Imagem de leitura — Alfredo Rocco

29 01 2012

Leitura, 1981

Alfredo Rocco ( Brasil, 1914- 1999)

óleo sobre eucatex,  28 x 23 cm

Alfredo Rocco nasceu em São Paulo em 1914.  Foi médico, pintor, desenhista e professor brasileiro.  Tendo inciado suas atividades no campo das artes em 1938, estudou pintura com Antônio Rocco.  No SPBA recebeu melha de bronze em 1938; pequena e grande medalhas de prata (1941 e 1968) e o prêmio Tomás Melo Cruz (1965).  Em 1940 realizou exposição individual na Galeria Berheim de Paris.  Entre os temas de sua pintura estão os retratos e as marinhas. Faleceu em São Paulo em 1999. [Pontual: Dicionário das Artes Plásticas no Brasil]





O Natal à moda brasileira

18 12 2011





Quadrinha para a bandeira do Brasil

9 11 2011

Bandeira do Brasil, mosaico.

Pavilhão das quatro cores,

Verde, branca, ouro e anil,

Tu espelhas a grandeza

Do nosso imenso Brasil.

(Walter Nieble de Freitas)





Como o onze de setembro mudou a minha vida…

11 09 2011

Nova York, lembrança dos dez anos do ataque ao World Trade Center.

Nos últimos anos, muitos amigos perguntaram a mim e a meu marido porque resolvemos de fato vir morar no Brasil.  A minha volta — a vinda dele — já estava mais ou menos no ar, um sonho para o futuro, parte de uma vida confortável de dois profissionais bem sucedidos que imaginavam uma aposentaria, anos e anos à frente, numa vida carioca mais ou menos idílica.  Vínhamos ao Brasil todos os anos às vezes por um a dois meses.  Houve anos em que viemos mais do que uma vez.  Meu marido gostou do Brasil desde sua primeira visita.  Gostou do Rio de Janeiro e da minha família.  E a cada visita de volta sempre sonhávamos em nos estabelecer no Rio de Janeiro.  Mas, tínhamos uma vida confortável, calma, cheia de projetos  e o futuro parecia algo meio longínquo.  Nossas vidas familiar, social e profissional estavam nos Estados Unidos, e apesar de sonharmos em vir para o Brasil, íamos ficando, ficando, porque tudo estava bem.  Até  vivermos o 11 de setembro de 2001.

Fomos avisados do que acontecia em Nova York por minha mãe, que nos telefonou daqui do Rio de Janeiro,  pedindo que ligássemos a televisão.  Minha mãe estava sempre conectada aos mais diversos acontecimentos, acompanhava os noticiários com atenção e soube junto com os primeiros jornalistas, pela CNN, do ataque à primeira torre do World Trade Center.  Meu marido e  eu estávamos nos aprontando para ir trabalhar.  Ele,  como diretor dos cursos de pós-graduação/mestrado da universidade onde ensinava e eu como dona de uma galeria de arte-antiguidades.  Não morávamos em Nova York.   Na verdade cabiam e ainda sobravam uma Espanha e um Portugal inteiros entre nossa casa e Manhattan.  Mas o tempo parou para nós.  Foi o único dia, que não abri a galeria sem dar explicações.  Fechamos na verdade por dois dias, até podermos entender o que acontecia.  Meu marido foi à universidade, mas voltou logo e plantados em frente à televisão por horas e horas tentávamos compreender a enormidade do ataque que o país havia sofrido.

Não perdemos nem amigos, nem familiares no WTC.  Nem no Pentágono.  Nem no vôo 93.

No entanto o mundo mudou à nossa volta, ou melhor, a nossa percepção do mundo mudou assim como a realidade à nossa volta.  Setembro de 2001 foi o primeiro mês em 12 anos que a galeria não teve vendas que cobrissem todas as suas despesas.  O comércio caiu.  Desapareceu.  As ruas ficaram praticamente desertas por pelo menos uma semana.  Já havíamos sobrevivido a um enorme furacão que havia devastado a cidade alguns anos antes.  Mas dessa vez era pior.  Faltava o som das serra elétricas cortando as árvores nas ruas,  que anteriormente haviam dado impressão de progresso para a normalidade.  Faltava a solidariedade dos vizinhos, que no caos pós-furacão ficou evidente.   Havíamos também sobrevivido à uma tremenda borrasca, com neve acumulada bem alta e as ruas completamente fechadas, nessa cidade hospitaleira.  Dessa vez, ninguém podia ajudar a ninguém, não se sabia o que fazer.  Não era uma calamidade normal.

