Água mole em pedra dura, poesia infantil de Evelyn Heine

4 11 2010

Água mole em pedra dura

                                    Evelyn Heine

O totó não quer saber

de água nem de sabão.

Meu cachorro e meu peixinho

Não combinam nisso, não!

Mas eu pego ele de jeito,

Dou um banho bem morninho.

Tudo é bom e sai perfeito

Quando é feito com carinho!

 

Em: Animais de estimação, da coleção Poesias para Crianças, São Paulo, Brasileitura, Editora Todolivro, sem data.





BO, o companheiro da família Obama!

12 04 2009

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Filhotes de cães d’água.

A família do presidente Barack Obama, dos EUA, vai mesmo ter um cão de água português.  O animal tem seis meses, é preto e branco e foi oferecido pelo senador Ted Kennedy, ele próprio um amante do cão de água português.   O cão de origem portuguesa vai chamar-se Bo, nome escolhido por Malia e Sasha, as filhas do presidente.   Bo será «apresentado» ao mundo durante a tarde da próxima terça-feira.

 

 

O Cão de água português ou Cão d’água português, também conhecido como Cão de pescador é uma raça de cães criada pelos portugueses para servir de companhia nas viagens marítimas, por volta de 1500.

 

 

 

 

 

 

 

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Sua origem perde-se nos tempos.  Julga-se que pode ter chegado a Portugal pela mão dos habitantes do Norte da África, quando estes invadiram o território que hoje corresponde a Portugal.  No entanto,  existiam registos desta raça no tempo dos romanos como o “canis leo” pelo tradicional corte a leão no qual o cão tem a parte de trás (traseira) totalmente barbeada e a parte ds frente com pelo.  Este corte lhes dava agilidade dentro de água com a traseira raspada enquanto que o pelo na parte da frente ajudava a que eles a não sentissem a água fria do alto mar.

 

Dadas as suas especiais aptidões, gosto e vontade permanente de brincar na água, foi desde sempre companhia dos navegadores portugueses.  Nestas circunstâncias era um ótimo ajudante e uma companhia inestimável, fazendo muitas vezes o papel de mensageiro que fazia circular missivas com ordens ou informações urgentes entre navios.

 

Durante centenas de anos, foram também companhia de pescadores artesanais que com eles partilhavam os bons e os maus momentos a bordo de pequenos barcos. Sempre prontos para se atirarem à água em busca de algum objecto que caísse borda fora, eram o melhor e mais fiel amigo dos homens do mar.

 

Hoje em dia, começa a ser treinado como cão de busca e salvamento em ambientes marinhos ou fluviais.

 

O cão d’água português, com sua constituição forte, compacta e musculatura bem desenvolvida, é um nadador olímpico. Seu tamanho é mediano, entre 40 e 56 cm e seu peso entre 16 e 25 kg. A pelagem é profusa, cobrindo todo o corpo. Existem dois tipos de pêlos: longo e ondulado, com brilho, e mais curto, áspero e denso. Suas cores são: branco, preto ou marrom, com ou sem manchas brancas.

 

 

 

 

 

 

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O temperamento dos cães é amigável, dão-se muito bem com crianças, têm uma atitude corajosa e leal. São animais com muita energia, não se cansam facilmente e são propensos a brincar.  São meigos, leais e de extrema obediência, estabelecendo laços de cumplicidade muito intensos com os donos.  Não são agressivos, tendo facilidade de relacionamento com desconhecidos. Também têm facilidade em estabelecer contactos com outros cães. São, no entanto, excelentes guardas e protectores, quer das crianças, quer do seu espaço.

 

 

Habituam-se a quase todo o tipo de condições mas preferem espaços amplos.

 

A água é a sua perdição. Adoram nadar, seja num lago calmo ou no mar mais agitado. Possuem nas suas patas umas membranas interdigitais semelhantes às encontradas nas aves palmípedes, que lhes permitem nadar com extrema facilidade.

 

Pelagem: Encontram-se dois tipos de pelo: um comprido e ondulado e outro mais curto e encaracolado.

É um cão pouco agressivo para pessoas com a tradicional alergia aos pêlos de cão.

 

Cores mais comuns: Branco, preto, castanho e branco malhado.





Carro pra cachorro!

12 04 2009

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Na segunda metade de 2009 a companhia de carros Honda lançará nos EUA um carro com conforto para os cachorros.  Com a ajuda de um cãozinho chamado Sammy, o fabricante japonês mostrou a nova versão de um veículo utilitário especialmente equipado para o melhor amigo do homem.  Apostando no fato de animais terem se tornado verdadeiros membros da família e mais importantes do que nunca, a Honda oferecerá aos donos de cachorros um automóvel equipado com uma cama macia na mala do carro, um compartimento fixo para água, ventilador e uma rampa para ajudar cães menos ágeis a subir.   O carro possui um estofamento fácil de lavar e cintos de segurança na cama para restringir os movimentos do cãozinho e mantê-lo seguro no caso de um acidente.

