Primavera: Machado de Assis

14 10 2024

Paisagem

Vicente Leite (Brasil, 1900 -1941)

óleo sobre madeira, 28 x 22 cm

 

“Nos climas ásperos, a árvore que o inverno despiu, é novamente enfolhada pela primavera, essa eterna florista que aprendeu não sei onde e não esquece o que lhe ensinaram”.

 

Machado de Assis





Palavras para lembrar: Carlos Maria Dominguez

13 10 2024

A lição, 2007

Dario Ortiz (Colômbia, 1968)

óleo sobre tela

 

 

“Os livros mudam o destino das pessoas.”

 

Carlos Maria Dominguez





Palavras para lembrar: Toni Morrison

10 10 2024

Leitura de verão, 2010

Miles Hyman (EUA,1962)

 

 

 

“Se há um livro que você quer ler, mas ainda não foi escrito, então você precisa escrevê-lo.”

 

Toni Morrison (1931-2019)

 





Era culpa delas…, texto de Selva Almada

9 10 2024

Mulheres na praia

Sofia Dyminski (Rússia-Brasil, 1918-2011)

óleo sobre tela, 60 x 70 cm

 

 

“Elas chamavam por ele da calçada, duas das cinco irmãs, todas iguais, os cabelos compridos, altas e magras como garças. As vozes iguais, nem ele sabia distinguir.”

Em: Não é um rio, Selva Almada, Editora Todavia:2021





“A fresta da verdade” texto de Rosa Montero

3 10 2024

Maternidade

Yolanda Mohalyi (Hungria-Brasil,1909-1978)

técnica mista sobre papel, 62 x 48 cm

“Apenas em nascimentos e mortes é que saímos do tempo. A Terra detém sua rotação e as trivialidades com que desperdiçamos as horas caem no chão feito purpurina. Quando uma criança nasce ou uma pessoa morre, o presente se parte ao meio e nos permite espiar durante um instante pela fresta da verdade — monumental, ardente e impassível. Nunca nos sentimos tão autênticos quanto ao beirarmos essas fronteiras biológicas: temos a clara consciência de viver algo grandioso.”

 

Rosa Montero, A ridícula ideia de nunca mais te ver.





Palavras para lembrar: Victor Hugo

1 10 2024

Café da manhã no jardim, 2001

Mono Trad Dabaji (Libano, contemporânea)

óleo sobre tela, 40 x 40 cm

 

“Em literatura o melhor meio de ficar célebre é morrer.”

 

Victor Hugo





Palavras para lembrar: Hubert Aquin

27 09 2024

Bijin lendo

Hirezaki Eiho (Japão, 1881-1968)

xilogravura policromada sobre papel

 

 

“A literatura existe em sua totalidade não quando a obra é escrita, mas quando um leitor se volta às frases e palavras escritas para se tornar, por este meio, co criador da obra.”
 

Hubert Aquin (1929-1977)

 





Voltando para casa de ônibus, texto de Oscar Nakasato

16 09 2024
Anúncio dos pneus GoodYear Airfoam, 1944.

 

 

 

“No ônibus, Satoshi tentava esvaziar a mente para buscar o sono. Quando percebeu que não conseguiria dormir, retornou a poltrona para uma posição com menor inclinação, abriu uma fresta da cortina e passou quase todo o trajeto , de pouco mais de nove horas, observando o que era possível na madrugada de quase lua cheia. Com a cabeça reclinada no encosto da poltrona, via a paisagem noturna obliquamente. Os morros distantes eram manchas escuras, e deles se viam apenas os contornos delineados em função do firmamento clareado pela lua. As árvores mais próximas surgiam e desapareciam na velocidade controlada pelo pé do motorista. As imagens imediatas eram mais visíveis, mas a cada instante eram consumidas pelo movimento do ônibus e do tempo, enquanto a paisagem distante, teimava em suas retinas insistindo em ficar.” […]

 

 

Em: Ojiichan, Oscar Nakasato, São Paulo: Fósforo, 2024.





Chuva no Nordeste, texto de Graça Aranha

2 09 2024

 

 

 

“Uma manhã lá no Cajapió (Joca lembrava-se como se fora na véspera), acordara depois duma grande tormenta no fim do verão. A madrugada estava orvalhada, mas serena, e ele se erguera da sua rede para ver o tempo. Um grande tapete de verdura fresca e úmida parecia ter descido do céu e coberto como um manto misterioso o campo… Os olhos perdiam-se na campina alegre; o gado festejava o rebentar da vida na terra e comia a erva tenra; um bando de marrecas passava grasnando, pousava aqui , levantava o voo acolá, buscava mais longe a região dos eternos lagos… Dias inteiros de chuvas; o pasto agora era farto, a água porfiava em vencê-lo, e quando mais tarde o dilúvio se interrompia, viam-se na vasta savana verdes pontos claros que eram o refrigério dos olhos. Eram os primeiros lagos. Em volta deles uma multidão de aves aquáticas brincavam descuidosas  e ostentavam as penas de cores vivas e quentes. Vinham pássaros de toda a parte; pernaltas com o seu bico de colher, marrecas em algazarra, jaçanãs leves e tímidas; e à tarde, quando o céu se vestia de nuvens cinzentas, notava-se desfilar, ora o bando marcial e rubro dos guarás, pra a ala virgínia e branca das garças… No fundo dos lagos multidão de peixes borbulhavam por encanto. E em tudo o mesmo milagre de ressurreição, de rejuvenescimento, de expansão e de vida.”

 

Em: Canaã, Graça Aranha, 1902, em domínio público.

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Esta é uma das mais belas descrições de uma multitude de ações, de dezenas de animais, tudo acontecendo num momento, em um único parágrafo.





Minutos de sabedoria: George Sand

31 08 2024

O que ela lê, 2001

Francine Van Hove (França 1942)

óleo sobre tela

“A satisfação de uma paixão absolutamente pessoal é embriaguez ou prazer: não é felicidade.

A felicidade é algo duradouro e indestrutível; caso contrário, não seria felicidade. Aqueles que gostariam de perpetuar a embriaguez e de incluir nela a felicidade, andam atrás do impossível. O êxtase é um estado excepcional cuja permanência nos mataria, e a natureza inteira depressa se eclipsaria sob a influência desse estado delirante.”

 

George Sand

 

 

George Sand (1804-1876)