Não é que precisássemos dar um litro de leite, um pacote de biscoitos para as crianças do vizinho, que não podiam sair de casa…  Não é que alguém conseguisse chegar até o supermercado e se oferecesse para comprar alguma coisa para você durante uma borrasca de neve que havia paralisado a cidade.  Era diferente.  Houve uma quietude total, todos passaram uma semana, mais ou menos trancafiados, sem saber para onde se virar.  O perigo poderia estar em qualquer lugar.  De repente, um continente, um país gigantesco, havia sido atacado da maneira mais covarde do mundo e nós, os inocentes moradores, não sabíamos nem porque éramos ou poderíamos ser os alvos de tanta fúria.  E na minha cidade, todos se sentiram vulneráveis, sem saber de onde nos proteger.  E o comércio parou, os compradores desapareceram.    Principalmente aqueles que mantinham o comércio de luxo, como era o meu, pinturas, esculturas, contemporâneas, modernas e antigas, móveis de 200 a 300 anos: tudo que ninguém precisa para sobreviver.   E depois veio outubro, uma repetição precisa de setembro.  Um ar de irrealidade a toda volta.    É claro que depois de 12 anos no mundo dos negócios aprende-se que há momentos ruins.  E a minha galeria poderia sobreviver por ainda seis meses ou mais sem vendas…  Experiência já havia me ensinado a manter tudo sob controle financeiro estrito.  Não foi isso que me levou a fechar a galeria em dezembro de 2001.  Mas ajudou.

Meu marido, que já flertava com uma aposentadoria antecipada, por si só chegou à conclusão de que iria deixar a universidade  e um dia, no final de outubro, decidiu se aposentar.  Estava no ar, nas nossas preocupações, no nosso dia a dia a brevidade da vida, a certeza de que precisávamos colocar ordem nas nossas prioridades.  Era o momento de mudar de vida.  De correr atrás dos sonhos.   Estava na hora de fazermos o que queríamos, de dar corda aos nossos desejos, ainda que eles pudessem parecer tolos aos olhos dos outros.  Estava na hora de virmos para o Brasil. Em dezembro, fechei a galeria e em março seguinte, chegávamos ao Rio de Janeiro à procura de um lugar para morar.  A vinda, de verdade, sem compromissos deixados para trás, só aconteceu em dezembro de 2002.  Mas o ponto de partida, o momento propulsor da mudança, foi sem dúvida o dia 11 de setembro de  2001.  Fazem hoje dez anos!

©Ladyce West, 2011





Que é o Brasil? texto de Viriato Corrêa, do livro infantil Cazuza (1938)

7 09 2011

Que é o Brasil?

Viriato Corrêa

“De pé, junto à mesa, olhos fixos no Floriano, o professor João Câncio prosseguiu:

— Pergunta você que é o Brasil?  É tudo que temos feito em prol do progresso, da moral, da cultura, da liberdade e da fraternidade.  O Brasil não é o solo, o mar, o céu que tanto cantamos.  É a história, de que não fazemos caso nenhum.

O Brasil é obra de seus construtores, ou melhor, daqueles que o tiraram do nada selvagem e o fizeram terra civilizada.

E o trabalho dos jesuítas, de Nóbrega e de Anchieta, em plena floresta, transformando antropófagos em seres humanos.

O Brasil é a coragem dos defensores de seu solo.  É Estácio de Sá, é Mem de Sá, é Araribóia, repelindo os franceses do Rio de Janeiro, é Jerônimo de Albuquerque expelindo os franceses do Maranhão.  São os patriotas de Pernambuco, arrasando o domínio holandês do Norte.  São os cariocas lutando com Duclerc e Duguay-Trouin.

O Brasil é a obra dos bandeirantes:  Antônio Raposo, Fernão Dias Pais, Borba Gato, Bartolomeu Bueno, desbravando sertões à procura de ouro e de pedras preciosas.

O Brasil é o esforço da sua gente para tirar da terra os bens que a terra dá a quem trabalha.  É a cana-de-açúcar que, já no século do descobrimento, era uma das maiores riquezas do país.  É o esplendor das minas de ouro do século XVIII, que deixaram o mundo embasbacado.