 

Fonte: Reuters





A cachorrinha, poema infantil de Vinicius de Moraes

7 04 2009

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 A cadelinha da vovó, ilustração de Maud Trube.

 

 

 

 

 

A cachorrinha

 

                       

Vinícius de Moraes

 

 

 

Mas que amor de cachorrinha!

Mas que amor de cachorrinha!

 

 

Pode haver coisa no mundo

Mais branca, mais bonitinha

Do que a tua barriguinha

Crivada de mamiquinha?

Pode haver coisa no mundo

Mais travessa, mais tontinha

Que esse amor de cachorrinha

Quando vem fazer festinha

Remexendo a traseirinha?

 

 

 

 

Em: A arca de Noé, Vinícius de Moraes, Livraria José Olympio Editora: 1984; Rio de Janeiro; 14ª edição.

 

 

 

 

 

Marcus VINÍCIUS da Cruz DE Melo e MORAES (RJ 1913-RJ 1980), diplomata, jornalista, poeta e compositor brasileiro.

 

Livros:

 

O caminho para a distância (1933)

Forma e exegese (1935)

Ariana, a mulher (1936)

Novos Poemas (1938 )

Cinco elegias (1943)

Poemas, sonetos e baladas (1946)

Pátria minha (1949)

Antologia Poética (1954)

Livro de Sonetos (1957)

Novos Poemas (II) (1959)

Para viver um grande amor (crônicas e poemas) (1962)

A arca de Noé; poemas infantis (1970)

Poesia Completa e Prosa (1998 )

 

 —

 

 

 

Outros poemas de Vinícius de Moraes neste blog:

 

As borboletas

 





Sophie, a cadelinha nadadora!

7 04 2009

cachorrinho-nadando-mw-editora-e-ilustracoesMW Editora e Ilustrações

 

 

 

 

A BBC mostra hoje uma história de deixar os nossos corações batendo quentes e os olhos cheios de alegria.  Uma cadelinha, que havia sido tragada do convés de um barco,  por fortes ondas num mar turbulento na costa de Queensland, em novembro de 2008, foi encontrada, esta semana, em boas condições de saúde, numa remota ilha da Austrália.  Este pastor australiano nadou um pouco mais de 8 km para conseguir abrigo numa remota uma ilha dos mares australianos.  Não só nadou uma grande distância, mas também conseguiu escapar com vida de águas conhecidas por serem habitadas por tubarões.   Guardas costeiros descobriram Sophie, a cadelinha esperta,  que depois de quatro meses de desaparecida, já havia sido dada por morta por Dave e Jan Griffith seus donos. Resgataram-na e a levaram de volta para casa.   Sophie sobreviveu nesta ilha caçando cabras selvagens. 

 

BBC VIDEO: SOPHIE, THE DOG





O melhor amigo do homem é sensível!

9 12 2008
Quem é?  Ilustração MW Editora e ilustrações

Quem é? Ilustração MW Editora e ilustrações

 

Há tempos que não falamos sobre cachorros aqui neste espaço.  Mas estes amigos nossos estão sempre nos nossos pensamentos.  E é bom que assim seja, pois as mais recentes pesquisas sobre cães mostram-no como um animal muito sensível, que sente ciúmes, inveja e sofre quando se acha injustiçado. 

 

É da Inglaterra que vem a mais recente confirmação de que o cão sente ciúmes quando seu dono faz carinhos em outro cachorro, que não seja ele. Até agora este comportamento só havia sido encontrado entre chimpanzés e seres humanos.  Mas não só cachorros sentem ciúmes, cavalos também de acordo com as declarações feitas por Paul Morris, psicólogo da Universidade de Portsmouth, na Inglaterra, que chefiou uma pesquisa sobre o comportamento emocional dos cães e outros mamíferos.  A teoria foi testada também na Áustria, na Universidade de Viena com 33 cães.  O resultado da análise feita sobre tratamentos diferenciados entre cachorros mostrou claramente que cães sofrem quando se sentem injustiçados.  E o demonstram com o que chamamos para os humanos de resistência passiva, ou seja: eles hesitam seguir os comandos de seus donos, ou simplesmente recusam primeiro, para depois obedecer sem entusiasmo. 

