Victor Brecheret (Brasil, 1894-1955)
Bronze
Túmulo da Família Scuracchio
Cemitério de São Paulo
Victor Brecheret (Brasil, 1894-1955)
Bronze
Túmulo da Família Scuracchio
Cemitério de São Paulo
Chapéu amarelo, ilustração de Al Parker.
Que chapéu extravagante
dessa madame travessa!
Virou moda de elegante
– por chapéu sem ter cabeça!
(Eva Reis)
A Catedral de Belém do Pará, gravura.
Correa Pinto
Três séculos e meio tens de idade
Mas, ao beijo do sol equatorial,
Reconquistas a eterna mocidade
Como a Iara em seu banho matinal.
Enfeitiçante e cálida cidade!
Encerras um mistério sem igual:
Longe de ti morre-se de saudade
Como quem lembra uma paixão sensual.
Na verde alcova de tuas avenidas
Ao capitoso aroma das mangueiras,
Como é romântico, Belém, te amar
Cidade em flor, que ao êxtase convida,
Bendigo as fortes gerações primeiras,
Que te plantaram entre o rio e o mar!
Em: A lira na minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, Clóvis Meira, Belém: 1993, p. 91-92
Augusto Correa Pinto Filho poeta, ensaísta, contista. Nasceu em Óbidos, Pará, em 1915. Faleceu em 1976 no Rio de Janeiro.
Obras:
Fascinação, poesia, 1943
Sonetos, poesia, 1964
Exaltação a Portugal, 1964
Oração da Humanidade, 1951
Perfil de Paulo Maranhão, 1956
Machado de Assis, ensaio, 1958
Belém: Imagens e Evocações, 1968
Fim, Análise de um Mundo que Morre, 1961.
Bolinha vai caçar borboletas, ilustração de Marjorie Handerson Buel.
Ilustração de Ariane Beigneux.
Oh! quanta beleza… quanta!
nessa algazarra dos ninhos!
Parece até que Deus canta
pela voz dos passarinhos!
Joubert de Araújo Silva
Ilustração de Maurício de Sousa.
Para ter com quem falar
a velhinha sem ninguém
vai ao padre confessar
os pecados que não tem…
(José Carlos de L. G.)
Ilustração: gravura da artista Blenda Tyvoll, “Mesa posta”.
“O uso de talheres começou a se difundir no século XVI, mas eram totalmente pessoais, em geral dobráveis para facilitar o transporte e evitar os envenenamentos. Fornecê-los para convidados só a partir do século XVII, entre os aristocratas ocidentais e, no século XVIII entre os burgueses. A idade dos acessórios é distinta. O mais antigo deles é a faca, que até o século XVI fazia as vezes de garfo, já que além de trinchar os alimentos, espetava e os levava à boca. A colher veio evoluindo desde os tempos mais antigos, mas sua forma atual data do século XV, quando seu cabo foi alongado, em parte devido às gravatas largas e bufantes e aos babados das mangas dos trajes da época. O garfo mais próximo do atual veio da Renascença italiana — mas com apenas três dentes — o quarto dente foi acrescentado pelo franceses no século XVI.”
Em: Sempre, às vezes, nunca – etiqueta e comportamento, Fábio Arruda, São Paulo, Arx: 2003, 8ª edição, p: 90.
Ilustração de livro escolar americano, década se 1960, sem indicação de autor.
Almir Correia
O grilo
gritou no saco
gritou no papo
do sapo
gritou no poço
gritou na cara do moço
gritou no mato
gritou no
sa
………..pato.
E de repente
pra espanto da gente
não gritou mais.
Moinho d’água medieval, iluminura do Livro de Salmos Luttrell, 1320-1340.
Água, sua falta e sua abundância, assunto que está em pauta. Menos do que deveria estar, já que é um elemento essencial para a nossa sobrevivência e sofre com as mudança climáticas. Mas pensando nisso me pergunto se não é surpreendente que tenhamos tão pouco uso de água como força geradora em moinhos.
Abundância de água doce nós tivemos até o século XXI. Por que então há tão poucos moinhos d’água em funcionamento, nas pequenas propriedades? E por que a nossa tradição rural não manteve tais moinhos? São poucos os que resistem até hoje. Não é por falta de conhecimento. Desde a antiguidade usava-se a água como força motora.
Essas ponderações me vieram depois da leitura de um capítulo inteiro dedicado ao uso dos moinhos d’água como fonte de energia na idade média.
“As décadas turbulentas em que Roma tentava se expandir para o Levante marcaram outra conquista muito mais duradoura do que a Pax Romana: o início do domínio da energia da água. Um papiro do século II aEC menciona a noria ou uma roda automática de irrigação no Egito, e em 18 aEC Estrabão menciona um moinho de grão movido a água no palácio que Mitrídates, rei do Ponto havia construído em 63 aEC. Um contemporâneo de Estrabão, Antípatro, celebra o moinho d’água como o libertador da labuta das serventes. Os primeiros moinhos d’água eram horizontais, revolvendo em torno de um eixo vertical preso à mó. Mas Vitrúvio que por consenso data do século I aEC, dá instruções para uma construção para uma roda de moinho d’água vertical … o moinho de Vitrúvio foi o primeiro grande resultado de design para uma máquina com poder de movimento contínuo.”
Não é para surpreender? Tanta água, tantos rios e tão poucos moinhos…
Traduzido do inglês por mim.
Em: Medieval Technology and Social Change, Lynn White, Jr., Nova York, Oxford University Press: 1964, essa edição de 1968, p: 80