                  Wilson W. Rodrigues

Teci meu pano da Costa

com uma agulha de prata

pra fazer enfeite novo

no vestido da mulata.

Fiz uma pano colorido

tecido com fios finos

com missangas penduradas

e guizos bem pequeninos.

Bordei no pano da Costa

uma figa da Guiné

e uma sandália dourada

metida dentro de um pé

Botei tanta coisa junta

que a mulata se espantou

e ficou mesmo zangada,

e meu paninho rasgou.

Em: Bahia Flor : poemas, Rio de Janeiro, Editora Publicitan: 1949

Wilson Woodrow Rodrigues, nasceu em 1916 em Salvador, BA.  Foi poeta, folclorista e jornalista. Estudou no Colégio Ipiranga, em Salvador.

Obras:

A caveirinha do preá,  Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro

Desnovelando, Arca ed., s/d, Rio de Janeiro

O galo da campina, Arca ed,: s/d, Rio de Janeiro

O pintainho, Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro

Por que a onça ficou pintada, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

A rãzinha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

Três potes, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

O bicho-folha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

A carapuça vermelha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

Bahia flor, 1948 (poesias)

Folclore Coreográfico do Brasil, 1953

Contos, s/d

Contos do Rei-sol, s/d

Contos dos caminhos, s/d

Pai João, 1952





Aos chorões, poema de Augusto Meyer

26 09 2010

Vitórias Régias e chorões em lago, 1916

Claude Monet ( França, 1840-1926)

óleo sobre tela, 160 x 180 cm

Lycée Claude Monet, Paris

Aos Chorões

                        Augusto Meyer

Chorões da praia de Belas

Molhando as folhas no rio.,

sois pescadores de estrelas

ao crepúsculo tardio.

O mais velhinho, já torto

ao peso de tantas mágoas

lembra um pensamento absorto

debruçado sobre as águas.

Salgueiros trêmulos, belos,

meus camaradas tão bons,

diz o poeta, violoncelos

onde o vento acorda os sons.

Sois, à beira da enseada,

um bando de poetas boêmios,

e fitais na água espelhada

vossos companheiros gêmeos…

Mas se alguma brisa agita

a copa descabelada,

ondula, salta, palpita

vossa imagem assustada…

Augusto Meyer Júnior (Porto Alegre,1902 — Rio de Janeiro,1970) Pseudônimo: Guido Leal, Jornalista, ensaísta, poeta, memorialista e folclorista brasileiro. Em 1935 assumiu a direção da Biblioteca Pública de Porto Alegre. Em 1938, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a colaborar em jornais e revistas com poemas e ensaios críticos. Fez parte do Modernismo gaúcho, quando dá à poesia um toque regionalista. Membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Brasileira de Filologia.

Obras:

A Chave e a Máscara,  1964  

A Forma Secreta, 1965  

À Sombra da Estante, 1947  

Camões, o Bruxo e Outros Estudos, 1958  

Cancioneiro Gaúcho, 1952  

Coração Verde, 1926  

Duas Orações, 1928  

Gaúcho, História de uma Palavra, 1957  

Giraluz, 1928  

Guia do Folclore Gaúcho, 1951  

Ilusão Querida, 1923   

Le Bateau Ivre. Análise e Interpretação, 1955  

Literatura e Poesia, 1931  

Machado de Assis, 1935  

No Tempo da Flor, 1966  

Notas Camonianas, 1955  

Poemas de Bilu, 1929  

Poesias (1922-1955), 1957  

Preto e Branco, 1956  

Prosa dos Pagos, 1943  

Segredos da Infância, 1949  

Seleta em Prosa e Verso, 1973  

Sorriso Interior, 1930  

Últimos Poemas, 1955





Vida no campo, vídeo, desenho musicado

11 09 2010







Está na hora de debater o esporte como meio de educação

9 07 2010

Flamenguistas, s/d

José Sabóia (Bahia, 1949)

Óleo sobre tela, 30 x 30 cm

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Muito se fala no Brasil sobre os valores que os esportes desenvolvem nos que os praticam.  Dia sim, dia não  anunciamos nas televisões, na propaganda, nos jornais, em todos os meios de comunicação, direta ou indiretamente, que a participação em esportes, principalmente aqueles de equipe, ajuda ao desenvolvimento  de caráter nas crianças e adolescentes.  Centenas de projetos de ONGS e de governos municipais ou estaduais se dedicam a envolver crianças principalmente das camadas sociais menos privilegiadas para que  o esporte  – qualquer um deles — sirva de meio de educação, de sobrevivência, de alavanca social para o indivíduo e sua  família.  Acaba sendo uma religião, em que o esporte é visto como grande transformador social.  E como uma religião a crença nele parece inquestionável.  Como pano de fundo  milhares de crianças em semelhantes circunstâncias são levadas a sonhar com destino parecido aos dos grandes desportistas, descobertos na pobreza, educados nas escolinhas desportivas e feitos ricaços antes de completarem 25 anos.

Essa linha de pensamento que eleva o esporte a um sistema educacional, praticamente ao par com a tradicional educação escolar e desenvolvimento intelectual, tem suas raízes no  início do século XIX, mais precisamente na Inglaterra, onde e quando se desenvolveu a maioria dos esportes que fazem parte do nosso dia a dia.   Todo tipo de crença sobre os valores esportivos alardeados naquela época, enraizados nos conceitos da antiga Grécia — mente sã em corpo são — foram abraçados sem oposição, repetidos sem reflexão, como papagaios que somos das idéias alheias. Esses preceitos nos disseram que os esportes ajudavam na auto–confiança do indivíduo, incentivavam o jogo limpo e  o respeito por regras.  Que com eles aprendemos a ser generosos na vitória, a termos compaixão por quem perde  e sobretudo aprendemos a  saber perder quando o  adversário se mostra melhor, mais capaz, mais habilidoso.

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Jogando futebol, 1977

Benê Olivier ( Brasil, 1944)

óleo sobre placa, 36 x 22 cm

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No entanto, temos tido provas, com uma regularidade desconcertante,  de que há uma super valorização do esporte como meio de educação no Brasil.  Sozinho ele não cria um indivíduo honesto, de bom caráter.  Sozinho ele não cria uma pessoa que respeita as leis, as regras sociais.  Sozinho o esporte não ensina a compaixão, nem a dignidade na perda ou na vitória.  Sozinho ele se mostra vazio.   

Um dos grandes treinadores de basquete dos Estados Unidos,  John Wooden ( 1910-2010) ficou conhecido pela frase:  “Os esportes não formam o caráter.  Eles o revelam”.   [“Sports do not build character. They reveal it.” ].   Acredito na sua percepção.  E, por isso mesmo, está na hora de debatermos o que deve estar incluído na formação de um desportista – de qualquer esporte – o que deve estar incluído nas famosas escolinhas de clubes  atléticos.  Há de haver um currículo mais estrito sobre a responsabilidade social e cívica do indivíduo.  Há de haver  uma maior participação, obrigatória, da família do jovem em questão, talvez até a educação de seus membros e certamente um acompanhamento psicológico.  Esta é a  hora de revermos esses conceitos que super valorizam os esportes.  Os esportes não são os redentores sociais que imaginamos serem.  Os redentores somos nós.