É o café que engrandeceu São Paulo, Rio de Janeiro, Minas, Espírito Santo e que atualmente é a nossa maior riqueza.  É o algodão, a riqueza do Nordeste; o cacau, a riqueza da Bahia, e a borracha, a riqueza da Amazônia.

O Brasil é a sua indústria pastoril.  É a atividade dos paulistas  e dos baianos, espalhando boiadas pelo território nacional desde os primeiros dias da nossa história.

O Brasil é o trabalho obscuro dos negros nos campos de criação e lavoura, nas minas, nos trapiches e nas fábricas.

Pátria brasileira, meu meninos, continuou ardentemente, é tudo que se fez para que tivéssemos liberdade.  É a Inconfidência Mineira, com Tiradentes morrendo na forca.  É o martírio de Domingos José Martins e do Padre Roma, na revolução de 1817.  É o trabalho de José Bonifácio e de Joaquim Ledo, na Independência.  É o sacrifício de Frei Caneca e do padre Mororó, na Confederação do Equador.  É o verbo de Patrocínio e Nabuco, na Abolição.  É Silva Jardim, Benjamim Constant e Deodoro, realizando a República.

Pátria brasileira é a obra dos patriotas da Regência.  É a energia do padre Feijó, sufocando a desordem; é a espada de Caxias, impedindo que o país se desunisse.

O Brasil é a glória de seus grandes filhos.  É o gênio de Bartolomeu de Gusmão produzindo a Passarola. 

Em vez de exaltarmos os céus azuis, as montanhas verdes, os rios imensos, exaltemos os homens que realizaram as obras em favor da nossa indústria e do nosso comércio.  Exaltemos Mauá e Mariano Procópio, que construíram as nossas primeiras estradas de ferro; Barbacena, que fez navegar, nos nossos rios, o primeiro barco a vapor.

O Brasil são os seus grandes vultos nas ciências, nas letras e nas artes.  É Teixeira de Freitas.  É Rui Barbosa.  É Varnhagem.  É a veia poética de Gonçalves Dias e de Castro Alves.  O pincel de Pedro Américo e de Vítor Meireles.  A inspiração musical de Carlos Gomes.

Num país, a beleza da paisagem, o fulgor do céu, a extensão dos rios, as próprias minas de ouro, são quase nada ao lado da inteligência, da energia, do trabalho, das virtudes morais de seus filhos.

E, com a voz inflamada pelo entusiasmo, concluiu.

— É essa energia, esse trabalho, essa inteligência, essas virtudes morais, que a nossa bandeira representa“.

Em: Cazuza, de Viriato Corrêa, São Paulo, Cia Editora Nacional: 1966, 14ª edição. Originalmente publicado em 1938.

Exercício para a sala de aula:

Esse texto do escritor  Viriato Corrêa foi publicado em 1938.   Por isso ele não lista outros grandes brasileiros que vieram depois dos anos 30 do século XX e  que contribuíram para que o Brasil se tornasse o grande país que é.  Liste outros grandes brasileiros que não estão nessa lista acima.

 Feliz Dia da Independência do Brasil!

Manuel Viriato Correia Baima do Lago Filho (Pirapemas, MA 1884 — Rio de Janeiro, RJ 1967) – Pseudônimos: Viriato Correia, Pequeno Polegar, Tibúrcio da Anunciação. Diplomado em direito, jornalista, contista, romancista, teatrólogo, autor de literatura infantil e crônicas históricas, professor de teatro, membro da ABL e político brasileiro.

Obras:

Minaretes, contos, 1903

Era uma vez…, infanto-juvenil, 1908

Contos do sertão, contos, 1912

Sertaneja, teatro, 1915

Manjerona, teatro, 1916

Morena, teatro, 1917

Sol do sertão, teatro, 1918

Juriti, teatro, 1919

O Mistério, teatro, 1920

Sapequinha, teatro, 1920

Novelas doidas, contos, 1921

Contos da história do Brasil, infanto-juvenil, 1921

Terra de Santa Cruz, crônica histórica, 1921

Histórias da nossa história,crônica histórica, 1921

Nossa gente, teatro, 1924

Zuzú, teatro, 1924

Uma noite de baile, infanto-juvenil,1926

Balaiada, romance, 1927

Brasil dos meus avós, crônica histórica, 1927

Baú velho, crônica histórica, 1927

Pequetita, teatro, 1927

Histórias ásperas, contos, 1928

Varinha de condão, infanto-juvenil, 1928

A Arca de Noé, infanto-juvenil, 1930

A descoberta do Brasil, infanto-juvenil,1930

A macacada, infanto-juvenil, 1931

Bombonzinho, teatro, 1931

Os meus bichinhos, infanto-juvenil, 1931

No reino da bicharada, infanto-juvenil, 1931

Quando Jesus nasceu, infanto-juvenil, 1931

Gaveta de sapateiro, crônica histórica, 1932

Sansão, teatro, 1932

Maria, teatro, 1933

Alcovas da história, crônica histórica, 1934

História do Brasil para crianças, infanto-juvenil, 1934

Mata galego, crônica histórica, 1934

Meu torrão, infanto-juvenil,1935

Bicho papão, teatro, 1936

Casa de Belchior, crônica histórica, 1936

O homem da cabeça de ouro, teatro, 1936

Bichos e bichinhos, infanto-juvenil, 1938

Carneiro de batalhão, teatro, 1938

Cazuza, infanto-juvenil, 1938

A Marquesa de Santos, teatro, 1938

No país da bicharada, infanto-juvenil, 1938

História de Caramuru, infanto-juvenil, 1939

O país do pau de tinta, crônica histórica, 1939

O caçador de esmeraldas, teatro, 1940

Rei de papelão, teatro, 1941

Pobre diabo, teatro, 1942

O príncipe encantador, teatro, 1943

O gato comeu, teatro, 1943

À sombra dos laranjais, teatro, 1944

A bandeira das esmeraldas, infanto-juvenil, 1945

Estão cantando as cigarras, teatro, 1945

Venha a nós, teatro, 1946

As belas histórias da História do Brasil, infanto-juvenil, 1948

Dinheiro é dinheiro, teatro, 1949

Curiosidades da história do Brasil, crônica histórica, 1955

O grande amor de Gonçalves Dias, teatro, 1959.

História da liberdade do Brasil, crônica histórica, 1962





Céu azul, poema de Roberto de Almeida Júnior, para a Semana da Pátria

2 09 2011

Cartão postal, 1928

Tarsila do Amaral (Brasil, 1886-1973)

óleo sobre tela,  127 x 42 cm

Céu azul

Roberto de Almeida Júnior

Céu azul de minha terra,

de minha terra natal

que eu amo e estremeço tanto…

Com tua beleza e encanto,

que tanta grandeza encerra,

não há no mundo outro igual!

Céu azul de minha terra,

da terra de Santa Cruz

que a alma estrangeira encanta,

onde o Cruzeiro do Sul,

como um diadema de luz,

é uma bênção sacrossanta!

E ao ver este céu sem par

— azul da cor da pureza,

tão cehios de encantos mil

que nenhum outro suplanta,

— a gente fica a cismar:

Com certeza

o manto da Virgem Santa

foi talhado de um retalho

do lindo céu do Brasil!

Em: Criança Brasileira: quarto livro de leitura, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1949





Canto de minha terra, poesia de Olegário Mariano, para a Semana da Pátria

1 09 2011

Simplicidade, s/d

Reinaldo de Almeida Barros ( Brasil, contemporâneo)

acrílica sobre papel

Reinaldo de Almeida Barros

Canto de minha terra

Olegário Mariano

Amo-te, ó minha terra, por tudo o que me tens dado:

Pelo azul do teu céu,  pelas tuas árvores, pelo teu mar;

Pelas estrelas do Cruzeiro que me deixam anestesiado,

Pelos crepúsculos profundos que põem lágrimas no meu olhar.

Pelo canto harmonioso dos teus pássaros, pelo cehiro

Das tuas matas virgens, pelo mugido dos teus bois;

Pelos raios do sol, do grande sol que eu vi primeiro…

Pelas sombras das tuas noites, noites ermas que eu vi depois.

Pela esmeralda líquida dos teus rios cristalinos,

Pela pureza das tuas fontes, pelo brilho dos teus arrebóis;

Pelas tuas igrejas que respiram pelos pulmões dos sinos,

Pelas tuas casa lendárias, onde amaram nossos avós;

Pelo ouro que o lavrador  arranca de tuas entranhas,

Pela bênção que o poeta recebe do teu céu azul.

Pela tristeza infinita, infinita das tuas montanhas,

Pelas lendas que vêm do norte, pelas glórias que vêm do sul.