 

Estas mais recentes pesquisas divulgadas na edição do dia 8 de novembro de 2008, no Sunday Times e reproduzidas pela CNN, complementam estudos sobre a linguagem corporal canina feitos na Itália, e publicados no jornal Dallas News, cujos resultados foram publicados há mais ou menos um ano. As observações italianas estabelecem meios de um claro reconhecimento do estado de felicidade ou infelicidade dos cães, através da posição na qual abanam seus rabos.  Estas descobertas feitas por Giorgio Vallortigara, neurologista da Universidade de Trieste e dois veterinários Angelo Quaranta e Marcello Siniscalchi, da Universidade de Bari conseguiram desvendar os sentimentos dos cães de acordo com o lado [direito ou esquerdo da linha dorsal] em que abanam seus rabos. 

 

Quando cães se sentem muito felizes com uma atividade, com uma atenção, abanam seus rabos tendendo para o lado direito, enquanto seus rabos se voltam para o lado esquerdo quando se sentem insatisfeitos, em desacordo com o que lhes é apresentado.  O resultado é que aparentemente os músculos do lado direito da cauda refletem emoções positivas, enquanto que os do lado esquerdo da cauda retratam emoções negativas.

 

 

 





Por que os cachorros não gostam de música?

19 11 2008

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Qualquer ser humano sem deficiência auditiva pode distinguir entre os tons musicais de uma escala musical: dó, ré, mi, fá, sol, lá, si.  Nos achamos que esta habilidade deve ser comum, no entanto está provado que outros mamíferos não dispõem desta única precisão tonal sem a qual não podemos imaginar viver.    Esta característica de grande acuidade auditiva foi objeto de estudos por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, da Universidade Hebraica de Jerusalém e do Instituto de Ciências Weizmann  na cidade dde Rehovot em Israel.  O resultado deste estudo foi publicado pela primeira vez na revista Nature de janeiro deste ano. 

 

Esta estudo revelou que existe um grupo de neurônios muito sensíveis junto ao nervo auditivo da orelha ao córtex auditivo.  Nesses neurônios sons naturais tais como a voz humana provocam respostas muito diferentes e muito mais complexas do que quando expostas a sons artificiais, como os sons puros.   Neste ambiente misto o ser humano consegue detectar freqüência tão precisas quanto 1/12 de uma oitava.

 

A pergunta a ser respondida é: por quê?   Morcegos são os únicos outros animais mamíferos capazes de ouvir mudanças de tom assim como os seres humanos o fazem.  Cachorros por exemplo não são tão precisos – eles só conseguem discriminar sons de 1/3 de oitava.   Mesmo os nossos familiares primatas não chegam perto da nossa habilidade auditiva: macacos só distinguem ½ de uma oitava.   Estas descobertas sugerem que a habilidade de distinguir com precisão diferenças mínimas entre sons não é uma necessidade para a sobrevivência. 

 

Os cientistas estão agora inclinados a acreditar que seres humanos usam suas extraordinárias habilidades auditivas para facilitar a memorização e o aprendizado.  Mas mais pesquisa será necessária para a resolução deste quebra cabeças.

 

 

Artigo de Sandy Fritz

 

 

Tradução livre do artigo publicado na revista Scientific American, número de Outubro de 2008.  Para o artigo clique AQUI.

 





Imagem de leitura — Charles Burton Barber

6 11 2008

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A lição

Charles Burton Barber

( Inglaterra 1845- 1894)

Óleo sobre tela

 

 

 

Charles Burton Barber (Inglaterra 1845-1894) de grande sucesso na representação de animais e crianças.  Durante sua vida Burton Barber foi considerado um dos melhores pintores de animais e pintou quadros para a rainha Vitória que retratavam seus netos com seus animais de estimação.

 

 





Cachorrinhos não podem comer alho nem cebola!

17 09 2008

Há muitas pessoas que quando alimentam seus cães adicionam bastante alho e cebola.  A razão é prática e simples: estes alimentos diminuem a possibilidade de seu melhor amigo ter pulgas.  No entanto, o portal Terra hoje, 17/9/2008, diz que  nesta última semana, uma revista alemã DOGS [procurei a revista na web e não encontrei] adverte contra o uso destes alimentos porque em grande quantidade eles podem causar sérios danos aos rins dos cachorrinhos; podem levar à anemia e posteriormente ao envenenamento.  Cuidados especiais precisam ser tomados com as raças Akita e Shiba Inu.  

 

Vale a pena checar com o seu veterinário!





O cachorrinho REBELDE, pivô de protestos extremistas?

7 07 2008

Hoje passei um pouquinho de tempo procurando informações sobre a população muçulmana no Brasil.  É difícil achar números concretos.  De acordo com o governo brasileiro, o censo de 2000 encontrou 27.239 seguidores de Alá.   Para os muçulmanos brasileiros estes números são muito baixos, muito aquém do 1.500.000 [um milhão e meio] de muçulmanos, mantido pela Federação Islâmica Brasileira.  
Ai que sono!

Ai que sono!

 

Mas de qualquer forma, com a população brasileira em volta dos 200.000.000  [duzentos milhões]  a proporção de muçulmanos no Brasil não chega a 1%.  Isto nos deixa bastante acomodados quando vemos tumultos na Europa entre muçulmanos e não-muçulmanos, quer seja na Alemanha, Rússia, França ou Inglaterra.  Por temperamento nós brasileiros somos bastante acomodados.  E não esquentamos muito nossas cabeças com diferenças de crença.  Todo mundo aqui é da PAZ.  Mas acredito que temos que nos conscientizar sobre alguns problemas que andam pululando na Europa e que levam a atitudes difíceis de entender.  

 

Este preâmbulo é simplesmente para colocar em contexto o porquê da minha atenção a um caso pequenino na Escócia que manteve os jornais britânicos com repetidas manchetes, nesta primeira semana de julho.  À primeira vista, tudo parece se desenvolver numa realidade paralela.  Se não, vejamos:

 

A polícia da cidade de Dundee na Escócia queria popularizar um novo número de telefone para casos que não fossem de emergência.   Mandou imprimir um cartão postal, reproduzido aqui abaixo, em que um cachorrinho de seis meses de idade, um filhote de pastor alemão, batizado de REBELDE numa visita que a polícia levou o mascote à uma escola local para as crianças escolherem seu nome,  aparece sentado sobre um quepe policial, ao  lado de um bem tradicional telefone amarelo.  Este postal foi  mandado pelos Correios para todas as residências da cidade.  REBELDE imediatamente se tornou um líder de atenção no site da polícia na internet.  A cidade de   Dundee, quarta maior cidade da Escócia, não é muito grande.  Tem uma população de aproximadamente 150.000 pessoas dentro dos limites da cidade e mais 380.000 no condado de Tayside. 

 

 

Cartão postal da Pol�cia de Tayside, Escócia.

Cartão postal da Polícia de Tayside, Escócia.

 

Qual não foi a surpresa da polícia de Tayside ao se saber o centro de uma grande controvérsia por causa deste postal.  Os muçulmanos de Dundee, estão para a população local mais ou menos na mesma proporção que os cidadãos brasileiros seguidores de Alá estão para a população brasileira não islâmica.  Ou seja, aproximadamente 7.500 pessoas ou 0,5% da população local.  Eles podem ser uma minoria mas se formos seguir o que os jornais nos contam conseguiram fazer muito barulho, rejeitando o cartão postal anunciando o novo telefone.  No final da semana, a polícia de Dundee se retratou publicamente perante a população.

 

Antes de se pensar em: por quê?  É importante lembrar em que país isto acontece.  Em que canto do mundo há esta revolta contra a imagem de um cachorrinho?  Onde mesmo este evento está sendo levado tão a sério?   A Escócia.

 

Cachorrinho Feliz!

Cachorrinho Feliz!

 

 

 

 

Já morei num país de maioria muçulmana.  Confesso, no entanto, que minha estadia na Argélia, não me ensinou que cachorros são animais impuros e nunca tive a sensação ou a indicação de que os muçulmanos que conheci detestavam cachorros.  E nem que  a imagem deles não poderia entrar em suas casas.   Estou surpresa.   Muito surpresa!  Mas, reconheço que são muitas as proibições corânicas e, mais importante ainda,  que nem todos os muçulmanos são iguais.  Para citar um exemplo: a família saudita Wahabi tem criação dos cachorros Saluki ou Galgo Persa, que não só estão entre os mais antigos cachorros do mundo — a raça parece ter aproximadamente 7.000 anos — mas há 2.500 anos fazem parte da vida diária dos beduínos, que também o conhecem como uma “dádiva de Alá”.

 

Ao que tudo indica a consideração de que cachorros são impuros é uma novidade para os jornais britânicos que sem mencionarem em maior detalhe as restrições aos animais impostas pelo Corão, acreditam que tanto os muçulmanos Suni quanto os Xiita consideram o cachorro um animal impuro e obedecem cegamente às seguintes regras:

 

 a)      Um cão pode ser usado para a caça.  É importante lembrar que para os muçulmanos a caça só é válida para ser consumida.  A caça pelo prazer da caça não é permitida pelo Corão assim como não é permitido matar, abusar ou retirar qualquer animal de seu habitat. 

