Amigos
Martins d’Alvarez
“Se entre os amigos encontrei cachorros,
Entre os cachorros encontrei-te, amigo!”
Costumamos chamar o cão de amigo,
no sentido mais nobre da amizade.
Realmente, na bonança ou no perigo,
o cão é o nosso amigo de verdade.
Meu cão nunca falseia o que lhe digo
nem finge amor nem trai a honestidade
nem mesmo se revolta, se o castigo
nos momentos de estúpida crueldade.
Tenho pela amizade amor profundo!
Pelos amigos vivo, luto e morro…
Mas, tenho recebido, neste mundo,
de tanto amigo tanta ingratidão,
que chamar qualquer deles de cachorro,
seria ser injusto com meu cão!
José Martins D’Alvarez (CE 1904) Poeta, romancista, jornalista, diplomado em Farmacia e Odontologia, professor, membro da Academia Cearense de Letras.
Obras:
“Choro verde: a ronda das horas verdes”, 1930 (versos).
“Quarta-feira de cinzas”, 1932 (novela).
“Vitral”, 1934 (poemas).
“Morro do moinho” 1937 (romance)
“0 Norte Canta”, 1941 (poesia popular).
“No Mundo da Lua”, 1942 (poesia para crianças).
“Chama infinita, 1949 (poesias)
“O nordeste que o sul não conhece 1953 (ensaio)
“Ritmos e legendas” 1959 (poesias escolhidas)
“Roteiro sentimental: geopolítica do Brasil” 1967 (poesias escolhidas)
“Poesia do cotidiano”, 1977 (poesias)
Outros poemas de Mastins d’Alvarez neste blog:














