Em três dimensões: Victor Brecheret

25 11 2014

 

Victor_Brecheret_-_Ave_Maria_1_(Túmulo_Família_Scuracchio)Ave Maria, 1955

Victor Brecheret (Brasil, 1894-1955)

Bronze

Túmulo da Família Scuracchio

Cemitério de São Paulo





Trova do chapéu

22 11 2014

 

chapéu amarelo, al parkerChapéu amarelo, ilustração de Al Parker.

 

Que chapéu extravagante

dessa madame travessa!

Virou moda de elegante

– por chapéu sem ter cabeça!

 

(Eva Reis)

 





Belém, soneto de Correa Pinto

18 11 2014

 

 

Landi-catedraldoparaA Catedral de Belém do Pará, gravura.

 

Belém

 

Correa Pinto

 

Três séculos e meio tens de idade

Mas, ao beijo do sol equatorial,

Reconquistas a eterna mocidade

Como a Iara em seu banho matinal.

 

Enfeitiçante e cálida cidade!

Encerras um mistério sem igual:

Longe de ti morre-se de saudade

Como quem lembra uma paixão sensual.

 

Na verde alcova de tuas avenidas

Ao capitoso aroma das mangueiras,

Como é romântico, Belém, te amar

 

Cidade em flor, que ao êxtase convida,

Bendigo as fortes gerações primeiras,

Que te plantaram entre o rio e o mar!

 

 

Em: A lira na minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, Clóvis Meira, Belém: 1993, p. 91-92

 

 

Augusto Correa Pinto Filho poeta, ensaísta, contista. Nasceu em Óbidos, Pará, em 1915. Faleceu em 1976 no Rio de Janeiro.

Obras:

Fascinação, poesia, 1943

Sonetos, poesia, 1964

Exaltação a Portugal, 1964

Oração da Humanidade, 1951

Perfil de Paulo Maranhão, 1956

Machado de Assis, ensaio, 1958

Belém: Imagens e Evocações, 1968

Fim, Análise de um Mundo que Morre, 1961.





Na boca do povo: escolha de provérbio popular

18 11 2014

 

 

???????????????????????????????Bolinha vai caçar borboletas, ilustração de Marjorie Handerson Buel.

 

“O comer e o coçar está só no começar.”





Trova dos passarinhos

17 11 2014

 

 

pasarinho azul, Ariane Beigneux (1918, American)Ilustração de Ariane Beigneux.

 

Oh! quanta beleza… quanta!

nessa algazarra dos ninhos!

Parece até que Deus canta

pela voz dos passarinhos!

 

Joubert de Araújo Silva





Trova da confissão

11 11 2014

 

 

padreIlustração de Maurício de Sousa.

 

Para ter com quem falar

a velhinha sem ninguém

vai ao padre confessar

os pecados que não tem…

 

(José Carlos de L. G.)





Uma inovação de 500 anos, sem a qual não imaginamos viver!

8 11 2014

 

 

place-setting-art-blenda-tyvollPlace Setting Art by Blenda StudioIlustração: gravura da artista Blenda Tyvoll, “Mesa posta”.

 

“O uso de talheres começou a se difundir no século XVI, mas eram totalmente pessoais, em geral dobráveis para facilitar o transporte e evitar os envenenamentos.  Fornecê-los para convidados só a partir do século XVII, entre os aristocratas ocidentais e, no século XVIII entre os burgueses.  A idade dos acessórios é distinta. O mais antigo deles é a faca, que até o século XVI fazia as vezes de garfo, já que além de trinchar os alimentos, espetava e os levava à boca. A colher veio evoluindo desde os tempos mais antigos, mas sua forma atual data do século XV, quando seu cabo foi alongado, em parte devido às gravatas largas e bufantes e aos babados das mangas dos trajes da época. O garfo mais próximo do atual veio da Renascença italiana — mas com apenas três dentes — o quarto dente foi acrescentado pelo franceses no século XVI.”

 

Em: Sempre, às vezes, nunca – etiqueta e comportamento, Fábio Arruda, São Paulo, Arx: 2003, 8ª edição, p: 90.





O grilo, poesia infantil de Almir Correia

7 11 2014

 

 

insetosIlustração de livro escolar americano, década se 1960, sem indicação de autor.

 

O Grilo

 

Almir Correia

 

O grilo

gritou no saco

gritou no papo

do sapo

gritou no poço

gritou na cara do moço

gritou no mato

gritou no

sa

………..pato.

 

E de repente

pra espanto da gente

não gritou mais.





Água, uma fonte de energia já mesmo na antiguidade.

6 11 2014

 

 

lutterellMoinho d’água medieval, iluminura do Livro de Salmos Luttrell, 1320-1340.

 

Água, sua falta e sua abundância, assunto que está em pauta.  Menos do que deveria estar, já que é um elemento essencial para a nossa sobrevivência  e sofre com as mudança climáticas.   Mas pensando nisso me pergunto se não é surpreendente que tenhamos tão pouco uso de água como força geradora em moinhos.

Abundância de água doce nós tivemos até o século XXI.  Por que então há tão poucos moinhos d’água em funcionamento, nas pequenas propriedades?  E por que a nossa tradição rural não manteve tais moinhos?  São poucos os que resistem até hoje.  Não é por falta de conhecimento.  Desde a antiguidade usava-se a água como força motora.

Essas ponderações me vieram depois da leitura de um capítulo inteiro dedicado ao uso dos moinhos d’água como fonte de energia na idade média.

“As décadas turbulentas em que Roma tentava se expandir para o Levante marcaram outra conquista muito mais duradoura do que a Pax Romana: o início do domínio da energia da água.  Um papiro do século II aEC menciona a noria ou uma roda automática de irrigação no Egito, e em 18 aEC Estrabão menciona um moinho de grão movido a água no palácio que Mitrídates, rei do Ponto havia construído em 63 aEC. Um contemporâneo de Estrabão, Antípatro, celebra o moinho d’água como o libertador da labuta das serventes.  Os primeiros moinhos d’água eram horizontais, revolvendo em torno de um eixo vertical preso à mó. Mas Vitrúvio que por consenso data do século I aEC, dá instruções para uma construção para uma roda de moinho d’água vertical … o moinho de Vitrúvio foi o primeiro grande resultado de design para uma máquina com poder de movimento contínuo.”

Não é para surpreender? Tanta água, tantos rios e tão poucos moinhos…

 

Traduzido do inglês por mim.

 

Em: Medieval Technology and Social Change, Lynn White, Jr., Nova York, Oxford University Press: 1964, essa edição de 1968, p: 80





Na boca do povo: escolha de provérbio popular

6 11 2014

 

 

gata na vizinhançaIlustração Walt Disney.

 

 

“Gato de luvas não apanha ratos.”