Pelo trapo da bandeira que flamula ao vento sereno,

Pelo teu seio maternal onde a cabeça adormeci,

Sinto a dor angustiada de ter o coração pequeno

Para conter a onda sonora que canta de mor por ti.

Em: Criança brasileira: quarto livro de leitura, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1949

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (Brasil, 1889 — 1958) Usou também o pseudônimo João da Avenida, poeta, político e diplomata brasileiro.  Em 1938, foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros,  substituindo Alberto de Oliveira que morrera e que, por sua vez, havia substituído Olavo Bilac.  Membro da Academia Brasileira de Letras.

Obras:

Angelus , 1911

Sonetos, 1921

Evangelho da sombra e do silêncio, 1913

Água corrente, com uma carta prefácio de Olavo Bilac, 1917

Últimas Cigarras, 1920

Castelos na areia, 1922

Cidade maravilhosa, 1923

Bataclan, crônicas em verso, 1927

Canto da minha terra, 1931

Destino, 1931

Poemas de amor e de saudade, 1932

Teatro, 1932

Antologia de tradutores, 1932

Poesias escolhidas, 1932

O amor na poesia brasileira, 1933

Vida Caixa de brinquedos, crônicas em verso, 1933

O enamorado da vida, com prefácio de Júlio Dantas, 1937

Abolição da escravatura e os homens do norte, conferência, 1939

Em louvor da língua portuguesa, 1940

A vida que já vivi, memórias, 1945

Quando vem baixando o crepúsculo, 1945

Cantigas de encurtar caminho, 1949

Tangará conta histórias, poesia infantil, 1953

Toda uma vida de poesia, 2 vols., 1957





Brasil, trecho do poema de Humberto de Campos

31 08 2011

Bandeira do Brasil, feita com pintura de mãos de crianças do Instituto La Fontaine, Belo Horizonte, MG.

http://institutolafontaine.blogspot.com

Brasil

 –

                                                         Humberto de Campos

Verde pátria que, em sono profundo,

Escondias teu régio esplendor,

Vem mostrar, para espanto do mundo,

Teus tesouros de força e de amor.

Salve, terra dos rios enormes,

— Virgem berço da raça tupi!

Anda, acorda, desperta, se dormes,

Que teus filhos já chamam por ti!

Se teus rios que empolam as águas,

À distância as do Oceano comtêm,

Saberemos, poupando-te mágoas,

Repelir o estrangeiro, também.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Se nas cores que tremem nos mastros

As estrelas enfeitam teu véu,

Hás de tê-las bem alto, entre os astros,

Entre as outras estrelas do Céu!

Salve, terra dos rios enormes,

— Virgem berço da raça tupi!

Anda, acorda, desperta, se dormes,

Que teus filhos já chamam por ti!

Humberto de Campos Veras (Brasil, 1886 — 1934), também trabalhou com os psudônimos: Conselheiro XX, Almirante Justino Ribas,  Luís PhocaJoão Caetano, Giovani MorelliBatu-Allah, Micromegas e Hélios.  Foi jornalista, político, ensaísta, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras.

Obras:

Poeira –  poesia- 1910

Da seara de Booz – crônicas – 1918

 Vale de Josaphat – contos – 1918

 Tonel de Diógenes – contos – 1920

 A serpente de bronze – contos – 1921

 Mealheiro de Agripa – 1921

 Carvalhos e roseiras – crítica – 1923

 A bacia de Pilatos – contos – 1924

 Pombos de Maomé – contos – 1925

 Antologia dos humoristas galantes – 1926

 Grãos de mostarda – contos – 1926

 Alcova e salão – contos – 1927

 O Brasil anedótico – anedotas – 1927

 Antologia da Academia Brasileira de Letras – participação – 1928

 O monstro e outros contos – 1932

 Memórias 1886-1900 – 1933

 Crítica (4 séries) – 1933, 1935, 1936

 Os países – 1933

 Poesias completas – reedição poética – 1933

 À sombra das tamareiras – contos -1934

 Sombras que sofrem – crônicas – 1934

 Um sonho de pobre – memórias – 1935

 Destinos – 1935

 Lagartas e libélulas – 1935

 Memórias inacabadas – 1935

 Notas de um diarista – séries 1935 e 1936

 Reminiscências – memórias -1935

 Sepultando os meus mortos – memórias – 1935

 Últimas crônicas – 1936

 Contrastes – 1936

 O arco de Esopo – contos – 1943

 A funda de Davi – contos – 1943

 Gansos do capitólio – contos – 1943

 Fatos e feitos – 1949

 Diário secreto (2 vols.) – memórias – 1954





Um senhor documentário: A FAMÍLIA BRAZ

21 07 2011

Tempo de férias.   Ainda bem que fazemos coisas diferentes e fora do hábito comum.  Neste período de julho, estou curtindo férias na minha cidade, dando uma chance de me recarregar saindo quase todos os dias para fazer coisas de que gosto nos horários mais diversos.  Estou com a agenda cheia.  Muito mais cheia do que esperava.  Há muito que fazer, que ver, que compartilhar.  E os amigos, sabendo dessa abertura, estão telefonando, batendo à porta.  Um prazer!  Será que me acostumo a rotina de sempre, mais tarde?

Entre as surpresas dessa temporada o está o maravilhoso documentário A Família Braz: dois tempos, de Arthur Fontes e Dorrit Harazin,  eleito o Melhor Filme no festival de cinema É Tudo Verdade.  O filme retrata uma família que mora em Brasilândia, na periferia de São Paulo.  Um casal e seus quatro filhos.  Esse retrato é feito em 2 épocas diferentes com 10 anos de intervalo.  Por causa disso criamos uma afinidade com cada um dos retratados, já que somos apresentados aos seus sonhos e desejos do passado e a realidade em 2010.   Poderia ter sido uma experiência desastrosa…  Mas, ao contrário, é uma experiência maravilhosa, ver como cada um deles conseguiu ir muito além do que esperava…

A família, que poderia se considerar de classe média baixa, com o pai trabalhando sem carteira assinada como bombeiro hidráulico e a mãe dona de casa, é composta de 4 filhos, que no primeiro retrato estavam entre 14 e 24 anos.  Hoje, bem estabelecida na classe média paulistana, está a caminho de sonhos muito maiores do que aqueles imaginados em 2000.  As conquistas – de todos – são o resultado de muito esforço, de muito estudo e trabalho.  Mas são evidentes.  E é um prazer acompanhá-los.

Sem cunho político – o que é um alívio – o documentário mostra o Brasil que queremos ter.  Se você está precisando daquela força para acreditar que tudo vai dar certo.  Se a sua confiança no futuro desse país está num momento de fragilidade – e todos nós temos isso, porque não faltam razões – vá assistir a esse documentário.  Tenho certeza de que você voltará para casa com as suas energias renovadas.





Minha terra, poema de Casimiro de Abreu

26 06 2011

Paisagem com touro, 1925

Tarsila do Amaral ( Brasil, 1886 – 1973)

óleo sobre tela, 52 x 65 cm

Coleção Particular

Minha terra

                             Casimiro de Abreu

Todos cantam sua terra

Também vou cantar a minha

Nas débeis cordas da lira

Hei de fazê-la rainha.

— Hei de dar-lhe a realeza

Nesse trono de beleza

Em que a mão da natureza

Esmerou-se em quanto tinha.

Correi pras bandas do sul:

Debaixo de um céu de anil

Encontrareis o gigante

Santa Cruz, hoje Brasil.

— É uma terra de amores,

Alcatifada de flores,

Onde a brisa fala amores

Nas belas tardes de abril.

Tem tantas belezas, tantas,

A minha terra natal,

Que nem as sonha o poeta

E nem as canta um mortal!

— É uma terra encantada

— Mimoso jardim de fada –

Do mundo todo invejada,

Que o mundo não tem igual.

Em: Vamos Estudar?  Theobaldo Miranda Santos, 3ª série primária, edição especial para o estado do Rio de Janeiro, RJ, Agyr:1957, 9ª edição.

Casimiro José Marques de Abreu (Barra de São João, 4 de janeiro de 1839 — Nova Friburgo, 18 de outubro de 1860) poeta brasileiro da segunda geração romântica. Foi a Portugal com seu pai em 1853, onde permaneceu até 1857. Morreu aos 21 anos de idade de tuberculose. Deixou um único livro de poesias publicado em 1859, Primaveras, mas foi o suficiente para se tornar um dos mais populares poetas brasileiros de todos os tempos. 

Obras: 

Teatro:

Camões e o Jaú , 1856

 Poesia:

Primaveras, 1859

 Romances: 

Carolina, 1856

Camila, romance inacabado, 1856

A virgem loura,

Páginas do coração, prosa poética,1857