 

b)       Um cão pode ser treinado como cão-guia.  Uma pessoa cega,  por exemplo, depende de um cachorro para a sobrevivência.  É recomendado que o animal durma fora de casa.

 

c)      Um cão pode ser usado para serviços policiais.

 

d)     Um cão pode ser usado como cão-guarda, protetor de casa e propriedade.

 

e)      Um cão pode ser usado por pastores para manter o gado restrito.

 

 Mas um cão não pode ser um animal de estimação, porque não é um animal limpo.  Esta restrição é baseada no fato de cães serem animais que se lambem, que colocam suas bocas em qualquer lugar.  Porque a maior proibição está ligada à saliva destes animais.

 

No Corão, Maomé foi explicito quanto à proibição de contato com a saliva dos cães.  Caso um muçulmano venha a ter contato com esta saliva, é importante que o lugar do corpo afetado seja lavado sete vezes, a primeira das quais deve ser com areia ou terra.  Nos dias de hoje é possível substituir a primeira lavagem por sabão antibactericida.  Ou seja, não se pode manter um cãozinho dentro de casa como um animal de estimação.   Mas ainda há um elemento de irrealidade nesta confusão toda, pelo menos na repercussão nos jornais.

 

Não me cabe debater ou interpretar leis religiosas de quem quer que seja.   Mas com as restrições acima mencionadas – que reconheço estarem simplificadas – fica a dúvida: o que queria esta população muçulmana na Grã-Bretanha?  O que esperava atingir?  Por que fazer este protesto? 

 

Os muçulmanos na Grã-Bretanha são em grande parte imigrantes das antigas colônias britânicas.  Estas famílias poderiam até ser recém-chegadas – o que não é o caso —  mas, já saberiam as diretrizes culturais da Escócia antes de se estabelecerem lá.  Sabem que por lá o cachorro é considerado “o melhor amigo do homem”.  Seria muita ingenuidade imaginar que estivessem tentando mudar a sociedade em que vivem.  Ou, ainda mais mirabolante, convertê-la ao islamismo. 

 

Alguns comentaristas britânicos acreditam que é simplesmente uma demonstração de poder de uma minoria que se diz cada vez mais sem voz, sem presença na sociedade.  Sendo constantemente apontada como suspeita de provável crime de terrorismo só por seguir a religião de Maomé.   Mas a maioria dos muçulmanos em Dundee é de comerciantes, donos de pequenos negócios, vindos do Paquistão e de Bengladesh.  Estes povos são conhecidos por não gostarem de cachorros.  Até certo ponto têm justa causa, dadas as condições sanitárias existentes no interior destes países.  

 

Então temos que considerar se este noticiário não faz parte do estado emocional do povo britânico que parece encontrar em qualquer imigrante o perigo do terrorismo.  Há também a necessidade que cada cidadão parece sentir de dar a sua contribuição para a solução do terrorismo no país e no mundo.  Isto tudo adicionado a um verão sem grandes eventos e à necessidade de manchetes que vendam jornais: temos as condições ideais para súbito histerismo cultural.  

 

Porque, à medida que lemos o noticiário, tudo o que parece ter sido feito foi a simples recusa dos comerciantes muçulmanos de colocarem os cartões avisando do novo número da polícia à mostra para sua clientela.  E daí, que eles se recusem a mostrar o postal com o cachorrinho?  Qual é o problema?  Como diz Paul Jackson no seu blogue BLOVIATOR, estes comerciantes são donos de seus armazéns, podem colocar ou não nas paredes o que quiserem.  

 

Cachorrinho faminto.  Ilustração de Paula Becker.

Cachorrinho faminto. Ilustração de Paula Becker.

 

 

 

 

A polícia por sua vez já pediu desculpas, o que provavelmente não teria feito caso os jornais não tivessem aumentado fora de proporções o “ultraje” muçulmano.

 

Na verdade há noticias de que muitos muçulmanos de Dundee só ficaram sabendo da rejeição ao postal da polícia, através dos jornais.  E estão tão chocados com este caso quanto outros cidadãos britânicos não-muçulmanos.  Então, por que exagerar a importância do protesto dos poucos muçulmanos que se recusaram a expor a foto de REBELDE aos seus clientes?

 

A conseqüência desta semana de disparates sobre o cãozinho REBELDE será maior distanciamento dos muçulmanos.  Suas crianças certamente enfrentarão problemas nas escolas publicas.  Mais vizinhos desconfiarão de seus vizinhos com sotaques estrangeiros.  A imprensa só conseguiu exacerbar a polarização racial e religiosa na Escócia.  Todos perdem.